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    DIREITO SUMULAR. ESPCIES DE SMULAS. SMULA DE JURISPRUDNCIA. SMULA IMPEDITIVA DE RECURSO.

    SMULA VINCULANTE

    JOS AUGUSTO DELGADO

    Ministro Aposentado do Superior Tribunal de Justia

    Jos Augusto Delgado Ministro do STJ. Doutor Honoris Causa pela

    Universidade Estadual do RN. Doutor Honoris Causa pela Universidade Potiguar do

    RN. Membro titular da Academia Brasileira de Letras Jurdicas (Rio de Janeiro).

    Membro titular da Academia Brasileira de Direito Tributrio (So Paulo). Eleito

    membro titular da Academia Norte-Riograndense de Letras (RN). Especialista em

    Direito Civil. Professor de Direito Pblico (Administrativo , Tributrio e Processual

    Civil). Professor UFRN(aposentado). Professor convidado dos Curso de Ps-

    Graduao, rea de Especializao, do Centro Universitrio de Braslia. Ex-professor

    da Universidade Catlica de Pernambuco. Scio Honorrio da Academia Brasileira

    de Direito Tributrio. Scio Benemrito do Instituto Nacional de Direito Pblico.

    Conselheiro Consultivo do Conselho Nacional das Instituies de Mediao e

    Arbitragem. Integrante do Grupo Brasileiro da Sociedade Internacional do Direito

    Penal Militar e Direito Humanitrio. Scio Honorrio do Instituto Brasileiro de

    Estudos Jurdicos. Scio Fundador do Instituto de Direito Privado (So Paulo).

    Consideraes gerais sobre o tema

    Em sede de consideraes gerais sobre os efeitos das smulas em nosso ordenamento jurdico, passamos, embora de modo

    superificial, a analisar alguns aspectos do denominado direito sumular.

    No deve ser desconhecido que a aplicao das smulas, no Sculo XXI, apresenta-se revestido de fora capaz de imposio de

    entendimento jurisprudencial aceita, de modo preponderante, pelos Tribunais.

    possvel, em face da elevao das smulas a esse patamar, se aceitar a existncia de um Direito Sumular? Iremos

    procurar, entre doutrinadores, resposta a essa pergunta.

    Roberto Rosas, Doutor em Direito e Professor titular da

    Universidade de Braslia, afirma que direito sumular o reflexo do

    direito emanado de smulas de um tribunal1.

    Ivan Lira de Carvalho, Juiz Federal no RN, aborda o assunto

    em artigo intitulado Decises vinculantes, publicado via internet:

    1 Rosas, Roberto, in Direito Sumular. So Paulo: Malheiros, 12

    a. edio, p. 12.

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    http://jus2.uol.com.br/doutrina/imprimir.asp?id=254, acessado em 07.03.2007. O referido autor escreve:

    Mas, afinal, o que Direito Sumular? Ouso dizer que a elevao da jurisprudncia esparsa, atravs do amalgamamento dos

    julgados, ao patamar de ramo da rvore do Direito. No dizer de JOS PEREIRA-LIRA , o Direito Sumular tem gnese nacional, que pode ser

    atribuda ao Ministro VICTOR NUNES LEAL, que em 1963, com os

    seus companheiros da Comisso de Jurisprudncia, no Supremo Tribunal, ousou, com autoridade para isso, dentro dos cancelos, e

    fora deles, no Pretrio Excelso, um corajoso passo frente, promovendo a criao da Smula, de ntidas razes brasileiras, sem

    cpia do stare decisis nem filiao a the restatment of the Law. Louvado no ornato vernacular a lei prope; a jurisprudncia compe,

    PEREIRA-LIRA recua no tempo para situar em 1937 o termo inicial da sua prpria cruzada pela respeitabilidade da jurisprudncia sumulada,

    dizendo que ali estava acontecendo a volta ao empirismo jurdico, informado nas mais puras fontes do positivismo, com a Escola

    Analtica de Jurisprudncia, sob o comando de John Austin, aproveitando as concluses do anti-escolasticismo e as tendncias

    antifeudais e humanistas da chamada Escola da Culta Jurisprudncia, e a formao tedesca da Escola da Jurisprudncia de Interesses, para

    desembocar na Escola do Direito Livre, animada pelo esprito da livre

    investigao cientfica. (...) A Escola Realista Americana, indo alm da Escola Sociolgica Americana, principalmente com Oliver Wendell

    Holmes, gerou a convico de que deve o jurista, antes de tudo, observar o comportamento dos juzes, dos Tribunais e dos cidados,

    para examinar a sua atividade no sentido do que fazem, e no do que deveriam fazer" .

    So estas as aligeiradas consideraes sobre o que o Direito Sumular, que vem galgando prestgio a partir da segurana

    jurdica que oferece aos seus invocadores e a partir da complexidade do processo legislativo brasileiro. Tem como nascedouro as mais

    repetidas posies dos pretrios, que julgam as lides em derradeira instncia.

