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    SUMRIO

    1. INTRODUO ..................................................................................................................... 04

    2. PRNCPIOS BSICOS PENAIS ............................................................................................. 05

    3. RELAES COM OUTROS RAMOS DO DIREITO ................................................................. 15

    4. LEI PENAL ............................................................................................................................ 17

    5. TEORIA GERAL DO CRIME .................................................................................................. 32

    6. CONCURSO DE PESSOAS .................................................................................................... 57

    7. PENAS ................................................................................................................................. 61

    8. CONCURSO DE CRIMES ...................................................................................................... 87

    9. EFEITOS DA CONDENAO ................................................................................................ 93

    10. PUNIBILIDADE .................................................................................................................. 97

    11. PRESCRIO ................................................................................................................... 101

    12. EXECUO PENAL ........................................................................................................... 109

    13. CRIMES EM ESPCIE ....................................................................................................... 119

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    INTRODUO

    1.1. CONCEITO DE DIREITO PENAL

    Direito Penal o ramo do direito que trata das regras para aplicao das normas incriminadoras, ou seja, aquelas que representam uma seleo dos comportamentos mais gravosos para os bens jurdicos, cominando-lhes as respectivas sanes, que, no Brasil, so penas ou medidas de segurana. Assim, o Direito Penal tem por objeto condutas humanas descritas em forma positiva (aes) ou em forma negativa (omisso de aes) de tipos legais de condutas proibidas.1 Justifica-se a aplicao do Direito Penal quando meios menos eficazes, como os adotados por outros ramos do Direito no so suficientes para proteger eficazmente os bens jurdicos, da extraindo-se que tem ou deveria ter - carter secundrio ou de ultima ratio.

    1.2. CARACTERES

    O Direito Penal positivo possui trs caracteres principais: valorativo, finalista e sancionador. O carter valorativo se manifesta pela tutela dos valores mais elevados da sociedade, uma vez que o Direito Penal os dispe em uma escala hierrquica e valora os fatos de acordo com a sua gravidade. Quanto mais grave o crime, o desvalor da ao, mais severa ser a sano aplicvel ao seu autor.2

    A lei penal finalista porque pretende prevenir leses aos bens e interesses jurdicos merecedores de tutela mais eficiente, por meio da ameaa legal de aplicao de sanes de maior poder intimidativo (a pena). Assim, essa preveno a maior finalidade do Direito Penal.

    Ainda, o Direito Penal possui carter sancionador, pois refora a tutela jurdica dos bens j regidos pela legislao extrapenal. No entanto, no podemos esquecer que a lei penal atinge tambm bens jurdicos no tutelados pelas leis extrapenais.

    1.3. FUNES DO DIREITO PENAL

    Seguem abaixo as principais funes do Direito Penal.

    a) proteo de bens jurdicos: A principal funo do Direito Penal de instrumento de proteo de bens juridicamente relevantes.3 . No se admite a criao de norma incriminadora que no vise proteo de um bem jurdico.

    b) controle social: a ameaa de penalizao de condutas danosas, em teoria, contribui para a paz pblica. No entanto, ante a incerteza da efetiva aplicao da norma e da ausncia de polticas pblicas que visem reduo da criminalidade, no se consegue promover um efetivo controle social.

    1 SANTOS, Juarez Cirino dos. Direito Penal Parte Geral. 5 edio. Florianpolis: Conceito Editorial, 2012. p. 3.

    2 MIRABETE, Julio Fabbrini; FABBRINI, Renato N. Manual de Direito Penal. 28 edio. So Paulo: Atlas, 2012. V. 1, p. 4.

    3 GOMES, Luiz Flvio; MOLINA, Antonio Garca-Pablos de; BIANCHINI, Alice. Direito penal introduo e princpios fundamentais. So

    Paulo: RT, 2007. V.1, p. 222.

