direito processual civil - sujeitos do processo

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL IProf. Orlando A. Bonfatti

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SUJEITOS DO PROCESSOSendo o processo instrumento para a resoluo imparcial dos conflitos que se verificam na vida social, na clssica definio, apresenta pelo menos trs sujeitos: nos plos contrastantes da relao processual, como sujeitos parciais, o autor e o ru; e, como sujeito imparcial, representante do interesse coletivo orientado para a justa resoluo do litgio, o juiz. Entretanto, a clssica definio num quadro extremamente simplificado no esgota a realidade referente aos sujeitos que atuam no processo, podendo ser realados os seguintes pontos: a) Alm do juiz, do autor e do ru so tambm indispensveis os rgos auxiliares da Justia, como sujeitos atuantes no processo; b) Os juzes podem suceder-se e funcionalmente no processo, ou integrar rgos jurisdicionais colegiados que praticam atos processuais subjetivamente complexos confirmando que ele prprio no sujeito processual, nem o sempre em carter singular; c) Pode haver pluralidade de autores (litisconsrcio ativo), de rus (litisconsrcio passivo), ou de autores e rus simultaneamente (litisconsrcio misto ou recproco), alm da interveno de terceiros em processo pendente, com a conseqente maior complexidade do processo; d) indispensvel tambm a participao do advogado, uma vez que as partes, no o sendo, so legalmente proibidas de postular judicialmente por seus direitos.

PARTES (AUTOR/REQUERENTE e RU/REQUERIDO)So os principais sujeitos parciais do processo, sem os quais no se completa a relao jurdica processual. Se todo processo se destina a produzir um resultado (provimento jurisdicional) influente na esfera jurdica de pelo menos duas pessoas (partes), indispensvel que a preparao desse resultado seja feita na presena e mediante a possvel participao desses sujeitos interessados. Autor aquele que deduz em juzo uma pretenso, o protagonista; e ru aquele em face de quem aquela pretenso deduzida, o antagonista. No processo de conhecimento denomina-se autor e ru / Requerente e Requerido; no processo de execuo denominase exeqente e executado; na reconveno denomina-se reconvinte e reconvindo, etc. De acordo com o art. 7 do C.P.C., toda pessoa que se acha no exerccio dos seus direitos tem capacidade para estar em juzo. A capacidade jurdica ou capacidade de direito a aptido que a pessoa tem de gozar de seus direitos e de assumir obrigaes. O homem adquire essa personalidade desde o nascimento com vida, nos termos do art. 2 do Cdigo Civil, assim sendo, todo entre humano, ao nascer com vida, adquire perso______________________________________________________________________________Este trabalho de compilao tem como objetivo auxiliar no estudo da disciplina, cuja complementao dever ser efetuada atravs dos livros indicados ou de qualquer outro de interesse do aluno.

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____________________________________________________________ nalidade e, com isso, tona-se apto a gozar de todos os direitos e assumir todas as obrigaes previstas e asseguradas por lei. O menor, aqueles que por enfermidade ou deficincia mental no tiverem o necessrio discernimento, todos tem, portanto, o gozo dos direitos e das obrigaes porque adquiriram tal aptido por terem nascido com vida. Se, por um lado, entretanto, as pessoas nascidas com vida possuem a capacidade jurdica, ou seja, a capacidade de gozar de direitos e de assumir obrigaes na ordem civil, por outro lado nem sempre possuem aptido para exercerem, por si, esses direitos e assumirem obrigaes, seja por incapacidade legalmente presumida, seja por incapacidade comprovadamente constatada. Essa aptido de exercer, por si ou pessoalmente, direitos e assumir obrigaes que consiste a capacidade de fato, que vem a ser aptido que o homem tem de exercer pessoalmente os direitos e obrigaes que lhe so inerentes por ter nascido com vida. Conforme ficou visto anteriormente, a ao um dos direitos da pessoa; direito de agir junto ao Estado para pleitear a tutela jurisdicional e que adquirido com o nascimento com vida. Assiste, portanto, pessoa, mesmo sendo menor, enferma ou deficiente mental que no tiver o necessrio discernimento, o gozo do direito da ao, isto o gozo do direito de ingressar em juzo para requerer do Estado a tutela jurisdicional, quando um seu interesse jurdico estiver ameaado, tenha sido violado ou venha a ser contestado. Para que a pessoa possa exercer, pessoalmente, o direito de ao, preciso que tenha, tambm, a capacidade de fato, isto , que tenha adquirido aptido legal para o exerccio, por si, daquele direito, aptido essa que adquirida com a maioridade ou com a emancipao. Essa aptido ao exerccio do direito de ao vem a ser a capacidade processual (legitimatio ad processum), isto , a capacidade para a pessoa ingressar, pessoalmente, em juzo e pedir a tutela jurisdicional do Estado. Da porque o Cdigo de Processo Civil diz, no art. 7 que toda pessoa que se acha no exerccio de seus direitos tem capacidade para estar em juzo. No tem, portanto, capacidade para o exerccio, por si, dos direitos (inclusive o de ao), os incapazes, sejam eles absoluta ou relativamente incapazes, conforme dispem os artigos 3 e 4 do Cdigo Civil. Conforme disposto no art. 2 do Cdigo Civil, a personalidade jurdica da pessoa natural alcanada a partir do nascimento com vida, assegurados os interesses do nascituro. No caso das pessoas jurdicas, conforme disposto no art. 45 do mesmo diploma legal, a personalidade alcanada a partir da inscrio do ato constitutivo no registro competente, como ocorre com o registro do contrato da sociedade comercial na junta comercial.2

