DIFERENTES CONFIGURAÇÕES FAMILIARES: REPERCUSSÕES NO ... ?· Este artigo tem como objetivo investigar…

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  • DIFERENTES CONFIGURAES FAMILIARES: REPERCUSSES NO

    DESENVOLVIMENTO DE CRIANAS E ADOLESCENTES 1

    Regiane da Silva 2

    Simone Dill Azeredo Bolze3

    RESUMO

    Este artigo tem como objetivo investigar as repercusses no desenvolvimento de crianas e adolescentes das diferentes configuraes familiares existentes na atualidade, buscando uma melhor compreenso dessa realidade. O artigo, atravs de reviso bibliogrfica, caracteriza o desenvolvimento e a adaptao de crianas e adolescentes nos diferentes arranjos familiares tais como famlias nucleares, monoparentais, separadas ou divorciadas, recasadas e homoafetivas. Avaliou-se, ainda, a dificuldade encontrada em manter-se uma coparentalidade na educao dos filhos aps uma separao e a importncia de uma rede de apoio social ao longo das transformaes estruturais e sociais na vida das crianas e adolescentes. Evidencia-se que a adaptao e o desenvolvimento de crianas e adolescentes no depende nica e exclusivamente do tipo de arranjo familiar, mas de todo um contexto social no qual essas esto inseridas. Palavras-chave: arranjos familiares; criana e adolescente; desenvolvimento.

    ABSTRACT

    This article aims to investigate the repercussions on the development of children and adolescents of different family configurations existing today, seeking a better understanding of this reality. The article, through literature review, characterized the development and the adaptation of children and adolescents in different family arrangements such as nuclear, single, separated or divorced, remarried and homoaffective families. It also evaluated the difficulty in remaining the co-parenting in the education of children after a separation or divorce and the importance of a social support network throughout these structural and social changes in the children's and adolescents' lives It is evident that the adaptation and the development of these children and adolescents does not depend solely on the type of family arrangement, but of an entire social context in which these they are are located. Keywords: family arrangements; children and adolescents; development.

    1 Artigo Cientfico apresentado na Ps-Graduao de Educao, Diversidade e Redes de Proteo Social

    do Centro Universitrio para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itaja. 2 Acadmica de curso de Ps-Graduao Educao, Diversidade e Redes de Proteo Social - UNIDAVI.

    3 Professora Orientadora, Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Terapeuta de Casal e Famlia Familiare Instituto Sistmico e Doutoranda de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina UFSC.

  • INTRODUO

    Recentemente, houve em Santa Catarina, um pedido e uma deciso judicial

    inusitada. Um beb que est para nascer em Florianpolis ter direito ao registro na certi-

    do de nascimento do nome do pai, de duas mes e dos seis avs. A liminar concedida

    pelo juiz da Vara de Famlia demonstra a abertura da sociedade e, principalmente, do po-

    der judicirio para as novas formas de composio familiar (http://g1.globo.com/sc/santa-

    catarina/noticia/2015/07/bebe-de-sc-podera-ter-pai-duas-maes-e-seis-avos-na-

    certidao.html).

    Em contrapartida, o Projeto de Lei 6583/13, proposto por um deputado federal,

    o qual cria o Estatuto da Famlia, prope em seu texto-base, que Famlia seja definida

    como o ncleo formado a partir da unio entre homem e mulher. A Cmara dos Deputa-

    dos abriu uma enquete para que a populao pudesse manifestar sua opinio, a qual re-

    cebeu grande participao. O resultado parcial mostra-se acirrado: 57% das pessoas so

    contrrias ao texto; 42%, favorveis ao conceito previsto na proposta; e o restante no

    tem opinio formada (http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITOS-

    HUMANOS/461923-ENQUETE-DA-CAMARA-SOBRE-CONCEITO-DE-FAMILIA-TEM-

    MAIS-DE-20-MIL-VOTOS-EM-24-HORAS.html).

    As notcias veiculadas acima causam certa polmica, pois h aqueles que con-

    cordam e h outros, porm, que acham que a situao de viver em uma famlia que apre-

    senta uma configurao familiar diferente da tradicional poder ser confusa para a crian-

    a. Entretanto, em tempos de decises e leis que amparam a diversidade de arranjos fa-

    miliares, cr-se que o que est em questo justamente a capacidade da criana de

    adaptar-se aos diferentes modelos de famlia e, principalmente, a habilidade dos adultos e

    da sociedade de oferecer a ela uma convivncia livre de preconceitos.

    Desse modo, observa-se que o arranjo familiar vem se diferenciando da fam-

    lia padro (famlia nuclear composta por pai, me e filhos) cada vez mais na contempo-

    raneidade. Alguns exemplos desses arranjos so: a) famlias monoparentais: sendo in-

    meras crianas vivendo com pais solteiros ou divorciados; b) famlias homoafetivas: cons-

    tituda por pais do mesmo sexo; c) famlias extensas: nas quais as crianas convivem com

    parentes prximos como tios e avs; d) famlias recasadas, nas quais as crianas convi-

    vem com o novo cnjuge do pai ou da me, alm de, por vezes, com os filhos desses

    e/oucom os irmos dessas novas unies.

