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    Direito Administrativo

    Professor Cristiano de Souza

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    Direito Administrativo

    DIREITO ADMINISTRATIVO E ADMINISTRAO PBLICA

    A expresso regime jurdico da Administrao Pblica utilizada para designar, em sentido am-plo, os regimes de direito pblico e de direito privado a que pode submeter-se a Administrao Pblica.

    A expresso Administrao Pblica, em sentido estrito, compreende, sob o aspecto subjetivo, apenas os rgos administrativos e, sob o aspecto objetivo, apenas a funo administrativa, excludos, no primeiro caso, os rgos governamentais e, no segundo, a funo poltica.

    No tocante a expresso administrao pblica, segundo Maria Sylvia Di Pietro, podemos classi-ficar a expresso em dois sentidos, vejamos:

    Sentido subjetivo, formal ou orgnico Sentido objetivo, material ou funcional

    Designa os entes que exercem a atividade admi-nistrativa compreendendo as pessoas jurdicas, r-gos, e agentes pblicos incumbidos no exerccio da atividade administrativa: a funo administrati-va.

    Designa a natureza da atividade exercida pelos re-feridos entes. a prpria funo administrativa, preponderantemente, ao do poder executivo.

    No sentido subjetivo abrange todos os entes com atribuio do exerccio da atividade administrativa.O Poder Executivo exerce tipicamente essa fun-o, assim como os Poderes Legislativo e Judicirio exercem atipicamente a funo administrativa.Portanto, todos os rgos integrantes das pessoas jurdicas (Unio, Estado, DF, Municpios) compe a administrao no sentido subjetivo.Incluindo, nesta lista, as pessoas jurdicas da administrao indireta (autarquias, fundaes pblicas, empresa pblicas, sociedade de economia mista, consrcio pblico)

    Abrange as atividades exercidas pelas pessoas jur-dicas, rgos e agentes no atendimento das neces-sidades coletivas. Nesse sentido temos o fomento por subvenes oramentrias, a polcia adminis-trativa com as limitaes administrativas, os servi-os pblicos assim como as intervenes estatais na regulao e fiscalizao da atividade econmica de natureza privada.

    Caractersticas em sentido objetivo

    uma atividade concreta que pe a execuo da vontade do Estado contida na lei;Sua finalidade a satisfao direta e imediata dos fins do Estado;Seu regime preponderantemente pblico.Resumo: em sentido objetivo, a administrao pode ser definida como atividade concreta e imediata que o Estado desenvolve, sob regime jurdico total ou parcialmente pblico, para a consecuo dos interesses coletivos.

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    REGIME JURDICO ADMINISTRATIVO

    A administrao pblica pode submeter-se a regime jurdico de direito privado ou a regime ju-rdico de direito pblico. Portanto, o Regime Jurdico da Administrao Pblica ser pblico ou privado.

    A definio de regime jurdico delineada pelo prprio texto constitucional ou pelas leis in-fraconstitucionais, mas jamais poder definir o regime jurdico por ato uniliteral tipicamente administrativo (ex.: portarias, decretos, regulamentos, instrues normativas), pois tal conduta ofenderia o princpio da legalidade.

    Quando atua no regime de direito privado ficar equiparada para todos os efeitos de obriga-es, encargos e privilgios conferidos ao setor privado, sem nenhuma prerrogativa de superio-ridade.

    Por outro lado, quando atua no regime de direito pblico a administrao gozar privilgios (ex.: prescrio quinquenal, processo especial de execuo, impenhorabilidade dos bens pbli-cos), mas tambm sofrer restries (Ex.: limitao e definio de competncias, obedincias aos princpios da finalidade, forma, motivo, publicidade).

    De forma mais restrita, a expresso Regime Jurdico Administrativo traduz a atuao da ad-ministrao numa posio de privilgio, portanto, de direito pblico. Obviamente, nesse regi-me teremos o gozo de privilgios assim como a imposio de restries.

    O binmio de prerrogativas e restries da administrao pblica geralmente expresso em princpios que norteiam a atuao da administrao quando atua no regime pblico.

    Do privilgio surge o princpio da supremacia do interesse pblico sobre o particular no in-tuito da necessidade de satisfao dos interesses coletivos buscando o bem estar social (ex.: poder de polcia quando limita o exerccio de direito individuais).

    De outra banda, da restrio surge o princpio da legalidade, vez que o administrador s pode agir no estrito parmetro da lei, representando a limitao do agente pblico na proteo aos direitos individuais representado pelo princpio da indisponibilidade do interesse pblico.

    Concluso: os privilgios e restries norteadores da atuao do administrador, no re-gime pblico, pode ser representado pelo princpio da supremacia do interesse pbli-co sobre o particular e pelo princpio da indisponibilidade do interesse pblico.

