DIFERENTES CONFIGURAÇÕES FAMILIARES: REPERCUSSÕES NO ... ?· Este artigo tem como objetivo investigar…

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  • DIFERENTES CONFIGURAES FAMILIARES: REPERCUSSES NO

    DESENVOLVIMENTO DE CRIANAS E ADOLESCENTES 1

    Regiane da Silva 2

    Simone Dill Azeredo Bolze3

    RESUMO

    Este artigo tem como objetivo investigar as repercusses no desenvolvimento de crianas e adolescentes das diferentes configuraes familiares existentes na atualidade, buscando uma melhor compreenso dessa realidade. O artigo, atravs de reviso bibliogrfica, caracteriza o desenvolvimento e a adaptao de crianas e adolescentes nos diferentes arranjos familiares tais como famlias nucleares, monoparentais, separadas ou divorciadas, recasadas e homoafetivas. Avaliou-se, ainda, a dificuldade encontrada em manter-se uma coparentalidade na educao dos filhos aps uma separao e a importncia de uma rede de apoio social ao longo das transformaes estruturais e sociais na vida das crianas e adolescentes. Evidencia-se que a adaptao e o desenvolvimento de crianas e adolescentes no depende nica e exclusivamente do tipo de arranjo familiar, mas de todo um contexto social no qual essas esto inseridas. Palavras-chave: arranjos familiares; criana e adolescente; desenvolvimento.

    ABSTRACT

    This article aims to investigate the repercussions on the development of children and adolescents of different family configurations existing today, seeking a better understanding of this reality. The article, through literature review, characterized the development and the adaptation of children and adolescents in different family arrangements such as nuclear, single, separated or divorced, remarried and homoaffective families. It also evaluated the difficulty in remaining the co-parenting in the education of children after a separation or divorce and the importance of a social support network throughout these structural and social changes in the children's and adolescents' lives It is evident that the adaptation and the development of these children and adolescents does not depend solely on the type of family arrangement, but of an entire social context in which these they are are located. Keywords: family arrangements; children and adolescents; development.

    1 Artigo Cientfico apresentado na Ps-Graduao de Educao, Diversidade e Redes de Proteo Social

    do Centro Universitrio para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itaja. 2 Acadmica de curso de Ps-Graduao Educao, Diversidade e Redes de Proteo Social - UNIDAVI.

    3 Professora Orientadora, Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Terapeuta de Casal e Famlia Familiare Instituto Sistmico e Doutoranda de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina UFSC.

  • INTRODUO

    Recentemente, houve em Santa Catarina, um pedido e uma deciso judicial

    inusitada. Um beb que est para nascer em Florianpolis ter direito ao registro na certi-

    do de nascimento do nome do pai, de duas mes e dos seis avs. A liminar concedida

    pelo juiz da Vara de Famlia demonstra a abertura da sociedade e, principalmente, do po-

    der judicirio para as novas formas de composio familiar (http://g1.globo.com/sc/santa-

    catarina/noticia/2015/07/bebe-de-sc-podera-ter-pai-duas-maes-e-seis-avos-na-

    certidao.html).

    Em contrapartida, o Projeto de Lei 6583/13, proposto por um deputado federal,

    o qual cria o Estatuto da Famlia, prope em seu texto-base, que Famlia seja definida

    como o ncleo formado a partir da unio entre homem e mulher. A Cmara dos Deputa-

    dos abriu uma enquete para que a populao pudesse manifestar sua opinio, a qual re-

    cebeu grande participao. O resultado parcial mostra-se acirrado: 57% das pessoas so

    contrrias ao texto; 42%, favorveis ao conceito previsto na proposta; e o restante no

    tem opinio formada (http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITOS-

    HUMANOS/461923-ENQUETE-DA-CAMARA-SOBRE-CONCEITO-DE-FAMILIA-TEM-

    MAIS-DE-20-MIL-VOTOS-EM-24-HORAS.html).

