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  • DETERMINAO DA TOXICIDADE AGUDA DE SAIS DE ALUMNIO, COBRE E CROMO PARA HYPHESSOBRYCON CALLISTUS

    Dr. Murilo Damato Faculdade SENAC de Educao Ambiental

    Avenida do Caf 298 Jabaquara CEP 04311-000, So Paulo, SP, Brasil

    Tel - 55 11 50170697 r170 Fax 55 11 50172910 e-mail: murilo.damato@sp.senac.br

    RESUMO

    H muito que diversas espcies de peixes de gua doce reconhecidos como um grupo sensvel a variaes de parmetros ambientais. Os critrios de qualidade da gua para esses animais so derivados principalmente de testes de laboratrio e, em escala muito menor, de ensaios realizados em campo. O emprego de testes de toxicidade aguda para metais pesados presentes em efluentes industriais permite avaliar possveis impactos que s vezes a simples caracterizao fsica e qumica da gua no revela. Sabe-se que essa constatao isoladamente no suficiente para se definir a toxicidade das substncias, uma vez que pode haver processos sinrgicos e antagnicos. Os testes de toxicidade aguda foram realizados com uma espcie de peixe nativa, Hyphessobrycon callistus. O mtodo para o desenvolvimento desses testes est baseado nas 17o e 18o ed. do "Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater" (APHA, 1989, 1992). O cobre demonstrou ser o metal mais txico para Hyphessobrycon callistus, seguido por alumnio e cromo.

    PALVRAS-CHAVE : Hyphessobrycon ,cobre, alumnio, cromo, toxicidade.

  • INTRODUO

    Os desenvolvimentos dos estudos ecotoxicolgicos datam da dcada de cinqenta principalmente em centros de pesquisa e desenvolvimento dos Estados Unidos, Canad, Frana e Inglaterra. Desde ento a ecotoxicologia vem estudando o comportamento e as transformaes das substancias qumicas no meio ambiente, assim como nos organismos que vivem nos ecossistemas aquticos e terrestres. Ateno especial tem sido dada aos organismos indicadores de ambientes aquticos, notadamente aos peixes, devido ao impacto que estes ecossistemas sofrem devido ao lanamento de efluentes lquidos (MOORE, 1984). Os peixes e invertebrados de gua doce tm sido reconhecidos h muito como um grupo sensvel a variaes de parmetros ambientais. Para WELCH (1980), os critrios de qualidade da gua para esses animais so derivados principalmente de testes de laboratrio e, em escala muito menor, de ensaios realizados em campo. Apesar de os primeiros mtodos de toxicologia aqutica serem do final da dcada de cinqenta, os trabalhos na Amrica do Sul ainda so incipientes quando comparados aos da Amrica do Norte e Europa. Poucas so as espcies de gua doce da regio neotropical que tm sua sensibilidade determinada. Essa falta de dados de parmetros toxicolgicos leva necessidade de serem utilizados dados bibliogrficos sobre a toxicidade de determinados efluentes em condies ambientais muito diferentes das encontradas no Brasil. Verifica-se, portanto, a necessidade da determinao dos nveis txicos de diversas substncias em espcies nativas. Esses dados so de extremo interesse tanto nos programas de agentes txicos, como na avaliao de possveis impactos ambientais de substncias txicas sobre a biota aqutica e suas possveis implicaes na preservao do meio ambiente.

    OBJETIVO O objetivo do presente trabalho so: Determinar a toxicidade aguda de sais de cobre, alumnio e cromo para Hyphessobrycon callistus.

    MATERIAIS E MTODOS O mtodo para o desenvolvimento desses testes est baseado nas 17o e 18o ed. do "Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater" (APHA, 1989, 1992). os testes foram realizados em sistema semi-eststico com a renovao da soluo-teste a cada 24 horas.

    a gua de diluio utilizada foi gua desionizada com dureza e alcalinidade ajustadas entre 40 e 48 mg/L de CaCO3,.

    para a anlise da toxicidade aguda dos metais pesados, foram empregados os seguintes sais: dicromato de potssio p.a. (Merck), sulfato de cobre p.a. (Merck), sulfato de aluminio p.a. (Merck).

    todos os aqurios foram monitorados nos instantes 0, 2, 4, 6, 8, 12, 24, 48, 72, e 96 horas, em relao os seguintes parmetros fsicos, qumicos e biolgicos: temperatura, oxignio dissolvido, pH, condutividade e mortalidade dos animais.

    jpara a avaliao do parmetro mortalidade dos organismos, foram determinados a CL(I)50;24h, CL50(I)48h, CL50(I)72h, CL50(I)50,96h isto , concentrao nominal do agente txico que causa mortalidade a 50% dos organismos em 24, 48, 72, e 96 horas de exposio nas condies de teste. A expresso dos valores nominais com a notao (I) segue a proposta de LLOYD e TOBBY (1979).

    foram considerados os testes em que a mortalidade no controle no foi superior a 10 % dos organismos testados.

