direito tributÁrio oab xx estratÉgia aula 02

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  • Aula 02

    Direito Tributrio p/ XX Exame de Ordem - OAB

    Professor: Fbio Dutra

  • Direito Tributrio para XX Exame da OAB

    Curso de Teoria e Questes

    Prof. Fbio Dutra- Aula 02

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    AULA 02: Limitaes ao Poder de Tributar (Imunidades)

    SUMRIO PGINA Observaes sobre a aula 01 Imunidades 02 Espcies de Imunidades Tributrias 08 Outras Espcies de Imunidades Tributrias 27 Gabarito das Questes Comentadas em Aula 30

    Observaes sobre a Aula

    Ol, amigo (a), tudo bem?

    Est pronto para mais uma aula? O assunto a ser tratado hoje continuidade do que vimos na aula anterior. Dando prosseguimento ao estudo das limitaes ao poder de tributar, estudaremos as imunidades tributrias.

    Fiz o mximo possvel para tornar o contedo bastante claro, sem exigir conhecimento prvio de outros temas do Direito Tributrio. Quando isso se fizer necessrio, fazemos uma breve explicao do assunto.

    Caso voc sinta dificuldade em compreender algum conceito, no deixe de nos notificar. O objetivo trazer a voc uma aula 100% compreensvel!

    Chega de papo! Vamos comear?

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    1 - IMUNIDADES

    O tema que ser tratado nesta aula de suma importncia para as provas do Exame de Ordem. As bancas adoram cobrar imunidades tributrias nas provas de Direito Tributrio.

    Desta forma, vamos abordar o assunto no grau de profundidade que ele merece, com o intuito de deix-lo totalmente preparado para qualquer prova sobre o assunto.

    Assim, iniciaremos explicando o conceito de imunidade, iseno e no incidncia. Posteriormente, sero abordadas as classificaes doutrinrias das imunidades. Por fim, vamos estudar as imunidades em espcie! Vocs vero que o assunto bem tranquilo, embora tenha certa riqueza de jurisprudncia.

    Antes de estudarmos as imunidades, gostaria de deixar claro que, embora se trate de uma dispensa constitucional do pagamento de tributos, a imunidade no exime certo ente das obrigaes acessrias institudas pela legislao tributria.

    Nesse sentido, para o STF (RE 250.844), exigir de entidade imune a manuteno de livros fiscais consentneo com o gozo da imunidade tributria (...). A manuteno de livros fiscais um exemplo de obrigao acessria.

    A grosso modo, podemos dizer que as obrigaes acessrias so condutas impostas ao contribuinte, que no possuem carter pecunirio, criando obrigaes de fazer ou deixar de fazer algo no interesse da arrecadao e fiscalizao. No se preocupe com detalhes por ora, pois isso tema de outra aula.

    Ainda que em gozo de imunidade tributria, a pessoa jurdica no est dispensada de cumprir obrigaes acessrias e de se submeter fiscalizao tributria.

    Vamos, ento, estudar o tema Imunidades.

    1.1 - Conceito de Imunidade, Iseno e No Incidncia

    A fim de compreendermos com exatido a diferena entre os conceitos de imunidade, iseno e no incidncia, necessrio que entendamos primeiramente o que vem a ser incidncia tributria.

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    Quando uma lei institui determinado tributo, ela prev os elementos essenciais para que seja possvel sua cobrana (hiptese de incidncia, sujeitos ativo e passivo, base de clculo e alquota).

    Veja que a hiptese de incidncia, como elemento essencial na instituio dos tributos, prev na lei uma situao que, ocorrida no mundo real, dar origem ao fato gerador do tributo. Dessa forma, quando a situao prevista em lei se concretizar, houve incidncia tributria (ocorre o fato gerador). Ns j vimos superficialmente isso na aula anterior, voc se lembra?

    Agora que j sabemos o que incidncia tributria, o que poderia ser considerado no incidncia? Podemos citar trs situaes:

    A pessoa poltica no faz uso da competncia tributria que lhe foi conferida. Podemos dizer que seria o caso de um tributo institudo pela metade, em que o ente no prev todas as hipteses de incidncia capazes de gerar a tributao;

    A pessoa poltica no possui competncia tributria para determinar certas situaes fticas como hiptese de incidncia. Esta hiptese se refere a situaes que fogem do raio de incidncia daquele tributo. Por exemplo, o IPVA no pode incidir sobre bicicletas;

    A pessoa poltica barrada pela CF/88. Ou seja, h certo dispositivo constitucional que inibe a possibilidade de o ente prever aquela situao como hiptese de incidncia do tributo.