    A cidade Rio do Sul, com 61198 habitantes, faz parte da macrorregio Vale do

    Itaja. De acordo com o IBGE (2010), os nmeros da macrorregio referentes a casamen-

    http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2015/07/bebe-de-sc-podera-ter-pai-duas-maes-e-seis-avos-na-certidao.htmlhttp://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2015/07/bebe-de-sc-podera-ter-pai-duas-maes-e-seis-avos-na-certidao.htmlhttp://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2015/07/bebe-de-sc-podera-ter-pai-duas-maes-e-seis-avos-na-certidao.htmlhttp://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITOS-HUMANOS/461518-PROJETO-EM-ANALISE-NA-CAMARA-CRIA-ESTATUTO-DA-FAMILIA.html

  • tos foram 4.027, de divrcios, 565, e separaes, 393. Isso significa que, em mdia, de

    100 casamentos realizados, 24 passam pelo processo de separao/divrcio. Os nme-

    ros do IBGE (2013) mostram que os casamentos entre homoafetivos vm aumentando no

    Brasil. Na regio sul, o percentual desse tipo de unio foi de 39,4%, colocando os catari-

    nenses em quarto lugar no pas com 207 registros de unio entre pessoas do mesmo se-

    xo. Sendo essa uma realidade j vivenciada em nosso cotidiano, o presente estudo obje-

    tiva investigar, por meio de pesquisa bibliogrfica, as repercusses no desenvolvimento

    de crianas e adolescentes das diferentes configuraes familiares existentes na atuali-

    dade, bem como o processo de adaptao dessas a esses arranjos de famlia. .

    METODOLOGIA

    A pesquisa trata-se de um estudo terico com reviso de artigos cientficos e li-

    vros publicados a partir de estudos desenvolvidos com famlias brasileiras visando inves-

    tigar as repercusses no desenvolvimento de crianas e adolescentes das diferentes con-

    figuraes familiares existentes na atualidade, bem como o processo de adaptao des-

    sas a esses arranjos de famlia. Assim, o presente estudo caracteriza-se como uma pes-

    quisa bibliogrfica que no tem a pretenso de esgotar o tema, mas de apontar fatores

    relacionados ao desenvolvimento e ao processo de adaptao das crianas e adolescen-

    tes da vivncia em diferentes configuraes familiares.

    DESENVOLVIMENTO

    FAMLIA NUCLEAR

    Historicamente, a famlia nuclear tem sido a unidade familiar predominante-

    mente formada por casal heteressexual (pai e me) e filhos legtimos. No Brasil, dados da

    ltima Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios (PNAD), realizada pelo IBGE, (2010),

    indicam que, de 1999 para 2009, o nmero mdio de pessoas na famlia caiu de 3,4 para

    3,1. A pesquisa mostrou que a principal configurao familiar brasileira ainda casal com

    filhos (47,3%), seguida de mulher sem cnjuge com filhos (17,4%), casal sem filhos

    (17,1%), e outros tipos (6,2%). Desse modo, cabe apresentar alguns aspectos relaciona-

    dos a configurao da famlia nuclear na atualidade antes de discutir os demais arranjos

    familiares.

  • Segundo (Favaro, 2007), a mulher, por meio da maternidade, sempre ocupou

    um lugar essencial a sobrevivncia da famlia. Ao pai cabia a funo de provedor do sus-

    tento da famlia distanciando-se assim do contexto domstico, composto principalmente

    pela mulher e a(s) criana(s) (Gomes e Resende, 2004). Entretanto, esses mesmos auto-

    res afirmam que a criana precisa do par conjugal para edificar uma imagem positiva das

    relaes afetivas e das interaes sociais.

    Para Mora e colaboradores (2005), a supervalorizao do papel materno im-

    pede, de certa forma, que os pais assumam, em conjunto, os desempenhos parentais.

    Uma vez renunciado o espao exclusivo conferido s mes, os pais poderiam adquirir

    maior proximidade com os filhos e, nesse ponto de vista, haveria uma repartio mais

    contrabalanada dos papis maternos e paternos.

    O estudo de Crepaldi e colaboradores (2006) aponta que at metade da dca-

    da de 50, o pai era considerado exclusivo responsvel pelo sustento da famlia, enquanto

    a me responsabilizava-se por todas as tarefas relacionadas ao lar e famlia. Esse

    exemplo de arranjo familiar permanece at hoje em muitos contextos, porm, trata-se de

    um panorama que vem sendo alterado pelas modificaes que a famlia vem sofrendo ao

    longo do tempo. Segundo De Marque (2006), o lugar da mulher na famlia vem sofrendo

    alteraes em sua configurao a partir do sculo XX, devido aos movimentos sociais

    como o feminista. Com a solidificao das mulheres no mercado de trabalho e sua maior

    contribuio para o sustento financeiro familiar, j notvel uma relativa diviso de tare-

    fas, na qual pais e mes dividem s tarefas educativas dos filhos e organizao do dia a

    dia da famlia (Wagner, Predebon, Mosmann & Verza, 2005).

    Para Guille (2004), as crianas de famlias nucleares tem mais envolvimento

    materno em diversos aspectos porque as mes podem contar com a presena do marido

    e, decorrente disso, ter mais tempo para monitorar as atividades escolares, participar de

    atividades culturais e de lazer dos filhos. Assim, a possibilidade de os pais dividirem tare-

    fas pode beneficiar a criana na medida em que essa pode receber uma ateno de me-

    lhor qualidade.

