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Mobilidade Urbana Transporte Público de Passageiros Gás Natural Veicular (GNV) Direito Regulatório Regulação Econômica Mudanças Climáticas

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  • Dr. Joo Alencar Oliveira Jnior

    Advogado e Engenheiro de Transportes adv.jalencarjr@yahoo.com ou jalencarjr@yahoo.com

    1

    Anais do XX Congresso da Associao Nacional de Pesquisa e Ensino em Transportes XX

    ANPET

    Em co-autoria com: SANTOS, M. P. DE S. & RIBEIRO, S.K. Local: Braslia DF

    Perodo: 06 a 10 de novembro de 2006

    Revista dos Transportes Pblicos, da Associao Nacional de Transporte Pblico ANTP,

    N 111, 5-22 pp, Ano 28, 3 Trimestre, ISSN 0102-7212

    Em co-autoria com: SANTOS, M. P. DE S. & RIBEIRO, S.K. Local: So Paulo SP

    Ano: 2006

    RESUMO Este artigo traz uma contribuio discusso da desonerao tributria da tarifa do transporte

    pblico para a viabilizao do nibus movido a gs natural veicular GNV. Procedeu-se anlise das polticas federais nos ltimos anos e a simulao de cenrios tributos-tarifrios, a

    partir da planilha de custo tarifrio do Sistema de Integrado de Transportes de Fortaleza -

    SIT-FOR, levando-se, ainda, em considerao o custo ambiental da externalidade da poluio

    atmosfrica local e de efeito estufa, enquanto custo varivel da tarifa.

    ABSTRACT This paper brings a contribution to concern the discussion about the reduction of fees included

    in bus fare at public transportation system with the purpose of the viability of compressed

    natural gas CNG. The last federal policy of public transportation was analyzed and made a simulation with fees and fares scenario using the similar cost fare sheet at Fortalezas Integrated Transportation System (SIT-FOR), adopting the concept of Economical Value of

    the Environmental Resource - Atmospheric Air (EVERAIR) was used, separating it in a part of

    local effect gases (EVERLOCAL AIR) and another of greenhouse effect gases (EVERGHG) or

    greenhouse gases GHG, both included as variable costs in the calculation of the bus fare.

    1 INTRODUO

    Este artigo apresenta simulaes realizadas com a tarifa do transporte pblico,

    utilizando o gs natural veicular GNV na frota de nibus do Sistema Integrado de Transporte do Municpio de Fortaleza SIT-FOR. Considerou-se, tambm, a incluso da externalidade ambiental da poluio do ar atmosfrico, desagregado nos gases de efeito local GELs (xido de enxofre SOx, compostos orgnicos volteis no metano NMVOC ou hidrocarbonetos HC, material particulado MP, monxido de carbono CO e o xido de nitrognio NOx) e de efeito estufa GEEs (dixido de carbono CO2, metano CH4 e o xido nitroso N2O), que ponderados pelo Potencial de Aquecimento Global PAG (Global Warming Potential GWP) do Painel Intergovernamental de Mudanas Climticas (The Intergovernamental Panel

    on Climate Change IPCC, 2001) obtm-se o CO2EQ, a ser utilizado como moeda ambiental na aquisio das permisses de poluir no mercado internacional de emisses de carbono,

    sendo estes ltimos abrangidos pelo Protocolo de Quioto. Na valorao econmica destes

    gases apresentada em Oliveira Jnior (2005), adotou-se o conceito do Valor Econmico do

    Recurso Ambiental do Ar Atmosfrico VERAAR, dividido em VERAAR LOCAL e VERAAR ESTUFA, utilizados como custo varivel da tarifa do transporte pblico.

    Devido ao fato do GNV ser uma tecnologia mais cara, a priori, estabeleceu-se como

    meta a possibilidade de desonerao tributria para baratear o preo dos insumos (material

  • Dr. Joo Alencar Oliveira Jnior

    Advogado e Engenheiro de Transportes adv.jalencarjr@yahoo.com ou jalencarjr@yahoo.com

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    rodante e combustvel) e, por consequncia, da tarifa. Optou-se por cenrios normativos

    tributo-tarifrios que viabilizassem o preo da tarifa do GNV (menor ou igual a tarifa a diesel

    vigente em setembro/2002), uma vez que se adota a premissa da realidade tarifria, expressa

    na utilizao do Mtodo Cost-plus no clculo tarifrio, no qual a tarifa resulta do rateio entre

    o custo total da proviso dos servios e o nmero de passageiros-equivalentes.

    2 O IMPACTO DA TECNOLOGIA GNV NA TARIFA DO SIT-FOR

    Em Oliveira Jnior (2005 e 2005b), apresentaram-se os resultados da simulao do uso

    da tecnologia do gs natural veicular GNV na frota de nibus do Sistema Integrado de Transportes do Municpio de Fortaleza SIT-FOR, com o respectivo impacto na tarifa pblica, onde foram assumidas as premissas: a) o clculo da tarifa considerando que 100% da frota

    de nibus seria movida a GNV, sem a incluso dos custos ambientais e b) a considerao da

    anlise desagregada dos custos ambientais, quanto ao incremento na tarifa devido ao: i)

    Valor Econmico do Recurso Ambiental do Ar Atmosfrico VERAAR; ii) Valor Econmico do Recurso Ambiental do Ar Atmosfrico de Efeito Local VERAAR LOCAL e iii) Valor Econmico do Recurso Ambiental do Ar Atmosfrico de Efeito Estufa VERAAR ESTUFA.

