Desenvolvimento em Questão - ?· davidbasso@unijui.edu.br ... Este artigo tem como objetivo a descrição…

Download Desenvolvimento em Questão - ?· davidbasso@unijui.edu.br ... Este artigo tem como objetivo a descrição…

Post on 10-Nov-2018

213 views

Category:

Documents

0 download

TRANSCRIPT

  • Desenvolvimento em Questo

    ISSN: 1678-4855

    davidbasso@unijui.edu.br

    Universidade Regional do Noroeste do Estado

    do Rio Grande do Sul

    Brasil

    Matarazzo Rezende, Gustavo; Yoshie Ichikawa, Elisa

    O Contexto Ambiental e as Mudanas Organizacionais no Setor de C&T Agrcola do Paran

    Desenvolvimento em Questo, vol. 9, nm. 18, julio-diciembre, 2011, pp. 111-138

    Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul

    Iju, Brasil

    Disponible en: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=75220806006

    Cmo citar el artculo

    Nmero completo

    Ms informacin del artculo

    Pgina de la revista en redalyc.org

    Sistema de Informacin Cientfica

    Red de Revistas Cientficas de Amrica Latina, el Caribe, Espaa y Portugal

    Proyecto acadmico sin fines de lucro, desarrollado bajo la iniciativa de acceso abierto

    http://www.redalyc.org/revista.oa?id=752http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=75220806006http://www.redalyc.org/comocitar.oa?id=75220806006http://www.redalyc.org/fasciculo.oa?id=752&numero=20806http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=75220806006http://www.redalyc.org/revista.oa?id=752http://www.redalyc.org

  • O Contexto Ambiental e as Mudanas Organizacionais no Setor de C&T Agrcola do Paran1

    Gustavo Matarazzo Rezende2 Elisa Yoshie Ichikawa3

    DeSenvOlviMenTO eM QueSTOeditora uniju ano 9 n. 18 jul./dez. 2011 p. 111-138

    Resumo

    Este artigo tem como objetivo a descrio das condies ambientais que influenciaram a reestruturao do setor de C&T agrcola do Paran no perodo compreendido entre 1980 e 2007. Por meio de dados secundrios livros, artigos, dissertaes, pginas da Internet, entre outros foram investigadas as condies que propiciaram a institucionalizao de novos padres de atuao das organizaes pblicas de C&T agrcola. O estudo mostrou que para aumentar as receitas destinadas ao financiamento das pesquisas, as organizaes de C&T agrcola buscaram por maior competitividade, utilizando-se at mesmo de modelos de gesto empresarial. Isso ocorreu tanto em mbito nacional, com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria (Embrapa), como estadual, com o Instituto Agronmico do Paran (Iapar). Assim, ao se analisar as condies ambientais pelas quais as organizaes passaram e as mudanas estruturais tendendo similitude, observou-se principalmente o isomorfismo coercitivo, devido s presses ambientais do campo organizacional.

    Palavras-chave: Organizaes de C&T. Processo de institucionalizao. Contexto institucional.

    1 Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico (CNPq) e Fundao Araucria de Apoio ao Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico do Paran pelo suporte dado para a realizao do presente estudo.

    2 Graduado em Administrao pela Universidade Estadual de Maring. Foi bolsista do programa PIBIC/CNPq-FA/UEM. Mestrando em Administrao na Universidade Federal de Santa Catarina. Rua Honrio Gregrio de Oliveira, 147 - Cerqueira Csar SP CEP: 18760-000. gustavo_matarazzo@yahoo.com.br

    3 Doutora em Engenharia de Produo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professora do curso de Administrao da Universidade Estadual de Maring. Avenida Colombo, 5790 DAD Maring PR - CEP: 87020-900. eyichikawa@uem.br

  • Abstract

    This article has as objective the description of the ambient conditions that had influenced the reorga-nization of the sector of Paran Agricultural S&T in the period between 1980 and 2007. By means of secondary data books, articles, dissertations, pages of the Internet, among others it was investigated the conditions that had propitiated the institutionalization of new standards of performance of the public agricultural S&T organizations. The research showed that to increase the financial resources destined to the financing of the research, the organizations of agricultural S&T had searched for bigger competitiveness, using models of enterprise management. This occurred in national scope, with the Brazilian Company of Farming Research (Embrapa), like in the state, with the Agronomic Institute of Paran (Iapar). Thus, if analyzing the ambient conditions for which the organizations had passed and the structural changes tending to the similarity, it was observed mainly the coercitive isomorphism, because the ambient pressures of the organizational field.

