direito penas privativas de liberdade no direito penal ...· natureza penal”1, podendo ter fulcro

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Simpsio de TCC e Seminrio de IC , 2016 / 1 439

DIREITOPENASPRIVATIVASDELIBERDADENODIREITOPENALBRASILEIRO:CRTICAQUANTOEFETIVIDADECUSTODIALSENTENCESINTHEBRAZILIANCRIMINALLAW:CRITICISMOFTHEEFFETIVENESS

WANDERSON FELIPE DE ANDRADE RODERLEI NAGIB GOIS

Resumo Este artigo trata de estudo quanto efetividade da pena privativa de liberdade no direito penal brasileiro, mencionando aspectos relevantes sob a tica da Lei de Execuo Penal, bem como a aplicao de matrias relevantes para a singularizao das penas, no crivo criminolgico e social, abordando a posio de renomados autores acerca do tema e fundamentado com dados oficiais do governo. Palavras-chave: direito penal; penas privativas de liberdade; punio; ressocializao; polticas pblicas; Abstract This article aims to estudy the ineffectiveness of Law on Penal Sanctions. It will focuses how the execution of penal sanctions shall aim at the reintegration of the convicted person into society and prepare him or her to conduct his or her life in a socially responsible way, without committing other criminal offence. Keywords: criminal law; custodial sentences; punishment; rehabilitation; public polices; INTRODUO

Pode-se classificar como violncia, a despeito da pluralidade semntica do termo, que toda atividade que, de alguma forma, cerceia a vontade de um outro indivduo, torna-se tal ato violento quele que a sofre, tal como argumentavam Bourdieu (2005) e Arendt (2005).

Nesse sentido, a humanidade imersa em divergncias ideolgicas pode comprometer a harmonia social. Numa espiral ascendente de violncia, um indivduo tende a se impor ao outro. De tal modo, no convvio em sociedade, o indivduo pode cometer atos delituosos contraditrios aos valores e princpios socialmente sancionados e impostos pelo grupo onde ele vive. Assim, com o intuito de manter a paz social, o Estado impe limitaes materiais constantes nas leis, que restringem o exerccio da liberdade do indivduo, utilizando da fora imperativa da norma para interferir no cometimento de possveis aes danosas paz social (Miguel Reale, 2000).

Assim, nasce a necessidade de garantir o cumprimento da lei, que, como instrumento abstrato, no gera obrigatoriedade intrnseca no indivduo, podendo ele obedecer ou no. Por conta de possveis desrespeitos norma, o Estado materializa a coao por intermdio da sano, que o direito que o ente estatal tem de punir o infrator, diminuindo direitos do indivduo em prol da coletividade, contribuindo para a persecuo do bem comum (Silvio de Svio Venosa, 2004).

Dentre os vrios tipos de penas aplicadas pelo Estado, destaca-se como tema deste projeto as privativas de liberdade, definidas como cerceamento da liberdade do indivduo ocasionado pelo descumprimento da norma de

natureza penal1, podendo ter fulcro em deciso judicial transitada em julgado ou medida meramente assecuratria, com finalidade de resguardar a integridade dos cidados e a prpria lisura dos procedimentos processuais.

Na concepo de Damsio de Jesus (2002), as penas privativas de liberdade contam com trs caractersticas: retributiva; punitiva e ressociativa. A partir dessa explanao, surgem indagaes quanto efetividade da aplicao desse tipo de pena, pois pela prpria terminologia utilizada, h posies antagnicas das caractersticas sobreditas, o que dificulta o atingimento da finalidade e desestabilizao do sistema penal brasileiro, impedindo que o preso seja reinserido na sociedade e impactando diretamente na segurana da coletividade, uma vez que grande parte dos ex-detentos voltam a cometer crimes.

O assunto certamente complexo, uma vez que abrange no apenas o campo do Direito material e processual, mas vrios outros ramos do saber, tais como Filosofia, Antropologia e Sociologia, sendo possvel vislumbrar que este trabalho no ser o suficiente para abarcar todo o assunto, bem como dirimir todas as explanaes atinentes ao tema, ficando restrito efetividade adotada nos caracteres da pena e sua efetiva contribuio para o indivduo infrator, a sociedade e o prprio Estado.

A base de pesquisa para realizao do referido projeto ser bibliogrfica, voltada para doutrina e legislao, tendo como principais instrumentos de apoio normativo: Constituio Federal; Lei de Execues Penais e Cdigo Penal Lei 2848/40, alm de entendimentos consolidados por vrios doutrinadores renomados que integram a discusso do assunto, retiradas de acervo prprio e da instituio de ensino

1 CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. So Paulo: Saraiva. 2008. Ed. 15. P. 1.

Simpsio de TCC e Seminrio de IC , 2016 / 1 440

Faculdades Integradas Promove de Braslia Icesp Promove.

