DIREITO : ESTADO, SOCIEDADE E PODER. Estado Liberal Estado Social Estado Democrtico de Direito.

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  • DIREITO : ESTADO, SOCIEDADE E PODER
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  • Estado Liberal Estado Social Estado Democrtico de Direito
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  • CORRELAO ENTRE SOCIEDADE, PODER E DIREITO Est na funo que o direito exerce na sociedade: FUNO ORDENADORA - de coordenao dos interesses que se manifestam na vida social, de modo a organizar a cooperao entre pessoas e compor os conflitos que se verificarem entre seus membros; Est na funo que o direito exerce na sociedade: FUNO ORDENADORA - de coordenao dos interesses que se manifestam na vida social, de modo a organizar a cooperao entre pessoas e compor os conflitos que se verificarem entre seus membros;
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  • CORRELAO ENTRE SOCIEDADE, PODER E DIREITO PODER - coordena e submete as vontades humanas DIREITO - exerce a funo de controle social, auxiliando no desenvolvimento da sociedade e tornando possvel a vida em comunidade. PODER - coordena e submete as vontades humanas DIREITO - exerce a funo de controle social, auxiliando no desenvolvimento da sociedade e tornando possvel a vida em comunidade.
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  • Revoluo Francesa predominncia durante o sculo XIX dissociao entre a atividade econmica e a atividade poltica Estado -> ausncia no domnio econmico FINALIDADE DO ESTADO garantir o desenvolvimento das liberdades individuais; garantir a esfera de liberdade individual de forma que cada pessoa atinja os fins que eleger; aes para remover obstculos que impedem que cada um alcance o bem- estar individual (como meio de alcance do bem geral); possibilitar a coexistncia dos indivduos para alcanarem seus fins individuais; instituio e manuteno da ordem jurdica como condio de garantia do exerccio das liberdades individuais; Revoluo Francesa predominncia durante o sculo XIX dissociao entre a atividade econmica e a atividade poltica Estado -> ausncia no domnio econmico FINALIDADE DO ESTADO garantir o desenvolvimento das liberdades individuais; garantir a esfera de liberdade individual de forma que cada pessoa atinja os fins que eleger; aes para remover obstculos que impedem que cada um alcance o bem- estar individual (como meio de alcance do bem geral); possibilitar a coexistncia dos indivduos para alcanarem seus fins individuais; instituio e manuteno da ordem jurdica como condio de garantia do exerccio das liberdades individuais;
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  • ESTADO LIBERAL Fim do sculo XVIII ps revoluo francesa: Revolta contra o Absolutismo Monrquico Liberdade, Igualdade e Fraternidade No interveno do Estado na economia Princpio da igualdade formal Teoria da Diviso dos Poderes de Montesquieu Supremacia da Constituio Postura Negativa do Estado Direitos de Primeira Dimenso: liberdade, propriedade, vida e segurana Fim do sculo XVIII ps revoluo francesa: Revolta contra o Absolutismo Monrquico Liberdade, Igualdade e Fraternidade No interveno do Estado na economia Princpio da igualdade formal Teoria da Diviso dos Poderes de Montesquieu Supremacia da Constituio Postura Negativa do Estado Direitos de Primeira Dimenso: liberdade, propriedade, vida e segurana
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  • "na doutrina liberal, Estado de direito significa no s subordinao dos poderes pblicos de qualquer grau s leis gerais do pas, limite que puramente formal, mas tambm subordinao das leis ao limite material do reconhecimento de alguns direitos fundamentais considerados constitucionalmente, e portanto em linha de princpio inviolveis. BOBBIO, Norberto. Liberalismo e Democracia.Trad. brasileira de Marco Aurlio Nogueira.2 ed. So Paulo:Brasiliense,1988, pg19 "na doutrina liberal, Estado de direito significa no s subordinao dos poderes pblicos de qualquer grau s leis gerais do pas, limite que puramente formal, mas tambm subordinao das leis ao limite material do reconhecimento de alguns direitos fundamentais considerados constitucionalmente, e portanto em linha de princpio inviolveis. BOBBIO, Norberto. Liberalismo e Democracia.Trad. brasileira de Marco Aurlio Nogueira.2 ed. So Paulo:Brasiliense,1988, pg19
