Desenvolvimento territorial sustentável e turismo no Alto ... ?· 1 Desenvolvimento territorial sustentável…

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<ul><li><p> 1 </p><p>Desenvolvimento territorial sustentvel e turismo n o Alto Vale do Itaja, </p><p>Santa Catarina: o associativismo municipal no proje to TREMTUR </p><p>Maristela Macedo Poleza </p><p>[Arquiteta, mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade Regional de Blumenau, pesquisadora do Ncleo de Pesquisas em Desenvolvimento Regional/FURB, </p><p>e-mail: mpoleza@softhouse.com.br ] Luciana Butzke </p><p>[Cientista social, mestre em Sociologia Poltica pela Universidade Federal de Santa Catarina, pesquisadora do Ncleo de Pesquisas em Desenvolvimento Regional/FURB e professora da </p><p>UNIFEBE, e-mail: vbutzke@terra.com.br] </p><p>Iara Klug Rischbieter </p><p>[Turismloga, mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade Regional de Blumenau, pesquisadora do Ncleo de Pesquisas em Desenvolvimento Regional/FURB, </p><p>e-mail: ilkr21@gmail.com ] </p><p>Resumo </p><p>Nos ltimos anos, a atividade turstica tem sido tema de inmeros encontros, reflexes </p><p>acadmicas, projetos e apresenta-se administrao pblica como um desafio e uma </p><p>possibilidade concreta de crescimento econmico. Muitos administradores pblicos estimulam o </p><p>turismo em seus municpios. Todavia, muitas aes acontecem desfocadas de uma articulao </p><p>efetiva com o planejamento local e regional. O turista passa a ser o fim do planejamento e, o </p><p>desenvolvimento, nas suas dimenses econmica, social, ambiental, cultural subordina-se a esta </p><p>viso. Dessa forma, a preocupao central desse artigo a anlise do planejamento territorial e </p><p>do turismo no Alto Vale do Itaja em Santa Catarina a partir da atuao da Associao dos </p><p>Municpios do Alto Vale do Itaja. Assume-se a hiptese de que a experincia dos municpios </p><p>pertencentes a AMAVI no que tange ao turismo incipiente. Poucos so os municpios com </p><p>estrutura turstica definida e operando em bases participativas. Todavia, a partir da parceria na </p><p>elaborao do Projeto Turstico da TREMTUR, em 2000, comeam a surgir indcios de uma nova </p><p>fase, mais preocupada com a internalizao da dimenso socioambiental e com a criao de </p><p>sinergias entre os vrios atores sociais sediados no nvel local e regional. A questo proposta </p><p>neste artigo ser investigada pela reviso bibliogrfica de fontes secundrias, buscando um </p><p>dilogo entre as principais referncias do tema proposto. As informaes sero analisadas luz </p><p>do objetivo do artigo, devendo revelar, sobretudo os trunfos e fragilidades da atuao da AMAVI </p><p>no planejamento territorial e do turismo no Alto Vale do Itaja. </p></li><li><p> 2 </p><p>Introduo </p><p>As inovaes tecnolgicas alteraram as estruturas econmicas, sociais e polticas, mudando </p><p>igualmente as condies de vida das pessoas. O aumento do tempo de lazer, a complexidade das </p><p>sociedades e o advento da urbanizao, entre outros fatores, levaram procura global pelo </p><p>turismo. Atualmente essa atividade pode ser encarada como um dos fenmenos mais </p><p>significativos da contemporaneidade, tanto pela soma de setores da atividade que abrange, como </p><p>pelo nmero de pessoas sobre as quais atua. </p><p>Para Beni (1998), o turismo um conjunto de recursos naturais e culturais que, em sua essncia, </p><p>constituem a matria-prima dessa atividade, pois so esses recursos que provocam a afluncia de </p><p>turistas. A esse conjunto incorporam-se os servios produzidos para dar suporte ao seu consumo. </p><p>Se considerarmos apenas a funcionalidade do processo turstico possvel compreender vrios </p><p>de seus aspectos. Porm, ao introduzir-se o elemento humano - que o sujeito do turismo - </p><p>elaborar uma definio que contemple toda a extenso do fenmeno torna-se um grande desafio. </p><p>Dessa forma, entende-se que uma definio adequada deve considerar o turismo como atividade </p><p>econmica