Dez dedos dez segredos maria alberta menres

Download Dez dedos dez segredos maria alberta menres

Post on 05-Aug-2015

333 views

Category:

Education

1 download

TRANSCRIPT

1. nDez Dedos Dez Segredos >""' ; ; Livro o WD udio U Van. : Alwn. : Murta-vv 2. Tnvlo De;Da. : Du evczws .:a Ann/ n niMniun . ..um ; uz-Ihnvvutcl: :mw A541,Irrlmpcludo bala-J idvmumpmnon n ncnbcnwmc Blow ranc;L1:: ISIN OFEVUYQRHJJJmcopgwge: : uma unuon.s.A. LISBOA EDITORA LISBOA apurou.5.1x. Sede e Diveto Editonal A.E n.xmhn-v Afvfu Ir.17mm- '1. Yl Jul/ QOH)um v om:n,sm _L nlwmhl- mm m m m uma na Gcvnmn Amb-rum ~ o ' w- u um mu .~ 3. Dez Debos Dez SegrebosEra uma vez duas mos que sabiam contar muitas histrias. s vezes a mo esquerda comeava uma e a mo direita acabava-a.Outras vezes era precisamente o contrrio.. . Isto de as mos gostarem de contar histriasno caso de causar admirao!No verdade que,quando se conta uma histria,as mosexplicam sua maneira o que se vai contando? Bem,ainda no se disse tudo!Nestas duas mos que gostavam tanto de contar histrias,cada dedo vai puxar pela sua cabea (cabea de dedo,est bem de ver. -.) e botar palavra. 4. CONTA O DEDO IVIINDINHO DA lVl ESQUERDAEra uma vez uma princesa pequenina. Quando nasceu,era linda.Por todo o reino se espalhou a fama da sua beleza.Por todo o reino e arredores. Porm, medida que o tempo a passando,maior era a afli- o dos seus pais e de todos os que viviam ao seu lado. Eu vou dizer a razo de to grande aflio: que a princesa estava quase a fazer 7 anos e. .. continuava carequinha como quando nascera!Corno possvel existir uma princesa sem lindos cabelos loi- ros ou sem lindos cabelos negros a esvoaar ao vento?- era o que se segredava pelos corredores e corredores do velho palcio. Porque no nasceram os caracis da princesa?procuram nos livrosos sbios doutores sentados mesa. S que os grandes livros ~ XX_ _I _no falam de nada._ 3x E os sbios doutores ; x *- _'sentados mesa, F . r- _ J . JJ tf__ 5. 1.x:u).- uz wapuxam seus cabelosem grande aflio: mas porque no nascem os caracis da princesa? E todos naquele reino julgavam que o problema no tinha soluo. Tem de se dizer aqui que a princesa era uma menina alegre e brncalhona que s sentia a falta dos caracis que nunca tivera quando se lembrava de querer pr um lacinho corde- -rosa nos cabelos. ..E tambm tem de se dizer que era um bocado preguiosa! Imaginem que nunca tinha assistido ao nascer do Sol. Toda a gente lhe dizia que o Sol aparecia devagarinho,de dentro da noite,e de repente CBVB tudo iluminado com a sua luz espantosa. Um dia,a princesa pensou: capaz de ser verdade. E,na manh em que fazia 7 anos,levantou-se bem cedo e desceu as escadas que davam para ojardim do seu palcio. Sentou-se numa pedrinha e esperou. L vinha o Sol a aparecer,devagarinho como lhe tinham contado,e to claro como se fosse uma laranja brilhante a ser desenhada a pouco e pouco. 6. Dic-z Dcc 13cm' Sugrt-us- Born-dia,princesa!gritou o Sol.- At que enfim que te encontro sentada minha espera! a Bom-dia,Sol!Ainda s mais bonito do que rne disseram!- gritou a princesa. Logo muitos raios de Sol se espalharam por todo o jardim.Uns jogavam s escondidas corn as flores,que ficavam mais coloridas;outros iam dizer segredos aos agries das vaias e aos frutos das rvores,que ganhavam novo bruho. Outros ainda resolveram ir brincar corn a princesa,numa alegria nunca vista. E quando ela por fim voltou para o seu quarto,feliz de tanto brincar,foi um espanto:olhou para o espelho e viu a sua cara rosada espreitando por entre os mais lindos caracis que poderia sonhar. Ou seriam raios de Sol que queriarn ficar a viver corn ela.para sempre? 