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  • Avaliaes: 1 prova: 25 pontos (16/09); 2 prova: 25 pontos (28/10); 3 prova: 40 pontos (02/12); Trabalhos: 10 pontos (toda aula)

    I) Reviso - Competncia tributria: Pode ser entendida como limite ao poder de tributar, e tem como pressuposto o

    conhecimento das espcies de tributo. So adotados diferentes critrios em razo da espcie dos tributos:

    a. Impostos: para o Distrito Federal, os Estados e os Municpios o rol taxativo. No caso da Unio a competncia residual, podendo o ente instituir novos impostos desde que sejam respeitadas as normas legais.

    b. Taxas: a competncia definida levando-se em considerao o ente que tem competncia administrativa para exercer o ato. Assim, entende-se que a competncia administrativa antecede e determina a tributria.

    c. Contribuio de melhoria: a competncia atribuda ao ente que realiza a obra pblica

    Para compreender as regras de repartio necessrio conhecer o conceito (art. 3, CTN) e as espcies de tributo, disciplinadas pelo CTN.

    II) Legislao Tributria: A Lei 5.172/66 (Cdigo Tributrio Nacional) e suas caractersticas:

    a. Longevo, j que foi editado em 1966 e chegou aos 50 anos;b. Estvel, pelas poucas modificaes sofridas; c. Veio a suprir a lacuna no direito tributrio brasileiro, que era carente de

    uma norma geral;d. dotado de diversas definies de conceitos e classificaes, o que o torna

    mais claro;e. Lei nacional, a qual vigora em todo territrio nacional, assim como a lei

    federal. Porm, no que diz respeito aplicabilidade, h diferena entre a lei nacional e federal. No caso, as primeiras so aplicveis no mbito da unio, estados e municpios, enquanto a ltima apenas no mbito da unio.

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    Direito Tributrio II Faculdade de Direito da UFMG

    Professor: Paulo Coimbra Ana Clara Pereira Oliveira

    2016/2 - Diurno

  • f. Muitas vezes se revela como uma "lei sobre como se fazer leis". Isso pois os legisladores dos entes federados esto jungido s regras do CTN (carcter cogente), determinando verdadeira limitao discricionariedade do legislador ordinrio;

    g. Originariamente, o CTN foi aprovado como lei ordinria, pela no existncia da espcie da lei complementar no sistema brasileiro poca. No obstante, ao analisar o artigo 146, CF/88, percebe-se que o CTN trata de temas que somente podem ser disciplinados por LC. Assim, doutrina e jurisprudncia passaram a entender que, formalmente, o CTN lei ordinria, porm, materialmente, lei complementar ratione materia. Assim, alterao ou revogao do CTN s ser feita por outra LC.

    Definio de legislao tributria (art. 96, CTN): considerado o conjunto normativo que disciplina o tributo e as relaes a ele pertinentes. Essa definio bastante abrangente e definida pelo contedo veiculado nas normas, incluindo as relaes jurdicas a ele pertinentes.

    Abrangncia: lei em sua acepo mais ampla, incluindo atos normativos dotados das seguintes caractersticas: pessoal, genrica e abstrata. irrelevante para a definio do sentido lato (material) sua hierarquia no sistema. No sentido estrito (material e formal) ato que detenha as trs mencionadas caractersticas e que tenha sido aprovado pelo poder legislativo com a rigorosa observncia do processo administrativo.

    Princpio da legalidade (art. 97): pode ser considerada uma limitao ao poder de tributar, haja vista que somente lei (estrito senso) poder instituir ou extinguir tributo, por exemplo, bem como estabelecer suas alquotas, base de clculo, ou sua majorao e reduo. - Atenuao do princpio: existem previses legais de atenuao do princpio

    da legalidade, que devem estar previstas na prpria CF/88. Uma delas est prevista no inciso IV do art. 97, porm, dever ser desconsiderada a ressalva feita, haja vista a no recepo constitucional dessa hiptese. Outro exemplo a possibilidade de alterao das alquotas dos impostos regulatrios

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    CTN: Art. 96. " A expresso "legislao tributria" compreende as leis, os tratados e as convenes internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em

    parte, sobre tributos e relaes jurdicas a eles pertinentes".

  • (imposto de importao, exportao, IPI e IOF), de competncia da unio, pelo poder executivo, conforme artigo 153, pargrafo 1.