    As notcias veiculadas acima causam certa polmica, pois h aqueles que con-

    cordam e h outros, porm, que acham que a situao de viver em uma famlia que apre-

    senta uma configurao familiar diferente da tradicional poder ser confusa para a crian-

    a. Entretanto, em tempos de decises e leis que amparam a diversidade de arranjos fa-

    miliares, cr-se que o que est em questo justamente a capacidade da criana de

    adaptar-se aos diferentes modelos de famlia e, principalmente, a habilidade dos adultos e

    da sociedade de oferecer a ela uma convivncia livre de preconceitos.

    Desse modo, observa-se que o arranjo familiar vem se diferenciando da fam-

    lia padro (famlia nuclear composta por pai, me e filhos) cada vez mais na contempo-

    raneidade. Alguns exemplos desses arranjos so: a) famlias monoparentais: sendo in-

    meras crianas vivendo com pais solteiros ou divorciados; b) famlias homoafetivas: cons-

    tituda por pais do mesmo sexo; c) famlias extensas: nas quais as crianas convivem com

    parentes prximos como tios e avs; d) famlias recasadas, nas quais as crianas convi-

    vem com o novo cnjuge do pai ou da me, alm de, por vezes, com os filhos desses

    e/oucom os irmos dessas novas unies.

    A cidade Rio do Sul, com 61198 habitantes, faz parte da macrorregio Vale do

    Itaja. De acordo com o IBGE (2010), os nmeros da macrorregio referentes a casamen-

    http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2015/07/bebe-de-sc-podera-ter-pai-duas-maes-e-seis-avos-na-certidao.htmlhttp://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2015/07/bebe-de-sc-podera-ter-pai-duas-maes-e-seis-avos-na-certidao.htmlhttp://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2015/07/bebe-de-sc-podera-ter-pai-duas-maes-e-seis-avos-na-certidao.htmlhttp://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITOS-HUMANOS/461518-PROJETO-EM-ANALISE-NA-CAMARA-CRIA-ESTATUTO-DA-FAMILIA.html

  • tos foram 4.027, de divrcios, 565, e separaes, 393. Isso significa que, em mdia, de

    100 casamentos realizados, 24 passam pelo processo de separao/divrcio. Os nme-

    ros do IBGE (2013) mostram que os casamentos entre homoafetivos vm aumentando no

    Brasil. Na regio sul, o percentual desse tipo de unio foi de 39,4%, colocando os catari-

    nenses em quarto lugar no pas com 207 registros de unio entre pessoas do mesmo se-

    xo. Sendo essa uma realidade j vivenciada em nosso cotidiano, o presente estudo obje-

    tiva investigar, por meio de pesquisa bibliogrfica, as repercusses no desenvolvimento

    de crianas e adolescentes das diferentes configuraes familiares existentes na atuali-

    dade, bem como o processo de adaptao dessas a esses arranjos de famlia. .

    METODOLOGIA

    A pesquisa trata-se de um estudo terico com reviso de artigos cientficos e li-

    vros publicados a partir de estudos desenvolvidos com famlias brasileiras visando inves-

    tigar as repercusses no desenvolvimento de crianas e adolescentes das diferentes con-

    figuraes familiares existentes na atualidade, bem como o processo de adaptao des-

    sas a esses arranjos de famlia. Assim, o presente estudo caracteriza-se como uma pes-

    quisa bibliogrfica que no tem a pretenso de esgotar o tema, mas de apontar fatores

    relacionados ao desenvolvimento e ao processo de adaptao das crianas e adolescen-

    tes da vivncia em diferentes configuraes familiares.

    DESENVOLVIMENTO

    FAMLIA NUCLEAR

    Historicamente, a famlia nuclear tem sido a unidade familiar predominante-

    mente formada por casal heteressexual (pai e me) e filhos legtimos. No Brasil, dados da

    ltima Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios (PNAD), realizada pelo IBGE, (2010),

    indicam que, de 1999 para 2009, o nmero mdio de pessoas na famlia caiu de 3,4 para

    3,1. A pesquisa mostrou que a principal configurao familiar brasileira ainda casal com

    filhos (47,3%), seguida de mulher sem cnjuge com filhos (17,4%), casal sem filhos

    (17,1%), e outros tipos (6,2%). Desse modo, cabe apresentar alguns aspectos relaciona-

    dos a configurao da famlia nuclear na atualidade antes de discutir os demais arranjos

    familiares.

