direito civil - resumo contratos (2)

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DIREITO CIVILContratosResumo das aulas ministradas pelo

Prof. Vitor Frederico Kmpel INTRODUOFato jurdico todo acontecimento que tenha relevncia para o Direito. Esses acontecimentos podem ser provenientes da Natureza (fatos naturais) ou da ao humana (atos jurdicos).

A diferena entre fato jurdico e ato jurdico que o primeiro gnero do qual o ltimo espcie.Os atos jurdicos podem ser classificados em:

ilcitos; lcitos. Os atos jurdicos lcitos, por sua vez, dividem-se em: meramente lcitos, ou atos jurdicos em sentido estrito; negcios jurdicos. Ambos contm declarao de vontade; a diferena encontra-se nos seus efeitos. No ato jurdico em sentido estrito, os efeitos so previstos pela lei; no negcio jurdico, pelas partes. Os negcios jurdicos podem ser:unilaterais: s h uma declarao de vontade (exemplos: testamentos, promessa de recompensa, reconhecimento de paternidade de menores de 18 anos, emisso de cheques etc.);

bilaterais: h um acordo de vontades.

1.1. Conceito de ContratoContrato um negcio jurdico bilateral, um acordo de vontades, com a finalidade de produzir efeitos no mbito do Direito.

1.2. Requisitos de Validade do ContratoSo os seguintes os requisitos de validade do contrato: agente capaz; objeto lcito, possvel e determinado, ou pelo menos determinvel, como, por exemplo, a compra de uma safra futura; forma prescrita ou no defesa em lei. O contrato ilcito gnero, do qual o contrato juridicamente impossvel espcie. O contrato juridicamente impossvel s ofende a lei. J os contratos ilcitos ofendem a lei, a moral e os bons costumes.O contrato de prostituio um contrato juridicamente possvel, mas ilcito.1

Forma prescrita a forma que a lei impe, sendo de observao necessria se exigida.

1.2.1. Requisito especial dos contratos o consentimento, podendo ser expresso ou tcito. O consentimento tcito ocorre quando se pratica ato incompatvel com o desejo de recusa. H contratos em que a lei exige o consentimento expresso, no valendo o silncio como aceitao. Aqui no se aplica o brocado: quem cala consente. Nada obsta que a lei determine, em casos excepcionais, que o silncio valha como aceitao tcita.

1.3. Princpios do Direito Contratual 1.3.1. Princpio da autonomia da vontade e princpio da supremacia da ordem pblicaEsses dois princpios devem ser vistos harmonicamente.

Autonomia da vontade a liberdade de contratar. Os contratantes podem acordar o que quiserem, respeitando os requisitos de validade do contrato. Quando o Estado intervm nas relaes contratuais, mitiga o princpio da autonomia da vontade e faz prevalecer o princpio da supremacia da ordem pblica. Exemplos: Consolidao das Leis do Trabalho, Lei de Locaes, Cdigo de Defesa do Consumidor etc. Muitos doutrinadores sustentam a extino do princpio da autonomia privada e sua substituio por um novo princpio, mais restrito, o da autonomia privada.

1.3.2. Princpio do consensualismoO contrato considera-se celebrado com o acordo de vontades. A compra e venda de bem mvel, por exemplo, um acordo de vontades, sendo a tradio apenas o meio de transferncia da propriedade.H alguns contratos, no entanto, que exigem, para se aperfeioarem, alm do acordo de vontades, a tradio. So chamados contratos reais. Exemplos: mtuo (emprstimo de coisa fungvel), comodato (emprstimo de coisa infungvel), depsito, doao de bens mveis de pequeno valor (tambm chamada doao manual).

1.3.3. Princpio da relatividadeO contrato celebrado entre pessoas determinadas, vinculando as partes contratantes. possvel, entretanto, a algum que no seja contratante exigir o cumprimento de um contrato. O princpio da relatividade ocorre nas estipulaes em favor de terceiro (exemplo: seguro de vida, em que o beneficirio terceira pessoa).

1.3.4. Princpio da obrigatoriedade e princpio da reviso dos contratosOs contratos devem ser observados e cumpridos, sendo esse o postulado do princpio da obrigatoriedade (pacta sunt servanda). Os contratos de execuo prolongada no tempo continuam obrigatrios se no ocorrer nenhuma mudana - Princpio rebus sic stantibus. Ope-se ao Princpio pacta sunt servanda - o contrato faz lei entre as partes. A nossa legislao acolhe em parte a regra rebus sic stantibus, trazida pela Teoria da Impreviso, que tem os seguintes requisitos: contratos de execuo prolongada;.2

fato imprevisvel e geral; onerosidade excessiva. A primeira atitude a ser tomada deve ser a reviso do contrato com a tentativa de se restaurar as condies anteriores. No sendo possvel, rescinde-se o contrato. O pacta sunt servanda deve ser analisado luz do direito constitucional, da dignidade da pessoa humana, alm dos princpios da boa-f objetiva e da funo social do contrato, que so aplicados e interpretados de forma conjunta e sistematizada. Os princpios da boa-f objetiva e da funo social do contrato no substituram o princpio do pacta sunt servanda.