______________________________________________________________________________Este trabalho de compilao tem como objetivo auxiliar no estudo da disciplina, cuja complementao dever ser efetuada atravs dos livros indicados ou de qualquer outro de interesse do aluno.

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____________________________________________________________ Alm dessas pessoas, em carter excepcional, a lei d capacidade de ser parte para certas entidades sem personalidade jurdica ou despersonalizada. So universalidades de direitos que, em virtude das peculiaridades jurdicas de atuao necessitam de capacidade processual. Nessa condio esto, por exemplo, a massa falida, o esplio, a herana jacente ou vacante, as sociedades sem personalidade jurdica, , o condomnio, e algumas outras entidades previstas em lei. Massa falida: a universalidade jurdica de bens e interesses, incluindo dbitos deixados pela empresa que teve sua falncia decretada, em juzo, ser representada pelo administrador judicial. Esplio: a universalidade de bens e interesses, incluindo dbitos deixados por aquele que morreu, ele existe a partir do bito e vai at o trnsito em julgado da sentena que julga a partilha. Para se falar em esplio tem que haver uma massa patrimonial indivisa de bens, o que j ocorre desde o falecimento. O art.12, V, 1 do CPC, estabelece que o esplio ser representado pelo inventariante, caso ele for dativo, quem efetuar a representao ser os herdeiros e sucessores do falecido. O esplio surge antes mesmo que seja aberto o inventrio e nomeado o inventariante. Enquanto isso, ele ser representado pelo administrador provisrio, que a pessoa que se encontra na posse dos bens da herana. O esplio s pode figurar como parte naquelas aes que versem sobre interesses patrimoniais, porque nada mais que a massa indivisa de bens deixada pelo falecido. Nas aes de cunho pessoal (uma investigao de paternidade), devem figurar os herdeiros e sucessores do falecido. Herana jacente e vacante: jacente a herana de algum que falece sem deixar testamento e sem ter herdeiro conhecido. Os bens devero ser arrecadados, publicando-se editais para chamar eventuais herdeiros ou interessados. Um ano aps a publicao do primeiro edital, a herana declarada vacante. Caso no aparea nenhum herdeiro, ao final de cinco anos, contados da abertura da sucesso, os bens passaro ao domnio do Municpio. A lei processual reconhece s heranas jacentes e vacante personalidade processual, permitindo-lhes figurar como parte nos processos relacionados aos interesses da massa patrimonial. Nessas aes, elas sero representadas por seu curador, nomeado pelo juiz. Condomnio: a lei processual refere-se aqui ao condomnio em edifcios, e no ao tradicional. Diferem um do outro, porque somente naquele h partes do bem que so comuns, e parte que so privativas de cada um dos condminos. Em juzo, o condomnio ser representado pelo sndico ou administrador (art. 12, IX CPC). A legitimidade do condomnio est restrita s aes que digam respeito aos interes______________________________________________________________________________Este trabalho de compilao tem como objetivo auxiliar no estudo da disciplina, cuja complementao dever ser efetuada atravs dos livros indicados ou de qualquer outro de interesse do aluno.

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____________________________________________________________ ses comuns e s partes comuns do prdio. Aquelas que sejam privativas devem ser defendidas em juzo pelos respectivos proprietrios. Sociedades sem personalidade jurdica: so as de fato, que no foram constitudas de acordo com as exigncias legais. Embora o direito material lhes negue personalidade jurdica, o processual reconhece em seu favor a possibilidade de figurarem como sujeito ativo e passivo de processos. Tanto em uma como em outra hiptese, a sociedade de fato ser representada por aquele a quem caiba a administrao de seus bens; Como ensina Arruda Alvim, na sociedade irregular, em que, segundo consenso da doutrina, existe um comeo de prova de existncia da sociedade, embora no com publicidade, em face de terceiros, por no ter sido inscrita, ser administrador aquele que conste de um contrato e que a administre efeti