desonera§£o da folha de pagamentos: racionalidades e riscos joana mostafa

Download Desonera§£o da Folha de Pagamentos: racionalidades e riscos Joana Mostafa

Post on 07-Apr-2016

214 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • Desonerao da Folha de Pagamentos:racionalidades e riscos

    Joana Mostafa

  • Racionalidades Emprego Salrios Formalizao CompetitividadePanacia ou soluo em busca de um problema (Ansiliero & Paiva, 2009)?

  • Emprego

    Desonerar reduz o custo da mo de obra incentivando ao aumento da contratao...ser?

    contrataes respondem antes s condies de demanda e concorrncia: mesmo que aumente rentabilidade, mais produo s se realiza se houver expectativa de aumento das vendas;

    curva de produo: capital e trabalho no so substitutos;

    condies de demanda de trabalho: reduz salrios em contexto de demanda baixa, aumenta salrios na alta...no se traduz em emprego, mas em salrios.Racionalidades

  • Formalizao

    Desonerar reduz o custo da formalizao para empregado e empregadores incentivando o emprego formal...ser?

    informalidade no opo do trabalhador (existncia de filas e segmentao);

    informalidade das franjas responde a lgicas especficas: pequenas empresas (sobrevivncia, simplificao tributria, etc), construo civil (intermitncia); rural (sazonalidade); domstico (relao de proximidade)...vimos isso (IR, simples).

    formalidade responde antes taxa de emprego...ao crescimento econmico e reduo de incerteza.Racionalidades

  • Racionalidades Emprego, Formalizao e SalriosEssas foram racionalidades propaladas como verdades nos anos 90. So desafiadas pelo desempenho dos anos recentes. Hoje no so nem pertinentes nem relevantes.

  • CompetitividadeRacionalidadesElaborao: Brasil em Desenvolvimento, IPEA, 2010.

  • RacionalidadesBalana comercial sofre com apreciao cambial: nveis da ncora cambial dos anos 90! Competitividade

  • CompetitividadeRacionalidadesElaborao: Brasil em Desenvolvimento, IPEA, 2010.

  • CompetitividadeO problema relevante, mas a soluo talvez seja pertinente apenas no curto-prazo. No mdio-longo prazos:

    A chamada race to the bottom (corrida ao fundo) na indstria norte americana e mexicana para competir com indstria japonesa depois chinesa no funcionou: resultado foi apenas reduo de salrios e benefcios, com aumento do desemprego e da desigualdade.

    Habilidade de competir deve ser construda com mix de vantagens comparativas (recursos naturais, recursos humanos) e vantagens construdas: infra estrutura, tecnologia, marca, qualidade...agregao de valor e criao de barreiras entrada, alm de gesto de juros e cmbio eficaz para a nao. Racionalidades

  • Riscos Distributivos Fiscais Polticos

  • Distributivo

    Substituio tributria pode afetar distribuio de renda:

    Substituio tributria afetar distribuio setorial da carga:

    Contribuies dos empregados so neutras e patronais tendem e a ser neutrasXIVAs, COFINS e PIS/PASEP so muito regressivosSobre folha oneram mais setores trabalho intensivoXSobre faturamento onera mais setores com relao lucro/faturamento baixa = geralmente trabalho intensivosXSobre lucros onera mais setores oligopolizados da indstria ruim para competitividade

  • Fiscais: MPS calcula que cada p.p. desonerado aumenta NFPS em R$ 4,9 bi argumento fiscalista contra previdncia se fortalece, justamente quando crescimento das receitas contributivas esto com elasticidade > 1.Riscos

  • Poltico O sentido do financiamento misto o carter solidrio das transferncias, mantendo-se alguma correlao (Dain, 1993); importante manter pilar contributivo. Em momentos de disputa distributiva acirrada, solidariedade quebra para o lado mais fraco: relao contribuio-benefcio volta com tudo.Riscos Rural calcado no trabalho, mas tido como assistencial. Problema falta de contribuies?Unificamos mesmo?

  • Sociologia da Previdncia

    Mudana de base de incidncia implica em destituir a relao de trabalho como evento produtivo do qual emana o direito aos benefcios;

    Grande parte da legitimidade dos sistemas de previdncia no mundo baseada na utilidade social de seus beneficirios: seu trabalho;

    A previdncia se legitima como lcus de direitos, e no de benesses, condicionalidades ou patrulhamento, como infelizmente ocorre no campo da assistncia, mesmo ps CF 88.

    Riscos

  • Economia Poltica

    Como fugir do estigma do ROMBO? Por que ele subsiste, mesmo tendo aprovado a solidariedade em 88? Mesmo tendo inaugurado trajetria virtuosa da NFPS?

    Ao apagar-se o vnculo contribuio-benefcio, pode-se transitar para benefcios universais, mas com que nvel de reposio? Se 65% j de 1 s.m e 85% at 2 s.m.? At hoje apenas nrdicos conseguiram universal com bom nvel de reposio.

    Riscos

  • Em suma:Proposta de desonerao, apesar de fatiada radical para a previdncia; alm disso, compensao pode ser cumulativa e regressiva.

    Nesse sentido, coloca em risco bases polticas, fiscais e distributivas desse sistema;

    No se sabe se efeitos de competitividade sero duradouros;

    Outras propostas menos radicais podem ser benficas como: (i) desonerar o primeiro salrio mnimo aumenta progressividade das contribuies; (ii) compensao via imposto sobre lucro bruto pode ser sada no cumulativa e progressiva.

  • Obrigada.