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LIVRO

UNIDADE 4

Direito Tributrio Direito Constitucional Tributrio

Mrcio Alexandre Ioti Henrique

Obrigao, crdito, extino e planejamento tributrio

2018 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicao poder ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrnico ou mecnico, incluindo fotocpia, gravao ou qualquer outro tipo

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Unidade 4 |

Seo 4.1 -

Seo 4.2 -

Seo 4.3 -

Obrigao, crdito, extino e planejamento tributrio 5

Suspenso e exigibilidade do crdito 8

Extino do crdito tributrio 24

Planejamento tributrio 42

Sumrio

Unidade 4

Caro aluno, nesta unidade o foco do estudo continuar sendo o crdito tributrio. No entanto, sob um enfoque diferente.

Na Unidade 3, verificamos como o crdito tributrio se constitui por meio do lanamento tributrio; agora, analisaremos como tal crdito tributrio poder ter sua exigibilidade suspensa, ou seja, apesar de constitudo no poder ser cobrado pelo fisco. Veremos ainda como extinto o crdito tributrio.

Para tanto, nas Sees 1 e 2 o foco do estudo ser composto, respectivamente, dos arts. 151 e 156 do Cdigo Tributrio Nacional.

Assim, estudaremos as causas de suspenso da exigibilidade do crdito, como a moratria, o parcelamento e a defesa administrativa, entre outras.

Veremos tambm as causas extintivas do crdito tributrio, como o pagamento, a compensao, a prescrio e decadncia, etc.

J na Seo 3, analisaremos o tema do planejamento tributrio, abordando o que eliso e evaso fiscal e a tendncia do fisco em considerar os planejamentos tributrios lcitos ou ilcitos.

So temas presentes no dia a dia do contribuinte e do operador do direito, sendo que seu entendimento fundamental para a preservao de direitos e garantias e, principalmente, para coibir eventuais abusos cometidos pelo fisco.

Convite ao estudo

Obrigao, crdito, extino e planejamento tributrio

Com o estudo desses temas, voc poder formular um parecer na seguinte situao:

As empresas A e B lhe procuram em seu escritrio alegando que atuam no mesmo segmento de mercado e pretendem unir foras, para conseguirem aumentar o faturamento e atingir uma maior fatia do mercado em que atuam.

A empresa B, h dois anos, ingressou com um mandado de segurana com o intuito de ter reconhecido seu direito de no pagar determinado tributo em uma de suas operaes. O advogado que est patrocinando a causa informou que a ao j foi julgada procedente em primeira instncia e que est aguardando o julgamento do recurso do fisco no Tribunal competente. Ocorre que h um ms, a empresa B recebeu uma citao de uma execuo fiscal cobrando todos os tributos que no foram pagos durante o trmite do mandado de segurana e est tendo que se defender, pois no existe qualquer causa de suspenso da exigibilidade do crdito tributrio, que impea a cobrana do fisco.

Por outro lado, a empresa A pretende discutir a incidncia do mesmo tributo, mas quer se resguardar para no ser cobrada pelo fisco enquanto seu processo tramita perante o Poder Judicirio.

Porm, sabido que a Empresa A teve lucro acumulado no ltimo exerccio, tendo que efetuar o pagamento de imposto de renda da pessoa jurdica nos termos da lei. A Empresa B, por sua vez, teve prejuzo acumulado, sendo, portanto, uma empresa deficitria, que pode compensar seus prejuzos fiscais no momento do pagamento do IRPJ.

Tendo como base essa situao, os questionamentos das empresas para o parecer a ser desenvolvido so os seguintes:

1 Como a Empresa A pode conseguir discutir se deve ou no pagar o tributo por meio do mandado de segurana mas impedindo o fisco de efetuar a cobrana dos tributos que vencerem durante o trmite da ao?

2 Se a ao da Empresa B for julgada procedente pelo Tribunal competente, os valores que esto sendo cobrados pelo fisco na ao de execuo fiscal passam a ser indevidos ou persistem?

3 possvel realizar um planejamento tributrio entre as Empresas A e B, para que a A, de plano, possa se utilizar da coisa julgada que determinou o no pagamento do tributo para a Empresa B?

Essas situaes so corriqueiras no dia a dia das empresas e voc foi contratado para a elaborao de um parecer, bem como definir a estratgia a ser adotada para resguardar os direitos das Empresas.

Vamos estudar?

U4 - Obrigao, crdito, extino e planejamento tributrio8

Seo 4.1

Caro aluno,

O crdito tributrio ainda o tema central desta seo.

Vimos anteriormente que, para que o fisco possa efetivamente cobrar o tributo do contribuinte, deve efetuar o lanamento tributrio, que tem por condo constituir o crdito tributrio.