    Pinto (1999) apresenta o preo referente aquisio de veculos a diesel e a GNV

    praticados em So Paulo, em 1998, os distinguido entre o preo efetivamente praticado na

    compra e o preo de tabela do fabricante (empresa Daimler-Chrysler), desagregado por chassi

    e carroceria. Aponta a diferena existente entre os preos praticados e os tabelados pelo

    fabricante em relao s tecnologias diesel e GNV. No primeiro caso, o percentual de

    incremento do chassi da tecnologia GNV de, praticamente, 60%, enquanto a variao da

    carroceria, que, tecnologicamente, no deveria ter sensvel diferena, o preo 8% superior.

    Quando visto em conjunto, o preo final do veculo a GNV de cerca de 36% mais caro do

    que o veculo a diesel. Se fosse considerado o preo de tabela, a diferena menor em se

    tratando do preo do chassi e maior em relao carroceria, o que representaria um valor

    de, aproximadamente, 43% mais elevado no preo final do veculo movido a gs natural,

    quando comparado ao veculo convencional, a diesel.

    Motta (2002) cita o Plano de Alterao de Combustvel (PAC) da cidade de So Paulo,

    que utiliza o gs natural veicular (GNV) na substituio ao diesel em 215 nibus (3% da frota

    municipal), como uma das 20 aes relativas ao transporte urbano, consideradas de relevante

    impacto ambiental desenvolvidas no Brasil, em estudo contratado pelo Programa das Naes

    Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com o envolvimento do Ministrio do Meio Ambiente

    (MMA) e da Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano (SEDU). O referido autor informa

    que o "preo do nibus a gs 40% superior ao do veculo diesel" e que causa problemas do

    tipo: "impossibilidade de revenda do veculo, alegaes das empresas de perda do equilbrio

    econmico-financeiro dos contratos em vigor, e maior presso nas tarifas". Observa-se que

    os exemplos estariam enquadrados na faixa de 25 a 50%, que representaria o preo maior

    da tecnologia a GNV ante o diesel, de acordo com Fulton e Schipper (2001) apud Karekezi et

    al. (2003).

    Em razo da dificuldade na obteno do valor de aquisio do nibus a GNV, para cada

    uma das premissas, considerou-se um incremento de 25% (hiptese otimista), 36% (hiptese

    intermediria) e 50% (hiptese pessimista), incidente no custo de aquisio do veculo a

    diesel, como valor do preo do nibus a GNV usado no clculo tarifrio. Desta forma, os

    incrementos de custo devido ao GNV e aos impactos da poluio atmosfrica podem ser vistos

    na Tabela 1.

    A primeira premissa, que desconsidera o custo ambiental, representaria a situao

    atual, modificada somente pela substituio da frota diesel por uma frota movida a GNV. A

    tarifa ao invs de custar R$ 1,20 passaria a R$ 1,32 (veculo a GNV 25% mais caro), um

    aumento nominal no valor da tarifa da ordem de 10% (hiptese otimista). Para os demais

    valores, a tarifa assumiria o preo de R$ 1,35 (veculo a GNV 36% mais caro) e R$ 1,38

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    (veculo a GNV 50% mais caro), os quais comparados tarifa vigente em setembro/2002,

    representariam um aumento tarifrio de 12,5% (hiptese intermediria) e 15% (hiptese

    pessimista).

    Alm do fato de uma frota movida com tecnologia mais cara, ao incluir a externalidade

    da poluio no preo da tarifa, esta majorada em funo das premissas assumidas. Com a

    incluso do custo do VERAAR, a tarifa passaria de R$ 1,32 para R$ 1,35, na hiptese otimista,

    o que comparado com a tarifa de R$ 1,20, representaria um aumento de 12,5%. Para a

    hiptese intermediria, o valor seria de R$ 1,38, e representaria um aumento de 15% em

    comparao a tarifa vigente. Para a pior hiptese, ter-se-ia uma tarifa de R$ 1,41, o que

    significaria um aumento tarifrio da ordem de 17,5%. A anlise desagregada onde somente

    parte da poluio considerada no clculo, obviamente, os impactos seriam de menor monta.

    No caso da poluio local, por se tratar de valor monetrio maior do que o de efeito estufa, a

    repercusso no valor da tarifa seria um pouco menor do que o valor integral da poluio

    expresso no VERAAR.

    Tabela 1: Valores Tarifrios do SIT-FOR para o GNV, em R$ de 2002

    Premissas/Hipteses TP*

    ETTUSA

    TT**

    ETTUSA

    Variao Variao

    Sem VERAAR R$ R$ R$ %

    nibus c/ Incremento de 25% 1,32 1,31 0,12 10,0

    nibus c/ Incremento de 36% 1,35 1,34 0,15 12,5

    nibus c/ Incremento de 50% 1,38 1,37 0,18 15,0

    Com VERAAR R$ R$ R$ %

    nibus c/ Incremento de 25% 1,35 1,34 0,15 12,5

    nibus c/ Incremento de 36% 1,38 1,37 0,18 15,0

    nibus c/ Incremento de 50% 1,41 1,40 0,21 17,5

    Com VERAAR LOCAL R$ R$ R$ %

    nibus c/ Incremento de 25% 1,34 1,33 0,14 11,7

    nibus