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  • ESTADO SOCIAL Expanso do Capitalismo Revoluo Industrial degradao da classe trabalhadora Ttica burguesa diante da possibilidade violenta de ruptura do proletariado com o Estado Liberal Intervencionismo estatal no campo econmico Postura ativa do Estado Igualdade Material justia social Direitos de Segunda Dimenso: direitos sociais: o direito ao trabalho, sade, ao lazer, educao e moradia Expanso do Capitalismo Revoluo Industrial degradao da classe trabalhadora Ttica burguesa diante da possibilidade violenta de ruptura do proletariado com o Estado Liberal Intervencionismo estatal no campo econmico Postura ativa do Estado Igualdade Material justia social Direitos de Segunda Dimenso: direitos sociais: o direito ao trabalho, sade, ao lazer, educao e moradia
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  • Concepo de Estado Social: surgimento do Estado regulador: atuao em todas as atividades, inclusive na economia, com finalidades prprias; publicizao da vida econmica e social por meio da interveno estatal; quebra do clssico critrio/dicotomia entre pblico e privado; interveno estatal nas relaes privadas (contratos) por intermdio das normas denominadas de normas de ordem pblica, visando realizar valores da solidariedade, boa-f, impondo limites autonomia da vontade das partes; papel de agente regulador e viabilizador dos valores da ordem social e econmica; perde a postura de neutralidade axiolgica; dever de agir no sentido de efetivamente realizar os valores jurdicos, inclusive para implantao do modelo socioeconmico indicado no texto constitucional; surgimento do Estado regulador: atuao em todas as atividades, inclusive na economia, com finalidades prprias; publicizao da vida econmica e social por meio da interveno estatal; quebra do clssico critrio/dicotomia entre pblico e privado; interveno estatal nas relaes privadas (contratos) por intermdio das normas denominadas de normas de ordem pblica, visando realizar valores da solidariedade, boa-f, impondo limites autonomia da vontade das partes; papel de agente regulador e viabilizador dos valores da ordem social e econmica; perde a postura de neutralidade axiolgica; dever de agir no sentido de efetivamente realizar os valores jurdicos, inclusive para implantao do modelo socioeconmico indicado no texto constitucional;
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  • "A diferena bsica entre a concepo clssica do liberalismo e a do Estado de Bem-Estar que, enquanto naquela se trata to-somente de colocar barreiras ao Estado, esquecendo-se de fixar-lhe tambm obrigaes positivas, aqui, sem deixar de manter as barreiras, se lhes agregam finalidades e tarefas s quais antes no sentia obrigado. A identidade bsica entre o Estado de Direito e Estado de Bem-Estar, por sua vez, reside em que o segundo toma e mantm do primeiro o respeito aos direitos individuais e sobre esta base que constri seus prprios princpios. GORDILLO, Agustn. Princpios Gerais de Direito Pblico. Trad. Brasileira de Marco Aurelio Greco. Ed. RT: So Paulo, 1977, pg. 74. "A diferena bsica entre a concepo clssica do liberalismo e a do Estado de Bem-Estar que, enquanto naquela se trata to-somente de colocar barreiras ao Estado, esquecendo-se de fixar-lhe tambm obrigaes positivas, aqui, sem deixar de manter as barreiras, se lhes agregam finalidades e tarefas s quais antes no sentia obrigado. A identidade bsica entre o Estado de Direito e Estado de Bem-Estar, por sua vez, reside em que o segundo toma e mantm do primeiro o respeito aos direitos individuais e sobre esta base que constri seus prprios princpios. GORDILLO, Agustn. Princpios Gerais de Direito Pblico. Trad. Brasileira de Marco Aurelio Greco. Ed. RT: So Paulo, 1977, pg. 74.