  • Segundo (Favaro, 2007), a mulher, por meio da maternidade, sempre ocupou

    um lugar essencial a sobrevivncia da famlia. Ao pai cabia a funo de provedor do sus-

    tento da famlia distanciando-se assim do contexto domstico, composto principalmente

    pela mulher e a(s) criana(s) (Gomes e Resende, 2004). Entretanto, esses mesmos auto-

    res afirmam que a criana precisa do par conjugal para edificar uma imagem positiva das

    relaes afetivas e das interaes sociais.

    Para Mora e colaboradores (2005), a supervalorizao do papel materno im-

    pede, de certa forma, que os pais assumam, em conjunto, os desempenhos parentais.

    Uma vez renunciado o espao exclusivo conferido s mes, os pais poderiam adquirir

    maior proximidade com os filhos e, nesse ponto de vista, haveria uma repartio mais

    contrabalanada dos papis maternos e paternos.

    O estudo de Crepaldi e colaboradores (2006) aponta que at metade da dca-

    da de 50, o pai era considerado exclusivo responsvel pelo sustento da famlia, enquanto

    a me responsabilizava-se por todas as tarefas relacionadas ao lar e famlia. Esse

    exemplo de arranjo familiar permanece at hoje em muitos contextos, porm, trata-se de

    um panorama que vem sendo alterado pelas modificaes que a famlia vem sofrendo ao

    longo do tempo. Segundo De Marque (2006), o lugar da mulher na famlia vem sofrendo

    alteraes em sua configurao a partir do sculo XX, devido aos movimentos sociais

    como o feminista. Com a solidificao das mulheres no mercado de trabalho e sua maior

    contribuio para o sustento financeiro familiar, j notvel uma relativa diviso de tare-

    fas, na qual pais e mes dividem s tarefas educativas dos filhos e organizao do dia a

    dia da famlia (Wagner, Predebon, Mosmann & Verza, 2005).

    Para Guille (2004), as crianas de famlias nucleares tem mais envolvimento

    materno em diversos aspectos porque as mes podem contar com a presena do marido

    e, decorrente disso, ter mais tempo para monitorar as atividades escolares, participar de

    atividades culturais e de lazer dos filhos. Assim, a possibilidade de os pais dividirem tare-

    fas pode beneficiar a criana na medida em que essa pode receber uma ateno de me-

    lhor qualidade.

    Entretanto, o fato de uma criana pertencer a uma famlia nuclear no a exime

    de problemas, visto que h casais que vivenciam muitos conflitos, os quais podem ser

    prejudiciais para o desenvolvimento infantil pela dificuldade dos pais de estabelecerem

    uma funo coparental e a harmonia no lar. Troxel e Mathews (2004) sinalizam que as

    prticas parentais decorrentes do estresse associado ao conflito marital levam os filhos a

  • dficits nos domnios afetivo, comportamental e cognitivo. Esses dficits podem aumentar

    o risco de problemas de sade atravs da alterao dos sistemas de respostas ao estres-

    se, incluindo o funcionamento neuroendocrinolgico, cardiovascular e de neurotransmis-

    sores.

    Posto isso, apesar das pesquisas indicarem que a famlia nuclear o modelo

    que ainda apresenta maior predomnio no Brasil, observa-se que a instituio famlia tem

    passado por inmeras alteraes nas ltimas dcadas, sendo, portanto, suscetvel a v-

    rios tipos de arranjos na atualidade. Verifica-se o aumento do nmero de unies consen-

    suais, de famlias chefiadas por mulheres (ou monoparentais), famlias homoafetivas e de

    famlias reconstitudas ou recasadas, isto , aquelas originadas a partir de novas unies

    de um ou dos dois cnjuges que se separaram (Torres, 2000). Desse modo, os tpicos

    subsequentes buscaro apresentar dados de literatura que discutem as repercusses de

    diferentes tipos de configurao familiar no desenvolvimento de crianas e adolescentes,

    bem como o processo de adaptao dessas a esses arranjos familiares quando a famlia

    altera sua estrutura.

