direito tributrio oab xx estrat‰gia aula 04

Download DIREITO TRIBUTRIO OAB XX ESTRAT‰GIA AULA 04

Post on 20-Jan-2017

1.680 views

Category:

Law

6 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • Aula 04

    Direito Tributrio p/ XX Exame de Ordem - OAB

    Professor: Fbio Dutra

  • Direito Tributrio para XX Exame da OAB

    Curso de Teoria e Questes

    Prof. Fbio Dutra- Aula 04

    Prof. Fbio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Pgina 1 de 43

    AULA 04: Impostos de Competncia dos Estados e Repartio das Receitas Tributrias

    SUMRIO PGINA Observaes sobre a aula 01 Impostos de Competncia dos Estados 02 Repartio das Receitas Tributrias 33 Gabarito das Questes Comentadas em Aula 43

    Observaes sobre a Aula

    Ol amigo(a), tudo bem?

    Vamos finalizar o estudo dos Impostos previstos na CF/88?

    Na aula de hoje, vamos estudar os impostos de competncia estadual (ICMS, ITCMD e IPVA)!

    Com exceo do ICMS, os impostos estaduais no guardam qualquer dificuldade. Portanto, vamos ficar bastante atento aos grifos, alertas e observaes! Tenho certeza que a aula ser muito proveitosa! Ao final da aula, estudaremos tambm as reparties das receitas tributrias, tema cobrado com frequncia nas provas da OAB!

    J estamos com meio caminho andado, praticamente! Portanto, no desista dos seus objetivos neste momento.

    Ento, vamos comear a nossa aula!

    87496878910

  • Direito Tributrio para XX Exame da OAB

    Curso de Teoria e Questes

    Prof. Fbio Dutra- Aula 04

    Prof. Fbio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Pgina 2 de 43

    1 - IMPOSTOS DE COMPETNCIA DOS ESTADOS

    Neste tpico, iremos estudar os impostos cuja competncia ficou a cargo dos Estados (e do Distrito Federal tambm).

    Da mesma forma que os Municpios, os Estados somente possuem competncia para instituir trs impostos, quais sejam: imposto sobre transmisso causa mortis e doao, de quaisquer bens ou direitos (ITCMD ou ITCD); imposto sobre operaes relativas circulao de mercadorias e sobre prestaes de servios de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicao, ainda que as operaes e as prestaes se iniciem no exterior (ICMS); e imposto sobre propriedade de veculos automotores (IPVA).

    Nunca se esquea que apenas a Unio pode criar outros impostos alm dos j previstos no texto constitucional, ok? Os Estados, o Distrito Federal e os Municpios ficam restritos aos que j foram estabelecidos, lembrando-se de que nada impede que uma emenda constitucional venha aumentar a competncia tributria dos entes federados!

    1.1 Imposto sobre a Circulao de Mercadorias e prestao de Servios (ICMS)

    Vamos estudar a partir de agora o imposto que possui a maior arrecadao do Pas. O fato de a competncia tributria para instituir esse importante imposto ter sido delegada aos Estados e ao Distrito Federal gerou a necessidade de se estabelecer diversas regras a fim de evitar a disputa entre os entes federados pela arrecadao do ICMS (guerra fiscal).

    Com efeito, vamos perceber que esse foi o imposto que recebeu uma ateno especial por parte do legislador constituinte. Foram dedicados ao ICMS os 2, 3, 4 e 5 do art. 155 da CF/88. Se voc der uma olhada, perceber que so inmeras regras. Contudo, no se preocupe, pois tudo ser detalhado aqui de forma bastante simplificada!

    Inicialmente, podemos afirmar que o ICMS um imposto com ntida finalidade fiscal, at porque a principal fonte de receita dos Estados. Alm disso, trata-se de um tributo real incidente sobre coisas, independentemente das caractersticas subjetivas dos contribuintes, sendo tambm considerado proporcional, pois suas alquotas no variam em funo da base de clculo.

    Destaque-se que o referido imposto tambm , como regra, plurifsico, ou seja, incide sobre todas as etapas de circulao das mercadorias.

    Observao: Existe uma exceo, que o ICMS-Combustveis, cuja incidncia monofsica, ou seja, s incide uma vez. Estudaremos esse caso especfico mais adiante.

    87496878910

  • Direito Tributrio para XX Exame da OAB

    Curso de Teoria e Questes

    Prof. Fbio Dutra- Aula 04

    Prof. Fbio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Pgina 3 de 43

    A incidncia plurifsica do ICMS tem por consequncia o princpio da no cumulatividade (da mesma forma como ocorre com o IPI), nos termos do art. 155, 2, I. Segundo tal princpio, compensa-se o que for devido em cada operao com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado.

    Caro aluno(a), eu no permito que reste sequer uma dvida sobre esse mecanismo. Portanto, vamos trazer para nossa aula um exemplo prtico!

    Vamos imaginar uma cadeia produtiva, com os elementos inseridos no esquema a seguir:

    Veja que ocorre a circulao de mercadorias em trs momentos, havendo, por conseguinte, trs incidncias de ICMS, por conta da incidncia plurifsica do imposto.