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  • ESTADO DEMOCRTICO DE DIREITO tentativa de corrigir falhas do Estado Social: efetiva justia social e participao democrtica do povo no processo poltico contra os Regimes Totalitrios Princpio da Dignidade da Pessoa Humana, Soberania Popular e Legalidade Direitos de Terceira Dimenso: direitos difusos e coletivos strictu sensu (metaindividuais) Postura Pr-ativa do Estado fase Concretista dos Direitos (fraternais): busca EFETIVA nas formaes sociais tentativa de corrigir falhas do Estado Social: efetiva justia social e participao democrtica do povo no processo poltico contra os Regimes Totalitrios Princpio da Dignidade da Pessoa Humana, Soberania Popular e Legalidade Direitos de Terceira Dimenso: direitos difusos e coletivos strictu sensu (metaindividuais) Postura Pr-ativa do Estado fase Concretista dos Direitos (fraternais): busca EFETIVA nas formaes sociais
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  • enquanto o Estado Liberal produziu um Direito Ordenador; e o Social, um Direito Promovedor, o Estado Democrtico visa concretizar um Direito Transformador STRECK, Lnio. Jurisdio Constitucional e Hermenutica: as possibilidades transformadoras do Direito. Palestra referente a III Jornada de Estudos da Justia Federal, exibida em 22.09.06 na TV Justia enquanto o Estado Liberal produziu um Direito Ordenador; e o Social, um Direito Promovedor, o Estado Democrtico visa concretizar um Direito Transformador STRECK, Lnio. Jurisdio Constitucional e Hermenutica: as possibilidades transformadoras do Direito. Palestra referente a III Jornada de Estudos da Justia Federal, exibida em 22.09.06 na TV Justia
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  • ESTADO LIBERAL Estado individualista que se afasta das relaes com os particulares, preservando a liberdade individual Os homens so iguais e portanto livres para autodeterminao contratual Juiz apenas pronuncia a vontade da lei, que j est previamente determinada Tipicidade dos meios Executrios Estado individualista que se afasta das relaes com os particulares, preservando a liberdade individual Os homens so iguais e portanto livres para autodeterminao contratual Juiz apenas pronuncia a vontade da lei, que j est previamente determinada Tipicidade dos meios Executrios ESTADO DEMOCRTICO Estado preocupado com o bem estar social e coletivo, com a promulgao de direitos fundamentais aos cidados: relaes sociais, polticas e econmicas Justa organizao social: interferncia Estatal Proporcionalidade ?? Estado preocupado com o bem estar social e coletivo, com a promulgao de direitos fundamentais aos cidados: relaes sociais, polticas e econmicas Justa organizao social: interferncia Estatal Proporcionalidade ??
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  • PRINCIPAIS CONCEPES DE PODER concepo antropolgica - entende que o poder tem origem na natural desigualdade entre os seres humanos; concepo sociolgica - define o poder como o princpio motor da instituio; cujo fim organizar as relaes sociais segundo uma ideia. concepo poltica - descreve o poder como a energia que move os indivduos e as instituies (ex: poder estatal imperativo para alcance dos fins do Estado); concepo jurdica - est relacionada ao Direito, entendido como energia criadora cujo objetivo realizar a ideia social. concepo antropolgica - entende que o poder tem origem na natural desigualdade entre os seres humanos; concepo sociolgica - define o poder como o princpio motor da instituio; cujo fim organizar as relaes sociais segundo uma ideia. concepo poltica - descreve o poder como a energia que move os indivduos e as instituies (ex: poder estatal imperativo para alcance dos fins do Estado); concepo jurdica - est relacionada ao Direito, entendido como energia criadora cujo objetivo realizar a ideia social.
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  • O QUE PODER? Celso Ribeiro de Bastos faculdade de algum impor a sua vontade a outrem. Moreira Neto - capacidade de transformar vontade em energia. Calmon de Passos capacidade, para qualquer instncia que seja (pessoal ou impessoal) de levar algum (ou vrios) a fazer (ou no fazer) o que, entregue a si mesmo, ele no faria necessariamente (ou faria talvez). Celso Ribeiro de Bastos faculdade de algum impor a sua vontade a outrem. Moreira Neto - capacidade de transformar vontade em energia. Calmon de Passos capacidade, para qualquer instncia que seja (pessoal ou impessoal) de levar algum (ou vrios) a fazer (ou no fazer) o que, entregue a si mesmo, ele no faria necessariamente (ou faria talvez).
