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  • DIREITO CIVIL IV

    AULA 3: Efeitos da Posse

  • Direito Civil IV

    1. Posse x Deteno x Atos de Mera Permisso A posse o exerccio de fato de um dos poderes da

    propriedade, em nome prprio

    Na deteno, o detentor tem a coisa em seu poder e exerce poderes sobre ela, mas no em seu pr- prio nome ou em seu proveito. O exerccio se d em nome alheio e de acordo com as ordens e instrues do possuidor do bem. Portanto, o detentor no tem posse.

    Segundo o art. 1.198, o detentor pode se tornar possuidor a passar a possuir a coisa como sua, quebrando o vinculo de subordinao

    AULA 3: EFEITOS DA POSSE

  • Direito Civil IV

    1. Posse x Deteno x Atos de Mera Permisso Atos de mera permisso so aqueles em que houve

    um pedido para o uso de um determinado bem e o consentimento expresso do possuidor e/ou dono da coisa (GONALVES, 2016, p. 64).

    A tolerncia caracteriza-se pelo fato de no ter havido nem pedido nem aceitao expressa. O possuidor e/ou proprietrio da coisa presencia o uso da mesma por parte de terceiro e nada faz, aceitando tacitamente tal comportamento, ou seja, ele o tolera. (GONALVES, 2016, p. 64)

    De acordo com o art. 1.208, primeira parte, do Cdigo Civil, No induzem posse os atos de mera permisso ou tolerncia....

    AULA 3: EFEITOS DA POSSE

  • 2. Efeitos da posse Dentre os efeitos da posse, destacam-se: a) percepo de frutos; b) indenizao e reteno por benfeitorias; c) indenizao por prejuzos sofridos; d) defesa da posse (interditos possessrios); e) usucapio.

    Direito das Coisas

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    AULA 3: EFEITOS DA POSSE

  • 2. Efeitos da posse a) percepo de frutos Frutos so definidos como bens acessrios, que resultam de outros bens considerados principais, sem dizim-los, conservando-os com os mesmos caracteres e com as mesmas finalidades. Os frutos naturais ou animais derivam dos bens gerados pela prpria natureza, mesmo que com o induzimento do homem. J os frutos civis, tambm reputados artificiais, decorrem de uma relao jurdica, em decorrncia da qual se auferem resultados econmicos e/ou financeiros, traduzidos em renda; os industriais, do trabalho ou engenhosidade do homem que, ao manejar recursos econmica e financeiramente mensurveis, produz rendimentos extrados do bem principal. Os frutos pendentes so aqueles ainda argolados ou presos ao bem principal, haja vista que se lhe desaconselha a colheita ou recolhimento precoce; os frutos percebidos, aqueles que foram colhidos, com resultado til; os frutos percipiendos, aptos a serem colhidos, no foram

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    AULA 3: EFEITOS DA POSSE

  • 2. Efeitos da posse a) percepo de frutos Art. 1.214. O possuidor de boa-f tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos. Pargrafo nico. Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-f devem ser restitudos, depois de deduzidas as despesas da produo e custeio; devem ser tambm restitudos os frutos colhidos com antecipao. Art. 1.215. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo que so separados; os civis reputam-se percebidos dia por dia. Art. 1.216. O possuidor de m-f responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de m-f; tem direito s despesas da produo e custeio.

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  • 2. Efeitos da posse a) percepo de frutos

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    AULA 3: EFEITOS DA POSSE

  • 2. Efeitos da posse a) percepo de frutos O pagamento feito ao possuidor de m-f pelas despesas de produo e custeio devido tendo

    em vista o princpio do direito civil que probe o enriquecimento sem causa

    Os frutos colhidos por antecipao devem ser devolvidos.

    Os frutos civis, por tratarem-se de rendimentos, reputam-se colhidos a cada dia.

    As normas contidas nos art.s 1.214 a 1.216, CC so supletivas, podendo, portanto, ser afastadas atravs do regular exerccio da autonomia privada.

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  • 2. Efeitos da posse b) indenizao e reteno por benfeitorias As benfeitorias correspondem a tudo o que se emprega num bem imvel ou mvel, com a finalidade de salvaguard-lo ou de embelez-lo. Benfeitoria volupturia aquela que se realiza por mero deleite ou recreio, sem vocao ou predicativo capaz de aumentar o uso habitual do bem. Benfeitorias teis so aquelas que aumentam ou facilitam o uso do bem principal, em que elas so realizadas, com o intuito de enriquecer ou simplificar os meios para us-lo Chama-se benfeitoria necessria aquela cuja realizao busca conservar ou evitar que o bem principal se deteriore, com risco de destruio, parcial ou total.

