Direito Empresarial III – Prof. Carlos da Fonseca ?· Direito Empresarial III – Prof. Carlos da…

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  • Direito Empresarial III Prof. Carlos da Fonseca Nadais

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    Teoria Geral dos Ttulos de Crdito (mdulo 01)

    1. Noes histricas - evoluo do escambo para o crdito

    O ttulo de crdito serve para colocar no papel um crdito que algum tem contra uma pessoa. Faz parte do direito das obrigaes e a obrigao sempre vai ter contedo econmico, seja ela de dar, fazer ou no fazer, mas principalmente dar (coisa certa ou incerta). Tem natureza de troca (dinheiro por documento). Assim para um melhor entendimento acerca de ttulos de crdito, devemos, antes, analisar o instituto do crdito.

    1.1. A doutrina (sem citar autores) elaborou os seguintes conceitos econmicos de crdito:

    a) Crdito a troca no tempo e no no espao;

    b) Crdito a permisso de usar capital alheio;

    c) Crdito o saque contra o futuro e,

    d) Crdito confere poder de compra a quem no dispe de recursos.

    e) troca de uma prestao atual por uma prestao futura.

    Assim podem sintetizar um conceito de crdito como a possibilidade de dispor imediatamente de bens presentes, atravs de um recurso prprio ou de terceiro, que estar disponvel no futuro.

    Tambm temos o conceito natural de crdito, pertinente ao sentido etmolgico. O temo crdito deriva do latim creditum, que por sua vez deriva de credere, que significa confiana, ter f. Logo crdito est intimamente ligado confiana, fidcia, entre credor e devedor. Mitigando o primeiro contexto - econmico - representa o poder de compra conferido a algum que no tem condio de pag-lo vista, mas que se tem confiana que o ter no futuro, far o respectivo pagamento.

    Percebemos ento que, aglutinando esses dois conceitos temos que o crdito composto pelos seguintes elementos: fidcia (confiana) e tempo.

    1.2. Os crditos podem ser classificados em funo:

    1.2.1. da sua garantia: a) crdito real, quando estiver garantido por um determinado bem do devedor (penhor/mveis ou hipoteca/imveis), ficando esse bem vinculado ao cumprimento da obrigao; b) crdito pessoal, quando estiver garantido pela integridade dos bens do devedor (fiana e aval) e no por um bem especfico;

    1.2.2. da finalidade de sua utilizao: a) crdito para consumo, quando utilizado para satisfao de suas necessidades individuais; b) crdito para produo, quando utilizado para produo de determinados bens (comercial, industrial, agrcola, imobilirio, etc...);

    1.2.3. do tempo decorrido entre cumprimento da obrigao atual e da futura: a) curto, b) mdio ou c) longo prazo;

    1.2.4. do instrumento de sua realizao: a) ttulo de crdito; b) contrato (mtuo, venda a prazo, etc...);

    1.2.5. da pessoa que se beneficia do crdito (tomador do crdito): a) privado ou b) pblico;

    1.2.6. do local da obteno do crdito: a) interno ou b) externo;

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    2. Obrigao Cambial

    Temos como Direito Obrigacional o conjunto de normas que regula as relaes entre as pessoas, onde uma pode exigir uma prestao da outra, ou seja, entre o sujeito ativo, credor ou accipiens, e o sujeito passivo, devedor ou solvens.

    As prestaes podem ser de dar (coisa certa ou incerta); fazer ou no fazer.

    O vnculo jurdico obrigacional que pode nascer do contrato, da lei, de um ttulo de crdito, de uma sentena, etc. Desse modo a obrigao cambial tem como vnculo jurdico obrigacional um ttulo de crdito

    Vrias so as teorias para determinar as fontes da obrigao em um ttulo de crdito:

    2.1. Teoria contratualista: para esta teoria a natureza da obrigao assumida no ttulo de crdito seria derivada de um contrato. O emitente de um ttulo de crdito se obriga, em razo de uma relao contratual subjacente. Esta teoria sofreu inmeras crticas, pois, no consegue explicar o princpio da autonomia das obrigaes, uma vez que, se a obrigao cambiria surge consubstanciada em um contrato, ento, o terceiro que receber o ttulo estar adquirindo direito derivado e no autnomo e original como realmente ocorre.

    2.2. Teoria da declarao unilateral de vontade: para esta teoria, a fonte da obrigao cartular no seria um contrato, mas sim, uma declarao unilateral de vontade livre e incondicional do devedor. Esta teoria tambm sofreu inmeras crticas, pois, o emitente estaria sempre obrigado, ainda que houvesse excees pessoais, desde que o ttulo tenha sido emitido regularmente.

    2.3. Teoria dplice de Vivante: para esta teoria deve-se analisar a posio do devedor sob duas vertentes: i) perante seu credor: o fundamento ser o contrato; ii) perante terceiro de boa-f: o fundamento ser uma declarao unilateral de vontade. Desse modo, essa teoria mitiga ambas as anteriores.

    Baseado nessa teoria e nos conceitos dados por Vivante que se conceitua titulos de crdito, sendo abarcado pela legislao ptria no art. 887, CC, e retiramos algumas caractersitcas dos ttulos de crdito: cartularidade (i), literalidade (ii) e autonomia (iii), que se juntaro a outros atributos (mdulo 01 - item 5)

    Art. 887 CC. O ttulo de crdito, documento (i) necessrio ao exerccio do direito literal (ii) e autnomo (iii) nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei.

    3. Noes histricas - evoluo dos ttulos de crdito

    Os ttulos de crdito so documentos representativos de obrigaes pecunirias. No se confundem com a prpria obrigao, mas se distinguem dela na exata medida em que a representam. As obrigaes representadas em um ttulo de crdito ou tm origem extracambial, ou de um contrato de compra e venda, ou de mtuo, etc., ou tm origem exclusivamente cambial, como na obrigao do avalista.

    Os ttulos de crditos surgiram na Idade Mdia, com intuito de fomentar o comrcio, simplificando e agilizando as transaes comerciais. A evoluo da utilizao dos ttulos de crdito podem ser compartimentadas nos seguintes lapsos temporais:

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    a) Perodo italiano (at 1.650) Durante a Idade Mdia a estrutura poltica na Europa era o feudal, caracterizado pela descentralizao do poder. Na Itlia havia a proeminncia das cidades martimas, potncias comerciais, que atraiam grande quantidade de mercadores da poca. No havendo uma "moeda" de curso em todas cidades, surge ento o cmbio trajetcio, pelo qual o banqueiro ficava responsvel pelo transporte das moedas. Nesse procedimento tivemos o embrio da nota promissria - cautio - pois o banqueiro reconhecia a 'dvida' e comprometia-se a 'pag-la' na data e local determinados; e da letra de cmbio - littera cambii - pois tambm ordenava ao correspondente que pagasse a quantia ali determinada. Entretanto no tnhamos, ainda, a figura do endosso, os ttulos tinham beneficirios nicos e especficos

    b) Perodo francs (1.650 a 1848) Surgia, ento, o endosso, que possibilitava a circulao desses ttulos, independente da autorizao do sacador, utilizando-se da clusula ordem. Tambm estabeleceu-se a comprovao/garantia da existncia de fundos para a compensao da carta de crdito junto ao emitente pelo destinatrio.

    c) Perodo alemo (1.848 a 1930) Em 1848 tivemos a codificao de normas disciplinadoras cambiais, com vis internacionalizado, com a Ordenao Geral do Dirieto Cambirio. Houve a consolidao da letra de cmbio, como instrumento de crdito.

    No Brasil: Cdigo Comercial Decreto 2.044/1908 derrogou a parte de ttulos de crdito que havia no Cdigo Comercial. obs.1

    e) Perodo Uniforme (a partir de 1.930) Influenciada pela ordenao alem tivemos a elaborao da Lei Uniforme de Genebra (LUG), consolidando trs convenes: a) as partes contraentes - Estados - se obrigam a introduzir em suas respectivas legislaes a LUG (uniformizao espacial); b) regulamentao de controvrsias/conflitos de leis em matria de nota promissria e letra de cmbio; c) as partes contraentes se obrigam a no fazer depender a validade das obrigaes cambirias do cumprimentos de disposies internas pertinentes ao imposto do selo.

    No Brasil: As ratificaes dessas convenes se deram: b) Decreto 57.663/66 que visou uniformizar a letra de cmbio e nota promissria com a LUG; b) Decreto 57.595/66 pertinente a convenes sobre o cheque, e que foi revogada pela Lei 7.357/85; e Lei 5.794/68 que regula a duplicata, mas que determina, expressamente no seu art. 25, a utilizao subsidiria da LUG. Tais dispositivos sero objeto de anlise mais apurada quando do estudo de cada um desses ttulos de crdito.

    obs. 1. Nem todos os dispositivos da LUG entraram em vigor no Brasil, pois foram feitas algumas reservas, ou seja, reservou-se o direito de introduzir, parcialmente, em nosso ordenamento, a LUG, o que nos levou a um sistema hbrido, sendo uma parte regida pelo Decreto 2.044/08, outra pelos Decretos 57.663/66 e 57.595/66 e ainda pelo Cdigo Civil.

    4. Natureza jurdica dos ttulos de crdito:

    Ttulo de Crdito um ttulo executivo extrajudicial, conforme disposto no art. 585 do CPC, nesse contexto tambm denominado como ttulo falimentar, posto que falncia do devedor pode ser decretada com base na impontualidade (art. 94, I, L 11.101/2005); com base na prtica de atos de falncia (art. 94, II, L 11.101/2005) e com base na auto-falncia (art. 97, I cc art. 105, L 11.101/2005) - tais assuntos sero estudados mais amide em Direito Empresarial IV.

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    Art. 585 CPC. So ttulos executivos extrajudiciais: I - a letra de cmbio, a nota promissria, a duplicata, a debnture e o cheque; II - a escritura pblica ou outro documento pblico assinado pelo devedor; o documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas; o instrumento de transao referendado pelo Ministrio Pblico, pela Defensoria Pblica ou pelos advogados dos transatores; III - os contratos garantidos por hipoteca, penhor, anticrese e cauo, bem como os de seguro de vida; IV - o crdito decorrente de foro e laudmio; V - o crdito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imvel, bem como de encargos acessrios, tais como taxas e despesas de condomnio; VI - o crdito de serventurio de justia, de perito, de intrprete, ou de tradutor, quando as custas, emolumentos ou honorrios forem aprovados por deciso judicial; VII - a certido de dvida ativa da Fazenda Pblica da Unio, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territrios e dos Municpios, correspondente aos crditos inscritos na forma da lei; VIII - todos os demais ttulos a que, por disposio expressa, a lei atribuir fora executiva.

    Art. 94 LRF. Ser decretada a falncia do devedor que: I sem relevante razo de direito, no paga, no vencimento, obrigao lquida materializada em ttulo ou ttulos executivos protestados cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 (quarenta) salrios-mnimos na data do pedido de falncia; II executado por qualquer quantia lquida, no paga, no deposita e no nomeia penhora bens suficientes dentro do prazo legal;

    Art. 97 LRF. Podem requerer a falncia do devedor: I o prprio devedor, na forma do disposto nos arts. 105 a 107 desta Lei;

    Art. 105 LRF. O devedor em crise econmico-financeira que julgue no atender aos requisitos para pleitear sua recuperao judicial dever requerer ao juzo sua falncia, expondo as razes da impossibilidade de prosseguimento da atividade empresarial, (...):

    5. Atributos dos ttulos de crditos.

    Alguns doutrinadores preconizam os atributos como caractersticas, outros vice-versa e ainda temos os que entendem que atributos e caractersticas so sinnimos. Faremos ento uma sntese desses entendimentos, ou como caracterstica ou como atributos, sem preocupao com essas diferentes nomenclaturas, mas focando no contedo.

    Art. 887 CC. O ttulo de crdito, documento necessrio ao exerccio do direito literal e autnomo nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei. (g.n.)

    Pela leitura simples do art. 887 CC podemos perceber que os atributos essenciais do ttulo de crdito so: negociabilidade (5.4), executividade (5.5) e autonomia (5.6) e literalidade (5.2 e 5.3). Vamos ver o que a doutrina majoritria apresenta para ns:

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    5.1. natureza comercial: Os ttulos de crdito tem natureza comercial, tanto que letra de cmbio e nota promissria estavam disciplinados no Cdigo Comercial, e ressaltando que o direito cambirio um sub-ramo especfico do Direito Comercial.

    5.2. documentos formais: os ttulos de crdito somente produzem efeito ao observar os requisitos essenciais previstos na legislao cambiria, como se demonstra na leitura do art. 887 CC in fine.

    5.3. ttulos de apresentao: o credor, para exigir a obrigao contida no ttulo de crdito (princpio da literalidade - mdulo 02 item 6.2), deve apresentar o documento original ao exerccio desse direito (princpio da cartularidade - mdulo 02 - item 6.1), desde que preenchido os requisitos legais (princpio do formalismo - mdulo 01 - item 5.1). Assim o devedor deve ter a oportunidade de avaliar esses quesitos e, por esta razo, que se exige a apresentao do documento original.

    5.4. ttulos de circulao ou negociao: os ttulos de crdito devem estar aptos a circular, uma vez que sua principal funo a circulabilidade ou negociabilidade dos direitos incorporados ao ttulo de crdito (no necessariamente e exclusivamente o crdito, como podemos interpretar pelo conhecimento de transporte ou conhecimento de depsito)

    5.5. representam obrigaes lquidas, certas e exigveis: os ttulos de crdito representam uma obrigao lquida, certa e exigvel (art. 618, I do CPC). A certeza quanto existncia (an debeatur) e a liquidez determinada ou determinvel (quantum debeatur), do a natureza executiva ao ttulo de crdito (art. 585, I, CPC).

    Art. 585, CPC . So ttulos executivos extrajudiciais: I - a letra de cmbio, a nota promissria, a duplicata, a debnture e o cheque

    Art. 618, CPC. nula a execuo: I - se o ttulo executivo extrajudicial no corresponder a obrigao certa, lquida e exigvel (art. 586 CPC)

    5.6. eficcia processual abstrata ou de auto-executoriedade: Os ttulos de crdito tem fora executiva e gera para o credor um poder processual independente do mrito da pretenso consubstanciada no ttulo. O ttulo de crdito no prova de crdito porque desta prova no h necessidade, e o que autoriza a execuo exclusivamente o ttulo, e no a obrigao que o gerou. (art. 580 c.c. art. 585, I, CPC). Essa caracteristica deriva do princpio da autonomia dos ttulos de crdito (mdulo 02 - item 6.3)

    Art. 580, CPC. A execuo pode ser instaurada caso o devedor no satisfaa a obrigao certa, lquida e exigvel, consubstanciada em ttulo executivo (art. 585, I , CPC).

    Em uma execuo, pode o credor requerer a tutela jurisdicional com base na aparncia formal do ttulo (legitimidade extrnseca). O juiz vai analisar se o documento, que instrui a inicial, possui algum vcio de forma. Caso haja deve o juiz reconhec-lo de ofcio, caso contrrio mandar citar o executado. Se houver algum vcio, que no seja de forma (legitimidade intrnseca), o juiz no poder reconhec-lo de oficio, pois s podem ser reconhecidos mediante provocao do executado, atravs de embargos.

    5.7. ttulos de resgate: os ttulos de crdito, como vimos na construo do conceito de crdito, pressupe o futuro pagamento em dinheiro, para que se extinga a relao cambiria. Ressalvado-se apenas que, em no havendo data de vencimento no ttulo de crdito, a exigncia ser vista.

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    5.8. obrigao querable ou quesvel: uma obrigao cambiria dita quesvel ou querable, posto que para ser cumprida, ou satisfeita, necessrio que o credor procure o devedor para exigir o pagamento do ttulo na data e local aprazado.

    5.9. natureza pro solvendo: os ttulos de crdito tem, via de regra, natureza pr solvendo (e no pr soluto), no implica em novao no que tange a relao causal (causa debendi), que subsiste a relao cambiria, porque a duas relaes subsistem. Um exemplo bem elucidativo pode ser dado pelo contrato de compromisso de compra e venda, com promitente comprador obrigando-se a pagar o preo no prazo de 90 dias, a contar da data de celebrao da avena, e, representando esse preo, emite uma nota promissria no valor do preo e na data avenada. A emisso da nota promissria no extingue a obrigao do pagamento do preo, e, caso o promitente comprador no pague o preo, o promitente vendedor poder optar entre a) promover a ao de cobrana da referida nota promissria, ou b) interpelar o promitente comprador para que no prazo de 15/30 dias (loteamento/parcelamento solo urbano) o faa o pagamento, sob pena de resciso da promessa de compra e venda. Percebe-se que as duas relaes subsistem concomitantemente.

    CASO CONCRETO: Augusto e Bernardo, em virtude de dvida contrada por aquele em favor deste, resolveram criar um documento que pudesse representar tal obrigao. Dessa forma, questionam voc, famoso advogado dessa rea:

    a) De que maneira o ttulo de crdito se distingue dos demais tipos representativos de obrigao, quanto cobrana e circulao do crdito?

    Os ttulos de crdito tm como caractersticas principais, a negociabilidade/ circulabilidade (fcil circulao do crdito atravs do endosso ou da tradio) e a executoriedade (em tese, mais fcil de cobrar). Os demais ttulos representativos da obrigao (contrato, carn, carto de crdito, confisso de dvida, dentre outros) no tm tais caractersticas.

    b) Porque o ttulo de crdito considerado, fundamentalmente, um ttulo de apresentao?

    Se for este o ttulo escolhido para representar a obrigao, por ser de muito fcil negociao, o devedor somente poder pagar a dvida quele que o apresentar o documento, ou seja, o ttulo, (cartularidade) mesmo que saiba quem o seu credor original, sob o risco de ter que pagar duas vezes a mesma obrigao.

    QUESTO OBJETIVA: As principais caractersticas de um ttulo de crdito cambial so:

    a) literalidade, forma, causa.

    b) forma, causa, abstrao.

    c) negociabilidade, autonomia e literalidade.

    d) modelo, crtula, autonomia

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    Princpios gerais dos ttulos de crdito (mdulo 02)

    6. Princpios gerais dos ttulos de crdito

    Como vimos na Teoria dplice de Vivante e, por conseguinte, no conceito de titulo de crdito, determinado no art. 887, CC, extramos algumas caractersticas dos ttulos de crdito: cartularidade (i), literalidade (ii) e autonomia (iii), que tambm se consubstanciam nos Princpios Gerais dos ttulos de crdito:

    Art. 887 CC. O ttulo de crdito, documento necessrio (i) ao exerccio do direito literal (ii) e autnomo (iii) nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei.

    6.1. Princpio da cartularidade. Quando se afirma que o ttulo de crdito o "documento necessrio ao exerccio do direito (...) nele contido" (i), entendemos que o exerccio de qualquer direito representado no ttulo pressupe uma posse legtima. Somente quem exibe a crtula (o papel em que se lanaram os atos cambirios constitutivos de crdito) pode pretender a satisfao de uma pretenso relativamente ao direto representado no ttulo ou documento (mdulo 1 - item 5.3).

    O documento um meio de prova, qualquer meio fsico que se pode colocar algo documento. O ttulo de crdito sempre ter uma manifestao fsica, s tendo valor o seu original. Para que o credor de um ttulo de crdito exera os direitos por ele representados indispensvel que se encontre na posse do documento. Exceo a essa regra so as duplicatas, que admitem a execuo judicial de crdito representado por este tipo de ttulo, sem a sua apresentao pelo credor, segundo o art. 15, 2, da Lei 5.474/68.

    Art. 15, L 5.474/68 - A cobrana judicial de duplicata ou triplicata ser efetuada de conformidade com o processo aplicvel aos ttulos executivos extrajudiciais, de que cogita o Livro II do Cdigo de Processo Civil ,quando se tratar: I - de duplicata ou triplicata aceita, protestada ou no; II - de duplicata ou triplicata no aceita, contanto que, cumulativamente: a) haja sido protestada; b) esteja acompanhada de documento hbil comprobatrio da entrega e recebimento da mercadoria; e c) o sacado no tenha, comprovadamente, recusado o aceite, no prazo, nas condies e pelos motivos previstos nos arts. 7 e 8 desta Lei. 2 - Processar-se- tambm da mesma maneira a execuo de duplicata ou triplicata no aceita e no devolvida, desde que haja sido protestada mediante indicaes do credor ou do apresentante do ttulo, nos termos do art. 14, preenchidas as condies do inciso II deste artigo

    A exceo da apresentao do ttulo de crdito para aparelhar a execuo, ou ainda, a indicao para protesto, pertinente a duplicata virtual, onde todo o trmite feito por meios magnticos ou digitais, no havendo a necessidade da crtula propriamente dita. Abaixo um acrdo do Superior Tribunal de Justia que representa a jurisprudncia dominante:

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    EXECUO DE TTULO EXTRAJUDICIAL DUPLICATA VIRTUAL. PROTESTO POR INDICAO. BOLETO BANCRIO ACOMPANHADO DO COMPROVANTE DE RECEBIMENTODAS MERCADORIAS. DESNECESSIDADE DE EXIBIO JUDICIAL DO TTULO DECRDITO ORIGINAL. 1. As duplicatas virtuais - emitidas e recebidas por meio magntico ou de gravao eletrnica - podem ser protestadas por mera indicao, de modo que a exibio do ttulo no imprescindvel para o ajuizamento da execuo judicial. Lei 9.492 /97. 2. Os boletos de cobrana bancria vinculados ao ttulo virtual,devidamente acompanhados dos instrumentos de protesto por indicao e dos comprovantes de entrega da mercadoria ou da prestao dos servios, suprem a ausncia fsica do ttulo cambirio eletrnico e constituem, em princpio, ttulos executivos extrajudiciais. (STJ - REsp 1024691 PR 2008/0015183-5 - Terceira Turma - rel. Min. NANCY ANDRIGHI - j. 22/03/2011 - DJe 12/04/2011)

    6.2. Princpio da literalidade. Quando se afirma que o ttulo de crdito o "documento necessrio ao exerccio do direito literal (...) nele contido" (ii), entendemos que o exerccio de qualquer direito representado ser direito que literalmente estiver escrito no ttulo de crdito, no se admitindo interpretao extensiva ou restritiva. Assim, o ttulo de crdito vale pelo que est escrito. O credor pode exigir tudo o que est expresso na crtula, por outro lado, o devedor tem o direito de s pagar o que est expresso no ttulo. Em regra, no se pode colocar clusulas de juros em ttulo de crdito. Pode-se at cobrar, mas no pode estar contida no ttulo (art. 890 do CC).

    Art. 890, CC. Consideram-se no escritas no ttulo a clusula de juros, a proibitiva de endosso, a excludente de responsabilidade pelo pagamento ou por despesas, a que dispense a observncia de termos e formalidade prescritas, e a que, alm dos limites fixados em lei, exclua ou restrinja direitos e obrigaes.

    Art. 51, D 2.044/08. Na ao cambial, somente admissvel defesa fundada no direito pessoal do ru contra o autor, em defeito de forma do ttulo e na falta de requisito necessrio ao exerccio da ao.

    6.3. Princpio da autonomia. Quando se afirma que o ttulo de crdito o "documento necessrio ao exerccio do direito (...) autnomo nele contido" (ii), entendemos que o ttulo de crdito configura documento constitutivo de um direito novo, autnomo, originrio e completamente desvinculado das relao que lhe deu origem. As obrigaes cambiais, constantes no ttulo de crdito, so autnomas e independentes (art.13 da Lei 7357/85), assim os vcios que comprometem a validade de uma relao jurdica, documentada em ttulo de crdito, no se estendem s demais relaes abrangidas no mesmo documento.

    Art. 13 L 7.357/85. As obrigaes contradas no cheque so autnomas e independentes.

    Art. 43 D 2.044/08. As obrigaes cambiais, so autnomas e independentes umas das outras. (...)

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    Do princpio da autonomia extraem-se dois sub-princpios:

    6.3.1. Subprincpio da abstrao. Quando o ttulo de crdito posto em circulao (saindo da esfera do credor original para terceiros), se desvincula da obrigao que lhe deu origem (art. 17 LUG e art. 25 L 7.357/85). A abstrao somente se verifica se o ttulo circula, ou seja, s quando transferido para terceiros de boa-f, opera-se o desligamento entre o ttulo de crdito e a relao em que teve origem. Se o terceiro estiver de m-f o princpio no se aplica. Esse subprincpio est ligado ao aspecto material do princpio da autonomia, pois diz respeito obrigao.

    Art. 17 LUG. As pessoas acionadas em virtude de uma letra no podem opor ao portador as excees fundadas sobre as relaes pessoais delas com o sacador ou com os portadores anteriores, a menos que o portador ao adquirir a letra tenha procedido conscientemente em detrimento do devedor.

    Art. 25 L 7.357/85. Quem for demandado por obrigao resultante de cheque no pode opor ao portador excees fundadas em relaes pessoais com o emitente, ou com os portadores anteriores, salvo se o portador o adquiriu conscientemente em detrimento do devedor.

    6.3.2. Subprincpio da Inoponibilidade de excees contra terceiro de boa-f. Quando o ttulo de crdito objeto de execuo, o portador do ttulo no pode ser atingido por defesas relativas a negcio do qual ele no participou. O ttulo chega a ele completamente livre dos vcios que eventualmente adquiriu em relaes pretritas. Esse subprincpio est ligado ao aspecto processual do princpio da autonomia, pois diz respeito ao processo de execuo (art. 915 e art. 916 CC; art. 17 Lei 57.663/66 - LUG).

    Art. 915 CC. O devedor, alm das excees fundadas nas relaes pessoais que tiver com o portador, s poder opor a este as excees relativas forma do ttulo e ao seu contedo literal, falsidade da prpria assinatura, a defeito de capacidade ou de representao no momento da subscrio, e falta de requisito necessrio ao exerccio da ao

    Art. 916 CC. As excees, fundadas em relao do devedor com os portadores precedentes, somente podero ser por ele opostas ao portador, se este, ao adquirir o ttulo, tiver agido de m-f.

    Art. 17 L 57.663/66 - LUG. As pessoas acionadas em virtude de uma letra no podem opor ao portador as excees fundadas sobre as relaes pessoais delas com o sacador ou com os portadores anteriores, a menos que o portador ao adquirir a letra tenha procedido conscientemente em detrimento do devedor.

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    CASO CONCRETO: Antnio emitiu uma nota promissria em favor de Bernardo, que circulou atravs de diversos endossos at chegar ao atual portador, que decidiu executar um dos endossantes, face inadimplncia do devedor original. Uma vez executado, o endossante apresentou exceo de pr-executividade, para demonstrar sua total incapacidade processual, j que que ele teve o ttulo transferido de um incapaz, o que prejudicaria a cadeia de endossos.

    a) A defesa deve ser acolhida pelo Juiz da causa?

    No merece acolhida a defesa apresentada, tendo em vista que ao lanar sua assinatura no ttulo, o endossante vinculou sua obrigao de pagar como garantidor, pelo Princpio da Autonomia. (tecer comentrios sobre a exceo de pr-executividade)

    b) Determine o princpio cambirio aplicvel ao caso em tela.

    No caso em tela aplicvel; i) Princpios da Autonomia, em que cada obrigao autnoma com relao s demais, independentemente da situao do obrigado, e ii) da Inoponibilidade das Excees Pessoais, cuja relao pessoal com quaisquer dos obrigados no pode ser alegada como defesa. (arts. 7 e 17 da LUG)

    QUESTO OBJETIVA: Assinale a assertiva correta sobre ttulos de crdito.

    a) Pelo princpio da abstrao, os direitos decorrentes do ttulo so independentes do negcio que deu lugar ao seu nascimento, a partir do momento em que ele posto em circulao;

    b) Pelo princpio da abstrao, os direitos decorrentes do ttulo de crdito no se vinculam ao negcio que deu lugar ao seu nascimento, independentemente de sua circulao;

    c) Pelo princpio da autonomia, o cumprimento da obrigao assumida por algum no ttulo no est vinculado a outra obrigao, a menos que o ttulo tenha circulado.

    d) Pelo princpio da autonomia, vale nos ttulos somente o que neles est escrito.

    Obs: O Princpio da Abstrao versa sobre a liberao do ttulo de crdito da obrigao que lhe deu causa no momento em que posto em circulao

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    Classificao dos ttulos de crdito (mdulo 03)

    7. Classificam-se os ttulos de crdito segundo diversos critrios, sendo que cada doutrinador utiliza parmetros que entende mais relevantes. Faremos, ento, um compendio das classificaes dos principais doutrinadores, lembrando que no h como esgotar a apresentao de todas divises possveis, sendo que nem intuito desse trabalho.

    7.1. Quanto ao modelo: 7.1.1. livres. s exigem alguns dos requisitos legais, mas no tm uma forma prevista em lei (podem ser feitos em casa, por exemplo). Ex.: nota promissria.

    7.1.2. vinculados necessariamente devem ser emitidos apenas por quem tem autorizao para isso. A forma a essncia do documento, sendo requisito de validade. Modelo previsto em lei. Ex.: cheque. Um cheque somente ser um cheque se lanado no formulrio prprio fornecido, por talo, pelo prprio banco sacado. Mesmo que se lancem, em um instrumento diverso, todos os requisitos que a lei estabelece para o cheque, este instrumento no ser ttulo de crdito, no produzir os efeitos jurdicos do cheque.

    7.2. Quanto forma ou estrutura: 7.2.1. ordens de pagamento representa uma determinao de pagamento. Tem-se trs situaes jurdicas diferentes: a) sacador: aquele que d a ordem, que emite, assina o cheque; b) sacado: para quem a ordem dada. No caso do cheque ser o banco; c) tomador: quem se beneficia pela ordem de pagamento (beneficirio).

    Em geral, tem-se as trs figuras na ordem de pagamento, contudo, quando vou trocar um cheque de minha propriedade, sacador e tomador confundem-se na mesma pessoa, o mesmo ocorre na duplicata, que a exceo regra, eis que sua emisso gera s sacador e tomador. So exemplos de ordens de pagamento: cheque e letra de cmbio. Por no ser o cheque dinheiro propriamente dito, lcita sua no aceitao.

    7.2.2. promessas de pagamento tem apenas duas figuras: a) sacado (quem emite); e b) tomador (pessoa que receber o valor). So exemplos de promessa de pagamento: a nota promissria e a cdula de crdito bancria.

    7.3. Quanto s hipteses de emisso: 7.3.1. abstratos. no precisam estar vinculados a um negcio jurdico anterior. Pode ser criado por qualquer causa, para representar obrigao de qualquer natureza no momento do saque. Por exemplo: letra de cmbio; nota promissria e cheque.

    7.3.2. causais. s podem ser emitidos se houver uma causa prvia, explcita na lei, ou seja, se ocorrer o fato que a lei elegeu como causa possvel para sua emisso. Ex.: duplicata (s pode ser emitida se houver compra e venda empresarial e s pode ser emitida pelo empresrio em sua atividade empresarial. Para emitir a duplicata deve-se ter uma nota fiscal de prestao de servios ou de compra e venda, sob pena de estar cometendo o crime de duplicata simulada.

    Art. 172 CP. Expedir ou aceitar duplicata que no corresponda, juntamente com a fatura respectiva, a uma venda efetiva de bens ou a uma real prestao de servio. Pena - Deteno de um a cinco anos, e multa equivalente a 20% sobre o valor da duplicata.

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    7.4. Quanto circulao ou forma de transferncia:

    7.4.1. ao portador. apesar de estar previsto no CC (art. 904 e ss.), no tem validade prtica. O nico exemplo existente no Brasil o cheque de at cem reais. No indica o nome do beneficirio, qualquer pessoa que esteja de posse dele pode se beneficiar, circula de mera tradio, sendo esta a regra. Hoje no temos mais ttulos ao portador por fora da L 8.021/90 - plano Collor.

    7.4.2. nominativos ou nominais h a indicao do beneficirio. Para circular precisa de endosso ou cesso de crdito. Os nominativos ordem circulam mediante tradio acompanhada de endosso, e os com a clusula no ordem circulam com a tradio acompanhada de cesso de crdito.

    7.5. Quanto ao contedo da declarao cartular:

    7.5.1. ttulos prprios: so aqueles que efetivamente consubstanciam operaes de crdito e assim, todos os institutos do regime cambirio aplicam-se a eles: endosso, aval, protesto, saque. Por exemplo: letra de cmbio, cheque, nota promissria, duplicata, debntures (art. 585, I, CC: cambiais; os demais incisos: contratuais - direito civil).

    Art. 16 D 57.663/66 - O detentor de uma letra considerado portador legtimo se justifica o seu direito por uma srie ininterrupta de endossos, mesmo se o ltimo for em branco. (documento de legitimao)

    7.5.2. ttulos imprprios: so aqueles que, embora atenda aos princpios cambirios (cartularidade, literalidade, autonomia), documentam outros direitos que no os direitos de crdito. Assim nem sempre representam crditos, tambm podem representar outros direitos. So exemplos: conhecimento de depsito de mercadorias e warrant (ttulos armazeneiros - Decreto 1.102/1903); Conhecimento de transporte; ttulos de crdito rurais (Decreto Lei 167/67).