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  • CORRELAO ENTRE SOCIEDADE, PODER E DIREITO Est na funo que o direito exerce na sociedade: FUNO ORDENADORA - de coordenao dos interesses que se manifestam na vida social, de modo a organizar a cooperao entre pessoas e compor os conflitos que se verificarem entre seus membros; Est na funo que o direito exerce na sociedade: FUNO ORDENADORA - de coordenao dos interesses que se manifestam na vida social, de modo a organizar a cooperao entre pessoas e compor os conflitos que se verificarem entre seus membros;
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  • CORRELAO ENTRE SOCIEDADE, PODER E DIREITO PODER - coordena e submete as vontades humanas DIREITO - exerce a funo de controle social, auxiliando no desenvolvimento da sociedade e tornando possvel a vida em comunidade. PODER - coordena e submete as vontades humanas DIREITO - exerce a funo de controle social, auxiliando no desenvolvimento da sociedade e tornando possvel a vida em comunidade.
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  • Revoluo Francesa predominncia durante o sculo XIX dissociao entre a atividade econmica e a atividade poltica Estado -> ausncia no domnio econmico FINALIDADE DO ESTADO garantir o desenvolvimento das liberdades individuais; garantir a esfera de liberdade individual de forma que cada pessoa atinja os fins que eleger; aes para remover obstculos que impedem que cada um alcance o bem- estar individual (como meio de alcance do bem geral); possibilitar a coexistncia dos indivduos para alcanarem seus fins individuais; instituio e manuteno da ordem jurdica como condio de garantia do exerccio das liberdades individuais; Revoluo Francesa predominncia durante o sculo XIX dissociao entre a atividade econmica e a atividade poltica Estado -> ausncia no domnio econmico FINALIDADE DO ESTADO garantir o desenvolvimento das liberdades individuais; garantir a esfera de liberdade individual de forma que cada pessoa atinja os fins que eleger; aes para remover obstculos que impedem que cada um alcance o bem- estar individual (como meio de alcance do bem geral); possibilitar a coexistncia dos indivduos para alcanarem seus fins individuais; instituio e manuteno da ordem jurdica como condio de garantia do exerccio das liberdades individuais;
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  • Concepo de Estado Social: surgimento do Estado regulador: atuao em todas as atividades, inclusive na economia, com finalidades prprias; publicizao da vida econmica e social por meio da interveno estatal; quebra do clssico critrio/dicotomia entre pblico e privado; interveno estatal nas relaes privadas (contratos) por intermdio das normas denominadas de normas de ordem pblica, visando realizar valores da solidariedade, boa-f, impondo limites autonomia da vontade das partes; papel de agente regulador e viabilizador dos valores da ordem social e econmica; perde a postura de neutralidade axiolgica; dever de agir no sentido de efetivamente realizar os valores jurdicos, inclusive para implantao do modelo socioeconmico indicado no texto constitucional; surgimento do Estado regulador: atuao em todas as atividades, inclusive na economia, com finalidades prprias; publicizao da vida econmica e social por meio da interveno estatal; quebra do clssico critrio/dicotomia entre pblico e privado; interveno estatal nas relaes privadas (contratos) por intermdio das normas denominadas de normas de ordem pblica, visando realizar valores da solidariedade, boa-f, impondo limites autonomia da vontade das partes; papel de agente regulador e viabilizador dos valores da ordem social e econmica; perde a postura de neutralidade axiolgica; dever de agir no sentido de efetivamente realizar os valores jurdicos, inclusive para implantao do modelo socioeconmico indicado no texto constitucional;
