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PROGRAMA DE DIREITO TRIBUTRIO I 4 BIMESTRE

8.6 Princpio do no-confisco; 8.7 Princpio da liberdade de trfego; 8.8 Imunidade e iseno. 9 A obrigao tributria: 9.1 Conceito; 9.2 Classificao; 9.3 Obrigao tributria principal; 9.4 Obrigao tributria acessria.

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CONSIDERAES INICIAIS:

Prezados (as) acadmicos (as): Para o bom andamento das aulas de Direito Tributrio I favor observarem as seguintes regras: 1 - O material em anexo no se trata de uma "apostila", mas sim um mero "ROTEIRO" para o auxlio da aprendizagem, bem como para que no se desperdice tempo com a escrita em quadro; 2 - Diante de tal realidade este material INCOMPLETO E INSUFICIENTE para o estudo e entendimento dos temas, bem como para a realizao das avaliaes bimestrais; 3 - Deste modo IMPRESCINDVEL que os estudos sejam complementados com a bibliografia bsica e complementar recomendadas, com as anotaes realizadas em sala de aula, bem como pesquisas na internet e demais modalidades de pesquisas; 4 - Alm de outras, praticamente todas as informaes constantes deste "ROTEIRO" foram retiradas das seguintes obras jurdicas: 1 - ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributrio Esquematizado. 4 edio. So Paulo : Mtodo, 2010; 2 - AMARO, Luciano. Direito Tributrio Brasileiro. 16 edio, So Paulo : Saraiva, 2010; 3 - CARRAZA, Roque. Curso de Direito Constitucional Tributrio. 26 edio, So Paulo : Malheiros, 2010; 4 - CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributrio. 23 edio, So Paulo : Saraiva, 2010; 5 - MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributrio. 31 edio, So Paulo : Malheiros, 2010; 6 - SABBAG, Eduardo de Moraes. Manual de Direito Tributrio. 2 edio. So Paulo : Saraiva, 2010. Att. Juliano Huck Murbach

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8 LIMITAES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR:8.1 NOES GERAIS:A possibilidade da cobrana de tributos inegavelmente uma das decorrncias da supremacia do interesse pblico sobre o privado, onde o Estado tem assegurada uma posio privilegiada nas relaes jurdicas de que faz parte. Ou seja, o Estado possui o poder de, por ato prprio a lei -, obrigar os particulares a se solidarizarem com o interesse pblico mediante a entrega compulsria de um valor em dinheiro. Porm, tal poder no ilimitado, pois a relao jurdico-tributria no simplesmente uma relao de poder, por isso o legislador constituinte originrio traou as principais diretrizes e limitaes ao exerccio ao poder de tributar diretamente na Constituio Federal. A Constituio Federal apresenta expressamente as principais limitaes ao poder de tributar, porm no todas, conforme pode ser percebido da simples leitura do art. 150 quando estabelece que as garantias que prev existem sem prejuzo de outras (...) asseguradas ao contribuinte. Conclui-se, portanto, que as limitaes constitucionais ao poder de tributar no esto taxativamente previstas no Texto Magno. Deve ser registrado que as limitaes ao poder de tributar esto protegidas contra mudanas que lhes diminuam o alcance ou a amplitude, visto tratar-se de verdadeiras garantias individuais dos sujeitos passivos, na forma do previsto no 4 do art. 60 da C.F.

8.2 - OS PRINCPIOS JURDICOS:Deriva do latim "princpium" que significa comeo, ponto de partida e que na linguagem cientfica passa a significar fundamento, causa. Fundamentalmente tais princpios so considerados como verdadeiras regras normativas, como expresso do direito positivo, complementar lei, e que, falta desta, podem ser aplicados direta e concretamente para a soluo das controvrsias jurdicas. Para Miguel Reale "princpios gerais de direito so enunciaes normativas de valor genrico, que condicionam e orientam a compreenso do ordenamento jurdico, quer para a aplicao e interpretao, quer para a elaborao de novas normas." Para Ricardo Lobo Torres, "os princpios jurdicos so idias inteiramente abstratas, supra constitucionais, que informam todo o ordenamento 3