    Observao: Competncia tributria o poder conferido pela Constituio aos entes federados para institurem tributos (impostos, taxas etc.), sempre por meio de lei. Como a CF no cria tributos, o exerccio da competncia tributria que torna possvel a cobrana dos tributos. O tema ser estudado em outra aula.

    Todas as trs situaes acima se referem no incidncia tributria. Contudo, a ltima pode ser considerada como hiptese de no incidncia constitucionalmente qualificada. Por tal motivo, denominada IMUNIDADE.

    A imunidade pode ser considerada uma incompetncia tributria.

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    Perceba, pela explicao inicial do tpico, que tanto na imunidade propriamente dita como nas demais situaes que de no incidncia, no h a ocorrncia do fato gerador. Guarde isso!

    Precisamos, ainda, diferenciar iseno da imunidade. A iseno decorre do exerccio da competncia tributria e o fato gerador chega a ocorrer. Isto , o ente poderia cobrar aquele tributo, mas decide isentar os contribuintes, mediante a edio de uma lei.

    Por outro lado, a imunidade uma delimitao da competncia tributria, ou melhor, uma limitao constitucional ao poder de tributar, posicionando-se ao lado dos princpios constitucionais tributrios. Ou seja, existe um limite alm do qual o ente instituidor no pode tributar, por expressa disposio constitucional. Vimos tambm que no ocorre o fato gerador neste caso.

    Por ltimo, h que se ressaltar que no importa a terminologia utilizada pela CF/88 para tratar das imunidades, visto que o simples fato de estar no texto constitucional d ao instituto o ttulo de imunidade.

    Neste sentido, o STF (RMS 22.192/DF) j decidiu que, embora o art. 195, 7, da CF/88, mencione a palavra isentas, a interpretao que deve ser dada a de que se trata de verdadeira imunidade.

    Repare que, embora diferenciamos no incidncia de imunidade, esta est inserida dentro do conceito daquela, com a ressalva de que foi prevista constitucionalmente.

    Espero que o quadro abaixo possa auxili-los a entender melhor o que dissemos at agora.

    No Incidncia Imunidade

    Situao no prevista na lei instituidora ou impossvel;

    No h norma que preveja;

    No ocorre fato gerador;

    Limitao ao poder de tributar;

    Previso no texto constitucional;

    No ocorre fato gerador;

    Iseno

    Opo poltica do ente tributante;

    Previso em norma infraconstitucional;

    Ocorre fato gerador;

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    Por fim, cabe destacar o conceito de alquota zero, que mais uma hiptese em que o tributo acaba no sendo cobrado. Nesse caso, ocorre o fato gerador, contudo, o valor do tributo nulo, j que a alquota zero. Isso ocorreria, por exemplo, se o Governo Federal decidisse reduzir a alquota de Imposto de Importao a zero sobre determinados produtos essenciais ao Pas.

    1.2 Classificao das Imunidades Segundo a Doutrina

    Neste tpico, iremos abordar as principais classificaes das imunidades adotadas pela doutrina. medida que expusermos uma classificao, traremos exemplos estatudos na prpria CF/88, com o objetivo de facilitar a absoro do assunto.

    1. Classificao quanto ao parmetro para concesso: subjetivas, objetivas ou mistas

    A Constituio Federal, ao instituir as imunidades, pode adotar como parmetro tanto as pessoas (imunidade subjetiva) quanto as coisas (imunidade objetiva). Podemos ter ainda imunidades que consideram as coisas e as pessoas ao mesmo tempo, sendo estas denominadas imunidades mistas.

    As imunidades subjetivas podem ser exemplificadas pela imunidade recproca. De acordo com o art. 150, VI, a, da CF/88, vedado Unio, aos Estados, ao DF e aos Municpios instituir impostos sobre o patrimnio, a renda ou servios, uns dos outros. Observe que a imunidade direcionada a pessoas polticas, mas no o s empresas privadas, por exemplo. Com isso, fica clara a importncia que tem a pessoa para se definir se haver ou no imunidade.

    Cabe observar que a imunidade subjetiva no exime as pessoas por ela abrangidas da responsabilidade pela reteno de tributos, caso estejam designadas pela lei. Sendo assim, a Unio fica, a ttulo de exemplo, responsvel pela reteno do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de seus servidores, pois estes no so imunes.

    Observao: Responsvel tributrio, como veremos em momento oportuno, a pessoa que, embora no tenha relao pessoal com a situao que fez surgir o fato gerador, est