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DIREITO TRIBUTRIO 3 BIMESTRE38

25/08/2015CRDITO TRIBUTRIO E LANAMENTOSegundo a teoria adotada no Cdigo Tributrio Nacional, quando verificada no mundo dos fatos a situao definida em lei como fato gerador do tributo, nasce a obrigao tributria. Tal obrigao consiste num vnculo jurdico transitrio entre o sujeito ativo (credor) e o sujeito passivo (devedor) e tem por objeto uma prestao em dinheiro. Para muitos, se j h credor e devedor, j h crdito, de forma que o nascimento do crdito tributrio seria concomitante ao surgimento da obrigao tributria.Ocorrido o fato gerador, necessrio definir, com preciso, o montante do tributo ou penalidade, o devedor e o prazo para pagamento, de forma a conferir certeza (quanto existncia) e liquidez (quanto ao valor) obrigao. Da a exigncia de um procedimento oficial consistente em declarar formalmente a ocorrncia do fato gerador, definir os elementos materiais da obrigao surgida (alquota e base de clculo), calcular o montante devido, identificar o respectivo sujeito passivo, com o fito de possibilitar que contra este seja feita a cobrana do tributo ou da penalidade pecuniria. Todo esse procedimento legalmente denominado de lanamento, conforme se pode extrair do art. 142 do CTN, abaixo transcrito:

Art. 142. Compete privativamente autoridade administrativa constituir o crdito tributrio pelo lanamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrncia do fato gerador da obrigao correspondente, determinar a matria tributvel, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicao da penalidade cabvel.Para haver lanamento e, portanto, crdito tributrio necessrio que exista fato gerador e, portanto, obrigao. exatamente por isso que o art. 139 do CTN afirma que o crdito tributrio decorre da obrigao principal e tem a mesma natureza desta. O mesmo raciocnio presidiu a elaborao do art. 140, que trata do crdito tributrio e da obrigao tributria que lhe deu origem.Um crdito no fundamentado em obrigao um absurdo lgico e s aparece no mundo dos fatos quando h lanamento indevidamente realizado, caso em que o crdito possuir existncia meramente formal, devendo ser extinto posteriormente por deciso judicial ou administrativa.Da anlise realizada extrai-se a resposta legal a uma interminvel celeuma doutrinria. Qual seria a natureza jurdica do lanamento? Declaratria ou constitutiva? Para aqueles que afirmam que o surgimento do crdito ocorre no mesmo momento do fato gerador, o lanamento apenas tornaria lquido e certo um crdito j existente, declarando-o. Entretanto, pela anlise realizada, percebe-se que o legislador do CTN enxergou o fenmeno jurdico-tributrio de maneira bastante diferente, entendendo que no existe crdito antes do lanamento, de forma que este teria, quanto ao crdito, natureza constitutiva. A tese foi expressamente adotada pelo art. 142, pois este afirma que compete autoridade administrativa constituir o crdito tributrio pelo lanamento.No obstante a natureza constitutiva do lanamento, no que se refere ao crdito necessrio que se perceba que o CTN claramente atribuiu-lhe natureza declaratria quanto obrigao. A concluso decorre da redao do mesmo art. 142, no ponto em que inclui no procedimento de lanamento a funo de verificar a ocorrncia do fato gerador da obrigao correspondente. Ora, ao verificar formalmente que o fato gerador ocorreu, a autoridade fiscal declara e no constitui a obrigao tributria.Assim, seguindo risca a tese adotada pelo legislador brasileiro, adotar-se-, nesta obra, o entendimento segundo o qual o lanamento possui natureza jurdica mista, sendo constitutivo do crdito tributrio e declaratrio da obrigao tributria.Alis, a anlise de qualquer lanamento realizado por autoridade fiscal demonstra na prtica o que aqui se tenta explanar teoricamente. O documento que instrumentaliza o lanamento um auto de infrao, por exemplo redigido, em sua maior parte, em tempo pretrito, declarando que num momento passado ocorreu o fato gerador de determinado tributo ou penalidade. A autoridade, por exemplo, declara que, em certa data, certo sujeito teve a disponibilidade econmica de rendimentos (fato gerador do imposto de renda) ou promoveu a sada de mercadoria de estabelecimento comercial (fato gerador do ICMS) e, com base nisso, constitui neste ponto se passa a utilizar o tempo presente na redao do documento o crdito tributrio respectivo.Portanto, tomando por base a tese encampada pelo do CTN (e adotada nesta obra), possvel visualizar os dois momentos ora analisados da seguinte forma:

Outra discusso doutrinria resolvida ao menos do ponto de vista formal sobre o lanamento sua configurao como ato ou procedimento administrativo. O art. 142 do CTN afirma que o lanamento deve ser entendido como o procedimento administrativo tendente a ..., e segue com sua definio.Procedimento um conjunto de atos sistematicamente organizados para a produo de determinado resultado. A maioria da doutrina entende que o lanamento ato administrativo, apesar de ser resultante de um procedimento. Quando se entra na essncia do lanamento, percebe-se que a autoridade administrativa realiza vrias atividades conducentes produo do ato final. Faz-se a identificao do sujeito passivo, a determinao da matria tributvel, o clculo do montante do tributo devido. Nenhum desses esforos, contudo, pode ser considerado como ato integrante de um procedimento, mas sim um conjunto de providncias preparatrias para a produo de um nico ato, o lanamento final. Alis, como se perceber da anlise do instituto, ser aplicvel ao lanamento praticamente toda a teoria dos atos administrativos, demonstrando o acerto doutrinrio.