    Entretanto, o fato de uma criana pertencer a uma famlia nuclear no a exime

    de problemas, visto que h casais que vivenciam muitos conflitos, os quais podem ser

    prejudiciais para o desenvolvimento infantil pela dificuldade dos pais de estabelecerem

    uma funo coparental e a harmonia no lar. Troxel e Mathews (2004) sinalizam que as

    prticas parentais decorrentes do estresse associado ao conflito marital levam os filhos a

  • dficits nos domnios afetivo, comportamental e cognitivo. Esses dficits podem aumentar

    o risco de problemas de sade atravs da alterao dos sistemas de respostas ao estres-

    se, incluindo o funcionamento neuroendocrinolgico, cardiovascular e de neurotransmis-

    sores.

    Posto isso, apesar das pesquisas indicarem que a famlia nuclear o modelo

    que ainda apresenta maior predomnio no Brasil, observa-se que a instituio famlia tem

    passado por inmeras alteraes nas ltimas dcadas, sendo, portanto, suscetvel a v-

    rios tipos de arranjos na atualidade. Verifica-se o aumento do nmero de unies consen-

    suais, de famlias chefiadas por mulheres (ou monoparentais), famlias homoafetivas e de

    famlias reconstitudas ou recasadas, isto , aquelas originadas a partir de novas unies

    de um ou dos dois cnjuges que se separaram (Torres, 2000). Desse modo, os tpicos

    subsequentes buscaro apresentar dados de literatura que discutem as repercusses de

    diferentes tipos de configurao familiar no desenvolvimento de crianas e adolescentes,

    bem como o processo de adaptao dessas a esses arranjos familiares quando a famlia

    altera sua estrutura.

    DIFERENTES CONFIGURAES FAMILIARES:

    FAMLIAS MONOPARENTAIS

    A monoparentalidade no pode ser analisada como um fenmeno ocidental

    contemporneo. Ela sempre existiu. O fato que ela tem evoludo, respeitosamente, nos

    ltimos vinte anos (Santos, 2009). A famlia monoparental pode ser composta pelo pai ou

    pela me - que podem estar na categoria de solteiro, separado, divorciado ou vivo - e

    seus filhos (Pinto et al., 2011). No que tange monoparentalidade feminina em grupos

    notrios, muitas destas famlias no so decorrentes de um divrcio ou de uma separa-

    o, mas de uma gravidez precoce ou no planejada, instabilidade familiar e/ou abandono

    (Pinto et al., 2011).

    Nas famlias monoparentais, na maioria das vezes, ocorre um distanciamento

    ou ruptura parental e as crianas no se desenvolvem na presena de um dos pais biol-

    gicos. As mes tm uma porcentagem maior em relao a reteno da guarda dos filhos.

    Segundo Vieira e Souza (2010), isso ocorre porque h uma crena de que ambos pai e

    me concordam que uma criana pequena deve ser cuidada pela me, visto que essa

    dade costuma ter uma relao bem mais ntima que se inicia ainda na gestao. A guar-

    da fica com o pai, em geral, quando a me muda para outra cidade e o relacionamento

  • entre pai e filho(s) considerado melhor do que com a me, quando o pai possui melho-

    res condies financeiras, acesso a melhores escolas e a determinados servios, e em

    casos de negligncia por parte da me, a qual pe em risco a sade dos filhos.

    A famlia o principal agente de socializao da criana, independente de sua

    configurao. Segundo Oliveira e colaboradores (2008), a famlia da atualidade est pas-

    sando por uma redefinio de papis, hierarquia e sociabilidade, valorizando a solidarie-

    dade, fraternidade, ajuda mtua, afeto e o estresse da monoparentalidade pode causar

    dificuldades comportamentais e emocionais nos filhos. Segundo Gomes (2010), pais e

    mes de famlias intactas (nucleares) fazem menos uso do estilo parental autoritrio para

    controlar os comportamentos dos filhos do que as mes de famlias monoparentais. Ama-

    to (2010) refere que, em virtude da monoparentalidade, pode haver uma mudana nas

    prticas parentais, as quais passam a ser mais coercitivas e de menor envolvimento pa-

    rental. Adolescentes de famlias monoparentais e recasadas podem apresentar menos

    habilidades sociais, baixa autoestima, menor nvel de bem estar psicolgico (Amato,

    2010), alm de menor competncia acadmica e mais problemas de comportamento co-

    mo agressividade e delinquncia.

    Para Mota e Matos (2011), a monoparentalidade pode ser uma oportunidade

    de crescimento e desenvolvimento pessoal com novas habilidades de comunicao, de

    expresso dos sentimentos e de resoluo de problemas para pais e filhos. Entretanto, o

    fato de um nico genitor ser responsvel por todos os tipos de cuidados que a criana ou

    adolescente precisa pode fazer com que essa pessoa sinta-se cansada ou sobrecarrega-

    da, a qual mesmo sem inteno, pode colocar seu filho em risco por no conseguir dar

    conta de todas as necessidades e demandas que se apresentam. Nesses casos, o apoio

    da rede social, que ser discutido no decorrer desse texto, pode servir como um fator de

    proteo para essa configurao familiar.

