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DIREITO CONSTITUCIONAL TRIBUTRIO

Prof. Lenidas Antnio Cludio Neto / Acadmico de Direito / 8 Semestre

1. O que tributo e quais as suas

caractersticas?

TRIBUTO toda prestao pecuniria compulsria, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que no constitua sano de ato ilcito, instituda em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Suas caractersticas: a) PRESTAO PECUNIRIA, significando dizer que o tributo depende do pagamento em dinheiro, que deve se d em moeda corrente nacional. Portanto, no pode ser pagamento em prestao in labore, nem in natura. b) PRESTAO COMPULSRIA, significando dizer que se o tributo cobrado obrigatrio, deve estar institudo em lei, pois ningum obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa se no institudo em lei. c) DEVE SER COBRADA MEDIANTE ATIVIDADE ADMINISTRATIVA PLENAMENTE VINCULADA: essa atividade o lanamento tributrio (que tem o intuito de constituir o crdito tributrio). Dessa forma, o lanamento tributrio, no est sujeito aos critrios de convenincia e oportunidade, porque esses critrios so aplicados a atos de natureza que tenham natureza discricionria. d) O TRIBUTO NO PODE CONSTITUIR UMA SANO A ATO ILCITO, significando dizer que o tributo no deve ser confundido com multa, isto porque eles decorrem de atos diferentes, afinal a multa decorre da pratica de um ato ilcito, enquanto que o fato gerador de um tributo SEMPRE decorrer de um ato licito.

2. A lei pode permitir que o tributo seja pago

em trabalho? Justifique.

No. O tributo deve ser pago em dinheiro, no podendo ser pago in natura ou in labore, ou seja, por meio da entrega de bens, produo ou prestao de servios em troca da quitao de tributos.

3. possvel taxa para cobrana do servio de

iluminao pblica?

O STF julgou inconstitucional a taxa de iluminao pblica (Smula n. 670/STF), em face da ausncia da especificidade e divisibilidade. Com efeito, o servio de iluminao pblica no pode ser remunerado mediante taxa, uma vez que no configura servio pblico especfico e divisvel, prestado ao contribuinte ou posto sua disposio (CF, art. 145, II).

4. O que a teoria das cinco espcies e qual o

seu fundamento?

No Brasil, adota-se, majoritariamente, a TEORIA PENTAPARTITE ou QUINQUIPARTITE dos Tributos. Por meio dessa teoria defende-se a existncia de cinco espcies tributrias, quais sejam: a) IMPOSTOS (art. 145, I, CF; art. 16 CTN): tributo de carter genrico que independe de qualquer atividade ou servio do poder pblico em relao ao contribuinte (CTN, art. 16); b) TAXA: um tributo relacionado com o exerccio regular do poder de polcia, ou, com a prestao de algum servio pblico para um beneficirio identificado ou identificvel (art. 77 do CTN); c) CONTRIBUIO DE MELHORIA: um tributo cuja obrigao tem como fato gerador a valorizao de imveis decorrente de obra pblica; d) CONTRIBUIES ESPECIAIS: so aquelas que a Unio Federal institui com fundamento nos arts. 149 a 195 da Constituio Federal; dividem-se em 2 espcies: as contribuies sociais e as contribuies de seguridade social; e) EMPRSTIMO COMPULSRIO: um imposto qualificado pela promessa de restituio; teria natureza do contrato, embora ditado ou coativo.

5. Quais os princpios constitucionais

tributrios? Disserte

a) DA LEGALIDADE: garante que nenhum tributo ser institudo, nem aumentado, a no ser atravs de lei;

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sobre cada um deles. b) DA ANTERIORIDADE: nenhum tributo ser cobrado em cada exerccio financeiro, sem que a lei que o instituiu ou aumentou tenha sido publicada; a CF veda expressamente a cobrana do tributo no mesmo exerccio financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou (art. 150, III, b); c) DA ISONOMIA: a lei, em princpio no deve dar tratamento desigual a contribuintes que se encontrem em situao equivalente; d) DA IRRETROATIVIDADE: a lei tributria s vale em relao a fatos geradores ocorridos depois do incio da vigncia da lei que os houver institudo ou aumentado; e) DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA: o tributo deve ser cobrado de acordo com as possibilidades de cada um, tratar os desiguais de modo desigual; f) DA VEDAO DO CONFISCO: o tributo deve ser razovel, no podendo ser to oneroso que chegue a representar um verdadeiro confisco; g) DA LIBERDADE DE TRFEGO: no pode a lei tributria limitar o trfego interestadual ou intermunicipal de pessoas e bens, salvo o pedgio de via conservada pelo Poder Pblico; h) DA UNIFORMIDADE GEOGRFICA: o tributo da Unio deve ser igual em todo territrio nacional, sem distino entre os Estados.

6. Medida provisria pode criar ou aumentar

tributo?

As Medidas Provisrias podem criar ou majorar tributos, com exceo das exaes que necessitam ser institudas por lei complementar. A cobrana dos impostos institudos por meio de Medida Provisria depende da converso desta em lei antes do exerccio financeiro em que a exao deve ser exigida.