7. COJ'I'"LAI CI' KDLDZ) AEVELAFK DA [VU-XO LESMQURDAA minha histria diferente.Ou eu no rne charnasse ane- lar. ..Era urna vez um velhinho que tinha 3 anis guardados numa pequena caixa de carto. Todas as noites,antes de adorrnecer,o velhinho pensava: Arnanh vou cornprar urn banco para chegar ao cirno do armrio onde arrumei a caixa dos anis.J tenho saudades de os ver! Mas depois no dia seguinte,rnal se levantava e comeava a sua lida de rnoleiro,nunca mais se lembrava nem do banco nem dos benditos anis. A pegar nos sacos, a rnoer o gro, to cedo o rnoleirono descansa no. O vento nas velas ,, do alto rnoinho xlernbra as Caravelas abrindo carninho.A encher os sacos de branca farinha,o rnoleiro canta:Bela vida a minha! 8. Dez 132?: : Dez segrz-: sAt que um dia houve um temporal muitogmrlde. As velas do moinho rasgaram-sec as amores em redor ca- ram sem os seus belos ramos:voaram algumas telhas do telhado da casa do velho moleiraPela primeira vez em muitos anos, era melhor ficarem casa semuabalhar- ia pensandoeledesiparasi. F.semquerer.oseuolharfinousenoaltodoamiriooode estavaacaixadecartoquetnha ldentrooshnis- Hoje bom dia para os ir buscar l em cima!- pensou ele. E se bem o pensou.melhor o fez. Como ainda no tinha tido tempo para ir comprar um banco alto.ps um caixote em cima de uma mesa e subiu para cima daquela geringona at conseguir chegar ao cimo do armrioAh,l estava a caixa!Mas. .(agora aqui imaginem o barulho de um grande trambo- lho! )- Bta agora! !! - lamentou-se o velhinho,caido no meio do chomasj com acaixa na maQuem memandoua mim andara ! repara mesasecaixotes. , na minha 9. Dez Debm Dez ScgrcksPor sorte no ficou l muito magoado:s uns arranhes e mais nada. Naquele dia deitou-se mais cedo. A mirar os anis.Eram ln- dos Cada um em seu saquinho. E.dentro de cada saquinho,um papel com umas palavras misteriosas0 moleiro pegou no primeiro e leu:- Eu sou branco.O que h mais branco do que eu? Pegou no segundo e leu:- Eu sou preto.O que h mais preto do que eu? O terceiro papel dizia:- Eu sou cor de oro O que h mais dorado do que eu? 0 moleiro ficou dias e dias a pensar naquelas perguntas.Jo temporal tinha passado h que tempos,e ele s a olhar para osaneisea lerospapeis. O moinho.parado.Mas que vida era a sua? De repente o moleiro percebeu tudo.Atirou com a caixados anis l para o alto do amirio e deitou-se ao trabalho a cantar:Mais banca que o primeiro anel a minha farinha! Mais preta que o segundo anel a noite para dormir'. Mais doirado que o terceiro anel o Sol em todo o lado! 10. Dez m). Dez Savel: -CONTA 0 DEDO MAIOR PAl-DE-TODOS.DA MO ESQUERDAComo sou o maior dedoda mo esquerdaapetece-me con- taruma histriadegigantesEraumavezumahorulnessahortahaviamutascouves devrios feitiosetamanhosNuma couve pequenina, mal acabada de abrirao Sol da m mavera, annhava~se um rapaz tambm muito pequenino que aacharamesmoparecida com uma belacadeiradecampo. Normacouvemesmoaoladqpormquem haviadesean- nhar,cansadodetantas caminhadas? Nada maisnada menosdoqueogigantedasbotasdesete lguas!Era uma couve enomve a que ele tinha escolhido para repousar um bocadqdarostaUma cnuveumlugarque no para descansar.Uma couve, bemdever, mais prpria para comer.Mas que grande disparate fazerdascouvescadeiras' Uma horta. bemdever,no serve para brincadeirasOra o rapaz pequenino no sabia que tinha o gigante por vizinho,nem o gigante sabia que havia al