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  • PODER e DIREITO Dalmo de Abreu Dalllari - o poder, atualmente, age concomitantemente com o direito o poder utiliza a fora, sem, contudo, se confundir com ela, chegando-se, afinal, no sculo XIX, aspirao de fazer coincidirem as noes de poder legtimo e poder jurdico. Entretanto como acentua MIGUEL REALE -, embora o poder pretenda ser, cada vez mais, conforme ao direito, isto no quer dizer que todo poder seja ou mesmo possa vir a ser puramente jurdico, uma vez que a prpria positivao do direito depende da existncia de um poder. Assim, o poder e o direito devem ser vistos como fenmenos concomitantes, podendo-se falar, isto sim, em graus de juridicidade de poder, na medida em que ele mais ou menos empenhado na realizao dos fins do direito. DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos da Teoria Geral do Estado. So Paulo: Saraiva, 1987. P. 37. Dalmo de Abreu Dalllari - o poder, atualmente, age concomitantemente com o direito o poder utiliza a fora, sem, contudo, se confundir com ela, chegando-se, afinal, no sculo XIX, aspirao de fazer coincidirem as noes de poder legtimo e poder jurdico. Entretanto como acentua MIGUEL REALE -, embora o poder pretenda ser, cada vez mais, conforme ao direito, isto no quer dizer que todo poder seja ou mesmo possa vir a ser puramente jurdico, uma vez que a prpria positivao do direito depende da existncia de um poder. Assim, o poder e o direito devem ser vistos como fenmenos concomitantes, podendo-se falar, isto sim, em graus de juridicidade de poder, na medida em que ele mais ou menos empenhado na realizao dos fins do direito. DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos da Teoria Geral do Estado. So Paulo: Saraiva, 1987. P. 37.
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  • PODER e DIREITO Miguel Reale - o poder no existe sem o Direito, mas pode existir com maior ou menor grau de juridicidade na medida em que ele mais ou menos empregado para realizao dos fins do direito: o poder no existe sem o Direito, mas pode existir com maior ou menor grau de juridicidade. Por outro lado, assim como o poder no existe sem o Direito, o Direito no se positiva sem o poder, um implicando o outro, segundo o princpio da complementariedade, de tanto alcance nas cincias naturais e humanas. De maneira geral no h poder que se exera sem a presena do Direito, mas da no se deve concluir que o poder deva ser puramente jurdico [...]. Miguel Reale - o poder no existe sem o Direito, mas pode existir com maior ou menor grau de juridicidade na medida em que ele mais ou menos empregado para realizao dos fins do direito: o poder no existe sem o Direito, mas pode existir com maior ou menor grau de juridicidade. Por outro lado, assim como o poder no existe sem o Direito, o Direito no se positiva sem o poder, um implicando o outro, segundo o princpio da complementariedade, de tanto alcance nas cincias naturais e humanas. De maneira geral no h poder que se exera sem a presena do Direito, mas da no se deve concluir que o poder deva ser puramente jurdico [...].
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  • PODER e DIREITO Poder e o Direito atuam concomitantemente, pois o Poder no existe sem o Direito e o Direito no se positiva sem o poder.
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  • JUSNATURALISMO DIREITO NATURAL Conjunto amplo de princpios Ideia de Justia Linhas dominantes de proteo ao homem Obrigao de fazer o bem (noo objetiva de Bem-Comum) Justia alm do Direito Posto Conjunto amplo de princpios Ideia de Justia Linhas dominantes de proteo ao homem Obrigao de fazer o bem (noo objetiva de Bem-Comum) Justia alm do Direito Posto *Limitaes Relatividade histrica na legitimidade do Direito Pluralismo Cultural Dficit de Racionalidade (Alf Ross Direito e Justia