e social, tanto pelas motivaes que o originam e determinam, quanto pelas </p><p>implicaes e efeitos que exerce nos sistemas econmico, social e ambiental dos lugares </p><p>receptores, bem como nos de origem dos viajantes. </p><p>Neste trabalho adota-se o conceito de Barretto (2003), que trata o turismo como uma atividade de </p><p>mltiplas peas, cujo planejamento exige uma escolha criteriosa, de cujo encaixe poder surgir o </p><p>equilbrio necessrio ao seu desenvolvimento. Inserindo-se neste contexto, cabe aos planejadores </p><p>da atividade turstica avaliar os anseios da comunidade, apreciando suas potencialidades, para </p><p>que a atividade possa ser alcanada com sucesso. </p><p>H um entusiasmo em relao ao crescimento do turismo e uma crescente preocupao quanto </p><p>ao seu impacto. Becker (2001) alerta para o carter hbrido do turismo, por representar um </p><p>enorme potencial de desenvolvimento e um enorme potencial de degradao socioambiental, </p><p>caso no seja devidamente planejado e organizado. </p><p>No Estado de Santa Catarina, inicialmente, o desenvolvimento desta atividade esteve ligado ao </p><p>turismo de sol e mar. Este modelo de turismo vem gerando impactos socioambientais negativos </p><p>e, sua interiorizao uma alternativa que vem sendo aos poucos colocada em prtica (LINS et </p><p>al., 2002). Esta interiorizao desejvel pelas administraes municipais que procuram esta </p><p>atividade como possibilidade de projeo de seus municpios por visualizarem efeitos </p><p>multiplicadores e incremento do setor econmico. Todavia, fundamental que se faa um </p><p>planejamento cuidadoso para que o crescimento da atividade turstica acontea de uma forma </p><p>organizada, diferente do modelo do turismo desordenado e em grande escala presente no Estado, </p><p>que colabora com o aprofundamento da problemtica socioambiental. </p></li><li><p> 3 </p><p>O Alto Vale do Itaja inclui-se nesse processo de interiorizao da atividade turstica em Santa </p><p>Catarina e, o associativismo municipal representado pela Associao dos Municpios do Alto Vale </p><p>do Itaja [AMAVI], tem importncia fundamental neste processo. A preocupao central desse </p><p>artigo a anlise do planejamento territorial e do turismo no Alto Vale do Itaja, em Santa </p><p>Catarina, a partir da atuao da AMAVI. Parte-se do pressuposto de que, apesar da necessidade </p><p>de se pensar na implantao de um turismo que minimize a problemtica socioambiental, o </p><p>modelo convencional que maximiza as vantagens econmicas em detrimento das vrias </p><p>dimenses do desenvolvimento continua presente. Neste modelo convencional, o planejamento </p><p>do turismo passa de um meio a um fim em si mesmo. As dimenses social, cultural, </p><p>econmica, poltica do desenvolvimento se subordinam ao turismo, que passa a ser o ponto </p><p>central do planejamento. </p><p>A experincia dos municpios pertencentes rea de abrangncia da AMAVI, no que tange ao </p><p>turismo, incipiente. Poucos so os municpios com estrutura turstica definida e operando em </p><p>bases participativas. Todavia, a partir da parceria na elaborao do Projeto Turstico de </p><p>revitalizao da Estrada de Ferro Santa Catarina [TREMTUR], em 2000, comeam a surgir </p><p>indcios de uma nova fase, mais preocupada com a internalizao da dimenso socioambiental e </p><p>com a criao de sinergias entre os vrios atores sociais sediados no nvel local e regional. </p><p>A questo proposta neste artigo investigada pela reviso bibliogrfica de fontes secundrias, </p><p>buscando um dilogo entre as principais referncias do tema proposto. As informaes </p><p>apresentadas sero analisadas luz do objetivo do artigo, revelando os trunfos e fragilidades da </p><p>atuao da AMAVI no planejamento territorial, assim como os trunfos e fragilidades do turismo no </p><p>Alto Vale do Itaja. Para tanto, o artigo obedece a seguinte subdiviso: esta introduo que </p><p>pretende situar o estudo; uma segunda parte que trata do referencial terico adotado, o </p><p>planejamento para o desenvolvimento territorial sustentvel. Na seqncia, uma terceira parte que </p><p>apresenta uma caracterizao do Alto Vale do Itaja e, em seguida, uma sntese sobre a trajetria </p><p>da AMAVI. Uma quarta parte de descrio e anlise do projeto TREMTUR, uma quinta parte sobre </p><p>o turismo no Alto Vale do Itaja e a atuao da AMAVI no Projeto TREMTUR, apresentando seus </p><p>trunfos e fragilidades e, na seqncia, as consideraes finais. </p><p> Planejamento territorial e turismo </p><p>O planejamento se faz presente nas aes humanas: no h ao destinada a alcanar um </p><p>objetivo sem planejamento. Dessa forma, o planejamento representa um modelo terico para a </p><p>ao (LAFER, 1975). Birkholz (1983) afirma que o planejamento um processo e um meio para </p><p>um melhor uso da inteligncia e das capacidades do ser humano para o benefcio comum. </p><p>Cardoso (1975) define planejamento como administrao racional, a distribuio tima dos </p></li><li><p> 4 </p><p>recursos e dos meios para se atingir determinados objetivos. Para Sachs (1986, p. 46) o </p><p>planejamento do desenvolvimento envolve a elaborao de polticas no intuito de moldar ou, pelo </p><p>menos, influenciar a ao do homem em relao natureza e a si mesmo, no processo de </p><p>utilizao do meio natural. </p><p>O discurso e a prtica do planejamento emergiram no sculo XX. Destacam-se a experincia dos </p><p>pases socialistas aps a Revoluo Russa em 1917 e a dos pases capitalistas centrais e </p><p>perifricos depois de 1929. Pode-se afirmar que essa prtica inicial era essencialmente </p><p>econmica (MIGLIOLI, 1983). E intrnseca a essa nfase na dimenso econmica, est uma viso </p><p>de desenvolvimento que subordina a dimenso social, cultural, poltica e ambiental a primeira. </p><p>Essa viso fruto do processo de desenvolvimento impulsionado principalmente a partir do sculo </p><p>XVIII. Este levou a uma viso entusiasta relacionada Revoluo Industrial, ao desenvolvimento </p><p>das cidades, dos transportes, da comunicao, a crescente oferta de produtos, ao progresso </p><p>tecnolgico e cientfico, aos avanos na poltica, etc. Esse entusiasmo fez com que por um lado, </p><p>os pases industrializados passassem a ser modelos a serem seguidos pelos demais pases e, por </p><p>outro, difundiu-se a idia de que esse modelo traria bem-estar e qualidade de vida a todos. </p><p>Com o passar do tempo, esse estilo de desenvolvimento comeou a apresentar seus problemas e </p><p>limites: o desenvolvimento econmico unidimensional, os perigos da extino dos recursos </p><p>naturais, a ameaa nuclear, as mudanas ecossistmicas, os conflitos mundiais, a pobreza, a </p><p>violncia, a insegurana, as incertezas perante o futuro. O mundo material um sistema que tm </p><p>os seus limites e no pode suportar um subsistema material sem limites (ILLICH, 1973). </p><p>Como conseqncia desses problemas e limites, a problemtica socioambiental1 tornou-se, a </p><p>partir da segunda metade do sculo XX, tema de discusso freqente junto aos movimentos </p><p>sociais, que mobilizam cada vez mais um contingente maior de pessoas. E acabou sendo tambm </p><p>motivadora de iniciativas de uma srie de eventos Estocolmo (1972), Cocoyoc (1974), Rio </p><p>(1992), dentre outros que contaram com a participao de muitos pases, a fim de buscar </p><p>alternativas que minimizassem os impactos negativos causados pelo estilo de desenvolvimento </p><p>hegemnico. </p><p>A partir do questionamento do carter do desenvolvimento, os intrpretes do </p><p>ecodesenvolvimento propem um estilo de desenvolvimento alternativo que deve priorizar a </p><p>valorizao dos recursos especficos de cada regio para a satisfao das necessidades </p><p>(alimentao, habitao, sade e educao) sem ter como parmetro os pases ricos; a realizao </p><p>dos seres humanos; a explorao dos recursos considerando as necessidades das geraes </p><p>futuras; a reorganizao da produo para minimizar os impactos negativos das atividades </p><p>humanas no meio ambiente; a