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    CASO CONCRETO: Um empresrio que trabalha no ramo de venda a varejo pretende utilizar, nas suas operaes a crdito, duplicatas ao invs de cheques, em virtude da alta taxa de inadimplncia. Procura voc para consulta acerca das diferenas bsicas entre tais ttulos. Responda ao consulente de acordo com as classificaes dos ttulos de crdito.

    Inicialmente, cheque e duplicata assemelham-se nas modalidades de modelo, ambos so vinculados, e de circulao, com relao modalidade nominal ordem, cujo ao cheque se aplica nos valores acima de R$ 100,00 (cem reais). Diferem quanto s demais modalidades, pois na de estrutura, o cheque ordem de pagamento, em que outra pessoa que no o devedor, deve efetuar o pagamento, enquanto que na duplicata, por ser promessa de pagamento, o devedor aquele que deve efetuar o pagamento, e na hiptese de pagamento, a duplicata ttulo causal. nesse ponto que para o empresrio a troca impossvel para o empresrio, uma vez que no se aplica s vendas a varejo, mas apenas compra e venda mercantil. Dessa forma, o empresrio dever manter o cheque nas operaes a crdito.

    QUESTO OBJETIVA: So ttulos de crdito que contm ordem de pagamento:

    a) nota promissria e duplicata.

    b) warrant e partes beneficirias.

    c) nota promissria e debnture.

    d) letra de cmbio e cheque

    Obs: (letra de cmbio e cheque so considerados ordem de pagamento, em virtude de haver um terceiro vinculado ao saque, terceiro este que realiza o pagamento em nome do devedor)

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    Letra de cmbio (mdulo 04)

    10.1. Conceito de letra de cmbio

    Como vimos a letra de cmbio o ttulo de crdito com origem mais remota, passando por todos os perodos de evoluo do direito cambirio (mdulo - 01 item 03), sendo considerado por muitos, como ttulo de crdito mais apropriado ao estudo da teoria geral dos atos cambirios.

    A letra de cmbio um ttulo de crdito abstrato (i), correspondendo a documento formal (ii), decorrente de relao ou relaes de crdito, entre duas ou mais pessoas (iii), pela qual a designada sacador, d ordem de pagamento (iv) pura e simples, vista ou prazo, a outra pessoa denominada sacado, a seu favor ou de terceira pessoa chamada tomador ou beneficirio.

    A abstrao (i) decorre de poder se originar de qualquer causa (mdulo 03 - item 7.3.1.); documento formal (ii) porque s pode ser considerada como tal se observar os requisitos essenciais fixados em lei (art. 1 e 2 do Decreto 2.044/1908); as figuras jurdicas (iii) envolvidas, por ser uma ordem de pagamento (iv), so sacador, sacado e tomador ou beneficirio (mdulo 03 - item 7.2.1.).

    Art. 1 D 2.044/1.908 *. A letra de cmbio uma ordem de pagamento e deve conter requisitos, lanados, por extenso, no contexto:

    I. A denominao letra de cmbio ou a denominao equivalente na lngua em que for emitida.

    II. A soma de dinheiro a pagar e a espcie de moeda.

    III. O nome da pessoa que deve pag-la. Esta indicao pode ser inserida abaixo do contexto.

    IV. O nome da pessoa a quem deve ser paga. A letra pode ser ao portador e tambm pode ser emitida por ordem e conta de terceiro. O sacador pode designar-se como tomador.

    V. A assinatura do prprio punho do sacador ou do mandatrio especial. A assinatura deve ser firmada abaixo do contexto.

    Art. 2 D 2.044/1.908 *. No ser letra de cmbio o escrito a que faltar qualquer dos requisitos acima enumerados.

    10.2. Pressuposto para a criao da letra de cmbio:

    O pressuposto para a criao da letra de cmbio a existncia de direito de crdito de uma pessoa em relao outra, e, com base nesse direito o credor (sacador), d ordem de pagamento ao seu devedor na relao causal (sacado), para que lhe pague o valor no vencimento, especificados no ttulo.

    10.3. Figuras intervenientes na letra de cmbio.

    Numa letra de cmbio, como vimos no item 10.1, temos trs figuras jurdicas (iii):

    10.3.1. o sacador (emitente) que emite a letra de cmbio, que d ordem de pagamento, determina o valor que ser pago ao tomador/credor/beneficirio;

    10.3.2. o tomador (credor/beneficirio) que recebe a letra de cmbio

    10.3.3. o sacado (devedor) aquele que deve realizar o pagamento da letra de cmbio ao tomador/credor/beneficirio (dentro das condies estabelecidas); para quem a ordem dada e que deve dar o aceite no ttulo.

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    Podemos identific-las na figura abaixo que representa uma letra de cmbio.

    letra de cmbio e suas 'figuras jurdicas'

    10.4. Requisitos para emisso da letra de cmbio.

    Para que um documento produza efeitos de letra de cmbio, deve atender determinados requisitos

    essenciais estabelecidos em lei (art. 1 e art. 2 do Decreto 2.044/1908 *). Tais requisitos podem ser definidos em intrnsecos e extrnsecos.

    10.4.1. Requisitos intrnsecos da letra de cmbio (internos).

    Os requisitos intrnsecos, tambm chamados subjetivos ou substanciais, so aqueles pertinentes a qualquer negcio jurdico, como capacidade, consentimento, forma e objeto idneo (art. 104 CC). Se no forem respeitados tais requisitos, o ttulo ser nulo (validade).

    Art. 104 CC. A validade do negcio jurdico requer: I - agente capaz; II - objeto lcito, possvel, determinado ou determinvel; III - forma prescrita ou no defesa em lei.

    10.4.2. Requisitos extrnsecos da letra de cmbio (externos)

    Os requisitos extrnsecos, tambm chamados objetivos ou formais, e podem ser divididos em essenciais e no essenciais.

    10.4.2.1. Requisitos extrnsecos essenciais:

    So aqueles que a LUG considera imprescindveis para que o documento valha como uma letra de cmbio, ou seja, no ter valor cambirio, mas to somente servir de incio de prova para o direito comum. (art. 1 e art. 2 do Decreto 2.044/1908 * c/c art. 889 CC).

    Art. 889 CC. Deve o ttulo de crdito conter a data da emisso, a indicao precisa dos direitos que confere, e a assinatura do emitente.

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    a) denominao "letra de cmbio" - clusula cambiria (art. 1, I D 2.044/1.908). A expresso letra de cmbio deve estar inserida no prprio texto da letra de cmbio e na lngua em que foi dada a ordem de pagamento;

    b) ordem incondicional de pagamento de quantia determinada (art. 1, II D 2.044/1.908 - LUG). A ordem de pagamento deve ser pura e simples, no tendo lugar para a insero de condies suspensivas ou resolutivas. A incondicionalidade do pagamento pressuposto necessrio para a circulao do ttulo de crdito, assim uma clusula impeditiva circulao do ttulo violaria o princpio da literalidade (mdulo 02 - item 6.2). A ordem de pagamento deve ser em quantia determinada, ou seja, aquela que corresponda a uma soma de dinheiro.

    c) nome da pessoa que deve pagar - sacado (art. 1, III D 2.044/1.908)

    Deve estar contida o nome da pessoa, natural ou jurdica, que ir pagar, ou seja, o sacado, que a pessoa que recebe a ordem do sacador de pagar o ttulo, baseada na relao de crdito que h entre os dois.

    O nome do sacado pode ser abreviado se, dessa forma, for possvel a sua identificao. Tambm ser possvel que conste o nome do sacado em qualquer lugar do anverso do ttulo, no sendo obrigatrio que seja feita no texto. Se o sacado for incapaz absolutamente dever indicar o representante legal, ao passo que, no caso de sacado relativamente incapaz dever o aceite ter tambm a assinatura do seu assistente.

    Pluralidade de sacados: quando vrias pessoas so nomeadas sacadas pelo sacador ocorre a luralidade de sacados. A LUG no trata da hiptese, mas o Decreto 2.044/1908 a admite no art. 10 e art. 20, 2. Nesses casos a apresentao dever ser sucessiva, ainda que os sacados tenham sido nomeados conjunta ou alternativamente. Assim, o portador far a apresentao ao primeiro sacado e, se este no aceitar, ser apresentado ao prximo sacado se este for domiciliado na mesma praa.

    Art. 10 D 2.044/1908. Sendo dois ou mais os sacados, o portador deve apresentar a letra ao primeiro nomeado; na falta ou recusa do aceite, ao segundo, se estiver domiciliado da mesma praa; assim, sucessivamente, sem embargo da forma da indicao na letra dos nomes sacados

    Art. 20 D 2.044/1908. A letra deve ser apresentada ao sacado ou ao aceitante para o pagamento, no lugar designado e no dia do vencimento ou, sendo este dia feriado por lei, no primeiro dia til imediato, sob pena de perder o portador o direito de regresso contra o sacador, endossadores e avalistas. (...) 2 No caso de recusa ou falta de pagamento pelo aceitante, sendo dois ou mais os sacados, o portador deve apresentar a letra ao primeiro nomeado, se estiver domiciliado na mesma praa; assim sucessivamente, sem embargo da forma da indicao na letra dos nomes dos sacados.

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    d) nome da pessoa para quem deve ser pago o ttulo - tomador (art. 1, IV D 2.044/1.908)

    A letra de cmbio denomina tomador, beneficirio ou mesmo credor aquele que ir receber o pagamento do ttulo. A falta de meno do credor originrio do documento causa total ineficcia para Direito Cambirio, posto que a letra de cmbio ao portador poderia, em tese, concorrer com o papel moeda. O art. 1, IV D 2.044/1.908 admitia os ttulos ao portador ("A letra pode ser ao portador"), mas temos a vedao expressa de "qualquer ttulo" "ao portador" (art. 907 CC cc art. 1 e art. 2 L 8.021/90)

    Art. 1 L 8.021/1990. A partir da vigncia desta lei, fica vedado o pagamento ou resgate de qualquer ttulo ou aplicao, bem como dos seus rendimentos ou ganhos, a beneficirio no identificado.

    Art. 2 L 8.021/90. A partir da data de publicao desta lei fica vedada: II - a emisso de ttulos e a captao de depsitos ou aplicaes ao portador ou nominativos-endossveis;

    Art. 907 CC/2002. nulo o ttulo ao portador emitido sem autorizao de lei especial.

    Pluralidade de tomadores: No caso de indicao conjunta ou disjunta do tomador da letra de cmbio, o seu possuidor considerado, para os efeitos cambiais, p credor nico da obrigao, podendo endossar e protestar o ttulo, bom como mover as aes cambirias cabveis.

    Art. 39 D 2.044/1908. O possuidor considerado legtimo proprietrio da letra ao portador e da letra endossada em branco. 1 No caso de pluralidade de tomadores ou de endossatrios, conjuntos ou disjuntos, o tomador ou o endossatrio possuidor da letra considerado, para os efeitos cambiais, o credor nico da obrigao.

    Art. 8 D 2.044/1908. O endosso transmite a propriedade da letra de cmbio. Para a validade do endosso, suficiente a simples assinatura do prprio punho do endossador ou do mandatrio especial, no verso da letra. O endossatrio pode completar este endosso. 3 vedado o endosso parcial.

    e) assinatura do sacador (art. 1, V D 2.044/1.908 e art. 1.8 LUG). Da assinatura do sacador decorre a constituio do crdito, pois o sacador torna-se codevedor da letra de cmbio. Se o sacado no aceitar a ordem que lhe foi dirigida pelo sacador, ou tendo aceito no a cumpriu no vencimento, o credor poder cobrar o sacador, uma vez atendidas as condies prprias do regime cambial. Entretanto tal assertiva na LUG foi objeto de reserva (Anexo II, artigo 2), de forma que o Decreto 2.044/1908; em seu art.1, V; art. 8, segunda parte; art. 11 e art. 14, segunda parte; traz a possibilidade de o ato cambirio ser praticado por mandatrio com poderes especiais.

    Art. 8 D 2.044/1908. O endosso transmite a propriedade da letra de cmbio. Para a validade do endosso, suficiente a simples assinatura do prprio punho do endossador ou do mandatrio especial, no verso da letra. O endossatrio pode completar este endosso.

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    Art. 11 D 2.044/1908. Para a validade do aceite suficiente a simples assinatura do prprio punho do sacado ou do mandatrio especial, no anverso da letra.

    Art. 14. D 2.044/1908. O pagamento de uma letra de cmbio, independente do aceite e do endosso, pode ser garantido por aval. Para a validade do aval, suficiente a simples assinatura do prprio punho do avalista ou do mandatrio especial, no verso ou no anverso da letra.

    O mandato especial s possvel para operaes civis, no para operaes de consumo (art. 51, VIII, CDC e Smula 60, STJ clusula com mandato).

    Art. 51. So nulas de pleno direito, entre outras, as clusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e servios que: VIII - imponham representante para concluir ou realizar outro negcio jurdico pelo consumidor;

    Smula 60 STJ - Obrigao Cambial - Procurador do Muturio Vinculado ao Mutuante. nula a obrigao cambial assumida por procurador do muturio vinculado ao mutuante, no exclusivo interesse deste.

    f) data do saque: requisito essencial previsto na LUG (art. 1.7, LUG), mas no para o Decreto 2.044/1908 (art. 1, D 2.044/1908), no a considerava como requisito de validade do ttulo. O dia e o ano podem ser escritos em algarismos, mas o ms deve ser por extenso.

    Art.1. LUG. A letra contm: 7. A indicao da data em que, e do lugar, onde a letra passada

    10.4.2.2. Requisitos extrnsecos no essenciais (suprveis ou acidentais)

    So aqueles que na sua ausncia no afetam a validade do documento da letra de cmbio, pois, a prpria lei ir suprir a ausncia destes requisitos (art. 2 LUG):

    a) poca do vencimento (art. 20, 1, primeira parte D 2.044/1908 e art. 2.2 LUG):

    No contendo a Letra de Cmbio a poca do vencimento, ser considerada como pagvel vista, ou seja, contra a sua apresentao. So nulas as letras com vencimentos diferentes ou sucessivos, conforme artigo 33 LUG.

    Art. 20. D 2.044/1908. A letra deve ser apresentada ao sacado ou ao aceitante para o pagamento, no lugar designado e no dia do vencimento ou, sendo este dia feriado por lei, no primeiro dia til imediato, sob pena de perder o portador o direito de regresso contra o sacador, endossadores e avalistas. 1 Ser pagvel vista a letra que no indicar a poca do vencimento. Ser pagvel, no lugar mencionado ao p do nome do sacado, a letra que no indicar o lugar do pagamento.

    Art. 33 LUG. Uma letra pode ser sacada: A vista; A um certo termo de vista; A um certo termo de data Pagvel num dia fixado As letras, quer com vencimentos diferentes, quer com vencimentos sucessivos, so nulas.

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    De modo reverso, pela leitura do art. 33 da LUG, temos que no so admissveis:

    i) datas incertas (prximo de 20/01/2014)

    ii) datas impossveis (31/02/2014)

    iii) datas alternativas (20/01/2014 ou 21/01/2014)

    iv) datas distintas/vencimentos parcelados (uma nica letra de cmbio no valor de $3.000, com vencimentos 20/01/2014; 25/01/2014/30/01/2014 cada parcela no valor de $ 1.000)

    b) lugar do pagamento (art. 20, 1, segunda parte D 2.044/1908 e art. 2.3 LUG): Trata-se de requisito acessrio, porque, se no constar da letra de cmbio, a lei supre, considerando como sendo o lugar designado ao lado do nome do sacado, que presume ser o lugar do seu domiclio.

    Art. 2 LUG. O escrito em que faltar algum dos requisitos indicados no artigo anterior no produzir efeitos, salvo nos casos determinados nas alneas seguintes: Na falta de indicao especial, o lugar designado ao lado do nome do sacado considera-se como sendo o lugar do pagamento, e, ao mesmo tempo, o lugar do domicilio do sacado.

    Art. 20. D 2.044/1908. A letra deve ser apresentada ao sacado ou ao aceitante para o pagamento, no lugar designado e no dia do vencimento ou, sendo este dia feriado por lei, no primeiro dia til imediato, sob pena de perder o portador o direito de regresso contra o sacador, endossadores e avalistas. 1 Ser pagvel vista a letra que no indicar a poca do vencimento. Ser pagvel, no lugar mencionado ao p do nome do sacado, a letra que no indicar o lugar do pagamento.

    c) lugar do saque (artigo 2.4 LUG):

    Art. 2 LUG. O escrito em que faltar algum dos requisitos indicados no artigo anterior no produzir efeitos, salvo nos casos determinados nas alneas seguintes: A letra sem indicao do lugar onde foi passada considera-se como tendo-o sido no lugar designado, ao lado do nome do sacador.

    O STF Considera ainda vigente o artigo 54, 1 do Decreto 2.044/1908, de forma que, em sendo omisso o local ao lado do nome do sacador, no ser caso de nulidade do ttulo, porque, segundo o Decreto 2.044/1908, o portador poder inserir o local do saque.

    Smula 387 STF - Cambial Emitida ou Aceita com Omisses, ou em Branco - Complementao pelo Credor de Boa-F antes da Cobrana ou do Protesto. A cambial emitida ou aceita com omisses, ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-f antes da cobrana ou do protesto.

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    CASO CONCRETO: Augusto comprou de Bernardo um apartamento no valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) que, com o crdito venda de seu imvel, tambm comprou um apartamento, pelo mesmo valor, de seu amigo Cardoso. Por ter ouvido falar em um ttulo capaz de vincular todas as partes, Bernardo lhe procura para prestar as seguintes orientaes:

    a) possvel a emisso de uma letra de cmbio, a fim de vincular augusto ao pagamento e ainda assim dar garantia a Cardoso?

    Sim, possvel, uma vez que Augusto devedor de Bernardo que devedor da mesma quantia de Cardoso. Assim, ao sacar uma letra de cmbio, envolver Augusto como sacado no pagamento e dar garantia a Cardoso, pois se aquele no aceitar ou no pagar a letra, Bernardo, como sacador, garante o pagamento (art. 9 LUG).

    b) por nunca ter visto uma letra de cmbio, questiona acerca dos requisitos necessrios para validade do ttulo em tela.

    Letra de cmbio classificada como ttulo livre, conforme a modalidade de classificao relativa ao modelo. Dessa forma, para ser considerado letra de cmbio, o ttulo deve conter os requisitos contidos nos arts. 1 e 2 LUG, com aplicao subsidiria da Smula STF 387. (discorrer alneas)

    QUESTO OBJETIVA: No requisito essencial da letra de cmbio:

    a) poca do pagamento;

    b) Valor

    c) Assinatura do emitente;

    d) Clusula ordem

    Obs. art. 1: 4 c/c art. 2: 1, ambos da LUG

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    Declaraes cambirias e atos cambirios: emisso; saque e endosso (mdulo 05)

    11. Declaraes cambirias

    As declaraes cambirias so manifestaes de vontade em relaes cambirias que podem ser:

    11.1. originrias so as manifestaes de vontade que do origem ao ttulo de crdito, faz nascer a obrigao cambiria. As declaraes originrias so: a) as emisses da nota promissria e do cheque e b) os saques da letra de cmbio e da duplicata.

    11.2. sucessivas so as manifestaes da vontade emitidas depois da constituio do ttulo de crdito. a manifestao que sucede declarao cambiria originria do ttulo de crdito. As declaraes sucessivas so: c) endosso, d) aceite e e) aval.

    11.3. necessrias so as manifestaes de vontade imprescindveis para a existncia do ttulo de crdito, assim sem a declarao cambiria necessria o ttulo de crdito no existe. So as declaraes necessrias justamente as declaraes cambirias originrias: a) emisses e b) saques.

    11.4. eventuais so as manifestaes de vontade que se no existirem no afetam a existncia do ttulo de crdito. As declaraes eventuais so c) endosso, d) aceite e e) aval.

    Em regra, toda declarao cambiria originria tambm uma declarao cambiria necessria. Na letra de cmbio toda declarao cambiria sucessiva tambm ser uma declarao cambiria eventual.

    Todas as manifestaes de vontade emitidas no ttulo de crdito so declaraes cambirias, tal como o aceite, o endosso e o aval. A diferena est no contedo destas manifestaes de vontade. No aceite h a manifestao de vontade de aceitar o pagamento do ttulo de crdito. No endosso h a manifestao de vontade de transferir o ttulo de crdito. No aval h a manifestao de vontade de garantir o ttulo de crdito. Todas estas manifestaes de vontade so declaraes cambirias.

    12. Atos cambirios.

    O ato cambirio principal da letra de cambio o saque (item 14), com o preenchimento da letra de cambio com a determinao de ordem de pagamento. temos tambm os atos cambirios secundrios como: endosso (item - 15 - transferncia); aceite (item - 16 - completa-se o ttulo) e aval (item - 17 - garantia). Passaremos rapidamente pela emisso (item - 13) e nos atentaremos agora pelo o saque e o endosso.

    13. Emisso

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    14. Saque

    O saque o ato cambial de criao do ttulo de crdito e d ordem de pagamento ao sacado atravs da letra de cmbio. Assim, tratando-se a letra de cmbio, de uma ordem de pagamento (mdulo 03 - item 7.2.1) correspondendo a uma obrigao originria (primeiro ato cambirio) e necessria (sem o saque, no existe letra de cmbio), ou seja, a primeira manifestao de vontade que se traduz no ttulo de crdito para ensejar seu nascimento.

    A criao do letra de cmbio, decorre o surgimento de trs figuras jurdicas diversas: sacador, sacado e tomador (mdulo 04 - item 10.3) e a autorizao para o tomador procurar o sacado para, dadas certas condies, poder receber dele a quantia referida no ttulo (mdulo 04 - item __). Entretanto, o saque produz outro efeito: vincular o sacador ao pagamento da letra de cmbio.

    obs. A emisso a entrega do ttulo ao beneficirio, que no caso do cheque e nota promissria cria o ttulo de crdito. Para letra de cmbio e duplicata o ato gerador do ttulo o saque.

    15. Endosso

    Uma das caractersticas dos ttulos de crdito a possibilidade de sua circulao (mdulo 01 - item 5.3), considerados como bens mveis. O endosso o ato pelo qual o credor de um ttulo de crdito com a clusula ordem (i) transmite os seus direitos outra pessoa. S os ttulos de credito so passveis de endosso, mas nem todo ttulo de crdito passvel de endosso. Nos ttulos ao portador a transferncia se d mediante a simples tradio e nos ttulos nominativos ou ordem opera-se a circulao mediante o endosso. A clusula ordem (i) pode ser expressa ou tcita, ou seja, basta que no tenha sido inserida a clusula no ordem na letra de cmbio para que ela seja transfervel por endosso (art. 11 LUG).

    Art. 11 LUG. Toda a letra de cmbio, mesmo que no envolva expressamente a clusula ordem, transmissvel por via de endosso.

    O endosso o ato exclusivamente cambirio abstrato (porque se desvincula da sua causa originria, sendo sempre incondicionado - art. 17, 12.1 LUG - art. 25 L 7.357/85 lei do cheque - mdulo 02 - item 6.3.1) e formal (porque s pode ser considerada como tal se observado os requisitos essenciais fixados em lei); e decorrente de declarao unilateral de vontade e manifestada no prprio ttulo de crdito e, portanto, uma declarao cambiria sucessiva (ocorre depois da criao do ttulo) e eventual (no requisito essencial do ttulo de crdito - mdulo 04 - item 7.3), pela qual o portador do ttulo (titular do direito cambirio) transfere o ttulo de crdito e os direitos deles constantes para terceiros, obrigando-o indiretamente pelo cumprimento da obrigao constante no ttulo.

    Art. 17 LUG. As pessoas acionadas em virtude de uma letra no podem opor ao portador as excees fundadas sobre as relaes pessoais delas com o sacador ou com os portadores anteriores, a menos que o portador ao adquirir a letra tenha procedido conscientemente em detrimento do devedor.

    Art. 25 L 7.357/85. Quem for demandado por obrigao resultante de cheque no pode opor ao portador excees fundadas em relaes pessoais com o emitente, ou com os portadores anteriores, salvo se o portador o adquiriu conscientemente em detrimento do devedor.

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    Existem outros meios de transferncia de ttulos como a sucesso hereditria, testamento, operaes societrias (ciso, incorporao e fuso) e a cesso de crdito, entretanto esse no se confunde com endosso (arts. 286 a 298 CC).

    15.1. Diferenas entre endosso e cesso de crdito:

    O endosso o ato pelo qual o credor de um ttulo de crdito com a clusula ordem transmite os seus direitos outra pessoa. A cesso de crdito o ato pelo qual o credor de um ttulo de crdito com a clusula no ordem transmite os seus direitos outra pessoa.

    No endosso, quem transfere o ttulo de crdito responde pela existncia do ttulo e tambm pelo seu pagamento, mas o devedor no pode alegar excees pessoais contra o endossatrio de boa-f. Na cesso de crdito, quem transfere o ttulo de crdito s responde pela existncia do ttulo, mas no responde pelo seu pagamento, mas o devedor pode alegar excees pessoais contra o cessionrio de boa-f.

    O endosso um ato unilateral de vontade, no receptcio, ou seja, no precisa do conhecimento da outra pessoa, que tambm exige-se uma forma escrita (ato solene). A cesso de crdito ato bilateral que pode ser concretizado por qualquer forma.

    No endosso, o credor deve assinar no verso do ttulo (se em branco ou em preto), enquanto que na cesso de crdito sempre deve ter o nome do cedente.

    15.2. Natureza jurdica do endosso:

    Posto que para o endosso produzir efeitos, depende simplesmente da vontade do endossante, sua natureza jurdica a declarao unilateral de vontade e autnoma. O endosso transfere um direito de crdito sem nenhum vcio intrnseco. H diversas teorias sobre a natureza jurdica, ento apresentamos a que nos parece mais adequada (ou menos temerria) e corroborada por ROSA JR, para continuao dos nossos estudos.

    15.3. Forma e local do endosso

    Em regra, o endosso dado no verso do ttulo, podendo ser uma simples assinatura: Pague-se. Se for dado na frente, deve-se apor alguma expresso caracterizando o endosso, ser obrigatria a identificao do ato cambirio praticado, no podendo o endossante se limitar a assinar a letra.

    15.4. Partes no endosso

    15.4.1. endossante: o signatrio do endosso (aquele que transfere o ttulo), logo somente o credor pode ser o endossante, mesmo assim deve ter capacidade jurdica para assumir as obrigaes cambirias (art. 42 L 2.044/1908). Assim, o primeiro endossante de qualquer letra de cmbio ser sempre o tomador.

    Art. 42. L 2.044/1908. Pode obrigar-se, por letra de cmbio, quem tem a capacidade civil ou comercial.

    15.4.2. endossatrio: o beneficirio do endosso, ou seja, aquele que se beneficia do endosso (aquele que recebe o ttulo), que, por sinal, pode endossar para outra pessoa, e assim sucessivamente, e tambm, do mesmo modo, para tornar-se endossante deve ter capacidade jurdica para endossar (item 11.2.4.1). No h qualquer limite para o nmero de endossos de um ttulo de crdito; ele pode ser endossado diversas vezes.

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    15.5. Requisitos do endosso

    Os requisitos para existncia vlida de um endosso esto intimamente ligados s suas caractersticas. Vamos relacion-los, bem rapidamente, posto que j foram esmiuados.

    15.5.1. Ato simples e puro, deve corresponder a uma declarao de vontade, pura e simples (art. 12.1 LUG e art. 18 L 7.357/85 - lei do cheque).

    15.5.2. uma declarao abstrata, porque no tm vinculao com a causa que deu origem ao ttulo, e autnoma em relao s demais declaraes constantes nos ttulos.

    15.5.3. Ato formal, pois vlida qualquer forma que indique, de maneira inequvoca, vontade da pessoa em transferir os direitos decorrentes do ttulo. O endosso pode resultar tambm da simples assinatura do endossante, sem identificar a pessoa do endossatrio (endosso em branco), entretanto esta liberdade na caracterizao do endosso no significa que no corresponda a ato formal.

    O endosso ato formal e, por isto, s pode ser lanado no ttulo de crdito ou na folha de alongamento (art. 13.1 LUG e art. 19 L 7.357/85), no podendo, portanto, ser formalizado em documento separado

    15.5.4. No exigncia da datao e do lugar do endosso, pois a legislao cambiria no as exige. No caso de endosso sem data presume-se que foi feito antes de expirado o prazo para protesto. (art. 20.2 LUG). A datao do endosso tem a vantagem de possibilitar apurar se, no momento do endosso, o endossante tinha capacidade jurdica para praticar o ato.

    15.6. Efeitos do endosso

    15.6.1. transferncia dos direitos decorrentes do ttulo: abrange o a) efeito natural, pois decorre de sua prpria natureza - e b) efeito real, pois opera a transferncia da propriedade do ttulo (art. 8 D 2.044/1908). O endossatrio torna-se credor do ttulo e do crdito, no lugar do primitivo beneficirio, entretanto para que o endosso se aperfeioe h a necessidade da tradio do titulo para o endossatrio (art. 16. 1 LUG, art. 910 2 CC e art. 22 L 7.357/85 - lei do cheque). Desse modo a transferncia do ttulo depende do endosso e da tradio.

    Art. 8 D 2.044/1908. O endosso transmite a propriedade da letra de cmbio

    Art. 14. 1 LUG. O endosso transmite todos os direitos emergentes da letra.

    Art. 16. 1 LUG. O detentor de uma letra considerado portador legtimo, se justifica o seu direito por uma srie ininterrupta de endossos, mesmo se o ltimo for em branco.

    Art. 22 L 7.357/85. O detentor de cheque " ordem considerado portador legitimado, se provar seu direito por uma srie ininterrupta de endossos, mesmo que o ltimo seja em branco.

    Art. 910 CC. O endosso deve ser lanado pelo endossante no verso ou anverso do prprio ttulo. A transferncia por endosso completa-se com a tradio do ttulo.

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    15.6.2. Em regra, o endossante garante o aceite e o pagamento do ttulo no seu vencimento, salvo, clusula em contrrio que dever estar expressa no ttulo (art. 15. 1 LUG; art. 21. L 7.357/85 - lei do cheque) bem como responde pela existncia lcita do crdito O endossante torna-se coobrigado pelo pagamento do crdito (art. 43 LUG). Assim, o credor poder cobrar do endossante, do sacado ou do sacador, solidrios com a obrigao cambial.

    Art. 15. 1. LUG O endossante, salvo clausula em contrrio, garante tanto na aceitao como no pagamento da letra.

    Art. 21 L 7.357/85. Salvo estipulao em contrrio, o endossante garante o pagamento.

    Art. 43 LUG. O portador de uma letra pode exercer os seus direitos de ao contra os endossantes, sacador e outros coobrigados.

    15.7. Endosso sem garantia

    O endosso, portanto, no transfere apenas o crdito, mas tambm a efetiva garantia do seu pagamento. Pode o endosso conter a clusula sem garantia, que exonera, expressamente, o endossante da responsabilidade pela obrigao constante no ttulo.

    Desse modo, o endosso sem garantia uma exceo, pois esta clusula permite que se realize o endosso prprio (mdulo 05 - item 15.12.1), entretanto afasta a garantia do pagamento. No endosso com clusula sem garantia h a transferncia de um direito autnomo, um direito limpo, e, portanto, incide o principio da autonomia e abstrao, que apenas suprime o efeito da garantia do pagamento.

    15.8. Clausula proibitiva de novo endosso.

    A clusula proibitiva de novo endosso transfere o direito de crdito autnomo constante no ttulo de crdito, entretanto o endossante que a insere no vai garantir o pagamento dos endossos que forem realizados adiante, entretanto endossante que a insere garante o pagamento das relaes cambirias existentes anteriores ao seu endosso. Resumidamente endossante que insere a clusula proibitiva de novo endosso est apenas afirmando que no garantir o pagamento dos futuros endossos posteriores ao seu.

    15.9. Endosso parcial.

    Como vimos o instituto do endosso visa dar efetividade a uma das propriedades mais importantes dos ttulos de crdito: a circulabilidade. O endosso parcial dificulta a circulabilidade e nulo de pleno direito (art. 12. 2 LUG; art. 912, CC e art. 18 1 L 7357/85 - lei do cheque), sendo que o endossante, mesmo inserindo tal clusula (que nula), continua obrigado pela totalidade do crdito.

    Art. 912, CC. Considera-se no escrita no endosso qualquer condio a que o subordine o endossante. Pargrafo nico. nulo o endosso parcial.

    Art. 12.2, LUG. O endosso deve ser puro e simples. Qualquer condio a que ele seja subordinado, considera-se como no escrita. O endosso parcial nulo.

    Art. 18 L 7.357/85. O endosso deve ser puro e simples, reputando-se no-escrita qualquer condio a que seja subordinado. 1 So nulos o endosso parcial e o do sacado.

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    15.10. Endosso condicional.

