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  • Unidade 1: noes iniciais Estado: concentrao de poder e ordem jurdica.

    No auge do liberalismo econmico, entendia-se que o custo do estado era

    muito reduzido, tendo em vista que o mercado era considerado auto-

    regulvel. Era desejvel arrecadar o mnimo possvel e gastar tambm o

    mnimo, buscando sempre o equilbrio financeiro. Assim, os servios

    estatais eram tambm extremamente reduzidos, a medida que um dos

    princpios da poca era a seleo. Nesse raciocnio, o Estado no deveria

    prestar auxlio aos mais fracos ou aos mais pobres. Esse sistema comeou

    a entrar em colapso a partir das grandes crises econmicas, que fazem

    parte do ciclo econmico capitalista.

    No mbito do liberalismo econmico extremo, os servios pblicos se

    reduziam : guerra, segurana e justia.

    Apenas no incio do sculo XX, iniciaram-se os grandes modelos de

    previdncia social, o que trouxe grandes mudanas sociais bem como

    econmicas. Essa interferncia estatal gera um consequente aumento dos

    gastos para manter o Estado.

    John M. Keynes: em momento de crise, ou retrao econmica, o Estado

    deve intervir para estimular a engrenagem econmica, exercendo um

    servio pblico. Em sua metodologia, no interessa apenas o equilbrio Direito Tributrio I Pgina de 1 34

    Direito Tributrio IFaculdade de Direito da UFMG

    Professor(a): Misabel Derzi Ana Clara Pereira Oliveira

    2016/1 - Diurno

  • contbil financeiro (receita e despesa), mas sim o equilbrio econmico-

    social.

    Assim, esse novo sistema econmico inclui novos servios estatais quela

    lista antes reduzida (justia, segurana e guerra), como, por exemplo,

    educao pblica, sade pblica, previdncia social e etc.

    A constituio brasileira inclui diversos servios estatais em nosso modelo,

    o que, como foi dito, gera custos e culmina na necessidade de

    arrecadao de tributos.

    Os tributos, ento, entram como meios para atingir os fins desejados pelo

    Estado.

    O direito financeiro estuda normas e atos financeiros que regem a

    atividade financeira do Estado, enquanto o direito tributrio estuda o

    tributo, que a maior forma de arrecadao do Estado.

    O oramento tem trs funes primordiais:

    A. Arrecadatria;

    B. Redistributiva;

    C. Alocativa: estado aloca recursos em determinados setores

    estratgicos para atingir fins especficos;

    D. Estabilizadora: estado se vale dos tributos e de sua influncia sobre o

    mercado financeiro para criar polticas econmicas que visem a

    estabilizar a economia.

    Unidade 2: Tributos Conceito de tributo:

    - A Constituio, ciente de que s intuiu o que o tributo, determinou que cabe a lei complementar determinar o tributo (CF, art. 146, III - a).

    Direito Tributrio I Pgina de 2 34

    CF: Art. 146. "Cabe lei complementar: (...) III - estabelecer normas gerais em matria de legislao tributria, especialmente sobre:

    a) definio de tributos e de suas espcies, bem como, em relao aos impostos discriminados nesta Constituio, a dos respectivos fatos geradores, bases de clculo e contribuintes; (...)"

  • Definio legal do tributo:

    - Artigo 3 do CTN:

    a. Prestao: O tributo cria uma relao obrigacional, na qual h o sujeito ativo e o sujeito passivo.

    b. Pecuniria: em princpio, a obrigao ser sempre paga em dinheiro. Esse fato diferencia o tributo tanto da requisio administrativa

    quanto da prestao de servios compulsria. Alm disso, no poder

    ser uma prestao "in natura" (entregar algo em natureza) nem "in

    labore" (ou em troca de trabalho). Importante porm, destacar que o

    CTN autoriza que seja pago, em casos especficos, pela forma de

    "dao em pagamento" , segundo o artigo 156, XI (CTN). No 1

    entanto, no possvel por meio de bens mveis, pelo artigo 37, XXI

    (CF) e ADI 7971/DF. Por meio da prestao de servios tambm no

    possvel, segundo a doutrina majoritria, j que seria necessrio

    concurso ou licitao para que uma pessoa possa trabalhar para o

    Estado. Por outro lado, a dao por meio de bens imveis possvel.

    c. Em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir: remonta ideia de prestao pecuniria.

    d. Instituda em lei: taxatividade e. Cobrada mediante ato administrativo plenamente vinculado:

    Atos da administrao: os lanamentos (por meio dos quais o Estado cobra os tributos) devem ser sempre vinculados, e no discricionrios.

    art. 356, CC.1Direito Tributrio I Pgina de 3 34

    CTN: Art. 3. "Art. 3 Tributo toda prestao pecuniria compulsria, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que no constitua sano de ato ilcito, instituda em lei e cobrada

    mediante atividade administrativa plenamente vinculada."

  • f. Compulsria: independe da vontade de quem paga o tributo.

    Ex Lege: decorrem de lei. Ex Voluntate: decorrem da vontade (porm tambm so

    institudas em lei, ex.: na compra de um notebook o indivduo tem o dever de pagar os impostos devidos).

    g. Que no constitua sano de ato ilcito.