    FAMLIAS COM PAIS SEPARADOS OU DIVORCIADOS

    Segundo Raposo e colaboradores (2011), crianas com gnio fcil, astutas,

    responsveis e socialmente afetuosas evidenciam maior capacidade de ajustamento ao

    divrcio ou separao parental. Dimenses como a autoconfiana, a capacidade cognitiva

    e a autonomia da criana, integradas ao sistema de suporte social, tambm esto positi-

    vamente conectadas a um maior ajustamento da criana a essa mudana na estrutura

    familiar. Quando se busca compreender o choque que o divrcio pode ocasionar na crian-

    a, faz-se necessrio considerar as alteraes desenvolvimentais decorrentes da idade. O

  • divrcio no provoca forosamente maior choque numa dada idade, mas sim efeitos dife-

    rentes. No entanto, quanto mais elevado e associado o nvel de desenvolvimento da cri-

    ana, melhores os ndices de adequao separao dos pais. Crianas em idade pr-

    escolar costumam apresentar maior risco em comparao com crianas de mais idade. A

    incapacidade de a criana compreender as mudanas e o significado do conflito e do di-

    vrcio parental pode comprometer seu desenvolvimento e centralizar para si a responsa-

    bilidade da separao dos pais.

    Alm disso, crianas de pais cuja separao foi conflituosa apresentam menor

    interesse e rendimento escolar em relao crianas de famlias nucleares. O estudo de

    Brito e colaboradores (2009) mostra que a separao faz com que os assuntos escolares,

    o acompanhamento do estudo dos filhos em casa e a reviso das tarefas sejam encargo

    apenas, na esmagadora maioria das vezes, do pai detentor da guarda. A dissoluo do

    casamento fora a uma nova estruturao familiar e o frequente acrscimo das horas de

    trabalho dos pais para aumentar os rendimentos financeiros disponveis, tornando mais

    difcil para os pais separados envolverem-se nas atividades escolares dos filhos.

    Em alguns casos, o divrcio ou a separao conjugal pode causar depresso

    em, pelo menos, um dos cnjuges envolvidos (Simon & Marcussen, 1999). A vivncia de

    uma depresso parental acrescenta a possibilidade de reduo da qualidade de presta-

    o de cuidados materiais e emocionais. As mes com sintomatologia depressiva, por

    exemplo, exibem mais afeio negativa, comportamentos descuidados e/ou agressivos e

    condutas parentais de risco. Ao mesmo tempo, elas podem apresentar queda em condu-

    tas tais como: integrao educativa, comportamentos parentais positivos, preocupao

    com o bem-estar das crianas e pouca disponibilidade emocional. Sendo assim, as crian-

    as de pais separados deprimidos ou apreensivos apresentam maior possibilidade de de-

    senvolver transtornos de depresso e angstia, baixo amor-prprio, menor competncia

    no comportamento social, pior rentabilidade acadmica, maiores dficits de ateno e difi-

    culdades de relacionamento interpessoal.

    A separao conjugal faz com que os pais e filhos passem por uma adequao

    em relao nova configurao familiar. Segundo os estudos de Grzybowski e Wagner

    (2010), aps a separao, a guarda dos filhos fica, na maioria das vezes, com as mes.

    Com isso, elas sentem-se mais exigidas e sobrecarregadas na educao dos filhos. Os

    pais que no possuem a guarda acabam se distanciando e sofrendo perdas na educao

    dos filhos. As mes, mesmo sobrecarregadas, tm um sentimento de estarem fazendo

    pouco, mas tratam isso como algo positivo estreitando as relaes parentais, apesar de

  • torn-las mais exigentes e controladoras com as crianas. Segundo as autoras, elas sen-

    tem dificuldades em abordar certos assuntos com os filhos do sexo masculino. O mesmo

    acontece com os pais em relao aos filhos do sexo feminino.

    Segundo as autoras supracitadas, os pais tambm referem-se as dificuldades

    de conviver com filhos muito pequenos que so muito dependentes e requerem uma srie

    de cuidados infantis, os quais parecem ainda serem de exclusiva responsabilidade das

    mes. De acordo com as autoras, eles sentem-se culpados na relao com os filhos pela

    falta de tempo com eles e acreditam que a diminuio da convivncia produz sentimentos

    negativos tanto em famlias intactas ou no. Eles afirmam acreditar que o tempo dispon-

    vel aos filhos mais importante que coabitar com eles, uma vez que a coabitao no

    garante um convvio de qualidade.

    Em contrapartida, as mes, apesar de considerarem a coabitao algo positivo

    em relao ao desenvolvimento de costumes, rotinas e valores, sentem seus esforos

    ameaados pelo convvio da criana em outra casa com diferenas nesses aspectos. Elas

    referem que isso atrapalha sua tarefa educativa. J os pais que no coabitam com os fi-

    lhos aprovam a rotina de troca de casas considerando que os hbitos e rotinas divergen-

    tes so salutares para as crianas.

    Para Brito (2014), uma das principais dificuldades encontradas pelo ex-casal

    aps a dissoluo conjugal o desempenho dos papis parentais. O termo coparentali-

    dade trata-se do exerccio da paternidade e da maternidade (Corso & Corso, 2011). A pa-

    rentalidade apresentar diferenas significativas em relao aquela exercida pelo casal

    enquanto moravam juntos, uma vez que existe uma srie de reformulaes quanto aos

    costumes e rotina familiar (Grzybowski & Wagner, 2010).

    Levando em conta que atualmente as relaes so mais breves e instveis

    (Corso & Corso, 2011), refora-se a importncia de que os cnjuges em processo de

    separao tenham a lucidez de que as responsabilidades de cada um em relao aos

    filhos no se rescindem com a separao. De acordo com Pereira (2011), o casal se

    percebe na tarefa de ter que criar os filhos mesmo com o fim do relacionamento

    matrimonial. A literatura aponta que, durante a vida conjugal, algumas mes no permitem

    que os pais exeram a funo paterna com envolvimento tal como eles gostariam e, aps

    a separao, se queixam do pouco engajamento do pai com os filhos (Reis, 2010).