    O endosso condicional no gera efeitos (como endosso parcial), mas no se qualifica como nulo, somente a condio, resolutiva ou suspensiva, se torna ineficaz, posto que a lei considera como "no escrita". A leitura dos dispositivos legais (item 11.2.8) deixa clara essa distino separando convenientemente a "nulidade", contida nos pargrafos; da "ineficcia", contida no caput. (art. 12.1 LUG; art. 912 caput CC e art. 18 caput L 7.357/85 - lei do cheque)

    15.11. Endosso em preto e em branco.

    O endosso poder ser feito em preto ou em branco, diferenciando-se pela indicao ou no do endossatrio (beneficirio).

    15.11.1. Endosso em preto aquele que identifica, expressamente, a quem est sendo transferida a titularidade do crdito, tambm chamado nominal, complemento ou pleno.

    15.11.2. Endosso em branco aquele que no indica o nome do endossatrio, tambm chamado de endosso ao portador. Nesse caso o endossante simplesmente assina o verso do ttulo, sem identificar a quem est endossando.

    O art. 19, da Lei 8.088/90 (Plano Collor) determina que Todos os ttulos, valores mobilirios e cambiais sero emitidos sempre sob a forma nominativa, sendo transmissveis

    somente por endosso em preto., desse modo, poder-se-ia concluir que no Brasil no existe mais o endosso em branco, entretanto a doutrina majoritria entende ainda existir, porque permitido pela LUG, que lei especfica, seguindo-se o princpio da especialidade.

    A extino do endosso em branco levaria, em tese, a denncia da Conveno de Genebra. Segundo ULHOA a interpretao mais adequada seria que "no se aplica letra de cmbio, nota promissria e duplicata. Trata-se de norma destinada aos ttulos de crdito imprprios de investimento".

    15.12. Classificao do endosso:

    Os endossos podem ser subdivididos em endossos prprios e endossos imprprios.

    15.12.1. endosso prprio: configura uma declarao cambiria sucessiva e eventual feita pelo credor de um ttulo de crdito nominal ordem em que se transfere a titularidade do direito de crdito a uma terceira pessoa (art. 16. 1 LUG e art. 22 L 7.357/85 - lei do cheque), que em regra se torna devedor cambirio indireto e de regresso (translativa do ttulo e do crdito). O endosso prprio se aperfeioa com a assinatura no verso da crtula e com a tradio, que a entrega da crtula ao endossatrio (mdulo 05 - item 11.2.6.a). tambm chamado de endosso regular ou endosso propriamente dito.

    15.12.2. endosso imprprio: Configura uma declarao cambiria que legitima a posse que determinada pessoa exerce sobre o ttulo, sem, contudo, transferir-lhe o crdito. Nesse sentido a impropriedade se manifesta pela inoperncia de um de seus efeitos: a transferncia de titularidade. tambm chamado de endosso irregular. So exemplos de endosso desse tipo: endosso-mandato e o endosso-cauo.

    15.12.2.1. endosso-mandato ou endosso-procurao: confere ao endossatrio apenas a) o direito de cobrar o crdito representado pelo ttulo, e b) a legitimidade da posse sobre a crtula exercida pelo detentor. O crdito continua pertencendo ao endossante (art. 18 LUG; art. 917 CC e art. 23 L 7.357/85 Lei cheque). Ex: boleto bancrio.

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    Art. 18 LUG. Quando o endosso contm a meno "valor a cobrar", "para cobrana", "Por procurao", ou qualquer outra meno que implique um simples mandato, o portador pode exercer todos os direitos emergentes da letra, mas s pode endoss-la na qualidade de procurador.

    Art. 26 L 7.357/85. Quando o endosso contiver a clusula valor em cobrana, para cobrana, por procurao, ou qualquer outra que implique apenas mandato, o portador pode exercer todos os direitos resultantes do cheque, mas s pode lanar no cheque endosso-mandato. Neste caso, os obrigados somente podem invocar contra o portador as excees oponveis ao endossante.

    Art. 917 CC. A clusula constitutiva de mandato, lanada no endosso, confere ao endossatrio o exerccio dos direitos inerentes ao ttulo, salvo restrio expressamente estatuda.

    15.12.2.2. endosso-cauo ou endosso-pignoratcio ou endosso em garantia: atribui-se um penhor sobre o ttulo de crdito. O ttulo de crdito considerado um bem mvel, logo pode ser onerado por penhor, em favor de um credor do endossante. O crdito no se transfere para o endossatrio (por isso um endosso imprprio), agora credor pignoratcio do endossante (art. 19 LUG e art. 918 CC)

    Cumprida a obrigao garantida pelo penhor, deve a crtula retornar posse do endossante. Somente o no cumprimento da obrigao garantida que o endossatrio apropria-se do crdito representado pelo ttulo de crdito. Se o dbito que se est garantindo ainda no venceu, no se pode colocar o ttulo endossado em circulao, caso contrrio, haver um ilcito civil. Tem-se um dbito com dois garantidores, mas a cobrana advm somente se o devedor principal no pague. Ex.: Contrato de emprstimo em banco, tendo como garantia uma nota promissria, cujo devedor beneficirio.

    Art. 19 LUG. Quando o endosso contm a meno "valor em garantia", "valor em penhor" ou qualquer outra meno que implique uma cauo, o portador pode exercer todos os direitos emergentes da letra, mas um endosso feito por ele s vale como endosso a ttulo de procurao.

    Art. 918 CC. A clusula constitutiva de penhor, lanada no endosso, confere ao endossatrio o exerccio dos direitos inerentes ao ttulo. 1. O endossatrio de endosso-penhor s pode endossar novamente o ttulo na qualidade de procurador.

    15.13. Endosso pstumo ou tardio.

    efetuado aps o protesto por falta de pagamento ou de expirar o prazo legal para sua efetivao, ou seja, uma transferncia intempestiva. Se o endosso for feito antes de findar o prazo para protesto, o seu efeito o mesmo do endosso anterior, contudo, se o endosso for feito aps o protesto (ou seu prazo) o efeito de cesso de ordinria de crdito (art. 20 LUG). Assim o endosso pstumo produz efeitos idnticos aos de cesso de crdito (mdulo 05 - item 11.2.1.), entretanto no se trata de cesso, pois a transferncia se deu pela clausula ordem (cesso de crdito se d pela clusula no ordem), mas seus efeitos so idnticos. tambm chamado de endosso tardio.

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    Art. 20 LUG. O endosso posterior ao vencimento tem os mesmos efeitos que o endosso anterior. Todavia, o endosso posterior ao protesto por falta de pagamento, ou feito depois de expirado o prazo fixado para se fazer o protesto, produz apenas os efeitos de uma cesso ordinria de crditos.

    15.14. Endosso de retorno e reendosso

    O reendosso o endosso realizado para algum que j fazia parte da relao cambiria, posto que nada o impede de realizar um novo endosso. O reendosso pressupe um endosso de retorno, que o recebimento de um ttulo em o sujeito que j havia participado da relao cambiria e assim volta a participar dela. O endosso de retorno provm do recebimento do ttulo j endossado (ou originrio) e o reendosso da retransmisso, por novo endosso desse mesmo ttulo.

    CASO CONCRETO: Augusto emite uma letra de cmbio em face de Bernardo e a favor de Cardoso, que a endossa em preto para Danilo, o qual tambm endossa em preto para Eduardo que, porm, endossa em branco para Fernando. Este repassa o ttulo por tradio a Gustavo, e assim vai por Hernani, Ivo, Joo e Karine. A esta foi exigida por Luiz, no momento da transferncia, que fosse realizada por endosso, o que foi feito, porm, em preto. Indaga-se:

    a) Determine a legalidade da cadeia de transferncia do ttulo e quais so os obrigados pelo pagamento.

    No h impedimento algum o ttulo nominal passar a ser ao portador e, posteriormente, voltar a ser nominal, mediante a cadeia de endosso nas modalidades em preto ou em branco. Os obrigados sero Augusto (sacador), Bernardo (caso aceite), Cardoso (tomador-endossante), Danilo (endossante), Eduardo (endossante) e Karine (endossante) devido terem recebido por endosso em preto.

    b) Especifique o principal efeito do endosso realizado por Karine.

    O principal efeito do endosso em preto fazer com que o ttulo fique nominal e, caso o portador queira transferi-lo, obrigatoriamente dever faz-lo por endosso, em preto ou em branco.

    QUESTO OBJETIVA: Quanto nota promissria j protestada por falta de pagamento:

    a) O endosso no transfere a propriedade do ttulo

    b) O endosso no impede que o devedor oponha ao endossatrio as excees pessoais que tinha contra o endossante.

    c) O endosso no produz efeitos jurdicos

    d) O endosso nulo

    Obs. Art. 20 LUG, pois aps o protesto o endosso passa a ter efeito de cesso civil de crdito, assim, pode haver oposio de exceo pessoal, pois perde os efeitos cambiais

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    Aceite (mdulo 06)

    16. Aceite

    Aceite a declarao cambiria manifestada pelo sacado pelo qual aceita a obrigao que lhe

    dirigida, tornando-se, ento, obrigado a pagar pela letra de cmbio ou duplicata conforme

    destacado no ttulo, assim o aceite o reconhecimento da ordem de pagamento, transformando-se em um devedor cambirio. Desse modo, at antes do aceite mero sacado, nada podendo lhe ser exigido, porque o sacado no devedor cambirio, (i) at que faa o aceite (art. 28 da LUG e art. 2 L 5474/68 - lei das duplicatas), e estar vinculado ao pagamento do ttulo apenas se concordar em atender ordem que lhe dirigida.

    Art. 28 LUG. O sacado (i) obriga-se pelo aceite pagar a letra a data do vencimento.

    Art. 2 L 5474/68. No ato da emisso da fatura, dela poder ser extrada uma duplicata para circulao como efeito comercial, no sendo admitida qualquer outra espcie de ttulo de crdito para documentar o saque do vendedor pela importncia faturada ao comprador. 1. A duplicata conter: VIII - a declarao do reconhecimento de sua exatido e da obrigao de pag-la, a ser assinada pelo comprador, como aceite, cambial;

    No cheque, uma ordem de pagamento, no existe o aceite, pois o banco no tem nenhuma

    obrigao na relao cambiria e o prprio emitente reconhece a obrigao na emisso do cheque (art. 6 L 7.357/85). Na nota promissria, que promessa de pagamento, tambm no existe o aceite, posto que pela emisso da nota promissria pelo prprio devedor, tambm reconhece a obrigao (omisso na L 2.044/1908 - s trata assunto na letra de cmbio).

    Art. 6 L 7.357/85. O cheque no admite aceite considerando-se no escrita qualquer declarao com esse sentido.

    O aceite ato formal, pois somente pode ser feito no ttulo; abstrato, na medida em que desvinculado da relao original, e um ato de declarao unilateral de vontade, sendo uma declarao cambiria sucessiva (mdulo 05 - item 11)

    16.1. Local da aposio do aceite

    O aceite pode ser feito em qualquer lugar do ttulo, se for no anverso pode constituir-se de mera assinatura, entretanto se for lanada a assinatura no verso, deve identificar o aceite praticado pela expresso aceito, "concordo", "prometo pagar" ou outra equivalente (art. 25 LUG; art. 11 L 2.044/1908). ressalta-se que a datao do aceite no exigncia legal.

    Art. 25 LUG. O aceite escrito na prpria letra. Exprime-se pela palavra "aceite" ou qualquer outra palavra equivalente; o aceite assinado pelo sacado. Vale como aceite a simples assinatura do sacado aposta na parte anterior da letra.

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    Art. 11 L 2.044/1908. Para a validade do aceite suficiente a simples assinatura do prprio punho do sacado ou do mandatrio especial, no anverso da letra.

    16.2. Falta de aceite e recusa do aceite.

    A falta de aceite e a recusa de aceite so institutos distintos.

    A falta de aceite caracteriza-se quando no puder ser obtido em razo do sacado no ser localizado pelo portador ou por sua morte, interdio, etc., inviabilizando a prpria apresentao da letra de cmbio.

    Art. 13 L 5.478/68. A duplicata protestvel por falta de aceite de devoluo ou pagamento

    A recusa do aceite (art. 26 e 44 LUG) ocorre quando no existe qualquer impedimento para sua obteno, tanto que a letra apresentada, mas sacado no o firma, no recepciona a ordem de pagamento dada pelo sacador.

    Art. 44 LUG. A recusa de aceite ou de pagamento deve ser comprovada por um ato formal (protesto por falta de aceite ou falta de pagamento).

    Art. 26 LUG O aceite puro e simples, mas o sacado pode limit-lo a uma parte da importncia sacada.

    Qualquer outra modificao introduzida pelo aceite no enunciado da letra equivale a uma recusa de aceite. O aceitante fica, todavia, obrigado nos termos do seu aceite.

    Assim sendo lcito ao sacado se recusar a apor a assinatura mesmo que seja lcita a obrigao. Em recusando, a dvida entre sacador e beneficirio vence automaticamente (art. 19, I, L 2.044/1908 e Art. 21 L 9. 492/97 - lei de protestos). Na recusa do aceite, deve-se protestar o ttulo. Sem o protesto, no poder o portador executar o sacador, os endossantes e seus respectivos avalistas.

    Art. 19 L 2.044/1908. A letra considerada vencida, quando protestada:

    I. pela falta ou recusa do aceite;

    II. pela falncia do aceitante.

    Art. 21 L 9.492/97. O protesto ser tirado por falta de pagamento, de aceite ou de devoluo.

    A recusa do aceite gera a antecipao dos direitos insculpidos no ttulo de crdito (art. 43 LUG).

    Art. 43 LUG. O portador de uma letra pode exercer os seus direitos de ao contra os endossantes, sacador e outros co-obrigados:

    No vencimento:

    Se o pagamento no foi efetuado.

    Mesmo antes do vencimento:

    1 - Se houve recusa total ou parcial de aceite;

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    16.3. Prazos para efetivao do aceite (arts. 21 e 23 LUG)

    Os prazos para efetivao do aceite esto definidos em lei, e so eles:

    16.3.1. vista: o mero pagamento. O tomador deve procurar o sacado at o mximo de 1 ano aps o saque, sendo apresentada no para aceite, mas para pagamento (art. 34 LUG).

    Art. 34 LUG. A letra vista pagvel a apresentao. Deve ser apresentada a pagamento dentro do prazo de um ano, a contar da sua data. O sacador pode reduzir este prazo ou estipular um outro mais longo. Estes prazos podem ser encurtados pelos endossantes. O sacador pode estipular que uma letra pagvel vista no dever ser apresentada a pagamento antes de uma certa data. Nesse caso, o prazo para a apresentao conta-se dessa data.

    16.3.2. certo termo da vista. Pode-se estipular o pagamento aps um certo termo do aceite dado pelo sacado. Ex.: 30 dias aps o aceite. O beneficirio tem at um ano para apresentar o ttulo para o sacado dar o aceite, a partir de ento comea a correr o prazo do pagamento (art. 23 LUG). Passado o prazo de um ano o beneficirio no mais poder cobrar seu crdito pela letra nem do sacado, tampouco do sacador, somente podendo cobrar deste por meio de algum outro ttulo que comprove a dvida, eis que a letra de cmbio j estar prescrita

    Art. 23 LUG As letras a certo termo de vista devem ser apresentadas ao aceite dentro do prazo de um ano das suas datas.

    16.3.3. certo termo da data do saque. Comea a contar o prazo para o pagamento da data que a letra emitida (art. 21 LUG).

    Art. 21 LUG. A letra pode ser apresentada, at o vencimento, ao aceite do sacado, no seu domiclio , pelo portador ou at por um simples detentor.

    16.3.4. data certa. Elege-se uma data que aposta na letra de cmbio. Ex.: pague no dia 20 de janeiro de 2014.

    16.3.5. Prazo de respiro

    O prazo de respiro e lapso de tempo dado ao sacado para que decide pelo aceite ou no. Se destina a possibilitar ao sacado a realizao de consultas ou a mediao acerca da convenincia de aceitar ou recusar o aceite. Caso no seja dado at o dia seguinte, ser considerado como no aceito.

    Art. 24 LUG. O sacado pode pedir que a letra lhe seja apresentada uma segunda vez no dia seguinte ao da primeira apresentao. Os interessados somente podem ser admitidos a pretender que no foi dada satisfao a este pedido no caso de ele figurar no protesto

    16.4. Espcies de aceite

    16.4.1. total: o aceitante concorda em pagar o valor total do ttulo e nas condies descritas na crtula (art. 28.1. LUG).

    Art. 28 LUG. O sacado obriga-se pelo aceite pagar a letra a data do vencimento.

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    16.4.2. parcial ou limitado: diz respeito ao valor do ttulo, pois o sacado no aceita pagar como est determinado na crtula, e faz algum tipo de ressalva, ou seja, o aceitante pode aceitar pagar apenas uma parte do valor estipulado na ordem de pagamento. Neste caso, o credor ter que protestar por falta de aceite o restante do valor (recusa de aceite), pois haver necessidade de protesto do valor que no foi aceito pelo sacado a fim de que assim seja possvel cobrar do sacador o valor no aceito pelo sacado. (art. 26.1. LUG)

    16.4.3. modificativo: diz respeito s condies do ttulo, como local e data do pagamento (art. 26.2 LUG). Sendo alterada a data do pagamento o beneficirio pode cobrar do sacador na data originria ou do sacado na data alterada, o mesmo quanto ao lugar. Se o credor no acatar o aceite modificativo, ele poder recus-lo e neste caso haver o vencimento antecipado da letra de cmbio (recusa de aceite).

    Art. 26 LUG. O aceite puro e simples, mas o sacado pode limit-lo a uma parte da importncia sacada (16.4.2.).

    Qualquer outra modificao introduzida pelo aceite (16.4.3.) no enunciado da letra equivale a uma recusa de aceite. O aceitante fica, todavia, obrigado nos termos do seu aceite.

    Lembrando novamente que a recusa do aceite tem como consequencia a antecipao das obrigaes constates no ttulo. (art. 43 LUG).

    Para evitar esse a ocorrncia do aceite parcial ou modificativo, o sacado pode incluir a clusula no-aceitvel no ttulo (art. 22 LUG), retirando do beneficirio a possibilidade de ele ir at o sacado fazer o aceite, assim, a dvida no vence antecipadamente e o beneficirio s poder procurar o sacado para receber na data do pagamento. Com essa clusula, a negativa do sacado em acolher a ordem que lhe fora dirigida no importar em nenhuma consequncia prtica excepcional em relao ao sacador, posto que a recusa do aceite ocorre aps o vencimento do ttulo, poca em que ele j deveria estar preparado para a eventualidade de pag-lo.

    Art. 22 LUG. O sacador pode em qualquer letra, estipular que ela ser apresentada ao aceite, com ou sem fixao de prazo. Pode proibir na prpria letra a sua apresentao ao aceite, salvo se se tratar de uma letra pagvel em domiclio de terceiro, ou de uma letra pagvel em localidade diferente da do domiclio do sacado, ou de uma letra sacada a certo termo de vista. O sacador pode tambm estipular que a apresentao ao aceite no poder efetuar-se antes de determinada data. Todo endossante pode estipular que a letra deve ser apresentada ao aceite, com ou sem fixao de prazo, salvo se ela tiver sido declarada no aceitvel pelo sacador.

    16.5. Aceite por interveno

    A interveno o ato cambirio pelo que uma pessoa, estranha ou no letra de cmbio, estranha ou no letra de cmbio, nela intervm, espontaneamente ou por fora de indicao feita pelo sacador, dos devedores indiretos e regresso. Assim o aceite por interveno ocorre quando o sacado no faz o aceite porm uma terceira pessoa intervm na relao cambiria fazendo o aceite no lugar do sacado, tornando-se devedor cambirio. Apesar de disciplinada um instituto de pouco uso.

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    Art. 56 LUG. O aceite por interveno pode realizar-se em todos os casos em que portador de uma letra aceitvel, tem direito de ao antes do vencimento. Quando na letra se indica uma pessoa para em caso de necessidade a aceitar ou a pagar no lugar do pagamento, o portador no pode exercer o seu direito de ao antes do vencimento contra aquele que indicou essa pessoa e contra os signatrios subseqentes a no ser que tenha apresentado a letra a pessoa designada e que, tendo esta recusado o aceite, se tenha feito o protesto. Nos outros casos de interveno, o portador pode recusar o aceite por interveno. Se, porm , o admitir, perde o direito de ao antes do vencimento contra aquele por quem a aceitao foi dada e contra os signatrios subseqentes.

    16.6. Cancelamento do aceite

    O aceite produz efeitos importantes na relao entre sacador, o portadores e os devedores indiretos, como vimos no incio desse mdulo. A irrevogabilidade regra, mas uma vez dado o aceite, ele ainda pode ser cancelado. Se o sacado d o aceite e antes de devolver ao tomador ele se arrepende, pode riscar o aceite, sendo que a dvida vencer imediatamente. Essa possibilidade est prevista no art. 29 da LUG e segue o princpio da literalidade (mdulo 02 - item 6.1), o cancelamento do aceite deve vir na letra de cmbio. O sacado at pode recusar o aceite em documento a parte, depois de entregue a letra de cmbio ao tomador, mas valer apenas para o sacador ou para o tomador, no tendo efeitos o cancelamento para terceiros.

    Art. 29 LUG. Se o sacado, antes da restituio da letra, riscar o aceite que tiver dado, tal aceite considerado como recusado. Salvo prova em contrrio, a anulao do aceite considera-se feita antes da restituio da letra. Se porm, o sacado tiver informado por escrito o portador ou qualquer outro signatrio da letra de que a aceita, fica obrigado para com estes, nos termos do seu aceite.

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    CASO CONCRETO: Augusto emitiu uma letra de cmbio no valor de R$ 3.000,00 (trs mil reais) contra Bernardo e em favor de seu credor Cardoso, que endossou a cambial para Danilo que ao levar o ttulo a aceite, obteve o aceite parcial modificativo de data de pagamento.Indaga-se:

    a) Pode o sacado, no caso acima, limitar o aceite?

    O aceite parcial autorizado pela LUG, art. 26, 2, no caso em tela, modificativo.

    b) Quais os efeitos produzidos pelo aceite parcial?

    O aceite parcial gera o vencimento antecipado, mesmo o modificativo (art. 43, 1, LUG). Na realidade, o portador fica com a faculdade de acionar o sacador ou o endossante, antes do vencimento, ou o aceitante, na data estipulada.

    QUESTO OBJETIVA:

    Em relao ao aceite nas letras de cmbio incorreto afirmar:

    a) A letra pode ser apresentada at o vencimento pelo portador ou at por um simples detentor.

    b) vedado ao sacado riscar aceite j dado, mesmo antes da restituio da letra.

    c) O sacador pode determinar que a apresentao ao aceite no poder efetuar-se antes de determinada data.

    d) O sacado pode limitar o aceite a uma parte da importncia sacada.

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    Aval (mdulo 07)

    17. Aval

    Passamos pela emisso (mdulo 05 - item - 13), saque (mdulo 05 - item - 14); endosso (mdulo 05 - item - 15) e o aceite (mdulo 06 - item - 16) e agora atentaremos para outro ato cambial importante no direito cambirio: o aval.

    O aval um ato cambial em que um terceiro (avalista), estranha ou no a operao correspondente ao ttulo de crdito, assume obrigao cambiria autnoma e incondicional de garantir pessoalmente (art. 32.1 LUG), total ou parcialmente, o pagamento do ttulo ou o cumprimento da obrigao cambiria nas condies nele estabelecidas, tornando-se sempre um devedor cambirio de regresso (art. 32.3 LUG e art. 899 1 CC), que por sua vez poder ser um devedor cambirio direto ou indireto

    No existe fiana nos ttulos de crdito, eis que ela acessria de um contrato, e nas relaes cambirias fala-se apenas em aval, que uma relao autnoma, independente da do avalizado (sem direito do benefcio de ordem), assim no se confunde com a fiana, que uma garantia contratual, tpico e prprio do direito civil.

    Art. 30 LUG. O pagamento de uma letra pode ser no todo ou em parte garantido por aval. Esta garantia dada por um terceiro ou mesmo por um signatrio da letra.

    Art. 32 LUG. O dador de aval responsvel da mesma maneira que a pessoa por ele afianada [leia-se avalizada]. A sua obrigao mantm-se, mesmo no caso de a obrigao que ele garantiu ser nula por qualquer razo que no seja um vicio de forma. Se o dador de aval paga a letra, fica sub-rogado nos direitos emergentes da letra contra a pessoa a favor de quem foi dado o aval e contra os obrigados para com esta em virtude da letra.

    Art. 29 L 7.357/85. O pagamento do cheque pode ser garantido, no todo ou em parte, por aval prestado por terceiro, exceto o sacado, ou mesmo por signatrio do ttulo.

    Art. 31 L 7.357/85. O avalista se obriga da mesma maneira que o avaliado. Subsiste sua obrigao, ainda que nula a por ele garantida, salvo se a nulidade resultar de vcio de forma. Pargrafo nico - O avalista que paga o cheque adquire todos os direitos dele resultantes contra o avalizado e contra os obrigados para com este em virtude do cheque.

    Art. 899 CC. O avalista equipara-se quele cujo nome indicar; na falta de indicao, ao emitente ou devedor final. 1 Pagando o ttulo, tem o avalista ao de regresso contra o seu avalizado e demais coobrigados anteriores. 2o Subsiste a responsabilidade do avalista, ainda que nula a obrigao daquele a quem se equipara, a menos que a nulidade decorra de vcio de forma.

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    17.1. Local da aposio do aval:

    O aval pode ser aposto tanto no verso quanto no anverso (frente) do ttulo (art. 31 LUG, art. 14 D 2.044/1908; art. 30 L 7.357/85 - lei do cheque e art. 898 CC):

    17.1.1. quando feito no anverso, feito pela simples assinatura;

    17.1.2. quando feito no verso: deve ser precedido das expresses "por aval", "bom para aval", "em garantia de ", etc.

    Art. 31 LUG. O aval escrito na prpria letra ou numa folha anexa. Exprime-se pelas palavras "bom para aval" ou por qualquer frmula equivalente; e assinado pelo dador do aval. O aval considera-se como resultante da simples assinatura do dador aposta na face anterior da letra, salvo se se trata das assinaturas do sacado ou do sacador.

    Art. 14 D 2.044/1908.. O pagamento de uma letra de cmbio, independente do aceite e do endosso, pode ser garantido por aval. Para a validade do aval, suficiente a simples assinatura do prprio punho do avalista ou do mandatrio especial, no verso ou no anverso da letra.

    Art. 30 L 7.357/85. O aval lanado no cheque ou na folha de alongamento. Exprime-se pelas palavras por aval, ou frmula equivalente, com a assinatura do avalista. Considera-se como resultante da simples assinatura do avalista, aposta no anverso do cheque, salvo quando se tratar da assinatura do emitente.

    Art. 898 CC. O aval deve ser dado no verso ou no anverso do prprio ttulo. 1o Para a validade do aval, dado no anverso do ttulo, suficiente a simples assinatura do avalista. 2o Considera-se no escrito o aval cancelado.

    17.2. Data do aval:

    Quando no h data do aval aposto no ttulo, considera-se que foi feito antes do vencimento do titulo.

    17.3. Natureza jurdica do aval:

    A doutrina majoritria entende que o aval uma declarao unilateral de vontade que consiste em uma garantia autnoma, ou seja, se a obrigao do avalizado tiver algum defeito, este defeito no poder ser alegado pelo seu avalista. Do mesmo modo, as defesas pessoais do avalizado no podero ser alegadas pelo avalista, pois nesta no aval, tambm engloba o principio da autonomia (mdulo 02 - item 6.3)

    17. 4. Efeitos jurdicas do aval:

    O aval dado a algum, equipara o avalista a mesma condio do avalizado (art. 32 LUG). Assim, se Joo d aval ao endossante Jos, tanto Joo quanto Jos encontram-se no mesmo nvel obrigacional no ttulo de crdito. Se no est especificado quem o avalizado, equipara-se o avalista ao criador do ttulo (art. 31.4 LUG; art. 15 D 2.044/1908; art. 899, segunda parte, CC; art. 30 p.u., segunda parte, L 7.357/85 - lei do cheque):

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    a) no caso de letra de cmbio, ao sacador;

    b) na nota promissria e ao cheque, ao emitente;

    c) na duplicata, ao comprador

    Art. 32 LUG. O dador de aval responsvel da mesma maneira que a pessoa por ele afianada [leia-se avalizada].

    Art. 31 LUG. O aval escrito na prpria letra ou numa folha anexa.

    (...) O aval deve indicar a pessoa por quem se d. Na falta de indicao entender-se- ser pelo sacador.

    Art. 15 D 2.044/1908. O avalista equiparado quele cujo nome indicar; na falta de indicao, quele abaixo de cuja assinatura lanar a sua; fora

    destes casos, ao aceitaste e, no estando aceita a letra, ao sacador. Art. 899 CC. O avalista equipara-se quele cujo nome indicar; na falta de indicao, ao emitente ou devedor final.

    Art. 30 L 7.357/85. O aval lanado no cheque ou na folha de alongamento. (...) Pargrafo nico - O aval deve indicar o avalizado. Na falta de indicao, considera-se avalizado o emitente

    17.5. Figuras intervenientes no aval

    Em principio, qualquer pessoa com capacidade pode ser avalista. Torna-se avalista aquele emite declarao de vontade de garantir, para um terceiro (avalizado) o pagamento do ttulo de crdito. Em contrapartida tornando-se um devedor cambirio de regresso, pois poder cobrar tanto dos devedores indiretos como de seu avalizado.

    17.5.1. avalista: quem se responsabiliza pelo pagamento, que presta o aval.

    17.5.2. avalizado: quem tem a garantia do pagamento, por quem dado o aval.

    A legislao genebrina silencia sobre a capacidade cambiria, assim a regra do art. 42 do D 2.044/1908 prevalece sobre o tema: pode assumir obrigaes cambirias quem tem capacidade jurdica.

    Art. 42 D 2.044/1908. Pode obrigar-se, por letra de cmbio, quem tem a capacidade civil ou comercial.

    17.6. Direitos dos avalistas

    O avalista que cumpre a obrigao constante no ttulo de crdito subroga-se dos direitos emergentes do ttulo (direito de regresso - art. 899 pu CC) contra quem avalizou (avalizado) e os demais obrigados para com tal avalizado (devedores indiretos). Caso haja pluralidade de avalistas, cada um poder se subrogar da cota parte do aval.

    Art. 899 CC. O avalista equipara-se quele cujo nome indicar (...). 1 Pagando o ttulo, tem o avalista ao de regresso contra o seu avalizado e demais coobrigados anteriores.

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    17.7. Deveres ou obrigaes dos avalistas

    O avalista responde pelo pagamento do ttulo perante todos os credores do avalizado e da mesma maneira que o avalizado (art. 32.1 LUG e art. 31 L 7.357/85 - lei do cheque): a) se o avalizado for devedor direto, o avalista ser igualmente devedor direto; b) se for devedor indireto, o seu avalista ser tambm devedor indireto (endossante). Ressalta-se que, sendo o aval autnomo em relao obrigao, mesmo que esta desaparea ele continua existindo, inclusive se a obrigao for nula (art. 32.2 LUG).

    Art. 32 LUG. O dador de aval responsvel da mesma maneira que a pessoa por ele afianada [leia-se avalizada]. A sua obrigao mantm-se, mesmo no caso de a obrigao que ele garantiu ser nula por qualquer razo que no seja um vicio de forma.

    Art. 31 L 7.357/85. O avalista se obriga da mesma maneira que o avaliado. Subsiste sua obrigao, ainda que nula a por ele garantida, salvo se a nulidade resultar de vcio de forma.

    17.8. Espcies de aval

    17.8.1. O aval pode ser dado em branco ou em preto:

    17.8.1.1. aval em branco: essa modalidade de aval no se identifica o avalizado e aposta a assinatura no anverso (frente) do ttulo ou no verso dizendo apenas avalizo. No caso da letra de cmbio, presume-se em favor do sacador (art. 31.4 LUG; art. 77.3 LUG; art. 30 L 7.357/85 e art. 899, caput, segunda parte, CC); nos demais ttulos, cheque (art. 30, pargrafo nico da lei de cheque), nota promissria e duplicata art. 12 da lei de duplicata, em favor do emitente.

    Art. 31 LUG. O aval escrito na prpria letra ou numa folha anexa... (...) O aval deve indicar a pessoa por quem se d. Na falta de indicao entender-se- ser pelo sacador.

    Art. 77 LUG So aplicveis s notas promissrias, na parte em que no sejam contrrias a natureza deste ttulo... (...) So tambm aplicveis s notas promissrias as disposies relativas ao aval (artigos 30 a 32); no caso previsto na ultima alnea do artigo 31, se o aval no indicar a pessoa por quem dado entender-se- ser pelo

    subscritor da nota promissria.

    Art. 30 L 7.357/85. O aval lanado no cheque ou na folha de alongamento. Pargrafo nico - O aval deve indicar o avalizado. Na falta de indicao, considera-se avalizado o emitente.