um rapaz peque- nino mesmo ao ladoA certa altura.o rapaz soltou um grande suspiro: - Ai que sono que eu tenho! O gigante ouviu qualquer coisa mas no percebeu o que era.At deve ter pensado:e capaz de estar um pardalito a debicar alguma couve aqui perto! Enosaiudoseubeloecomodolugar. A cena altura,o gigante deu u m grande espirro.O rapazinho apanhou um susto formidvel! Meu Deus.que grande trovo!Ou sera' coisa pior? !Vir por al um urso? !Ai, com este estardalhao, o melhor ir-me embora! Eu j nem se o que faco! 11. Dez [X345 Dez Sxjr-: rrDeu um salto para fora da couve e deitou a correr para casa. Ao passar pela couve onde estava recostado o gigante,bateu sem querer no p da couve que estava a atrapalhar-lhe o caminho. Foi a vez de o gigante se assustar: Meu Deus.mas que estremeo!Estar o mundoa cair? Passaria um avioa jacto pelo meu nariz? !0 melhor ir-me emboraantes de cair no chao! Deu um salto para fora da couve e deitou a correr para casa. Andava por alia esvoaar uma borboleta colorida. Com medo do rapazinho,no se tinha chegado muito couve pequenina. Com medo do gigante,no se tinha chegado nada couve muito grande. Mas o certo que tinha assistido a tudo.E deu-lhe um ata- que de riso quando vu cada um a fugir para sua casa. 16 12. Dez D55- 'x Dez SzJVeUK- Tambm acho!- murmurou uma lagarta empoleirada num caule. - E nos tambm!E ns tambm!- cantarolaram em coro as minhocas de um canteiro. Uma pomba cinzenta resolveu dizer de sua justia: - Para quem s vem de ano a ano,esta aldeia pode parecer feia e triste.mas para ns que vivemos c todo o ano, a terra mais formidvel do mundo! Conhecemos as pedrinhas.os riachos a brilhar. Nos olhos da nossa aldeia no h lgrima a poisar.Conhecemos tantos ninhos,tantos bicos a piar! No dizemos onde esto: e' segredo de vizinhos. Mas a galinha Pedrs era daquelas galinhas que para acredi- tar tm mesmo de ver. Certa manh notou que uma galinha nova,toda saracotea- da.entrou para dentro de um cesto novo que estava dentro de uma casa muito branca da aldeia. - O que ir ela fazer?- perguntou de s para si,muito curiosa. _. r c 13. Dez Deos Dez SegreosAfinal no era nada de especial:a galinha foi s pr uno ovo.Urn lindlssinwo ovo,por sinal! Passaram tennpos,a galinha chocou aquele ovo e dele saiu urn pintainho rnuito esperto. Que grande espanto para a galinha Pedrs e para toda a bcharada! Fizerarn logo esta cantilena: A nossa aldeia bonita e alegre.Dentro da aldeia h unna casa branca.Dentro da casa branca est urn cesto.Dentro do cesto est una galinha. A galinha ps unn ovo e cantou. E deste ovo nasceu uns pintainho. O pintainho cresceu ej unna galinha.A galinha saltou para dentro do cesto.O cesto saltou para dentro da casa. A casa saltou para dentro da aldeia. E a aldeia aqui est,bend bonita e alegre! Olar!~ Olar!f *x i_'3x L ~i Y l . - __ 7. t 7 e. c g 14. CONTA O POLEGAR DA lV| O ESQUERDA Eu tarnbrn sou gente!Ora reparem na rnlnha histria. Era urna vez urn burro.Olhou para o estbulo onde acabava de nascer e disse: - Que rnundo to feio!To escuro! O pai e a rne rirarn-se rnuito quando o ouvirann dizer isto. O pequeno burrinho julgou que estavarn a fazer troa dele e j no disse rnais nada. No dla seguinte espreitou pela fresta da porta de madeira,que era urna porta rnuito desengonada,e viu unna rvore cheia de rnas vermelhas. Ern cada ma abria-se urna janela quadrada.E end cada janela estava debruada urna minscula lagarta verde. Era urna conversa pegada,de janela para janela,que s vlsto e ouvido! O burrinho flcou rnuito admirado e disse:- O rnundo uma rvore cheia de rnas a conversar! Ao terceiro dia de vida,o burrinho abriu rnais a porta de rnadeira e saiu c para fora do estbulo. 