    Outro aspecto de potencial conflito a penso alimentcia que, na maior parte

    das vezes, fica sob responsabilidade do pai, o qual pode sentir-se explorado, enquanto a

    me que a recebe, pode pensar que est sendo desvalorizada (Grzybowski & Wagner,

    2010). Como na maioria dos casos, a guarda dos filhos fica com a me, causa estranheza

  • que o pai possa ter a guarda e que a me tenha que pagar a penso (Padilha, 2008).

    Para Reis (2010), o pagamento da penso por parte da me visto como covardia j que

    historicamente cabe ao homem a funo de provedor da esposa e dos filhos.

    Diante dessa realidade, perceptvel que para uma melhor adaptao das

    crianas e adolescentes nesse novo contexto familiar que envolve a separao, os pais,

    mesmo com a dissoluo da aliana conjugal, necessitam compartilhar suas atribuies,

    buscando ser igualmente responsveis pelos cuidados, bem-estar e proviso das

    questes materiais de seus filhos. Acredita-se que se pai e me conseguirem manter uma

    conduta respeitosa e harmnica, os filhos tero mais facilidade para enfrentar essa

    transio no ciclo da vida familiar.

    FAMLIAS RECASADAS

    O recasamento tem ocorrido com bastante frequncia devido ao aumento nos

    nmeros de divrcios. Segundo Freitas (2012), na reestruturao e funcionamento famili-

    ar, podem ocorrer problemas de interao com o novo cnjuge do genitor, sendo neces-

    srio, portanto, estabelecer novos termos, contato e influncia. Pode acontecer uma resis-

    tncia dos filhos em relao famlia recasada por acreditarem que esto traindo um dos

    pais originais e por manterem um grande apego ao genitor com quem no residem (Ferra-

    ris, 2002). Essa resistncia pode fazer com que os filhos de famlias recasadas exibam

    resultados desenvolvimentais baixos quando comparados as crianas de famlias nuclea-

    res (Jensen & Shafer, 2013). Para Guimares e Amaral (2009), os filhos que conservam o

    vnculo com ambos os pais conseguem lidar melhor com os diferentes sentimentos decor-

    rentes da separao e com a possibilidade do recasamento dos genitores.

    A reestrutura familiar com o recasamento pode ocorrer mais rpido quando os

    filhos compreendem os pais felizes e tranquilos e sentem-se pertencentes novamente a

    uma famlia completa (Ferraris, 2002). De acordo com Souza e Dias (2014), a adaptao

    se d de forma progressiva, sem imposio, sem negligncia e sem infamar a imagem do

    pai ou da me biolgicos, possibilitando o desabrochar dos sentimentos e da afetividade,

    respeitando individualidade e o ritmo de cada um. Como aponta Freitas (2012), as fam-

    lias recasadas tm por fundamento os modelos da famlia nuclear intacta e os papis es-

    to culturalmente integrados ao gnero: em geral, os padrastos encarregam-se, como

    tradio do gnero masculino, da proviso financeira da famlia; das madrastas almejam-

    se os cuidados afetivos e domsticos. O recasamento pode, muitas vezes, causar diver-

    sas alteraes no convvio familiar e escolar dos filhos, adaptao com novos membros

  • familiares e mudana de escola, segundo (Silva et al., 2012) essas transies so media-

    das pelo tempo do recasamento, prticas parentais, conflito conjugal, idade, gnero e ha-

    bilidades sociais. Estudos apontam que o novo casal submete-se a diversos desafios por

    ter que lidar com as exigncias da nova unio conjugal e com os cuidados dos filhos bio-

    lgicos e enteados (King & Delongis, 2013).

    Segundo Steele, Sigle-Rushton e Kravdal (2009), as crianas de famlias reca-

    sadas apresentam mais dificuldades nos relacionamentos sociais, maiores problemas de

    comportamento e menor desempenho escolar em comparao com crianas de famlias

    nucleares. Para Jeynes (2006), essas dificuldades apresentadas pelas crianas podem

    ocorrer, principalmente, quando essas tm que lidar, ao mesmo tempo, com alteraes no

    contexto familiar e o ingresso no Ensino Fundamental. Em um estudo e pesquisa em psi-

    cologia, Leme, Marturano e Fontaine (2014), apontaram que as crianas de famlias reca-

    sadas apresentaram mais problemas comportamentais do tipo hiperativo e menos habili-

    dades sociais de amabilidade e autocontrole. Anderson e Greenee (2013), afirmam que o

    recasamento dos pais tem um efeito prejudicial imediato e temporrio sobre os filhos. As

    crianas apresentam resultados desenvolvimentais inferiores pela recusa em aceitar um

    novo relacionamento de seu pai/me devido ao sentimento de lealdade para com o outro

    progenitor (Jensen & Shafer, 2013).