    Art. 899 CC. O avalista equipara-se quele cujo nome indicar; na falta de indicao, ao emitente ou devedor final.

    17.8.1.2. aval em preto: nessa modalidade de aval indica-se qual o sujeito que est sendo avalizado.

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    17.8.2. O aval tambm pode ser parcial ou total (art. 30.1 LUG; art. 29 L 7.357/85 - lei do cheque):

    17.8.2.3. aval total: a modalidade de aval que garante a dvida toda.

    17.8.2.4. aval parcial: a modalidade de aval que garante apenas uma parte da obrigao. Para que haja o aval parcial preciso que o avalista insira na crtula, no verso ou no anverso, esta peculiaridade, uma expresso que o identifique expressamente tal manifestao (garantir apenas uma parte da obrigao), caso contrrio o aval ser considerado total.

    Art. 29 L 7.357/85. O pagamento do cheque pode ser garantido, no todo ou em parte, por aval prestado por terceiro, exceto o sacado, ou mesmo por signatrio do ttulo

    Art. 30 LUG. O pagamento de uma letra pode ser no todo ou em parte garantido por aval.

    17.8.3. Aval plrimo ou pluralidade de avais

    17.8.3.1. aval sucessivo ou aval do aval. No aval sucessivo o sujeito da relao cambiria avalizado por um avalista e posteriormente este avalista avalizado por outro avalista e sucessivamente. No aval sucessivo, entre os avalistas a solidariedade cambiria e h o direito de regresso apenas em relao aos avalistas anteriores, pois os avalistas que concederam o aval depois do que realizou o pagamento, no sero obrigados ao pagamento.

    EX.: emitente: A; beneficirio: B; avalista de A: X; avalista de X: Y e avalista de Y: Z. Tratando-se de avais sucessivos, so obrigados do mesmo grau. Se X pagar o ttulo ter ao somente contra A, seu avalizado. No poderia cobrar de Y e Z por serem posteriores.

    B

    A X (avalista A) Y (avalista de X) Z (avalista de Y)

    17.8.3.2. aval simultneo ou co-avais: a pluralidade de avais concedidos ao mesmo tempo, simultaneamente, em relao a uma mesma obrigao cambiria, mas so considerados, juntos, como uma s pessoa (um s avalista). No aval simultneo a solidariedade civil, aquele que pagar o titulo poder ingressar com ao de regresso contra todos os demais avalistas.

    Ex. emitente: A; beneficirio: B; avalistas de A: X Y e Z. Tratando-se de avais simultneos, se X pagar o ttulo ter ao cambiria contra A, seu avalizado. Se

    cobrar de Y e Z, ter apenas cota parte de de cada um dos co-avalistas.

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    X Y Z (todos avalistas de A)

    A B

    A relao existente entre os avalistas e o credor ser a mesma tanto no aval sucessivo ou no simultneo, pois credor pode cobrar de um, de alguns ou de todos os avalistas, que so devedores diretos, pois avalizam o emitente, logo no h necessidade nem mesmo do protesto.

    A diferena entre o aval sucessivo e o aval simultneo se d na relao interna entre os avalistas, pois se o aval for sucessivo a solidariedade entre os avalistas ser cambiria; e se o aval for simultneo a solidariedade entre os avalistas civil.

    17.9. Aval aps o vencimento do ttulo

    Para analisar esse tema temos que dividir o lapso temporal em trs fases: (i) antes do vencimento; (ii) depois do vencimento, mas antes do protesto ou o decurso de prazo e (iii) depois do protesto. No primeiro caso (i) no h nada a acrescentar, o aval tem efeitos normal. O segundo (ii) e terceiro casos (iii) que necessita de melhor ateno, tanto pelo vis doutrinrio, quanto pela legislao cambiria.

    O Decreto 2.044/1908 silencia sobre o tema, mas o Cdigo Civil, em seu art. 900 trata do assunto e a analisando o art. 20 da LUG e o art. 27 da Lei 7.3.57/85 - lei do cheque, que tratam do endosso pstumo, podemos, por analogia, construir que esse recorte temporal tem relevncia na anlise dos efeitos do aval. Se o endossante pstumo no devedor cambirio, o avalista pstumo tambm deve ter o mesmo tratamento.

    Art. 900 CC. O aval posterior ao vencimento produz os mesmos efeitos do anteriormente dado [aval anterior].

    Art. 20 LUG. O endosso posterior ao vencimento tem os mesmos efeitos que o endosso anterior. Todavia, o endosso posterior ao protesto por falta de pagamento, ou feito depois de expirado o prazo fixado para se fazer o protesto, produz apenas os efeitos de uma cesso ordinria de crditos.

    Art . 27 L 7.357/85. O endosso posterior ao protesto, ou declarao equivalente, ou expirao do prazo de apresentao produz apenas os efeitos de cesso.

    O entendimento doutrinrio majoritrio de que o aval dado aps o vencimento, mas antes do protesto ou do decurso do prazo (ii), tem eficcia, porque mero vencimento no exaure a vida cambiria do ttulo, ou seja, no retira do ttulo sua natureza cambiria, que s ocorre com o protesto, ou declarao equivalente; ou com o decurso do prazo para efetivao do protesto (iii).

    Logo, o aval dado aps o protesto ou do decurso do prazo para sua efetivao, no tem eficcia como aval, mas sim como cesso de crdito, e, salvo clusula especfica em contrrio, o cedente no garante o pagamento, mas somente a existncia do ttulo (modulo 05 - item 15.1).

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    17.10. Aval por mandato - necessidade de poderes especiais

    O aval por mandato exige poderes especiais. O avalista pode obrigar-se mediante assinatura de prprio punho ou por procurador a quem tenha conferido poderes especiais para avalizar. exigncia de poderes especiais (art. 14 D 2.044/1908).

    Pelo raciocnio reverso, temos que o art. 661 CC assevera que o mandato, em termos gerais, s outorga poderes de administrao, que no o caso do aval, logo h a necessidade de mandato com poderes especiais para aposio do aval. Tambm por esse vis temos que o art. 8 da LUG aponta que aquele que no tem poderes para apor assinatura na letra, fica responsvel pelas obrigaes nela contida, logo a outorga de poderes especiais sana esse problema.

    Art. 14 D 2.044/1908. O pagamento de uma letra de cmbio, independente do aceite e do endosso, pode ser garantido por aval. Para a validade do aval, suficiente a simples assinatura do prprio punho do avalista ou do mandatrio especial, no verso ou no anverso da letra.

    Art. 661 CC. O mandato em termos gerais s confere poderes de administrao.

    Art. 8 LUG Todo aquele que apuser a sua assinatura numa letra, como representante duma pessoa, para representar a qual no tinha de fato poderes, fica obrigado em virtude da letra e, se a pagar, tem os mesmos direitos que o pretendido representado. A mesma regra se aplica ao representante que tenha excedido os seus poderes.

    17.11. Consentimento do cnjuge no aval

    Em regra, os bens do casal no respondem pelas dvidas assumidas por um dos cnjuges. O credor dever provar o benefcio para a casal de quem prestou o aval. Cabe ao cnjuge fazer a prova em contrrio. O art. 899 CC cc art. 1.647 III CC, preve a possibilidade de ser considerado nulo o aval sem consentimento expresso do cnjuge. H crticas doutrinrias acerca do dispositivo e a jurisprudncia est amplamente inclinada pela no nulidade do aval, mas sim preservar a meao do cnjuge prejudicado.

    Art. 899, CC outorga uxria ou marital, exigida sob pena de nulidade do aval. Exige-se em razo de que com o aval pode acabar havendo uma confuso patrimonial.

    Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cnjuges pode, sem autorizao do outro, exceto no regime da separao absoluta: III - prestar fiana ou aval;

    APELAO CVEL. EMBARGOS DE TERCEIRO. AVAL. AUSNCIA DE OUTORGA UXRIA. NULIDADE. INEXISTNCIA. INEFICCIA APENAS QUANTO AO CNJUGE. O desatendimento da autorizao do cnjuge para a prestao de fiana ou aval no importa em nulidade, mas apenas em ineficcia em relao sua meao do patrimnio comum do casal. Inteligncia do artigo 1.647, II, CCB. (TJMG, AC n 1.0073.05.021706-3/001, 13 CC, Rel. Des. Luiz Carlos Gomes da Mata, J. 25/11/2010, Publ 19/01/2011.)

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    17.12. Cancelamento e extino do aval.

    A extino do aval ocorrer pelas seguintes razes:

    a) pelo pagamento: meio comum para extino de uma obrigao. b) pela anulao: nas causas referidas no art. 171 CC. c) pela decadncia: (i) na falta de protesto, em se tratando de avalista de devedor

    indireto de letra de cmbio, nota promissria ou duplicata (art. 53 LUG e art. 13 4 L 5.474/68 - lei da duplicata); ou (ii) pela no apresentao no prazo legal ao banco sacado ou pela no comprovao da recusa de pagamento, ambos no caso de cheque (art. __ LCH).

    d) pela prescrio cambiria: (art. 70 LUG, art. 59 L 9999/99 - lei do cheque e art. 18 L 5.474/68 - lei da duplicata)

    e) pelo cancelamento da assinatura do avalista (art. 44, 1 D 2.044/1908).

    Art. 171 CC. Alm dos casos expressamente declarados na lei, anulvel o negcio jurdico: I - por incapacidade relativa do agente; II - por vcio resultante de erro, dolo, coao, estado de perigo, leso ou fraude contra credores.

    Art. 53 LUG Depois de expirados os prazos fixados: I- para a apresentao de uma letra vista ou a certo termo de vista; II- para se fazer o protesto por falta de aceite ou por falta de pagamento; III- para a apresentao a pagamento no caso da clusula "sem despesas"; O portador perdeu os seus direitos de ao contra os endossantes contra o sacador e contra os outros co-obrigados, a exceo do aceitante. Na falta de apresentao ao aceite no prazo estipulado pelo sacador, o portador perdeu os seus direitos de ao, tanto por falta de pagamento como por falta de aceite, a no ser que dos termos da estipulao se conclua que o sacador apenas teve em vista exonerar-se da garantia do aceite. Se a estipulao de um prazo para a apresentao constar de um endosso, somente aproveita ao respectivo endossante.

    Art. 70 LUG Todas as aes contra ao aceitante relativas a letras prescrevem em trs anos a contar do seu vencimento. As aes ao portador contra os endossantes e contra o sacador prescrevem num ano, a contar da data do protesto feito em tempo til ou da data do vencimento, se se trata de letra que contenha clusula "sem despesas". As aes dos endossantes uns contra os outros e contra o sacador prescrevem em seis meses a contar do dia em que o endossante pagou a letra ou em que ele prprio foi acionado.

    Art. 13 L 5.474/68. A duplicata protestvel por falta de aceite de devoluo ou pagamento. 4 O portador que no tirar o protesto da duplicata, em forma regular e dentro do prazo da 30 (trinta) dias, contado da data de seu vencimento, perder o direito de regresso contra os endossantes e respectivos avalistas.

    Art 18 L 5.474/68. A pretenso execuo da duplicata prescreve: I - contra o sacado e respectivos avalistas, em 3 (trs) anos, contados da data do vencimento do ttulo;

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    II - contra endossante e seus avalistas, em 1 (um) ano, contado da data do protesto; III - de qualquer dos coobrigados contra os demais, em 1 (um) ano, contado da data em que haja sido efetuado o pagamento do ttulo. 1 - A cobrana judicial poder ser proposta contra um ou contra todos os coobrigados, sem observncia da ordem em que figurem no ttulo. 2 - Os coobrigados da duplicata respondem solidariamente pelo aceite e pelo pagamento

    Art. 59 L 7.357/85. Prescrevem em 6 (seis) meses, contados da expirao do prazo de apresentao, a ao que o art. 47 desta Lei assegura ao portador. Pargrafo nico - A ao de regresso de um obrigado ao pagamento do cheque contra outro prescreve em 6 (seis) meses, contados do dia em que o obrigado pagou o cheque ou do dia em que foi demandado.

    A extino do aval, via de regra, se d como o pagamento do ttulo (art. 24 D 2.044/1908). Com o pagamento, extingue-se a vida cambiria do ttulo por ocorrer pagamento extintivo.

    Art. 24 D 2.044/1908. O pagamento feito pelo aceitante ou pelos respectivos avalistas desonera da responsabilidade cambial todos os coobrigados.

    Podemos, entretanto, ter a extino do aval por outros motivos, que o pagamento do ttulo, denominado como cancelamento do aval. Este assunto deve ser analisado luz do artigo 44 1 do Decreto 2.044/1908, que considera no escrito, para os efeitos cambiais, o endosso ou aval cancelado.

    Art. 44 D 2.044/1908. Para os efeitos cambiais, so consideradas no escritas: 1 Para os efeitos cambiais, o endosso ou aval cancelado considerado no escrito

    17.13. Aval parcial.

    A doutrina divergente ao tratar do aval parcial, posto que h um conflito de leis, entre o Cdigo Civil e a LUG, uma antinomia jurdica, mas a soluo , de certa forma, simples

    A LUG trata do tema nos art. 30, prevendo o aval parcial:

    Art. 30 LUG.O pagamento de uma letra pode ser no todo ou em parte garantido por aval.

    O Cdigo Civil trata diferentemente e, expressamente, vedou o aval parcial

    Art. 897 CC. O pagamento de ttulo de crdito, que contenha obrigao de pagar soma determinada, pode ser garantido por aval. Pargrafo nico. vedado o aval parcial.

    O art. 903 do CC determina que deve prevalecer o disposto nas leis especiais, entretanto imprescindvel que o aval parcial conste literalmente na crtula, face ao principio da literalidade, caso contrrio a vedao prevalece.

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    Art. 903 CC. Salvo disposio diversa em lei especial, regem-se os ttulos de crdito pelo disposto neste Cdigo.

    Art. 29 L 7.357/85. O pagamento do cheque pode ser garantido, no todo ou em parte, por aval prestado por terceiro, exceto o sacado, ou mesmo por signatrio do ttulo.

    Art. 25. Lei 5474/68. Aplicam-se duplicata e triplicata, no que couber, os dispositivos da legislao sbre emisso, circulao e pagamento das Letras de Cmbio.

    CASO CONCRETO: Ao receber uma letra de cmbio por endosso, Augusto exigiu de Bernardo um avalista, mesmo a letra j aceita e com a assinatura do sacador e de mais trs endossantes. Assim, Bernardo conseguiu com seu pai o aval, porm este no indicou que Bernardo seria seu avalizado e o fez na modalidade parcial. Indaga-se:

    a) Determine a responsabilidade do avalista nesse ttulo.

    Por ter sido aval em branco, o avalista vai se responsabilizar da mesma maneira que o sacador e, por tal razo, ser devedor principal (art. 31.3 LUG)

    b) possvel a modalidade parcial do aval?

    Sim, possvel para Letra de Cmbio, pois se tratar de ttulo regido por lei especial (art. 30 Dec. 57.663/66) e no se aplica o art. 897 pu CC, por fora do art. 903 CC.

    QUESTO OBJETIVA:

    O aval

    a) tem o mesmo efeito do endosso no ttulo de crdito cambial.

    b) tem o mesmo efeito de uma cesso do ttulo de crdito cambial.

    c) garantia de pagamento dos contratos pblicos e privados.

    d) uma garantia de pagamento.

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    Vencimento e pagamento de ttulos de crdito (mdulo 08)

    18. Vencimento

    O saque (mdulo __ - item 14), o aceite (mdulo __ - item 15), o endosso (mdulo __ - item 16) e aval (mdulo __ - item 17) so os atos constitutivos do crdito cambirio. Assim, constitudo o crdito, poder ser exigido, e o momento em que a soma cambiria pode ser exigida dos devedores cambirios pelos portador do ttulo de crdito denomina-se vencimento.

    O vencimento tem importncia para mundo cambirio pois:

    a) permite ao portador do ttulo de crdito promover a execuo, caso o titulo no tenha sido pago, contra os devedores diretos e indiretos, para haver o valor no pago (art. 43 LUG);

    b) constitui o termo inicial da fluncia de juros de mora (art. 48.1 LUG);

    c) corresponde ao termo inicial do prazo prescricional do direito de ao cambiria contra os devedores principais (aceitante da letra de cambio, emitente da nota promissria, e respectivos avalistas) (art. 70.1 LUG);

    d) permite que qualquer dos devedores depositar judicialmente o valor da obrigao (art. 42 LUG e art. 20 D 2.044/85)

    e) endosso feito aps o vencimento produz os efeitos cambirios comuns, mas quando efetivado aps o protesto ou decurso de prazo legal produz apenas efeitos de cesso civil de crdito (art. 20 LUG)

    Art. 42 LUG Se a letra no for apresentada a pagamento dentro do prazo fixado no artigo 38, qualquer devedor tem a faculdade de depositar a sua importncia junto da autoridade competente, a custa do portador e sob a responsabilidade deste.

    Art. 43 LUG O portador de uma letra pode exercer os seus direitos de ao contra os endossantes, sacador e outros co-obrigados: No vencimento: Se o pagamento no foi efetuado.

    Art. 48 LUG O portador pode reclamar daquele contra quem exerce o seu direito de ao: 1 - O pagamento da letra no aceite no paga, com juros se assim foi estipulado;

    Art. 70 LUG Todas as aes contra ao aceitante relativas a letras prescrevem em trs anos a contar do seu vencimento.

    Art. 20. A letra deve ser apresentada ao sacado ou ao aceitante para o pagamento, no lugar designado e no dia do vencimento ou, sendo este dia feriado por lei, no primeiro dia til imediato, sob pena de perder o portador o direito de regresso contra o sacador, endossadores e avalistas

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    18.1. Efeitos jurdicos do vencimento

    Torna-se o ttulo exigvel para pagamento, desse modo, deve o credor procurar o devedor para que este faa o pagamento da obrigao constante no ttulo.

    18.1.1. exigibilidade do ttulo; 18.1.2. tem obrigao a pagar somente com apresentao do ttulo original; 18.1.3. Direito de exigir o recibo (pagamento total tem direito ao ttulo, no pagamento

    parcial no, s recibo do valor pago).

    18.2. Modalidades de vencimento

    As modalidades de vencimento esto intrinsecamente ligados ao momento da exigibilidade do ttulo: vencimento ordinrio (18.2.1) e vencimento extraordinrio (18.2.2.)

    18.2.1. vencimento ordinrio aquele que se opera quando o ttulo atinge o prazo nele marcado, ou seja, que se opera pelo fato jurdico do tempo ou pela apresentao da letra ao sacado, quando vista. A letra de cmbio pode ser passada: 18.2.1.1. vista, 18.2.1.2. a certo tempo de vista, 18.2.1.3. a um certo tempo da data e a 18.2.1.4. dia certo. (art. 33 LUG e art. 17 L 2.044/1908).

    Art. 33 LUG. Uma letra pode ser sacada: [i] vista; [ii] a um certo termo de vista; [iii] a um certo termo de data; [iv] pagvel num dia fixado.

    Art. 17 L 2.044/1908. A letra vista [i] vence-se no ato da apresentao ao sacado. A letra, a dia certo [iv], vence-se nesse dia. A letra, a dias da data [iii] ou da vista [ii] , vence-se no ltimo dia do prazo; no se conta, para a primeira, o dia do saque, e, para a segunda, o dia do aceite.

    18.2.1.1. vista.

    Trata-se da modalidade de cambial que vence contra a sua apresentao pelo portador (credor) ao sacado (devedor) da letra de cmbio ou emitente da nota promissria (art. 34 LUG). No se exige o emprego do termo " vista", pode ser utilizado " apresentao" ou " qualquer tempo", por exemplo.

    a) ocorre na apresentao do ttulo ao obrigado principal

    b) deve ocorrer no mximo at um ano aps a data da emisso do ttulo.

    c) se no h data no ttulo, considera-se vista.

    Art. 34 LUG. A letra vista pagvel a apresentao. Deve ser apresentada a pagamento dentro do prazo de um ano, a contar da sua data. O sacador pode reduzir este prazo ou estipular um outro mais longo. Estes prazos podem ser encurtados pelos endossantes. O sacador pode estipular que uma letra pagvel vista no dever ser apresentada a pagamento antes de uma certa data. Nesse caso, o prazo para a apresentao conta-se dessa data.

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    18.2.1.2. a um certo termo de vista.

    Trata-se de modalidade cambial que vence quando for fixado prazo para pagamento [i] a partir da apresentao do ttulo ao sacado, para aceite; [ii] ou do protesto, caso haja recusa em dar o aceite, vence naquele momento (necessria a apresentao do ttulo ao sacado para caracterizao do vencimento). caracteriza-se pelos dizeres "vencimento: 30 dias de vista" ou "vencimento: 1 ano de vista", etc.

    Art. 35 LUG. O vencimento de uma letra a certo termo de vista determina-se, quer pela data do aceite [i], quer pela do protesto [ii]. Na falta de protesto, o aceite no datado entende-se, no que respeita ao aceitante, como tendo sido dado no ltimo dia do prazo para a apresentao ao aceite.

    18.2.1.3. a um certo termo de data

    Trata-se de modalidade cambial que vence no dia do pagamento determinado a partir do momento em que a letra sacada - em termos de aceite, o prazo fica estabelecido entre a data do saque e a data do vencimento.

    O vencimento fixado para o princpio, o meado ou o fim do ms, devem ser entendidas como o "dia primeiro", "o dia quinze" e o "ltimo dia do ms".

    Art. 36 LUG. O vencimento de uma letra sacada a um ou mais meses de data ou de vista ser na data correspondente do ms em que o pagamento se deve efetuar. Na falta de data correspondente o vencimento ser no ltimo dia desse ms. Quando a letra sacada a um ou mais meses e meio de data ou de vista, contam-se primeiro os meses inteiros. Se o vencimento for fixado para o princpio, meado ou fim do ms, entende-se que a letra ser vencvel no primeiro, no dia quinze, ou no ltimo dia desse ms. As expresses "oito dias" ou "quinze dias" entendem-se no como uma ou duas semanas, mas como um prazo de oito ou quinze dias efetivos. A expresso "meio ms" indica um prazo de quinze dias.

    18.2.1.4. num dia fixado

    Trata-se de modalidade cambial que vence na exata data que est fixada no ttulo, e tambm chamada "a termo certo". a modalidade mais comum de vencimento dos ttulos de crdito. O cuidado a se ter que se a data for inexistente acarretar a nulidade do ttulo (30/02/2014), e no confundir com "falta de data", situao que no acarreta nulidade, mas sim vencimento na apresentao do ttulo (vide item 18.2.1.1.c).

    18.2.2. vencimento extraordinrio aquele que se opera quando da [i] recusa do aceite ou [ii] pela falncia do aceitante ou emitente da nota promissria (obrigado principal), produzindo, assim, o vencimento antecipado (art. 43. 1 e 2 LUG; art. 19 L 2.044/1908 e at. 77 L11.101/05 - lei de falncias), entretanto, cabe ressaltar, que a falncia do avalista do aceitante, endossante e sacador no causa de vencimento extraordinrio da letra de cmbio.

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    Art. 43 LUG. O portador de uma letra pode exercer os seus direitos de ao contra os endossantes, sacador e outros co-obrigados: Mesmo antes do vencimento: 1 - Se houve recusa total ou parcial de aceite[i]; 2 - Nos casos de falncia do sacado [ii], quer ele tenha aceite, quer no, de suspenso de pagamentos do mesmo, ainda que no constatada por sentena, ou de ter sido promovida, sem resultado, execuo dos seus bens.

    Art. 19 L 2.044/1.908.. A letra considerada vencida, quando protestada: I. pela falta ou recusa do aceite[i]; II. pela falncia do aceitante [ii].

    Art. 77 L 11.101/05. A decretao da falncia determina o vencimento antecipado das dvidas do devedor e dos scios ilimitada e solidariamente responsveis, com o abatimento proporcional dos juros, e converte todos os crditos em moeda estrangeira para a moeda do Pas, pelo cmbio do dia da deciso judicial, para todos os efeitos desta Lei.

    18.3. Insero de data de vencimento do ttulo de crdito incompleto

    Smula 387 STF. A cambial emitida ou aceita com omisses, ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-f antes da cobrana ou do protesto.

    Art. 891 CC. O ttulo de crdito, incompleto ao tempo da emisso, deve ser preenchido de conformidade com os ajustes realizados. Pargrafo nico. O descumprimento dos ajustes previstos neste artigo pelos que deles participaram, no constitui motivo de oposio ao terceiro portador, salvo se este, ao adquirir o ttulo, tiver agido de m-f.

    Art. 10 LUG. Se uma letra incompleta no momento de ser passada tiver sido completada contrariamente aos acordos realizados, no pode a inobservncia desses acordos ser motivo de oposio ao portador, salvo se este tiver adquirido a letra de m-f ou, adquirindo-a, tenha cometido uma falta grave. II Protesto caso no queira preencher o ttulo, pode-se protest-lo. O protesto serve para marcar a data exata do vencimento da obrigao.

    19. Pagamento do ttulo de crdito

    O pagamento do valor contido no ttulo o ato pelo qual, normalmente, se extingue a obrigao cambiria. tambm chamado de resgate cambial

    19.1. Natureza jurdica do pagamento

    Se o pagamento feito pelo devedor, a natureza jurdica desse pagamento de extino da obrigao, caso seja feito pelo aceitante de desconstituio da totalidade dos vnculos creditcios, liberando o sacador, endossante e avalista do ttulo.

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    19.2. Prazo para pagamento

    No Brasil a letra de cmbio deve ser paga na data do vencimento ou, recaindo este num dia no til, no primeiro dia til seguinte (art. 72.1 LUG e art. 20 L 2.044/1.908).

    Art. 72 LUG O pagamento de uma letra cujo vencimento recai em dia feriado legal s pode ser exigido no primeiro dia til seguinte. Da mesma maneira, todos os atos relativos a letra, especialmente a apresentao ao aceite e o protesto, somente podem ser feitos em dia til. Quando um destes atos tem de ser realizado em um determinado prazo e o ltimo dia deste prazo feriado legal, fica o dito prazo prorrogado at ao primeiro dia til que se seguir ao seu termo.

    Art. 20 L 2.044/1908. A letra deve ser apresentada ao sacado ou ao aceitante para o pagamento, no lugar designado e no dia do vencimento ou, sendo este dia feriado por lei, no primeiro dia til imediato, sob pena de perder o portador o direito de regresso contra o sacador, endossadores e avalistas.

    19.3. Formas de pagamento

    Em razo do princpio da cartularidade no ato do pagamento o devedor deve exigir que lhe seja entregue o ttulo, eis que o pagamento provado pelo prprio ttulo de crdito, estando o devedor com o ttulo em mos, presume-se que houve pagamento.

    Em razo tambm do princpio da literalidade, a quitao deve ser dada no prprio ttulo, posto que o recibo parte no tem validade contra terceiros de boa-f, mas, caso seja feito o recibo apartado, ele deve estar colado no ttulo.

    Por fim, cabe ressaltar que se a letra for endossada a portador de boa-f, o devedor no poder furtar-se a um segundo pagamento, por fora do princpio da autonomia das obrigaes cambiais. O endossante que pagar uma letra poder riscar o seu endosso e os endossos posteriores.

    19.4. Modalidades de pagamento.

    19.4.1. Pagamento parcial e pagamento integral (total)

    19.4.1.1. Parcial aquele em que se paga apenas uma parte da obrigao constituida no ttulo. No pode ser recusado pelo credor (art. 39.2 LUG; art. 22 1 L 2.044/1908; art. 902 1 CC), mas deve-se colocar no ttulo que est se pagamento parcialmente (art. 39.3 LUG; art. 902 2 CC) . Lembrando que no direito comum o credor no obrigado a receber pagamento parcial - art. 314 CC.

    Art. 314 CC. Ainda que a obrigao tenha por objeto prestao divisvel, no pode o credor ser obrigado a receber, nem o devedor a pagar, por partes, se assim no se ajustou.

    Visto isso, no se pode invocar, no caso, a indivisibilidade do ttulo e da soma cambiria para pretender anular o endosso pelo valor no pago. O ttulo indivisvel quanto sua circulao e no quanto ao seu pagamento.

    Art. 39 LUG. O sacado que paga uma letra pode exigir que ela lhe seja entregue com a respectiva quitao. O portador no pode recusar qualquer pagamento parcial.

    No caso de pagamento parcial, o sacado pode exigir que desse pagamento se faa meno na letra e que dele lhe seja dada quitao.

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    Art. 22. L 2.044/1908. O portador no obrigado a receber o pagamento antes do vencimento da letra. Aquele que paga uma letra, antes do respectivo vencimento, fica responsvel pela validade desse pagamento. 1 O portador obrigado a receber o pagamento parcial, ao tempo do vencimento

    Art. 902 CC. No o credor obrigado a receber o pagamento antes do vencimento do ttulo, e aquele que o paga, antes do vencimento, fica responsvel pela validade do pagamento. 1 No vencimento, no pode o credor recusar pagamento, ainda que parcial. 2 No caso de pagamento parcial, em que se no opera a tradio do ttulo, alm da quitao em separado, outra dever ser firmada no prprio ttulo.

    19.4.1.2. Integral ou total aquele em que se paga totalmente a obrigao do ttulo e, como consequncia, o devedor pode exigir a entrega do original.

    19.4.2. Pagamento extintivo e pagamento recuperatrio

    19.4.2.1. Pagamento extintivo aquele que extingue a vida ativa da cambial, por no permitir o exerccio do direito de regresso, e ocorre quando feito pelo devedor principal. Realizado pelo obrigado principal, desonera todos os outros coobrigados e o ttulo no pode mais circular.

    19.4.2.2. Pagamento recuperatrio aquele feito pelo devedor de regresso porque lhe permite recuperar o valor pagos dos obrigados que o garantem na relao cambiria (art. 49 LUG e art. 53 L 7.357/85 - lei do cheque). O pagamento feito pelo devedor de regresso no extingue a vida da cambial, tanto que os obrigados anteriores no se eximem de responsabilidades, mas libera os obrigados posteriores.

    A ao cambial regressiva aquela que o portador do ttulo move contra um, alguns ou todos os obrigados indiretos que lhe so anteriores, cuja obrigao cambiria no foi adimplida (comprovada pelo o protesto) e para deles haver a soma do ttulo vencida e no paga, acrescida das despesas que realizou para o recebimento. Esta comprovao ocorre. Pode ser ajuizada mesmo antes do vencimento da letra de cmbio, nos casos de recusa total ou parcial de aceite (mdulo __ - item ___) e falncia do aceitante (mdulo __ - item ___)

    Art. 53 L 7.357/85 Quem paga o cheque pode exigir de seus garantes: I - a importncia integral que pagou; II - os juros legais, a contar do dia do pagamento; III - as despesas que fez; IV - a compensao pela perda do valor aquisitivo da moeda, at o embolso das importncias mencionadas nos itens antecedentes.

    Art. 49 LUG. A pessoa que pagou uma letra pode reclamar dos seus garantes: 1 - A soma integral que pagou; 2 - Os juros da dita soma, calculados a taxa de 6 por cento, desde a data em que a pagou; 3 - As despesas que tiver feito.

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    19.4.3. Pagamento direto e pagamento indireto

    19.4.3.1. pagamento direto aquele corresponde ao meio direto e normal de extino da obrigao cambiria, efetuado de forma voluntrio e em dinheiro

    19.4.3.2. pagamento indireto aquele que utiliza das mesmas modalidades previstas no direito comum, como compensao (art. 368 CC), confuso (art. 381 CC), novao (art. 360 CC), remisso (art. 385 CC), transao (art. 840 CC), etc.

    19.4.4. Pagamento por interveno

    O pagamento por interveno aquele feito por interveno

    de um terceiro (inventor), que

    pode ser estranho a relao cambiria, ou o sacado ou por qualquer coobrigado no ttulo (exceto, obviamente, pelo aceitante, pois nesse caso no seria 'interveno'). Feito o pagamento pelo terceiro interventor, ficam desonerados os coobrigados posteriores ao devedor. Ressaltando que o terceiro interventor fica sub-rogado nos direitos de quem pagou.

    discorremos sobre a interveno (mdulo __ - item ___)

    CASO CONCRETO: Augusto, portador de Letra de Cmbio, apresentou o ttulo para aceite do sacado Bernardo, que no aceitou, sob alegao de no possuir relao alguma com o sacador. Protestado o ttulo por falta de aceite, Augusto promoveu ao de execuo em face de Bernardo que, devidamente citado, alegou ilegitimidade passiva, uma vez que sua assinatura no consta do ttulo, bem como falta a Augusto a qualidade de credor, por falta do aceite. Indaga-se:

    a) Procedentes as alegaes de Bernardo?

    Sim, procedem, em virtude de que o aceite no ato obrigatrio e o sacado se obriga na letra apenas pelo aceite (art. 28, LUG). O Sacado no precisa apresentar qualquer justificativa legal para a falta de aceite.

    b) Um endossante que eventualmente venha pagar o ttulo em tela, ter direito a alguma ao?