    Digamos que a indstria venda seus produtos pelo preo de R$ 100,00 ao distribuidor, que, por sua vez, revende ao estabelecimento varejista por R$ 200,00. Este, por fim, revende ao consumidor final os produtos pelo preo de R$ 300,00. Suponhamos, ainda, que a alquota de ICMS seja de 18% em todos os casos.

    Vejamos como seria a incidncia cumulativa do ICMS:

    INCIDNCIA CUMULATIVA

    INCIDNCIA ALQUOTA PREO DE VENDA IMPOSTO DEVIDO

    Incidncia 1 18% R$ 100,00 R$ 18,00 Incidncia 2 18% R$ 200,00 R$ 36,00 Incidncia 3 18% R$ 300,00 R$ 54,00

    TOTAL: R$ 108,00

    Perceba que no total foi recolhido R$ 108,00 de ICMS, pois nada do que foi pago nas etapas anteriores pde ser compensado.

    1 2 3

    87496878910

  • Direito Tributrio para XX Exame da OAB

    Curso de Teoria e Questes

    Prof. Fbio Dutra- Aula 04

    Prof. Fbio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Pgina 4 de 43

    Bom, vejamos, ento, como funciona a incidncia no cumulativa:

    INCIDNCIA NO CUMULATIVA

    INCIDNCIA ALQUOTA PREO DE VENDA IMPOSTO DEVIDO

    Incidncia 1 18% R$ 100,00 R$ 18,00

    Incidncia 2 18% R$ 200,00 36,00 18,00 =

    R$ 18,00

    Incidncia 3 18% R$ 300,00 54,00 36,00 =

    R$ 18,00 TOTAL: R$ 54,00

    Percebe-se que o que foi tributado na etapa anterior pde ser compensado na etapa seguinte da cadeia, produzindo, ao final, o mesmo imposto que incidiria caso houvesse apenas uma nica etapa (a ltima), pois R$ 300 x 18% = 54,00. Entendido?

    Ento, quando o distribuidor, por exemplo, adquire as mercadorias, ele tem o direito de se creditar do valor que j foi pago de ICMS pela indstria. No momento da revenda, ele deve debitar o valor total, recolhendo apenas a diferena. Esse o mecanismo de dbitos e crditos.

    Com base nos exemplos fornecidos, possvel perceber que quem acaba por assumir o encargo financeiro do imposto incidente sobre toda a cadeia o consumidor final. Portanto, pode-se dizer que o ICMS um tributo indireto, pois quem sofre o nus tributrio no a mesma pessoa que efetua o recolhimento do imposto.

    Observao: exatamente assim que funciona o IPI!

    Contudo, pode ocorrer de o ICMS no ser cobrado do industrial (por conta de uma iseno especfica, por exemplo), e depois como fica a situao do distribuidor, j que nada foi pago na etapa anterior? De modo anlogo, se o industrial paga o ICMS, mas o distribuidor est isento, este poderia creditar-se do ICMS sem pagar qualquer imposto?

    Vamos ver o que diz o inciso II, do 2, do art. 155, da CF/88:

    II - a iseno ou no-incidncia, salvo determinao em contrrio da legislao:

    a) no implicar crdito para compensao com o montante devido nas operaes ou prestaes seguintes;

    b) acarretar a anulao do crdito relativo s operaes anteriores;

    87496878910

  • Direito Tributrio para XX Exame da OAB

    Curso de Teoria e Questes

    Prof. Fbio Dutra- Aula 04

    Prof. Fbio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Pgina 5 de 43

    Portanto, a entrada desonerada no gera o direito de creditamento por parte do adquirente das mercadorias. De forma semelhante, a sada desonerada acarreta a anulao do crdito relativo s operaes anteriores. Tudo isso, salvo determinao em contrrio da legislao! Preste ateno!

    Outra caracterstica do ICMS possibilidade de ser seletivo, isto , poder ou no ser seletivo, em funo da essencialidade das mercadorias e dos servios (art. 155, 2, III).

    O ICMS deve ser no cumulativo e pode ser seletivo.

    O IPI deve ser no cumulativo e deve ser seletivo.

    1.1.1 Fato Gerador

    Voc se lembra de que o art. 146, III, a, estabeleceu que cabe lei complementar definir os fatos geradores, bases de clculo e contribuintes dos impostos discriminados na CF/88, certo? Portanto, saiba que, em relao ao ICMS, tais elementos no foram previstos no CTN, mas sim na Lei Complementar 87/1996, a famigerada Lei Kandir!

    Primeiramente, vamos desmembrar tudo o que foi dito no art. 155, II, no momento em que o legislador constituinte afirmar sobre o qu incidir o ICMS. Seno, vejamos:

    Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:

    II - operaes relativas circulao de mercadorias e sobre prestaes de servios de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicao, ainda que as operaes e as prestaes se iniciem no exterior;

    Devemos saber que o conceito de mercadorias est relacionado aos bens mveis relacionados a uma finalidade comercial.

    A energia eltrica pode ser entendida como mercadoria, para fins de incidncia de ICMS.

    O conceito de circulao, por sua vez, est relacionado circulao jurdica da mercadoria, e no a mera movimentao fsica, de um lugar para

    87496878910

  • Direito Tributrio para XX Exame da