utilizao de fontes locais para gerao de energia; o </p><p> 1 Entende-se que a problemtica scio-ambiental no conhece fronteira e reflete a percepo de que o volume de impactos destrutivos gerados pela ao antrpica sobre os ecossistemas tem se amplificado a ponto de ameaar diretamente as precondies de sobrevivncia da espcie num horizonte de longo prazo (VIEIRA, 1992, p.4). </p></li><li><p> 5 </p><p>aperfeioamento das ecotcnicas; a constituio de uma autoridade horizontal que tenha viso </p><p>complexa; a participao das comunidades locais; a educao preparatria complementar das </p><p>estruturas participativas de planejamento e gesto (SACHS, 1998). </p><p>Na discusso sobre o planejamento e a gesto do desenvolvimento, o territrio um conceito </p><p>chave. Por desenvolvimento territorial entendem-se todos os processos de mobilizao dos atores </p><p>que conduzem a elaborao de uma estratgia de adaptao aos constrangimentos exteriores, </p><p>sobre a base de uma identificao coletiva ligada a uma cultura e a um territrio. Segundo </p><p>Beduschi e Abramovay (2003, p.3): </p><p>Territrios no so, simplesmente, um conjunto neutro de fatores naturais e de dotaes humanas capazes de determinar as opes de localizao das empresas e dos trabalhadores: eles se constituem por laos informais, por modalidades no mercantis de interao construdas ao longo do tempo e que moldam uma certa personalidade e, portanto, uma das fontes da prpria identidade dos indivduos e dos grupos sociais. </p><p>Na concepo do planejamento para o desenvolvimento territorial sustentvel fundamental o </p><p>papel desempenhado por instituies locais2, sejam elas supramunicipais, intermunicipais ou </p><p>municipais (SOUTO-MAIOR, 1992). A gesto local do desenvolvimento, baseada na participao, </p><p>na descentralizao e em regras e normas que sejam estabelecidas num processo de negociao </p><p>entre diferentes nveis (local, regional, nacional), surge como um instrumento importante para </p><p>fortalecer os elementos caractersticos do ecodesenvolvimento. Decises tomadas em um s nvel </p><p>seja ele local, regional ou global podem ser arbitrrias e mutilantes (GODARD, 1997). Percebe-se, </p><p>desta forma, que, a incorporao da dimenso territorial constitui atributo central do enfoque do </p><p>ecodesenvolvimento (CAZELLA; VIEIRA, 2004). </p><p>O turismo, por sua vez, faz parte da problemtica relacionada ao estilo de desenvolvimento </p><p>convencional. No contexto das novas formas de internacionalizao das relaes de produo e </p><p>consumo, o turismo se mundializou e ganhou a qualificao de fenmeno de massa. Nesse </p><p>sentido, torna-se importante discutir as repercusses scio-espaciais desta atividade e levantar </p><p>questes sobre a viabilidade da mesma contribuir para desenvolvimento de uma regio. </p><p>Vale ressaltar que a promoo do desenvolvimento na atividade turstica implica, </p><p>fundamentalmente, no envolvimento e na participao cidad no processo de gesto e </p><p>planejamento da localidade. Pois, justamente a comunidade quem conhece e vivencia a </p><p>realidade local sendo capaz de identificar problemas e necessidades, avaliar alternativas, </p><p>defender o meio ambiente e buscar solues, sugerindo caminhos que levem melhoria da </p><p>qualidade de vida, ao fortalecimento da cultura e ao bem-estar social da comunidade. </p><p>Silveira (2002) ressalta que a participao da populao um pressuposto decisivo para o </p><p>planejamento do turismo, seus propsitos e metas. O bom andamento do processo de </p><p> 2 Entendendo conforme Franco (2000, p. 27) que todo desenvolvimento local, seja este local um distrito, um municpio, uma microrregio, uma regio do pas, um pas, uma regio do mundo. O conceito de local adquire a conotao de alvo socioterritorial das aes e passa a ser definido por um processo de desenvolvimento em curso (FRANCO, 2000). </p></li><li><p> 6 </p><p>desenvolvimento da atividade turstica no acontecer de forma satisfatria sem que haja </p><p>comprometimento e participao da