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  • 2. Efeitos da posse b) indenizao e reteno por benfeitorias Art. 1.219. O possuidor de boa-f tem direito indenizao das benfeitorias necessrias e teis, bem como, quanto s volupturias, se no lhe forem pagas, a levant-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poder exercer o direito de reteno pelo valor das benfeitorias necessrias e teis. Art. 1.220. Ao possuidor de m-f sero ressarcidas somente as benfeitorias necessrias; no lhe assiste o direito de reteno pela importncia destas, nem o de levantar as volupturias.

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  • 2. Efeitos da posse b) indenizao e reteno por benfeitorias

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  • 2. Efeitos da posse b) indenizao e reteno por benfeitorias As benfeitorias so compensadas com os danos. Enunciado n 81, I Jornada de Direito Civil: O direito de reteno previsto no CC 1219, decorrente da realizao de benfeitorias necessrias e teis, tambm se aplica s acesses (construes e plantaes) nas mesmas circunstncias. As normas contidas nos art.s 1.219 e 1.220, CC so supletivas, podendo, portanto, ser afastadas atravs do regular exerccio da autonomia privada.

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  • 2. Efeitos da posse c) indenizao por prejuzos sofridos Art. 1.217. O possuidor de boa-f no responde pela perda ou deteriorao da coisa, a que no der causa. Art. 1.218. O possuidor de m-f responde pela perda, ou deteriorao da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante.

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  • 2. Efeitos da posse c) indenizao por prejuzos sofridos O possuidor de boa-f s responde pela perda ou deteriorao da coisa a que der causa. Logo, a esse tipo de possuidor admitida a aplicao das excludentes de responsabilidade (caso fortuito, fora maior e culpa exclusiva de terceiro). O possuidor de m-f, no entanto, responder de forma objetiva, haja vista que, segundo o art. 1.218 do CC, responder pela perda ou deteriorao da coisa, ainda que acidentalmente, salvo se comprovar que de igual modo a perda ou a deteriorao teria ocorrido estando a coisa na posse do proprietrio. Importante destacar que ao possuidor de m-f no se aplicam as clssicas excludentes de responsabilidade (caso fortuito, fora maior e culpa exclusiva de terceiro), competindo a ele o nus de comprovar a exceo prevista no art. 1.218, do CC. No bastando a prova de ausncia de culpa nem de fora maior.

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  • 2. Efeitos da posse d) defesa da posse (interditos possessrios) Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbao, restitudo no de esbulho, e segurado de violncia iminente, se tiver justo receio de ser molestado. 1o O possuidor turbado, ou esbulhado, poder manter-se ou restituir-se por sua prpria fora, contanto que o faa logo; os atos de defesa, ou de desforo, no podem ir alm do indispensvel manuteno, ou restituio da posse. 2o No obsta manuteno ou reintegrao na posse a alegao de propriedade, ou de outro direito sobre a coisa. Art. 1.211. Quando mais de uma pessoa se disser possuidora, manter-se- provisoriamente a que tiver a coisa, se no estiver manifesto que a obteve de alguma das outras por modo vicioso. Art. 1.212. O possuidor pode intentar a ao de esbulho, ou a de indenizao, contra o terceiro, que recebeu a coisa esbulhada sabendo que o era. Art. 1.213. O disposto nos artigos antecedentes no se aplica s servides no aparentes, salvo quando os respectivos ttulos provierem do possuidor do prdio serviente, ou daqueles de quem este o houve.

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  • 2. Efeitos da posse d) defesa da posse (interditos possessrios) Interdito possessrio a denominao genrica que se d s aes possessrias que visam combater as seguintes agresses posse: Esbulho: agresso que culmina da perda da posse. Interdito adequado: reintegrao de posse (efeito restaurador). CPC, arts. 560 a 566. Turbao: agresso que embaraa o exerccio normal da posse. Interdito adequado: manuteno de posse (efeito normalizador). CPC, arts. 560 a 566. Ameaa: risco de esbulho ou de turbao. Interdito adequado: interdito proibitrio. CPC, 567 e 568. Fungibilidade entre as aes possessrias (art. 554, CPC).

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  • 2. Efeitos da posse d) defesa da posse (interditos possessrios) Condies das aes possessrias: - Possibilidade jurdica do pedido: Aes possessrias x aes petitrias

    - Interesse processual (adequao, utilidade, necessidade)

    - Leg