    Em contrapartida, Boas e Bolsoni-Silva (2010), afirmam que, em alguns casos,

    a harmonia conjugal da me com o novo parceiro a torna mais atenciosa e calorosa com

    os filhos. Para Leme, Marturano e Fontaine (2014), o esforo do parceiro/parceira em ga-

    nhar a confiana e afeto da criana pode influenciar de maneira positiva na relao de

    casal. A maior disponibilidade afetiva dos parceiros faz com que a criana fique mais coo-

    perativa e tenha controle sobre seu comportamento e emoes negativas, eliminando as-

    sim, as discusses no ambiente familiar, pois ambos esto fazendo esforos para se da-

    rem bem uns com os outros (Costa & Dias, 2012).

    FAMLIAS HOMOAFETIVAS

    A unio de duas pessoas do mesmo sexo, hoje reconhecida oficialmente como

    entidade familiar, vem aumentando e sendo aceita pela sociedade. Segundo Silva e Sil-

    veira (2015), ainda notvel o preconceito e a averso que alguns legisladores tm com

    relao a isso. Afinal, a discusso ainda no pacfica e, mesmo que a maioria apoie, h

    aqueles que lutem para que no haja um consentimento determinante. O preconceito ain-

  • da intenso e as famlias sofrem com esse longo perodo de transio em vrios espaos

    como trabalho, escola, servios de sade, entre outros, no sendo considerada famlia,

    atingindo o seu direito de cidadania (Souza at al., 2013). Segundo Monte e Andrade

    (2014), a famlia resultante da unio homoafetiva no pode passar por discriminao, per-

    tencendo-lhe os mesmos direitos, prerrogativas, benefcios e obrigaes que se mostrem

    acessveis a companheiros de sexo distinto que agreguem unies heteroafetivas.

    Anteriormente se ouvia falar de filhos homossexuais e esta diferenciao se

    tornava uma carga social para a famlia que possua este membro. fato que hoje ho-

    mossexuais ocupam no apenas o lugar de filhos, mas o de pais, na estrutura familiar

    (Souza at al. 2013). Os filhos de uma famlia homoafetiva podem ter sido gerados por

    meio de uma fertilizao em vitro ou por uma adoo. Se antes a adoo implicava dar

    um filho a quem no o tinha, hoje implica dar pais a quem no os tem [...] (FIUZA; POLI,

    2013, p.13). A adoo por casais do mesmo sexo tambm pode ser prontamente equali-

    zada dentro do atual contexto do ordenamento brasileiro. No estudo de Chaves (2011, p.

    14.), o autor destaca a importncia de recordar que a disposio dos requerentes ado-

    o, assim como a sua capacidade para o exerccio ativo da parentalidade so os fatores

    que precisaro ser levados em conta para a concretizao do melhor interesse da crian-

    a.

    Silva e Silveira (2015) afirmam que a famlia ideal a famlia que seja estvel,

    que possua um ambiente saudvel para o crescimento da criana ou adolescente, inde-

    pendente de sexo, raa ou religio e que cada um nasce do jeito que . Se a criana ou

    adolescente no for homossexual, no ser a convivncia com uma pessoa homossexual

    que far com que ela goste de uma pessoa do mesmo sexo. Os papis materno e pater-

    no no esto diretamente relacionados figura do homem e da mulher, mas da pessoa

    que exerce melhor as funes integradas a estes papis. Segundo Vieira (2010), as rela-

    es de parentesco so mais figuradas do que biolgicas. As funes psquicas so o que

    realmente importam para o desenvolvimento de uma criana.

    No Brasil, ainda h poucos estudos com famlias de casais homoafetivos, prin-

    cipalmente com aquelas que optam por ter filhos. Esse fato se d, provavelmente, porque

    tanto o casamento entre pessoas do mesmo sexo quanto o direito dessas de adotar uma

    criana ou gerar um filho com recursos tais como fertilizao in vitro serem fenmenos

    relativamente recentes no que se refere ao amparo legal. Entretanto, as decises judiciais

    nesse sentido tm se mostrado favorveis a esse tipo de configurao familiar embasa-

    das na concepo de que estudos no indicam qualquer inconvenincia para que crian-

    as sejam adotadas por casais homossexuais, importando mais a qualidade do vnculo e

  • do afeto no meio familiar em que sero inseridas

    (http://www.senado.gov.br/noticias/Jornal/emdiscussao/adocao/relatos-r. aspx).

    COPARENTALIDADE

    O conceito de coparentalidade, tambm chamado aliana parental, compreen-

    de que a relao coparental o produto da interao entre dois adultos na conduo e

    satisfao das necessidades das crianas que fazem parte do sistema familiar (Bing,

    2014; Lamela et al., 2010). Considera-se a coparentalidade um subsistema autnomo que

    se inter-relaciona com os demais subsistemas familiares tais como, conjugal e estilos

    parentais individuais (Bonds & Gondoli, 2007; Feinberg, 2002, 2003; Van Egeren & Haw-

    kins, 2004).

    Aps a separao comum alguns pais apresentarem dificuldades em manter

    uma uniformidade educativa e uma atitude parental democrtica, sendo que na ocasio

    eles esto preocupados com sua prpria adequao a nova configurao familiar. Entre-

    tanto, a coparentalidade essencial na adaptao da criana separao dos pais defi-

    nida pelo envolvimento mtuo de ambos no desenvolvimento, educao e determinaes

    sobre a vida dos filhos (Grzybowski e Wagner, 2010). As famlias sadas de uma separa-

    o podem apresentar maior risco de ter a coparentalidade descomprometida em relao

    a uma famlia nuclear.