Competncia para lanarConsta do art. 142 do CTN que a competncia para lanamento da autoridade administrativa.O Cdigo no define qual autoridade administrativa possui tal poder legal, deixando para a lei de cada ente poltico a incumbncia de faz-lo. Na esfera federal, a ttulo de exemplo, a Lei 10.593/2002, em seu art. 6., I, a, atribui, em carter privativo, aos ocupantes de cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB a competncia para constituir, mediante lanamento, o crdito tributrio.Como os mais puristas afirmam que as competncias privativas, ao contrrio das exclusivas, so delegveis, o mais correto, a rigor, seria afirmar que o AFRF tem competncia exclusiva para lanar, pois tal competncia indelegvel e insuscetvel de avocao.A exclusividade da competncia para a realizao do lanamento vincula at mesmo o juiz, que no pode lanar, e tampouco corrigir, lanamento realizado pela autoridade administrativa.Reconhecendo algum vcio no lanamento realizado, deve o juiz proclamar-lhe a nulidade, cabendo autoridade administrativa competente, se for o caso, novamente constituir o crdito.Este um dos fundamentos que justifica o entendimento do Supremo Tribunal Federal segundo o qual no se pode propor ao penal por crime de sonegao fiscal antes da concluso do procedimento de lanamento (trmino do processo administrativo porventura instaurado), pois o juiz no tem competncia para decidir acerca da existncia ou no do crdito tributrio cuja sonegao alegada.Questo tormentosa em face da regra de que o lanamento ato privativo da autoridade administrativa a competncia atribuda pelo art. 114, VIII, da CF, para que a Justia do Trabalho promova a execuo, de ofcio, das contribuies sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acrscimos legais, decorrentes das sentenas que proferir. A redao atual foi dada pela Emenda Constitucional 45/2004, mas a esdrxula possibilidade foi introduzida no direito brasileiro pela EC 20/1998 ( poca acrescentou-se um 3. ao mesmo art. 114 da Magna Carta).

Lanamento como atividade vinculadaO pargrafo nico do art. 142 do CTN afirma que a atividade administrativa de lanamento vinculada e obrigatria, sob pena de responsabilidade funcional. O dispositivo apenas ratifica algo que j decorre da definio de tributo, constante do art. 3. do prprio Cdigo.Assim, como o tributo cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada, e o lanamento o ato que formaliza o valor do crdito, dando-lhe certeza, liquidez e exigibilidade, h de se concluir que a atividade de lanar vinculada, no sentido de que a ocorrncia do fato gerador d autoridade fiscal no apenas o poder, mas tambm o dever de lanar, no havendo qualquer possibilidade de anlise de convenincia e oportunidade para que se deflagre o procedimento.

Legislao material e formal aplicvel ao procedimento de lanamentoO lanamento realizado em determinado momento na linha do tempo, mas sempre com os olhos voltados para um instante passado, o da ocorrncia do fato gerador da respectiva obrigao.Caso a obrigao tributria surgida seja relativa penalidade pecuniria (multa), aplica-se ao lanamento a lei mais favorvel ao infrator, dentre aquelas que tiveram vigncia entre a data do fato gerador e a data do lanamento, ainda se garantindo ao contribuinte o direito de aplicar legislao mais favorvel surgida posteriormente, desde que no haja coisa julgada ou extino do crdito.Quando se trata do lanamento de tributo, a autoridade competente deve aplicar a legislao que estava em vigor no momento da ocorrncia do respectivo fato gerador, mesmo que tal legislao j tenha sido modificada ou revogada, tudo em conformidade com o art. 144 do CTN.No poderia ser diferente, pois no lanamento apenas se declara a ocorrncia de um fato gerador, tornando lquido e certo o objeto de uma obrigao j existente, constituindo-se o crdito tributrio.Neste ponto, h de se fazer uma diferenciao fundamental. Ao se referir genericamente legislao aplicvel ao lanamento, o CTN trata das regras materiais (legislao substantiva) relativas ao tributo correspondente, assim entendidas aquelas que definem fatos geradores, bases de clculo, alquotas, contribuintes etc.Entretanto, para realizar o lanamento, a autoridade competente deve observar, tambm, as regras formais (legislao adjetiva)

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