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DICIONRIO DE GEOLOGIA SEDIMENTAR E REAS AFINS

KENITIRO SUGUIOProfessor Titular do Instituto de Geocincias USP

DICIONRIO DE GEOLOGIA SEDIMENTAR E REAS AFINS

Copyright 1998, Kenitiro Suguio Capa: Tatiana Podlubny 1998 Impresso no Brasil Printed in Brazil Todos os direitos reservados pela: BCD UNIO DE EDITORAS S.A. Av. Rio Branco, 99 200 andar Centro 20040-004 Rio de Janeiro RJ Tel.: (021) 263-2082 Fax: (021) 263-6112 No permitida a reproduo total ou parcial desta obra, por quaisquer meios, sem a prvia autorizao por escrito da Editora. Atendemos pelo Reembolso Postal.

Ao trazer a lume esta contribuio, que julgo ser de interesse para a comunidade geocientfica brasileira, no posso assumir o compromisso de que seja ela uma obra completa e definitiva com todas as terminologias empregadas em Geologia Sedimentar no Brasil. No entanto, aps mais de trinta anos de atividades incessantes nesta rea de conhecimento cientfico nos seus mltiplos aspectos, julgo estar razoavelmente preparado para encetar este empreendimento que, mesmo sem produzir uma obra definitiva, ainda contribua para aumentar a preciso da linguagem geocientfica brasileira. Desde o XVII Congresso Brasileiro de Geologia em Recife (1963), j havia pessoas preocupadas com o assunto, como o Professor Doutor Jannes M. Mabesoone, que chegou a elaborar e distribuir um glossrio de termos sedimentolgicos naquele congresso, que continha no mais que algumas centenas de verbetes. Ao longo dos anos, desde ento, tenho estado preocupado com uso freqente, pela comunidade geocientfica brasileira, de anglicismos e galicismos desnecessrios, de tradues inadequadas, de neologismos torpes e de termos vulgares e regionalismos de sentidos dbios, que muito tem contribudo para a impreciso lingstica das Geocincias no Brasil. Sendo inmeros os desafios e limitados os recursos, espero que esta obra preencha, pelo menos parcialmente, a grande lacuna ainda existente na literatura geocientfica brasileira. Finalmente, sinto-me no dever de deixar registrados os meus mais sinceros agradecimentos ao Professor Doutor Setembrino Petri, pela leitura crtica do texto completo, ao Dr. Louis Martin pela reviso dos verbetes em Francs, ao Professor Doutor Rodolfo Jos Angulo pela reviso dos verbetes em Espanhol, aos Professores Doutores Werner Truckenbrodt, Heinz Charles Kohler e Rainer A. Schultz-Gttler pela reviso dos verbetes em Alemo, alm de outras pessoas que me incentivaram em vrias etapas de preparao da presente obra. Entre outros, no poderia deixar de citar os doutores R. Boulet, J. P. Ybert e B. Turcq, que tambm me auxiliaram nos verbetes em Francs. So Paulo, 31 de janeiro de 1998 Kenitiro Suguio

A falta de termos tcnicos correspondentes, em lngua portuguesa, relacionados s Geocincias tem conduzido muitos pesquisadores utilizao de termos estrangeiros, em geral ingleses. Outras vezes, as tradues usadas nem sempre so as mais adequadas, resultando em termos ambguos com diferentes significados e chegando ao cmulo da criao de neologismos desnecessrios de palavras j existentes no nosso vernculo. Deste modo, apareceram algumas compilaes sob as designaes de dicionrio, vocabulrio ou glossrio, com o intuito de disciplinar a nossa linguagem tcnica nesta rea. Em So Paulo, Viktor Leinz e Josu Camargo Mendes publicaram em 1951, um Vocabulrio Geolgico, versando sobre a Geologia em geral, com edies revistas e ampliadas at 1963. Com o mesmo enfoque, esta obra foi reformulada em 1971 sob a denominao Glossrio Geolgico. No Rio de Janeiro, Antnio Teixeira Guerra publicou o Dicionrio Geolgico-Geomorfolgico, cuja primeira edio de 1954 e a oitava edio, revista e ampliada, data de 1993. O dicionrio de Guerra seria o ponto de partida de um projeto do Conselho Nacional de Geografia, consubstanciado em uma resoluo de 08/07/1953, prevendo a elaborao de normas para seleo de verbetes geogrficos e de cincias afins, acompanhados dos termos correspondentes em Alemo, Espanhol, Francs, Ingls e Italiano. Porm, este projeto nunca foi realizado e o dicionrio de Guerra restringe-se lngua portuguesa. O progresso das Geocincias nas ltimas dcadas, com novos conceitos desenvolvidos nos tradicionais campos da Geologia, Geomorfologia, Geografia e Pedologia, bem como o surgimento de inmeras contribuies em campos recm-desenvolvidos no pas, como a Geologia Marinha, Arqueologia e Estudos Ambientais, alm de necessidade de integrao de todas essas reas, enfatiza a carncia de textos de consulta em nosso idioma com definies precisas dos termos tcnicos. O Professor Doutor Kenitiro Suguio, pelas suas qualidades de pesquisador meticuloso e preocupado com a preciso dos termos e por ser especialista em diversos campos da Geologia, entre os quais destaca-se a Geologia do Quaternrio, que se caracteriza por apresentar interfaces com Geologia Marinha, Arqueologia, Pedologia, Geomorfologia e Estudos Ambientais, a pessoa talhada para a tarefa de atualizao dos termos escritos h mais de uma dcada e de introduo de termos recm-criados. O resultado o presente texto, que no s atualizado como tambm grandemente ampliado, envolvendo as interfaces acima mencionadas. Outra inovao foi a introduo do Alemo, alm de outras lnguas j usadas nos textos de outros autores. J em 1990, este mesmo autor concluiu o seu Dicionrio de Geologia Marinha, com termos correspondentes em Espanhol, Francs e Ingls, publicado em 1992. As Geocincias e o autor esto de parabns por esta valiosa contribuio, que certamente ser um livro de consulta obrigatrio para todos os que se preocupam com os fascinantes problemas do nosso planeta. So Paulo, 20 de fevereiro de 1998 Setembrino Petri

