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COMISSO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS

Bruxelas, 18.5.2004 COM(2004) 383 final

COMUNICAO DA COMISSO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMIT ECONMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMIT

DAS REGIES

A dimenso social da globalizao contributo das polticas da UE para tornar os benefcios extensveis a todos

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1. RESUMO

O processo da globalizao resultou em importantes benefcios para muitas pessoas em todo o mundo. Empregos de maior qualidade e remuneraes mais elevadas surgiram em partes do mundo at ento fortemente dependentes da agricultura para prover ao sustento da respectiva populao.

Estes aspectos positivos da globalizao so reconhecidos no relatrio da Comisso Mundial sobre a Dimenso Social da Globalizao1(CMDSG), publicado em 24 de Fevereiro de 2004. Contudo, o relatrio salienta que os benefcios da globalizao no so partilhados equitativamente em todos os pases e grupos e que, sem um sistema eficaz de governana global, o actual modelo de globalizao est a gerar resultados desequilibrados, no sendo provvel que induza um desenvolvimento global sustentvel.

Desde h muito que a UE prossegue polticas, no plano interno e externo, que procuram garantir a concomitncia do progresso econmico e social. No Conselho Europeu de Lisboa, em 2000, os Chefes de Estado e do Governo acordaram uma estratgia integrada de reformas destinada a fazer da Europa a sociedade do conhecimento mais competitiva do mundo, com mais e melhores empregos e coeso social acrescida, por via da promoo de polticas sinergticas que dem resposta aos desafios da competitividade, do emprego, do progresso social e da sustentabilidade ambiental. Esta estratgia constitui tambm a base para a resposta poltica da UE ao impacto da globalizao nas empresas, no emprego e nos cidados europeus.

O modelo econmico e social da UE e a estratgia de Lisboa que o traduz na prtica no podem ser transpostos directamente para outras partes do mundo. No obstante, a CMDSG evidenciou um conjunto de aspectos deste modelo que podem ter interesse para os parceiros da Unio. Trata-se sobretudo das questes ligadas definio, aplicao e avaliao de polticas que so essenciais para a consecuo do equilbrio entre os objectivos econmicos e sociais. O modelo da UE coloca a tnica, designadamente, na existncia de estruturas institucionais slidas para a gesto dos assuntos econmicos, sociais, ambientais e de emprego e a interaco entre eles, no dilogo social e civil reforado e no investimento em capital humano, bem como na qualidade do emprego.

A UE tem tambm de garantir a conduo das suas polticas externas de uma forma que contribua para maximizar os benefcios da globalizao para todos os grupos sociais nos pases e regies seus parceiros. As polticas externas da UE sempre comportaram uma importante dimenso social, designadamente no apoio ao acesso universal aos servios sociais essenciais nos pases em desenvolvimento. Desde h algum tempo que a UE tem tambm promovido a eficcia e a coerncia da governana global, incluindo a governana econmica, atravs de instituies internacionais, a fim de garantir que a poltica comercial e as relaes bilaterais com as vrias regies e pases so propcias ao desenvolvimento social e que o desenvolvimento e a cooperao externa contribuem para maximizar os efeitos positivos e minimizar os aspectos negativos da globalizao. O sector privado tambm tem sido encorajado a contribuir para estes objectivos.

1 'A fair globalization: creating opportunities for all' (Uma globalizao justa: criar oportunidades para

todos) http://www.ilo.org/public/english/CMDSG/

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A presente Comunicao descreve de forma sucinta o conjunto de aces empreendidas no mbito da UE no tocante dimenso social da globalizao e apresenta algumas propostas de mudana. Entende constituir um primeiro contributo para o debate lanado com a publicao do relatrio da CMDSG e, em especial, para a discusso do seguimento que lhe ser dado na Conferncia Internacional do Trabalho, em Genebra, em 2004. A Comisso considera que algumas das propostas da CMDSG deveriam ser discutidas noutras instncias responsveis por questes financeiras, econmicas e comerciais.

2. ANTECEDENTES

A UE desde h muito que est ciente das vantagens e dos riscos de uma integrao econmica acrescida no plano mundial, atendendo designadamente sua prpria experincia de integrao regional forte e bem sucedida. Desenvolveu polticas para promover o progresso econmico e a coeso social assentes no seu apego aos direitos e s liberdades fundamentais. Adoptou uma estratgia de desenvolvimento sustentvel que articula polticas econmicas, sociais e ambientais de uma forma sinergtica2. A UE sublinhou tambm a necessidade de garantir o equilbrio entre os imperativos econmicos, sociais e ambientais nas suas polticas de relaes externas. Lanou e desenvolveu j polticas relevantes3, designadamente no que se refere interaco entre comrcio e desenvolvimento, problemtica da pobreza na cooperao para o desenvolvimento, s normas laborais fundamentais e governana social, responsabilidade social das empresas, ao comrcio e ambiente, ao seu compromisso para com o multilateralismo, o desenvolvimento sustentvel, o combate corrupo e os direitos humanos no mundo.

