desenvolvimento regional sustentável da região norte ...· desenvolvimento regional sustentável

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Desenvolvimento Regional Sustentvel da regio Norte central do Paran: o Plo

moveleiro de Arapongas

rea: ADMINISTRAO

SALVADOR, Andr Luis

CUNHA, Joo Carlos da

Resumo:

A indstria moveleira uma atividade importante para o desenvolvimento da regio Norte

central do Paran, ocupando um espao representativo nesta regio. O objetivo desta pesquisa

foi identificar as condies necessrias para o desenvolvimento da indstria moveleira na

regio Norte central do Paran. A pesquisa um estudo comparativo de casos do tipo

descritivo e teve como nvel de anlise a regio Norte central do Paran, onde foram

pesquisadas seis empresas, associaes e instituies pblicas. Para coleta de dados, foram

utilizados entrevistas e questionrios objetivando obter os dados primrios. A triangulao

com observaes e pesquisas de dados secundrios fez se necessria para dar mais

confiabilidade s informaes. A anlise dos dados foi realizada de forma qualitativa, com

uso de anlise de contedo, e nos dados quantitativos foi utilizada a estatstica descritiva. Os

resultados relevantes demonstraram que as empresas pesquisadas na regio Norte central do

Paran esto orientadas para baixo custo e baixo preo. Os fatores locacionais classificados

como imprescindveis pelos empresrios foram: a quantidade e a qualidade da mo de

obra, a abundncia e acesso aos recursos fsicos, os recursos de conhecimento, recursos de

capital, a infra estrutura e as aes institucionais. J as vantagens decorrentes da demanda, e

a quantidade de indstrias de apoio na regio foram consideradas irrelevantes pelos mesmos.

A pesquisa mostrou que a regio est dotada dos fatores locacionais relevantes identificados,

porm algumas aes foram sugeridas aos poderes pblicos, privado e associativo com o

intuito de potencializar a competitividade da indstria.

Palavras-Chave: Indstria moveleira. Competitividade. Desenvolvimento Regional.

1. INTRODUO

A criao e sustentao de um ambiente ideal, que promova a sustentabilidade e a

competitividade das organizaes, tm se tornado foco de estudos cada vez mais

aprofundados pela literatura relacionada ao desenvolvimento local e regional.

(Porter, 1993) formula uma questo fundamental, intrigante e que tem direcionado o

estudo do desenvolvimento regional: por que alguns locais ou regies do pas conseguem

potencializar as suas vantagens e mobilizar os recursos em direo criao de um ambiente

propcio a sediar empresas mais competitivas, de uma forma melhor que outras regies? O

tema fornece amplas discusses e vrias cincias como economia, sociologia, antropologia e

administrao buscam resposta que no se apresenta de forma definitiva.

(Porter, 1993), simultaneamente, suscita a necessidade de um novo paradigma para

explicar a competitividade em nvel nacional, que, segundo o autor, deve levar em conta o

ambiente competitivo atual, a evoluo e dinmica dessa competitividade, melhoria e

inovao como constantes e proporcionar s empresas conhecimento da maneira de

conceberem estratgias para se tornarem competidores mais eficientes.

A viso do autor parte do pressuposto de que naes, regies ou localidades

desenvolvidas e bem - sucedidas so as que possuem indstrias produtivas, inovadoras e em

condies de competirem globalmente. Estas empresas, por outro lado, se desenvolvem em

regies cujas caractersticas favorecem o desenvolvimento das empresas.

Pela criao do modelo do diamante que analisa determinantes da vantagem

competitiva das naes, (Porter, 1993) faz a ligao entre desempenho empresarial e

localizao. Aprofundando o estudo, (Porter, 1999), apresenta a teoria da competio baseada

em aglomerados que proporciona maior dinmica influncia da localizao no

desenvolvimento das empresas e localidades.

Nesse contexto o estudo da indstria moveleira, especificamente, o plo moveleiro

localizado na regio de Arapongas Pr se torna relevante por se tratar de uma indstria que

possui todas as caractersticas de um aglomerado, tais como: empresas inter relacionadas

localizadas em um mesmo espao geogrfico, alm da presena de distribuidores, clientes,

fornecedores, instituies governamentais e instituies dedicadas ao treinamento

especializado, pesquisa, informao e suporte tcnico (PORTER, 1999).