1.3.5. Princpio da boa-fAt prova em contrrio (presuno iuris tantum), presume-se que todo contratante est de boa-f.

1.4. Fases da Formao do ContratoOs contratos comeam com as negociaes preliminares. Quanto maior o valor dos bens, maiores sero as negociaes preliminares. Essas negociaes no obrigam e no vinculam os contratantes, pois ainda no passam de especulao de valores e condies. possvel que, aps essa fase, surja, de um dos contratantes, uma proposta, a qual vincular o proponente. Essa proposta tambm chamada policitao ou oblao. Quem faz a proposta deve sustent-la. Assim, podemos afirmar que a policitao uma declarao de contade, dirigida pelo policitante ao oblato, por fora da qual o primeiro manifesta a sua inteno de se considerar vinculado se a outra parte aceitar. O Cdigo Civil faz distino entre proposta feita a pessoa presente e proposta feita a pessoa ausente. Se a proposta feita a uma pessoa presente e contm prazo de validade, esse deve ser obedecido; se no contm prazo, a proposta deve ser aceita de imediato. o famoso pegar ou largar. Se a proposta feita pessoa ausente, por carta ou mensagem, com prazo para resposta, esta dever ser expedida no prazo estipulado. Se a proposta no fixar prazo para resposta, o Cdigo Civil dispe que deve ser mantida por tempo razovel (que varia de acordo com o caso concreto). Nncio o nome que se d ao mensageiro. A proposta feita por telefone considerada "entre presentes". A proposta feita pela Internet considerada "entre ausentes". A proposta ainda no o contrato: este s estar aperfeioado quando houver a aceitao. A aceitao da proposta "entre ausentes" pode ser feita por carta ou telegrama, aperfeioando-se o contrato quando da expedio daqueles.Se a aceitao, por circunstncia imprevista, chegar tarde ao conhecimento do proponente, este comunic-lo- imediatamente ao aceitante, sob pena de responder por perdas e danos, pois o contrato se formou com a aceitao tempestiva.

possvel arrepender-se da aceitao feita por carta, bastando para isso que a retratao chegue ao conhecimento da outra parte antes ou concomitante aceitao (artigo 433 do Cdigo Civil).3

A oferta ao pblico equivale a proposta quando encerra os requisitos essenciais ao contrato, salvo se o contrrio resultar das circunstncias ou dos usos. Pode revogar-se a oferta pela mesma via de sua divulgao, desde que ressalvada esta faculdade na oferta realizada.

A aceitao fora do prazo, com adies, com restries ou com modificaes considerada contraproposta ou nova proposta, conforme artigo 431 do Cdigo Civil. O Decreto-lei n. 58/37 dispe que os contratos de compromisso de compra e venda de imveis loteados so irretratveis e irrevogveis, salvo previso em contrrio.Segundo a Smula n. 166 do Supremo Tribunal Federal, inadmissvel o arrependimento no compromisso de compra e venda sujeito ao regime do Dec.-lei n. 58 de 10.12.1937. O compromisso de compra e venda de imvel loteado sempre irretratvel e irrevogvel.

O compromisso de compra e venda de imvel no-loteado irretratvel e irrevogvel, salvo previso em contrrio. H, portanto, a possibilidade de o contrato ter clusula de retratao. Se o vendedor se recusa a passar a escritura, o comprador pode requerer a sua adjudicao compulsria.

1.5. Peculiaridades dos Contratos BilateraisOs contratos bilaterais so aqueles que geram obrigaes recprocas para os contratantes.

1.5.1. Contratos bilaterais com prestaes simultneasNesses contratos, nenhum dos contratantes pode exigir judicialmente a prestao do outro enquanto no tiver cumprido a sua (artigo 476 do Cdigo Civil). A parte contrria defende-se alegando a exceo do contrato no cumprido exceptio non adimpleti contractus. Tem como pressuposto o descumprimento total do contrato.

Deve ser argida na contestao. uma exceo e no uma objeo, pois o juiz no pode conhec-la de ofcio. possvel argi-la tanto se o autor no cumpriu sua parte no contrato como se a cumpriu incorretamente. Se o contrato no for cumprido corretamente, a defesa se chama exceptio non rite adimpleti contractus. Tambm gera a extino da ao.

1.6. ArrasArras o sinal depositado por um dos contratantes no momento em que o contrato celebrado. Tem natureza de contrato real, s se aperfeioa com a efetiva entrega do valor ao outro contratante. As arras no se confundem com a clusula penal, que tem natureza de multa. H dois tipos de arras: penitenciais e confirmatrias. O ponto em comum que existe entre as arras penitenciais e as arras confirmatrias a simultaneidade celebrao do contrato, devendo haver a efetiva entrega da quantia. As arras penitenciais aparecem se no contrato constar clusula de arrependimento. Caso contrrio, as arras sero sempre confirmatrias. a) Arras penitenciais Previstas no artigo 420 do Cdigo Civil, atuam como pena convencional quando as partes estipularem o direito de arrependimento, prefixando as perdas e danos.4

Se quem desistir do contrato for quem deu as arras, perd-las-; se quem desistir for aquele que as recebeu, dever devolv-las em dobro. No gera direito de exigir