    - Funo fiscal X Funo indutiva: ao discutir os impostos regulatrios, acima exemplificados, o professor menciona a funo fiscal desse tipo de tributo, sendo eles institudos com propsito preponderantemente arrecadatrio, visando obter recursos para financiar gastos pblicos. No obstante, h impostos dotados de funo indutiva, almejando o direcionamento de condutas omissivas ou comissivas, como o caso dos impostos extra-fiscais. Seu papel fomentar comportamentos desejveis e elidir comportamentos inconvenientes ou indesejveis. Isso ocorre com a introjeo na norma tributria de valores no oriundos do prprio direito tributrio, mas que so albergados pela CF/88. Assim, pode servir o tributo tambm como instrumento de polticas pblicas. Um exemplo de norma indutora a reduo da alquota do IPVA para veculos automotores que tenham reduzida emisso de poluentes. Perceba-se que o IPVA tem carter preponderantemente arrecadatrio, mas tambm demonstra faceta indutora. Lado outro, cita-se a progressividade extra-fiscal do IPTU (art. 183, pargrafo 4, CF/88) quando h manuteno de um imvel em rea urbana de alta densidade demogrfica para mera especulao, sem fazer qualquer uso ou cumprir sua funo social. Por fim, ressalta-se o ITR (art. 153, 4, I), o qual define os valores de suas alquotas pelo grau de explorao e utilizao da terra. Assim, a progressividade da alquota ser diretamente proporcional ao uso da terra, claramente uma norma indutora, sem objetivo arrecadatrio, e nem poderia ter o ltimo objetivo, pois se assim fosse, teria carter confiscatrio, o que vedado pelo sistema. A isonomia e capacidade contributiva podem, dessa forma, ser mitigadas pela extrafiscalidade, aps sopesamento desses princpios. Ateno ao fato de que a funo extra fiscal no pode ter carter punitivo, haja vista ser o fato gerador do tributo sempre ato lcito. Ressalta-se que o ato pode ser lcito ou ilcito e sendo lcito pode ser conveniente, neutro ou indesejvel.

    Tratados internacionais (art. 98, CTN): - Relevncia: so importante fonte do direito tributrio, inclusive sendo

    expressamente mencionados pelo CTN, no artigo 98:

    - Tributos aduaneiros e imposto de renda: as matrias sobre as quais usualmente versam os tratados internacionais so os tributos aduaneiros e o imposto sobre a renda, no ltimo caso, visando a evitar a dupla ou multi tributao sobre a renda. Acerca do ltimo, cita-se a polmica referente aos chamados "genuine links" que so os critrios mais comuns que geram a

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    CTN: Art. 98. "Os tratados e as convenes internacionais revogam ou modificam a legislao tributria interna, e sero observados pela que lhes sobrevenha. ".

  • tributao da renda no mundo, sendo eles: residncia, fonte e nacionalidade. Assim, h casos em que mais de uma nao tributa uma mesma riqueza, justamente pela incompatibilidade dos critrios adotados. Isso enseja a aplicao de mecanismos para evitar esse tipo de situao, podendo ser tais mecanismos multilaterais ou bilaterais, amparados por tratados.

    - Polmicas: (1) Estatura normativa: segundo o artigo 98 do CTN, os tratados prevalecem

    sobre a legislao tributria, mesmo que ela seja posterior. Sobre essa questo, se formaram duas correntes: 1 corrente: tal corrente defende que, uma vez recepcionado o tratado, ele se torna lei complementar, prevalecendo, de fato, sobre a lei tributria. Com relao crtica feita sobre ser o CTN incompetente para tratar acerca de hierarquia entre normas, justifica-se que ele no est dispondo sobre hierarquia, mas sobre concurso de normas, o que estaria dentro de sua competncia. 2 corrente: segundo essa corrente a hierarquia de normas matria constitucional, no podendo o CTN apreciar essa matria. Ademais, advoga que h precedentes de tratados que foram revogados por lei ordinria, como ocorreu no leading case da lei uniforme de Genebra, quando entendeu o STF que a lei ordinria poderia revogar tacitamente o tratado. Atualmente essa corrente majoritria.

    (2) Iseno heternoma: a polmica se forma em torno da possibilidade dos tratados exonerarem tributos de competncia dos estados e municpios, sendo que o tratado foi assinado apenas pela unio. pacfico na doutrina que o tratado, sendo assinado pela unio, s poderia exonerar seus prprios tributos, e no dos Estados e Municpios, haja vista a maior autonomia concedida aos estados e municpios na CF/88. No entanto, acerca do tema, se formaram duas correntes: 1 corrente: no seriam autorizadas isenes heternomas, pela agresso ao pacto federativo. 2 corrente: o tratado internacional pode dispor sobre competncia dos estados e municpios, pois as funes de chefe de estado e de governo se concentram apenas no cargo de presidente, e quando esse presidente assina o tratado, ele representa a Repblica Federativa do Brasil, e no a Unio, vinculando assim todos os entes federativos.

    Poder regulamentar do poder executivo (art. 99, CTN): estabelece o modus operandi das leis. Porm, no mbito do poder regulamentar, no se pode trazer novas obrigaes, mas est o sujeito restrito apenas a regular as obrigaes j estabelecidas em lei, tratando, por exemplo, de sua forma de cumprimento/execuo. Ademais, o poder regulamentar no pode versar sobre as matrias arroladas nos incisos do art. 97, CTN, pois para essas se faz necessria lei no sentido estrito.

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  • Normas complementares (art. 100, CTN): so atos normativos infralegais expedidos pelo poder executivo, se encontrando hierarquicamente abaixo dos regulamentos. Eles tm maior concretude e menor grau de abstrao, e quanto maio

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