    Keywords: S&T organizations. Institutionalization process. Institutional context.

  • O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&t AgrCOlA dO PArAn

    113desenvolvimento em Questo

    Devido s mudanas ocorridas no campo de C&T agrcola brasileira

    nas ltimas dcadas, as instituies de pesquisa agrcola formaram novos

    arranjos organizacionais, alterando as formas de se fazer cincia e o relacio-

    namento entre os atores.

    Para Salles-Filho (2000), as relaes entre as instituies pblicas de

    pesquisa e o campo se alteraram no mesmo sentido das mudanas do papel

    do Estado, formando assim novos padres de concorrncia dos mercados. A

    partir da dcada de 80 o Estado passa por uma crise, resultando principal-

    mente em cortes oramentrios. Para suportar tal conjuntura os institutos

    iniciaram parcerias com empresas e procuraram por fontes alternativas de

    financiamento.

    Assim, nessa poca, foram traados novos rumos de atuao das

    agncias de fomento pesquisa e inovao, e explicitadas as obrigaes

    dos cientistas e pesquisadores das instituies pblicas de pesquisa, que

    deviam orientar as atividades em direo a uma maior aplicabilidade eco-

    nmica. Foram introduzidas e generalizadas as prticas da competio entre

    grupos de pesquisadores para obteno de financiamento, demonstrando a

    necessidade de uma nova agenda de pesquisa.

    Novas configuraes estruturais foram necessrias para que as organi-

    zaes pblicas de pesquisa pudessem cumprir essas agendas e alcanassem

    resultados teis comunidade. Dentre as sadas encontradas destaca-se a

    formao de redes cooperativas de pesquisa, que possibilitaram a produo

    mais rpida de conhecimento e captao de recursos nos rgos oficiais no

    setor de C&T no Brasil.

    Uma das teorias que d base para o entendimento de como o ambiente

    em que as organizaes esto inseridas impe presses sobre elas a Teoria

    Neoinstituconal de cunho sociolgico. Assim, tendo como pano de fundo o

    contexto descrito, e respaldado por essa teoria, o presente texto tem como

    objetivo a descrio das condies ambientais que influenciaram a rees-

    truturao do setor de C&T agrcola do Paran no perodo compreendido

  • gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa

    114 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011

    entre 1980 e 2007. Para o alcance desse objetivo o artigo est estruturado da

    seguinte forma: em primeiro lugar, h a apresentao sobre a Teoria Neoins-

    titucional. Em seguida os procedimentos metodolgicos da investigao so

    descritos. Aps, os resultados da pesquisa so explicitados, e finalmente,

    apresenta-se as concluses do estudo.

    A Teoria neoinstitucional

    A Teoria Institucional formou-se por meio de conceitos originrios dos

    pensamentos de economistas e socilogos. Carvalho, Vieira e Lopes (1999)

    esclarecem que os embasamentos formulados por Thorstein Veblen, John

    Commons, Westley Mitchel, mile Durkheim e Max Weber, por exemplo,

    foram essenciais para a formulao da teoria, uma vez que focaram a mudana

    e a investigao emprica.

    Selznick (1996) destaca que as organizaes detm uma interao

    com o ambiente e devem buscar um equilbrio com o mesmo. Este autor

    explana ainda que existe um processo de institucionalizao, considerando

    o aspecto do valor representativo de determinada organizao na sociedade,

    e que esse valor tem tanta importncia quanto os fatores tcnicos para que

    a instituio se legitime e sobreviva.

    Tolbert e Zucker (1999) observam que a Teoria Institucional

    preocupava-se, principalmente, com a racionalidade e as suas condies de

    maior ou menor limitao, tornando-a indispensvel como componente da

    pesquisa organizacional.

    Borgonhoni (2005), por sua vez, explicita que a Teoria Neoinstitucio-

    nal surge nos anos 70, com a finalidade de reformular os conceitos advindos

    da Teoria Institucional. Argumenta ainda que ao considerar aspectos que

    influenciam o ambiente, ope-se aos preceitos apresentados pela Teoria

    Contingencial. O Neoinsitucionalismo no apresenta somente mudanas

  • O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&t AgrCOlA dO PArAn

    115desenvolvimento em Questo

    superficiais, mas apresenta novas perspectivas no que tange ao fenmeno

    de institucionalizao, mostrando similaridades e dissonncias bem demar-

    cadas.

