direito tributÁrio oab xx estratÉgia aula 05

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  • Aula 05

    Direito Tributrio p/ XX Exame de Ordem - OAB

    Professor: Fbio Dutra

  • Direito Tributrio para XX Exame da OAB

    Curso de Teoria e Questes

    Prof. Fbio Dutra- Aula 05

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    AULA 05: Legislao Tributria

    SUMRIO PGINA Observaes sobre a aula 01 Legislao Tributria 02 Vigncia da Legislao Tributria 19 Aplicao da Legislao Tributria 27 Interpretao da Legislao Tributria 33 Integrao da Legislao Tributria 40 Gabarito da Questes Comentadas em Aula 44

    Observaes sobre a Aula

    Ol amigo(a), tudo bem?

    Como bom estar aqui, participando da tua preparao para o Exame de Ordem! Nesta aula, daremos mais um passo rumo ao to aguardado dia da prova da OAB!

    Hoje estudaremos tudo sobre Legislao Tributria! Assim sendo, nossa aula conter os seguintes assuntos:

    Legislao Tributria: fontes do Direito Tributrio Vigncia da Legislao Tributria Aplicao da Legislao Tributria Interpretao da Legislao Tributria Integrao da Legislao Tributria

    Vamos comear ento!

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    1 LEGISLAO TRIBUTRIA

    O Cdigo Tributrio Nacional inicia o seu Livro Segundo a partir do art. 96, tratando do tema Legislao Tributria. Mas o que vem a ser Legislao Tributria?

    Muitos candidatos desconhecem quais so as fontes do Direito Tributrio. Tais fontes so divididas pelo ilustre Vittorio Cassone1 em materiais e formais.

    As fontes materiais (ou reais) representam os fatos que justificam a tributao, como, por exemplo, o patrimnio, os servios, a importao, a exportao a transmisso de propriedade etc.

    Contudo, as fontes materiais por si s no so capazes de fazer surgir a obrigao tributria, pois necessrio que elas (as fontes materiais) tomem uma forma. Tal forma diz respeito ao processo de elaborao de atos normativos, como as leis ou medidas provisrias, capazes de estabelecer uma relao jurdico-tributria entre o sujeito ativo (Unio, por exemplo) e o contribuinte.

    Como consequncia desse processo legislativo, por assim dizer, temos as denominadas fontes formais, que foram rotuladas no art. 96 do CTN como legislao tributria, nos seguintes termos:

    Art. 96. A expresso "legislao tributria" compreende as leis, os tratados e as convenes internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relaes jurdicas a eles pertinentes.

    Professor, ento quer dizer que as fontes formais do Direito Tributrio so as leis, tratados internacionais, decretos e as normas complementares? Exatamente!

    Guarde isso: todas as normas que versem, no todo ou em parte (ateno!), sobre tributos e relaes jurdicas a eles pertinentes (matria tributria de um modo geral) integram a legislao tributria!

    At mesmo a CF/88 integra a legislao tributria (sendo fonte do Direito Tributrio), sendo esta a base de todas as outras!

    Nesse contexto, importante ter em mente o conceito de ato normativo. Trata-se de hipteses normativas que so aplicadas s pessoas de

    1 CASSONE, Vittorio. Direito Tributrio. 15 Edio. 2003. Pg. 45

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    um modo geral e s diversas situaes fticas. Em sntese, so dotados de generalidade e abstrao.

    Imaginemos, a ttulo de exemplo, uma lei municipal que institui o IPTU em um determinado Municpio. Essa lei dotada de generalidade, pois no possui um destinatrio especfico, incidindo sobre a todas as pessoas que praticarem o fato gerador do IPTU (possuir imvel em territrio urbano). Alm disso, o fato de a lei apenas estabelecer hipteses de incidncias abstratas (que podem vir ou no a ocorrer no mundo concreto), faz com que a doutrina caracterize tais atos normativos como dotados de abstrao.

    Diferentemente do que foi visto acima, os atos concretos so de carter individual, incidindo sobre pessoa determinada, bem como relativo a situaes ocorridas no mundo concreto. Assim, por exemplo, quando um Auditor-Fiscal da Receita Federal, durante procedimento de fiscalizao, detecta que o contribuinte auferiu rendimentos e deixou de pagar o IR devido, faz-se um lanamento de ofcio, que , por essncia, um ato concreto.

    Observao: A generalidade e a abstrao so caractersticas comuns a todos os atos normativos.