    O coobrigado que paga o ttulo sub-roga-se nos direitos do credor e pode cobrar, em ao de regresso, dos obrigado anteriores, pelo que libera os posteriores (art. 50 da LUG)

    QUESTO OBJETIVA: O vencimento extraordinrio da letra de cmbio pode ocorrer devido:

    a) ao aceite, na modalidade a termo certo de vista;

    b) ao no pagamento na modalidade vista

    c) falncia do sacado, mesmo sem o aceite, na modalidade a termo certo de data.

    d) no h possibilidade de vencimento extraordinrio, salvo na hiptese do ttulo vista

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    Protesto (mdulo 09)

    20. Conceito

    O conceito legal de protesto "o (i) ato formal e solene pelo qual se (ii) prova a inadimplncia e o descumprimento de obrigao originada em (iii) ttulos e outros documentos de dvida", que est insculpido no art. 1, Lei 9.492/97 - Lei de protestos, donde faremos algumas ponderaes:

    (i) um ato formal ou solene, ou seja, s produz efeitos se forem cumpridos todos os requisitos da lei. Entretanto a lei no indica quais so os tipos de protestos.

    (ii) um ato destinado a provar inadimplncia ou descumprimento de obrigao, assim, serve como prova do inadimplemento. A partir do momento que se tenha descumprido/inadimplido determinada obrigao, o ato do protesto prova esse inadimplemento. Entretanto a lei fala de inadimplncia, de forma genrica, mas, como j vimos, o protesto pode ser por falta de pagamento, por falta de aceite ou, ainda, por falta de devoluo. (mdulo ___ - item __)

    (iii) via de regra, qualquer ttulo ou documento pode ser protestado. Nesse ttulo/documento deve constar a obrigao e a data em que ela deveria ser adimplida. Entretanto a lei no indica quais ttulos podem ser objeto de protesto.

    Percebemos que h algumas lacunas nesse conceito, assim, para melhor efeito didtico, utilizaremos o conceito de Fbio Ulhoa, como "ato praticado pelo credor, perante competente cartrio [cartrio de protestos] para fins de incorporar ao ttulo de crdito a prova de fato relevante para as relaes cambiais, como por exemplo, a falte aceite ou de pagamento de letra de cmbio".

    20.1. Ttulos protestveis.

    Atinentes ao conceito doutrinrio acima, podemos afirmar que so passveis de protesto os ttulos executivos judiciais ou extrajudiciais, exigveis, e que documentem uma obrigao pecuniria, mas pelo conceito legal temos a expresso outros documentos, que para uns deve ser interpretada ampliativa, ou seja, qualquer documento de valor pode ser objeto de protesto (entendimento da prtica cartorria).

    20.2. Natureza jurdica do protesto:

    Para a doutrina majoritria o Protesto um ato comprobatrio.

    20.3. Lugar do protesto

    O lugar do protesto determinado no local do vencimento/pagamento, ou no lugar do aceite da letra, sua relevncia est em definir o juzo competente para a execuo. Na falta de determinao do local do pagamento ou do aceite, o protesto dever ser feito no domiclio do sacado. (art. 28 D 2.044/1908)

    20.4. Requisitos do protesto

    Os requisitos do protesto podem ser encontrados no art. 22 L 9.492/07 - lei de protestos:

    Art. 22 L 9.492/07. O registro do protesto e seu instrumento devero conter: I data e nmero de protocolizao; II nome do apresentante e endereo;

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    III reproduo ou transcrio do documento ou das indicaes feitas pelo apresentante e declaraes nele inseridas; IV certido das intimaes feitas e das respostas eventualmente oferecidas; V indicao dos intervenientes voluntrios e das firmas por eles honradas; VI a aquiescncia do portador ao aceite por honra; VII nome, nmero do documento de identificao do devedor e endereo; VIII- data e assinatura do Tabelio de Protesto, de seus substitutos ou de Escrevente autorizado.

    Quando o ttulo levado ao cartrio de protestos, o serventurio somente analisa os aspectos formais do ttulo, se constam todos os requisitos exigidos pela lei (lei de protestos...). Ele no vai analisar o pagamento do ttulo, eventual prescrio ou decadncia, etc.

    20.5. Efeitos do protesto:

    Ao se protestar um ttulo de crdito so produzidos os seguintes efeitos nas relaes cambirias:

    20.5.1. interrompe o prazo prescricional. (art. 202, III CC 'cancelou' Smula 153 STF).

    20.5.2. viabiliza ao cambiria indireta execuo dos devedores indiretos;

    20.5.3. produz prova insubstituvel da apresentao do ttulo para aceite. O protesto por falta de aceite produz o vencimento antecipado da dvida e viabiliza a cobrana do sacador da letra de cmbio (art. 19 D 2.044/1.908).

    20.5.4. fixa o marco para verificao da ocorrncia de endosso pstumo. O endosso realizado aps o protesto produz efeitos de uma cesso civil de crdito.

    20.5.5. autoriza o pedido de falncia fundado na impontualidade do devedor (art. 94, I L 11.101/05)

    20.5.6. O protesto fixa o marco inicial do termo legal da falncia (perodo suspeito. O termo legal levar em conta a data do primeiro protesto e fixar um termo desta data para trs. O primeiro protesto o marco inicial onde ser contado o perodo que antecedeu ao primeiro protesto.

    Art. 202 CC. A interrupo da prescrio, que somente poder ocorrer uma vez, dar-se-: III - por protesto cambial;

    Art. 19 D 2.044/1.908. A letra considerada vencida, quando protestada: I. pela falta ou recusa do aceite; II. pela falncia do aceitante.

    Art. 94 L 11.101/05. Ser decretada a falncia do devedor que: I sem relevante razo de direito, no paga, no vencimento, obrigao lquida materializada em ttulo ou ttulos executivos protestados, cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 (quarenta) salrios-mnimos na data do pedido de falncia.

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    20.6. Espcies de protesto

    Em vista dos efeitos do protesto, elencados no item anterior, podemos subdividir os protestos em: protestos necessrios ou obrigatrios e protestos facultativos:

    20.6.1. protesto necessrio ou obrigatrio

    O protesto necessrio para o credor possa cobrar o valor do ttulo dos devedores indiretos - coobrigados e endossantes (item 20.5.2.), para prova de falta de aceite ou falta de pagamento - art. 44.1 e art. 53.2 LUG (item 20.5.3.); para provar a data de vencimento quando a letra de cmbio for pagvel a certo termo da vista e no houver a data para esse momento (art. 25 LUF). Como pressuposto processual, o protesto tambm necessrio para o requerimento de falncia, disposto no art. 94, 3 L 11.101/2005 (art. 20.5.5.), chamado protesto especial (art. 94 da LF), como tambm para interrupo da prescrio, desde que respeitadas art. 202, III CC (item 20.5.1).

    20.6.2. protesto facultativo

    O protesto facultativo para o credor possa cobrar o valor do ttulo dos devedores diretos - devedor principal e avalista, e, de certo modo, serve para compelir o devedor a pagar a dvida antes da lavratura do protesto.

    20.7 Prazos para protesto

    Se o protesto no for feito no prazo, perde-se o direito de regresso, podendo cobrar somente dos devedores principais.

    20.7.1. Por falta de pagamento (art. 43 LUG): o prazo ser o dia do vencimento da letra. Assim, o credor dever providenciar o protesto j no primeiro dia til seguinte ao do vencimento. Quando trata-se de data certa, certo termo de data e certo termo da vista (quando foi dado o aceite), o protesto deve ser feito em dois dias teis do dia do vencimento, passado esse prazo estar decado do direito de execuo.

    20.7.2. Por falta de aceite (art. 44 LUG): o portador dever protestar o ttulo at o fim do prazo de apresentao ao sacado ou no dia seguinte ao trmino do prazo se a letra foi apresentada no ltimo dia deste e o sacado solicitou o prazo de respiro. Logo, se houver a recusa do aceite o prazo vai at o primeiro dia til posterior. Ou seja, venceu a letra de cmbio sem que tenha havido aceite, ter-se- at um dia til para protest-la.

    Art. 43 D 57.663/66- O portador de uma letra pode exercer os seus direitos de ao contra os endossantes, sacador e outros co-obrigados: No vencimento: Se o pagamento no foi efetuado. Mesmo antes do vencimento: 1 - Se houve recusa total ou parcial de aceite; 2 - Nos casos de falncia do sacado, quer ele tenha aceite, quer no, de suspenso de pagamentos do mesmo, ainda que no constatada por sentena, ou de ter sido promovida, sem resultado, execuo dos seus bens. 3 - Nos casos de falncia do sacador de uma letra no aceitvel.

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    Art. 44 D 57.663/66. A recusa de aceite ou de pagamento deve ser comprovada por um ato formal (protesto por falta de aceite ou falta de pagamento). O protesto por falta de aceite deve ser feito nos prazos fixados para a apresentao ao aceite. Se, no caso previsto na alnea 1 do artigo 24, a primeira apresentao da letra tiver sido feita no ltimo dia do prazo, pode fazer-se ainda o protesto no dia seguinte.

    20.8. Sustao e cancelamento

    20.8.1. Sustao do protesto

    A sustao um ato judicial para prevenir eventual m-f do credor, que pode querer protestar um ttulo que, por exemplo, j tenha sido pago. Assim, a sustao deve ser realizada antes da efetivao do protesto, por meio da propositura de medida judicial, cautelar, nominada e tpica, denominada medida cautelar de sustao de protesto.

    Art. 17 L 9.492/97. Permanecero no Tabelionato, disposio do Juzo respectivo, os ttulos ou documentos de dvida cujo protesto for judicialmente sustado. 1 O ttulo do documento de dvida cujo protesto tiver sido sustado judicialmente s poder ser pago, protestado ou retirado com autorizao judicial. 2 Revogada a ordem de sustao, no h necessidade de se proceder a nova intimao do devedor, sendo a lavratura e o registro do protesto efetivados at o primeiro dia til subseqente ao do recebimento da revogao, salvo se a materializao do ato depender de consulta a ser formulada ao apresentante, caso em que o mesmo prazo ser contado da data da resposta dada. 3 Tornada definitiva a ordem de sustao, o ttulo ou o documento de dvida ser encaminhado ao Juzo respectivo, quando no constar determinao expressa a qual das partes o mesmo dever ser entregue, ou se decorridos trinta dias sem que a parte autorizada tenha comparecido no Tabelionato para retir-lo.

    20.8.2. Cancelamento

    O cancelamento pode ser feito pelo pagamento ou por ao principal declaratria de inexigibilidade do ttulo. Assim percebemos que o cancelamento do protesto pode ser feito pela via administrativa ou extrajudicial, perante o tabelio, ou pela via judicial.

    Quando o devedor paga o ttulo e tem o ttulo em suas mos basta a sua apresentao para que o tabelio cancele o protesto. Se o devedor que paga o ttulo, mas no o tem em mos, a declarao de todos os credores supre essa falta (art. 26 1 L 9.492/97).

    Art. 26 L 9.492/97. O cancelamento do registro do protesto ser solicitado diretamente no Tabelionato de Protesto de Ttulos, por qualquer interessado, mediante apresentao do documento protestado, cuja cpia ficar arquivada.

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    1 Na impossibilidade de apresentao do original do ttulo ou documento de dvida protestado, ser exigida a declarao de anuncia, com identificao e firma reconhecida, daquele que figurou no registro de protesto como credor, originrio ou por endosso translativo. 2 Na hiptese de protesto em que tenha figurado apresentante por endosso-mandato, ser suficiente a declarao de anuncia passada pelo credor endossante. 3 O cancelamento do registro do protesto, se fundado em outro motivo que no no pagamento do ttulo ou documento de dvida, ser efetivado por determinao judicial, pagos os emolumentos devidos ao Tabelio. 4 Quando a extino da obrigao decorrer de processo judicial, o cancelamento do registro do protesto poder ser solicitado com a apresentao da certido expedida pelo Juzo processante, com meno do trnsito em julgado, que substituir o ttulo ou o documento de dvida protestado.

    20.9. Ao cambial

    A ao cambial uma ao executiva, ou seja, no h necessidade de um prvio processo de conhecimento (art. 566 I CPC), contra ttulo certo, lquido e exigvel (arts. 580, 586 e 618, CPC) denominada direta quando proposta contra os obrigados principais: emitente da nota promissria, aceitante da letra de cmbio, sacado na duplicata, emitente do cheque e seus respectivos avalistas e de regresso quando proposta contra os demais coobrigados. A ao executiva direta s pode ser proposta no vencimento do ttulo, enquanto a de regresso pode ser proposta, em casos especficos, tambm antes do vencimento do ttulo, no caso da letra de cmbio, pela recusa parcial ou total do aceite ou na falncia do aceitante (art. 19 L 2.044/1908). A ao direta no necessita do protesto do ttulo.

    Art. 566 CPC. Podem promover a execuo forada: I - o credor a quem a lei confere ttulo executivo;

    Art. 580 CPC. A execuo pode ser instaurada caso o devedor no satisfaa a obrigao certa, lquida e exigvel, consubstanciada em ttulo executivo.

    Art. 586 CPC. A execuo para cobrana de crdito fundar-se- sempre em ttulo de obrigao certa, lquida e exigvel.

    Art. 618 CPC. nula a execuo: I - se o ttulo executivo extrajudicial no corresponder a obrigao certa, lquida e exigvel (art. 586

    Art. 19 L 2.044/1908. A letra considerada vencida, quando protestada: I. pela falta ou recusa do aceite; II. pela falncia do aceitante.

    20.9.1. Prazos prescricionais das aes cambiais

    Para a letra de cmbio estabeleceu os seguintes prazos (art. 70 LUG):

    a) 6 meses: a contar do pagamento ou do ajuizamento da execuo cambial, para o exerccio do direito de regresso por qualquer um dos coobrigados;

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    b) 1 ano: para o exerccio do direito de crdito contra os coobrigados, isto , contra o sacador, endossante e respectivos avalistas

    c) 3 anos: para o exerccio do direito de crdito contra o aceitante (sacado) e seu avalista (dos devedores principais), a contar do vencimento.

    20.9.2. Interrupo dos prazos prescricionais das aes cambiais

    A partir da efetivao do protesto, o prazo para a ao cambial volta a contar inteiro novamente (interrupo). Passado o prazo prescricional, perde-se a fora executiva do ttulo, mas ele continua valendo como quirgrafo, ou seja, um documento que retrata que existe uma obrigao. A partir de ento, ter o prazo de cinco anos para ingressar com uma ao de conhecimento para recebimento da obrigao (art. 206 5 CC)

    Art. 202 CC. A interrupo da prescrio, que somente poder ocorrer uma vez, dar-se-: III - por protesto cambial;

    Art. 206 CC. Prescreve: 5o Em cinco anos: I - a pretenso de cobrana de dvidas lquidas constantes de instrumento pblico ou particular;

    CASO CONCRETO: Augusto, portador de Letra de Cmbio, apresentou o ttulo para aceite do sacado Bernardo, que no aceitou, sob alegao de no possuir relao alguma com o sacador. Protestado o ttulo por falta de aceite, Augusto promoveu ao de execuo em face de Bernardo que, devidamente citado, alegou ilegitimidade passiva,uma vez que sua assinatura no consta do ttulo, bem como falta a Augusto a qualidade de credor, por falta do aceite. Indaga-se:

    a) Procedentes as alegaes de Bernardo?

    Sim, procedem, em virtude de que o aceite no ato obrigatrio e o sacado se obriga na letra apenas pelo aceite (art. 28, LUG). O Sacado no precisa apresentar qualquer justificativa legal para a falta de aceite.

    b) Possvel o protesto por falta de aceite na letra de Cmbio?

    A lei admite o protesto por falta de aceite para que seja possvel ao portador exercer seu direito de ao em face dos demais coobrigados (art. 44, LUG)

    QUESTO OBJETIVA: O protesto de uma letra de cmbio pode ocorrer devido:

    a) ao seu no pagamento

    b) declarao de falncia do credor

    c) ao seu extravio, de forma a viabilizar a emisso da segunda via

    d) morte do devedor, de forma a torn-lo exigvel junto ao esplio

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    Nota promissria (mdulo 10)

    21. Conceito

    A nota promissria uma promessa de pagamento (mdulo __ - item __); ttulo de crdito abstrato (mdulo __ - item __), resultando em documento formal(mdulo __ - item __), decorrente de relao de crdito entre duas pessoas, pela qual a designada emitente ou sacador ou promitente ou subscritor (como denomina a LUG), faz promessa de pagamento vista ou prazo em tempo certo a outra pessoa denominada beneficirio ou tomador. Acostumem-se com essas diversas nomenclaturas, para no termos surpresas na leitura das doutrinas nem das questes de concursos.

    21.1. Origens da nota promissria

    Na idade mdia a operao de cmbio originou o surgimento da letra de cmbio e da cautio, um documento emitido por um banqueiro em reconhecimento dvida que contrara junto ao mercador em determinada cidade. A cautio apontada como o documento que originou a nota promissria, como conhecemos hoje.

    Outros doutrinadores citam ainda sua origem no direito romano, onde havia o chirografo, que era o documento aonde se assumia a obrigao de pagar determinada prestao, desse maneira o devedor se vinculava ao credor.

    21.2. Figuras intervenientes na nota promissria.

    Temos duas figuras jurdicas relevantes na composio da nota promissria

    21.2.1. sacador, ou promitente, ou subscritor, ou emitente aquele que vai emitir a nota promissria.

    21.2.2. beneficirio ou tomador: aquele que vai se beneficia da promessa. A nota promissria no ttulo causal (mdulo __ - item __), ou seja, no vai estar vinculada a uma obrigao jurdica anterior, assim pode ser emitida a qualquer tempo e por qualquer motivo. um ttulo de emisso livre (mdulo __ - item __), podendo ser emitida de qualquer forma, entretanto deve respeitar todos os requisitos legais, assim como a letra de cmbio. Caso no atenda tais especificaes ter, somente, efeitos civis (art. 76, I LUG).

    21.3. Requisitos para emisso da nota promissria

    A nota promissria como vimos ttulo livre, mas que deve atender as especificaes formais extrnsecas legais mnimas. Podemos ento subdividi-las em requisitos extrnsecos essenciais e requisitos extrnsecos suprveis.

    21.3.1. Requisitos extrnsecos essenciais:

    Esses esto elencados no art. 75 LUG, quais sejam:

    21.3.1.1. denominao: h de estar escrito nota promissria no texto do ttulo.

    21.3.1.2. promessa incondicional, pura e simples, de pagar quantia determinada: uma quantia certa e exata, sem nenhum tipo de encargo ou condio com valor em extenso.

    21.3.1.3. nome da pessoa a quem (beneficirio), ou ordem de quem, deve ser paga: indicao de quem ser o beneficirio, eis que no existe nota promissria ao portador, entretanto, admite-se o endosso em branco e, nesta hiptese, o ttulo pode circular por mera tradio.

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    21.3.1.4. indicao da data da emisso/saque: Trata-se de requisito essencial, em razo da importncia em se saber a) se o devedor, no momento da emisso: tinha capacidade jurdica para assumir obrigaes cambirias (art. 42 D 2.044/1908); b) se o mandatrio tinha poderes especiais como representante do emitente (art. 8 LUG); c) o termo inicial da fluncia dos juros compensatrios (mdulo __ - item __); d) o vencimento da nota por tempo certo de data (mdulo __ - item __).

    21.3.1.5. assinatura do emitente, com qualificao da pessoa: a emisso corresponde declarao cambiria originria por ser a primeira manifestao de vontade que se expressa na crtula.

    21.3.2. Requisitos extrnsecos suprveis ou no essenciais ou acessrios:

    Esses requisitos esto elencados no art. 76 LUG, que, na omisso/ falta deles, no anulam e nem o tornam ineficaz a nota promissria.

    21.3.2.1. poca do pagamento: na omisso, considera-se pagamento vista ou a contra-apresentao

    21.3.2.2. local do pagamento: na omisso, considera-se o domiclio do emitente, onde ela foi sacada.

    21.3.2.3. lugar de emisso: na omisso, considera-se que foi emitida no lugar designado ao lado do nome do emitente.

    21.4. Regime jurdico da notas promissrias

    A nota promissria est disciplinada pelo mesmo regime jurdico aplicvel a letra de cmbio, entretanto devemos recordar que a letra de cmbio uma ordem de pagamento (mdulo __ - item __), logo as regras incompatveis com promessa de pagamento (mdulo __ - item __) devem ser desconsideradas, como, por exemplo, prazos para apresentao do sacado, recusa parcial, formas de aceite, etc. pois vejamos:

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    21.4.1. no se aplicam: aceite (no h de se falar em aceite na nota promissria, pois seu subscritor j considerado o seu devedor principal), consequentemente no haver recusa de aceite e nem clusula no aceitvel, e o protesto facultativo, e no obrigatrio.

    21.4.2. aplicam-se: endosso; aval; vencimento; pagamento e prescrio. A prescrio da nota promissria, assim como da letra de cmbio, de trs anos contra o devedor principal, e de seis meses contra os coobrigados (endossatrios, avalistas, etc), no direito de regresso.

    21.5. Diferenas e similitudes entre nota promissria e letra de cmbio:

    Apesar de dispensarmos ateno sobre esse assunto, iremos pontualmente relacionar esses quesitos:

    21.5.1. Ambos so ttulos abstratos, pois podem decorrer de qualquer causa, entretanto:

    21.5.2. A nota promissria encerra a promessa de pagamento, enquanto a letra de cmbio nasce de uma ordem de pagamento dada pelo sacador, tambm baseada de uma promessa de pagamento, se houver aceite.

    21.5.3. A nota promissria s envolve duas figuras jurdicas, o emitente e o beneficirio, enquanto a letra de cmbio compreende trs figuras jurdicas, o sacador, o sacado e o beneficirio tomador.

    21.5.4. No existe na nota promissria o instituto do aceite, porque quem cria o ttulo reconhece o dever e promete pagar, enquanto na letra de cmbio a promessa de pagamento objeto de aceite.

    21.5.4. Na nota promissria quem faz a declarao cambiaria necessria e originria o devedor direto e na letra de cmbio tal declarao emana do sacador que devedor indireto.

    21.5.5. A nota promissria j nasce tendo devedor direto, mas, a letra de cmbio pode no ter devedor direto se o sacado no firma o aceite.

    21.5.6. Na nota promissria quem faz a cambiria necessria e originria ao mesmo tempo devedor direto e principal, enquanto na letra de cmbio o sacador devedor indireto e de regresso, tornando-se devedor principal apenas quando o sacado no d o aceite.

    21.5.7. Na nota promissria o emitente manifesta declarao cambiria originria e necessria, mas, na letra de cmbio o sacado faz declarao cambiria sucessiva e eventual.

    21.5.8. Na nota promissria o prprio emitente promete efetuar o pagamento, enquanto na letra de cmbio o sacador promete ao tomador/beneficirio que o sacado efetuar o pagamento.

    21.5.9. Na nota promissria o aval dado em favor do devedor direto (emitente), enquanto na letra de cmbio o avalizado o devedor indireto (o sacador).

    21.5.10. O portador da nota promissria tem o direito de tirar cpias, mas no extra-la com pluralidades de exemplares (art. 67 e 68 LUG), enquanto a letra de cmbio pode ser sacada por vrias vias (art. 64 e 66 LUG), e o portador tem direito a tirar cpias.

    21.5.11. Na nota promissria o portador s tem direito de ao antes do vencimento, contra os devedores indiretos, pela falncia do emitente, enquanto a letra de cmbio vence antecipadamente, em relao aos devedores indiretos tambm, por recusa total ou parcial de aceite (art. 43.1 LUG).

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    CASO CONCRETO: Augusto emitiu uma nota promissria em favor de Bernardo, em 30.04.2006, sem constar a data para pagamento. Em 28.02.2007, o ttulo foi apresentado para pagamento, o qual no foi realizado. A ao executiva, porm, foi intentada somente em 15.01.2010, e o devedor, citado, alegou a prescrio do ttulo. Como juiz da causa, verifique se o prazo para apresentao do ttulo foi respeitado e se realmente ocorreu a prescrio.

    A nota promissria tornou-se ttulo vista por no conter data de vencimento (art. 76, I, LUG). Assim, o ttulo vista deve ser apresentado em at um ano da sua emisso (art. 77 c/c art. 34, LUG) e, aps essa data que comea a correr o prazo prescricional (art. 77 c/c art. 70, I, LUG), por aplicao do art. 78, do mesmo dispositivo legal.

    QUESTO OBJETIVA: Assinale a alternativa que indica quais dos ttulos de crditos abaixo no admitem aceite

    a) Cheque e Nota de Crdito Comercial.

    b) Cheque e Nota Promissria

    c) Duplicata e Letra de Cmbio

    d) Nota Promissria e Duplicata.

    (obs. o cheque no comporta aceite, pois o sacado apenas verifica se h ou no fundos disponveis, enquanto que a nota promissria, ao ser emitida, j representa a aceitao do devedor em pagar)

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    Duplicata (mdulo 11)

    22. Duplicata e a fatura.

    A duplicata ttulo de crdito formal, pois deve conter os requisitos prprios elencados no arts. 1 e 2 da L 5.478/68 (mdulo __ - item __), imprprio, pois no consubstancia operao de crdito (mdulo __ - item __), causal, pois visa documentar o saque pelo vendedor/prestador de servio (mdulo __ - item __), ordem, pois deve conter obrigatoriamente a clusula ordem, como determina art. 2 1 VII L 5.478/68 (mdulo __ - item __), extrado por vendedor ou prestador de servios, objetivando documentar o saque originado pela compra e venda mercantil ou prestao de servios e que tem como pressuposto a extrao de fatura.

    A fatura em si no ttulo de crdito, o que ser ttulo de crdito a duplicata que se extrai da fatura. A fatura a representao de um contrato de compra e venda havido entre um empresrio e outra pessoa. Assim, para haver duplicata deve haver, necessariamente, a emisso de uma fatura. S pode ser emitida duplicata em compra e venda mercantil ou em prestao de servios. No pode ser emitida em negcios civis.

    22.1. Origem da duplicata.

    A duplicata um ttulo de crdito criado pelo direito brasileiro. O Cdigo Comercial, de 1850, impunha ao comerciantes atacadistas a fatura, a relao por escrito das mercadorias entregues. Assim nascia a duplicata como instrumento de poltica fiscal, que controlava a incidncia do imposto do selo. Os comerciantes, ao realizarem operaes de venda, eram obrigados a emitir a duplicata e, ao assin-la, deviam utilizar os selos, adquiridos nas reparties fiscais. O uso da duplicata migrou da poltica fiscal para poltica comercial e se desenvolveu a largos passos pelo quase desuso da letra de cmbio pelo comrcio, e pela elaborao de regulao mais apropriada ao comrcio: L 5.474/68 - lei das duplicatas e DL 436/69.

    22.2. Regulamentao

    A duplicata regulada por lei especfica - L 5.474/68 - e, no que couber, aplica-se o D 57.663/66 LUG, haja vista a semelhana de estrutura entre os dois ttulos e porque o legislador conferiu duplicata as garantias bsicas de endossabilidade e de inoponibilidade de exceo pelo devedor perante o terceiro de boa f.

    22.3. Causalidade da duplicata

    A duplicata um ttulo de crdito causal, eis que s pode ser emitido na ocorrncia de uma hiptese legal a compra e venda (arts. 1 e 2 L 5.474/68), diferente do que ocorre com o cheque e a nota promissria. Se a duplicata for emitida fora dessas hipteses, no tem validade como ttulo de crdito, sendo meramente um documento representativo da dvida. A lei penal, para reprimir o mau uso do ttulo, contempla no art. 172 pena para emisso de duplicata em desacordo com a fatura, tal dispositivo foi includo pelo art. 26 L 5.474/68 - lei das duplicatas.

    Art. 172 CP Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que no corresponda mercadoria vendida, em quantidade ou qualidade, ou ao servio prestado. Pena - deteno, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. Pargrafo nico. Nas mesmas penas incorrer aquele que falsificar ou adulterar a escriturao do Livro de Registro de Duplicatas.

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    A lei no admite a emisso de uma duplicata representativa de mais de uma fatura (art. 2 2 L 5.474/68). Sendo o preo da venda parcelado (art. 2 3 L 5.474/68), ser possvel ao vendedor optar pelo saque de uma nica duplicata, em que se discriminem os diversos vencimentos, ou pela emisso de uma duplicata mercantil para cada parcela, as quais tero o mesmo nmero de ordem, discriminadas, no entanto, pelo acrscimo de uma letra do alfabeto (ex.: NF 3313-A, NF 3313-B).

    22.4. Figuras intervenientes na duplicata

    22.4.1. emitente, que o vendedor ou prestador de servios, e

    22.4.2. sacado, necessariamente o comprador.

    22.5. Natureza Jurdica da duplicata

    pacfico o entendimento doutrinrio de que a duplicata no pode ser considerada um ttulo de crdito prprio, porque no consubstancia operao de crdito. A natureza jurdica da duplicata de um ttulo de crdito imprprio principalmente por ser causal, cuja existncia est intrinsecamente ligada extrao da fatura. Sem compra e venda mercantil ou prestao de servios no existe duplicata.No ttulo cambirio, pois sua criao precpua no foi para circular. ttulo assemelhvel aos ttulos de crdito para fim de circulao por endosso. A legislao sobre emisso e pagamento das letras de cmbio s se aplica, subsidiariamente duplicata, no que couber (art. 25 L 5.474/68).

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    A dinmica de uso da duplicata est dividida em quatro fases: emisso (22.6), remessa (22.7), aceite (22.8), e devoluo (22.9):

    22.6. Emisso da duplicata:

    Como vimos a fatura a representao de um contrato de compra e venda ou de prestao de servios havido entre um empresrio e outra pessoa, empresria ou no, mas ressaltando que a fatura no pode ser emitida em negcios civis. No caso de compra e venda, se o lapso temporal entre a entrega da mercadoria e o pagamento, seja superior ou igual a 30 dias a emisso, ser obrigatria a emisso da fatura (art. 1 L 5.474/68), caso contrrio ser facultativa (art. 3, 2 L 5.474/68). No caso de prestao de servios a emisso ser sempre facultativa (art. 20 L 5.474/68), posto que a legislao no faz meno sobre tais prazos.

    Da fatura extrai-se a duplicata. Em todos os casos anteriores, se o credor quiser circular o crdito ter de emitir a duplicata para documentar o crdito do vendedor em relao ao comprador e torn-lo indiscutvel, lquido, certo e exequvel judicialmente.

    Art. 1 L 5.474/68. Em todo o contrato de compra e venda mercantil entre partes domiciliadas no territrio brasileiro, com prazo no inferior a 30 (trinta) dias, contado da data da entrega ou despacho das mercadorias, o vendedor extrair a respectiva fatura para apresentao ao comprador. 1 A fatura discriminar as mercadorias vendidas ou, quando convier ao vendedor, indicar somente os nmeros e valores das notas parciais expedidas por ocasio das vendas, despachos ou entregas das mercadorias.

    Art. 20 L 5.474/68. As empresas, individuais ou coletivas, fundaes ou sociedades civis, que se dediquem prestao de servios, podero, tambm, na forma desta lei, emitir fatura e duplicata.

    Art. 3 L 5.474/68. A duplicata indicar sempre o valor total da fatura, ainda que o comprador tenha direito a qualquer rebate, mencionando o vendedor o valor lquido que o comprador dever reconhecer como obrigao de pagar. 1 No se incluiro no valor total da duplicata os abatimentos de preos das mercadorias feitas pelo vendedor at o ato do faturamento, desde que constem da fatura. 2 A venda mercantil para pagamento contra a entrega da mercadoria ou do conhecimento de transporte, sejam ou no da mesma praa vendedor e comprador, ou para pagamento em prazo inferior a 30 (trinta) dias, contado da entrega ou despacho das mercadorias, poder representar-se, tambm, por duplicata, em que se declarar que o pagamento ser feito nessas condies.