    A Teoria Neoinstitucional apresenta trs segmentos distintos: o eco-

    nmico, o poltico e o sociolgico. Carvalho, Vieira e Lopes (1999) afirmam

    que o segmento econmico manteve destaque nos aspectos no tratados com

    relevncia pela teoria econmica, como os custos de transao, principalmen-

    te. J a orientao poltica destacada por Scott (2001) por meio da estreita

    relao com as formas legais e relacionadas com o governo, discorrendo ainda

    sobre as referncias do Direito e da Filosofia. J a vertente sociolgica en-

    tendida por Carvalho, Vieira e Lopes (1999) como centrada na investigao da

    natureza e origem da ordem social, sublinhando o papel das normas culturais

    e dos organismos do Estado no processo de institucionalizao.

    A base utilizada no presente artigo a vertente sociolgica, que

    sustenta grande parte dos trabalhos de institucionalizao na rea de gesto

    organizacional. Referindo-se especificamente a esta vertente, depara-se com

    os enfoques empregados nos estudos, que so tipificados em trs pilares: o

    regulador, o normativo e o cognitivo.

    O pilar regulador definido por Scott (2001, p. 52) como os elementos

    que envolvem a capacidade de estabelecer regras [...], manipular sanes

    recompensas ou punies na tentativa de influenciar comportamento

    futuro. O pilar normativo assinala o quo forte so as presses exercidas

    pelas normas e valores a fim de resultarem em mudanas nas organizaes.

    Segundo Carvalho, Vieira e Lopes (1999), a proposio normativa tenta

    desvendar como as opes estruturais das organizaes so derivadas da

    presso exercida pelas normas e os valores. O pilar cognitivo, por sua vez,

    apresenta os princpios ligados percepo do ambiente, ou seja, os aspectos

    cognitivos das organizaes. Scott (2001) afirma que essas percepes so

    formadas atravs das normas que constituem a natureza da realidade e o

    arcabouo mediante o qual os significados so construdos.

  • gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa

    116 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011

    O ambiente o aspecto central tratado pela Teoria Neoinsitucional,

    em que se verifica a importncia e a forma com que influencia as estruturas

    organizacionais nele inseridas. O ambiente tambm definido como campo

    organizacional por DiMaggio e Powell (1983, p. 148): por campo organiza-

    cional entendemos aquelas organizaes que, em conjunto, constituem uma

    rea reconhecida da vida institucional: fornecedores-chave, consumidores

    de recursos e produtos, agncias regulatrias e outras organizaes que

    produzam servios e produtos similares.

    definio desse ambiente soma-se um conjunto de elementos cul-

    turais, como crenas, mitos e smbolos. Conclui-se, ento, que ao considerar

    o ambiente, no se deve deduzir ao que composto somente por recursos.

    Perante tais consideraes o ambiente demarcado por dois pressupostos:

    1) ambiente tcnico, que o domnio no qual um produto ou servio

    trocado no mercado e as organizaes so premiadas pelo controle eficiente e

    eficaz do processo do trabalho; 2) ambiente institucional, que se distingue

    pela elaborao de normas e exigncias a que as organizaes se devem

    conformar se querem obter apoio e legitimidade do ambiente (Scott;

    Meyer, 1991, p. 123).

    A partir do momento em que se entende os aspectos ambientais,

    consegue-se ento entender isomorfismo como o processo pelo qual as

    organizaes tendem a se tornarem similares. Algumas situaes-problema

    tornam-se comuns nas organizaes, assim como os comportamentos uti-

    lizados para a resoluo desses problemas. Quando ocorre a habitualidade

    dessas aes, e se necessita do mnimo de esforo para recorr-las, tem-se

    a gnese do processo de institucionalizao.

  • O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&t AgrCOlA dO PArAn

    117desenvolvimento em Questo

    Figura 1 Processo de Institucionalizao

    Fonte: Tolbert; Zucker, 1999, p. 207.