    Segundo Brito e colaboradores (2009), a maioria dos pais separados apresenta

    um padro coparental destrutivo, catalogado por altos ndices de conflitualidade ou des-

    comprometimento na instruo dos filhos, que se revela em mtodos parentais paralelos,

    pouco harmonizados e que, por consequncia, minam a astcia da criana sobre a unio

    parental e provocam a desordem parental. Esta desorganizao na harmonia coparental

    tem consequncias graves no desenvolvimento da criana, uma vez que os filhos de pais

    separados so sujeitados e envolvidos em mtodos parentais sem guia, o que acrescenta

    a probabilidade de conjunturas triangulares intergeracionais dentro da famlia. Quanto me-

    lhor e mxima for a cooperao, a considerao e o dilogo na dade parental na condu-

    o da educao dos filhos, melhor a adaptao da criana, agindo, esses elementos,

    como verdadeiros fatores benfeitores dentro das famlias.

    A qualidade do relacionamento pai/me-criana pode trabalhar como o princi-

    pal mediador familiar do ajustamento das crianas (Raposo et al. 2010). Teubert e Pin-

    quart (2010) afirmam, tambm, que a coparentalidade um dos principais preditores da

  • adequao psicolgica das crianas e pais e do funcionamento familiar, quer em famlias

    nucleares, quer em famlias com pais divorciados ou separados, recasadas ou homoafeti-

    vas. Para Nunes-Costa e colaboradores (2009), a coparentalidade tem alguns componen-

    tes operacionais tais como o acordo, princpios e regras de educao da criana, a divi-

    so do trabalho, a proximidade emocional, e a gesto conjugada da famlia.

    A IMPORTNCIA DE REDE DE APOIO SOCIAL

    As redes sociais sejam de ordem individual, familiar, institucional ou comunitria,

    podem ser considerado um dos principais recursos que um indivduo tem disponvel, prin-

    cipalmente no que se refere ao apoio recebido e percebido. Redes sociais precrias po-

    dem influenciar negativamente a qualidade de vida das pessoas e, ao contrrio, as redes

    sociais estveis e variadas possibilitam a autoestima, gerando a capacidade de enfrenta-

    mento adequado das situaes vitais difceis, sejam elas permanentes ou temporrias

    (Sluzki, 1997; Mor & Crepaldi, 2012). Desse modo, as crianas de famlias que passam

    por modificaes em sua configurao familiar podem ter uma melhor adaptao s mu-

    danas advindas dessa situao se a rede de apoio social a qual ela tem acesso oferecer

    recursos para tal. No que trata de crianas, especificamente, alm da famlia extensa

    (avs, tios, primos e outros parentes), a escola e comunidade podem ter uma papel fun-

    damental na adaptao da criana s mudanas no seu ciclo vital.

    Ao longo das fases da vida, as redes de apoio social apresentam variaes de

    acordo com as diversas situaes vivenciadas. Segundo Marturano, Elias e Leme (2012),

    o espao familiar e escolar, que juntos podem influenciar o comportamento das crianas,

    apresentam diferenas quanto aos estmulos, s relaes e s regras de interao social.

    Dessa maneira, plausvel que as crianas tenham comportamentos diferentes na famlia

    e na escola. Para Maturano e colaboradores (2012) e Olivia (2004), a famlia, mesmo em

    suas diferentes configuraes, no perde sua influncia medida que os contatos sociais

    so ampliados. Dessen e Braz (2005), tambm afirmam que, independente da diversidade

    de tipos de famlia, ainda prevalece o apoio social entre os membros familiares a fim de

    fornecer base no desenvolvimento das crianas e adolescentes. Para Bronfenbrenner

    (2005), a rede de apoio social um processo contnuo: o indivduo tanto recebe influn-

    cias quanto influncia a rede na sua construo.

    Para Gabardo e colaboradores (2009), a rede de apoio deve tentar no julgar

    a configurao familiar e sim atend-la na preveno dos riscos que possam estar expos-

    tas. Segundo Squassoni e colaboradores (2014), o apoio social disponvel a partir da fa-

  • mlia, de amigos, de professores e da comunidade auxiliam crianas e adolescentes a

    passar por desafios que podero repercutir no perodo da vida adulta. Com relao ao

    apoio recebido pelos professores, Chagas, Aspesi e Fleith (2005) apontam que acontece

    um distanciamento entre professor e aluno decorrente do aumento de idade: os alunos

    comeam a expressar maior independncia e autonomia e os professores continuam com

    suas atitudes controladoras e autoritrias. Segundo Olivia (2005), no Ensino Mdio, o dis-

    tanciamento entre professor e aluno ainda maior, chegando a alguns casos ao enfren-

    tamento, sendo essa uma situao negativa, pois os adolescentes poderiam se beneficiar

    do contato com outros adultos para construo de sua prpria identidade, apropriando-se

    de novos pontos de vista e ideias diferentes das encontradas no ambiente familiar.

    Em suma, verifica-se que, independente da configurao familiar e da idade

    das pessoas envolvidas, a rede de apoio social mostra-se como um importante recurso e

    pode funcionar como um fator de proteo na adaptao s alteraes das diversas tran-

    sies que podem ocorrer ao longo do ciclo vital. Considera-se que, mesmo as famlias

    nucleares ou aquelas que no passam por mudanas em suas configuraes, se benefi-

    ciam de uma rede de apoio social significativa, pois todos os tipos de famlia enfrentaro,

    em algum momento do ciclo, situaes impredizveis no seu desenvolvimento que pode-

    ro causar estresse ou dificuldades.