    DIFERENTES CONFIGURAES FAMILIARES:

    FAMLIAS MONOPARENTAIS

    A monoparentalidade no pode ser analisada como um fenmeno ocidental

    contemporneo. Ela sempre existiu. O fato que ela tem evoludo, respeitosamente, nos

    ltimos vinte anos (Santos, 2009). A famlia monoparental pode ser composta pelo pai ou

    pela me - que podem estar na categoria de solteiro, separado, divorciado ou vivo - e

    seus filhos (Pinto et al., 2011). No que tange monoparentalidade feminina em grupos

    notrios, muitas destas famlias no so decorrentes de um divrcio ou de uma separa-

    o, mas de uma gravidez precoce ou no planejada, instabilidade familiar e/ou abandono

    (Pinto et al., 2011).

    Nas famlias monoparentais, na maioria das vezes, ocorre um distanciamento

    ou ruptura parental e as crianas no se desenvolvem na presena de um dos pais biol-

    gicos. As mes tm uma porcentagem maior em relao a reteno da guarda dos filhos.

    Segundo Vieira e Souza (2010), isso ocorre porque h uma crena de que ambos pai e

    me concordam que uma criana pequena deve ser cuidada pela me, visto que essa

    dade costuma ter uma relao bem mais ntima que se inicia ainda na gestao. A guar-

    da fica com o pai, em geral, quando a me muda para outra cidade e o relacionamento

  • entre pai e filho(s) considerado melhor do que com a me, quando o pai possui melho-

    res condies financeiras, acesso a melhores escolas e a determinados servios, e em

    casos de negligncia por parte da me, a qual pe em risco a sade dos filhos.

    A famlia o principal agente de socializao da criana, independente de sua

    configurao. Segundo Oliveira e colaboradores (2008), a famlia da atualidade est pas-

    sando por uma redefinio de papis, hierarquia e sociabilidade, valorizando a solidarie-

    dade, fraternidade, ajuda mtua, afeto e o estresse da monoparentalidade pode causar

    dificuldades comportamentais e emocionais nos filhos. Segundo Gomes (2010), pais e

    mes de famlias intactas (nucleares) fazem menos uso do estilo parental autoritrio para

    controlar os comportamentos dos filhos do que as mes de famlias monoparentais. Ama-

    to (2010) refere que, em virtude da monoparentalidade, pode haver uma mudana nas

    prticas parentais, as quais passam a ser mais coercitivas e de menor envolvimento pa-

    rental. Adolescentes de famlias monoparentais e recasadas podem apresentar menos

    habilidades sociais, baixa autoestima, menor nvel de bem estar psicolgico (Amato,

    2010), alm de menor competncia acadmica e mais problemas de comportamento co-

    mo agressividade e delinquncia.

    Para Mota e Matos (2011), a monoparentalidade pode ser uma oportunidade

    de crescimento e desenvolvimento pessoal com novas habilidades de comunicao, de

    expresso dos sentimentos e de resoluo de problemas para pais e filhos. Entretanto, o

    fato de um nico genitor ser responsvel por todos os tipos de cuidados que a criana ou

    adolescente precisa pode fazer com que essa pessoa sinta-se cansada ou sobrecarrega-

    da, a qual mesmo sem inteno, pode colocar seu filho em risco por no conseguir dar

    conta de todas as necessidades e demandas que se apresentam. Nesses casos, o apoio

    da rede social, que ser discutido no decorrer desse texto, pode servir como um fator de

    proteo para essa configurao familiar.