    Como se observa na Figura 1, Tolbert e Zucker (1999) apresentam

    o processo de institucionalizao, que composto por quatro etapas: ino-

    vao, habitualizao, objetivao e sedimentao. Com isso, fatores como

    mudanas tecnolgicas, legislao e foras do mercado podem despertar uma

    necessidade na organizao e somente com a inovao se obtm respostas

    para o conflito gerado pela necessidade.

    Essas respostas tornam-se atos rotineiros na organizao, denominan-

    do-se habitualizao, [...] isto , o desenvolvimento de comportamentos

    padronizados para a soluo de problemas e a associao de tais comporta-

    mentos a estmulos particulares [...] (Tolbert; Zucker, 1999, p. 205).

    Isso quer dizer que toda atividade humana est sujeita ao hbito, e

    qualquer ao frequentemente repetida torna-se moldada em um padro,

    que pode, em seguida, ser reproduzido com economia de esforo e que

    apreendido pelo executante como padro. Isso facilita que a atividade

    humana possa prosseguir com o mnimo de tomadas de deciso durante

    a maior parte do tempo, liberando energia para resolues que podem ser

    necessrias em determinadas ocasies (Berger; Luckmann, 1985).

  • gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa

    118 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011

    O prximo passo desse processo denominado objetivao, e refere-

    se propagao dos significados obtidos na primeira etapa, isto , o [...]

    desenvolvimento de significados gerais socialmente compartilhados ligados

    a esses comportamentos, um desenvolvimento necessrio para a transposio

    de aes para contextos alm de seu ponto de origem (Tolbert; Zucker,

    1999, p. 205).

    Outro processo adicional encontrado entre as etapas de objetivao

    e sedimentao identificado por Tolbert e Zucker (1999, p. 205) como

    exterioridade, que o [...] processo por meio do qual as aes adquirem a

    qualidade de exterioridade como sedimentao.

    A ltima etapa do processo de institucionalizao intitula-se sedi-

    mentao. Tolbert e Zucker (1999) a caracterizam como o mtodo que

    fundamenta a continuidade histrica nas estruturas desenvolvidas nas

    etapas anteriores. Esse processo torna as estruturas habituais e fazem-nas

    se conservarem por um longo perodo de tempo.

    Segundo Berger e Luckmann (1985), isso leva legitimao, que

    explica a ordem institucional, outorgando validade cognoscitiva a seus

    significados objetivados. Assim, ela no apenas diz ao indivduo porque

    ele deve realizar uma ao e no outra; diz tambm porque as coisas so o

    que so. Em outras palavras, o conhecimento precede os valores na

    legitimao das instituies.

    Definido como o processo em que as organizaes tendem simi-

    laridade, o isomorfismo apresenta-se como a explicao de determinadas

    mudanas organizacionais, elucidando o porqu de as mutaes serem dire-

    cionadas cada vez menos pela competio ou eficincia. DiMaggio e Powell

    (1983) afirmam que os campos organizacionais em suas gneses apresentam

    uma variabilidade de organizaes maior, mas que com a passagem do tempo

    nota-se um grau cada vez maior de homogeneidade:

  • O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&t AgrCOlA dO PArAn

    119desenvolvimento em Questo

    As organizaes no competem somente por recursos e clientes, mas por

    poder poltico e legitimao institucional, por adequao social, assim

    como por adequao econmica. O conceito de isomorfismo institucional

    constitui uma ferramenta til para se compreender a poltica e o cerimo-

    nial que permeiam parte considervel da vida organizacional moderna

    (Dimaggio; Powell, 2005, p. 77).

    Apresentam-se ento trs tipos de isomorfismo: coercitivo, mimtico e

    normativo. DiMaggio e Powell (2005) esclarecem que o isomorfismo coerci-

    tivo causado por presses formais e informais desempenhadas por diversos

    atores. Para exemplificar este tipo de isomorfismo, os autores citam o caso

    de alguns produtores que devem adquirir determinadas tecnologias para se

    adequarem s normas governamentais e ficarem livres de punies.

    Para estes autores (2005), o isomorfismo mimtico caracterizado por

    um ambiente incerto, fazendo com que algumas organizaes tomem outras

    como exemplo. Aquelas organizaes que aparentam ser mais legtimas

    no campo organizacional so admitidas como modelo. Os autores afirmam

    ainda que [...] quanto mais ampla a populao de pessoas empregadas ou a

    quantidade de clientes servidos por uma organizao, maior a presso sentida

    pela organizao para oferecer os programas e servios oferecidos por outras

    organizaes (2005, p. 79).