    No entanto, nem todos os atos normativos possuem a mesma fora jurdica. Assim, podemos definir os atos normativos como primrios e secundrios.

    Os atos normativos primrios, assim denominados por buscarem seus fundamentos diretamente da Constituio Federal, so capazes de inovar no ordenamento jurdico, criando novos direitos e obrigaes.

    Por outro lado, os atos normativos secundrios, quais sejam aqueles cujo fundamento de validade uma norma infraconstitucional (leis, por exemplo), no tm o condo de inovar no ordenamento jurdico.

    Atos normativos primrios em desacordo com o seu fundamento de validade so inconstitucionais.

    Atos normativos secundrios em desacordo com o seu fundamento de validade so ilegais.

    Retornando nossos olhares ao art. 96 do CTN, podemos dizer que a so fontes formais principais do Direito Tributrio: Constituio Federal e Emendas Constituio, Leis Complementares e Ordinrias, Leis Delegadas, Medidas Provisrias, Decretos Legislativos e Resolues.

    Quanto s fontes formais secundrias, so elas: os decretos e as normas complementares. No se preocupe, pois tudo isso ser visto a seguir.

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    Observao: A doutrina e a jurisprudncia no so consideradas fontes formais do Direito Tributrio.

    Em suma, o que eu quero que voc entenda at o momento quais so as fontes do Direito Tributrio, bem como a diferena entre o grau hierrquico dos atos normativos primrios e secundrios, lembrando-se que ambos so abstratos.

    1.1 - Constituio Federal e Emendas Constituio

    A Constituio Federal a base de todo o Sistema Tributrio Nacional. Afinal de contas, dela que os entes recebem a competncia tributria para instituir tributos.

    Alm disso, como Lei Maior, traz os princpios norteadores do Direito Tributrio que, juntamente com as imunidades tributrias, constituem as limitaes ao poder de tributar.

    A CF tambm responsvel por disciplinar o processo legislativo, isto , o processo de criao das principais normas tributrias (leis complementares, leis ordinrias etc.).

    No que se refere modificao da CF/88, h que se destacar que isso somente se faz possvel, por meio das denominadas emendas Constituio. Tal processo pode resultar na alterao das regras do jogo, ou melhor, das regras norteadoras do todo o sistema tributrio, j que, aps aprovadas, as normas das emendas Constituio passam a ter a mesma hierarquia desta.

    No entanto, cabe relembrar o que foi dito na aula inicial a respeito das clusulas ptreas. Tais normas so previstas como uma espcie de blindagem, para que a Constituio no sofra sucessivas emendas que a desvirtue dos princpios que foram nela consolidados quando houve sua promulgao.

    Portanto, a ttulo de exemplo, uma emenda Constituio que traga em seu texto regra que reduza a eficcia do princpio da anterioridade (j reconhecido pelo STF como clusula ptrea), estar, na realidade, abolindo os direitos e garantias individuais, conforme art. 60, 4, IV, da CF/88.

    1.2 Leis Complementares

    A lei complementar ato normativo cujo processo de aprovao mais dificultoso do que o rito comum das leis ordinrias. Sendo assim, o legislador constituinte delegou a esse instrumento normativo importantes papis, tendo em vista seu maior grau de estabilidade ( mais difcil de alterar

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    uma lei complementar, pois exige maioria absoluta para aprovao de uma LC).

    Em matria tributria, vrios aspectos foram submetidos lei complementar, inclusive a instituio de alguns tributos. Os alunos sempre sentem necessidade de saber quais so os assuntos sujeitos lei complementar. Eu diria que o contato com a disciplina (leitura do nosso curso + leitura da CF/88 + resoluo de questes) far com que voc memorize naturalmente.

    De acordo com a jurisprudncia do STF, no h hierarquia entre lei complementar e lei ordinria!

    Contudo, vamos citar abaixo os casos de lei complementar!

    Em relao instituio de tributos, esto submetidos lei complementar:

    Emprstimo Compulsrio (EC); Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF); Impostos Residuais (I.Res.); Contribuies Sociais Residuais (CSR).

    Em regulao regulamentao especfica de alguns tributos, fica a lei complementar responsvel pelas seguintes funes:

    ITCMD: em casos relacionados ao exterior (ler art. 155, 1, III, a e b);

    ICMS: como dito na aula anterior (se necessrio, retorne e leia), temas que possam gerar conflitos entre os Estados, situaes peculiares ao ICMS e base de clculo e