  • RESULTADOS

    Os resultdos obtidos esto apresentados nas tabelas 1 a 3 Tabela 1. Valores da toxicidade aguda de cromo em diferentes perodos de exposio

    mg de K2Cr2O7/L

    Intervalo de confiana Mg de Cr/L Intervalo de Confiana

    CL(I)50 Limite inferior Limite superior CL(I)50 Limite Inferior

    Limite Superior

    Rplica 1 48h 153,22 142,35 164,92 53,15 49,38 57,21 72h 134,19 121,23 148,55 46,55 42,06 51,53 96h 119,24 108,21 131,40 41,36 37,47 45,58

    Rplica 2 24h 202,06 183,43 222,58 70,10 63,63 77,21 48h 150,88 138,50 164,41 52,34 48,05 57,03 72h 130,31 116,76 145,43 45,21 40,50 50,45 96h 119,24 108,21 131,40 41,36 37,53 45,58

    Rplica 3 24h 209,99 ND ND 72,85 ND ND 48h 144,52 131,26 159,12 50,13 45,53 55,20 72h 124,57 108,20 143,43 43,21 37,54 49,76 96h 117,95 103,77 134,07 40,92 40,00 46,51

    Tabela 2. Valores da toxicidade aguda de alumnio em diferentes perodos de exposio

    CL(I)50 Intervalo de confiana CL(I)50 Intervalo de confiana mg de

    Al2S04. 18H2O/L

    Limite inferior

    Limite superior

    mg de Al/L Limite inferior

    Limite superior

    Rplica 1 24h 17,23 15,36 19,32 1,39 1,24 1,55 48h 12,79 11,64 14,50 1,04 0,94 1,18 72h 12,32 10,94 13,68 1,00 0,89 1,11 96h 12,32 10,94 13,68 1,00 0,89 1,11

    Rplica 2 24h 17,75 15,29 20,64 1,44 1,24 1,67 48h 12,32 10,94 13,86 1,04 0,89 1,23 72h 10,94 9,98 11,98 0,89 0,81 0,97 96h 10,94 9,98 11,98 0,89 0,81 0,97

    Rplica 3 24h 19,26 16,31 22,73 1,56 1,32 1,84 48h 14,41 12,70 16,34 1,17 1,03 1,32 72h 13,98 12,49 15,75 1,13 1,01 1,28 96h 13,98 12,49 15,75 1,13 1,01 1,28

  • Tabela 3. Valores da toxicidade aguda de cobre em diferentes perodos de exposio

    g de CuS04/L

    Intervalo de confiana g de Cu/L Intervalo de Confiana

    CL(I)50 Limite inferior

    Limite superior CL(I)50 Limite inferior

    Limite Superior

    Rplica 1 24h 235 208 264 59 53 67 48h 144 126 165, 36 32 45 72h 122 105 141 31 26 36 96h 109 88 141 27 22 34

    Rplica 2 24h 257 215 308 65 55 78 48h 145 124 169 37 31 43 72h 118 103 136 30 26 34 96h 106 92 124 27 23 31

    Rplica 3 24h 268 224 321 68 57 81 48h 158 135 185 40 34 47 72h 125 109 145 32 27 36 96h 118 104 134 30 26 34

