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    ISSN 0100-6460Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

    Campina Grande, PBJaneiro, 2013

    AutoresAna Luiza Dias Coelho BorinEngenheira-agrnoma, D.Sc.

    pesquisadora da Embrapa Algodo, Ncleo de Pesquisa do Cerrado

    ana.borin@embrapa.br

    Gilvan Barbosa FerreiraEngenheiro-agrnomo, D.Sc.

    pesquisador da Embrapa Algodo, gilvan.ferreira@embrapa.br

    Maria da Conceio S. Carvalho Engenheira-agrnoma, D.Sc.

    pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijo maria.carvalho@embrapa.br

    Alexandre Cunha de B. Ferreira Engenheiro-agrnomo, D.Sc.

    pesquisador da Embrapa Algodo, Ncleo de Pesquisa do Cerrado

    alexandre-cunha.ferreira@embrapa.br

    Jlio Csar BogianiEngenheiro-agrnomo, D.Sc.

    pesquisador da Embrapa Algodo, Ncleo de Pesquisa do Cerrado

    julio.bogiani@embrapa.br

    Diagnose Visual de Deficincias Nutricionais do Algodoeiro

    1. Funo dos nutrientes para o algodoeiroAs plantas so organismos autotrficos capazes de usar a energia solar para sintetizar todos os seus componentes, a partir do dixido de carbono, gua e nutrientes minerais. Estudos de nutrio mineral tm mostrado que elementos minerais especficos so essenciais para a vida do vegetal (TAIZ; ZEIGER, 2006). Os minerais essenciais

    so denominados nutrientes e classificados, conforme as quantidades exigidas pelas plantas, em macronutrientes, que constituem aproximadamente 99,5% da massa seca, e micronutrientes, que constituem perto de 0,5% (EPSTEIN; BLOOM, 2006). De acordo com os critrios de essencialidade (ARNON; STOUT, 1939), so considerados macronutrientes: carbono, hidrognio, oxignio, nitrognio, fsforo, potssio, clcio, magnsio e enxofre; e como micronutrientes: boro, cloro, cobre, ferro, mangans, molibdnio, nquel e zinco. Os elementos H, C e O no so considerados nutrientes minerais porque so obtidos primariamente da gua ou do dixido de carbono.

    O nitrognio (N) o elemento mineral que as plantas exigem em maior quantidade. Ele faz parte da composio de todos os aminocidos e protenas, estando presente tambm na molcula de clorofila e em outros pigmentos (SOUZA; FERNANDES, 2006; RAIJ, 2011). O seu fornecimento em quantidades adequadas estimula a formao e crescimento da parte vegetativa, das gemas florferas, regulariza o ciclo da planta, aumenta a produtividade e melhora o comprimento, a resistncia da fibra e o ndice micronaire (CARVALHO et al., 2011). O excesso de N e gua pode resultar em crescimento excessivo, perda de estrutura frutfera: mas, alongamento do ciclo e atraso na maturao dos capulhos (SCARSBROOK et al.,1959; THOMPSON et al., 1976; HEARN, 1981).

    O fsforo (P) o nutriente envolvido nas transferncias de energia na planta, sendo de vital importncia para a sntese de protenas, fotossntese e transformao de acares (SHUMAN, 1994; CARVALHO et al., 2011; RAIJ, 2011). O P componente integral de compostos importantes das clulas vegetais, incluindo fosfato-acares, intermedirios da respirao e fotossntese, bem como dos fosfolipdios que compem as membranas vegetais. tambm componente de nucleotdeos utilizados no metabolismo energtico das plantas (como ATP) e no DNA e RNA (TAIZ; ZEIGER, 2006). No algodoeiro, estimula o crescimento das razes, sendo importante para o florescimento e desenvolvimento dos frutos. Ao contrrio do nitrognio, que prolonga a fase vegetativa, o fsforo favorece a maturao dos capulhos, acelerando a abertura dos mesmos (CARVALHO et al., 2011).

    O potssio (K) o ction mais abundante na planta; tem importante funo no estado energtico da planta, na translocao e armazenamento de assimilados

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  • 2 Diagnose Visual de Deficincias Nutricionais do Algodoeiro

    (produtos da fotossntese). No faz parte de nenhuma estrutura ou molcula orgnica na planta; encontra-se predominantemente como ction livre ou adsorvido e pode ser facilmente deslocado das clulas ou dos tecidos das plantas (RAIJ, 2011). Esse elemento catalisa a atividade de mais de 60 enzimas na planta, sendo importante tambm para a eficincia no uso da gua. O potssio um nutriente absorvido em grandes quantidades pelo algodoeiro e desempenha papel fundamental no desenvolvimento da planta, produo e qualidade da fibra (CARVALHO et al., 2011).

    O clcio (Ca) tem muitos efeitos sobre o crescimento e desenvolvimento da planta (TAIZ; ZEIGER, 2006). essencial na manuteno da integridade estrutural das membranas e das paredes celulares, no processo de diviso celular, na absoro inica, na germinao do gro de plen e no crescimento do tubo polnico (VITTI et al., 2006). Sua presena na soluo do solo fundamental para o desenvolvimento das razes do algodoeiro (CARVALHO et al., 2011).