    "Pecnia non olet": artigo 118, I, CTN. Nesse sentido, o STF j 2pacificou a questo de que o que importa no a origem do tributo, mas sim seus efeitos econmicos (resultado econmico). Para a professora Misabel imoral que o Estado cobre tributos sabendo que vieram de fonte ilcita. Assim, resumidamente, temos as seguintes correntes doutrinrias:

    (1) Origem (prof. Misabel); (2) Efeito econmico (majoritria)

    Norma Jurdica tributria:

    ver HC 77.530-4 RS2

    Direito Tributrio I Pgina de 4 34

  • - Quando o fato, realizado no mundo da vida, se encaixa perfeitamente na lei, chama-se subsuno.

    - Regra matriz tributria:

    Ht = Cm.(v.c).Ce.Ct Cst = Cp.(sa.sp).Cq.(bc.al)

    - Legenda: Ht (hiptese);

    Cm (material) - o que est sendo tributado?;

    Ce (espacial) - onde esse aspecto material ser tributado?;

    Ct (temporal) - em que momento esse comportamento previsto de forma abstrata na hiptese ser tributado?;

    Cst (consequente);

    Cp (pessoal) - quem constitui essa obrigao tributria? (Sujeito Ativo: pessoa jurdica de direito pblico e sujeito Passivo:

    contribuinte);

    Cq (quantitativo) - alquota e base de clculo.

    - Regra matriz tributria (ou hiptese de incidncia tributria para Ataliba): so os elementos presentes em todas as normas que instituem

    tributos.

    A. Antecedente: aspecto material (o que); aspecto espacial (onde); aspecto temporal (quando).

    B. Consequente: aspecto pessoal (sujeito ativo/passivo) e aspecto quantitativo (base de clculo/alquota).

    Direito Tributrio I Pgina de 5 34

  • Artigo 4, CTN:

    - Fatores irrelevantes: Denominao ("nomen iuris"); Destinao: caso a norma traga uma finalidade diferente da

    realidade, ela ser considerada inconstitucional e poder ocorrer a chamada "tredestinao", que ocorre justamente quando h a destinao de um bem expropriado a finalidade diversa da que se planejou inicialmente. Ela pode ser lcita ou ilcita.

    - Fatores relevantes: Fato gerador (da obrigao tributria) ou "fait gnrateur".

    Nesse ponto, h certa confuso terminolgica. Para alguns autores, o fato gerador a prpria regra matriz. Outros autores consideram o fato gerado apenas como a hiptese tributria. A professora Misabel, juntamente com outros doutrinadores, abandonou essa terminologia, adotando as nomenclaturas: a) hiptese de incidncia: previso normativa abstrata; b) fato imponvel: a materializao da previso normativa.

    Base de clculo e suas funes:

    a. Dimensionar a capacidade contributiva;

    b. Definir a espcie tributria:

    b.1) Infirmar (desmentir) o critrio material ou;

    b.2) Confirmar o critrio material (funo ideal, desejvel).

    c. Definir o valor devido ("quantum deneatur") - se relaciona com a

    dimenso da capacidade contributiva, pois define quanto deve ser

    pago pelo contribuinte.

    Direito Tributrio I Pgina de 6 34

    CTN: Art. 4. "A natureza jurdica especfica do tributo determinada pelo fato gerador da respectiva obrigao, sendo irrelevantes para qualific-la:

    I - a denominao e demais caractersticas formais adotadas pela lei;

    II - a destinao legal do produto da sua arrecadao"

  • Norma sancionatria X norma no sancionatria

    - Uma norma no sancionatria se forma atravs da hiptese (se A ) que se soma ao mandamento, ou regra de dever ser (B deve ser). J a

    sancionatria se forma pela descrio do ato ilcito (se no for B) e pela

    sano (deve ser C) - execuo forada, multas ou sano pecuniria.

    - No que diz respeito norma tributria, existem duas correntes distintas: a. Corrente 1: a norma tributria no sancionatria tendo em vista que

    no descreve ato ilcito. O que ocorre na norma tributria uma

    previso de punio para a hiptese de descumprimento, que

    trabalha meramente a eficcia da norma, evitando que esta seja

    tratada como mero conselho.

    b. Corrente 2 (Paulo de Barros Carvalho): a norma tributria sancionatria. Caso haja cumprimento da norma, a norma

    sancionatria no se concretizar. Por outro lado, sendo descumprido

    o comando de dever ser, aplicar-se- a norma sancionatria. Unidade 3: Espcies tributrias FG + BC + DESTINAO = Critrios distintivos

    - CF, art. 145: impostos, taxas e contribuies de melhoria - CF, art. 148: emprstimos compulsrios - CF, art. 149: contribuies especiais

    Teorias:

    - Bipartite (Becker): para essa escola, o fato gerador a chave da classificao, que pode ser dvida apenas nas seguintes

    a. Imposto (fato gerador independe de uma atuao estatal, ex.:

    prestao de servios);

    b. Taxa (fato gerador vinculado ao es

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