DESPESAS: DESPACHO OU SINOA?

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<p>DESPESAS: TRIBUNAL OU SINOA?</p> <p>PORTO</p> <p>VILA NOVA DE GAIA</p> <p>GONDOMAR</p> <p>TORRES VEDRAS</p> <p>FUNDO</p> <p>CASCAIS</p> <p>LOUL</p> <p>SANTO TIRSO</p> <p>LISBOA</p> <p>COIMBRA (INSTRUO CRIMINAL)</p> <p>COIMBRA (FAMLIA E MENORES)</p> <p>Documento assinado electronicamente. Esta assinatura electrnica substitui a assinatura autgrafa. Dr(a). Andr Fernando Ferreira de Bea</p> <p>Tribunal Judicial de Santa Cruz das FloresSeco nicaR. da Esperana - 9970-320 Santa Cruz das Flores Telef: 292590220 Fax: 292590228 Mail: stacflores.tc@tribunais.org.pt</p> <p>Proc.N 7/09.2TBSCF-A</p> <p>174391</p> <p>CONCLUSO - 08-06-2010(Termo electrnico elaborado por Escrivo de Direito Antonio Jos Correia Lopes)</p> <p>xxx Conforme resulta de fls. 121 e 122 ss., vem a Ilustre Patrona do requerente /interessado Miguel Maciel requerer que o Tribunal emita despacho fixando as despesas que a mesma suportou com o processo no exerccio do patrocnio judicirio, invocando para o efeito que tal lhe foi solicitado pelo IGFIP, IP, apesar de, na sua opinio, tal solicitao ser ilegal. Apreciando e decidindo. Adiante-se desde j que este Tribunal j proferiu um despacho sobre questo idntica agora colocada no mbito de um processo-crime que aqui correu termos sendo que o IGFIP, IP foi informado do teor do mesmo , pelo que nos limitaremos a reproduzi-lo de seguida. Com as alteraes introduzidas pela nova Lei do Acesso ao Direito (Lei n. 47/2007, de 28 de Agosto) e com a entrada em vigor da Portaria n. 10/2008, de 10 de Janeiro, que procede regulamentao da Lei n. 34/2004, de 29 de Julho, na redaco dada pela Lei n. 47/2007, de 28 de Agosto, nomeadamente quanto fixao do valor da taxa devida pela prestao de consulta jurdica, definio das estruturas de resoluo alternativa de litgios s quais se aplica o regime de apoio judicirio, definio do valor dos encargos para efeitos do disposto no n. 2 do artigo 36. da lei referida, regulamentao da admisso dos profissionais forenses no sistema de acesso ao direito, nomeao de patrono e de defensor e ao pagamento da respectiva compensao (cfr. o respectivo prembulo), tornou-se claro que os pagamentos pelos servios prestados pelos Srs. Advogados no mbito do apoio judicirio efectuado pelo IGFIJ, I.P., tendo em conta a informao remetida pela Ordem dos Advogados quela entidade e confirmada pelas secretarias dos tribunais ou pelas entidades referidas no n. 2 do artigo 3., conforme resulta da leitura dos n.s 1 e 3 do artigo 28. da Portaria supra referida. Na nossa opinio, o legislador organizou um sistema no mbito do apoio judicirio que claramente pe a cargo de uma entidade determinada, com a intermediao da Ordem dos</p> <p>Tribunal Judicial de Santa Cruz das FloresSeco nicaR. da Esperana - 9970-320 Santa Cruz das Flores Telef: 292590220 Fax: 292590228 Mail: stacflores.tc@tribunais.org.pt</p> <p>Proc.N 7/09.2TBSCF-A</p> <p>Advogados, a responsabilidade pelo pagamento das compensaes devidas aos causdicos pelos servios que prestem no mbito do apoio judicirio. Ou seja, ao contrrio do anteriormente sucedia, o Tribunal agora tem uma interveno naquele sistema meramente residual, sendo alheio ao pagamento das preditas compensaes, como agora a lei lhes chama. E no que diz respeito a despesas, a linha de raciocnio expendida ter em tudo idntica de ser idntica. Com efeito, o pagamento de despesas como aquelas a que a requerente se refere s pode ser realizada por via ou com a intermediao da Ordem dos Advogados, nos termos atrs explanados. Faz-los noutros moldes afigura-se-nos incompreensvel luz da unidade do sistema: pois se a Ordem dos Advogados funciona como intermediria no pagamento das compensaes devidas aos Srs. Advogados tambm dever assumir tal papel no que contende com as despesas que aqueles tm que realizar no exerccio das suas funes. Alis, o que vinha sucedendo at h bem pouco tempo, pois a prpria Sr. Advogada requerente que informa que as despesas em questo foram j liquidadas por aquela entidade. Dizemo-lo, todavia, com a conscincia de que o legislador, como infelizmente sucede em muitos outros casos, no teve em conta as especificidades ou particularidades da prestao de apoio judicirio em locais como a Ilha das Flores e respectiva comarca judicial. Na verdade, impor aqui requerente o pagamento de viagens de avio e de outras despesas (como estadias hoteleiras, como na grande maioria dos casos sucede pois os Srs. Advogados raramente tm hiptese de ir e vir no mesmo dia) parece-nos, logo partida, assaz violento pelo montante necessariamente elevado a que tais despesas ascendem. Dvidas no restam que s a prestimosa colaborao dos Srs. Advogados vai permitindo que a expresso apoio judicirio no seja um balo de encher nesta Comarca, como j referimos noutros despachos que tivemos que proferir sobre assuntos conexos com aquele que est em anlise. Embora a questo no venha levantada, por demais evidente que o disposto no n. 8 do artigo 25. da Portaria n. 10/2008, de 10 de Janeiro No montante da compensao referida nos nmeros anteriores esto igualmente compreendidas as despesas em que os profissionais forenses venham a incorrer em virtude da participao no sistema de acesso ao direito no pode ser aplicvel aos montantes despendidos pelos Srs. Advogados com as deslocaes inter-ilhas neste arquiplago, que so elevadssimas. A norma transcrita tem em vista, evidentemente, a generalidade das situaes que se prendem com o exerccio do</p> <p>Tribunal Judicial de Santa Cruz das FloresSeco nicaR. da Esperana - 9970-320 Santa Cruz das Flores Telef: 292590220 Fax: 292590228 Mail: stacflores.tc@tribunais.org.pt</p> <p>Proc.N 7/09.2TBSCF-A</p> <p>patrocnio forense em Portugal continental, onde as deslocaes entre o escritrio dos Srs. Advogados e os Tribunais onde exercem o patrocnio so naturalmente mais fceis. O legislador esqueceu-se que existe um pas insular que no se compadece com normas do tipo daquelas que acima mencionmos, pois a deslocao de uma ilha para outra e no caso concreto das Flores tal afirmao tem vigor redobrado, pois no existem aqui Advogados inscritos no apoio judicirio, o que implica a vinda de profissionais do foro com domicilio profissional noutras ilhas s se pode fazer por via area, o que acarreta, sublinhamos e reiteramos, despesas assaz elevadas. Pelo exposto, no compete, no regime actual e salvo melhor opinio, aos Tribunais emitir despacho algum que autorize os pedidos de reembolso de despesas que os Srs. Advogados apresentem no mbito do exerccio das suas funes ao abrigo do apoio judicirio, pelo que se indefere o requerido. Notifique. * St. Cruz das Flores, d.s.</p>