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APOSTILA DE DIREITO CIVIL PARTE IIIEsta apostila foi preparada pelo site CONCURSONET http://concursonet.cjb.net Visite-nos e acompanhe periodicamente nossas atualizaes em Aulas, Apostilas, Simulados e Provas Anteriores para concursos pblicos

DOS CONTRATOS E DAS DECLARAES UNILATERAIS DA VONTADE LIVRO I A IDIA DE CONTRATO CAPTULO I CONCEITO DE CONTRATO NOO DE CONTRATO Dentro da teoria dos negcios jurdicos, tradicional a distino entre os atos unilaterais e os bilaterais. Aqueles se aperfeioam pela manifestao da vontade de uma das partes, enquanto estes dependem da coincidncia de dois ou mais consentimentos. Os negcios bilaterais, isto , os que decorrem de acordo de mais de uma vontade, so os contratos. Portanto, o contrato representa uma espcie do gnero negcio jurdico. E a diferena especfica, entre ambos, consiste na circunstncia de o aperfeioamento do contrato depender da conjuno da vontade de duas ou mais partes. O contrato o acordo das vontades para o fim de adquirir, resguardar, modificar ou extinguir direitos. Em face de tal conceito, o mbito do contrato no se circunscreve apenas ao direito das obrigaes, estendendo-se aos outros ramos do direito privado e mesmo ao direito pblico. Todavia uma parte considervel da doutrina procura limitar o conceito de contato, em sentido estrito, aos ajustes que constituam, regulam ou extinguam relaes patrimoniais. FUNO SOCIAL DO CONTRATO O contrato exerce uma funo e apresenta um contedo constante: o de ser o centro da vida dos negcios. o instrumento prtico que realiza o mister de harmonizar interesses no coincidentes. Defluindo da vontade das partes, ele s se aperfeioa quando, atravs da transigncia de cada um, alcanam os contratantes um acordo satisfatrio a ambos. O contrato vai ser o instrumento imprescindvel e o elemento indispensvel circulao dos bens. E no h exagero em se dizer que o direito contratual foi um dos instrumentos mais eficazes da expanso capitalista em sua primeira etapa. FUNDAMENTO DA OBRIGATORIEDADE DOS CONTRATOS Uma vez ultimado, o contrato liga as partes concordantes, estabelecendo um vnculo obrigacional entre elas, algumas legislaes vo a ponto de afirmar que as convenes legalmente firmadas transformam-se em lei entre as partes. O homem deve manter-se fiel s sua promessas, em virtude da lei natural que compele a dizer a verdade. Pode calar-se ou falar. Mas, se fala, e falando promete, a lei o constringe a cumprir tal promessa. A seu ver s esse sistema consegue explicar de maneira satisfatria a gnese contratual. Com efeito a lei que torna obrigatrio o cumprimento do contrato. E o faz compelir aquele que livremente se vinculou a manter sua promessa, procurando, desse modo, assegurar as relaes assim estabelecidas.

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O contrato se aperfeioa pela coincidncia de duas ou mais manifestaes unilaterais da vontade. Se estas se externarem livre e conscientemente, se foram obedecidas as prescries legais a lei as faz obrigatrias, impondo a reparao das perdas e danos para a hipteses de inadimplemento. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS E PRESSUPOSTOS DA VALIDADE DO CONTRATO So elementos constitutivos do ato jurdico: a) c) a vontade manifestada atravs da declarao; a forma, quando se substncia do ato. b) a idoneidade do objeto;

Verificamos, tambm, constiturem seus pressupostos de validade: a) c) a capacidade das partes e sua legitimao para o negcio; a obedincia forma, quando prescrita em lei. b) a liceidade do objeto;

O fator novo, elementar ao conceito, a coincidncia de vontades, ou seja, o acordo entre dois ou mais participantes da conveno. PRINCPIOS DO DIREITO CONTRATUAL Trs princpios bsicos constituram o alicerce da teoria contratual: I. O PRINCPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE consiste na prerrogativa conferida aos indivduos de criarem relaes na rbita do direito, desde que s e submetam s regras impostas pela lei e que seus fins coincidam com o interesse geral, ou no o contradigam. Desse modo, qualquer pessoa capaz pode, atravs da manifestao de sua vontade, tendo objeto lcito, criar relaes a que a lei empresta validade. O princpio da autonomia da vontade se desdobra em dois outros a saber: a) princpio da liberdade de contratar ou no contratar; b) princpio da liberdade de contratar aquilo que pretender. De acordo com o princpio da autonomia da vontade, ningum obrigado a se ligar contratualmente, s o fazendo se assim lhe aprouver. E ainda: qualquer pessoa capaz pode recorrer a qualquer procedimento lcito para alcanar um efeito jurdico almejado. Todavia, essa liberdade concedida ao indivduo, de contratar o que entender, encontrou sempre limitao na idia de ordem pblica, pois, cada vez que o interesse individual colide com o da sociedade, o desta ltima que deve prevalecer. A idia de ordem pblica constituda por aquele conjunto de interesses jurdicos e morais que incumbe sociedade preservar. Por conseguinte, os princpios de ordem pblica no podem ser alterados por conveno entre os particulares. As normas legais se classificam em princpios cogentes ou de ordem pblica e princpios dispositivos. Enquanto aqueles, por interessarem diretamente estrutura da sociedade, ou poltica jurdica estabelecida pelo legislador, no podem ser alterados pelo ajuste entre as partes. Estes outros s vigoram no silncio dos interessados, podendo, por conseguinte, ser superados pela vontade em contrrio dos contratantes. O princpio da autonomia da vontade esbarra sempre na limitao criada por lei de ordem pblica. Esbarra, igualmente, na noo de bons costumes, ou seja, naquelas regras morais no reduzidas a escrito, mas aceitas pelo grupo social e constituem o substrato ideolgico inspirados do sistema jurdico. A noo de ordem pblica e o respeito aos bons costumes constituem, por conseguinte, barreiras limitadoras da liberdade individual em matria de contrato.