    DISCUSSO Nos ensaios com metais, constatou-se grande semelhana nas trs rplicas, onde os resultados foram reprodutveis para nos diversos perodos de exposio. Cromo A anlise da reprodutibilidade dos resultados revelou que as CL(I)50 em seus diversos perodos sempre apresentavam sobreposio dos intervalos de confiana entre s, isto , nos dois ensaios com 24 horas de durao apresentavam sobreposio das CL(I)50, o mesmo ocorrendo para trs ensaios de 48, 72 e 96 horas. Comparando as CL(I)50,96h obtidas neste trabalho com os da literatura em condies semelhantes de dureza (30 a 60 mg CaCO3 /L) da soluo-teste, observa-se que, para condies de ensaios semelhantes, Hyphessobrycon callistus mostrou uma sensibilidade mediana comparada com outras espcies de peixes de gua doce. Entre as espcies que mostraram maior sensibilidade que H. callistus esto Marone sexatilis 26,50 a 35,00 mg/L,Salvelinus fontinalis 59,00 mg/L , Salmo gairdneri 69,00 mg/L, Lepomis macrochirus 110,00 a 170,00 mg/L, Cyprinus carpio 117,78 mg/L e Salmo gairdneri 132,89 mg/L (USEPA, 1984) mostraram-se muito mais resistentes que a espcie aqui testada. Alumnio A anlise dos resultados obtidos revelou que as CL(I)50,24h obtidas foram de 1,39; 1,44 e 1,56 mg de Al/L. As CL(I)50,48h obtidas foram de 1,04; 1,04 e 1,17 mg de Al/L. Os valores obtidos para as CL(I)50,72h foram de 1,00; 0,89 e 1,13 mg de Al/L. Os dados obtidos para a CL(I)50,96h foram os mesmos obtidos em 72 horas de exposio.

  • A constatao da reprodutibilidade dos resultados revelou que apenas as CL(I)50,24h e as CL(I)50,48h apresentavam sobreposio dos intervalos de confiana entre si, indicando assim uma maior variabilidade dos resultados. Comparando-se as CL(I)50 obtidas com as da literatura verificou-se que H. callistus foi mais sensvel que Salvelinus fontinalis (3,6mg/L), Cyprinus carpio (4,0mg/L), Salmo gairdneri (7,4 a 14,6 mg/L) e Pimephales promelas 35,0 mg/L (USEPA,1988). Esse fato deve-se ao efeito do pH dos ensaios que foi ligeiramente inferior aos observados pelos demais autores. Cobre Os resultados para sulfato de cobre revelaram que as CL(I)50 em seus perodos de exposio (24, 48, 72 e 96 horas) apresentavam sobreposio dos intervalos de confiana entre s indicando que os resultados eram reprodutveis. Comparando as CL(I)50,96h obtidas com os da literatura verificou-se que entre as espcies que mostraram maior sensibilidade que H. callistus esto Salmo gairdneri 19,9 a 22,4 g/L e Oncorhynchus tshawytscha 22 g/L (USEPA, 1980b) . Outras espcies como, Salmo gairdneri 42 g/L, Salmo clarki 73,6 g/L, Pimephales promelas 75 a 84 g/L, Salvelinus fontinalis 100 g/L e Poecilia reticulata 138 g/L, Carassius auratus 300 g/L, Cyprinus carpio 800 g/L, Fundulus diafanus 840 g/L, Lepomis macrochirus 1.100 g/L, Lepomis gibbosus 2.400 a 2.700 g/L, Roccus saxatallis 4.000 g/L, Roccus americanus 4.000 a 6.400g/L, Anguilla rostrata 6.400 g/L, (USEPA, 1980b) mostraram-se muito mais resistentes que a espcie testada.

    CONCLUSO Constatou-se que o cobre foi o metal mais txico seguido pelo alumnio e cromo, nesta ordem. Analisando os resultados, constata-se que o cobre est em uma ordem de magnitude o alumnio est em uma outra ordem de magnitude; finalmente o cromo em uma ordem de magnitude superior. Os resultados mostram portanto que dentro das condies padronizadas de pH, dureza, alcalinidade, temperatura e oxignio dissolvido a toxicidade desses metais para H. callistus no difere aos dados obtidos por outros autores em condies semelhantes as nossas nem o ranquing da toxicdade entre os metais para as espcies de peixes.

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    Murilo Damato, bilogo - Instituto de Biocincias da Universidade de So Paulo (1982), mestre em Ecologia

    pelo Departamento de Ecologia Geral do Instituto de Biocincias da USP (1989). doutor pelo Departamento

    de Engenharia Hidrulica e Sanitria da Escola Politcnica da USP. Coordenador do porgrama de mestrado

    profissional em Sistema Integrado de Gesto da Faculdade SENAC de Educao Ambiental

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