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  • Aula 07

    Direito Constitucional p/ TJ-Par 2014 (Auxiliar Judicirio)-Com Videoaulas

    Professores: Ricardo Vale, Ndia Carolina

  • Direito Constitucional p/ TJ-PA Profa. Ndia Carolina / Prof. Ricardo Vale

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    AULA 07: DIREITO CONSTITUCIONAL

    SUMRIO PGINA 1- Funes Essenciais Justia 1 41 2- Lista de Questes e Gabarito 42 - 51

    Funes Essenciais Justia

    1-Introduo:

    O Poder Judicirio no atua de ofcio, por iniciativa prpria. Em razo do princpio da inrcia, ele s age mediante provocao externa, o que representa verdadeira limitao funo jurisdicional do Estado.1

    Devido a essa caracterstica, necessrio que existam entidades que PRYLPHQWHPDDomRGR3RGHU-XGLFLiULR6mRDVFKDPDGDV)XQo}HV(VVHQFLDLVj -XVWLoD R 0LQLVWpULR 3~EOLFR D $GYRFDFLD 3~EOLFD D 'HIHQVRULD 3~EOLFD Htambm a Advocacia Privada. Cabe destacar que, ao contrrio do que muitos pensam, esses sujeitos no integram o Poder Judicirio; na verdade, so entidades estranhas a este, mas cujas funes so imprescindveis ao exerccio da funo jurisdicional do Estado.

    2- Ministrio Pblico:

    2.1- Conceito e Natureza Jurdica:

    Segundo o art. 127, CF/88, o Ministrio Pblico instituio permanente, essencial funo jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurdica, do regime democrtico e dos interesses sociais e individuais indisponveis Para melhor fixar o seu conceito, interessa saber que a palavra ministrio deriva GRODWLPmanusTXHVLJQLILFDPmR'HVGHVHXVSULPyUGLRVR0LQLVWpULR3~EOLFRHUDFRQVLGHUDGRDPmRGRUHLVHQGRH[HUFLGRSRUSURFXUDGRUHVTXHGHIHQGLDPos interesses do monarca. A partir do sculo XVIII, passou a ser conhecido, tambm, como Parquet, palavra que em francs que significa assoalho. A explicao que seus representantes se sentavam no assoalho da sala de audincia, para no serem confundidos com os magistrados.

    1 MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet, COELHO, Inocncia Mrtires. Curso de Direito Constitucional, 7 edio. So Paulo: Saraiva, 2010, pp. 1039.

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    Segundo a doutrina dominante, o Ministrio Pblico no integra a estrutura de nenhum dos trs Poderes.2 Trata-se de instituio autnoma e independente, que no est subordinada a nenhum dos poderes estatais. A prpria Constituio Federal de 1998, ao tratar do Ministrio Pblico, o faz em captulo separado do Poder Executivo, Legislativo e Judicirio.

    No sem polmica, todavia, que a doutrina posiciona o Ministrio Pblico como entidade no-integrante dos trs Poderes. Para o Prof. Jos Afonso da Silva, por exemplo, o Ministrio Pblico instituio vinculada ao Poder Executivo.3 H, DLQGDTXHPGHIHQGDDWHVHGHTXHR0LQLVWpULR3~EOLFRVHULDXPTXDUWRSRGHU Para fins de concurso pblico, a posio mais segura a de que trata-se de instituio autnoma e independente e que no est vinculada a nenhum poder.

    O Ministrio Pblico teve sua competncia significativamente ampliada pela Constituio Federal de 1988. Segundo Gilmar Mendes, essa instituio teve seus poderes alargados, voltando-VH SDUD D defesa dos interesses mais elevados da convivncia social e poltica, no apenas perante o Judicirio, mas tambm na ordem administrativa4

    2.2- Organizao e Estrutura do Ministrio Pblico:

    O Ministrio Pblico abrange o Ministrio Pblico da Unio (MPU) e os Ministrios Pblicos dos Estados - MPE (art. 128, I e II, CF).

    O Ministrio Pblico da Unio (MPU) abrange:

    a) O Ministrio Pblico Federal (MPF);

    b) O Ministrio Pblico do Trabalho (MPT);

    c) O Ministrio Pblico Militar (MPM);

    d) O Ministrio Pblico do Distrito Federal e Territrios (MPDFT).

    Existe, ainda, o Ministrio Pblico Eleitoral (MP Eleitoral), que no tem estrutura prpria, sendo composto de membros do MPE e do MPF.

    2 Nesse sentido: MORAES, Alexandre de. Constituio do Brasil Interpretada e Legislao Constitucional, 9 edio. So Paulo Editora Atlas: 2010 3 SILVA, Jos Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo, 35 edio, Ed. Malheiros, So Paulo, 2012, pp. 598. 4 MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet, COELHO, Inocncia Mrtires. Curso de Direito Constitucional, 5 edio. So Paulo: Saraiva, 2010, pp. 1041.

