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16 Tera-feira _14 de abril de 2015. Dirio de Notcias Tera-feira _14 de abril de 2015. Dirio de Notcias 17

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Os portugueses j so um pouco como os alemes

Existe preocupao sobre a sus-tentabilidade da dvida de Portugal e o seu tamanho. H tempo suficiente para fazer o ajustamento necessrio para cumprir as regras? No sente que existe, no futuro, o risco de o pas no conseguir pagar a tempo? Realmente, no acho. Claro que a dvida atingiu um nvel alto. At certo ponto isto era inevitvel por-que a crise significou uma reduo do PIB. Quando o denominador cai, o rcio da dvida sobe. Mas quando o pas concluir os princi-pais esforos de reforma existir uma base nova para um cresci-mento potencial mais elevado e afastar-se- destes rcios de dvida muito elevados. Deve Portugal pagar mais cedo ao FEEF/MEE como fez com o FMI? Substituir dvida do FEEF por dvi-da privada no ajudaria porque o nvel de dvida continuaria a ser o mesmo. E o problema que as ta-xas de juro de mercado seriam mais altas do que as nossas. Ainda h quem levante dvidas em relao dvida portuguesa. Porqu? Por causa da economia? Penso que so principalmente aca-dmicos que questionam isso. Pes-soas que defendem a necessidade de um haircut [reduo do capital em dvida] e de uma reestrutura-o. No penso que estejam corre-tos. Para cumprir as regras do tratado, Portugal precisa de crescer muito mais rpido do que alguma vez aconteceu no passado. realista? Nos prximos dois anos, no, mas ao longo do tempo, sim. O BCE est determinado em fazer subir a in-flao at sua meta de prximo de 2% e no vejo por que razo Portu-gal no ser capaz de atingir taxas de crescimento potenciais de 2%. O crescimento real em Portugal de-ver ser mais alto do que o da m-dia da zona euro porque existe um desvio significativo nos nveis de produtividade. Com que rapidez? Acredito que este desvio dever ser

reduzido de forma significativa nos prximos dez a 20 anos. Com as polticas corretas, Portugal pode crescer muito mais rpido do que a mdia do euro. Um crescimento potencial de 2% realista? um nmero por alto. Na zona eu-ro, atualmente, o crescimento po-tencial de cerca de 1% a 1,25%. Isto pode ser reforado com reformas es-truturais, embora tenhamos de ser realistas porque a demografia no muito favorvel. No sei por que ra-zo Portugal no haver de conver-gir outra vez como fez no passado. Existe compromisso suficiente para isso? No longo prazo, digo. Para os economistas muito fcil dizer o que tem de ser feito. Com-preendo completamente que a implementao poltica difcil em todos os pases, sejam peque-nos ou grandes. Como economis-ta posso apenas encorajar Portu-gal e outros a fazerem-no porque a recompensa vir. Hoje, j esta-mos a ver isso na Europa.

Onde? Vemos claramente na Irlanda e em Espanha, mas tambm em pases que no atravessaram crises nos l-timos anos. Compare Frana e Ale-manha, por exemplo. As pessoas esquecem-se de que entre 1995 e 2005, durante dez anos, Frana cresceu, em mdia, por ano, um ponto percentual mais do que a Alemanha. Agora, a Alemanha est melhor do que a Frana. Porqu? Porque a Alemanha implementou mais reformas do que os outros na ltima dcada. a razo chave. Mas antes dessas reformas a Alemanha j era uma economia forte a nvel global, no? Sim, mas tinha grandes problemas. O maior deles era o desemprego.

Havia volta de cinco milhes de desempregados, hoje h apenas 2,7 milhes, o que ainda muito, mas o pas tem a taxa de desem-prego mais baixa da Europa. No teve uma crise de acesso ao merca-do, mas teve uma crise interna por-que havia muita gente desempre-gada. Sente que os portugueses podem ser como os alemes, nesse senti-do [reformas]? Penso que j so um pouco como os alemes, nesse sentido, porque os portugueses comearam a im-plementar reformas h cinco anos. Com sucesso? Com resultados? Alguns, como as misses do FMI e da Comisso, dizem que as refor-mas foram anunciadas e que sen-tem um certo aumento na com-placncia. Estou ciente disso. Mas se me est a perguntar: foi um sucesso? Eu digo sim. E no s no acesso ao mercado. Se vir os indicadores da OCDE, do Banco Mundial, do F-rum Econmico Mundial, Portugal est no top 5 dos reformadores. Fala com imensos investidores in-ternacionais. Eles esto confort-veis com um cenrio de mudana de governo em Portugal, com um possvel governo de centro-es-querda socialista, por exemplo? Os investidores estrangeiros olham sempre para o ambiente poltico. E de forma ainda mais atenta de-pois da crise global ter acontecido. Nas democracias, as mudanas de governo acontecem. Penso que os investidores esto a tomar nota das posies dos diferentes partidos. Eles no veem qualquer partido antieuropeu em Portugal. No veem um gnero de oposio radi-cal aqui como viram na Grcia, por exemplo, e penso que isso tranqui-liza os mercados. Como avalia a sade do setor ban-crio portugus? O MEE no est envolvido como outras instituies no acompa-nhamento do setor bancrio, mas aps a avaliao completa feita pelo SSM, o supervisor nico, em novembro ltimo, a situao pare-ce boa, basicamente. O episdio