    As presses normativas so caracterizadas como o terceiro fator de

    similitude nas organizaes. DiMaggio e Powell (2005) explanam a estreita

    relao deste fator com a profissionalizao dos membros: a partir do mo-

    mento em que se definem processos semelhantes para manejar a produo,

    determinadas categorias de profissionais disseminam esses processos por

    diversas organizaes. Sobre isso, observam:

    Na medida em que gerentes e funcionrios-chave so escolhidos nas

    mesmas universidades e selecionados a partir de um grupo comum de

    atributos, eles tendero a enxergar os problemas da mesma maneira, a

  • gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa

    120 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011

    considerar como normativamente sancionados e legitimados os mesmos procedimentos, estruturas e polticas, e tomaro decises de maneira similar (2005, p. 80).

    Com essa explanao possvel, por fim, entender determinadas

    mudanas nas organizaes, e como elas se tornam institucionalizadas. A

    Teoria Neoinstitucional ajuda a elucidar as variadas formas com que os

    atores exercem determinadas presses e como isso influencia a mudana

    organizacional.

    Procedimentos metodolgicos

    Este artigo fruto de um projeto de iniciao cientfica. Por ser uma

    pesquisa exploratria, para a coleta de dados foi realizado o levantamento

    de informaes sobre as polticas instaladas nas organizaes de pesquisa

    agrcola no Brasil, e principalmente no Paran, entre 1980 e 2007. Nessa

    fase o objetivo foi compreender o campo em que as organizaes de C&T

    agrcola esto inseridas.

    Embora haja inmeras fontes bibliogrficas, Lima (2008) chama a

    ateno para o fato de que necessrio que o pesquisador tenha critrios

    para que possa utilizar essas fontes a fim de desempenhar seu trabalho da

    melhor forma possvel. Entre esses critrios esto: priorizar autores clssicos

    em detrimento de releituras desses autores elaboradas por terceiros; evitar

    ensaios, pois eles tendem a traduzir a perspectiva do autor; lembrar que

    os materiais retirados de jornais e revistas de tiragem comercial s servem

    para ilustrar o raciocnio construdo e jamais para fundamentar argumentos

    ou concluses alcanadas; no desprezar o valor de artigos publicados em

    peridicos tcnico-cientficos indexados ou em anais de reunio acadmica;

    investir tempo para ampliar o repertrio conceptual, terico e metodolgico.

    Esses critrios foram levados em considerao quando da escolha do material

    a ser analisado.

  • O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&t AgrCOlA dO PArAn

    121desenvolvimento em Questo

    Alguns autores foram essenciais para se entender o contexto da

    C&T do perodo descrito e as principais transformaes no setor agrcola:

    Albuquerque e Salles-Filho (1997), Borgonhoni (2005), Chagas e Ichikawa

    (2009), Ichikawa e Santos (2003), Salles-Filho (2000; 2003) e Zouain (2001).

    Tambm foram coletados dados oficiais em sites da Secretaria do Estado da

    Cincia, Tecnologia e Ensino Superior do Paran e da Fundao Araucria

    para o Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico do Paran, alm de outros.

    Aps essa coleta os dados foram analisados da forma que se segue.

    A primeira fase foi a crtica ao material bibliogrfico tanto crticas

    externas quanto internas. Marconi e Lakatos (2001, p. 48), citando Salomon,

    afirmam que a crtica externa feita sobre o significado, a importncia e o

    valor histrico de um documento, considerado em si mesmo e em funo do

    trabalho que est sendo elaborado. Essa crtica abrange a crtica do texto

    que averigua se este sofreu ou no alteraes, interpolaes e falsificaes ao

    longo do tempo; a crtica da autenticidade que determina o autor, o tempo,

    o lugar e as circunstncias da composio; e a crtica da provenincia, que

    investiga a provenincia do texto.

    A seguir foi realizada a crtica interna, ou seja, segundo Marconi e

    Lakatos (2001), aquela que aprecia o sentido e o valor do contedo. A

    crtica interna abrange tanto a crtica de interpretao ou hermenutica (que

    busca o sentido que o autor quis exprimir) quanto a crtica do valor interno

    do contedo (que aprecia a obra e forma um juzo sobre a autoridade do

    autor e o valor que representa o trabalho e as ideias nele contidas).