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    O Ministrio Pblico do Distrito Federal e Territrios (MPDFT), ao contrrio do que muitos podem ser levados a pensar, integra o Ministrio Pblico da Unio(MPU). No se trata, portanto, de um Ministrio Pblico Estadual. Assinale-se que compete exclusivamente Unio organizar e manter o Ministrio Pblico do DF e Territrios (art. 21, XIII, CF/88).

    A organizao do Ministrio Pblico da Unio (MPU) e do Ministrio Pblico dos Estados (MPE) efetuada com base em leis complementares (art. 127, 5, CF/88). No primeiro caso (organizao do MPU), uma lei complementar federal versa sobre o tema; no segundo caso (organizao dos MPE`s), cada estado edita lei complementar para organizar seu prprio Ministrio Pblico.

    A lei de organizao do Ministrio Pblico da Unio da iniciativa concorrente do Presidente da Repblica e do Procurador-Geral da Repblica. Por simetria, as leis de organizao dos Ministrios Pblicos Estaduais so de iniciativa concorrente do Governador e do Procurador-Geral de Justia.

    H, ainda, a previso constitucional de uma lei federal sobre normas gerais de organizao do Ministrio Pblico dos Estados, Distrito Federal e Territrios. Para isso, no h a exigncia de lei complementar, bastando lei ordinria para tratar do tema.

    Em resumo, temos:

    a) Organizao do MPU: matria de lei complementar federal

    b) Organizao dos MPE`s e do MPDFT: matria de lei complementar estadual.

    c) Normas gerais de organizao dos MPE`s e MPDFT: lei ordinria federal.

    2.3- Princpios Institucionais do Ministrio Pblico:

    Ministrio Pblico Federal Ministrio Pblico do Trabalho

    Ministrio Pblico Militar Ministrio Pblico do Distrito Federal e Territrios

    MPU

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    De acordo com o art. 127, 1, da Constituio, so princpios institucionais do Ministrio Pblico a unidade, a indivisibilidade e a independncia funcional.

    a) O princpio da unidade impe que o Ministrio Pblico deve ser considerado um nico rgo (uma nica instituio), sob a direo de uma nica pessoa (um nico Procurador-Geral). O Ministrio Pblico uno, composto por um s corpo institucional, que visa promover o interesse pblico e o bem comum.5

    claro que, para atender o princpio federativo, o Ministrio Pblico est organicamente dividido. H o Ministrio Pblico da Unio (MPU) e os Ministrios Pblicos Estaduais (MPE`s), cada um deles com seu chefe. Essa diviso existe em razo da repartio constitucional de competncias entre os entes federativos e no impede que consideremos a existncia de um MP nacional.

    Em razo dessa diviso orgnica, a doutrina considera que a unidade somente se aplica dentro de cada um dos Ministrios Pblicos. Enfatizando: no existe unidade entre o Ministrio Pblico Federal e os Estaduais; a unidade se d no mbito de cada Ministrio Pblico

    b) O princpio da indivisibilidade permite que os integrantes do Ministrio Pblico possam ser substitudos uns pelos outros ao longo do processo, desde que sejam da mesma carreira. Por esse princpio, os membros do Ministrio Pblico no esto vinculados a um processo e, justamente por isso, podem ser substitudos.

    5 In: CANOTILHO, J.J. Gomes; MENDES, Gilmar Ferreira; SARLET, Ingo Wolfgang; STRECK, Lenio Luiz. Comentrios Constituio do Brasil. Ed. Saraiva, So Paulo: 2013, pp. 1521.

    Princpios

    institucionais

    do MP

    Unidade

    Independncia funcionalIndivisibilidade

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    importante salientar que o princpio da indivisibilidade est intimamente relacionado ao princpio da unidade, sendo verdadeiro corolrio (consequncia) deste. Explico: pelo princpio da unidade, a atuao de um membro do Ministrio Pblico representa a atuao da prpria instituio do Ministrio Pblico. Como decorrncia lgica disso, no h qualquer consequncia para o processo quando um membro do MP substitudo por outro.

    c) O princpio da independncia funcional se manifesta em duas acepes: independncia externa ou orgnica (referindo-se ao Ministrio Pblico como um todo) e independncia interna (referindo-se a cada membro individualmente).

    Na primeira acepo, o Ministrio Pblico deve ser compreendido como uma instituio que no est sujeita a qualquer interferncia de outro rgo ou Poder da Repblica. O Ministrio Pblico deve buscar a satisfao do interesse social e do bem comum (e no o cumprimento de ordens deste ou daquele Poder!).

    Na segunda acepo, fica claro que os membros do Ministrio Pblico se vinculam apenas ao ordenamento jurdico e sua convico. Os membros do Ministrio Pblico no esto subordinados a qualquer hierarquia funcional. A hierarquia que existe dentro do Ministrio Pblico meramente administrativa. Nem mesmo o Procurador-Geral da Repblica poder ordenar a um membro do Ministrio Pblico Federal que atue num ou noutro sentido. Cada membro do Ministrio Pblico livre para agir, dentro dos limites da lei, segundo a sua prpria conscincia.

    A inde