7. Quais as excees ao princpio da

anterioridade?

Excees este princpio so os seguintes tributos: II, IE, IPI, IOF, Emprstimo Compulsrio (tipo guerra externa ou calamidade pblica), Contribuio Social, CIDE Combustveis, ICMS Monofsico, Contribuio Residual e Imposto Guerra Externa.

8. O que competncia tributria?

a aptido para criar tributos, onde, o poder de criar tributo repartido entre os vrios entes polticos, de modo que cada um tem competncia para impor prestaes tributrias, dentro da esfera que lhe assinalada pela Constituio.

9. O que capacidade tributria?

a aptido para figurar no polo ativo (direito de cobrar, sendo, portanto sujeito ativo) ou passivo (dever de pagar, sendo, portanto sujeito passivo) da obrigao tributria.

10. O que so imunidade tributria e quais as suas espcies?

IMUNIDADE TRIBUTRIA - a proibio constitucional destinada aos entes polticos que detm a competncia tributria, de tributar determinadas pessoas, seja pela natureza jurdica que possuem, pelo tipo de atividade que desempenham ou ainda ligadas a determinados fatos, bens ou situaes. Suas espcies so: a) RECPROCA: afasta o dever de Unio, Estados Distrito Federal e Municpios cobrarem ente si impostos (art. 150, VI, a, da CF); b) RELIGIOSA: retira a incidncia de impostos sobre as entidades religiosas de qualquer culto (art. 150, VI, b, da CF); c) INSTITUIES: concede a benesse para retirada de impostos sobre os partidos polticos, inclusive suas fundaes, os sindicatos dos trabalhadores (patronal no) e as entidades de educao e assistncia social sem fins lucrativos (art. 150, VI, c, da CF); d) CULTURAL: desonera a incidncia de impostos sobre os livros, jornais, peridicos e o papel destinado sua impresso, com o objetivo de propagar a manifestao do pensamento e cultura entre a populao, barateando esses veculos (art. 150, VI, d, da CF);

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e) OBRAS MUSICAIS NACIONAIS: no incidiro impostos sobre as obras musicais e literomusicais de autores ou intrpretes brasileiros, objetivando baratear a aquisio dos originais e, assim, combater a pirataria.

11. Admite-se a imunidade de taxas?

Vale destacar que a imunidade tributria atinge apenas a modalidade de impostos, ou seja, NO ALCANANDO AS TAXAS, as contribuies sociais, as contribuies de melhoria e os emprstimos compulsrios.

12. O que fiscalidade, extrafiscalidade e

parafiscalidade. D exemplos de cada um

desses?

a) FISCALIDADE: utiliza-se da tributao com a finalidade de arrecadar receitas para mquina pblica; alcanar recursos financeiros para manuteno das despesas que os entes polticos obtm na realizao de obras e servios em prol da sociedade. A principal finalidade tributria. Ex.: ICMS como principal receita dos Estados; b) EXTRAFISCAL: o tributo ser utilizado para que os entes polticos possam intervir na seara econmica ou social. Em outras palavras, a carga tributria sendo usada para proteger indiretamente a populao. Ex.: Imposto sobre Importao (II) utilizado para obstar a entrada desenfreada de mercadorias estrangeiras no Brasil; c) PARAFISCAL: caracteriza-se quando o ente competente para criao do tributo (competncia em sentido estrito) repassa os poderes de fiscalizao, execuo e arrecadao a outro ente (capacidade tributria ativa). Ex:. arrecadao de recursos para autarquias, fundaes publicas, sociedades de economia mista, empresas publicas ou mesmo pessoas de direito privado que desenvolvam atividades relevantes, mas que no so prprias do Estado, a exemplo dos sindicatos, OAB, SESI, SESC, contribuies cobradas de servidores pblicos para custeio de sistemas de previdncia, etc.

13. O que relao jurdica tributria?

o vnculo mediante o qual um sujeito ativo tem o direito subjetivo de exigir o pagamento de certa prestao pecuniria (tributo) do sujeito passivo. A relao jurdica tributria tem: a) o FISCO no (polo ativo) tem o direito subjetivo de exigir do contribuinte ou responsvel (sujeito passivo) o pagamento do tributo (objeto); b) os CONTRIBUINTES ou RESPONSVEIS, no (polo passivo), tem o dever jurdico de efetuar o pagamento do tributo (objeto) para o fisco (sujeito passivo), sendo que o objeto relacional o Tributo.

14. Como so classificadas as

obrigaes tributrias pelo CTN?

O Cdigo Tributrio Nacional divide a existncia de duas modalidades de obrigao, quais sejam: a) PRINCIPAL: corresponde ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniria e tem como fato gerador situao definida na lei como necessria e suficiente sua ocorrncia (arts. 113, 1, e 114 do CTN); b) ACESSRIA: Prestaes, positivas ou negativas, no interesse da arrecadao ou da fiscalizao do

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