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    c) funo tico-social: parte da doutrina entende que o Direito Penal exerce funo de proteo dos valores elementares da conscincia, de carter tico-social. No entanto, o Direito no tem funo pedaggica, o que cabe a outros mecanimos de controle social, de modo que a adoo dessa perspectiva viola a ideia do Direito Penal como ultima ratio.4

    d) funo de garantia: o Direito Penal tambm tem como funo limitar o poder punitivo estatal, de modo a garantir ao cidado que no ser alvo de arbitrariedades por parte do poder pblico.

    e) funo simblica: o efeito psicolgico que a proibio gera na sociedade. A criminalizao de uma conduta vem carregada de um simbolismo que visa produzir um efeito psicossocial nos cidados de que o Estado est agindo efetivamente para reprimir determinados comportamentos.

    f) funo promocional: atribui-se ao Direito Penal uma funo de transformao social. Para estes autores, a criminalizao no depende dos valores da sociedade, pois a criao de delitos serve justamente para transformar tais valores.

    g) preveno de vingana privada: o Direito Penal, ao conferir ao Estado o monoplio da pretenso punitiva, exerce o papel de evitar que vtimas faam justia com as prprias mos.

    h) funo motivadora: por meio da ameaa de uma sano, o Direito Penal motiva os indivduos a no realizarem determinadas condutas.

    PRINCPIOS BSICOS PENAIS

    2.1. PRINCPIO REITOR: DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

    Com o advento da CF de 1988, a dignidade da pessoa humana foi alada categoria de princpio fundamental (art. 1, inc. III). O princpio constitucional da proteo e da promoo da dignidade da pessoa humana deve influenciar o sistema penal (amplamente considerado), para que ele funcione com respeito aos direitos humanos fundamentais e para que se baseie, precipuamente, no paradigma humanitrio.

    Juridicamente, a noo da dignidade humana est ligada aos movimentos constitucionalistas modernos, sobretudo aos constitucionalismos francs e americano. A constituio moderna, de carter nitidamente liberal, surgiu com a finalidade de declarar direitos, de fundamentar a organizao do governo e de limitar o poder poltico, limitao essa que era o maior anseio dos mentores burgueses setecentistas.

    Assim, o valor moral da dignidade da pessoa humana foi consagrado como preceito constitucional na Declarao de Direitos de Virgnia, que precedeu a Constituio americana de 1787, e na Declarao dos Direitos do Homem e do Cidado de 1789, que resultou da Revoluo Francesa. Apesar de ser possvel sua deduo dos textos constitucionais mais antigos que tutelavam

    4 BUSATO, Paulo Csar. Direito Penal. So Paulo: Atlas, 2013, p. 10.

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    as liberdades fundamentais, a expressa positivao do ideal da dignidade da pessoa humana bastante recente. Com algumas excees, somente aps sua consagrao na Declarao Universal da ONU de 1948 que o princpio foi expressamente reconhecido na maioria das Constituies.

    Com o advento da Constituio brasileira de 1988, restou consagrado o valor da dignidade da pessoa humana como princpio mximo, elevando, de maneira inconteste, o princpio em comento a uma categoria superlativa em nosso ordenamento, na qualidade de norma jurdica fundamental. Tal princpio , portanto, o regente dos demais princpios, sendo que toda lei que violar a dignidade da pessoa humana ser inconstitucional.

    2.2. PRINCPIOS PENAIS FUNDAMENTAIS RELACIONADOS AO DIREITO PENAL

    2.2.1. PRINCPIO DA EXCLUSIVA PROTEO DE BENS JURDICOS

    O principal objetivo do Direito Penal efetivamente a proteo de bens jurdicos, uma vez que no h crime sem a existncia de leso ou perigo de ofensa a um bem ou interesse juridicamente tutelado. A noo de bem jurdico adquiriu, dentro do Direito Penal, uma importncia particular logo aps a Segunda Guerra Mundial.

    Neste sentido, seu valor principal foi o de legitimar ou dar validade s normas penais com fundamento no princpio que diz no poder haver lei penal sem um bem jurdico para tutelar. exatamente aqui que reside a ideia de princpio da exclusiva proteo de bens jurdicos. Isso porque a noo de bem jurdico supe critrios evidentes de taxatividade e de delimitao daquilo que se quer proteger. De tal perspectiva, a noo de bem jurdico buscou impedir que se faam difusos ou intangveis os contedos cuja afetao pode ser objeto de imputao de consequncias penais.

    O bem jurdico converteu-se, ento, em ncleo do conceito material de crime. Com esse contedo, o bem jurdico pretendeu ancorar a atividade legislativa da poltica criminal somente a certas realidades ou interesses relevantes para a convivncia social, deixando fora dessa competncia os campos da privacidade e as crenas pessoais.

    2.2.2. PRINCPIO DA LEGALIDADE

    A CF traz um princpio geral de legalidade no inc. II de seu art. 5, segundo o qual: ningum ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa seno em virtude de lei. Do ponto de vista penal, a legalidade assume feio mais estrita, nos termos do inc. XXXIX do art. 5, assim redigido: no h crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prvia cominao l

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