    Alguns princpios esto expressos na Constituio Federal, como a legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e a eficincia, no art. 37 da norma mxima. Outros princpios esto im-plcitos no prprio texto constitucional, como a presuno de legitimidade, boa-f e hierarquia.

    Da mesma forma encontramos princpios expressos nas normas infraconstitucionais a exemplo da Lei n 9.784/99 (Processo Administrativo Federal), Lei n 8.666/93 (Licitaes e contratos), Lei n 8.987/95 (Concesso e permisso).

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    Direito Administrativo

    REGIME JURDICO ADMINISTRATIVO E PRINCPIOS

    A administrao pblica pode submeter-se a regime jurdico de direito privado ou a regime jurdico de direito pblico. Portanto, o Regime Jurdico da Administrao Pblica ser pblico ou privado.

    A definio de regime jurdico delineada pelo prprio texto constitucional ou pelas leis infraconstitucionais, mas jamais poder definir o regime jurdico por ato uniliteral tipicamente administrativo (ex: portarias, decretos, regulamentos, instrues normativas), pois tal conduta ofenderia o princpio da legalidade.

    Quando atua no regime de direito privado ficar equiparada para todos os efeitos de obrigaes, encargos e privilgios conferidos ao setor privado, sem nenhuma prerrogativa de superioridade.

    Por outro lado, quando atua no regime de direito pblico a administrao gozar privilgios (ex: prescrio quinquenal, processo especial de execuo, impenhorabilidade dos bens pblicos), mas tambm sofrer restries (Ex: limitao e definio de competncias, obedincias aos princpios da finalidade, forma, motivo, publicidade).

    De forma mais restrita, a expresso Regime Jurdico Administrativo traduz a atuao da administrao numa posio de privilgio, portanto, de direito pblico. Obviamente, nesse regime teremos o gozo de privilgios assim como a imposio de restries.

    O binmio de prerrogativas e restries da administrao pblica geralmente expresso em princpios que norteiam a atuao da administrao quando atua no regime pblico.

    Do privilgio surge o princpio da supremacia do interesse pblico sobre o particular no intuito da necessidade de satisfao dos interesses coletivos buscando o bem estar social (ex: poder de polcia quando limita o exerccio de direito individuais).

    De outra banda, da restrio surge do princpio da legalidade, vez que o administrador s pode agir no estrito parmetro da lei, representando a limitao do agente pblico na proteo aos direitos individuais representado pelo princpio da indisponibilidade do interesse pblico.

    Concluso: os privilgios e restries norteadores da atuao do administrador, no regime pblico, pode ser representado pelo princpio da supremacia do interesse pblico sobre o particular e pelo princpio da indisponibilidade do interesse pblico.

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    Alguns princpios esto expressos na Constituio Federal, como a legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e a eficincia, no art. 37 da norma mxima. Outros princpios esto implcitos no prprio texto constitucional, como a presuno de legitimidade, boa-f e hierarquia.

    Da mesma forma encontramos princpios expressos nas normas infraconstitucionais a exemplo da Lei n 9.784/99 (Processo Administrativo Federal), Lei n 8.666/9 (Licitaes e contratos), Lei n 8.987/95 (Concesso e permisso)

    PRINCPIO DA LEGALIDADE

    Representa a garantia aos direitos individuais do administrado, pois a administrao pblica s pode fazer o que a lei permite. Diferente do que ocorre na relao horizontal entre particulares, onde reina o princpio da autonomia das partes.

    Encontramos esse princpio de forma expressa em duas passagens pela Constituio Federal, vejamos:

    Art. 5 Todos so iguais perante a lei, sem distino de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pas a inviolabilidade do direito vida, liberdade, igualdade, segurana e propriedade [...]

    Art. 37. A administrao pblica direta e indireta de qualquer dos Poderes da Unio, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municpios obedecer aos princpios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficincia [...]

    Portanto, o balizador da administrao os limites da lei, consequentemente, o administrador no pode conceder direitos de qualquer espcie ou criar e impor obrigaes por ato puro administrativo, dependendo de lei formal nesse sentido.

    Pela inobservncia do referido princpio o administrado poder requerer a declarao de nulidade do ato pela via administrativa ou pela via judiciria. Exatamente nesse sentido, que surge os sistemas de controle de legalidade na atuao do administrador pblico, vejamos alguns exemplos na CF/88:

    Art. 5, XXXV a lei no excluir da apreciao do Poder Judicirio leso ou ameaa a direito;

    Art. 5, LXVIII conceder-se- habeas corpus sempre que algum sofrer ou se achar ameaado de sofrer violncia ou coao em sua liberdade de locomoo, por ilegalidade ou abuso de poder;

    Art. 5, LXIX conceder-se- mandado de segurana para proteger direito lquido e certo, no amparado

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