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  • POSITIVISMO Direito Positivo Objetivo Tcnica Social Teoria, Mtodo e Ideologia de Direito Fundamento -> Poder Estatal Objetivo Tcnica Social Teoria, Mtodo e Ideologia de Direito Fundamento -> Poder Estatal ORDENAMENTO JURDICO Unitrio; Orgnico; Fechado; Completo; Autossuficiente Estrutura -> Escalonada de Normas Validade -> NORMA HIPOTTICA FUNDAMENTAL (anular possibilidade de normas antagnicas) Lacunas -> Auto-Integrao do Direito Interpretao -> literalidade da lei
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  • MODELO POSITIVISTA
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  • CARACTERSTICAS: Direito AVALORATIVO (Fatos, e no Valores) Enfoque NORMATIVO (SUBSUNO) AUSNCIA DE FUNO CRIATIVA Interpretao MECANICISTA Validade da Norma = Validade das regras p/ sua produo (sem depender de seu contedo) Direito AVALORATIVO (Fatos, e no Valores) Enfoque NORMATIVO (SUBSUNO) AUSNCIA DE FUNO CRIATIVA Interpretao MECANICISTA Validade da Norma = Validade das regras p/ sua produo (sem depender de seu contedo) Limitaes: Estudo do Direito meramente DESCRITIVO No admite possibilidade de LACUNAS Inadmisso de INTERPRETAO SEGUNDO PRINCPIOS Aplicao da NORMA POSTA sem questionamento Excluso de QUESTIONAMENTOS AXIOLGICOS, SOCIOLGICOS e CULTURAIS POSITIVISMO
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  • Raciocnio Jurdico mecnicas do raciocnio exato (Dogmtica jurdica) lgica formal Direito como conjunto de normas hierarquicamente organizada isolamento do Direito em relao a outras disciplinas das Cincias Humanas Legalidade X legitimidade = equivalncia
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  • Debilidades do Positivismo Jurdico Reduo do estudo do Direito ao Direito positivo apego excessivo perspectiva normativa e legalidade isolamento cientfico vedao interferncia axiolgica, crtica ou hermenutica operao do Direito sem levar em conta o mundo da vida norma como prisma explicativo da realidade jurdica tendncia a substituir a investigao filosfica (ilimitada) pela investigao especializada (limitada)
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  • Crise do Positivismo Jurdico Ordenamento jurdico como limite discurso validade X no- validade separao entre Direito e Moral; distino entre leis positivas e valores ticos No importam os fatos e relaes humanas intersubjetivas em si Cincia jurdica voltada exclusivamente para as normas jurdicas vigentes
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  • No h lugar para valoraes na Cincia do Direito Anlise do Direito positivo limitada forma No h espao para referncias de contedo Alienao quanto ao dever- ser (tarefa para o filsofo ou poltico do direito) positivismo jurdico deixou de ser uma outra filosofia jurdica para ser, verdadeiramente, antifilosofia (CASTANHEIRA, 2003, p. 31).
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  • Valores de justia X Valores de Direito Kelsen (O que Justia?, p. 223):A existncia dos valores de Direito condicionada por fatos verificveis objetivamente. s normas do Direito positivo corresponde certa realidade social, mas no s normas de justia. Nesse sentido, o valor de Direito objetivo, ao passo que o valor de justia subjetivo. E isso se aplica mesmo que s vezes um grande nmero de pessoas tenham o mesmo ideal de justia. Os juzos jurdicos de valor so juzos que podem ser postos prova objetivamente por fatos, Portanto, so admissveis em uma Cincia do Direito. Mas deve-se notar que a questo quanto a ser legal ou ilegal uma conduta definida em um caso concreto deve ser decidida pela autoridade jurdica competente, no pela cincia do Direito. Os juzos de justia so juzos de valor morais ou polticos, em contraposio aos juzos jurdicos de valor. Eles pretendem expressar um valor objetivo. Conforme seu significado, o objeto ao qual se referem valorvel para todos. Eles pressupe uma norma que reivindica ser objetivamente vlida. Mas a existncia e o contedo dessa norma no podem ser verificados por fatos. Ela determinada apenas por um desejo do sujeito que faz o juzo.
