direito civil ii - contratos (profa. cíntia)

Download Direito Civil II - Contratos (Profa. Cíntia)

Post on 31-Dec-2015

98 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • Direito Civil II: Contratos Prof Cntia Rosa Pereira Lima e-mail: fernandotaveira@gmail.com Apresentao da Disciplina - Parte Geral: 1 Prova - 25/09 - Parte Especial Metodologia - Parte Terica - Parte Prtica Avaliao - 1 Prova (7,0) - Seminrio Prtico (2,0) - Contrato (1,0) - 2 Prova (10,0) Indicao Bibliogrfica - NEGREIROS, Teresa. Teoria do Contrato: Novos Paradigmas. 2 Ed. Rio de Janeiro, 2006 - MARQUES, Cludia Lima. Contratos no Cdigo de Defesa do Consumidor: O novo regime das relaes contratuais. 4 Ed, So Paulo: Revista dos Tribunais, 2002.

    Teoria Geral dos Contratos Evoluo Histrica Evoluo Histrica da Doutrina Contratual - Direito Romano: Princpio da Formalidade - Nexum (tipo de contrato de emprstimo) e stipulatio (promessa de prestar) * Princpio da Liberdade de Formas (Art. 104, II, CC). Ex.: Art. 108, CC - Direito Cannico: Princpio pacta sunt servanda (F palavra dada) - Validade das convenes, atribuindo-lhes fora obrigatria e amenizando a exigncia de um formalismo extremado do Direito Romano. OBS.: Clusula rebres sie standibus (assim enquanto as coisas permanecerem) mitigao do princpio da fora obrigatria frente a novos contextos * Princpio da Fora Obrigatria dos Contratos os contratos fazem lei entre as partes - Direito Natural: Willenstheorie - Kant: Autonomia da Vontade Liberdade Contratual = Direito natural do homem - O direito s poderia ser restringido pela vontade humana - Liberalismo Econmico: Voluntarismo Jurdico (laissez-faire, laissez-passer: deixa fazer, deixa passar) - Codificaes do Sc. XIX (Ex.: CC 1916): marcadas pela ideologia liberal do Estado capitalista * Princpio da Liberdade Contratual o homem tem liberdade de realizar a figura contratual que achar mais interessante - Alterao dos princpios tradicionais - Necessidade de mudana ideolgica devido desigualdade gerada entre as partes - Inadequao dos princpios tradicionais da liberdade contratual e da fora obrigatria dos contratos diante da contratao em massa - Georges Ripert: A Regra Moral das Obrigaes e Aspectos Jurdicos do Capitalismo Defesa da interveno estatal nos contratos Entre o forte e o fraco, h a lei que liberta e a liberdade que escraviza. - CDC e CC 2002: abrandamento de princpios tradicionais * Princpio da Relatividade dos Efeitos do Contrato - Princpios Sociais: Clusulas gerais aplicadas ao contexto social - Boa-f Objetiva - Funo Social do Contrato - Equilbrio Contratual Em suma, o contrato hoje extrapola a mera satisfao de interesses privados, e encarado como mecanismo fundamental para o desenvolvimento social Conceito de Contrato - Contrato como negcio jurdico bilateral: - Proposta ou oferta + aceitao

  • - Espcie de negcio jurdico que se restringe apenas ao direito das obrigaes, criando, modificando ou extinguindo as mesmas. OBS.: O contrato NEM SEMPRE bilateral; pode ser unilateral (negcio jurdico bilateral que gera obrigaes unilaterais a uma s parte) - Antunes Varela: Contrato o acordo vinculativo assente sobre duas ou mais declaraes de vontade contrapostas, mas perfeitamente harmonizadas entre si e que visam estabelecer uma composio unitria de interesses. - Junqueira: Contrato um negocio jurdico, uma manifestao de vontade realizada sob determinadas circunstncias (circunstncias negociais) que socialmente vista como capaz de gerar efeitos jurdicos. Esta manifestao de vontade realizada sob certas circunstncias a declarao de vontade. * ACORDO DE DECLARAES DE VONTADE = vontade que, para ser acordada, deve ser antes expressa - Contrato Pacto: Pacto acessrio ao contrato, clusula aposta em certos contratos especiais - Contrato Conveno: Conveno gnero (criam, modificam e extinguem obrigaes), do qual o contrato espcie (s cria obrigaes) - Contrato Acordo: Acordos no so tutelados pelo ordenamento jurdico, mas sim pela moral.

    Princpios Contratuais Tradicionais e Nova Teoria Contratual (Princpios Sociais) Os Princpios Contratuais Tradicionais ou Clssicos ou Liberais so regras em prol da validade e fora obrigatria dos vnculos obrigacionais emanados da vontade livre individual. Os princpios tradicionais tm limitaes que impedem que vigorem de maneira absoluta. 1. Princpio das liberdades contratuais: - Kant: indivduo como ente de razo vincula outros atravs de sua vontade intima e consciente - Liberdades contratuais: Liberdade de contratar: celebrar contratos ou no - Poder do indivduo de provocar os efeitos legais que se pretende alcanar e escolher o parceiro contratual - Art. 5, II, CF: ningum obrigado a fazer ou deixar de fazer algo seno em virtude de lei - Liberdade no absoluta pela existncia de contratos obrigatrios e pelo dever, em determinadas situaes, de se contratar com pessoa determinada Liberdade de estipular o contrato: escolher a forma contratual, tpica ou atpica - Art. 425, CC: lcito s partes estipular contratos atpicos, observadas as normas gerais fixadas neste Cdigo - Liberdade no absoluta, pois deve respeitar as normas cogentes Liberdade de determinar o contedo do contrato: desde que o objeto seja lcito e preencha os requisitos do Art. 104, CC. * Outras limitaes: ordem pblica, bons costumes e funo social do contrato (Art. 421, CC)