    22.6.1. Requisitos para emisso da duplicata

    Na duplicata, diferentemente da letra de cmbio, cheque e nota promissria, no existem os requisitos suprveis (art. 2, 1 L 5.474/68), porm permite-se a insero no ttulo de clusulas adicionais (art. 24 L 5.474/68) desde que no afetem a sua caracterstica de documentar o saque pelo vendedor da importncia faturada ao comprador ou do saque pelo prestador de servios pela importncia faturada a seu beneficirio. Ento vejamos:

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    a) deve constar a denominao duplicata, por se tratar de clusula cambiria

    b) a data de sua emisso: objetiva informar se o ttulo foi extrado dentro do prazo legal.

    c) nmero da fatura: a duplicata ttulo causal e s poder ser extrada em decorrncia de fatura que comprove a compra e venda mercantil ou a prestao de servios. A duplicata tem sua origem na fatura sem ser, no entanto, sua cpia ou reproduo.

    d) nmero de ordem: serve para determinar a quantidade de ttulos semelhantes extrados pelo vendedor e para diferenci-lo dos demais ttulos. Assim, toda fatura deve conter um nmero que vai individualizar aquele documento. Esse nmero deve ser repetido na duplicata, para vincular a duplicata fatura.

    e) poca do vencimento ou a declarao de que vista, quando o for: sendo ttulo causal, a duplicata s pode ter vencimento com data certa ou vista, no se admitindo, portanto, vencimento a tempo certo de data ou a tempo certo de vista

    f) nome e domiclio do vendedor e do comprador: visam a identificar as partes da compra e venda mercantil devendo o vendedor ser comerciante, mas o comprador pode ser ou no, sem que o documento deixe de ter natureza mercantil.

    g) importncia a pagar, em algarismos e por extenso: a duplicata s pode ser expressa em moeda nacional, sob pena de nulidade, ainda mais que o vendedor e o comprador devem ser domiciliados no Brasil.

    h) local do pagamento: visa identificar a cidade onde a duplicata dever ser paga e que normalmente corresponde ao domiclio do comprador. Mas isto pode ser convencionado entre as partes.

    i) clusula ordem: clusula importante para a transmisso da duplicata por endosso, porque a L 5.474/68 no contm regra equivalente art. 11.1 da LUG, pela qual a cambial transmissvel por endosso mesmo que no envolva a clusula ordem.

    j) declarao do reconhecimento de sua exatido e da obrigao de pag-la, a ser assinada pelo comprador, como aceite cambial considerando que a duplicata ttulo causal, este requisito visa dao de aceite pelo sacado da duplicata e ao mencionar que a declarao do reconhecimento da exatido da duplicata e da obrigao de pag-la deve ser assinada pelo comprador, como aceite cambial, torna obrigatrio o aceite na duplicata, diferente do que ocorre com a letra de cmbio, em que o aceite ato facultativo.

    k) assinatura do emitente a duplicata nasce com o ato cambirio do saque pelo vendedor ou prestador de servios. O saque corresponde a uma declarao cambiria originria, porque a primeira manifestao de vontade que se consubstancia no ttulo, dando vida duplicata.

    Art. 24 L 5.474/68. Da duplicata podero constar outras indicaes, desde que no alterem sua feio caracterstica.

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    22.7. Remessa da duplicata para cobrana

    Depois de emitida, a duplicata deve ser remetida ao comprador/devedor, no prazo de 30 dias, contado da data de sua emisso (prprio credor) ou de 10 dias contados da data de seu recebimento na praa de pagamento (instituio financeira), para que possa esse conferir os dados que constem do ttulo, o que configurar a duplicata como papel indiscutvel e exequvel.

    Art. 6 L 5.474/68. A remessa de duplicata poder ser feita diretamente pelo vendedor ou por seus representantes, por intermdio de instituies financeiras, procuradores ou, correspondentes que se incumbam de apresent-la ao comprador na praa ou no lugar de seu estabelecimento, podendo os intermedirios devolv-la, depois de assinada, ou conserv-la em seu poder at o momento do resgate, segundo as instrues de quem lhes cometeu o encargo.

    1 O prazo para remessa da duplicata ser de 30 (trinta) dias, contado da data de sua emisso.

    2 Se a remessa for feita por intermdio de representantes instituies financeiras, procuradores ou correspondentes stes devero apresentar o ttulo, ao comprador dentro de 10 (dez) dias, contados da data de seu recebimento na praa de pagamento

    22.8. Aceite da duplicata.

    Emitida e remetida ao devedor/comprador, resta o devedor dar o aceite no ttulo, que, como tambm j vimos (mdulo __ - item __), representa a aceitao de que devedor de obrigao constante no ttulo. Podem ser subdivididas em aceite ordinrio, por comunicao e por presuno:

    a) aceite ordinrio: resulta da assinatura do comprador aposta no local apropriado da duplicata (art. 7 caput L 5.474/68). O CMN aponta o canto inferior esquerdo do ttulo. Entretanto se a duplicata emitida por meio eletrnico (mdulo __ - item __, o aceite no materializvel por mera "assinatura de prprio punho".

    b) aceite por comunicao: resulta da comunicao, por escrito, ao vendedor, de seu aceite, quando da reteno da duplicata pelo comprador, devidamente autorizado pela instituio bancria cobradora (art. 7, 1 L 5.474/68). Est quase em total desuso, pela inclinao do comrcio a utilizao quase exclusiva de meios eletrnicos de registro de crdito.

    c) aceite por presuno: resulta do recebimento da mercadoria, com ou sem devoluo do ttulo ao vendedor, sem qualquer recusa formal. O comprovante de recebimento ("canhoto" da nota fiscal) devidamente assinado a forma mais comum.

    Art. 7 L 5.474/68. A duplicata, quando no for vista, dever ser devolvida pelo comprador ao apresentante dentro do prazo de 10 (dez) dias, contado da data de sua apresentao, devidamente assinada ou acompanhada de declarao, por escrito, contendo as razes da falta do aceite.

    1 Havendo expressa concordncia da instituio financeira cobradora, o sacado poder reter a duplicata em seu poder at a data do vencimento, desde que comunique, por escrito, apresentante o aceite e a reteno.

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    22.8.1. Recusa do aceite da duplicata.

    O aceite da duplicata obrigatrio, mas no irrecusvel. Pode haver a recusa do aceite quando houver avaria ou no recebimento das mercadorias, quando no expedidas ou no entregues por conta e risco do comprador; quando houver vcios, defeitos e diferenas na qualidade ou na quantidade das mercadorias, devidamente comprovados; ou ainda quando houver divergncia nos prazos ou preos ajustados, conforme rol do art. 8 L 5.474/68.

    H divergncia doutrinria se esse rol ou no taxativo, mas majoritariamente se entende que taxativa, no exemplificativa, mas com a evoluo das tecnologias tanto pelo vis do registro, como pelas transaes, cabe acompanharmos as oscilaes dos entendimentos jurisprudenciais.

    Art. 8 L 5.474/68. O comprador s poder deixar de aceitar a duplicata por motivo de: I - avaria ou no recebimento das mercadorias, quando no expedidas ou no entregues por sua conta e risco; II - vcios, defeitos e diferenas na qualidade ou na quantidade das mercadorias, devidamente comprovados; III- divergncia nos prazos ou nos preos ajustados.

    22.8.2. Suprimento do aceite da duplicata

    A aceite pode ser suprido, no caso de recusa, nas seguintes situaes:

    a) Se o sacado declarar, por escrito, a reteno da duplicata, com consentimento do credor/sacador. Esse documento (declarao por escrito) supre o aceite que no foi dado. Esse entendimento se d pela leitura reversa do art. 7 caput L 5.474/68.

    b) Se a duplica for protestada por falta de aceite, podendo o sacado, caso se oponha, ajuizar as medidas cabveis, como o cancelamento ou sustao do aceite. (art. 15 L 5.474/68).

    c) Se a duplicata for protestada por indicao, quando da falta de restituio do ttulo ao vendedor (art. 15, 2 L 5.474/68)

    Art. 15 L 5.474/68. A cobrana judicial de duplicata ou triplicata ser efetuada de conformidade com o processo aplicvel aos ttulos executivos extrajudiciais (...) 2 quando o comprador no restituiu o ttulo ao vendedor, o protesto pode ser feito por indicaes do credor fornecidas ao cartrio de protesto. Neste caso permitido o Exerccio de direito cambirio sem a posse do ttulo, eis que prescinde de exibio da crtula.

    22.9. Devoluo da duplicata aps aceite

    Passada emisso, a remessa e o aceite, o prximo passa a devoluo do ttulo ao credor. Temos duas situaes dessa ocorrncia: a) feito o aceite de duplicata, cuja pagamento no vista, o devedor/comprador dever devolv-la ao representante, no prazo de 10 dias da data de sua apresentao (art. 7 caput L 5.474/68); e b) no feito o aceite na duplicata, o devedor/comprador dever devolv-la ao apresentante, no mesmo prazo, acompanhado de declarao, por escrito, das razes da falta do aceite (art. 8 L 5.474/68)

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    22.9.1 Reteno da duplicata pelo sacado

    A devoluo da duplicata obrigatria, mas no irrecusvel. Havendo concordncia expressa da instituio financeira cobradora, o sacado poder reter a duplicata em seu poder at a data de seu vencimento, desde que comunique, por escrito, apresentante, que promoveu o aceite da duplicata e pretende ret-la at a sua liquidao (art. 7 caput L 5.474/68). Esta declarao substituir a duplicata no ato do protesto ou na execuo judicial, nos casos em que esses procedimentos se faam necessrios (mdulo __ - item 22.8.2.a)

    22.10. Endosso da duplicata

    A duplicata emitida com clusula ordem conforme determina o art. 2 1 VII L 5.474/68 (mdulo __ - item __), o que significa que transmissvel via endosso. Aplica-se todas as regras do endosso j vistas na letra de cmbio, inclusive com a colocao da clusula no ordem, quando ento ser apenas transferida mediante cesso de crdito. Entretanto a doutrina majoritria entende que no cabe nenhum endosso com clusula sem garantia na duplicata, por fora do art. 18 2 L 5.474/68.

    22.11. Aval da duplicata

    Do mesmo modo que o endosso (mdulo ___ - item __), tambm cabe o uso do aval nas duplicatas (art. 12 L 5.474/68).

    a) aval em preto: est expressamente indicado quem o avalizado;

    b) aval em branco: no est expressamente indicado quem ser o avalizado, prestado em favor daquele cuja assinatura estiver acima da do avalista, ou, se inexistir uma assinatura assim situada, em favor do comprador /sacado.

    c) aval pstumo: dado posteriormente ao vencimento do ttulo, que pode tambm ser levado a protesto, tendo o mesmo efeito do que o aval prestado anteriormente.

    Art. 12 L 5.474/68. O pagamento da duplicata poder ser assegurado por aval, sendo o avalista equiparado quele cujo nome indicar; na falta da indicao, quele abaixo de cuja firma lanar a sua; fora desses casos, ao comprador. Pargrafo nico. O aval dado posteriormente ao vencimento do ttulo produzir os mesmos efeitos que o prestado anteriormente quela ocorrncia.

    22.12. Protesto da duplicata

    (vide aula de protesto)

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    22.13. Triplicata

    No caso de protesto pode ser retirada uma triplicata, ou seja, uma segunda via da duplicata, para que ela seja levada a execuo (art. 23 L 5.474/68). Essa segunda via, ento, serve para protesto e para sua execuo. Como j no houve o aceite anteriormente, pode ser feito o protesto diretamente.

    Art. 23 L 5.474/68. A perda ou extravio da duplicata obrigar o vendedor a extrair triplicata, que ter os mesmos efeitos e requisitos e obedecer s mesmas formalidades daquela.

    22.14. Duplicata "virtual"

    Com avano das novas tecnologias, as duplicatas virtuais encontraram respaldo legal no art. 8, pu L 9.492/97 - lei dos protesto, e no art. 889, pargrafo 3 CC. Quando o contrato de compra e venda ou de prestao de servio concretizado, o vendedor envia, pela internet, a uma instituio financeira os dados referentes ao negcio realizado. A instituio financeira, tambm pela internet, encaminha um boleto bancrio, ao comprador ou tomador de servio, para que pague a compra/servio. Esse boleto no um ttulo de crdito ele contm as caractersticas da duplicata virtual.

    Art. 8 L 9.492/97. Os ttulos e documentos de dvida sero recepcionados, distribudos e entregues na mesma data aos Tabelionatos de Protesto, obedecidos os critrios de quantidade e qualidade. Pargrafo nico. Podero ser recepcionadas as indicaes a protestos das Duplicatas Mercantis e de Prestao de Servios, por meio magntico ou de gravao eletrnica de dados, sendo de inteira responsabilidade do apresentante os dados fornecidos, ficando a cargo dos Tabelionatos a mera instrumentalizao das mesmas.

    Art. 889 CC. Deve o ttulo de crdito conter a data da emisso, a indicao precisa dos direitos que confere, e a assinatura do emitente. (...) 3 O ttulo poder ser emitido a partir dos caracteres criados em computador ou meio tcnico equivalente e que constem da escriturao do emitente, observados os requisitos mnimos previstos neste artigo.

    22.15. Ao cambial para duplicatas

    A execuo de um cheque, letra de cmbio ou nota promissria, basta a crtula, entretanto no caso da uma duplicata h necessidade da execuo estar aparelhada de documentos especficos, dependendo do tipo de aceite da duplicata (mdulo 11 - item 22.8)

    a) Se for uma execuo de duplicata com aceite ordinrio, basta a juntada do ttulo. O protesto apenas ser necessrio quando for para executar um coobrigado, e facultativo quanto ao devedor principal.

    b) Se for uma execuo de duplicata com aceite por comunicao, deve ser juntada aos autos a comunicao que foi enviada ao comprador, relativa ao aceite.

    c) Se for uma execuo de duplicata com aceite por presuno, ter que ser juntado o instrumento de protesto e tambm o comprovante da entrega da mercadoria. Esses requisitos so condies da ao. Se faltar essa documentao na execuo, ela ser anulada.

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    22.15.1. Prazo de prescrio da ao cambial.

    Os prazos de prescrio da ao cambial esto previstos no art. 18 L 5.474/68, dependendo de quem o ru da ao, e, resumidamente, so

    a) contra o sacado e seu avalista prescreve em trs anos, contados da data do vencimento do ttulo.

    b) contra o endossante e seus avalistas, prescreve em um ano, contados da data do protesto.

    c) contra os coobrigados (entre si - direito de regresso) prescreve em um ano, contado da data do pagamento do ttulo.

    Aps o vencimento desses prazos, h ainda outras possibilidade, mas no so aes cambiais: (i) mais trs anos para ajuizar ao de enriquecimento ilcito e, passado esse prazo, (ii) mais cinco anos para ajuizar ao monitria.

    22.16. Duplicata e letra de cmbio: semelhana e diferenas

    22.16.1. Semelhanas estruturais entre a duplicata e a letra de cmbio.

    a) existncia do ato cambirio do aceite, como declarao cambiria sucessiva;

    b) os ttulos originam-se do ato cambirio do saque, como declarao cambiria originria e necessria, resultando ordem de pagamento vista ou tempo certo, dada pelo sacador ao sacado e assim, a ausncia da assinatura do sacador implica na no existncia do documento.

    22.16.2. Diferenas entre a duplicata e a letra de cmbio.

    a) a letra de cmbio ttulo de crdito prprio e abstrato, mas a duplicata ttulo imprprio e causal;

    b) Na letra de cmbio o aceite facultativo, pode ser recusado e s pode ser dado expressamente. Na duplicata, o aceite obrigatrio, porque s pode ser recusado com base em uma das razes do art. 8 L 5.474/68 (mdulo __ - item 22.8.1) e admite sua configurao tacitamente (mdulo __ - item 22.8.c).

    c) Na letra de cmbio o beneficirio ou tomador pode ser o sacador ou terceiro mas na duplicata o beneficirio s pode ser o sacador por se tratar de ttulo causal.

    d) A letra de cmbio nasce da declarao cambiria manifestada por devedor indireto (sacador), na duplicata o sacador no se torna devedor ao praticar o ato cambirio do saque, porque s integrar a relao cambiria como devedor indireto se coloca-la em circulao mediante endosso.

    e) A letra de cmbio comporta trs figuras jurdicas distintas, ou seja, sacador, sacado e tomador. mas a duplicata s existem duas figuras sacador e sacado.

    f) A letra de cmbio pode ter vencimento vista, com data certa, a tempo certo de data e a tempo certo de vista. Entretanto, a duplicata s admite vencimento vista ou com data certa.

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    CASO CONCRETO: Augusto, empresrio do ramos de peas de automveis, emitiu duplicata em face de seu Bernardo, pessoa fsica que comprou uma pea para uso prprio. Face falta de aceite e a inadimplncia de Bernardo, Augusto ingressou com ao executiva e, em defesa, foi alegado que o ttulo foi emitido em operao estranha ao permissivo legal, portanto, indevida a ao executiva.

    a) Em que casos so admissveis a falta de aceite de uma duplicata?

    Na duplicata de venda, o aceite obrigatrio, salvo nos casos do art. 8, da Lei n. 5.474/68.

    b) A alegao de Bernardo procede?

    Dever ser procedente, tendo em vista que duplicata um ttulo de crdito causal e uma das causas previstas em lei para sua emisso a compra e venda mercantil, aquela realizada para revenda com intuito lucrativo, o que no ocorreu no caso em tela.

    QUESTO OBJETIVA: Sobre a duplicata de prestao de servios pode-se afirmar:

    a) somente pode ser emitida por sociedades comerciais que prestem servios;

    b) constitui documento hbil para a transcrio do instrumento de protesto a efetiva prestao dos servios e o vnculo contratual que a autorizou;

    c) constitui documento hbil para a transcrio do instrumento de protesto somente a prestao dos servios;

    d) a fatura dever discriminar somente o valor dos servios prestados

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    Cheque (mdulos 12 e 13)

    23.1. Origem do cheque

    Na Idade Mdia, grandes bancos de depsitos italianos encarregados da guarda de grandes quantias em valores comerciais que poderiam ser mobilizados a qualquer momento atravs de ordens de pagamentos de seus depositantes, utilizando-se de instrumentos denominado certificados, e se difundiu na Inglaterra e Frana, tomando corpo como ttulo de crdito, como conhecemos hoje, como ferramenta moderna que corresponde como a) meio de pagamento a vista; b) instrumento de compensao de dbitos e crditos; bem como c) instrumento de comprovao de pagamento.

    23.2. Conceito de cheque

    Cheque uma ordem de pagamento vista emitida por uma pessoa (emitente ou sacador) contra um banco (sacado), para que este pague uma determinada quantia em dinheiro a uma pessoa (beneficirio ou tomador), dada com base em suficiente proviso de fundos ou decorrente de contrato de abertura de crdito disponveis em banco ou instituio financeira equiparada.

    23.3 Classificao do cheque

    Assim como a letra de cmbio, o cheque uma ordem de pagamento (mdulo __ - item __), porm apenas vista, com total proviso de fundos. documento literal e abstrato. Endossado o cheque a terceiro de boa-fe, eventuais questes ligadas a causa debendi originria no podem ser manifestadas contra terceiro legitimo portador do titulo (principio da inoponibilidade - mdulo __ - item __). um ttulo no causal, pois no necessrio que se prove um negcio jurdico subjacente para sua emisso.

    O cheque de modelo vinculado, s ter validade se for, necessariamente, expedido pelo sacado, um banco, que segue um modelo padro, com a mesma disposio de caracteres, mesmo tamanho (17,5cm x 8cm), e por deliberao do Banco Central do Brasil, atravs do Conselho Monetrio impondo o sistema de caracteres magnticos codificados em sete barras (CMC-7) na sua extremidade inferior, em toda a sua extenso, cuja a medida, de forma rigorosa de 16mm por 175mm.

    22.4. Figuras intervenientes no cheque

    O cheque uma ordem de pagamento, em que h trs figuras intervenientes: sacador, sacado, tomador/beneficirio.

    22.4.1. emitente ou passador ou sacador: (i) quem emite, passa ou saca a ordem o cheque; (ii) devedor principal de um cheque; (iii) quem se obriga com o beneficirio e (iv) quem realizou um contrato de depsito, de conta-corrente ou de abertura de crdito, com a instituio financeira

    22.4.2. sacado: , necessariamente, uma instituio financeira

    , nunca um particular, em

    poder do qual se acham os fundos, e que deve efetuar o pagamento;

    22.4.3. beneficirio ou tomador ou portador: aquele que est de posse do cheque. Presume-se que a posse do cheque torna a pessoa credora, beneficiria do sacador. Sendo uma ordem de pagamento, a pessoa no obrigada a receber o cheque, entretanto, se um estabelecimento comercial recusando o cheque, deve fazer uma explicao clara para o no recebimento (Cdigo de Defesa do Consumidor).

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    23.5. Legislao aplicada ao cheque

    A legislao que disciplina o cheque L 7.357/85 (Lei do cheque), entretanto o legislador somente pode dispor da matria no contemplada pela LUG, mais precisamente pelo Decreto 57.595/66. Temos ainda, como outras diretrizes, as resolues do BACEN.

    23.6. Natureza jurdica do cheque

    A doutrina diverge quanto a natureza jurdica do cheque, faremos, ento, apresentao delas:

    1 corrente: entende que o cheque no um ttulo de crdito por no existir o elemento crdito, sendo apenas um ttulo de pagamento vista, portanto de vida breve extinguindo-se quando do seu pagamento pelo banco (Pontes de Miranda).

    2 corrente: classifica o cheque como ttulo de crdito imprprio, posto que necessita de proviso de fundos pelo emitente, descaracterizando como crdito em abstrato (Fran Martins).

    3 corrente: caracteriza o cheque como ttulo de crdito, mesmo quando no circula, desde que emitido em favor de terceiros (Fabio Ulhoa e entendimento majoritrio)

    23.7. Requisitos para emisso de cheque

    23.7.1. requisitos essenciais do cheque esto relacionados no art. 1 L 7.357/85

    a) denominao cheque inscrita no texto do ttulo;

    b) ordem incondicional de pagar quantia determinada (em cifra e por extenso) obrigao pura e simples (no admite-se condio ou encargo). Mesmo o cheque no possuindo fundos, no ser desnaturado como ttulo de crdito. Deve haver indicao numrica e por extenso do valor, havendo divergncia entre ambos, prevalece o que est por extenso (art. 12 L 7.357/85).

    c) nome do sacado: identificao do banco ou instituio financeira que deve pagar;

    d) lugar do pagamento (em geral consta no cheque o endereo do sacado).

    e) data da emisso (em geral a lei no exige que se coloque o ms por extenso).

    f) nome do emitente (sacador) com identificao (RG e CPF)

    g) assinatura do emitente (sacador), ou de seu mandatrio com poderes especiais.

    23.7.2. requisito no essencial do cheque o local da emisso, que pode ficar em branco, presumindo-se, ento, que seja o endereo do sacado (art. 2 II L 7.357/85). Benef.

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    23.8. Espcies de cheque

    23.8.1. Quanto circulao:

    a) cheque ao portador (permitido para cheques com valores de at R$ 100,00 (art. 2, III L 8.021/90 cc art. 69 L 9.069/95);

    b) cheque nominativo (obrigatrio para cheques com valores acima de R$ 100,00):

    b.1) cheque nominativo no ordem

    b.2) cheque nominativo ordem

    Art. 2 Lei 8.021/1990 - plano Collor. A partir da data de publicao desta lei fica vedada: III - a emisso de cheque de valor superior ao equivalente a cem Bnus do Tesouro Nacional (BTN) no ms da emisso, sem a identificao do beneficirio.

    Art. 69 L 9.069/95 - plano Real. A partir de 1 de julho de 1994, fica vedada a emisso, pagamento e compensao de cheque de valor superior a R$ 100,00 (cem reais), sem identificao do beneficirio.

    23.8.2. Quanto forma:

    a) cheque visado: aquele em que o banco sacado lana no cheque uma declarao de suficincia de fundos (art. 7 L 7.357/85), a pedido do emitente ou do portador legitimado, ficando, banco sacado, obrigado a compens-lo. Para tanto o banco sacado reserva, da conta corrente do sacador, em benefcio do credor, quantia equivalente ao valor do cheque, durante o prazo de apresentao (art. 7 1 2 L 7.357/85). Ressalta-se que no se trata de aceite pelo banco, posto que no implica de nenhuma obrigao cambial pelo banco, nem mesmo exora o emitente e eventuais codevedores de responsabilidade pelo se pagamento.

    Art. 7 L 7.357/85. Pode o sacado, a pedido do emitente ou do portador legitimado, lanar e assinar, no verso do cheque no ao portador e ainda no endossado, visto, certificao ou outra declarao equivalente, datada e por quantia igual indicada no ttulo. 1 A aposio de visto, certificao ou outra declarao equivalente obriga o sacado a debitar conta do emitente a quantia indicada no cheque e a reserv-la em benefcio do portador legitimado, durante o prazo de apresentao, sem que fiquem exonerados o emitente, endossantes e demais coobrigados. 2 - O sacado creditar conta do emitente a quantia reservada, uma vez vencido o prazo de apresentao; e, antes disso, se o cheque lhe for entregue para inutilizao.

    b) cheque administrativo ou bancrio ou tesouraria: aquele emitido pelo prprio banco/sacado contra ele mesmo, para ser liquidado em uma de suas agncias (art. 9 III L 7.357/85).

    Art. 9 L 7.357/85. O cheque pode ser emitido: I - ordem do prprio sacador; II - por conta de terceiro; III - contra o prprio banco sacador, desde que no ao portador.

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    Sua utilizao mais corriqueira est em duas situaes:

    b.1) para troca ou transporte de moeda estrangeira - travellers check. nesse procedimento a pessoa 'compra' um cheque do banco de um pas e, ao chegar no pas de destino, faz a troca por dinheiro local.

    b.2) para o pagamento do ttulo em cartrio: em regra, exige-se o cheque administrativo (item 25.1. das Normas de Servio da Corregedoria Geral da Justia), eis que d certeza de que ter fundos (art. 19 3 L 9.492/97 - lei de protesto), s no pode ser exigido para as micro e pequenas empresas (art. 73, II LC 123/06 - estatuto da micro pequena empresa)

    25.1. NS GGJ. O interessado poder fazer o pagamento [do protesto] de trs formas: em dinheiro, mediante cheque (visado e cruzado ou administrativo) ou, ainda, por meio eletrnico on line (Sistema SELTEC - Sistema Eletrnico de Liquidao de Ttulos em Cartrio - mantido pelas instituies bancrias).

    Art. 19 L 9.492/97. O pagamento do ttulo ou do documento de dvida apresentado para protesto ser feito diretamente no Tabelionato competente, no valor igual ao declarado pelo apresentante, acrescido dos emolumentos e demais despesas. 3 Quando for adotado sistema de recebimento do pagamento por meio de cheque, ainda que de emisso de estabelecimento bancrio, a quitao dada pelo Tabelionato fica condicionada efetiva liquidao.

    Art. 73 LC 123/06. O protesto de ttulo, quando o devedor for microempresrio ou empresa de pequeno porte, sujeito s seguintes condies: II - para o pagamento do ttulo em cartrio, no poder ser exigido cheque de emisso de estabelecimento bancrio, mas, feito o pagamento por meio de cheque, de emisso de estabelecimento bancrio ou no, a quitao dada pelo tabelionato de protesto ser condicionada efetiva liquidao do cheque;

    c) cheque cruzado: aquele que se caracteriza pela aposio de dois traos transversais no anverso (frente) do ttulo e possibilita, a qualquer tempo, a identificao da pessoa em favor de quem foi liquidado, ou seja, impede que seja sacado em dinheiro no caixa do banco, como se houve inserido uma clusula do tipo "vlido somente para depsito na conta do favorecido" (art. 44 e 45 L 7.357/85). Apresentam-se em duas submodalidades:

    c.1) cruzado em preto ou cruzado especial: entre os traos est expressamente indicado o banco que deve ser depositado (art. 44 2 L 7.357/85).

    c.2) cruzado em branco ou cruzado geral: nessa modalidade no se indica o banco a ser liquidado, mas faz-se o cruzamento do cheque (art. 44 1 L 7.357/85)

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    Art. 44 L 7.357/85. O emitente ou o portador podem cruzar o cheque, mediante a aposio de dois traos paralelos no anverso do ttulo. 1 O cruzamento geral se entre os dois traos no houver nenhuma indicao ou existir apenas a indicao banco, ou outra equivalente. O cruzamento especial se entre os dois traos existir a indicao do nome do banco.

    Art. 45 L 7.357/85. O cheque com cruzamento geral s pode ser pago pelo sacado a banco ou a cliente do sacado, mediante crdito em conta. o cheque com cruzamento especial s pode ser pago pelo sacado ao banco indicado, ou, se este for o sacado, a cliente seu, mediante crdito em conta. pode, entretanto, o banco designado incumbir outro da cobrana. 1 O banco s pode adquirir cheque cruzado de cliente seu ou de outro banco. s pode cobr-lo por conta de tais pessoas. 2 O cheque com vrios cruzamentos especiais s pode ser pago pelo sacado no caso de dois cruzamentos, um dos quais para cobrana por cmara de compensao. 3 Responde pelo dano, at a concorrncia do montante do cheque, o sacado ou o banco portador que no observar as disposies precedentes.

    d) cheque para ser creditado em conta: aquele cheque que no pode ser pago em dinheiro, devendo ser creditado em conta do beneficirio. Visa impedir no s a sua liquidao em dinheiro, mas tambm a transferncia de beneficirio, pois o banco somente pode efetuar o depsito na conta do favorecido pelo cheque.

    Tem o mesmo objetivo que o cheque cruzado, s que no necessita apor as linhas transversais, mas a aposio de uma clusula expressa contendo apenas pode ser depositado por" ou ainda "na conta de. Nesse caso, est implcito que no h possibilidade de endosso.

    Art. 46 L 7.357/85. O emitente ou o portador podem proibir que o cheque seja pago em dinheiro mediante a inscrio transversal, no anverso do ttulo, da clusula para ser creditado em conta, ou outra equivalente. Nesse caso, o sacado s pode proceder a lanamento contbil (crdito em conta, transferncia ou compensao), que vale como pagamento. O depsito do cheque em conta de seu beneficirio dispensa o respectivo endosso.

    23.9. Endosso do cheque

    O cheque pagvel a pessoa nomeada e vista, podendo ser negociado e possa circular, por meio de endosso, bastando assinatura do beneficirio no verso se tornando o endossante, a simplicidade do procedimento deve entretanto acompanhar regras especficas determinadas pela L 7.357/85:

    a) o cheque pagvel a pessoa nomeada, com a clusula "no ordem", ou outra equivalente, s transmissvel pela forma e com os efeitos de cesso;

    b) o endosso pode ser feito ao emitente, ou a outro obrigado, que podem novamente endossar o cheque;

    c) o endosso ao portador vale como endosso em branco.

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    d) o endosso deve ser lanado no cheque ou na folha de alongamento e assinado pelo endossante ou seu mandatrio com poderes especiais.

    e) o endossante garante o pagamento, salvo se tiver estipulao em contrario, podendo ele proibir novo endosso neste caso no garante o pagamento a quem o cheque seja endossado posteriormente.

    f) o endosso posterior ao protesto, ou declarao equivalente, ou expirao do prazo de apresentao produz apenas os efeitos de cesso, entretanto, salvo prova em contrrio, o endosso sem data presume-se anterior ao protesto, ou declarao equivalente, ou expirao do prazo de apresentao.

    g) endosso no pode ser parcial e nem do sacado (banco): O endosso deve ser puro e simples, no podendo ficar subordinado nenhuma condio, bem no pode ser parcial, considerado nulo (art. 18 1 L 7.357/85)

    Art. 18 L 7.357/85. O endosso deve ser puro e simples, reputando-se no-escrita qualquer condio a que seja subordinado. 1 So nulos o endosso parcial e o do sacado.

    23.10. Pagamento parcial do cheque

    Pode ocorrer o pagamento parcial do cheque, no podendo o portador recusar este pagamento de acordo com art. 38 pu L 7.357/85 - Lei do cheque;

    Art. 38 L 7.357/85. O sacado pode exigir, ao pagar o cheque, que este lhe seja entregue quitado pelo portador. Pargrafo nico. O portador no pode recusar pagamento parcial, e, nesse caso, o sacado pode exigir que esse pagamento conste do cheque e que o portador lhe d a respectiva quitao.

    23.11. Cheque ps-datado

    O cheque, como vimos, uma ordem de pagamento vista. A obrigatoriedade de depsito em data posterior sua emisso considera invlida, ou no escrita (art. 32 L 7.357/85), entretanto uma prtica comercial muito difundida no Brasil, sobretudo pelas limitaes de crdito impostas por planos econmicos e altas taxas de juros, que impediam o acesso a outras modalidade de transaes, como, por exemplo, o carto de crdito.

    Sendo ento um procedimento comercial aceito, tanto pelo comprador, como pelo vendedor, temos uma situao que deve ser protegido pelo direito, como uma conveno entre as partes numa relao cambial. Assim depsito de um cheque ps-datado implica em indenizao ao emitente do cheque, no caso de devoluo do ttulo por falta de proviso de fundo, sendo que h uma smula do STJ sobre o tema:

    Smula 370 do STJ Caracteriza dano moral a apresentao antecipada do cheque pr-datado

    23.12. Sustao do cheque

    A lei prev duas hipteses em que o sacador emite uma ordem ao sacado proibindo a compensao do cheque (sustao): a oposio e a contra-ordem

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    23.12.1. por contra-ordem ou por revogao: trata-se de ato exclusivo do emitente do cheque. Gera efeitos apenas aps o trmino do prazo de apresentao e, caso o cheque no tenha sido, ainda liquidado. Exige-se uma ordem por escrito. Pode-se comunicar ao banco, simplesmente, que est revogando um cheque emitido, por qualquer motivo. A revogao um direito potestativo, ou seja, pode ser exercido sem que haja necessidade de justificar a atitude (art. 35 L 7.357/85).