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II. O segundo princpio o da RELATIVIDADE DAS CONVENES - contm a idia de que os efeitos do contrato s se manifestam entre as partes, no aproveitando nem prejudicando terceiros. Como o vnculo contratual emana da vontade das partes, natural que terceiros no possam ficar atados a uma relao jurdica que lhes no foi imposta pela lei, nem derivou de seu querer. Por conseguinte, tal princpio representa um elemento de segurana, a garantir que ningum ficar preso a uma conveno, a menos que a lei o determine, ou a prpria pessoa o delibere. III. O PRINCPIO DA FORA VINCULANTE DAS CONVENES consagra a idia de que o contrato, uma vez obedecidos os requisitos legais, se torna obrigatrio entre as partes, que dele no se podem desligar seno por outra avena, em tal sentido. Isto , o contrato vai consistir uma espcie de lei privada entre as partes, adquirindo fora vinculante igual do preceito legislativo, pois vem munido de uma sano que decorre da norma legal, representada pela possibilidade de execuo patrimonial do devedor. Pacta sunt servanda! O princpio da obrigatoriedade das convenes encontra um limite na regra de que a obrigao se extingue, se vier a se impossibilitar por fora maior ou caso fortuito. EVOLUO DO DIREITO CONTRATUAL A partir dos ltimos anos do sculo passado, apareceu na doutrina uma tendncia a reviver a velha clusula rebus sic stantibus, que se foi consolidar atravs da moderna teoria da impreviso. Segundo esta concepo no mister que a prestao se torne impossvel para que o devedor se libere do liame contratual. Basta que, atravs de fatos extraordinrios e imprevisveis, ela se torne excessivamente onerosa para uma das partes. Isso ocorrendo, pode o prejudicado pedir a resciso do negcio. No Brasil no se encontra texto expresso abraando genericamente a teoria da impreviso. Mas inegvel que ela inspirou o legislador na elaborao de alguns preceitos esparsos. CAPTULO II CLASSIFICAO DOS CONTRATOS CONSIDERAES GERAIS SOBRE A CLASSIFICAO DOS CONTRATOS A classificao um processo lgico, por meio do qual, estabelecido um ngulo de observao, o analista encara um fenmeno determinado, grupando suas vrias espcies conforme se aproximem ou se afastem uma das outras. Sua finalidade acentuar as semelhanas e dessemelhanas entre as mltiplas espcies, de maneira a facilitar a inteligncia do problema em estudo. Para que a classificao seja adequada, faz-se mister a presena de duas condies, a saber: a) que no deixe resduos, isto , que, uma vez determinada, todas as espcies caibam numa das categorias estabelecidas; b) que as espcies classificadas numa rubrica mais se afastem, do que se aproximem, das espcies classificadas em outra. Se encararmos os contratos tendo em considerao a sua natureza, podemos classific-los em: a) unilaterais e bilaterais; b) onerosos e gratuitos; c) cumulativos e aleatrios; d) causais e abstratos. Se tivermos em vista a maneira como se aperfeioam, podemos distinguir os contratos em consensuais e reais, e solenes e no solenes. Se nos ativermos tradicional diviso, tendo em vista o fato de a lei lhes atribuir, ou no, um nome e lhes sistematizar as regras, podemos separar os contratos em nominados e inominados. Considerados uns em relao aos outros, os contratos se classificam em principais e acessrios. Tendo em vista o tempo em que devem ser executadas, separam-se em contratos de execuo instantnea e contratos de execuo diferida no futuro. Quando ao seu objeto, pode-se ainda distinguir o contrato definitivo do contrato preliminar. Finalmente quando se tem em vista a maneira como so formados, cumpre separar os contratos paritrios dos contratos de adeso.

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CONTRATOS UNILATERAIS E BILATERAIS A terminologia ora empregada poder provocar alguma perplexidade, pois, conforme j foi visto, o contrato , por definio mesmo, um ato bilateral. Ao classificarmos os atos jurdicos distinguimos os negcios unilaterais e bilaterais. Os primeiros se aperfeioam pela manifestao da vontade de uma das partes, como ocorre com o testamento, enquanto os segundos dependem da conjugao da vontade de duas ou mais pessoas, para se completarem, como se d na hiptese dos contratos. Portanto, aqui se tem em vista o momento da form