    Leonardo de Oliveira Linhares, em artigo intitulado Efeito vinculante das smulas como garantia de um processo de

    resultados, abre espao para tecer consideraes sobre o Direito

    Sumular. So suas as observaes que passamos a registrar:

    Em face da relevncia de que se revestiram as discusses

    sobre o efeito vinculante das smulas, h invocaes na doutrina da criao do direito sumular.

    http://jus2.uol.com.br/doutrina/imprimir.asp?id=254

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    Esse ramo do Direito, se assim pode ser definido, fruto da importncia da construo jurisprudencial para a dinamizao da

    norma jurdica.

    Sua razes primitivas podem ser atribudas aos assentos das

    cortes portuguesas. Com origem na Casa de Suplicao do imprio portugus, os assentos eram enunciados do Supremo Tribunal de

    Justia. Este instituto perdurou at 1995, at ser revogado em

    conseqncia da reforma processual naquele pas. Sua extirpao, provavelmente, deu-se em funo da rigor exigido na mutabilidade

    dessas smulas, de tal forma que s se poderia revog-las ou alter-las em virtude de lei.

    Em plagas brasileiras, seu impulsionamento foi dado pelo ministro Victor Nunes Leal. Liderando a Comisso de Jurisprudncia

    do STF, 1963, promoveu a criao das smulas, com o intuito de enunciar as matrias reiteradamente decididas, demonstrando assim

    a inclinao da Corte quanto a essas matrias. A proposta do ministro Leal inspirou os demais tribunais a lanar mo dessas enunciaes.

    Esses movimentos do Poder Judicirio foram responsveis pela formao do direito sumular no ordenamento ptrio, que a

    elevao da jurisprudncia esparsa, atravs do amalgamento de decises, ao patamar de ramo da rvore do Direito (CARVALHO,

    1999: 3).

    A teoria das smulas, ao que se v, parece mais adequada ao sistema brasileiro, romano-germnico, do que o stare decisis

    americano, que com ele no se confunde. Pelo stare decisis, pode-se fazer a subsuno de um julgado emanado de qualquer rgo

    judicirio para qualquer outro, e o magistrado que recebe o case, se verificar a especificidade, a ele se vincula. A nica exceo feita

    Suprema Corte, onde seus nove juzes tm o poder de avaliar a relevncia constitucional da matria, e somente apreciam o recurso

    aps a concesso do que chamam writ of certiorari..

    A adoo do stare decisis em um pas que adota o sistema

    consuetudinrio, e tem produo legislativa escassa, tal como os Estados Unidos, pode ser instrumento eficaz, vez que a jurisprudncia

    se revestir de uma carga normativa maior, dado o maior nmero de lacunas deixado pelo legislador. No o caso das smulas que, como

    definido acima por Iran Lira de Carvalho, trata-se de um

    amalgamento de reiteradas decises; as smulas seriam, assim, um processo final de formao de uma construo jurisprudencial, que

    ganha relevncia no seio de um rgo judicirio hierarquicamente inferior. Aplicando-se nos pretrios nacionais o stare decisis, poder-

    se-ia aceitar que uma deciso, qualquer que seja, mesmo advinda de um tribunal de mesma nvel hierrquico ou mesmo grau inferior,

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    tivesse mais valor do que o convencimento a ser esposado em outro julgamento, evitando que o juiz faa uma apreciao detalhada dos

    fatos.

    Ademais, a unidade de entendimento que deve ser

    garantida a nacional, vez que a competncia legislativa da grande maioria das provncias jurdicas cabe Unio, ao contrrio do

    ordenamento norte-americano, onde a competncia legislativa

    nacional residual.

    Rodolfo de Camargo Mancuso, em obra intitulada

    "Divergncia jurisprudencial e smula vinculante", So Paulo, Revista dos Tribunais, 1999,p. 77, afirma que a jurisprudncia e o Direito

    Sumular so produtos de uma mesma fonte a funo jurisdicional do Estado -, mas o Direito Sumular se destaca como a forma

    potencializada da jurisprudncia, porque seus efeitos se expandem extra-autos, em direo a casos outros, pendentes ou futuros".

    Nagib Slaibi Filho, magistrado e professor da EMERJ, em artigo intitulado Notas sobre a smula vinculante no Direito

    brasileiro, inserido no site http://www.nagib.net/artigos_texto.asp?tipo=2&area=1&id=315,

    afirma:

    DIREITO SUMULAR. CONCEITO. O direito sumular traduz o

    resumo da jurisprudncia sedimentada em incontveis e uniformes

    decises das Cortes Superiores do pas, que visam a rapidificao de causas no Judicirio. A se dar seguimento ao inconformismo das

    partes, manifestado em pea recursal, em total colidncia com texto de Smula do Tribunal, estar-se-ia a instaurar um regime anrquico,

    que afronta o princpio de uniformizao das decises. Prevalncia do entendimento contido no direito sumulado, que traduz a manifestao

    de um colegiado, para negar provimento ao agravo regimental" (Superior Tribunal de Justia, 1 Turma, unnime, relator o Ministro

    Pedro Acili, Ag. Reg. em R.esp. n 3.317-BA, pub. em 26.11.90, ADV Jurisprudncia 52.533).

    Lembra, tambm, que surgiram as smulas no direito republicano comum em janeiro de 1964, pela atividade da Comisso

    de Jurisprudncia do Supremo Tribunal Federal, composta pelos Ministros Gonalves de Oliveira, Victor Nunes Leal (relator) e P

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