Diante do acima exposto, a viso da influncia da localidade no desempenho das

empresas acentua o papel dos atores (firmas, empresrios, trabalhadores, governo, instituies

e sociedade) envolvidos no processo sistmico de desenvolvimento de uma regio

(PEREIRA, 2007). Uma anlise completa das dimenses do desenvolvimento regional

abrange a interao de todos os atores envolvidos e colabora para acentuar elementos

intangveis do desenvolvimento local/regional como o capital social, o capital humano, a

cooperao e a aprendizagem (PEREIRA, 2007).

A colaborao entre os atores envolvidos, unidos em prol do desenvolvimento

regional sustentvel, produz resultados para a localidade onde esto inseridas as empresas,

pois proporciona maiores rendas, salrios melhores, elevao do nvel de empregos e

melhoria na qualidade de vida dos seus habitantes.

Conseqentemente, as empresas que pertenam a essa regio so mais competitivas

para obterem fatores de produo mais especializados (recursos-humanos, recursos fsicos,

recursos de conhecimento, recursos de capital e infra-estrutura) que, segundo (Porter, 1993),

so os fatores de produo criados por essas regies e no os herdados naturalmente,

fornecedores de vantagens competitivas sustentveis.

Este estudo teve foco identificar as condies necessrias para o desenvolvimento da

indstria moveleira na regio Norte central do Paran. O artigo est dividido em seis partes

incluindo esta primeira parte, a introduo. A segunda parte, referencial terico, apresentada

uma conceituao de competitividade, sua evoluo, fatores que induzem a competitividade e

modelos de anlise da competitividade. Tambm versa sobre o desenvolvimento regional

sustentvel, a evoluo do tema, as dimenses do desenvolvimento regional, como promover

o desenvolvimento, papel das instituies no desenvolvimento regional e modelos de

desenvolvimento regional, assim como barreiras e facilitadores ao desenvolvimento.

A terceira apresenta a metodologia utilizada no estudo. A quarta parte apresenta a

anlise dos dados e os principais resultados da pesquisa encontrados e finalizando, na quinta

parte, apresenta-se a concluso com sugestes para futuros estudos.

2. REFERENCIAL TERICO

Competitividade

Conceituar competitividade no uma tarefa que se apresenta de forma fcil, mas,

necessrio definir qual a dimenso de anlise que ser utilizada para essa conceituao. A

competitividade pode ser analisada no mbito da nao, setores industriais, regies,

organizaes, empresas e indivduos. No presente estudo, o conceito foi definido em termos

setoriais, empresariais e regionais.

Para (Altenburg et. al., 1998), a competitividade em nvel empresarial consiste na

capacidade que a empresa possui de sustentar uma posio no mercado e essa habilidade,

segundo os autores, requer alcanar vrios alvos simultaneamente, ou seja, produzir com

qualidade, preo adequado e produtos diferenciados para atender uma demanda diversificada.

Os autores tambm abordam o conceito de competitividade sistmica, que transita pelos

campos da economia e das cincias sociais, podendo os conceitos serem aplicados a um setor

industrial pelos determinantes polticos e econmicos nos nveis meta, meso, micro e macro, e

tambm a pases e regies.

(Coutinho e Ferraz, 1994) tambm abordam o conceito de competitividade sistmica

em seu estudo da competitividade da indstria brasileira, mostram que a competitividade e o

desempenho empresarial no esto mais localizados apenas nos fatores internos das estruturas

empresariais e industriais, mas tambm so resultados de fatores externos como as infra-

estruturas, sistema poltico-institucional e as caractersticas scio-econmicas do mercado em

que a empresa est inserida. Os autores mostram que a competitividade, h muito tempo,

extrapolou o mbito das vises econmicas tradicionais que s levavam em conta para a

competitividade o preo, os custos e a taxa de cmbio. Alm desses, foram incorporados, a

partir das transformaes econmicas dos anos 80, a noo de competitividade das naes que

forneceu ao conceito uma maior amplitude de fatores em sua definio.

(Prahalad e Hamel, 1995), afirmam que quando se analisa a competitividade em nvel

de empresa a vantagem competitiva e a posio competitiva relativa so os focos centrais

dessa competitividade e sua sustentabilidade est em manter uma posio defensvel no

mercado.

Ainda em termos de empresas (Prahalad e Hamel, 1995) afirmam que as organizaes

devem mudar o foco de como observam a competitividade. O mais importante a ser analisado

no por que uma empresa ou setor so mais lucrativos, e sim porque as empresas so

capazes de obter e manter vantagem competitiva enquanto outras empresas localizadas nos

mesmos setores se mostram inertes. Ainda, segundo os autores, no so setores que evoluem,

mas empresas localizadas nos setores que desafiam

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