Diretiros humanos protagonismo juvenil

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<ul><li> 1. Direitos HumanosProtagonismo Secretaria Especial Ministriodos Direitos Humanos da Educao juvenilkit2_CAPA_mod3.indd 2-310/3/2007 20:19:45</li></ul><p> 2. Presidente da RepblicaLuiz Incio Lula da SilvaMinistro da EducaoFernando HaddadSecretrio Especial de Direitos HumanosPaulo de Tarso Vannuchikit2_CAPA_mod3.indd 4 10/3/2007 20:19:45 3. Ministrio da Educao Secretaria de Educao BsicaPrograma tica e Cidadania construindo valores na escola e na sociedade Protagonismo juvenilMdulo 3Direitos HumanosPrograma de Desenvolvimento Profissional ContinuadoBraslia 2007ki2_mod03.indd 1 3/6/07 10:17:30 AM 4. Secretria de Educao Bsica - SEB/MECMaria do Pilar Lacerda Almeida e SilvaPresidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educao - FNDE/MECDaniel da Silva BalabanDiretora de Polticas de Ensino Mdio - DPEM/SEB/MECLucia Helena LodiCoordenao do ProjetoLucia Helena LodiEquipe Tcnica - DPEM/SEB/MECRozana da Silva CastroMaria Marismene GonzagaOrganizaoFAFE Fundao de Apoio Faculdade de Educao (USP)ConsultoresUlisses F. Arajo e Valria Amorim ArantesEquipe de elaboraoUlisses F. Arajo,Valria Amorim Arantes, Ana Maria Klein e Eliane Cndida PereiraRevisoMaria Helena Pereira Dias, Ana Lucia Santos (preparao)Coordenao de ArteRicardo PostacchiniDiagramaoCamila Fiorenza Crispino Tiragem 40 mil exemplares MINISTRIO DA EDUCAOSECRETARIA DE EDUCAO BSICAEsplanada dos Ministrios, Bloco L, sala 500 CEP: 70.047-900 - Braslia - DFTel. (61) 2104-8177/2104-8010 http://www.mec.gov.br Dados Internacionais de Catalagoo na Publicao (CIP)Programa tica e Cidadania : construindo valores na escola e na sociedade : protagonismo juvenil / organizao FAFE Fundao de Apoio Faculdade de Educao (USP) , equipe de elaborao Ulisses F. Arajo... [et al.]. Braslia : Ministrio da Educao, Secretaria de Educao Bsica, 2007. 4 v. Programa de Desenvolvimento Prossional ContinuadoContedo: Protagonismo juvenil mdulo 1: tica mdulo 2: Convivncia Democrtica mdulo3: Direitos Humanos mdulo 4: Incluso Social ISBN 978-85-98171-74-6 1. tica. 2. Cidadania. 3. Direitos humanos. 4. Incluso social. 5. Violncia na escola. 6. Relaes sociaisna escola. 7. Igualdade de oportunidades. I. Fundao de Apoio Faculdade de Educao. II. Arajo, UlissesF. III. Brasil. Secretaria de Educao Bsica. CDU 37.014.53ki2_mod03.indd 2 3/6/07 10:17:31 AM 5. Direitos HumanosMdulo 3Protagonismo juvenilki2_mod03.indd 3 3/6/07 10:17:31 AM 6. SumrioIntroduo ................................................................................................................... 5Os jovens no Brasil....................................................................................................... 9Juventude, sonhos, desejos e realidade ........................................................................ 19"Causos do ECA"....................................................................................................... 25ki2_mod03.indd 4 3/6/07 10:17:31 AM 7. Direitos HumanosIntroduo Protagonismojuvenilki2_mod03.indd 5 3/6/07 10:17:31 AM 8. Toda pessoa tem direito educao. A educao ser gratuita, pelomenos nos nveis elementares e fundamentais. A educao elementarser obrigatria. A educao tcnica e profissional ser acessvel atodos, bem como a superior, esta baseada no mrito.O texto acima faz parte do artigo XXVI da Declarao Universaldos Direitos Humanos e demonstra, de forma inequvoca, oentendimento do papel da educao dos jovens (aqui compreendidospelas pessoas, homens e mulheres, entre 15 e 24 anos de idade)como um direito universal. Nesse sentido, fundamental assumiro compromisso com polticas pblicas que no s garantam oacesso dos jovens educao tcnica e profissional mas, tambm,que assegurem sua permanncia no