15. Dez Deos Dez SegreusAo ver um grupo de crianas a saltar corda,o burrinho exclamou: - Que divertido que o mundo!As pessoas so muito pequeninas e passam a vida aos pulinhos! Ao quarto dia de vida.o burrinho foi beber a um ribeiro deguas Impidas e v u o seu prprio focinho rellectido na gua.cou muito espantado e exclamou:-0la,amigo.Quem estu? Mas o outro burrinho no lhe deu resposta nenhuma. Muito triste.ele voltou para o estbulo,dizendm - w hoje um bicho muito feio e muito mal educado! Ao quinto ta de vida,o burrinho foi ter com os seus pas e disse-lhes: - Vou correr mundo,meus pais.Posso ir? Os pais,desta vez,nao se riram dele e disseram-lhe: - Para que queres correr mundo,filho?No te chega este mundo que conheces aqui na nossa terra?Olha para ns,que nunca samos daqui e somos bem felizes.E'; _;__v's___;'~z_ 16. Dez Debos Dez Segrebos- ! Vias eu quero lr correr rnundo,n1eus pais! !! - telrnou o bur- rinho. E foi.lV| as o certo que ainda no conseguiu afastar-se dal da sua terra,de junto dos seus arnlgos e conhecidos-O burrinho va ele prprio explicar porque:- E que afinal h tantas coisas para descobrir por aqui,que j estou a ver que to cedo no consigo abalar para" terrasa estranhas.. . Afinal,que grande rnundo mesmo em frente do focinho!Hoje salvo urna forrniga,arnanh descubro un":ninho.No sei corno que h-de ser,o ternpo passa a correr! 17. CONTA C) DEDO lVHNDINI-IO DA lVlO DIREITAEra urna vez uma rnenina charnada lVlaria. H rnuitas rneninas corn este norne,rnas ernbora o nome seja igual,todas as rneninas so diferentes unwas das outras. A Nlaria desta histria era urn bocadinho vaidosa e gostavade conhecer urna cidade grande! Ah, preciso dizer que ela vivia sernpre na aldeia onde tinha rnuitos arnigos. Os arnigos da Niaria erarn os coelhinhos da coelheira,o co de guarda do rebanho,os gatos das vizinhas,o papagaio da rnercearia,os grllos dos carnpos,os pornbos do pornbal. ..Eu tenho tantos amigosque nern os posso contar.Sei que repararn ern mim sempre que vou a passar. E rnesrno quando estou s,sei que estou acompanhada.Corn os anwigos,estou bern,sern eles no brinco nada. lVlas a Nlaria tinha urna arniga rnuito especial que costu-rnava vlver nurn vaso de rnalnwequeres da varanda do seu quarto:era urna joaninha. 27 18. Dez &m Dez sexys?=S que no era uma joaninha qualquer!Esta falava e tudo. Praticamente era a sua conselheira para todos os assuntos que lhe pareciam mais complicados. Quando a Maria queria saber qualquer coisa.perguntava logo sua amiga joaninha. E o mais engraado que a joaninha lhe respondia mesmo!Isto era o que a Maria garantia a quem a quisesse ouvir.Muita gente no acreditavaMuita gente riacomo se fizesse troca. Mas nem a Maria nem a joaninha se ralavam l muito comrsso. Ate' que um dia os pais da Maria lhe disseram:- Vai vestir o teu vestido novo,que hoje vamos cidade grande! A menina ficou radiante! Que bomerairdepasseioatddadegrandelauebom era vestir o seu vestido novo! Toda vaidosa.foi logo arranjar-se. Estava ela a acabar de se por bonita,ouviu uma voz deli- cada: - Levas-me contigo.Maria?Eu tambm gostava muito de conhecem cidade.l F l l 19. l)cz I)cns l)cz ScgrcnsA rnenina ficou triste,de repente.Se pedisse para levar a suaarniga joaninha,ningurn ia deixar e de certeza ainda fariarn troa. ..Ficou ali a pensar urn bocadinho e teve urna bela ideia. Que sorte o seu vestido ser todo s pintinhas de rnil cores!Viajar de carnioneta, de cornboio ou de carroa,de autornvel,de avio,de burro ou de trotineta,no faz grande adrnirao!