direito processual civil iv - daniel assuncao

Download Direito Processual Civil IV - Daniel Assuncao

Post on 29-Dec-2015

49 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • Rede de Ensino Luiz Flvio Gomes Direito Processual Civil - Danilo Meneses Intensivo II Pgina 1

    Direito Processual Civil Daniel Assuno

    TUTELA JURISDICIONAL EXECUTIVA - Formas executivas:

    - alguns doutrinadores conceituam como a satisfao do direito. Preferencialmente, denomina-se meios materiais que o juiz tem a sua disposio;

    - Tipos de tutela:

    - tutela cognitiva1;

    - tutela executiva2;

    - tutela acautelatria;

    - Sincretismo processual:

    - sincretismo processual -> o sincretismo processual permite que em um mesmo processo possa ser efetuado atividades cognitivas, satisfativas e acautelatrias;

    - a expresso processo sincrtico espcie da qual sincretismo processual gnero, referente ao processo com duas fazes sucessivas (conhecimento e satisfao, respectivamente) onde o legislador d o nome de cumprimento de sentena

    Sincretismo processual -> gnero;

    Processo sincrtico -> espcie;

    - Anlise histrica:

    - antes de 1.990, vivamos em um ordenamento que havia como regra o processo autnomo de execuo, mas excepcionalmente poderia se admitir ao sincrtica (ex.: despejo nunca existiu processo autnomo de execuo de despejo; aes possessrias sempre foram aes sincrticas), o que era adotado apenas em rarssimos procedimentos especiais;

    - depois de 1.990 as coisas comearam a mudar. Em 1.990, vem a primeira mudana, por meio do artigo 84 do CDC (esse artigo est dentro de um captulo que trata da tutela coletiva, no especificamente ao consumidor) e dizem respeito s obrigaes de fazer e no fazer. Assim, todo processo na tutela coletiva que tivesse como objeto a obrigao de fazer ou no fazer passaram a ser de natureza sincrtica;

    - posteriormente, em 1.994, o artigo 461 do CPC traz a regra de que todas as tutelas que tenham como objeto a obrigao de fazer ou no fazer seguiro as regras do processo sincrtico. J o artigo 273 trata da tutela antecipada, e em seu 3 reza sobre a efetivao dessa medida (o legislador optou pelo termo efetivao em vez de optar pelo termo execuo para evidenciar que tratava-se de procedimento distinto);

    - em 1.995 surgiu a lei 9.099/95 (lei dos juizados especiais estaduais) trazendo a regra de que a tutela em relao a qualquer espcie de obrigao (fazer/no-fazer/entregar/pagarquantia) gera um processo sincrtico. Processo autnomo de execuo nos juizados especiais passou a ser possvel somente no caso de execuo de ttulo extrajudicial;

    - em 2.002, o artigo 461-A do CPC passa a prever como sincrtico todo processo que tenha como objeto a obrigao de entregar coisa;

    1 H conhecimento, atividade investigatria e pesquisadora, buscando declarar, constituir, condenar.

    2 Trata-se de atos materiais que buscam a satisfao do direito.

  • Rede de Ensino Luiz Flvio Gomes Direito Processual Civil - Danilo Meneses Intensivo II Pgina 2

    - em 2.005, a lei 22.232 (lei do cumprimento de sentena assim conhecida vulgarmente) trazendo a idia do processo sincrtico tambm para os obrigaes de pagar quantia (uma vez que esta a mais freqente);

    - nos dias atuais, a regra o processo sincrtico, sendo exceo o processo autnomo de execuo. bvio que essa dicotomia de formas executivas algo privativo dos ttulos executivos judiciais, uma vez que nos ttulos executivos extra-judiciais sempre ser necessrio um processo autnomo de execuo;

    - como ttulo executivo judicial gerando processo autnomo de execuo nos diais atuais:

    - h uma corrente doutrinria muito forte (Humberto Theodoro Jnior, Nlson Nry) dizendo que a lei 11.232 voltada exclusivamente execuo comum, assim, com relao s execues especiais, no houve modificao, mantendo essas execues a estrutura de processo autnomo de execuo. So execues especiais: execuo contra a fazenda pblica + execuo contra devedor insolvente + execuo de alimentos.

    - no que se refere a execuo contra fazenda pblica e contra devedor insolvente, realmente, a doutrina concorda que ficou de fora das inovaes da lei 11.232.

    - o problema surge no caso de execuo de alimentos, onde a doutrina no concorda com a posio de Humberto Theodoro e Nry, em que Alexandre Freitas Cmara, Marcelo Abelha3 dentro outros que entendem que a execuo de alimentos tambm sofrem as mudanas da lei 11.232, fazendo-se a execuo por meio de cumprimento de sentena nesse caso.