    FAMLIAS COM PAIS SEPARADOS OU DIVORCIADOS

    Segundo Raposo e colaboradores (2011), crianas com gnio fcil, astutas,

    responsveis e socialmente afetuosas evidenciam maior capacidade de ajustamento ao

    divrcio ou separao parental. Dimenses como a autoconfiana, a capacidade cognitiva

    e a autonomia da criana, integradas ao sistema de suporte social, tambm esto positi-

    vamente conectadas a um maior ajustamento da criana a essa mudana na estrutura

    familiar. Quando se busca compreender o choque que o divrcio pode ocasionar na crian-

    a, faz-se necessrio considerar as alteraes desenvolvimentais decorrentes da idade. O

  • divrcio no provoca forosamente maior choque numa dada idade, mas sim efeitos dife-

    rentes. No entanto, quanto mais elevado e associado o nvel de desenvolvimento da cri-

    ana, melhores os ndices de adequao separao dos pais. Crianas em idade pr-

    escolar costumam apresentar maior risco em comparao com crianas de mais idade. A

    incapacidade de a criana compreender as mudanas e o significado do conflito e do di-

    vrcio parental pode comprometer seu desenvolvimento e centralizar para si a responsa-

    bilidade da separao dos pais.

    Alm disso, crianas de pais cuja separao foi conflituosa apresentam menor

    interesse e rendimento escolar em relao crianas de famlias nucleares. O estudo de

    Brito e colaboradores (2009) mostra que a separao faz com que os assuntos escolares,

    o acompanhamento do estudo dos filhos em casa e a reviso das tarefas sejam encargo

    apenas, na esmagadora maioria das vezes, do pai detentor da guarda. A dissoluo do

    casamento fora a uma nova estruturao familiar e o frequente acrscimo das horas de

    trabalho dos pais para aumentar os rendimentos financeiros disponveis, tornando mais

    difcil para os pais separados envolverem-se nas atividades escolares dos filhos.

    Em alguns casos, o divrcio ou a separao conjugal pode causar depresso

    em, pelo menos, um dos cnjuges envolvidos (Simon & Marcussen, 1999). A vivncia de

    uma depresso parental acrescenta a possibilidade de reduo da qualidade de presta-

    o de cuidados materiais e emocionais. As mes com sintomatologia depressiva, por

    exemplo, exibem mais afeio negativa, comportamentos descuidados e/ou agressivos e

    condutas parentais de risco. Ao mesmo tempo, elas podem apresentar queda em condu-

    tas tais como: integrao educativa, comportamentos parentais positivos, preocupao

    com o bem-estar das crianas e pouca disponibilidade emocional. Sendo assim, as crian-

    as de pais separados deprimidos ou apreensivos apresentam maior possibilidade de de-

    senvolver transtornos de depresso e angstia, baixo amor-prprio, menor competncia

    no comportamento social, pior rentabilidade acadmica, maiores dficits de ateno e difi-

    culdades de relacionamento interpessoal.

    A separao conjugal faz com que os pais e filhos passem por uma adequao

    em relao nova configurao familiar. Segundo os estudos de Grzybowski e Wagner

    (2010), aps a separao, a guarda dos filhos fica, na maioria das vezes, com as mes.

    Com isso, elas sentem-se mais exigidas e sobrecarregadas na educao dos filhos. Os

    pais que no possuem a guarda acabam se distanciando e sofrendo perdas na educao

    dos filhos. As mes, mesmo sobrecarregadas, tm um sentimento de estarem fazendo

    pouco, mas tratam isso como algo positivo estreitando as relaes parentais, apesar de

  • torn-las mais exigentes e controladoras com as crianas. Segundo as autoras, elas sen-

    tem dificuldades em abordar certos assuntos com os filhos do sexo masculino. O mesmo

    acontece com os pais em relao aos filhos do sexo feminino.

    Segundo as autoras supracitadas, os pais tambm referem-se as dificuldades

    de conviver com filhos muito pequenos que so muito dependentes e requerem uma srie

    de cuidados infantis, os quais parecem ainda serem de exclusiva responsabilidade das

    mes. De acordo com as autoras, eles sentem-se culpados na relao com os filhos pela

    falta de

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