    CONSIDERAES FINAIS

    O presente artigo buscou investigar, por meio de pesquisa bibliogrfica, as re-

    percusses no desenvolvimento de crianas e adolescentes das diferentes configuraes

    familiares existentes na atualidade, bem como o processo de adaptao dessas a esses

    arranjos de famlia.

    A reviso de literatura indicou que a famlia nuclear ainda o modelo predomi-

    nante no Brasil e que crianas e adolescentes oriundas desse tipo de famlia se benefici-

    am do fato de terem duas pessoas (pai e me) desempenhando a coparentalidade. Desse

    modo, nessa modalidade de conjuntura familiar, existe a possibilidade de cada um dos

    pais no se sentir sobrecarregado, compartilhar tarefas e, alm disso, ter mais tempo para

    monitorar as atividades escolares, participar de atividades culturais e de lazer dos filhos.

    Entretanto, dados da literatura tambm apontam que isso no uma regra e que, nem

    sempre, o casal consegue desempenhar uma funo coparental de qualidade. A reviso

    bibliogrfica ressalta, ainda, que crianas e adolescentes de famlias nucleares que viven-

  • ciam conflitos conjugais entre seus pais podem ter prejudicado seu desenvolvimento cog-

    nitivo, emocional e social, bem como apresentar maior fragilidade de sade.

    A pesquisa bibliogrfica tambm apontou algumas semelhanas e diferenas

    no que se refere s configuraes de famlias monoparentais e separadas ou divorciadas.

    No primeiro tipo de arranjo familiar, a criana ou adolescente, em geral, no convive com

    um de seus genitores e, por vezes, nem o conhece. J no caso de pais separados, os

    filhos tm a possibilidade de manter o convvio com ambos pai e me. A literatura aponta

    que nos dois casos, entretanto, geralmente h um genitor que acaba ficando com a guar-

    da ou como o principal responsvel pelos cuidados com o(s) filho(s), fato que pode ocasi-

    onar o sentimento de sobrecarga e, consequentemente, um monitoramento precrio da

    criana em diversos aspectos de sua vida. Ressalta-se, entretanto, conforme os estudos

    revisados, que a adaptao de crianas e adolescentes em famlias com pais separados

    ou divorciados pode ser associada ao nvel de desenvolvimento da criana. Crianas em

    idade pr-escolar apresentam maior risco em comparao com crianas de mais idade.

    Nas famlias recasadas as crianas e adolescentes podem apresentar maior

    resistncia na adaptao a nova configurao familiar por acreditarem que esto traindo

    um dos pais biolgicos ou por manterem um grande apego ao genitor com quem no re-

    sidem. O recasamento pode causar dificuldades na adaptao com novos membros da

    famlia, bem como problemas nos relacionamentos sociais, de comportamento e no de-

    sempenho escolar. Entretanto, a literatura tambm indica que a harmonia no lar, o esforo

    do novo casal para manter um ambiente familiar saudvel para os filhos, alm da percep-

    o da criana ou adolescente de que seu pai ou sua me sente-se tranquilo e feliz com a

    nova unio, pode servir como um mecanismo de proteo para a adaptao a esse novo

    arranjo familiar.

    No que diz respeito a famlias homoafetivas, os filhos dessas unies podem ser

    oriundos de fertilizao em vitro ou de adoo. Apesar de haver poucos estudos sobre o

    tema, inclusive, porque o prprio direito de pessoas do mesmo sexo registrarem ou adota-

    rem crianas na condio de pais ser um fenmeno novo no Brasil, a literatura aponta que

    essas crianas e adolescentes podem sofrer com o preconceito que ainda existe com re-

    lao a homossexuais nos mais variados espaos como trabalho, escola, entre outros.

    Assim, faz-se necessrio ampliar pesquisas de acompanhamento com esse pblico para

    identificar facilidades e dificuldades encontradas por essa nova configurao familiar.

    Conforme foi possvel verificar nessa breve reviso bibliogrfica, o desenvolvi-

    mento saudvel de crianas e adolescentes no ser garantido somente pelo tipo de ar-

    ranjo familiar. A famlia , em geral, o primeiro nicho de desenvolvimento ao qual a crian-

  • a tem acesso. nela que acontecem as primeiras identificaes e se estabelecem os

    primeiros vnculos que sero fundamentais no decorrer de sua vida. Assim, pelas leituras

    realizadas, parece que o que conta no exclusivamente o tipo de configurao familiar

    no qual a criana ou adolescente est inserida, mas todo um conjunto de variveis que

    envolvem a histria de vida de todos os membros da famlia, bem como questes sociais

    e contextuais, alm de a prpria maneira de como a famlia interage e se adapta as mu-

    danas ao longo do seu ciclo vital.

    Desse modo, no se pode determinar que uma criana ou adolescente ter seu

    desenvolvimento prejudicado ou beneficiado apenas se baseando no arranjo familiar ao

    qual esse pertence. Pode-se, entretanto, pensar em fatores de risco e proteo, mas sali-

    enta-se que o desenvolvimento saudvel de qualquer pessoa multideterminado e pode

    ser promovido por todo um conjunto de aspectos. Dentre esses, a rede de apoio social

    com a qual uma famlia pode contar tem sido considerado um importante recurso na

    adaptao e no enfrentamento das dificuldades encontradas pelas famlias.

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