sistema educacional, criandocondies justas para que tenham acesso ao ensino superior.Para alm da garantia de escolaridade, no entanto, o acesso aomundo do trabalho, nas vrias e diferentes formas que a sociedadecontempornea abre aos jovens, um elemento essencial naconstruo da justia social e de condies que promovam seuprotagonismo na sociedade. Dessa forma, articular educao etrabalho para a juventude, a partir de projetos que garantam aqualidade de vida para todos, um caminho profcuo para odesenvolvimento de aes que tenham a escola como lcus e aparticipao cidad como meta.Os recursos didticos que compem este mdulo do Programatica e Cidadania buscam instrumentalizar os atores e atrizes,participantes do Frum Escolar de tica e de Cidadania, e osdemais estudantes e docentes das escolas para a compreenso dopapel da juventude na vida contempornea, bem como trazerexperincias que reforcem o papel da escola na luta pela igualdadede direitos para jovens e adolescentes.Iniciamos o mdulo com um texto de Marlia Sposito sobre osjovens no Brasil, apontando o quadro atual da juventude no6ki2_mod03.indd 6 3/6/07 10:17:34 AM 9. tocante a temticas como trabalho, violncia, drogas, lazer, poltica e cultura. Como relatos de experincias, apresentamos dez histrias que destacam a escola como protagonista da promoo e da garantia de direitos dos jovens, tendo como eixo de sustentao o Estatuto da Criana e do Adolescente. Como recurso audiovisual, apresentamos o curta-metragem Dad, que mostra os sonhos, desejos e a realidade social de trs jovens de 16 anos que vivem no morro do Vidigal, no Rio de Janeiro. 7ki2_mod03.indd 73/6/07 10:17:37 AM 10. ki2_mod03.indd 8 3/6/07 10:17:37 AM 11. Direitos HumanosOs jovens no Brasil Protagonismojuvenilki2_mod03.indd 93/6/07 10:17:37 AM 12. ki2_mod03.indd 10 3/6/07 10:17:37 AM 13. O texto a seguir, de autoria da sociloga Marilia Sposito, traz resultados de umapesquisa realizada com jovens de diversas regies metropolitanas de diversas regiesmetropolitanas: Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), So Paulo (SP), Rio de Janeiro(RJ), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Recife (PE), Fortaleza (CE), Belm (PA) eDistrito Federal (DF). Nele, enquanto o desemprego trazido como principal tema depreocupaes dos jovens, a violncia, seguida das drogas, so apontadas pelos mesmoscomo os grandes problemas do mundo contemporneo. Outras questes relevantes soabordadas na pesquisa e analisadas com cuidado pela autora: o acesso dos jovens aolazer, suas perspectivas de futuro, a dimenso poltica e cultural nas suas vidas. O texto finalizado com algumas reflexes sobre os processos de excluso que afetam os jovensbrasileiros. Acreditamos que tais reflexes podem ser tomadas como ponto de partidapara um frum aberto de debate sobre protagonismo e juventude.SPOSITO, Marilia Pontes. Os jovens no Brasil: desigualdades multiplicadas e novas demandaspolticas. So Paulo: Ao Educativa, 2003. p. 23-26.O que dizem os estudos sobre jovens?Em pesquisa nacional realizada em 1999 pela FundaoPerseu Abramo com jovens residentes em nove regiesmetropolitanas, foi possvel verificar que no Brasil acondio juvenil no pode ser depreendida apenas darealidade escolar ou seja, da situao dos jovens comoestudantes , mas deve ser compreendida tambm apartir do mundo do trabalho. Por essas razes, no Brasil,a transio para a idade adulta no representada peloincio da vida profissional, como acontece em algunspases desenvolvidos.TrabalhoEstavam trabalhando, desempregados ou buscando alguma forma de contato com omundo do trabalho, 78% dos jovens entrevistados. Ou seja, cerca de quatro em cadacinco jovens brasileiros metropolitanos estavam ligados esfera do trabalho, em novembrode 1999, independentemente de terem completado ou no sua formao escolar. 