BES foi uma surpresa desagrad-vel, mas foi gerida com sucesso. E de momento no sei de quais-quer problemas significativos. Os ativos por impostos diferidos no podero ser um problema? Pode afetar os maiores bancos. Temos de ver como que o SSM quer lidar com isso. No um pro-blema s de Portugal. Pode afetar Itlia, Espanha e outros pases. Tem razo: dependendo de como o SSM interpretar isso, poder haver

Mas existem riscos, certo? Neste caso, o risco que um dia a poltica monetria ser revertida. O BCE disse muitas vezes que as aes que est a tomar agora so temporrias, para fazer subir as ex-pectativas de inflao. Esta poltica ir eventualmente ser revertida e existem riscos associados a isto. Em Portugal, o crescimento po-tencial muito baixo. O problema pode ser mais severo. Sim, isso outro argumento. Mas primeiro, o impacto imediato que quando as taxas de juro normali-zarem elas conduziro a dfices maiores. Por isso que prudente que todos os governos se preparem e no ignorem isto. No estamos a falar dos prximos meses, mas num risco de mdio prazo que muito provvel que venha a acon-tecer. Portanto, prudente que se comece j a reduzir os dfices. Relativamente s reformas da pro-dutividade. Concorda com o FMI quando este diz que o maior pro-blema da economia portuguesa est na falta de competncia de gesto no setor privado? Quando olhamos para os nveis de produtividade em Portugal, com-parados com as mdias da Unio Europeia ou da zona euro, existe uma grande discrepncia e uma grande margem para agir. Os au-mentos na produtividade tm sido relativamente pequenos durante muito tempo e uma das conclu-ses que preciso fazer algo com os nveis de educao. De forma transversal? Sim. A produtividade tem muito a ver com o nvel de educao, mas h outros fatores. A concorrncia, por exemplo. Mais concorrncia leva a ganhos de produtividade mais fortes. A Grcia precisa de mais dinheiro no curto prazo, certo? Penso que h necessidade de mais assistncia para que a Grcia con-tinue a honrar a sua dvida. O aces-so ao mercado no est disponvel de momento e, antes de considerar assistncia adicional, os parceiros europeus vo querer ver uma lista abrangente de reformas. Uma lista suficientemente credvel para ga-rantir depois que a Grcia conse-gue regressar a uma situao sus-tentvel, como aconteceu em Por-tugal e na Irlanda. De momento, no vemos isso. Porqu? Temos de admitir que o governo grego ainda bastante novo, pas-saram apenas cerca de 70 a 80 dias desde que assumiu funes. Mui-tas vezes ns damos aos governos novos uma margem de cem dias para aprenderem e apresentarem polticas abrangentes. A Grcia ain-da no teve tanto tempo. Temos de ser pacientes e esperar que o go-verno possa respeitar os seus com-promissos ao Eurogrupo de 20 de fevereiro e consiga construir um programa de reformas abrangente. Estamos espera disso.

LUS REIS RIBEIRO

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ENTREVISTA: KLAUS REGLINGDiretor-geral do Mecanismo de Estabilidade Europeu

PERFIL

Nasceu em Lbeck, perto de Hamburgo, na antiga Alemanha Federal (ocidental), a 3 de outu-bro de 1950. O dia em que os ale-mes celebram a reunificao do pas. Fez carreira no pblico e no pri-vado. Quase quatro dcadas. Formado em Economia pelas universidades de Hamburgo e Regensburgo. Chefe do maior credor europeu de Portugal, que tem a haver 26 mil milhes de euros, um tero do emprstimo da troika. Presidente da Facilidade Estabilidade Financeira (FEEF), nascida em 2010, entretanto descontinuada. Diretor-geral do MEE. O meca-nismo permanente, inaugurado em outubro de 2012, empresta dinheiro aos pases do euro que entrem em crise grave. Klaus Regling tem grande ex-perincia nos mercados finan-ceiros. Passou pela gestora privada de fundos, Moore Capital Strategy Group, Londres (1999-2001). Foi eco-nomista da Associao Alem de Bancos e do Ministrio das Finanas alemo. Foi investi-gador na Lee Kuan Yew School of Public Policy (Singapura). Dez anos no FMI, em Washington e Jacarta. De 2001 a 2008 foi ainda diretor- -geral para os Assuntos Econmicos da Comisso Europeia.

o representante do maior credor de Portugal na Europa: o MEE emprestou 26 mil milhes de euros que o pas ter de pagar nas prximas dcadas. Esteve em Lisboa para um debate sobre a zona euro a convite da ministra das Finanas. Faz grandes elogios aos portugueses e espera que estes continuem o esforo de ajustamento nos prximos dez a 20 anos

Ningum se convena que o IMI vai baixar com a reavaliao

O governo vai rever o zonamento e os coeficientes de localizao dos imveis urbanos, elementos funda-mentais na aferio do valor patri-monial tributrio que serve de base ao clculo do imposto municipal sobre imveis (IMI), com o objetivo de os ajustar ao real valor do merca-do. Lus Menezes Leito, presidente da Associao Lisb