Foi neste contexto que a Organizao Internacional do Trabalho (OIT) criou a Comisso Mundial sobre a Dimenso Social da Globalizao (CMDSG), a qual apresentou em 24 de Fevereiro de 2004 um importante relatrio que analisa o impacto social da globalizao. A Comisso Europeia contribuiu para a criao e os trabalhos da CMDSG, manifestando-se disposta a participar no seu acompanhamento4. O relatrio formula um conjunto de recomendaes para uma gesto mais eficaz da globalizao, com vista a uma distribuio mais equitativa dos benefcios entre os povos do mundo e uma mais exacta antecipao dos custos frequentemente associados a ajustamentos globais repentinos.

O relatrio da CMDSG abrange um vasto conjunto de questes relevantes para as polticas internas e externas da UE. Toma por ponto de partida algumas iniciativas que existem escala global. Foi de um modo geral bem acolhido pelos pases membros da OIT, da UE e pelas organizaes internacionais constitudas sob a gide da OIT, assim como pelo respectivo Conselho de Administrao onde foi apresentado em Maro de 20045. Contudo, para que o contributo da CMDSG no se limite apenas a mais um relatrio a par de outras iniciativas, so necessrios passos concretos para dar seguimento s suas recomendaes. A reunio anual da Conferncia Internacional do Trabalho, em Junho de 2004, discutir o seguimento do relatrio, mas a Comisso considera que algumas das suas propostas deveriam ser discutidas

2 Conselho Europeu de Gotemburgo, Concluses da Presidncia, Junho de 2001 3 COM(2002) 513 final de 18.09.2002, COM(2000) 212 final de 26.04.2000, COM(2001) 416 final de

18.7.2001, COM(2002)347 final de 02.07.2002, COM (1996) 54 final de 28.02.1996, COM(2003) 526 final de 10.9.2003, COM(2003) 829 final de 23.12.2003, COM(2001) 252 final de 08.05.2001.

4 http://www.ilo.org/public/english/CMDSG/consulta/index.htm http://www.ilo.org/public/english/standards/relm/gb/docs/gb285/pdf/gb-16.pdf (42-43)

5 http://www.ilo.org/public/english/standards/relm/gb/docs/gb289/pdf/gb-16.pdf

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noutras instncias internacionais responsveis, entre outras, por questes financeiras, econmicas e comerciais.

A Comisso considera que a UE pode e deve contribuir mais activamente para controlar a globalizao de modo a que sirva simultaneamente objectivos sociais e econmicos. Verifica-se um crescente interesse, patente tambm no relatrio da CMDSG, no que se refere abordagem da UE das questes econmicas, sociais e de emprego e, em termos mais gerais, ao modelo de desenvolvimento sustentvel da Comunidade Europeia. Esta questo assume relevncia acrescida com o alargamento da UE. A Comisso aproveita pois esta oportunidade para apresentar a sua posio relativamente a algumas das questes suscitadas no relatrio da CMDSG , enquanto base para um ulterior debate.

* * *

O impacto da globalizao em diferentes sociedades constitui um tema objecto de vivos debates. Este impacto comporta inmeras facetas, pode ser positivo e negativo, consoante o momento em que ocorre e o contexto especfico de cada pas. Associados designadamente a uma intensificao dos transportes e da utilizao de recursos naturais, os mecanismos por via dos quais os fluxos acrescidos de comrcio, capital, ideias e pessoas em todo o mundo produzem efeitos nas economias, nas sociedades e no ambiente so complexos e dependem das situaes internas, nomeadamente da existncia ou no de medidas de acompanhamento.

A globalizao um conceito utilizado de vrias maneiras, mas a principal ideia a que est associado a de uma integrao progressiva das economias e das sociedades. impulsionada pelas novas tecnologias, as novas relaes econmicas e as polticas nacionais e internacionais de um vasto conjunto de agentes, incluindo governos, organizaes internacionais, empresas, meios de comunicao, mundo do trabalho e sociedade civil6. Trata-se de um processo de integrao em curso desde pelo menos a segunda metade do sculo XIX, seno mesmo antes. O ritmo da integrao foi acelerado nos ltimos anos pelo progresso tecnolgico e pelas decises polticas destinadas a reduzir as barreiras s transaces internacionais. Conduziu, em especial, a uma incremento da diviso internacional do trabalho.

Embora o relatrio da CMDSG tenda a concentrar-se nos aspectos negativos da globalizao, o seu impacto global tem sido positivo, ainda que em alguns casos os benefcios no tenham sido duradouros face a determinados desafios. No perodo imediato do ps-guerra, os principais beneficirios da globalizao foram