11ki2_mod03.indd 11 3/6/07 10:17:38 AM 14. Para dois teros dos jovens economicamente ativos, o trabalho constitua umcomplemento de renda familiar. No entanto, outras atribuies de sentido, alm dasubsistncia, apareceram nas respostas. De um lado, a ocupao vista como meiopara a prpria formao profissional e para continuidade da educao escolar. Deoutro, o trabalho tambm permite a esses jovens a possibilidade de experimentar acondio juvenil em esferas como a da sociabilidade, do lazer, da cultura e do consumo(de roupas, aparelhos eletrnicos, entre outros). Assim, a ocupao, mesmo realizadasob condies precrias, aparece revestida de atribuies positivas ligadas a maiorindependncia da famlia, autonomia e como condio de prazer. Os resultadosmostravam que havia mais jovens satisfeitos (37% muito satisfeitos, 38% um poucosatisfeitos) que insatisfeitos (10% um pouco insatisfeitos, 7% muito insatisfeitos) coma atividade exercida. Por essas razes, quando perguntados sobre seu principal tema depreocupao, a resposta majoritria foi o desemprego, ao lado do problema da violnciae, em seguida, a questo das drogas.ViolnciaQuanto violncia e seu crescimento nos ltimos anos, sobretudo a partir da disseminaodas quadrilhas organizadas em torno do narcotrfico, preciso ressaltar que os segmentosjuvenis da sociedade brasileira, embora apaream quase sempre como protagonistas,so muito mais vtimas do que responsveis. Embora a taxa global de mortalidade dapopulao brasileira tenha decrescido de 633 em 100 mil habitantes, em 1980, para 573,no ano 2000, o inverso ocorreu com os jovens na faixa etria de 15 a 24 anos: de 128passou para 133 por 100 mil no mesmo perodo. Como afirma Waiselfisz (2002: 25), amortalidade entre os jovens no s aumentou, como tambm mudou sua configurao,a partir do que se pode denominar como os novos padres de mortalidade juvenil.Os novos padres exprimiriam as novas razes da mortalidade juvenil, no mais asdoenas e as epidemias infecciosas, como h dcadas, mas as denominadas causasexternas, principalmente os acidentes de trnsito e os homicdios.Na cidade do Rio de Janeiro, no ano 2000, a taxa de homicdios declarados a cada 100mil habitantes foi de 54,9. A partir de um estudo realizado com a populao juvenil dacidade, Novaes e Mello (2002) verificaram que a rua foi apontada por todos os jovenscomo o locus de maior perigo. Nesse sentido, as autoras constataram que so os jovenspobres os que mais dependem das formas pblicas de lazer, entre elas a circulao pelasruas e praias. Assim, so esses segmentos tambm os mais penalizados com os ndicescrescentes de violncia, por no ter acesso fcil a formas de lazer que envolvam gastos.DrogasAo apontar quais seriam os maiores problemas no mundo, os jovens entrevistadospela Fundao Perseu Abramo consideram que a violncia o primeiro, com 52% demenes espontneas. Aproximadamente 29% dos entrevistados declararam ter visto,pessoalmente, algum assassinado.Como terceiro problema, foi mencionado o campo das drogas, revelando proximidade econtato com usurios, embora poucos tenham declarado o hbito de consumo de drogasilcitas, como a maconha e a cocana (13% declararam j ter experimentado a maconhae, apenas 5%, crack ou cocana). Embora os jovens apontem as substncias ilcitas comoas mais freqentes, a pesquisa no tratou do consumo de lcool, que certamente um12ki2_mod03.indd 12 3/6/07 10:17:38 AM 15. grande problema, sendo o agente responsvel pela maioria dos bitos de jovens emacidentes de trnsito.Dados de pesquisa nacional domiciliar realizada em 2001 nas 107 maiores cidades dopas so muito prximos aos obtidos na pesquisa da Fundao Perseu Abramo. Na faixaetria de 12 a 17 anos, apenas 3,5% declararam ter usado maconha; para aqueles queestavam entre 18 e 24 anos os ndices foram de 9,9%. O uso de cocana ainda