    Para Marconi e Lakatos (2001), a segunda fase compreende a classi-

    ficao dos elementos essenciais a partir de sua decomposio, isto , verifi-

    cao dos componentes do conjunto e suas possveis relaes, possibilitando

    assim a concretizao das ideias iniciais gerais e mais abstratas a partir de

    uma anlise progressiva.

  • gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa

    122 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011

    Por fim, foi elaborada uma sntese de tudo o que foi analisado, o

    que possibilitou a apresentao dos indcios dos fatores que propiciaram a

    reestruturao dos rgos de C&T no perodo estudado. Desta forma, foi

    plausvel realizar um exerccio de reflexo acerca do tema, e compreendido o

    processo de institucionalizao e os tipos de isomorfismos presentes no setor

    de C&T agrcola no perodo estudado. Tornou-se possvel, ento, entender

    as condies ambientais que influenciaram a reestruturao do setor de C&T

    agrcola do Paran no perodo compreendido entre 1980 e 2007.

    Resultados

    As Principais Mudanas Legais-Regulativas Relativas s Polticas de C&T no Brasil, no Perodo Compreendido Entre 1980 e 2007

    Para a compreenso das mudanas legais-regulativas no Brasil h a

    necessidade de se entender como os padres de pesquisa sofreram muta-

    es e que tendncias assumiram e tambm o ambiente no qual a poltica

    cientfica introduzida.

    Segundo Zouain (2001), a poltica cientfica tem como principal ob-

    jetivo a criao de condies para que se incorpore a tecnologia produzida.

    Logo, o elemento fundamental so os recursos humanos: para a escolha ideal

    da tecnologia a ser utilizada em determinado pas deve-se criar um corpo de

    tcnicos capacitados, podendo assim atingir a maturidade cientfica. Para

    atingi-la, porm, deve haver um direcionamento ao treinamento e absoro

    de pessoal que se d por meio das universidades, institutos de pesquisa e

    programas de Ps-Graduao.

    A cincia, de uma forma geral, assumiu diferentes padres em dis-

    tintos momentos em sua histria. Observa-se tal fato mais claramente nos

    Estados Unidos, e o Brasil, de maneira similar, seguiu tais padres. Ruivo

    (1994 apud Zouain, 2001, p. 22) afirma que houve uma internacionalizao

  • O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&t AgrCOlA dO PArAn

    123desenvolvimento em Questo

    no apenas da cincia, mas do processo de produo do conhecimento por

    meio das polticas cientficas. Houve um grande aumento da disseminao

    de ideias, proporcionado principalmente por organizaes internacionais e

    organismos multilaterais.

    Os centros de pesquisa e inovao passaram por diversas mudanas,

    adequando-se para atender aos padres institucionais, pois somente assim

    conseguiriam ter acesso aos financiamentos proporcionados por empresas

    e pelo Estado. Segundo Salles-Filho (2000), as principais mudanas que

    alteraram as relaes entre as instituies pblicas de pesquisa e o campo

    em que elas esto inseridas so a transformao do papel do Estado, e com

    isso, o surgimento de padres de concorrncia dos mercados.

    O Estado passou por diversas mudanas, entre elas a restrio ora-

    mentria a fim de equilibrar as contas pblicas; porm a limitao no se

    resumiu apenas ao capital, mas ao corpo funcional, capacitao dos pes-

    quisadores e atualizao dos institutos, dentre outros. Salles-Filho (2000)

    defende que essa mudana no papel do Estado ocorreu justamente em um

    momento de alterao dos paradigmas da cincia, afastando a entrada de mui-

    tas instituies em novas tecnologias. Mostra que para suportar tal advento

    os institutos iniciaram a produo para o comrcio, parcerias com empresas

    e a procura por recursos advindos de fontes no governamentais.

    Nota-se que o Estado passou por uma crise em sua conjuntura.