    23.12.2. por oposio: trata-se do mesmo mtodo da revogao, entretanto h uma justificativa e produo de efeitos a partir da cientificao do banco sacado, desde que anterior liquidao do ttulo. Pode ser feita, por exemplo, quando o cheque foi extraviado, furtado, etc. (art. 36 L 7.357/85). Ao banco s cabe fazer a sustao sem fazer juzo de valor ou exigir documentos que "comprovem" o motivo (art. 36 2 L 7.357/85).

    O alerta de que a sustao, seja por revogao ou por oposio, pode configurar crime de estelionato, se o emitente ou portador presumivelmente legitimado agirem dolosa e fraudulentamente, provocando dano ao portador do cheque.

    Art. 35 L 7.357/85. O emitente do cheque pagvel no Brasil pode revog-lo, merc de contra-ordem dada por aviso epistolar, ou por via judicial ou extrajudicial, com as razes motivadoras do ato. Pargrafo nico - A revogao ou contra-ordem s produz efeito depois de expirado o prazo de apresentao e, no sendo promovida, pode o sacado pagar o cheque at que decorra o prazo de prescrio, nos termos do art. 59 desta Lei.

    Art. 36 L 7.357/85. Mesmo durante o prazo de apresentao, o emitente e o portador legitimado podem fazer sustar o pagamento, manifestando ao sacado, por escrito, oposio fundada em relevante razo de direito. 1 A oposio do emitente e a revogao ou contra-ordem se excluem reciprocamente. 2 No cabe ao sacado julgar da relevncia da razo invocada pelo oponente.

    23.13. Prazos para apresentao do cheque

    O prazo para apresentao o lapso temporal para que o cheque seja pago/depositado junto a instituio financeira, servindo para indicar o perodo a ser observado para garantir o direito de executar os co-devedores (art. 33 L 7.357/85). Se for apresentado fora do prazo, se houver fundos e no estiver prescrito, deve ser pago, exceto se passado o prazo prescricional. Logo prazo de apresentao nada tem haver com prazo prescricional, mas assemelha-se ao prazo para protesto.

    a) cheque emitido na mesma praa de pagamento: coincidem municpio de emisso e da agncia pagadora do sacado: 30 dias

    b) cheque emitido diferente da praa de pagamento: 60 dias

    Os efeitos da inobservncia do prazo de apresentao so a perda do direito a) de execuo contra coobrigados (endossantes e avalistas de endossantes); b) contra o emitente do cheque, se havia fundos durante o prazo de apresentao e eles deixaram de existir, em seguida ao trmino deste prazo, por culpa no-imputvel ao correntista (art. 47 4 L 7.357.85)

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    Art. 33 L 7.357/85. O cheque deve ser apresentado para pagamento, a contar do dia da emisso, no prazo de 30 (trinta) dias, quando emitido no lugar onde houver de ser pago; e de 60 (sessenta) dias, quando emitido em outro lugar do Pas ou no exterior. Pargrafo nico - Quando o cheque emitido entre lugares com calendrios diferentes, considera-se como de emisso o dia correspondente do calendrio do lugar de pagamento.

    Art. 47 L 7.357/85. Pode o portador promover a execuo do cheque: 4 A execuo independe do protesto e das declaraes previstas neste artigo, se a apresentao ou o pagamento do cheque so obstados pelo fato de o sacado ter sido submetido a interveno, liquidao extrajudicial ou falncia.

    23.13. Prazos para protesto do cheque

    O prazo para protesto segue o mesmo prazos para a apresentao do cheque: a) 30 dias, quando emitido na mesma praa, ou b) 60 dias, quando em praa diversa. A exceo o protesto for para fins especiais de falncia, que pode ser feito fora do prazo de apresentao. O protesto do cheque, no entanto, pode ser substitudo por declarao escrita e datada pelo banco sacado, com indicao do dia da apresentao (art. 47, II L 7.357/85).

    Art. 47 L 7.357/85. Pode o portador promover a execuo do cheque: I - contra o emitente e seu avalista; II - contra os endossantes e seus avalistas, se o cheque apresentado em tempo hbil e a recusa de pagamento comprovada pelo protesto ou por declarao do sacado, escrita e datada sobre o cheque, com indicao do dia de apresentao, ou, ainda, por declarao escrita e datada por cmara de compensao. 1 Qualquer das declaraes previstas neste artigo dispensa o protesto e produz os efeitos deste.

    23.13. Prazos para prescrio do cheque e as aes cambirias pertinentes

    O cheque prescreve a ao executiva, deixando de ser considerado ttulo executivo, no prazo de seis meses, contados do trmino do prazo de apresentao (art. 59 L 7.357/85), ou seja, inicia-se o prazo prescricional (6 meses) aps fluido totalmente o prazo de apresentao (30 dias ou 60 dias) [cuidado: um prazo em meses o outro em dias].

    Se, no entanto, este for apresentado dentro do prazo legal e houver recusa de pagamento, o prazo da prescrio inicia da data da mencionada recusa, porque neste momento, consuma-se o prejuzo do portador.

    Em se tratando de cheque ps-datado, apresentado antes da data lanada como emisso, para fins de clculo do prazo prescricional, considera-se como data de emisso do ttulo no a que nele consta, mas a da sua apresentao a pagamento.

    Art. 59 L 7.357/85. Prescreve em 6 (seis) meses, contados da expirao do prazo de apresentao, a ao que o Art. 47 desta Lei assegura ao portador

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    23.14. Aes cambirias pertinentes

    Para cobrana do cheque por via de execuo (arts. 566, I e 586, I CPC), o art. 70 da D 57.663/63 (LUG) determina prazos prescricionais:

    a) 3 (trs) anos a contar do vencimento, para o exerccio do direito de crdito contra o devedor principal e seus avalista;

    b) 1 (um) ano a contar do protesto - endossantes e avalistas dos demais coobrigados;

    c) 6 (seis) meses a contar do pagamento, ou do ajuizamento da execuo cambial, para o exerccio do direito de regresso contra um dos coobrigados.

    Art. 70 D 57.663/63 Todas as aes contra ao aceitante relativas a letras prescrevem em trs anos a contar do seu vencimento. As aes ao portador contra os endossantes e contra o sacador prescrevem num ano, a contar da data do protesto feito em tempo til ou da data do vencimento, se se trata de letra que contenha clusula "sem despesas". As aes dos endossantes uns contra os outros e contra o sacador prescrevem em seis meses a contar do dia em que o endossante pagou a letra ou em que ele prprio foi acionado.

    Art. 566 CPC. Podem promover a execuo forada: I - o credor a quem a lei confere ttulo executivo;

    Art. 586 CPC. A execuo para cobrana de crdito fundar-se- sempre em ttulo de obrigao certa, lquida e exigvel

    Passado o prazo prescricional para ao cambiria executria, pelo prazo de 2 anos, poder propor contra o emitente ou outros obrigados, que se locupletaram com o no pagamento do cheque (art. 61 L 7.357/85). Novamente os prazos no so cumulativos, passado prazo de apresentao, passado prazo prescrio da ao executria, inicia-se a fluncia do prazo para propositura da ao de enriquecimento ilcito.

    Art. 61 L 7.357/85. Aps o vencimento tem-se o prazo de sete ou oito meses (conforme a praa) para executar. Passado esse prazo tem-se o prazo de dois anos para entrar com ao de enriquecimento ilcito. Passado esse prazo tambm, tem-se, ainda, mais cinco anos pra entrar com ao ordinria ou monitria (art. 206 5 CC).

    No interposta a ao nos prazos acima mencionados (executria e enriquecimento ilcito), poder o portador, alegando enriquecimento de outrem sua custa (rito ordinrio), entrar com uma ao ordinria de locupletamento cujo prazo prescricional de 10 anos, contando-se a partir dos 6 meses contados da expirao do prazo para apresentao.

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    CASO CONCRETO: Augusto titular de conta corrente conjunta com sua esposa, Bruna, e emitiu um cheque no valor de R$ 3.000,00 (trs mil reais) em favor de uma clnica mdica. Posteriormente, a beneficiria verificou que no constava da crtula o local de emisso, porm, mesmo com tal omisso, foi promovida execuo em face de Bruna, j que esta havia se utilizado do servio prestado.

    a) H alguma implicao legal na omisso apontada?

    No haver implicao alguma, por fora do art. 2, II L 7.357/85 e a Smula STF 387.

    b) Ser procedente a execuo do cheque realizada contra Bruna, por se tratar de conta corrente conjunta?

    Impossvel a cobrana em face de Bruna, uma vez que fere o Princpio da Literalidade, o que acarretar ilegitimidade passiva.

    QUESTO OBJETIVA: O cheque pr-datado

    a) no pode ser avalizado ou endossado.

    b) pode ser apresentado para pagamento antes do dia indicado como data de emisso, e pagvel no dia da apresentao.

    c) no considerado cheque, em razo da pr-datao.

    d) para ser pago necessrio o seu depsito em conta corrente.

    CASO CONCRETO: Augusto compareceu a uma revendedora de automveis com o objetivo de adquirir veculo com pagamento vista. Foi exigido pela revendedora que o pagamento se desse por cheque visado pelo Banco do Brasil.

    a) Qual a providncia deve ser tomada pelo banco sacado a ser solicitado o visto pelo correntista?

    Ao visar o cheque o banco sacado deve fazer reserva na conta corrente do seu valor respectivo, cujo numerrio ficar retido para pagamento do cheque, conforme art. 7 L 7.357/85.

    b) O visto exonera o emitente e os demais coobrigados as obrigaes cambiais?

    No exonera nenhum dos obrigados da cambial, justamente por falta de dispositivo legal.

    QUESTO OBJETIVA: Considera-se prescrito o cheque

    a) 6 (seis) meses aps o prazo de apresentao.

    b) 6 (seis) meses aps a sua emisso.

    c) 12 (doze) meses aps a sua emisso.

    d) 2 (dois) meses aps o prazo de apresentao.

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    Contratos empresariais - primeira parte (mdulo 14)

    24.1. Conceitos

    Contrato um negcio jurdico (espcie de ato jurdico) bilateral por fora do qual duas ou mais pessoas acordam entre si a gerao, modificao ou extino de uma relao jurdica de ndole patrimonial de natureza comercial. Pede-se cuidado em no confundir instrumento com contrato: instrumento o documento comprobatrio do contrato. Obrigao a consequencia que o direito posto atribui a um determinado fato, no caso do contrato, a manifestao de vontade dos contratantes.

    24.2. Princpios gerais contratuais

    Os princpios que informam o regime jurdico contratual dos empresrios.

    24.2.1. princpio da autonomia da vontade: princpio fundamental da teoria geral do direito contratual, que assegura s pessoas a liberdade de contratar, desde que respeitada a funo social dos contratos (art. 421 CC), os preceitos de ordem pblica e bons costumes, para escolher (i) com quem se mantm relao contratual; (ii) objeto da relao contratual; e (iii) contedo dessa relao.

    Art. 421 CC. A liberdade de contratar ser exercida em razo e nos limites da funo social do contrato.

    24.2.2. princpio do consensualismo ou do consentimento: o contrato uma convergncia de vontades entre proponente ou policitante e aceitante ou oblato, sendo desnecessria qualquer outra condio para que o contrato se aperfeioe. Temos algumas excepcionalidades esse princpio, como a) contratos reais, que torna imprescindvel a entrega da coisa para que se aperfeioe, como por exemplo, contrato de depsito, de mtuo, de comodato, dentre outros; e b) contratos solenes, que torna imprescindvel a submisso a formalidades especficas, sem as quais o contrato no se aperfeioa (incomuns no direito comercial, pela prpria dinmica da atividade empresarial)

    24.2.3. princpio da relatividade: o contrato gera efeitos apenas entre as partes contratantes, bem como seus herdeiros, salvo se o contrato personalssimo. Tambm aqui temos algumas excepcionalidades, como, por exemplo, o contrato de seguro de vida.

    24.2.4. princpio da fora obrigatria: o contrato determina direito e deveres entre as partes, que equivale a ser lei entre os contratantes (pacta sunt servanda). Implicitamente entendemos que h dois subprincpios implcitos, que do garantia de segurana jurdica nas relaes contratuais:

    24.2.4.1. clusula de irretratabilidade: posto que, por esse princpio, no existe possibilidade de dissoluo total do vnculo por simples vontade de uma das partes.

    24.2.4.2. clusula de intangibilidade: posto que, por esse princpio, no existe possibilidade de alterao unilateral das condies, prazos, valores e demais clusulas.

    Entretanto, cabe ressaltar que temos, tambm, algumas excepcionalidades ao princpio da fora obrigatria, abarcadas pela teoria da impreviso que prescreve a reviso das condies em contratos comutativos (equilbrio entre vantagem e contraprestao) em virtude de

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    alterao da situao econmica que torna o contrato excessivamente oneroso a um dos contratantes em decorrncia de fatores imprevisveis e independentes de sua vontade (clusula rebus sic stantibus). Um exemplo interessante foi o efeito da desvalorizao da moeda, real, face a dlar, nos contratos de leasing atrelados moeda estadunidense.

    Art. 478 CC. Nos contratos de execuo continuada ou diferida, se a prestao de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinrios e imprevisveis, poder o devedor pedir a resoluo do contrato. Os efeitos da sentena que a decretar retroagiro data da citao.

    24.2.5. princpio da boa-f: o contrato, ao ser interpretado, deve buscar a real inteno das partes, no apenas na "letra fria" das clusulas escritas (art. 422 CC)

    Art. 422 CC. Os contratantes so obrigados a guardar, assim na concluso do contrato, como em sua execuo, os princpios de probidade e boa-f.

    24.3. Exceo do contrato no cumprido: no se trata de um princpio, mas de uma clusula resolutiva tcita, para que uma parte no pode exigir o cumprimento do contrato pela outra se estiver em mora em relao sua prpria prestao (exceptio non adimpleti contractus)

    Art. 476 CC. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigao, pode exigir o implemento da do outro.

    24.4. Elementos do contrato:

    Como qualquer negcio jurdico, temos elementos essenciais sua validade (art. 104 CC)

    24.4.1. objetivos: objeto lcito e possvel; forma prescrita e no defesa em lei.

    24.4.2. subjetivos: capacidade das partes contratantes; acordo ou consentimento recproco.

    Art. 104 CC. A validade do negcio jurdico requer: I - agente capaz; II - objeto lcito, possvel, determinado ou determinvel; III- forma prescrita ou no defesa em lei. Art. 3 CC . So absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I - os menores de dezesseis anos; II - os que, por enfermidade ou deficincia mental, no tiverem o necessrio discernimento para a prtica desses atos; III- os que, mesmo por causa transitria, no puderem exprimir sua vontade. Art. 4 CC. So incapazes, relativamente a certos atos, ou maneira de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II - os brios habituais, os viciados em txicos, e os que, por deficincia mental, tenham o discernimento reduzido; III- os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; IV- os prdigos.

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    Contratos empresariais - segunda parte - espcies de contratos mercantis (mdulo 15)

    25. Contrato de compra e venda mercantil

    25.1. Conceito

    O contrato de compra e venda tem sua definio dada pelo art. 481 CC que assevera que "pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domnio de certa coisa, e outro, a pagar-lhe certo preo em dinheiro". A compra e venda mercantil quando comprador e vendedor so empresrios. Trata-se do contrato elementar da atividade empresarial.

    Art. 481 CC. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domnio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preo em dinheiro.

    25.2. Classificao do contrato de compra e venda mercantil: (uma nica profundidade)

    a) bilateral ou sinalagmtico: existem obrigaes recprocas entre as partes contratantes, onde uma obrigao causa de outra.

    b) oneroso: estabelece vantagens e desvantagens para ambas as partes contratantes.

    c) comutativo ou aleatrio: as obrigaes so certas e as partes podero prever troca (comuta) de vantagens e desvantagens que, normalmente, se equivalem, entretanto poder, excepcionalmente, ser aleatrio quanto tiver por objeto coisas futuras ou existentes, mas sujeitas a risco.

    d) consensual ou solene: exige apenas a existncia de uma oferta e de uma aceitao. Os contratos consensuais tornam-se perfeitos e acabados com a integrao das duas declaraes de vontade (suficiente o encontro de vontades). Contratos solenes (formais) obedecem a forma prescrita em lei, caso contrrio, o contrato no vlido.

    e) translativo do domnio: transmisso da propriedade geradora de uma obrigao de entregar a coisa alienada o fundamento da tradio ou do registro.

    25.3. Elementos essenciais para contrato de compra e venda mercantil (fechamento)

    Visto disposto nos art. 482 do Cdigo Civil e a doutrina majoritria temos os elementos essenciais a caracterizao do contrato de compra e venda:

    Art. 482 CC. A compra e venda, quando pura, considerar-se- obrigatria e perfeita, desde que as partes acordarem (25.3.1) no objeto (25.3.2) e no preo (25.3.3).

    25.3.1. consentimento: deve ser livre e espontneo, sob pena de ser anulvel (art. 138 CC)

    Art. 138 CC. So anulveis os negcios jurdicos, quando as declaraes de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligncia normal, em face das circunstncias do negcio.

    25.3.2. coisa: pode ser um bem mvel, semovente, imvel e at mesmo incorpreo. Tambm no necessita estar presente, no momento da celebrao do contrato, podendo ser objeto do contato seja coisa futura (art. 483 CC), como por exemplo o contrato de compra de safra. A coisa pode ser bem de qualquer espcie, inclusive incorpreo, desde que no esteja fora do comrcio.

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    Art. 483 CC. A compra e venda pode ter por objeto coisa atual ou futura. Neste caso, ficar sem efeito o contrato se esta no vier a existir, salvo se a inteno das partes era de concluir contrato aleatrio.

    25.3.3. preo: pode estar determinado ou ser determinado por fixao do preo pela taxa de mercado ou de bolsa ou ainda por terceiro. Caso no haja preo estipulado aplica-se a regra do art. 488 CC.

    Art. 485 CC. A fixao do preo pode ser deixada ao arbtrio de terceiro, que os contratantes logo designarem ou prometerem designar. Se o terceiro no aceitar a incumbncia, ficar sem efeito o contrato, salvo quando acordarem os contratantes designar outra pessoa.

    Art. 486 CC. Tambm se poder deixar a fixao do preo taxa de mercado ou de bolsa, em certo e determinado dia e lugar.

    Art. 487 CC. lcito s partes fixar o preo em funo de ndices ou parmetros, desde que suscetveis de objetiva determinao.

    Art. 488 CC. Convencionada a venda sem fixao de preo ou de critrios para a sua determinao, se no houver tabelamento oficial, entende-se que as partes se sujeitaram ao preo corrente nas vendas habituais do vendedor.

    Pargrafo nico. Na falta de acordo, por ter havido diversidade de preo, prevalecer o termo mdio.

    Art. 489 CC. Nulo o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbtrio exclusivo de uma das partes a fixao do preo.

    25.4. Obrigao do vendedor

    25.4.1. transferir o domnio da coisa (art. 481 CC)

    Art. 481 CC. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domnio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preo em dinheiro.

    25.4.2. responder pelos vcios (art. 441 e 442 CC)

    Art. 441 CC. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vcios ou defeitos ocultos, que a tornem imprpria ao uso a que destinada, ou lhe diminuam o valor.

    Art. 442 CC. Em vez de rejeitar a coisa, redibindo o contrato (art. 441), pode o adquirente reclamar abatimento no preo.

    25.4.3. responder pela evico (art. 447 primeira parte CC)

    Art. 447 CC. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evico. Subsiste esta garantia ainda que a aquisio se tenha realizado em hasta pblica.

    25.4.4. receber o pagamento, no local, data e modo combinado. Caso o vendedor no receber o preo, como e onde foi convencionado, incorre em mora accipiendi.

    Obs: a execuo do contrato pode depender de uma condio, pode ser imediata, diferida ou continuada

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    25.5. Obrigaes do comprador

    25.5.1. pagar o preo, no local e data combinados. (art. 394; 313. 327 e 331CC)

    Art. 394 CC. Considera-se em mora o devedor que no efetuar o pagamento e o credor que no quiser receb-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a conveno estabelecer.

    Art. 313 CC. O credor no obrigado a receber prestao diversa da que lhe devida, ainda que mais valiosa.

    Art. 327 CC. Efetuar-se- o pagamento no domiclio do devedor, salvo se as partes convencionarem diversamente, ou se o contrrio resultar da lei, da natureza da obrigao ou das circunstncias. (faz-se a leitura reversa desse dispositivo)

    Art. 331 CC. Salvo disposio legal em contrrio, no tendo sido ajustada poca para o pagamento, pode o credor exigi-lo imediatamente. (faz-se a leitura reversa desse dispositivo)

    25.5.2. receber a coisa, no local, nata e modo combinado. caso o comprador no receber a coisa, como e onde foi convencionado, incorre em mora accipiendi.

    25.6. Responsabilidade pela coisa comprada

    25.6.1. antes da entrega da coisa: o vendedor que alienar, consumir ou deteriorar a coisa vendida, responde pela coisa, inclusive por lucros cessantes. No havendo estipulao em contrrio, as despesas acessrias so por conta do vendedor. A interpelao judicial necessria para que uma parte seja considerada em mora.

    Art. 502 CC. O vendedor, salvo conveno em contrrio, responde por todos os dbitos que gravem a coisa at o momento da tradio.

    25.6.2. depois da entrega da coisa: O vendedor responde por vcio redibitrio e evico

    Art. 441 CC. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vcios ou defeitos ocultos, que a tornem imprpria ao uso a que destinada, ou lhe diminuam o valor.

    Art. 447 CC. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evico. Subsiste esta garantia ainda que a aquisio se tenha realizado em hasta pblica.

    25.7. Clusulas especiais da compra e venda

    25.7.1. retrovenda: aquela que assegura ao vendedor, nos contratos de compra e venda de bens imveis, o direito de recompr-lo, no prazo mximo de 3 anos aps a venda (art. 505 CC), sendo tal direito transmissvel (art. 507 CC)

    Art. 505 CC. O vendedor de coisa imvel pode reservar-se o direito de recobr-la no prazo mximo de decadncia de trs anos, restituindo o preo recebido e reembolsando as despesas do comprador, inclusive as que, durante o perodo de resgate, se efetuaram com a sua autorizao escrita, ou para a realizao de benfeitorias necessrias.

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    25.7.2. venda a contento: aquela em que a venda realizada sob condio suspensiva que pode estar condicionado: a) ao agrado ou desagrado na manifestao do comprador (subjetiva) com a coisa (art. 509 CC); ou a certeza da qualidade da coisa (objetiva), denominada ento venda sujeita prova. (art. 510 CC)

    Art. 509 CC. A venda feita a contento do comprador entende-se realizada sob condio suspensiva, ainda que a coisa lhe tenha sido entregue; e no se reputar perfeita, enquanto o adquirente no manifestar seu agrado.

    Art. 510 CC. Tambm a venda sujeita a prova presume-se feita sob a condio suspensiva de que a coisa tenha as qualidades asseguradas pelo vendedor e seja idnea para o fim a que se destina.

    25.7.3. preferncia ou preempo: aquela que assegura ao vendedor, a compra da coisa vendida ao comprador, nas condies e preo que o comprador ofertar a terceiros (art. 513 CC). tambm chama de direito de prelao.

    Art. 513 CC. A preempo, ou preferncia, impe ao comprador a obrigao de oferecer ao vendedor a coisa que aquele vai vender, ou dar em pagamento, para que este use de seu direito de prelao na compra, tanto por tanto. Pargrafo nico. O prazo para exercer o direito de preferncia no poder exceder a cento e oitenta dias, se a coisa for mvel, ou a dois anos, se imvel.

    25.7.4. reserva de domnio: aquela que assegura ao vendedor a reserva de domnio sobre a coisa vendida, at que o comprador pague integralmente o preo (art. 521 CC). Nessa situao o comprador, enquanto no pagar integralmente o preo, no tem a propriedade da coisa mvel, que continua sendo do vendedor, mas somente a posse (art. 524 primeira parte CC). Caso o preo no seja totalmente pago, poder vendedor cobrar a dvida ou recuperar a posse da coisa vendida (art. 526 CC).

    Art. 521 CC. Na venda de coisa mvel, pode o vendedor reservar para si a propriedade, at que o preo esteja integralmente pago.

    Art. 524 CC. A transferncia de propriedade ao comprador d-se no momento em que o preo esteja integralmente pago. Todavia, pelos riscos da coisa responde o comprador, a partir de quando lhe foi entregue.

    Art. 526 CC. Verificada a mora do comprador, poder o vendedor mover contra ele a competente ao de cobrana das prestaes vencidas e vincendas e o mais que lhe for devido; ou poder recuperar a posse da coisa vendida.

    25.8. Incoterms:

    Para uniformizar a distribuio das obrigaes entre os contratantes, principalmente em se tratando de contratos envolvendo pases diferentes, a Cmara de Comrcio Internacional - CCI convencionou alguns padres mundiais chamados Incoterms: a) EXW (ex work retirada na origem); b) FCA (free carrier transporte livre de despesas); c) FAS (free alongside ship entrega no costado do navio); d) FOB (free on board posto a bordo); e) C&R (cost and freight custo e frete); f) CIF (cost, insurance and freight custo, seguro e frete); g) CIP (carriage and insurance paid to frete e seguro pagos).

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    26. Contrato de representao comercial

    26.1. Conceito

    O contrato de representao comercial (arts. 710 a 721 CC) aquele pelo qual uma das partes (representante comercial autnomo) se obriga a obter pedidos de compra e venda de mercadorias fabricadas ou comercializadas pela outra parte (representado). O representante comercial, pessoa jurdica ou pessoa fsica, exerce tal atividade sem vnculo empregatcio e em carter no eventual.

    Art. 1 L 4.886/65. Exerce a representao comercial autnoma a pessoa jurdica ou a pessoa fsica, sem relao de emprego, que desempenha, em carter no eventual por conta de uma ou mais pessoas, a mediao para a realizao de negcios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para, transmit-los aos representados, praticando ou no atos relacionados com a execuo dos negcios. Pargrafo nico. Quando a representao comercial incluir poderes atinentes ao mandato mercantil, sero aplicveis, quanto ao exerccio deste, os preceitos prprios da legislao comercial.

    Art. 710 CC. Pelo contrato de agncia, uma pessoa assume, em carter no eventual e sem vnculos de dependncia, a obrigao de promover, conta de outra, mediante retribuio, a realizao de certos negcios, em zona determinada, caracterizando-se a distribuio quando o agente tiver sua disposio a coisa a ser negociada. Pargrafo nico. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na concluso dos contratos.

    O exerccio da representao comercial autnoma est disciplinada na L 4.886/65, alterada pela L 8.420/92, e determina registro dos representantes comerciais autnomos nos conselhos regionais.

    Art. 2 L 4.886/65. obrigatrio o registro dos que exeram a representao comercial autnoma nos Conselhos Regionais criados pelo art. 6 desta Lei.

    26.1. Requisitos essenciais ao contrato de representao comercial

    Os requisitos essenciais ao contrato de representao comercial autnoma, esto elencados no at. 27 L 4.886/65:

    Art. 27 L 4.886/65. Do contrato de representao comercial, alm dos elementos comuns e outros a juzo dos interessados, constaro obrigatoriamente:

    a) condies e requisitos gerais da representao;

    b) indicao genrica ou especfica dos produtos ou artigos objeto da representao;

    c) prazo certo ou indeterminado da representao

    d) indicao da zona ou zonas em que ser exercida a representao;

    e) garantia ou no, parcial ou total, ou por certo prazo, da exclusividade de zona ou setor de zona;

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    f) retribuio e poca do pagamento, pelo exerccio da representao, dependente da efetiva realizao dos negcios, e recebimento, ou no, pelo representado, dos valores respectivos;

    g) os casos em que se justifique a restrio de zona concedida com exclusividade;

    h) obrigaes e responsabilidades das partes contratantes:

    i) exerccio exclusivo ou no da representao a favor do representado;

    j) indenizao devida ao representante pela resciso do contrato fora dos casos previstos no art. 35, cujo montante no poder ser inferior a 1/12 (um doze avos) do total da retribuio auferida durante o tempo em que exerceu a representao.

    26.2. Responsabilidade do representante:

    Quanto aos atos que praticar, responde segundo as normas do contrato e, sendo este omisso, na conformidade do direito comum.

    26.3. Contraprestao da representao comercial:

    O representante comercial adquire direito s comisses, logo que o comprador efetue o respectivo pagamento ou na medida que o faa, parceladamente. As comisses devidas sero pagas mensalmente.

    26.5. Resciso do contrato de representao comercial:

    26.5.1. pelo representado:

    a) a desdia do representante (preguia, desleixo, descuido) no cumprimento das obrigaes decorrentes do contrato;

    b) a prtica de atos que importem em descrdito comercial do representado;

    c) a falta de cumprimento de quaisquer obrigaes inerentes ao contrato de representao comercial;

    d) a condenao definitiva por crime considerado infamante;

    e) fora maior.

    26.5.2. pelo representante:

    a) reduo de esfera de atividade do representante em desacordo com as clusulas do contrato;

    b) a quebra, direta ou indireta, da exclusividade, se prevista no contrato;

    c) a fixao abusiva de preos em relao zona do representante, com o exclusivo escopo de impossibilitar-lhe ao regular;

    d) o no-pagamento de sua retribuio na poca devida;

    e) fora maior.

    A denncia, por qualquer das partes, sem causa justificada, do contrato de representao, ajustado por tempo indeterminado e que haja vigorado por mais de seis meses, obriga o denunciante concesso de pr-aviso, com antecedncia mnima de 30 dias, ou ao pagamento de importncia igual a um tero (1/3) das comisses auferidas pelo representante, nos trs meses anteriores.

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    28. Contrato de comisso mercantil

    28.1. Conceito

    O contrato de comisso mercantil contrato de colaborao em que um empresrio - comissrio - se obriga a realizar negcios mercantis por conta de outro empresrio (comitente), mas em nome prprio, assumindo, portanto, perante terceiros, a responsabilidade pessoal pelos atos praticados. (art. 693 CC). Logo o comissrio age no interesse e seguindo ordens do comitente. A professora Maria Helena Diniz conceitua como contrato de comisso aquele pelo qual uma pessoa (comissrio ou compromissrio) adquire ou vende bens, em nome e responsabilidade prprios, mas por ordem e por conta de outrem (o comitente), em troca de certa remunerao, obrigando-se para com terceiros com quem contrata.(DINIZ, Maria Helena. Tratado Terico e Prtico dos Contratos. vol. 3. So Paulo: Saraaiva. 2003, p. 435)

    Art. 693 CC. O contrato de comisso tem por objeto a aquisio ou a venda de bens pelo comissrio, em seu prprio nome, conta do comitente.

    28.2. Classificao do contrato de comisso mercantil:

    Segundo a professora Maria Helena Diniz temos na comisso os seguintes elementos: a) bilateral ou sinalagmtico; b) oneroso: o comitente tem direito comisso pelos negcios executados; c) comutativo ou aleatrio; d) consensual ou solene: se formam pelo simples consenso entre comitente e comissrio; e) intuito personae: a confiana elemento essencial.

    28.3. Obrigao do comissrio

    O comissrio deve agir nos estritos termos determinados pelo comitente (arts. 694 a 696 CC)

    Art. 694 CC. O comissrio fica diretamente obrigado para com as pessoas com quem contratar, sem que estas tenham ao contra o comitente, nem este contra elas, salvo se o comissrio ceder seus direitos a qualquer das partes.

    Art. 695 CC. O comissrio obrigado a agir de conformidade com as ordens e instrues do comitente, devendo, na falta destas, no podendo pedi-las a tempo, proceder segundo os usos em casos semelhantes. Pargrafo nico. Ter-se-o por justificados os atos do comissrio, se deles houver resultado vantagem para o comitente, e ainda no caso em que, no admitindo demora a realizao do negcio, o comissrio agiu de acordo com os usos.

    Art. 696 CC. No desempenho das suas incumbncias o comissrio obrigado a agir com cuidado e diligncia, no s para evitar qualquer prejuzo ao comitente, mas ainda para lhe proporcionar o lucro que razoavelmente se podia esperar do negcio. Pargrafo nico. Responder o comissrio, salvo motivo de fora maior, por qualquer prejuzo que, por ao ou omisso, ocasionar ao comitente.

    28.4. Direitos do comissrio:

    O comissrio dever ser remunerado pelos negcios que realizar, porto que so efetivados a mando e interesse do comitente. A essa remunerao d-se nome de comisso. (art. 701 a 708 CC), que um crdito com privilgio geral na falncia (art. 707 CC e art. 83, V, 'c' L 11.101/2005).

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    Art. 701 CC. No estipulada a remunerao devida ao comissrio, ser ela arbitrada segundo os usos correntes no lugar.

    Art. 702. CC No caso de morte do comissrio, ou, quando, por motivo de fora maior, no puder concluir o negcio, ser devida pelo comitente uma remunerao proporcional aos trabalhos realizados.