menosfreqente, pois, entre os mais jovens (de 12 a 17 anos), apenas 0,5% confirmaram o uso,e, entre aqueles que estavam na faixa de 18 a 24 anos, os ndices estiveram em torno de3,2%. Vale a pena ressaltar que os dados nacionais coletados considerando a populaototal, mostram que, em relao a outros pases, quanto ao uso da maconha, por exemplo, oBrasil esteve prximo da Colmbia e da Alemanha, mas bem abaixo dos Estados Unidos,da Holanda, do Reino Unido, da Espanha e da Dinamarca.LazerPara os jovens metropolitanos sujeitos da pesquisa, o lazer consiste, sobretudo, em saircom os amigos, assistir televiso e ir a danceterias, bares e restaurantes. A ida a shoppingcenters aparece como a atividade realizada com maior freqncia nas grandes cidades.No entanto, um dado importante da pesquisa realizada com jovens da cidade do Rio deJaneiro indica que, ao declarar o que fizeram no final de semana anterior pesquisa, 49%afirmaram ter permanecido em sua prpria casa vendo televiso, ouvindo rdio ou lendolivros. Para os jovens entrevistados, essa alternativa est longe de ser a forma de lazer idealpara o fim de semana.As dificuldades de acesso ao lazer tambm se observam na pesquisa sobre o IndicadorNacional de Analfabetismo Funcional (lnaf, 2003). Entre os jovens com 15 a 24 anos,54% declararam que nunca vo ao cinema e 76% nunca vo ao teatro. Os shows parecemser mais acessveis aos jovens, uma vez que 71% declaram ir sempre, s vezes ou de vezem quando.Perspectivas para o futuroOs jovens pesquisados pela Fundao Perseu Abramo apresentaram-se, em 1999,predominantemente otimistas quanto ao seu futuro pessoal, embora esse otimismodecresa nos segmentos sociais com renda mais baixa. Acreditavam que, com o esforopessoal promoveriam a melhoria das suas condies de vida, reiterando o imaginrioliberal em torno da importncia do xito individual. No entanto, naquele perodo,demonstravam-se mais pessimistas diante do futuro do pas. Mas a confiana no futuropessoal era permeada por certa insegurana, pois, ao examinar a frase o futuro trazmais dvidas que certezas, 53% concordaram totalmente e 26%, em parte, com aafirmao.Um dado importante, capaz de retratar os modos de vida de jovens moradores de grandescidades, manifestado pelos jovens da cidade do Rio de Janeiro: somente 5,4% declararamno ter qualquer tipo de medo. Apesar da variedade de manifestaes desse sentimento(6,8% declararam medo da solido, por exemplo), a grande maioria localizou-os na vida,em tempo real. Novaes e Mello (2002) identificaram dois blocos ntidos do sentimentode medo: Analisando o conjunto das respostas, podemos dizer que no medo da mortese expressam vrias caractersticas da insegura vida urbana atual e no medo do futuro13ki2_mod03.indd 133/6/07 10:17:38 AM 16. expressam-se, mais uma vez, os sentimentos de uma gerao que se defronta com ummercado de trabalho restritivo e mutante.PolticaA pesquisa nacional da Fundao Perseu Abramo observou uma situao intermediriaentre os jovens: no h uma adeso irrestrita s formas tradicionais de participao, mastambm no h nenhum grau absoluto de desinteresse. Nos assuntos de maior motivaopara a discusso, a poltica apareceu em stimo lugar. A crtica poltica parece estarmais radicada nos atores que no processo poltico stricto sensu. No entanto, os temassociais sempre apareceram com muita freqncia no campo de interesses dos jovens,particularmente o desemprego, a educao, o racismo, a cultura e as questes ligadas aomeio ambiente.As formas tradicionais de participao no sistema escolar como o movimento estudantil- so muito pouco mobilizadoras, pois apenas 4% dos que estudavam participavamativamente de agremiaes estudantis. Entre os jovens que trabalhavam, s 3%mantinham algum vnculo com os sindicatos. Isso no s significa uma resistncia a essetipo de participao...</p>