    - diante disso, surge uma terceira corrente (Costa Machado, Maria Berenice Dias), dizendo que depende: na execuo de alimentos, cabe ao credor escolher pela execuo de alimentos nos termos do artigo 732 do CPC ou a execuo de alimentos nos termos do artigo 733 do mesmo codex; adotando o artigo 732, utiliza-se o procedimento comum, aplicando a lei 11.232, fazendo a execuo por cumprimento de sentena, mas caso opte-se pelo execuo do artigo 733 (procedimento que inclusive prev a priso civil), no se aplica a lei 11.232, mantendo-se o processo autnomo de execuo;

    - o artigo 475-N, pargrafo nico do CPC prev os casos de execuo de sentena arbitral, sentena penal, e homologao de sentena estrangeira, onde o cdigo prev a citao do executado. Sendo a citao o ato que integra o ru ao processo, estar-se- portanto, diante da redao do artigo, criando-se um processo novo, assim, estruturalmente, est criando-se um processo novo, uma vez que haver petio inicial e citao do executado, embora procedimentalmente haver um cumprimento de sentena, salvo a petio inicial e citao, que no so tpicos de cumprimento de sentena mas esto no procedimento. Tal fato acontece pela necessidade de unificao do procedimento usado na execuo para os ttulos executivos judiciais, sob pena da execuo da sentena arbitral (por exemplo) ter uma execuo mais difcil do que as sentenas comuns, criando uma espcie de sentena de segundo grau;

    - Execuo por sub-rogao4 VS execuo indireta:

    - as duas so espcies de execuo forada;

    3 Segundo esses doutrinadores, pelo fato da lei 11.232 ser uma lei altamente protetiva ao exeqente. Dessa

    forma, tratando-se o credor de alimentos o que mais precisa de proteo, deve a lei ser aplicada ao credor de alimentos. 4 Tambm chamada de execuo direta.

  • Rede de Ensino Luiz Flvio Gomes Direito Processual Civil - Danilo Meneses Intensivo II Pgina 3

    - na execuo por sub-rogao o Estado-juiz substitui a vontade do devedor pela vontade da lei. A vontade da lei de satisfazer o Direito e a vontade da parte devedora de resistir. O Estado-juiz possuir poderes para executar atos matrias que visam satisfao do crdito (ex.: penhora; expropriao);

    - a execuo indireta trabalha com a idia de presso psicolgica, tendo como idia o convencimento do devedor de que melhor ele cumprir a obrigao, ou seja, convencer o devedor adequar a sua vontade vontade da lei. Na execuo indireta, o exeqente conta com a colaborao do devedor para que funcione (toda vez que ela funcionar ela vai gerar uma satisfao voluntria do direito). Nessa execuo levada em conta a voluntariedade do exeqente, mas no a espontaneidade. H duas formas de promover a presso consistente na execuo indireta:

    - ameaar a piora da situao do devedor (ex.: astreintes);

    - oferecimento de uma melhora (ex.: art. 652-A, pargrafo nico do CPC -> o executado citado tem 3 dias para pagar j com o desconto de 50% dos honorrios);

    - a expresso sano premial de nomenclatura horrvel, mas traduz a idia acima elencada;

    - Exemplos: no caso de execuo por quantia certa, a regra a execuo por sub-rogao5; o desconto na folha de pagamentos o relativo ao pagamento de alimentos tambm execuo por sub-rogao;

    - o artigo 475-J do CPC traz a regra de que se o ru no pagar em 15 dias, ele sofrer uma multa de 10%, mas qual seria a natureza jurdica dessa multa? A professora Tereza Arruda Alvim Wambier e o professor Athos Gusmo Carneiro entendem ela ser uma espcie de astreinte (portanto, trata-se de execuo indireta). J Luiz Guilherme Marinoni e Srgio Shimura, seguidos do STJ, dizem que tal multa tem natureza de sano processual, uma vez que o valor fixado em lei e no pode ser alterado pelo juiz, alm de que a presso psicolgica somente pode ser aplicada se a obrigao for materialmente possvel de ser cumprida. Vale lembrar que a aplicao da multa se d independentemente (segundo essa posio) da condio financeira do executado;

    - o artigo 461, 46 seria ou no aplicado nas obrigaes de pagar quantia? Embora haja corrente doutrinria (liderada por Luiz Guilherme Marinoni) entendendo que pode ser aplicada as astreintes nesse caso, o STJ entende que no se pode aplicar as atreintes nesse caso, fazendo o tribunal uma interpretao restritiva, no sentido de que o artigo 461 e 461-A so exclusivos das obrigaes de fazer, no fazer e entregar coisa, sendo impossvel sua aplicao no mbito da obrigao de pagar. Segundo o STJ, efetuar crdito na conta do FGTS obrigao de fazer, podendo usar as astreintes;

    - o informativo 549 do STF trata-se de caso extremamente excepcional, onde o STF em sede de tutela antecipada de obrigao de pagar quantia, aplicou as astreintes. Porm, tal informativo trata-se de situao excepcional e no a posio dos tribunais superiores;

    - obrigao de entregar coisa: quando o processo tiver como objeto a obrigao de entregar coisa, voc pode ser valer da execuo por sub-rogao: no caso de mvel, ao de busca e apreenso; no caso de imvel, imisso na posse. Pode-se tambm se valer dos meios de

    5 Como exceo, v-se o artigo 652-A do CPC, onde h a presena de execuo indireta na obrigao de pagar

    quantia. Outro exemplo de execuo indireta o caso da priso civil (forma de pressionar o alimentante a pagar). 6 Trata-se das astreintes no sentido comum.

  • Rede de Ensino Luiz Flvio Gomes Direito Processual Civil - Danilo Meneses Intensivo II

Recommended

View more >