O presente artigo ser abordado em nove sees, seguindo o seguinte trmite: Aspectos Gerais das Penas no Brasil; Jus Puniendi versus Direitos Individuais; Princpio Norteadores da Execuo Penal; As Penas Privativas de Liberdade sob a tica da Lei de Execuo Penal; A Eficcia do Modelo Penal Atual no Brasil; Reincidncia versus Ressocializao: o Perfil do Apenado no Brasil; A Criminologia como Ferramenta Diagnstica da Preveno; Instituies Formadoras: reconstruir ou coagir? e A Punio Eterna das Ruas.

No primeiro captulo, ser feita uma abordagem geral sobre o tema, definindo a natureza das penas, as teorias aceitas no sistema penal brasileiro, explicando cada uma dessas teorias utilizadas.

No segundo captulo, ser abordado o jus puniendi, que o dever do Estado de agir em caso de transgresso da norma, levando-se em considerao os direitos e garantias individuais. Nesse captulo, ser observado a anttese: dever de punir versus garantias individuais.

No terceiro captulo, discutir-se- os princpios norteadores da execuo penal, principiologia que, em tese, limitam o jus puniendi do Estado e, consequentemente, a aplicao das sanes possveis.

No quarto, sero mencionados aspectos gerais da Lei de Execuo Penal (LEP), abordando, principalmente, a sua finalidade ressocializadora e no meramente punitiva, bem como algumas garantias asseguradas pelo fiel cumprimento da norma.

No quinto captulo, apresentar-se- a ineficcia do atual sistema penal, comprovada por intermdio de pesquisas realizadas pelo Departamento Penitencirio Nacional, que demonstram o dficit carcerrio e, consequentemente, a ineficincia em face das propostas educacionais inseridas na LEP.

No sexto captulo, abordar-se- o perfil do apenado bem como o ndice de reincidncia dos ex-apenados. Para tal, utilizar-se- o relatrio produzido pelo IPEA, em cooperao tcnica com o Conselho Nacional de Justia, sobre a reincidncia criminal no Brasil. Esse trabalho pioneiro visava a apresentao de um exame completo dessa situao, baseando-se nos dados coletados em sete estados do pas.

No stimo captulo, ser demonstrada a importncia da anlise criminolgica sobre o apenado, de forma individualizada, uma vez que os motivos e circunstncias do crime so personalssimas e no acontecem com um padro genrico para todos os criminosos.

No oitavo captulo, destacar-se- a importncia da socializao primria e secundria por meio das instituies formadoras do indivduo. Como instrumento de preveno e

ressocializao, a inter-relao entre essas instituies demonstram que se no houver uma ao conjunta e coordenada do Estado com essas entidades, dificilmente a finalidade da pena ser alcanada, bem como no haver reinsero social.

O nono e ltimo captulo, abordar a dificuldade de reinserir o apenado sociedade, uma vez que os objetivos propostos na prpria LEP no foram alcanados e que a prpria sociedade no aceita que um apenado possa ser pessoa de direitos e obrigaes, marginalizando eternamente o indivduo, no o aceitando de volta ao ciclo de vivncia social.

Com isso, espera-se dirimir as indagaes inerentes ao alcance da funo social da Lei de Execuo Penal, demonstrando se o instrumento coercitivo imposto pelo Estado vem sendo efetivo quanto sua aplicabilidade e consequente atingimento dos resultados propostos. Aspectos gerais das penas no Brasil

Segundo Bonavides (1993), o Estado formado basicamente por trs elementos: soberania, povo e territrio. Dentre os trs elementos formadores, destaca-se a importncia do povo na composio basilar deste ente, uma vez que sem a sua existncia no h territrio e, consequentemente, soberania.

O objetivo central do Estado garantir medidas mnimas para que todos possam alcanar o bem comum. Este ltimo, por sua vez, oriundo do conjunto de fatores consuetudinrios que compem a prpria razo de ser do ente estatal, internalizado entre os indivduos que o compem. Assim defende Miguel Reale: O Estado uma realidade cultural, isto , uma realidade constituda historicamente em virtude da prpria natureza social do homem, mas isto no implica, de forma alguma, a negao de que se deva tambm levar em conta a contribuio que consciente e voluntariamente o homem tem trazido organizao da ordem estatal.2

Para que possa atingir sua finalidade, dois pontos so fundamentais: coadunar sociedade e paz social (Alessandro Baratta, 2008). O homem por si s um animal social, necessitando do convvio em coletividade para humanizar-se. Contudo, para que a paz social seja atingida, faz-se necessria a criao de normas, que regulem e implementem um conjunto valorativo e tico a todos.

Assim nasce o direito, podendo ser definido como conjunto de regras que visam a regular o convvio em sociedade. Por sua vez, para efetivar o seu alcance, necessita de mecanismos que garantam o cumprimento das normas em caso de violao pelos indivduos, uma vez que se trata de matria abstrata, gerando obrigatoriedade meramente intrnseca (Paulo Nader, 2009).

2 REALE, Miguel.

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