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  • Deficincia de uma teoria incapaz de conciliar o Direito e os valores: O homem tambm um ser axiolgico, isto , que traa os rumos de sua experincia orientado por valores. Logo, o ensino do Direito, se voltado apenas para a abstrao das normas jurdicas, desvinculada do espao social em que vivem as pessoas de carne e osso isto , o mundo da vida (Lebenswelt) e dos valores que do sentido a este viver, impossibilita o futuro intrprete jurdico a educao necessria para solucionar, com razoabilidade e ponderao, as questes jurdicas. (GOMES, 2010, p. 145)
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  • Complexo de inferioridade do jurista (GUERRA FILHO, Teoria da cincia jurdica, p. 92) nsia por uma metodologia prxima (seno idntica) das cincias fsicas jurista comea a desrespeitar a complexidade de seu objeto - o mundo da vida valendo-se de um formalismo antiquado que h muito foi superado
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  • [...] Esse complexo de inferioridade perdura ainda hoje nos meios acadmicos, o que incuo pelo simples fato de que as prprias cincias da natureza esto revendo suas concepes de universo. A cincia moderna est sofrendo um crise de propores gigantescas, e esta irreversvel. A proposta de um positivismo jurdico , portanto, uma proposta que j est ultrapassada em seus fundamentos. (HONESKO, A norma jurdica e os direitos fundamentais: um discurso sobre a crise do positivismo jurdico, p. 62)
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  • Herana Perniciosa do Positivismo GRANDE ISOLAMENTO DO D IREITO EM RELAO A OUTRAS DISCIPLINAS DAS C INCIAS H UMANAS R EPULSA INTERDISCIPLINARIEDADE D ESCOMPASSO ENTRE A F ILOSOFIA E O D IREITO ( AO MENOS NO B RASIL ) F ILOSOFIA H MUITO ATUA CONFORME O PARADIGMA DA RACIONALIDADE INSERIDA NA LINGUAGEM, ENQUANTO O D IREITO AINDA PATINA NO PARADIGMA POSITIVISTA FORMALISTA I NSISTNCIA EM DISCUTIR O CONHECIMENTO JURDICO A PARTIR APENAS DA PERSPECTIVA DO SUJEITO, NO ACOMPANHANDO TAMBM AS EVOLUES DA SOCIOLOGIA, QUE DEIXOU O PARADIGMA ANTROPOLGICO PARA INGRESSAR NA ERA DAS SOCIEDADES COMPLEXAS.
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  • Tecnicismo ESFOROS DO PROFISSIONAL DO D IREITO VOLTADOS PARA A DOUTRINA JURDICA E SEUS PRINCPIOS DOGMTICOS, QUASE TEOLGICOS, COM POUCA OU NENHUMA PREOCUPAO REFLEXIVA. CONFUSO ENTRE PRTICA PROFISSIONAL E PESQUISA ACADMICA F ORMAO DE JURISTAS AMPARADA EM FORMALISMO DOUTRINRIO ; LIMITADA EXPOSIO DO DIREITO POSITIVO P RODUO DE MEROS TECNLOGOS, OU SEJA, APLICADORES ( OPERRIOS ) E NO OPERADORES DO D IREITO P OUCA OU NENHUMA ATENO AO FENMENO JURDICO COMO FENMENO SOCIAL, HISTRICO, ANTROPOLGICO
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  • Caminho para superao do Positivismo TERICOS SOCIAIS E FILSOFOS PASSAM A SE PREOCUPAR NOVAMENTE COMO D IREITO, ENTENDENDO QUE A EMANCIPAO DO HOMEM PERPASSA PELAS INSTITUIES. (H ABERMAS, 2003, P. 168) IMPORTNCIA DO D IREITO : CAPAZ DE ASSEGURAR A LEGITIMIDADE ENTRE OS SISTEMAS E O MUNDO DA VIDA AO TRANSFORMAR SUAS LINGUAGENS, PERMITINDO SOLIDIFICAO RACIONAL ( RAZO ENQUANTO RAZO COMUNICATIVA, NO MAIS A RAZO DO INDIVDUO ) DO CONVVIO HUMANO EM SOCIEDADE.