*s* *- Nias viajar urna joaninha i nurna encarnada bolinhado vestido da Niaria, nunca eu tinha visto,no! . ao 20. CONTA O DEDO ANELAR DA IVIO DIREITA Por rnirn.acho que vou contar urna histria de Anis! Era urna vez urn ninho.Dentro do ninho estavarn 3 guias pequeninas,sempre de bico aberto. Elas estavarn sempre de bico aberto e a piar porque passa- varn a vida a querer corner coisas e coisinhas que os pais pas- savam a vida a trazer-lhes. Era un-Ia azfanna sern firn. Passado algurn ternpo,as 3 pequeninas guias j estavarn mais crescdas, j sabiann experimentar as suas asas, j se afoi- tavam em voos arriscados. Urn dia,ao anoitecer,ouvrarn urna conversa dos velhos pais.que as deixou muito intrigadas: - J estarnos urn bocado velhos e cansados,no achas?- Niuito,rnuito,no acho.Nlas realmente j nern rarnos capazes de voar tempos e ternpos sem firn! - Nunca chegmos a ir at aos planets distantes.At ao planeta Saturno,por exernplo. .. - .Nunca chegrnos a ir at aos Anis de Saturno! O que seriarn aqueles Anis de que falavarn as velhas guias? 21. Dez D651* Dez &peo; E o tal planeta Satumqcaria muito longe? Voar at Satumono deve custar nada.Saindo quando o Sol nasce da madrugada.chegamos tardinha ao ponto de chegada! E assim foiQuando no dia seguinte o Sol nasceu da madru- gada,as 3 guias novas abriram as suas asas ao vento e l par- tiram em direco ao planeta Satumo. - Quantos Anis ter este planeta?- perguntou a mais pequena. - Se tiver 3, e' um para cada uma de ns!- exclamou a do meio. - Devem ser uma maravilha!E valiosos!- suspirou a mais velha. medida que iam voando,cada vez mais alto,mais alto.as 3 irms guias sentiam como estavam a ficar cada vez mais longe da sua terra,do seu ninho,da sua familia. E.sem querer,comearam a sentir uma cena pena de terem de estar cada vez mais distantes de tudo o que conheciam.u 22. i)c7 imros 13a?SvgronsJ iam voando por cima das nuvens todas que passavampelo espao.E para l de todas as montanhas.E para l de todos os dias e de todas as noites deste rnundo. Fo quando viram mesmo sua frente,mas ainda a uma certa distncia,os Anis de Saturno.Como se fossem feitos de pedaos de nuvens,ou de ptalas brancas,ou de l de ovelhas,ou de fiapos de neve,ou de farrapos de sonhos. Perceberam que era mesmo impossivel traz-los para a Terra,sern os desmanchar,sem os desfazer. Ento encheram os olhos de tanta beleza e voltaram para trs,descendo devagarinho at poisarern no seu ninho, trazendo nos olhos urn brilho diferente,como quem percebe aquilo que sente. E as 3 guias novas,urn dia,velhinhas,decerto diro: - Os Anis de Saturno,que longe que esto!Br 23. CONTA O DEDO IVIAICR,PAI-DEJTDDS,DA lVI DIREITANo sei bem que histria que hei-de contar!Ah,j sei. ..Era urna vez urn lirnoeiro que no sabia dar limes. Quando urn dia viu que as outras rvores se enchiarn de flores,ficou muito admirado e perguntou: ~ Que lindo!Corno que vocs so capazes de arranjar tantas flores para se enfeitarern? Ningum lhe respondeu,nem nesse dia nern nos outros que vieram. O vento s vezes tinha pena do limoeiro e trazia-lhe urna flor desta rvore,outra flor de outra rvore distante,deixando-lhas nos seus ramos penduradas durante algunsminutos.O limoeiro ento parecia cantar: J tenho urna flor ao peito,que me faz muito feliz. Foi o meu amigo ventoque me deu este presente,que assim corno quem diz:j podes