    O magnsio (Mg) faz parte da molcula da clorofila (MALAVOLTA et al., 1997; VITTI et al., 2006; RAIJ, 2011), portanto, essencial para a fotossntese. O Mg ativador de todas as enzimas fosforilativas, que so responsveis pela incorporao e transferncia de fsforo inorgnico Pi. O magnsio faz a ligao do ATP ou do ADP com a enzima. A transferncia de energia do ATP e do ADP fundamental nos processos da fotossntese, respirao (gliclise e ciclo dos cidos tricarboxlicos), reaes de sntese de compostos orgnicos (carboidratos, lipdios, protenas), absoro inica (principalmente de P) e trabalho mecnico executado pela planta (VITTI et al., 2006).

    O enxofre (S) faz parte da clorofila e da maioria das protenas da planta. As funes que o S desempenha na planta podem ser classificadas em dois grandes grupos: estruturais e metablicas (VITTI et al., 2006). Ele participa de aminocidos essenciais: a cistina, a metionina e a cistena (MALAVOLTA et al., 1997; VITTI et al., 2006; RAIJ, 2011); constituinte de vrias coenzimas, alm de vitaminas (TAIZ; ZEIGER, 2006). O S desempenha funes que determinam aumentos na produo e na qualidade do produto colhido (VITTI et al., 2006).

    Os micronutrientes so elementos essenciais para o crescimento das plantas e se caracterizam por serem absorvidos em pequenas quantidades. Eles no participam da estrutura da planta, mas da constituio ou ativao de enzimas (DECHEN; NACHTIGALL, 2006).

    As funes do boro (B) na planta esto associadas com as do clcio na regulao do funcionamento da membrana e parede celular, diviso e aumento das clulas, lignificao da parede celular, sendo essencial formao dos tecidos meristemticos. Ele influencia o desenvolvimento de razes, a absoro de nutrientes e a germinao do gro de plen; participa do metabolismo e do transporte de carboidratos por meio da formao de complexos acar-borato, sendo importante na sntese de protenas; atua no metabolismo dos cidos nucleicos e tambm no metabolismo e transporte de auxinas (DECHEN; NACHTIGALL, 2006; CARVALHO et al., 2011).

    O cobre (Cu) e o zinco (Zn) so necessrios para os processos de sntese de protena e de detoxicao de ons superxidos formados no metabolismo celular, dentre outras funes. Alguns autores tm mostrado que os teores no tecido foliar so reduzidos pela calagem e pela adubao com fsforo, porm sem provocar deficincia que comprometa a produtividade da cultura (CARVALHO et al., 2011).

    O molibdnio (Mo) componente de vrias enzimas, incluindo nitrato redutase, bem como favorece o metabolismo de nitrognio na planta (TAIZ; ZEIGER, 2006). O ferro (Fe) tem um importante papel como componente de enzimas envolvidas na transferncia de eltrons (reaes redox), como citocromos (TAIZ; ZEIGER, 2006) e tambm catalisa a biossntese da clorofila (DECHEN; NACHTIGALL, 2006).

    O mangans (Mn) essencial sntese de clorofila e sua funo principal est relacionada com a ativao de enzimas (DECHEN; NACHTIGALL, 2006). Dentre outras funes, o mangans necessrio para quebrar a molcula de gua, evoluo do O2 e permitir o comeo do fluxo de eltrons na fotossntese (MARSCHNER, 1995).

    2. Identificao dos sintomas de deficincia nutricional do algodoeiroO estado nutricional da planta pode ser avaliado pela simples comparao entre uma amostra (planta ou conjunto de plantas) e um padro, ou seja, planta que tem em seu tecido quantidades e propores adequadas que garantem alta produtividade (Figura 1) (MALAVOLTA et al., 1997).

    A diagnose visual uma forma de avaliar o estado nutricional por meio da comparao de uma amostra com um padro. As necessidades

  • 3Diagnose Visual de Deficincias Nutricionais do Algodoeiro

    de elementos minerais mudam ao longo do crescimento e do desenvolvimento de uma planta (TAIZ; ZEIGER, 2006), portanto, ao comparar as amostras, deve-se ter o cuidado de coletar folhas no mesmo estdio fenolgico e na mesma posio na planta (quarta ou quinta folha a partir do pice, por exemplo).

    Geralmente a parte da planta que tem sido observada a folha. No entanto, vrios fatores podem ocasionar alteraes nas folhas e serem confundidos com deficincia nutricional; portanto, antes de fazer o diagnstico de deficincia ou toxidez de algum elemento, necessrio observar as seguintes caractersticas: incidncia de pragas e doenas, sintomas generalizados, gradiente (grau de mobilidade) e simetria na planta (Figura 2), dentre outros fatores.

    No caso de incidncia de pragas e doenas, normalmente a sintomatologia no generalizada, no tem simetria na folha e nem gradiente de mobilidade (das folhas mais velhas para as mais novas ou vice-versa); outro ponto a presena do agente causador do dano (praga, doena ou nematoide). Um exemplo clssico o avermelhamento das folhas do algodoeiro, que pode ser causado por caro ou vrus (vermelho-do-algodoeiro), mas que pode ser confundido com a deficincia de magnsio. No caso de ocorrncia de caro-rajado (Tetranychus urticae) a colorao vermelha estar localizada na parte basal das nervuras, e com lupa ser possvel identificar a presena da praga na parte inferior do limbo foliar (Figura 3); a infestao inicialmente ser em reboleira