    Art. 703 CC. Ainda que tenha dado motivo dispensa, ter o comissrio direito a ser remunerado pelos servios teis prestados ao comitente, ressalvado a este o direito de exigir daquele os prejuzos sofridos.

    Art. 705 CC. Se o comissrio for despedido sem justa causa, ter direito a ser remunerado pelos trabalhos prestados, bem como a ser ressarcido pelas perdas e danos resultantes de sua dispensa.

    Art. 707 CC. O crdito do comissrio, relativo a comisses e despesas feitas, goza de privilgio geral, no caso de falncia ou insolvncia do comitente.

    Art. 708 CC. Para reembolso das despesas feitas, bem como para recebimento das comisses devidas, tem o comissrio direito de reteno sobre os bens e valores em seu poder em virtude da comisso.

    28.6. Clusulas especiais da comisso mercantil

    Os riscos do negcio cabem, em princpio, ao comitente, posto que o comissrio age nos estritos termos definidos pelo comitente (art. 697 CC). As consequencias da inadimplncia do terceiro sero suportadas pelo comitente, entretanto, pela clusula del credere, pode o comissrio responder pelo cumprimento das obrigaes assumidas pelo terceiro com quem contratou, nesse caso em carter solidrio (art. 698 CC). Por outro lado, os riscos por vcio na coisa vendida e evico correm por conta do comitente.

    Art. 697 CC. O comissrio no responde pela insolvncia das pessoas com quem tratar, exceto em caso de culpa e no do artigo seguinte.

    Art. 698 CC. Se do contrato de comisso constar a clusula del credere, responder o comissrio solidariamente com as pessoas com que houver tratado em nome do comitente, caso em que, salvo estipulao em contrrio, o comissrio tem direito a remunerao mais elevada, para compensar o nus assumido.

    28.7. Resciso do contrato de representao comercial:

    Art. 709 CC. So aplicveis comisso, no que couber, as regras sobre mandato.

    Art. 682 CC. Cessa o mandato: I - pela revogao ou pela renncia; II - pela morte ou interdio de uma das partes; III- pela mudana de estado que inabilite o mandante a conferir os poderes, ou o mandatrio para os exercer; IV- pelo trmino do prazo ou pela concluso do negcio.

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    29. Contrato de distribuio ou colaborao empresarial ou contrato de concesso latu sensu

    29.1. Conceito

    O Contrato de Distribuio o acordo pelo qual o fabricante/produtor, oferecendo vantagens especiais (mediante retribuio), compromete-se (assume) a vender, continuadamente (no eventual), seus produtos ao distribuidor, para revenda (coisa disposio para ser negociada) em um determinada regio (zona determinada)

    Art. 710 CC. Pelo contrato de agncia, uma pessoa assume, em carter no eventual e sem vnculos de dependncia, a obrigao de promover, conta de outra, mediante retribuio, a realizao de certos negcios, em zona determinada, caracterizando-se a distribuio quando o agente tiver sua disposio a coisa a ser negociada.

    O contrato de distribuio pode ser subdividido, segundo suas caractersticas em de aproximao ou de intermediao:

    29.1.1. distribuio-aproximao: o distribuidor se obriga a promover a realizao de certos negcios por conta d produtor, em zona determinada e tendo sob sua posse as mercadorias a serem vendidas. Se faltar a distribuio-aproximao o ltimo requisito, isto , se o distribuidor no tiver em mos as mercadorias que promove, o contrato denominado agncia pela lei (art. 710 CC).

    29.1.2. distribuio-intermediao contrato atpico, no disciplinado na lei. o celebrado entre distribuidoras de combustvel e os postos de abastecimento de suas bandeiras, entre fbricas de cerveja e os atacadistas regionais etc. Caracteriza-se pela obrigao que o distribuidor assume, perante o produtor, de criar, consolidar ou ampliar o mercado dos produtos deste ltimo, comprando-os para revender.

    Trata-se de promessa de venda e revenda. contrato tpico e misto, pois abrange (i) compra e venda dos produtos a serem distribudos; (ii) a agncia; (iii) fornecimento de estoques e mercadorias; (iv)assistncia tcnica; e, (v) uso de marca. contrato comum no setor de bebidas, combustveis e automotivos.

    29.2. Classificao do contrato de distribuio: (no necessita tal classificao)

    29.3. Elementos do contrato de distribuio:

    Utilizando o conceito de contrato de distribuio, podemos identificar os seguintes elementos:

    29.3.1. Subjetivos: partes intervenientes do contrato: (i) concedente ou fabricante ou produtor; e (ii) concessionrio ou distribuidor, que revende o produto e presta assistncia tcnica, em seu nome e por sua conta e risco.

    29.3.2. Objetivos: (i) produto, objeto comercializado, dever ser fabricado pelo fabricante/produtor, vendido ao distribuidor e revendido ao consumidor. (movimentos obrigatrios); (ii) rea de atuao do distribuidor, exclusiva ou no, para que no haja competio entre distribuidores da mesma rede.

    29.3.3. Formais: instrumento escrito, mediante adeso do distribuidor, contendo os limites de risco e de responsabilidade de cada parte, podendo at mesmo conter clusula que obrigue o distribuidor a prestar assistncia tcnica ao consumidor (terceiro).

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    29.4. Direito do distribuidor

    O distribuidor tem direito a a) remunerao (oneroso) correspondente aos negcios concludos dentro de sua rea, ainda que sem sua interferncia, salvo ajuste diverso (art. 714 CC); b) indenizao se o proponente descumprir o contrato, sem justa causa, cessando ou reduzindo fornecimentos, tornando invivel economicamente o negcio (art. 715 CC).

    Art. 714 CC. Salvo ajuste, o agente ou distribuidor ter direito remunerao correspondente aos negcios concludos dentro de sua zona, ainda que sem a sua interferncia.

    Art. 715 CC. O agente ou distribuidor tem direito indenizao se o proponente, sem justa causa, cessar o atendimento das propostas ou reduzi-lo tanto que se torna antieconmica a continuao do contrato.

    29.5. Deveres do distribuidor

    Quanto ao distribuidor, temos as seguintes obrigaes, todas pertinentes a se portar como se fosse o prprio fornecedor/produtor, com todo nus (art. 713 CC):

    a) vender os produtos fornecidos pelo fabricante;

    b) submeter-se fiscalizao do concedente e imposio de normas relativas ao preo do produto, assistncia tcnica a ser prestada, etc.

    c) ter reserva de estoque;

    d) aparelhar adequadamente suas instalaes;

    e) dirigir a publicidade dentro das diretrizes gerais;

    f) facilitar as inspees tcnicas por profissionais da concedente;

    g) treinar seus funcionrios;

    h) ter oficina especializada para reparos e reposio de peas;

    i) dar garantia do produto clientela, sub-rogando-se na obrigao do fabricante;

    j) pagar 5% do valor total das mercadorias que adquiriu nos ltimos quatro meses do contrato, se der causa a sua resciso.

    Art. 713 CC. Salvo estipulao diversa, todas as despesas com a agncia ou distribuio correm a cargo do agente ou distribuidor.

    29.6. Deveres do fabricante/produtor

    Como obrigaes do concedente/fabricante, podemos destacar:

    a) no efetuar vendas diretas, salvo previso legal;

    b) respeitar a exclusividade do distribuidor, no nomeando outro para a mesma rea;

    c) promover publicidade dos produtos vendidos pelo distribuidor;

    d) no exigir pagamento antes do faturamento, salvo ajuste;

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    29.7 Clausulas especiais do contato de distribuio

    Como contrato atpico, as relaes entre os seus contraentes regem-se apenas pelo contido no respectivo instrumento de contrato. A exclusividade, territorialidade, hipteses de resciso, direito indenizao, prazo e os demais elementos constitutivos da relao obrigacional podem ser livremente negociados entre distribuidor e distribudo.

    Tambm devero existir clusulas que (i) imponham ao distribuidor a assuno das garantias oferecidas ao cliente; (ii) se refiram ao dever de constituir um depsito de mercadorias; (iii) especifiquem a organizao tcnica e administrativa da empresa; (iv) estabeleam o regime das instalaes de vendas, exibio, reparao e manuteno dos produtos; (v) estipulem a participao do distribuidor na publicidade dos produtos; e, (vi) prescrevam a forma de controle econmico e contbil da empresa.

    Quanto ao prazo, este ser por tempo indeterminado, podendo-se limitar um mnimo, tornando-se indeterminado depois, caso no haja manifestao das partes em contrrio. Se no houver prorrogao do prazo, h obrigao do concedente de readquirir o estoque. Mas caso tenha sido iniciativa do concessionrio, no haver obrigao de indenizar o concedente.

    29.7.1. Exclusividade

    No contrato de distribuio, costuma-se utilizar o termo exclusividade para denominar vrias tipos de obrigaes atinentes tanto ao fabricantes quanto aos distribuidores, podendo ainda designar vrios termos no mbito contratual.

    A exclusividade normalmente implica em exclusividade de comercializao e na exclusividade de Aquisio (fornecimento exclusivo).

    Assim, a exclusividade pode significar:

    Obrigao de comercializar apenas os produtos fabricados pelo fornecedor (produtos no concorrentes);

    Obrigao do distribuidor de comercializar apenas produtos adquiridos de terceiros indicados pelo fabricante (tambm h nesta hiptese, a obrigao de absteno de comercializar produtos concorrentes);

    Obrigao do distribuidor de no comercializar quaisquer outros produtos, mesmo que no concorrentes com aqueles objeto do contrato de distribuio;

    Obrigao do fornecedor de vender sua produo exclusivamente por intermdio do distribuidor (imposio comum quando se trata do sistema de distribuio no grande varejo);

    Direito do distribuidor de ser o nico a comercializar o produto distribudo em determinada rea (ou em relao a determinados consumidores).

    29.8. Resciso do contrato de distribuio:

    Art. 720 CC. Se o contrato for por tempo indeterminado, qualquer das partes poder resolv-lo, mediante aviso prvio de noventa dias, desde que transcorrido prazo compatvel com a natureza e o vulto do investimento exigido do agente.

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    Pargrafo nico. No caso de divergncia entre as partes, o juiz decidir da razoabilidade do prazo e do valor devido.

    Art. 721 CC. Aplicam-se ao contrato de agncia e distribuio, no que couber, as regras concernentes ao mandato e comisso e as constantes de lei especial.

    Art. 682 CC. Cessa o mandato: I - pela revogao ou pela renncia; II - pela morte ou interdio de uma das partes; III- pela mudana de estado que inabilite o mandante a conferir os poderes, ou o mandatrio para os exercer; IV- pelo trmino do prazo ou pela concluso do negcio.

    O contrato de distribuio celebrado por prazo indeterminado, assim como nas outras formas contratuais, nos remete ao artigo 188, I CC que assegura o exerccio regular do direito de denncia do contrato. O prazo razovel para se efetuar a ruptura consiste naquele necessrio ao distribuidor para redirecionar seus negcios, e, portanto, de acordo com a regra do artigo 473, pu CC.

    Art. 188 CC. No constituem atos ilcitos: I - os praticados em legtima defesa ou no exerccio regular de um direito reconhecido;

    Art. 473. A resilio unilateral, nos casos em que a lei expressa ou implicitamente o permita, opera mediante denncia notificada outra parte. Pargrafo nico. Se, porm, dada a natureza do contrato, uma das partes houver feito investimentos considerveis para a sua execuo, a denncia unilateral s produzir efeito depois de transcorrido prazo compatvel com a natureza e o vulto dos investimentos.

    O contrato de distribuio celebrado por prazo determinado, encerra-se quando expirado o prazo pactuado, entretanto Paula A. Forgioni (Contrato de Distribuio, 2005:486-487), destaca trs outras situaes:

    (i) contratos celebrados formalmente por prazo determinado, mas que tm prazo indeterminado;

    (ii) existncia de abuso do direito de no-renovao e

    (iii) contratos celebrados por prazo determinado em que uma das partes levada a crer na sua prorrogao alm do termo contratado

    30. Contrato de Franquia empresarial

    30.1. Conceito

    A franquia empresarial um contrato (de colaborao por aproximao) pelo qual um empresrio, denominado franqueador, licencia o uso de sua marca a outro empresrio, denominado franqueado, e presta-lhe servios de organizao empresarial, com ou sem venda de produtos, recebendo uma remunerao, denominado royalties (mensais ou "por negcio") e taxa de franquia (entrada).

    Tomemos a definio de franquia Maria Helena Diniz (Tratado terico e prtico dos contratos vol. 4. So Paulo: Saraiva, 2003. p. 47):

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    Franquia ou franchising o contrato pelo qual uma das partes (franquador ou franchisor) concede, por certo tempo, outra (franqueado ou franchisee) o direito de comercializar com exclusividade, em determinada rea geogrfica, servio, nome comercial, ttulo de estabelecimento. Marca de indstria ou produto que lhe pertence, com assistncia tcnica permanente, recebendo em troca, certa remunerao.

    A definio mais abrangente est na prpria lei de franquia - L 8.955/94 - em seu artigo 2:

    Art. 2 L 8.955/94. Franquia empresarial o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente, associada ao direito de distribuio exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou servios e, eventualmente, tambm ao direito de uso de tecnologia de implantao e administrao de negcios ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remunerao direta ou indireta, sem que, no entanto, fique caracterizado vnculo empregatcio.

    30.2. Natureza jurdica do contrato de franquia empresarial

    contrato bilateral, oneroso, de execuo continuada, atpico (embora o objeto tenha previso legal), forma escrita e registro especial (INPI) como condio de validade perante terceiros.

    30.3. Contrato de franquia

    Assim, por esses conceitos, percebe-se que no contrato de franquia h a conjugao de dois contratos: a) licenciamento de uso de marca e b) transferncia de know-how ou tecnologia (organizao empresarial). Portanto, por implicar operao de licena para uso de marca e em transferncia de tecnologia o contrato de franquia empresarial, para ter efeito contra terceiros, dever ser averbado no INPI. (art. 140 e 211 L 9.279/96). Consequentemente dever ser escrito, no s por esse motivo, mas tambm por fora do artigo 6 da L 8.955/94.

    Art. 211 L 9.279/96 O INPI far o registro dos contratos que impliquem transferncia de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relao a terceiros

    Art. 140 L 9.279/96. O contrato de licena [de uso de marca] dever ser averbado no INPI para que produza efeitos em relao a terceiros. 1 A averbao produzir efeitos em relao a terceiros a partir da data de sua publicao. 2 Para efeito de validade de prova de uso, o contrato de licena no precisar estar averbado no INPI.

    Art. 6 L 8.955/94. O contrato de franquia deve ser sempre escrito e assinado na presena de 2 (duas) testemunhas e ter validade independentemente de ser levado a registro perante cartrio ou rgo pblico

    Podemos entender tecnologia ou know-how como conhecimentos tcnicos acumulados que, aps terem sido obtidos por meio de experincias e ensaios, pem-se quele que os adquiriu em condies de exatido e de preciso necessrias ao sucesso comercial

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    O contrato de franquia empresarial um contrato atpico, embora a L 8.955/94 discipline alguns de seus aspectos e trate de seu objeto, a franquia empresarial, as relaes entre franqueador e franqueado regem-se exclusivamente pelas clusulas do contrato de franquia.

    30.4. Circular de oferta A circular de oferta - o documento usado pelo Franqueador para fornecer de forma clara e acessvel, contendo obrigatoriamente uma srie de informaes relevantes para o candidato a franqueado, dando a mxima transparncia para uma anlise das nuances da operao, antes do candidato optar em ingressar no sistema de franquia, e deve ser entregue pelo menos dez dias antes da assinatura do pr-contrato de franquia, para que o candidato realmente reflita e decida se quer investir na franquia em questo (art. 3 da Lei 8.955/94) A apresentao da COF ao candidato a franqueado to importante que pelo disposto no art. 4 pargrafo nico, causa anulabilidade do contrato de franquia.

    30.5. Obrigaes do franqueado

    a) constituir pessoa jurdica, e no transferir controle dela sem autorizao do franqueador;

    b) pagar a taxa de adeso e percentual do seu faturamento;

    c) pagar os servios de organizao empresarial;

    d) oferecer produtos ou servios apenas da marca do franqueador;

    e) obedecer s instrues do franqueador

    f) usar, difundir e proteger a marca, nos termos estabelecidos no contrato;

    g) adequar o imvel (ponto comercial), s normas e padres estabelecidos pela franqueada

    h) participar, juntamente com os empregados, de todos os treinamentos e cursos determinados pelo franqueador;

    i) manter absoluto sigilo do know-how transmitido pelo franqueador

    j) efetuar o pagamento de todas as remuneraes devidas ao franqueador

    k) contratar o seguro determinado pelo franqueador.

    30.6. Obrigaes do franqueador

    a) entregar a Circular de Oferta de Franquia COF, por escrito em linguagem clara e acessvel, 10 dias antes da assinatura do pr-contrato;

    b) prestar na COF todas as informaes determinadas no art. 3 Lei de franquia.

    c) conceder o direito de uso de marca;

    d) orientar o franqueado na constituio da pessoa jurdica, se for caso;

    e) auxiliar o franqueado na escolha do local onde sero exercidas as atividades empresariais; e aprov-la;

    f) assessorar o franqueado na instalao do ponto comercial, fornecendo projetos e especificaes;

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    g) prestar assistncia integral e contnua ao franqueado, transferindo-lhes todo o know-how de que necessitam para a implantao, operao e administrao das respectivas franquias;

    h) respeitar a exclusividade territorial do franqueado;

    i) promover a publicidade da marca, do produto/servio;

    j) estabelecer os mtodos e procedimentos que gerenciaro o funcionamento da franquia;

    30.7. Vantagens e desvantagens da franquia.

    30.6.1. Vantagens para o franqueador:

    Expanso de baixo custo; Consolidao territorial; Maior eficincia.

    30.6.2. Desvantagens para franqueador:

    No ser o dono do ponto de venda; Maior esforo de liderana.

    30.6.3. Vantagens para o franqueado:

    Associar marca centralizada e colher os frutos de um negcio j estabelecido; Correr menos riscos; Relao investimento / retorno.

    30.6.4. Desvantagens para o franqueado:

    Menor grau de liberdade; Empreendimento ligado parceiro.

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    CASO CONCRETO: Em um contrato de comisso, aps inmeras vendas realizadas pelo Comissrio, este percebeu que recebeu valor de repasse a menor do que o percentual que havia sido anteriormente combinado verbalmente. Ao discutir o referido contrato em juzo, percebeu-se que este no continha clusula de remunerao. Indaga-se:

    a) Existe sada legal para tal omisso?

    Pelo art. 701 CC a remunerao ser fixada de acordo com os usos correntes do local, mediante assentamento realizado pela Junta Comercial do Estado (art. 8 VI L 8.934/94)

    b) Percebeu-se, tambm, a existncia no contrato de clusula del credere, oriente sobre seu significado.

    Nos termos do art. 698 CC, por esta clusula responder o comissrio solidariamente com as pessoas que contratar em nome do comitente.

    QUESTO OBJETIVA: Entende-se por franquia empresarial ou franchising,

    a) o contrato comercial pelo qual o franqueador cede, em carter definitivo, ao franqueado, o direito de uso de marca ou patente, juntamente com o "know-how" relacionado ao produto ou servio, sem vnculo empregatcio ou remunerao.

    b) o contrato comercial pelo qual o franqueador, detentor da marca ou patente, bem como de eventual "know-how" referente ao produto ou servio respectivo, cede ao franqueado apenas o direito de distribuio exclusiva ou semi-exclusiva de mencionados produtos ou servios, mediante remunerao, sem vnculo empregatcio.

    c) o contrato comercial pelo qual o franqueador, detentor da marca ou patente, bem como de eventual "know-how" referente ao produto ou servio respectivo, contrata o franqueado, para que este realize a distribuio exclusiva ou semi-exclusiva de mencionados produtos ou servios, mediante remunerao, com vnculo empregatcio.

    d) o contrato comercial pelo qual se opera a cesso do direito de uso de marca ou patente, bem como de eventual "know-how" detido ou desenvolvido pelo franqueador ao franqueado, associado ao direito de distribuio exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou servios, mediante remunerao, sem vnculo empregatcio.

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    Contratos Bancrios Imprprios (Mdulo 16)

    31. Contratos Imprprios

    31.1. Arrendamento Mercantil

    31.2. Alienao Fiduciria Em Garantia

    31.1. Arrendamento Mercantil (Leasing)

    O contrato de arredamento mercantil um contrato tpico, conceituado de acordo com pargrafo nico do art. 1 da L 6.099/74, com a redao dada pela L 7.132/83.

    Art. 1 L 6.099/74. O tratamento tributrio das operaes de arrendamento mercantil reger-se- pelas disposies desta Lei. Pargrafo nico - Considera-se arrendamento mercantil, para os efeitos desta Lei, o negcio jurdico realizado entre pessoa jurdica, na qualidade de arrendadora, e pessoa fsica ou jurdica, na qualidade de arrendatria, e que tenha por objeto o arrendamento de bens adquiridos pela arrendadora, segundo especificaes da arrendatria e para uso prprio desta.

    Em vista de que o contrato de arredamento mercantil envolve, direta ou indiretamente, um financiamento, o Banco Central controla e fiscaliza as empresas arrendadoras, a semelhana das instituies financeiras, de acordo com a L 4.595/64 (cria Conselho Monetrio Nacional) e a Resoluo do BACEN 2.309/96 (disciplina arrendamento mercantil).

    Art. 7 L 6.099/74. Todas as operaes de arrendamento mercantil subordinam-se ao controle e fiscalizao do Banco Central do Brasil, segundo normas estabelecidas pelo Conselho Monetrio Nacional, a elas se aplicando, no que couber, as disposies da Lei 4.595/64, e legislao posterior relativa ao Sistema Financeiro Nacional.

    Art. 4 L 4.595/64. Compete ao Conselho Monetrio Nacional, segundo diretrizes estabelecidas pelo Presidente da Repblica VI - Disciplinar o crdito em todas as suas modalidades e as operaes creditcias em todas as suas formas, inclusive aceites, avais e prestaes de quaisquer garantias por parte das instituies financeiras;

    Art. 10 L 4.595/64. Compete privativamente ao Banco Central da Repblica do Brasil: VI - Exercer o controle do crdito sob todas as suas formas; IX - Exercer a fiscalizao das instituies financeiras e aplicar as penalidades previstas;

    Art. 17 L 4.595/64. Consideram-se instituies financeiras, para os efeitos da legislao em vigor, as pessoas jurdicas pblicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessria a coleta, intermediao ou aplicao de recursos financeiros prprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custdia de valor de propriedade de terceiros.

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    Art. 3 BACEN 2.309/96. A constituio e o funcionamento das pessoas jurdicas que tenham como objeto principal de sua atividade a prtica de operaes de arrendamento mercantil, denominadas sociedades de arrendamento mercantil, dependem de autorizao do Banco Central do Brasil.

    Art. 1 LC 105/01 (lei do sigilo bancrio). As instituies financeiras conservaro sigilo em suas operaes ativas e passivas e servios prestados. 1 So consideradas instituies financeiras, para os efeitos desta Lei Complementar: VII sociedades de arrendamento mercantil

    Conceito: arrendamento mercantil a locao caracterizada pela faculdade atribuda ao locatrio (arrendatrio) de ao trmino do prazo de locao, optar pela compra do bem locado, mediante um preo residual previamente fixado. Caracteriza-se pela sucesso de dois contratos: i) locao e ii) compra e venda, sendo este ltimo opcional.

    31.1.2. Partes envolvidas no contrato: a) arrendadora (pessoa jurdica/empresa de arredamento mercantil), b) arrendatria (pessoa fsica ou jurdica) e c) fabricante.

    31.1.13. Objeto do contrato: bens mveis ou imveis, novos ou usados, nacionais ou estrangeiros (neste caso necessitam de autorizao do Conselho Monetrio Nacional).

    31.1.4. Inadimplncia no contrato:

    No caso de no pagamento (inadimplncia) das parcelas do arrendamento, o arrendadora no poder exigir as prestaes vincendas, mas h possibilidade de se resolver o contrato. Desse modo, o bem arrendado dever ser devolvido e, se no o for, a arrendadora poder pleitear a reintegrao de posse.

    Ao final do contrato, o arrendatrio tem trplice opo:

    Prorroga o contrato de arrendamento mercantil; Devolver o bem arrendado ao arrendador; Adquirir o bem arrendado, pagando o valor residual.

    O exerccio da opo de compra antes do trmino do contrato de arrendamento mercantil, o contrato se descaracteriza como leasing e passa a ser considerado de compra e venda.

    Art. 10. BACEN 2.309/96. A operao de arrendamento mercantil ser considerada como de compra e venda a prestao se a opo de compra for exercida antes de decorrido o respectivo prazo mnimo estabelecido no art. 8 deste Regulamento.

    31.1.5. Tipos de contrato de arrendamento mercantil:

    A explorao da atividade de arredamento mercantil est disciplinada pela Resoluo n. 2.309, de 1996, do Banco Central, que distingue duas modalidades de contrato: o arredamento mercantil financeiro (o valor residual praticamente inexpressivo); e o arredamento mercantil operacional (o valor residual expressivo)

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    31.1.5.1. Arrendamento mercantil operacional: o arrendamento que no transfere substancialmente todos os riscos e benefcios inerentes propriedade do bem arrendado. A inteno do arrendatrio uso do bem por curto prazo e no de adquiri-lo ao final do contrato. O resduo, nesse caso, expressivo, pois o valor das prestaes pagas no poder ultrapassar o percentual de 75% do valor do bem e o resduo a ser pago ser maior, correspondente ao valor de mercado do bem arrendado.

    Art. 6 BACEN 2.309/96. Considera-se arrendamento mercantil operacional a modalidade em que: I - as contraprestaes a serem pagas pela arrendatria contemplem o custo de arrendamento do bem e os servios inerentes a sua colocao disposio da arrendatria, no podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90% (noventa por cento) do custo do bem; II - o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de vida til econmica do bem; III - o preo para o exerccio da opo de compra seja o valor de mercado do bem arrendado; IV - no haja previso de pagamento de valor residual garantido.

    31.1.5.2. Arrendamento mercantil financeiro: o arrendamento mercantil propriamente dito com o agente financeiro intermediador. O arrendador adquire certo bem de um terceiro, no intuito de entrega-lo arrendatria, mediante certa quantia, com opo de adquirir, devolver, ou prorrogar o contrato. Esse a modalidade mais comum. Caracteriza-se pela inexistncia de resduo expressivo, ou seja, no momento da compra do bem, o valor a ser desembolsado (no final do contrato) ser de pequeno valor.

    Art. 5 BACEN 2.309/96. Considera-se arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I - as contraprestaes e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatria, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operao e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos; II - as despesas de manuteno, assistncia tcnica e servios correlatos operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatria; III - o preo para o exerccio da opo de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado.

    31.1.5.3. Lease Back (leasing de retorno) o arredamento mercantil em que a arrendadora e a arrendatria so a mesma pessoa. Trata-se de uma engenharia financeira, em que uma empresa, para capitalizar-se, vende (ou o d em dao de pagamento) o bem a uma instituio financeira, que, por sua vez, imediatamente arrenda-o para a empresa vendedora, que passa de proprietria para arrendatria (imobilizado para capital de giro - aumento de liquidez da empresa). Ressalta-se que o bem arrendado no pode ser um produto fabricado pela prpria arrendatria (art. 28 III BACEN 2.309/64).

    31.1.5.4. Self Leasing o arredamento mercantil em que uma empresa vende seus bens para outra sociedade do mesmo grupo econmico (empresas ligadas/coligadas), que por sua vez

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    arrenda os referidos bens empresa vendedora. Tais operaes recebero o tratamento tributrio da compra e venda a prazo e, nessas condies, o arrendamento mercantil vedado (art. 28 I BACEN 2.309/96).

    Art. 28 BACEN 2.309/96. s sociedades de arrendamento mercantil e s instituies financeiras citadas no art. 13 deste Regulamento vedada a contratao de operaes de arrendamento mercantil com:

    I - pessoas fsicas e jurdicas coligadas ou interdependentes; II - administradores da entidade e seus respectivos cnjuges e parentes at o segundo grau; III - o prprio fabricante do bem arrendado.

    31.1.6. Prazos mnimos de durao do contrato de arrendamento mercantil:

    31.1.6.1. Arrendamento mercantil financeiro

    a) de 2 (dois) anos, se a vida til do bem arrendado de 5 anos

    b) de 3 (trs) anos se a vida til do bem arrendado for maior que 5 anos

    31.1.6.2. Arrendamento mercantil operacional : O prazo mnimo do contrato de durao de 90 dias.

    Art. 8 BACEN 2.309/96. Os contratos devem estabelecer os seguintes prazos mnimos de arrendamento: I - para o arrendamento mercantil financeiro: a) 2 (dois) anos, compreendidos entre a data de entrega dos bens arrendatria, consubstanciada em termo de aceitao e recebimento dos bens, e a data de vencimento da ltima contraprestao, quando se tratar de arrendamento de bens com vida til igual "ou inferior a 5 (cinco) anos; b) 3 (trs) anos, observada a definio do prazo constante da alnea anterior, para o arrendamento de outros bens; II - para o arrendamento mercantil operacional, 90 (noventa) dias

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    31.2. Alienao Fiduciria em Garantia

    31.2.1. Conceito: A alienao fiduciria em garantia negcio em que uma das partes, proprietrio de um bem, aliena-o em confiana para a outra, transferindo a propriedade resolvel e a posse indireta do bem, como garantia de uma dvida, a qual se obriga a devolver-lhe a propriedade com o pagamento da referida dvida. Caracteriza-se pela ocorrncia de duas relaes jurdicas: i) obrigacional (dvida contrada) e ii) real (alienao temporria do bem).

    A alienao fiduciria em garantia encontra-se positivada nos artigos 1.361 a 1.368 CC, com relao aos bens mveis, e na L 9.514/97, com relao a bens imveis.

    Art. 1.361 CC. Considera-se fiduciria a propriedade resolvel de coisa mvel infungvel que o devedor, com escopo de garantia, transfere ao credor.

    Art. 22 L 9.514/97. A alienao fiduciria regulada por esta Lei o negcio jurdico pelo qual o devedor, ou fiduciante, com o escopo de garantia, contrata a transferncia ao credor, ou fiducirio, da propriedade resolvel de coisa imvel.

    31.2.2. Partes envolvidas no contrato: a) fiduciante (devedor/aquele que aliena o bem como garantia da dvida contrada) e b) fiducirio (credor/aquele que recebe o bem como garantia de dvida).

    31.2.3. Objeto do contrato: bens mveis ou imveis.

    31.2.4. Inadimplncia do contrato

    Quando a alienao fiduciria em garantia tem por objeto bem mvel, a mora do fiduciante acarreta a imediata exigibilidade das prestaes vincedas e possibilita ao credor fiducirio requerer em juzo a busca e apreenso do bem dado em garantia. Por outro lado, requerida a busca e apreenso do bem mvel alienado fiduciariamente, o fiduciante poder emendar a mora (pagamento dos atrasados), caso tenha pago j 40% da dvida.

    Quando a alienao fiduciria em garantia tem por objeto bem imvel, o direito do credor fiducirio se torna efetivo atravs da consolidao da propriedade do bem, mas em nome do credor fiducirio. Essa consolidao decorre da falta de purgao da mora perante o Tabelionato de Registro de Imveis, sendo o devedor obrigatoriamente intimado (Lei n. 9.514/97, art. 26).

    Em ambos os casos bens imveis ou mveis o credor fiducirio dever vender o bem dado em garantia a um terceiro (pacto comissrio), judicialmente ou extrajudicialmente, e, com o valor auferido, quitar a dvida do devedor fiduciante.

    VER:

    Priso do devedor fiducirio por depositrio infiel. (art. 654 CC x Pacto San Jos da Costa Rica)

    Posies jurisprudenciais STF e STJ

    Discusso da constitucionalidade desse procedimento sumrio (mora/consolidao/venda)

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    CASO CONCRETO: Oriente o credor de um contrato de alienao fiduciria em garantia uma vez que no foram pagas vrias prestaes e depois de lavrado o competente instrumento de protesto, quanto propositura da competente ao.

    Medida cautelar de busca e apreenso, visando imediata recuperao do bem alienado fiduciariamente e, em seguida, a ao principal de cobrana do crdito (Art. 3, Decreto-Lei n 911/1969 com as alteraes da Lei 10.931/2004).

    QUESTO OBJETIVA: Nos contratos de arrendamento mercantil ou "leasing", envolvendo veculo automotor, encerrado o prazo nele previsto, o arrendatrio poder

    a) ficar com a propriedade do bem desde que tenha pago todas as prestaes, mesmo inexistindo opo de compra.

    b) alienar o bem a terceiro, aps pagas todas as prestaes.

    c) ficar com a propriedade do bem desde que pago, tambm, o valor residual previsto no contrato.

    d) pagas todas as prestaes, exigir do arrendante a propriedade de outro veculo, porm de ano de fabricao correspondente data do trmino do contrato.

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