ficar contente! '33 24. mznemnezsegnosNessas alturas o Iimoeiro nem se mexia.com medo que as flores se desequilibrassem e caissem no cho,ou esvoaas- sem para bem longe dele. Claro que,mesmo sem ele se mexer,as flores acabavam por o deixar to sozinho e despido como dantes. Era natural.E,sem querer.ele cava triste. Porque seria que a Primavera no queria ser amiga dele? Ora,certo dia.passou por ele uma lagartixa.Trepou pelo seu tronco fino,andou a sarilhar de raminho em raminho e,por fim,recostou-se muito bem recostada sombra de uma das suas folhas.preparada para dormir uma bela soneca. - Senhora lagartixa.senhora lagartixa;chamou o limoeiro.- Uff,que susto me pregaste!- estremeceu a lagartixa, - Desculpe_- O que queres?Diz l! Como viu que a lagartixa era simptica,o limoeiro contou- -Ihe o seu problema:ele no era capaz de dar flores bonitas como as outras rvores suas vizinhas e conhecidas.E no sabia dar limes,0 que havia de fazer? 25. Dez Debos Dez segrebosA lagartixa reconeou a sarilhar de rarninho para rarninho,cono quern anda procura de una ideia lurninosa.De repente,exclanou ern altos gritos: -J se o que se passa contigo! J se o que se passa contigo! O lirnoeiro ficou nrtuito nervoso ao ouvir a lagartixa dizer que j sabia o que se passava corn ele. O que seria? - rnuito sirnples!- exclandou a lagartixa. Tu s ainda rnuito novinho,no passas de urn menino YTIOGTO. .. J queres ter flores e dar lirnes? ! Prirneiro tens de crescer e ficar rnais forte. Tudo leva o seu ternpo,meu arngo.Tudo leva o seu ternpo. - Ah!- disse o pequeno lrnoeiro.- Ento vou ver se creso depressa e rne fao rnais forte. Obrgado,andiga lagartixa! Que peso rne tiraste das razes! 26. CONTA @INDICADOR DA IVIC) DIREITAAt que enfirn chegou a rninha altura de contar urna histria! Era urna vez urna cegonha pernalta que tinha o seu ninho feito e rnuito bern feito no alto de urn choupo velho. Todos os dias ela dava grandes passeios pelo ar,a ver o rnundo de l de cima,corno se estivessem s coisas pequeninas c em baixo. E de vez ern quando descia na clareira ern frente das casas,deslizando serena,branca e cor-de-rosa,por entre as alfaces da horta e as valas da rega. Que linda cegonha por aqui passou! J todas partlrarn por rnontes e vales.S ela ficou. Ser uma fada? Ter urn encanto?s urna princesa 4 rnuito enfeitiada,chorando seu pranto?J todas partirarn. S ela ficou. 39_uh 27. Dez De?:Dez x52).~E eraverdadezno havia outrascegonhas porali.Que lhe teria acontecido? S a Margarida sabia da histria. A Margarida era a maior amiga da cegonha pernalta. Meses atrs,andavam j as cegonhas todas muito atarefa- das para largarem os seus ninhos e Ievantarem voo em direc- o ao Sul,quando a Margarida ouviu,num certo dia, uns pias aflitivos no meio de uns silvadosFoi ver.Nem queria acreditar:com uma pata presa numa armadilha esquisita,uma linda cegonha parecia estar em grande aflio, Com muito jeitinho,a Margarida levantou o ferro que pren- dia a pata da cegonha e levou-a ao colo para casa.Como se fosse uma boneca doente. Os pais ficaram preocupados quando a viram e disseram que aquela cegonha era capaz de morrer. vinha a o Inverno - e as cegonhas no costumam resistir aos frios dos invernos./ , N, /_i N,v/ l J 3 lt 28. Dez . .Yo Dez 56:41,' '~Mas esta resistiu.E a Margarida liceu toda contente quando um dia o pa lhe disse: - Esta conseguiu salvar-se!Vem j ai a Primavera,e no tarda nada que ela v ter companhiaO pa tinha razoc voltaram do Sul as suas companheiras e foi uma alegria geral.Parecia