jurdico e que jamais se traduzem em linguagem normativa. De nada adiantaria a Constituio proclamar que a Repblica Federativa do Brasil justa e segura, posto que tais valores s se concretizam pelos princpios, subprincpios e normas que se afirmam na prtica constitucional. Os princpios representam o primeiro estgio de concretizao dos valores jurdicos a que se vinculam. A justia e a segurana jurdica comeam a adquirir concretude normativa e ganham expresso escrita. Mas os princpios ainda comportam grau elevado de abstrao e indeterminao. Alguns se subordinam a idia de justia (capacidade contributiva, economicidade, etc...) e outros, de segurana (legalidade, irretroatividade, etc...)." J pacfica a afirmao de que a relao de tributao uma relao jurdica e no simplesmente uma relao de poder, (as sociedades primitivas, a delegao do particular para que o Estado aplique o direito ao caso concreto, etc...). PORM NO SOMENTE UMA RELAO DE PODER, mas tambm uma relao obrigacional, com direitos e deveres para ambas as partes, notadamente pelo fato do contribuinte somente ser obrigado a pagar determinado tributo se efetivamente existir previso legal para tanto. Deste modo, a relao de tributao est submetida ao disciplinamento jurdico, e em virtude disto, devem ser analisadas primeiramente as prescries jurdicas mais importantes no disciplinamento dessa relao, as quais geralmente so chamadas de princpios jurdicos da tributao. No existe um conceito correto, ou mesmo um consenso na doutrina sobre o que venha a ser um princpio jurdico. O princpio seria uma norma ou teria a mesma natureza que esta? bvio que a resposta depende da postura jus filosfica de cada um. Os jus naturalistas em geral afirmam que os princpios jurdicos constituem o FUNDAMENTO DE VALIDADE DO DIREITO POSITIVO, integrando deste modo o chamado DIREITO NATURAL. J para os Positivistas, o princpio jurdico nada mais do que uma norma jurdica, que se distingue das demais pela sua importncia no sistema jurdico, importncia esta advinda do fato de ser o princpio uma norma dotada de grande abrangncia, de universalidade e de perenidade. O FATO DE UMA SIMPLES NORMA ESTABELECER UM PERODO DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO NO PODE SER ENTENDIDA COMO UM PRINCPIO JURDICO PARA OS POSITIVISTAS. Deste modo pode-se afirmar que os princpios jurdicos constituem a estrutura do sistema, so seus vetores e por isso Celso Antnio Bandeira de Mello adverte que "desobedecer um princpio muito mais grave do que desobedecer uma simples norma." Referido autor entende que "o princpio deve ser entendido como a disposio expressa ou implcita, de natureza categorial em um sistema, 4

pelo que conforma o sentido das normas interpretadas em uma data ordenao jurdica. O princpio um mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposio fundamental que se irradia sobre diferentes normas, compondo-lhes o esprito e servindo de critrio para a exata compreenso e inteligncia delas, exatamente porque define a lgica e a racionalidade do sistema normativo, conferindo-lhe a tnica que lhe d o sentido harmnico, donde poder concluir-se pela relevncia do princpio e da sua supremacia at sobre as prprias normas constitucionais." Deste modo percebemos a eficcia dos princpios na INTERPRETAO das NORMAS CONSTITUCIONAIS, no por outro motivo que afirma Jos Souto Maior Borges "pois o princpio que iluminar a inteligncia da simples norma, que esclarecer o contedo e os limites da eficcia de normas constitucionais esparsas, as quais tem que harmonizar-se com ele." Deve ser esclarecido que ao adotar-se uma concepo jus naturalista de princpio jurdico no quer dizer que se est excluindo ou prejudicando a concepo positivista. A questo que se coloca a de saber se um princpio, como por exemplo, o princpio da capacidade contributiva, h de ser observado, ou no, pelo legislador tributrio, mesmo que no conste da Constituio. Porm tal problemtica mais afeta ao mbito da Filosofia do Direito, do mesmo modo na questo de saber se existem, ou no, normas de Direito Natural, cuja invocao possvel no Direito Positivo. Paulo de Barros entende que "haver sistema onde encontrarmos elementos que se relacionem entre si e uma forma na qual elementos e relaes se verifiquem. Um grupo de unidades caoticamente reunidas no atinge o nvel de sistema simplesmente pela somatria de seus componentes. indispensvel um vnculo que enlace os integrantes, unificando-os numa organizao coerente." Para P.B.C. o sistema do Direito oferece uma particularidade: suas normas esto dispostas numa estrutura hierarquizada, regida pela fundamentao ou derivao, que se opera tanto no aspecto material quanto formal ou processual, regulando ele prprio, sua criao e transformao. Examinando o sistema de baixo para cima, cada unidade normativa se encontra fundada, material e formalmente, em normas superiores, sendo que todas as normas convergem para um nico ponto, a norma fundamental a qual d fundamento de validade constituio positiva. Dita norma fundamental no se prova nem se explica, tratando-se de uma proposio axiomtica, que se toma sem discusso de sua origem gentica, ela d legitimidade Constituio, no cabendo cogitaes de fatos que a antecedem.

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Paulo de Barros fala em regras de comportamento e regras de estrutura, do conectivo dever-ser modalizado em obrigatrio, permitido e proibido (modais denticos). Citado autor conclui afirmando que "princpios so linhas diretivas que informam e iluminam a compreenso de segmentos normativos, imprimindo-lhes um carter de unidade relativa e servindo de fator de agregao num dado feixe de normas. Algumas vezes constam de preceito expresso, sendo encontrados com clareza e determinao na constituio por exemplo, noutras situaes porm, ficam subjacentes dico do produto legislado, suscitando um esforo indutivo para perceb-los e isol-los. So os princpios implcitos." Como j dito, nos sistemas normativos possvel fazer a identificao de dois tipos bsicos de normas. Uma como uma simples regra jurdica, a qual limita a reger a hiptese para a qual foi elaborada e outra que em razo do grande teor de abstrao que assume, funciona como