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  • Direito & Filosofia do Direito F ILOSOFIA DO D IREITO ASSUME A RESPONSABILIDADE DE RECONSTRUO DE UMA CINCIA DO D IREITO COM ACENTUADO CAMPO DE INVESTIGAO, NO RESTRITIVA, ORIENTADA PARA O FUTURO (V IEHWEG, 2002. P. 134). CONVVIO E DILOGO CONTNUO PARA DIFUSO E EXPANSO DAS CONQUISTAS ESPECFICAS DO D IREITO E F ILOSOFIA, SUPERANDO AS EVENTUAIS BARREIRAS DAS LINGUAGENS E MTODOS PRPRIOS, DE MODO A CUMPRIREM A FUNO SOCIAL DOS SABERES. (BITTAR e ALMEIDA, 2008, p. 32-33)
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  • Postura exigida do Direito: O ABANDONO DAS PREOCUPAES APENAS PRTICAS PARA PARTICIPAO NO PROCESSO DE LEITURA DO TODO DA REALIDADE SOCIAL ; PERMITIR O INGRESSO NA AVALIAO DO PROBLEMA DO VALOR DA AO HUMANA, QUE A CINCIA POSITIVA NO EST EM CONDIES DE RESOLVER ; PRINCIPAL MISSO DA F ILOSOFIA EM RELAO AO D IREITO : CONTRIBUIR COM A CRTICA DA EXPERINCIA JURDICA, NO SENTIDO DE DETERMINAR AS SUAS CONDIES TRANSCENDENTAIS, OU SEJA, AQUELAS QUE SERVEM DE FUNDAMENTO EXPERINCIA (REALE, 2009, P. 10)
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  • Interpretao/Aplicao do Direito O JURISTA - ESPECIALMENTE O MAGISTRADO - DEVE CONSIDERAR O ORDENAMENTO JURDICO NO MAIS ESTATICAMENTE, MAS DE FORMA DINMICA, COMO UMA VIVA E OPERANTE CONCATENAO PRODUTIVA, COMO UM ORGANISMO EM PERENE MOVIMENTO, EMERGINDO NO MUNDO DA ATUALIDADE E CAPAZ DE AUTO - INTEGRAR - SE SEGUNDO UMA RACIONALIDADE COERENTE E EM ACORDO COM AS MUDANAS E SUPERVENIENTES EXIGNCIAS VITAIS DA SOCIEDADE (BETTI, 1971, P. 31).
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  • A C INCIA J URDICA NO E STADO D EMOCRTICO DE D IREITO S UPERAO DA POSTURA OMISSA E PASSIVA DO J UDICIRIO ; IMPACTO NAS FUNES SOCIOPOLTICAS DOS MAGISTRADOS ABANDONO DO SISTEMA JURDICO HERMTICO, SEM LACUNAS, E DE ESTRUTURA PIRAMIDAL QUE POSSIBILITAVA APENAS A SUBSUNO LGICA DE FORMA MECNICA (PISKE, 2010, PP. 43-45) ORDENAMENTO JURDICO NO MAIS APENAS COMPREENDIDO COMO LIMITE, MAS PRECIPUAMENTE COMO GARANTIA DE MNIMOS AO CIDADO
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  • Direito demanda mltiplas contribuies hermenuticas para realizar a Democracia com carter emancipatrio, libertador de grilhes que impedem o indivduo de se firmar como pessoa portadora de dignidade. (Gomes, 2010, p. 144)
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  • Estado Democrtico de Direito Neste momento de superao dialtica, a instituio histrica do Estado adquire novos fundamentos e objetivos e, por isso mesmo, ganha um novo sentido para a sociedade que almeja realizar uma Democracia que tem um carter emancipatrio, libertador.
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  • Superar o modelo positivista de estudo do Direito significa: Ultrapassar o pensamento normativista, fonte de desenvolvimento das doutrinas e pesquisas jurdicas no sculo XIX, buscando um estudo integrado com as demais reas do conhecimento atravs do dilogo prprio e inerente concepo interdisciplinar do conhecimento. Apropriar-se dos princpios, dos direitos fundamentais e tambm ser auxiliado por outras reas, como a filosofia, a teoria da constituio e assim fazer uma fuso de horizontes no s pautada nas regras positivadas.
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  • Fenmenos Reconhecimento da fora normativa dos princpios valorizao dos princpios para a aplicao do Direito
  • Slide 47
  • Fenmenos Rejeio ao formalismo recurso a mtodos abertos de raciocnio jurdico: ponderao; teoria da argumentao
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  • Fenmenos Constitucionalizao do Direito irradiao das normas constitucionais para todos os ramos do Direito direitos fundamentais
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  • Fenmenos Reaproximao entre o Direito e a Moral penetrao da Filosofia nos debates jurdicos

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