determinação do teor de Água de cactáceas pelos métodos ...pdf. ?· métodos de...

Download Determinação do Teor de Água de Cactáceas pelos Métodos ...pdf. ?· métodos de determinação…

Post on 27-Nov-2018

213 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • Determinao do Teor de gua de Cactceas pelos Mtodos Padro em Estufa e Micro-Ondas

    Jos Anderson Machado Oliveira* (Mestrando em Cincias Naturais e Biotecnologia na Universidade Federal de

    Campina Grande UFCG/CES); Antnio Daniel Buriti de Macedo (Graduando em Qumica na Universidade Federal de Campina Grande

    UFCG/CES); Jos Leonardo Costa Raulino (Mestrando em Cincias Naturais e Biotecnologia na Universidade Federal de

    Campina Grande UFCG/CES); Anamlia de Medeiros Dantas Raulino (Graduanda em Qumica na Universidade Federal de Campina Grande

    UFCG/CES); Renato Alexandre Costa de Santana (Prof. Ad. da UABQ e do PPGCNBiotec na Universidade Federal de

    Campina Grande UFCG/CES); Ana Regina Nascimento Campos (Profa. Ad. da UABQ e do PPGCNBiotec na Universidade Federal de

    Campina Grande UFCG/CES). *Email: jmo.anderson@gmail.com

    ___________________________________________________________________ Resumo:

    A determinao do teor de gua em forragens frescas e silagens um dos procedimentos mais utilizados em pesquisas sobre forragens utilizadas para alimentao animal. As dificuldades encontradas neste tipo de anlise, geralmente, esto relacionadas separao incompleta da gua do produto, decomposio do produto e perda de substncias volteis. Este trabalho teve por objetivo comparar os mtodos de determinao do teor de gua utilizando o forno de micro-ondas e o mtodo padro em estufa em quatro cactceas: palma forrageira (Opuntia ficus-indica Mill), mandacaru (Cereus jamacaru), facheiro (Pilosocereus pachycladus) e xiquexique (Pilosocereus gounellei). Aps coletadas, as amostras foram tratadas (trituradas e cortadas em pedaos) e submetidas a dois mtodos de determinao do teor de gua. A determinao do teor de gua utilizando o forno de micro-ondas apresenta-se como uma alternativa vivel ao mtodo convencional de secagem por estufa, sendo as principais vantagens reduo no consumo de energia e a significativa reduo no tempo de secagem, que de 24 horas no procedimento utilizando a estufa e 18 minutos quando a secagem feita por micro-ondas.

    Palavras-chave: Forragem; Secagem; Alimentao animal.

    ___________________________________________________________________

    Espao reservado para organizao do congresso.

    Blucher Chemistry Proceedings5 Encontro Regional de Qumica & 4 Encontro Nacional de Qumica Novembro de 2015, Volume 3, Nmero 1

    http://www.proceedings.blucher.com.br/article-list/5erq-4enq-260/list/?utm_source=Article&utm_medium=pdf&utm_campaign=5erq5enq

  • 1. Introduo Os mtodos utilizados para conservao e estocagem de forragens podem afetar diretamente o valor nutricional do alimento. Este fato pode ser explicado devido aos procedimentos adotados durante a produo e processamento da rao, alm das reaes bioqumicas e processos microbiolgicos que ocorrem durante o processo de produo das forragens. Assim, as alteraes sofridas pelo alimento durante as etapas de produo: recolhimento, secagem e estocagem, influenciaro diretamente na composio qumica e nutricional da forragem produzida (JOBIM et al., 2007).

    Um dos principais procedimentos utilizados em pesquisas sobre forragiculturas a determinao do teor de gua das forragens frescas, depois de passarem por algum processo de estocagem. As condies utilizadas durante a secagem de forragens afeta diretamente a sua qualidade nutricional, dessa forma, a maneira como o material vegetal processado torna-se crucial para inibir ou ao menos diminuir as possveis reaes bioqumicas e microbiolgicas que podem afetar e degradar os tecidos durante o armazenamento dessas forragens, sendo, tambm, necessria para avaliar as quantidades de nutrientes consumidos pelos animais (LACERDA; FREITAS; SILVA, 2009).

    Dentre as diferentes tcnicas utilizadas para determinar ou quantificar o teor de gua em forragens aplicadas alimentao animal destaca-se a utilizao do forno com a tecnologia de micro-ondas, convencional (domstico) ou modificado, esta tecnologia pode ser utilizada nos mais diferentes tipos de forragens devido rapidez de obteno dos resultados, alm da preciso obtida em comparao com os mtodos tradicionais como o mtodo padro em estufa, que alm de utilizar temperaturas consideravelmente elevadas (105 C) demanda um tempo considervel para obteno dos resultados (24 horas em mdia), diferentemente do mtodo com a utilizao do forno de micro-ondas onde, devido tecnologia de aquecimento utilizada pela tcnica, permite a obteno de resultados satisfatrios com um tempo consideravelmente menor, de 10 a 20 minutos em mdia dependendo da forragem utilizada (SOUZA; PRIMAVESI, 2008).