    2. Princpio da fora obrigatria dos contratos: decorrente do voluntarismo jurdico e da autonomia da vontade. O contrato faz lei entre as partes desde que as vontades estejam dentro dos limites da lei. - Irretratabilidade unilateral da declarao de vontade: uma das partes no pode desconstituir ou alterar o contrato previamente formado por duas declaraes convergentes de vontade. O contrato s pode ser alterado pelo distrato ou eventualmente por meio de um adendo (ambos requerem manifestao das duas partes) - Intangibilidade do contedo do contrato: o contedo do contrato no pode ser alterado unilateralmente pelas partes e nem pelo juiz, num primeiro momento. Exceo: quando a lei permitir em casos de onerosidade excessiva, reviso judicial dos contratos e denncia do contrato (Art. 478, 317 e 473, CC) * Outras limitaes: valorao do aspecto social - mudanas nas circunstncias da formao do contrato e atuais possibilitam adaptao do contedo do contrato 3. Princpio da relatividade dos efeitos dos contratos: o contrato celebrado entre as partes no pode beneficiar ou prejudicar terceiros. O contrato no cria direitos nem pode impor obrigaes alm do que foi

  • previamente contratado pelas partes (aspecto objetivo importncia da qualificao adequada do objeto do contrato). Alm disso, os direitos e obrigaes oriundas do contrato alcanam apenas quem parte do mesmo (aspecto subjetivo). * Limitaes: o contrato tem uma funo social, funo que deve considerar a sociedade como um todo, podendo ter efeito para terceiros.

    4. Princpio do consensualismo ou consentimento: para a formao do vnculo contratual basta a manifestao de vontade das partes. * Limitaes: no sentido de que, em certos casos, a lei exige uma forma preestabelecida. V-se que os princpios contratuais clssicos so relativizados, atravs da aplicao de novos princpios, chamados de princpios contratuais sociais, como o princpio da boa-f objetiva, a funo social do contrato ou o princpio do equilbrio contratual.

    Princpios Contratuais Sociais Os princpios contratuais sociais se distinguem dos princpios clssicos, pois se pautam pelo aspecto social, enquanto os clssicos tm carter individualista. No se aceita mais a ideologia de que o contrato diz respeito somente s partes contratantes. O contrato se insere no contexto social, afetando de alguma forma a sociedade como um todo. Nota-se que os princpios sociais no excluem os clssicos, mas devem ser aplicados harmoniosamente para que se alcance a igualdade real entre as partes contratantes. 1. Princpio da boa-f objetiva: o princpio social que irradia aos demais, ressaltando sua relevncia. - Boa-f objetiva Boa-f subjetiva: a boa-f subjetiva se liga a crena individual (fator psicolgico), enquanto que a boa-f objetiva se liga a regra de conduta do individuo em sociedade.

    - Princpio Clusula Geral: a clusula geral nem sempre contm um princpio, mas pode conter, como no caso da clusula geral da boa-f objetiva (Art. 422, CC). O princpio da boa-f objetiva uma clusula geral que estabelece padres de comportamentos. Clusula geral: meio legislativamente hbil para permitir o ingresso de princpios valorativos no ordenamento jurdico Conceito dinmico da boa-f objetiva = atuao refletindo no outro, respeitando-o e tambm respeitando seus interesses, agindo com lealdade, sem abuso e sem leso ou desvantagem excessiva, cooperando para o cumprimento do objetivo contratual e a realizao dos interesses das partes.

    - Funes da clusula geral da boa-f objetiva: Funo interpretativa: interpretao de negcios jurdicos e contratos pelo juiz (Art. 113, CC) Funo integrativa: diante da lacuna da lei, o juiz determinar no caso concreto o padro de comportamento que se espera das partes, impondo-lhes deveres anexos ou colaterais e preenchendo a lacuna da lei. Funo corretiva: correo de distores e clusulas abusivas do negcio jurdico ou contrato - mbito de aplicao da clusula geral da boa-f objetiva: insuficincias e deficincias Amplitude: limitao da aplicao da boa-f objetiva concluso e execuo do contrato, sem mencionar as fases pr e ps contratuais. Natureza jurdica: o Art. 422, CC no define se a clusula geral de boa-f norma cogente ou dispositiva. Deficincia: ausncia de disposies sobre os deveres anexos, as clusulas faltantes e as abusivas. - Boa-f objetiva na fase ps-contratual: deve ser observada, gerando a responsabilidade ps-contratual * Entendimento jurisprudencial = deve-se responder pelo inadimplemento contratual quando no se observam os deveres anexos impostos pela boa-f objetiva ainda que na fase ps-contratual - Boa-f como fundamento para a represso s condutas contraditrias: Venire contra factum proprium: co

Recommended

View more >