AALENIANO I. Aalenian; F. Aalenien; E. Aaleniano; A. Aalenien (1) Primeira idade mais antiga (173,5-178 Ma) da diviso tetrapartite da poca Dogger (Dogger), situada acima da Idade Toarciana (Toarcian) da poca Lias (Lias) e abaixo da Idade Bajociana (Bajocian). (2) Andar (unidade cronoestratigrfica) de rochas formadas durante aquele intervalo de tempo, pertencente ao Sistema Jurssico. A designao originria de Aalen, Wurtemberg (Alemanha) e foi proposta por Mayer-Eymar em 1864 (Harland et al., 1990). ABAIXAMENTO DE NVEL DO MAR Veja DESCIDA DE NVEL DO MAR. ABARLAVENTO Veja BARLAVENTO. ABATIDO I. Downthrown; F. Rabattu; E. Abatido; A. sprunghhe (gesenkt). Termo usado para referir-se ao bloco de falha (fault block) que se movimentou para baixo em relao ao outro. Antnimo: soerguido (uplifted ). ABBEVILLIANO I. Abbevillian; F. Abbevillien; E. Abbevilliano; A. Abbevillien. Termo proposto por Abade Breuil em 1932 (CEG/FCL, 1970), em substituio antiga subdiviso do Paleoltico (Palaeolithic), denominada de Precheliano, situada entre o Olduvaiano (Olduvaien) e Acheuliano (Acheulian). A localidadetipo (type-locality) est situada em Porte du Bois, Abbeville (Frana). Sinnimo: Abeviliano (Abbevillian). ABEVILIANO Veja ABBEVILLIANO. ABISSAL I. Abyssal; F. Abyssal; E. Abisal; A. abyssisch. Refere-se poro do ambiente marinho correspondente profundidade alm do sop continental (continental rise) e aos sedimentos a depositados. Caractariza-se pela ausncia de luz, grande presso, baixa temperatura e quietude das guas. A sedimentao muito lenta, estando relacionada aos sedimentos terrgenos (vasas azuis, verdes e vermelhas) e pelgicos (pelagic). Em geral, a zona abissal (abyssal zone) caracteriza-se por profundidades entre 4.000 e 6.000m nos mares e oceanos e a partir de 300m nos lagos. ABISSOPELGICO Veja PELGICO. ABLAO I. Ablation; F. Ablation; E. Ablacin; A. Abschmelzen. Processo de perda de neve, do nevado (nv) ou do gelo por fuso, evaporao ou sublimao. ABLUO I. Ablution; F. Ablution; E. Ablucin; A. Auswaschung. Transporte de sedimentos marinhos incoerentes pela ao das correntes. ABRASO I. Abrasion; F. Abrasion; E. Abrasin; A. Abrasion. (1) Reduo de tamanho dos clastos por processos fsicos. A equao de Sternberg = 0.ead relaciona o dimetro de uma partcula aps percorrer uma distncia d, com o dimetro original 0, sendo a um coeficiente de reduo do tamanho. (2) Efeito de desgaste de uma superfcie rochosa ou de um elemento clstico (detrtico) por ao de atrito. Exemplo: abraso marinha (marine abrasion) durante o processo de transgresso originando terraos. ABRASO ELICA I. Wind abrasion; F. Abrasion olienne; E. Abrasin elica; A. Windabrasion. Processo de eroso no qual as partculas de minerais e de rochas atacam as superfcies expostas de qualquer tipo por ao do vento. Sinnimo: corraso elica (wind corrasion). ABRASO GLACIAL Veja PAVIMENTO GLACIAL. ABRASO MARINHA I. Marine abrasion; F. Abrasion marine; E. Abrasin marina; A. Meeresabrasion (Brandungserosion).

Designao aplicada ao processo de eroso provocado pelo mar atravs da ao mecnica das ondas e correntes, resultante do desgaste pelos fragmentos lticos transportados por aqueles agentes, incluindo-se freqentemente a ao qumica de dissoluo, que mais branda do que nas guas continentais. A abraso marinha manifesta-se, de maneira mais efetiva, na regio costeira. ABRIGO ROCHOSO I. Rockshelter; F. Abri rocheux; E. Abrigo rocoso; A. Halbhhle. Caverna em geral pouco profunda formada em rocha insolvel cujo teto, composto de rochas sobrejacentes, estende-se para os lados. Sinnimo: caverna abrigo (shelter cave). ABSORO I. Absorption; F. Absorption; E. Absorcin; A. Absorption. (1) Atrao de molculas de gases ou lquidos ou ons em soluo superfcie de slidos que estejam em contato. (2) Processo pelo qual a energia (eletromagntica, ssmica, etc.) convertida em outra forma de energia, como o calor. (3) Termo aplicado entrada da gua superficial na litosfera por diversos processos. (4) Reduo da intensidade de luz transmitida atravs de uma substncia cristalina ou amorfa. ABUNDNCIA ABSOLUTA Veja FREQNCIA ABSOLUTA. ABUNDNCIA RELATIVA Veja FREQNCIA RELATIVA. ACADIANO I. Acadian; F. Acadien; E. Acadiano; A. Acadien. (1) De acordo com a classificao estratigrfica local da Europa (Van Eysinga, 1975), representa a idade correspondente poca