    As cactceas so espcies nativas das Amricas, adaptadas a ambientes ridos e apresentam caractersticas, morfolgicas e fisiolgicas, peculiares. Dentre estas caractersticas destacam-se a ocorrncia de caules modificados, com a presena de clorofila e grande quantidade de gua armazenada em seu interior formando os claddios. Essa especializao geralmente acompanhada pela diferenciao entre as folhas e espinhos, que protegem a planta contra predadores e contra a perda de gua armazenada. Culturalmente so plantas utilizadas na alimentao animal em regies com baixa pluviosidade anual, porm, sem passar por um tratamento adequado de processamento e estocagem, sendo retirados apenas os espinhos antes do fornecimento como alimentao animal em perodos de escassez (ZAPPI et al., 2011).

    Neste trabalho, realizado no Laboratrio de Bioqumica e Biotecnologia de Alimentos da Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Educao e Sade (UFCG/CES), foram comparados os mtodos de determinao do teor de gua utilizando o mtodo padro em estufa e forno de micro-ondas convencional em diferentes cactceas utilizadas para alimentao animal em zonas semiridas do Nordeste brasileiro, visando desenvolver uma metodologia alternativa vivel.

    2. Metodologia 2.1. Preparao das amostras As cactceas utilizadas neste estudo foram as seguintes: palma forrageira (Opuntia ficus-indica Mill), mandacaru (Cereus jamacaru), facheiro (Pilosocereus pachycladus) e xiquexique (Pilosocereus gounellei), coletados em janeiro de 2015, no stio Bom Sucesso, municpio de Sossego localizado na microrregio do curimata ocidental do estado da Paraba, regio Nordeste de Brasil.

    As cactceas estudadas passaram por dois tipos de tratamentos prvios antes da determinao do teor de gua. As amostras foram trituradas em liquidificador domstico at obteno de uma mucilagem apresentando uma consistncia pastosa (Figura 1), e as amostras tambm foram cortadas com faca de ao inox em pedaos de aproximadamente 1 cm (Figura 2). Estes procedimentos tiveram por objetivo avaliar a influncia do tratamento prvio das amostras no processo de secagem.

  • Figura 1. Mucilagem: a) Palma forrageira, b) Xiquexique, c) Mandacaru e d) Facheiro.

    Fonte: Arquivo pessoal.

    Figura 2. Cactceas cortadas: a) Facheiro, b) Palma forrageira, c) Xiquexique e d) Mandacaru.

    Fonte: Arquivo pessoal.

    2.2. Mapeamento trmico do forno de micro-ondas Os fornos de micro-ondas domsticos no possuem uma distribuio uniforme da radiao em seu interior, pois eles produzem interferncias entre as micro-ondas e, com isso, algumas partes do forno recebem uma maior incidncia de ondas que outras, causando um aquecimento diferenciado de acordo com a posio onde o material colocado. Antes da utilizao do FMO para determinao do teor de gua das cactceas foi realizado o mapeamento trmico da cavidade do forno, calibrao da potncia real de trabalho e testes de reprodutibilidade dos resultados com a finalidade de padronizar os dados obtidos (BARBOZA et al., 2001).

    Para determinar o ponto de maior incidncia da irradiao na cavidade interna do FMO e utilizar esse dado posteriormente para calibrao da potncia real do forno e determinao do teor de gua das cactceas, foi realizado o mapeamento da distribuio da radiao utilizando o procedimento de secagem de soluo aquosa de CoCl2 (ROSINI; NASCENTES; NBREGA, 2004).

    Para realizao deste mapeamento utilizou-se uma soluo aquosa de CoCl2.6H2O (4 % m/v) e papel toalha absorvente. Primeiramente, recortou-se o papel toalha com o mesmo dimetro do prato giratrio do FMO (aproximadamente 27 cm de dimetro). Em seguida o papel foi fixado no prato e

    a) b) c) d)

    a) b) c) d)

  • embebido com a soluo de CoCl2, por fim, irradiou-se potncia mxima (100%) do forno por um tempo de 60 segundos. Aps a realizao do experimento observou-se as regies de maior irradiao pela mudana na colorao apresentada pela soluo de CoCl2. O experimento foi realizado com o prato girando e com o prato fixo na cavidade do FMO (ROSINI et al., 2004). 2.3. Calibrao do forno de micro-ondas Geralmente a potncia mxima fornecida pelos fabricantes de fornos de micro-ondas domsticos de 700 W, porm, na prtica observa-se uma discrepncia entre a potncia indicada e a potncia real de trabalho do forno utilizado. Dessa forma, para obteno de melhores resultados deve-se conhecer o valor da temperatura e da potncia real de trabalho do forno que ser utilizado por meio de um ajuste na potncia do FMO e no tempo de cada etapa da secagem (BARBOZA et al., 2001).

    A determinao da potncia do forno foi realizada pela medida indireta da elevao da temperatura da gua por um tempo estabelecido. Em um bquer de polipropileno, material que no absorve significativamente energia de micro-ondas, foi colocado 1L de gua, com temperatura inicial de 23 2 C, posicionado no local de maior incidncia de radiao da cavidade do forno. O aquecimento foi realizado por 120 segundos, nas potncias programadas de 100, 80, 60, 40, 20 %; aps o aquecimento registrou-se a temperatura final rapidamente. Os experimentos de calibrao foram realizados em triplicata (SOUZA; NOGUEIRA; RASSINI, 2002).

    O clculo da potncia real de trabalho do FMO foi realizado conforme Equao 1.

    P = K Cp m (T)t

Recommended

View more >