comunidade. </p><p>O planejamento turstico tem sido claramente influenciado por teorias e prticas administrativas e </p><p>publicitrias. Muitas vezes ele traz benefcios para os participantes dos negcios tursticos e no </p><p>traz benefcios comunidade. Para o turismo, o planejamento local importante, porm, a </p><p>articulao territorial fundamental (BARRETTO, 2003). </p><p> preciso pensar num planejamento mais amplo que o turstico. O verdadeiro turismo ecolgico </p><p>[denominao usada hoje abusivamente], nunca poder ser de massas, mas est se impondo </p><p>como um ramo de atividades a ser integrado nas estratgias de desenvolvimento local de </p><p>numerosas microrregies (SACHS, 2004, p. 140). O planejamento, nas palavras de Godard e </p><p>Sachs (1975), no pretende ser o atributo de tcnicos, mais o instrumento que um povo se d </p><p>para pensar e realizar seu futuro. Esse futuro no o turismo e sim uma melhor condio de </p><p>vida. O turismo pode ser, dependendo das circunstncias, um meio, mas no deve ser </p><p>considerado um fim. </p><p>A abordagem territorial do desenvolvimento sustentvel pressupe um maior papel local na gesto </p><p>do seu prprio desenvolvimento territorial. Essa mudana tambm um problema poltico e de </p><p>exerccio do poder, que coloca em pauta a questo das instituies poltico-administrativas, da </p><p>participao e do processo poltico (FREY, 2001). O planejamento para o desenvolvimento </p><p>territorial sustentvel deve indicar objetivos amplos do que ser quer e do que se pode para </p><p>determinada regio. E, a partir desses objetivos mais amplos que se mobilizam meios para </p><p>chegar ao futuro desejado. O turismo pode ser um desses meios, mas no o nico! </p><p>Em sntese, trs aspectos relacionados ao planejamento regional e ao turismo sero considerados </p><p>na anlise do estudo de caso. O primeiro deles que o planejamento no deve priorizar uma </p><p>dimenso especfica, como historicamente tem sido com a dimenso econmica. O segundo, diz </p><p>respeito importncia da participao no processo de planejamento e, a terceira, alerta para o </p><p>fato de que o planejamento no deve ter como finalidade principal a atividade turstica. Tendo </p><p>esses aspectos como referncia, prossegue-se a apresentao e anlise do estudo de caso. </p><p>O Alto Vale do Itaja </p><p>A regio da AMAVI constituda por vinte e oito municpios3, situa-se no Alto Vale do Itaja entre </p><p>os paralelos 2634 (latitude norte) e 2741 (latitude sul); 4928 (longitude leste) e 5026 </p><p>(longitude oeste) e tem Rio do Sul como cidade plo. </p><p> 3 Agrolndia, Agronmica, Atalanta, Aurora, Brao do Trombudo, Chapado do Lageado, Dona Emma, Ibirama, Imbuia, Ituporanga, Jos Boiteux, Laurentino, Lontras, Mirim Doce, Petrolndia, Pouso Redondo, Presidente Getlio, Presidente Nereu, Rio do Campo, Rio do Oeste, Rio do Sul, Salete, Santa Terezinha, Tai, Trombudo Central, Vidal Ramos, Vitor Meirelles e Witmarsum </p></li><li><p> 7 </p><p>Figura 1: rea de abrangncia da AMAVI </p><p>Fonte: IEL (2001, p. 10). </p><p>O Alto Vale do Itaja localiza-se, na parte mais alta da Bacia Hidrogrfica do Rio Itaja, quase no </p><p>centro de Santa Catarina, representando 1,12% do territrio brasileiro. O clima classificado </p><p>como mido mesotrmico, com temperatura mdia anual de 20C. As chuvas oscilam em mdia </p><p>entre 1.600 e 1.800mm anuais (SANTA CATARINA, 1993). A cobertura vegetal bastante </p><p>diversificada . A floresta ombrfila densa ocupava quase a sua totalidade sendo que o ciclo </p><p>exploratrio da madeira e a dinmica urbana modificaram a condio da cobertura vegetal, hoje </p><p>restrita a 10% do territrio.O relevo acidentado, tpico de vales, favorece a existncia de </p><p>cachoeiras e grutas com fauna e flora diversificadas (AMAVI, 2000). </p><p>O Vale do Itaja era povoado pelos ndios Xokleng e o contato com os imigrantes europeus deu-se </p><p>a partir da colonizao do Vale, em 1850 num processo marcado por

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