Uma vez constitudo, portanto, o tributo pode ser exigido do contribuinte, pois sua constituio est perfeita.

No entanto, existem situaes em que o contribuinte no concorda com o lanamento efetuado ou mesmo com a incidncia do prprio tributo naquela situao especfica. Tambm existe a possibilidade de o contribuinte ser devedor do fisco e pretender ficar adimplente pagando o valor devido em parcelas mensais, uma vez que no dispe do valor integral para quitao vista.

Neste cenrio que surgem as causas de suspenso do crdito tributrio, previstas no art. 151 do Cdigo Tributrio Nacional.

So cinco situaes diferentes que suspendem a exigibilidade do crdito tributrio e impedem que o fisco efetue a cobrana do valor do tributo do contribuinte. Essas causas so a moratria, o parcelamento, o depsito do montante integral, as reclamaes e recursos administrativos e a concesso de medidas liminares.

Nesta seo estudaremos cada uma delas e veremos quando elas podem ser utilizadas e os efeitos que causam na incidncia do tributo.

Tambm veremos que existem determinadas aes disposio do contribuinte para que ele questione se deve ou no efetuar o pagamento de tributos em determinadas situaes ou se ele tiver a pretenso de discutir um lanamento lavrado.

Por fim, veremos que a suspenso da exigibilidade do crdito tributrio reflete tambm na obteno de certido negativa de dbitos, que documento indispensvel para a prtica de diversas operaes, tanto para pessoas fsicas quanto jurdicas.

Dilogo aberto

Suspenso e exigibilidade do crdito

U4 - Obrigao, crdito, extino e planejamento tributrio 9

Assim, analisaremos o art. 206 do Cdigo Tributrio Nacional, que trata deste assunto.

Com essas premissas firmadas e o assunto entendido, voc poder emitir o parecer em favor da Empresa A, que pretende impetrar um mandado de segurana para discutir se deve ou no efetuar o pagamento de tributo em uma situao especfica de sua atividade empresarial, mas no quer que o fisco a cobre pelos tributos que vencerem durante o trmite do mandado de segurana, como aconteceu com sua parceira, a Empresa B.

Assim, a questo que deve ser respondida neste ponto :

- Como a Empresa A pode conseguir discutir se deve ou no pagar o tributo por meio do mandado de segurana, mas impedindo o fisco de efetuar a cobrana dos tributos que vencerem durante o trmite da ao?

Vamos ajud-la?

Com a ocorrncia do fato gerador, nasce a obrigao tributria, ou seja, o contribuinte sabe que dever efetuar o pagamento do tributo devido. No entanto, o fisco pode efetivamente cobrar referido tributo somente quando o crdito estiver constitudo por meio do lanamento.

Ocorre que a legislao elenca algumas situaes em que o crdito tributrio fica com sua exigibilidade suspensa; so hipteses que impedem a cobrana do crdito pelo fisco, apesar de estar constitudo.

Tais hipteses so chamadas de causas de suspenso da exigibilidade do crdito tributrio e esto dispostas no arti. 151 do Cdigo Tributrio Nacional, que reza:

No pode faltar

Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crdito tributrio: I - moratria;II - o depsito do seu montante integral;III - as reclamaes e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributrio administrativo;IV - a concesso de medida liminar em mandado de segurana.V a concesso de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espcies de ao judicial;VI o parcelamento. (BRASIL, 1966)

U4 - Obrigao, crdito, extino e planejamento tributrio10

Assimile

Ainda que haja a existncia de uma causa de suspenso da exigibilidade do crdito tributrio, impedindo o fisco de efetuar a cobrana do tributo devido, lcito ao ente pblico efetuar o lanamento do tributo devido, a fim de prevenir a decadncia. A decadncia, para o fisco, a perda do direito de lanar o tributo, em razo do decurso do tempo. Assim, se o fisco no efetua o lanamento, seu crdito estar extinto.

Desta forma, apesar do tributo no ser exigvel, o fisco pode efetuar o lanamento, mas continua no podendo cobrar o valor devido.

Analisando cada uma dessas causas, pode-se afirmar que moratria se assemelha ao parcelamento, e ambos podem ser considerados uma dilao do prazo para pagamento do tributo vencido. Por esse motivo, tudo que se falar de parcelamento deve ser aplicado para a moratria.

Para que se possa parcelar um tributo, necessria a edio de uma lei autorizando e delimitando todas as caractersticas de tal parcelamento, como nmero de meses, incidncia de juros, exigncia ou no de garantias, etc. Por bvio que essa lei deve ser editada pelo rgo competente para a cobrana do tributo. Assim, se tratar-se de um tributo federal, a lei do parcelamento deve ser