que as cegonhas que acabavam de dmegar de to longes terras,nem queriam acreditar no que viarrcDepois de correr mundo,que mistrio profundo ns vimos encontrar aqui neste lugar! Porm,o tempo foi passando e de novo foi chegando o Inverno.A Margarida sabia muito bem que desta vez a cegonha no ia ficar al com ela. A sua pata estava curada;as suas asas eram fortes. Por isso,quando a viu um dia elevar-se no ar,deslizando serena,branca e cor-de-rosa,por cima das rvores e dos telhados.atrs das outras cegonhas,deu consigo a dizer muito baixinho: Vai sem medo de voar pelos vales.pelos montes.pelos rios.pelos mares.para alm dos horizontesE vem ter minha casa quando um dia regressares. Ela sabia que a sua amiga cegonha a ouvia perfeitamente. -lS 29. Dez Deos Dez SegrcbuiCONTA 0 POLEGAR DA MO DIREITABem,s falta eu contar uma histria para acabar a conversa das duas mosOra eu sei muitas histrias de fadas,de bichos.de mundos fantsticos e de mundos nada fantsticos. Quem anda nesta vida como eu ando,sempre ao lado das coisas,a mexer nos livros,nas prateleiras,nos stos,nas arcas.encontra cada uma! No outro dia descobri uma luva branca com os dedos corta- dos.S um dedo da luva que estava inteiro.E era precisa~ mente aquele que me dizia respeitem polegar! vesti-o e fiquei entusiasmado.No meio de um grande palco,eu estava transformado no mais lindo palhao do mundo. Fiz uma vnia para um lado,vnia para outro lado,e desatei a cantar: Tenho a cara enfarinhada da farinha do moleiro,no sou galo nem galinha mas sei cantar de poleiro!Venham ver a habilidade deste palhao faz-tudo:de uma velha luva branca inventou um sobretudo.Tenho a cara enfarinhada da farinha do moleiro! N/ f 30. Dez Deos Dez SegreosCorneou a chegar muita gente para rne ver e aplaudir.Fique todo vaidoso. Nlas apareceu urn gato que desatou a correr atrs de rnirn etive de rne esconder dentro de urn bolso.Ouvi algurn dizer para algum:- Nlas porque que ests sernpre de rnos nos bolsos? Muito a rnedo resolvi espreitar para fora do bolso onde rnetinha escondido.Ningum vista!Corno rne sentia bern no meu papel de palhao,de logo ali vrias cambalhotas e fiz vrias piruetas ern cirna da rnesa doalrnoo. verdade:esqueci-rne de dizer que j erarn horas dealrnoo. Tanto rne esforcei que fui cair mesmo em cirna de urn dente de garfo que estava al s para arreliar. Muito sofre este palhao para ser mesmo urn artista!O Grande Circo a mesa, e ern cada prato vazio invento urna nova pista! 40 31. Acho que devo fazer a ndinha apresentao: lvlinhas senhorase rneus senhores. venharn ver as palhaadas de urn polegar n1ui valente que quer ser apreciado por urn pblico exigente!lVlinhas rneninase rneus rneninos, e tambm darnase cavalheiros, venham ver as palhaadas de urn polegar divertidoque quer ser apreciado por und pblico entendido!" No sei se fui rnuito aplaudido ou no.Nlas penso que sirn.Para falar verdade,adorrnec de repente. que ser palhao urn bocado cansativo.E eu,corno born artista que sou,dousempre tudo por tudo para agradar ao rneu excelentssirno pblico!47 32. Acabei a rninha histriasem a ter bern acabado, que uma histria no tem fim quando tudo inventado.Podemos sernpre tecermais um ponto em qualquer conto,porque quem conta acrescenta mais urn ponto ao que quiser! 33. ..| | mr.I)'I segredos.v--w-lII . .L . n ul.(l) . .udun(UHLI n dudu MindinhoL!nmu . naun-ida(mu. : u dvdu Anvlm 'i4' uma i-5(| ll4'! (l4l(uni. : u (lUllU Maior,mn lu Iuxlnu,d. : mao. ~.. ... ... u.. lnlll. : u Imlu . ulm: ln um: : u nqurrd. :tmn. ; n I'