    Salles-Filho (2000) observa que a crise sustenta-se em trs nveis: poltico,

    fiscal e institucional. O nvel poltico caracterizado pela limitao do poder

    de interferncia do Estado e a interveno de outras instituies, como o

    Banco Mundial e o Fundo Monetrio Internacional, por exemplo. O nvel

    fiscal resume-se nas mudanas referentes oferta internacional de capital,

    caracterizado pela dificuldade do Estado em atuar como financiador. O nvel

    institucional assinala a irracionalidade tcnica instituda muitas vezes pelos

    rgos ligados ao Estado.

  • gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa

    124 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011

    Devido ao ambiente de rpidas mudanas, as organizaes viram-se

    obrigadas a criar novos arranjos para resistir e manter suas funes. Segundo

    Salles-Filho (2000), com a presena de novos perfis organizacionais, novos

    padres de organizao institucional surgiram. Com o novo padro, as insti-

    tuies tiveram de focar suas atenes para a presena de novos atores nas

    relaes entre atores e instituies, no surgimento de instituies e na nova

    diviso do trabalho.

    Para resumir o que foi apresentado at aqui, o quadro a seguir procura

    comparar as formas de se fazer cincia entre os determinados perodos e

    analisa as formas de captao de recursos, auxiliando no entendimento do

    papel do Estado.

    CaractersticasParadigma

    Cincia como motor do progresso

    Cincia como instrumento de resoluo de problemas

    Cincia como fonte de opor-tunidades estratgicas

    Conceito de mudana tecnolgica

    Modelo linear: oferta de cincia

    Modelo linear: demanda do mercado para a pesquisa

    Modelo complexo: atuao conjunta de atores e insti-tuies

    Objetivos especficos Relacionada cincia

    Crescimento econmico, demanda social e competio

    Oportunidades estratgicas e de longo prazo

    Tipos de pesquisa Pesquisa bsica Pesquisa aplicada Pesquisa bsica estratgica, interdisciplinar e cooperativa

    Modelo de financia-mento

    Patrocnio do Estado

    Alocao de recursos Gesto de diferentes fontes de recursos

    Indicadores e instru-mentos de anlise

    Indicadores de inputs

    Indicadores de outputs e previso (tendncias)

    Prospeco e previso, avaliao e indicadores inter-nacionais

    Mecanismos do uso dos resultados de pesquisa

    Sem instituies especficas

    Servios cientficos e tcni-cos e contratos de pesquisa

    Instituies de interface

    Quadro 1 Paradigmas da Cincia

    Fonte: Ruivo (apud Zouain, 2001).

    Dentre as principais mudanas encontradas no mbito de C&T no

    Brasil esto os Planos Bsicos de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico

    (PBDCT), que ocorreram em trs verses. O III PBDCT foi publicado no

    ano de 1980; logo, compreende o perodo de estudo deste trabalho.

  • O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&t AgrCOlA dO PArAn

    125desenvolvimento em Questo

    Para Marcelino (1985 apud Borgonhoni, 2005), as polticas referentes

    Cincia e Tecnologia brasileiras foram institudas de forma descentralizada

    e desordenada, e somente com a gnese do I PBDCT que as atividades

    foram organizadas.

    Cada plano foi responsvel por diferentes peculiaridades. Salles-

    Filho (2003) discute que o I PBDCT manteve-se nos anos de 1973 a 1974,

    e abordou a importncia da Cincia e da Tecnologia (C&T), sendo esta a

    principal fora motriz para o aumento nos investimentos nesta rea, com a

    finalidade de criar uma infra-estrutura para a pesquisa, carente na realidade

    brasileira daquela poca. O autor comenta tambm a estruturao do Fundo

    Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico, a fim de auxiliar a

    formao desta infraestrutura necessria (Salles-Filho, 2003).

    O I PBDCT foi responsvel por coordenar os investimentos e dessa

    forma iniciar a formao de uma infraestrutura a fim de aumentar a produo

    cientfica. Oliveira e Dagnino (2004 apud Borgonhoni, 2005) afirmam que

    grande parte dos investimentos, nesse perodo, teve foco nas instituies

    pblicas. Tais investimentos foram responsveis pela corroborao do ensino

    de Ps-Graduao, capacitao de profissionais, surgimento de instituies,

    estabelecimento de infraestrutura.

    O II PBDCT perpetuou-se nos anos de 1975 at 1979. Salles-Filho

    (2003) defende que a criao das bases do Sistema Nacional de Desenvol-

    vimento Cientfico e Tecnolgico deu-se graas a tal plano, atrelando ao

    Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico (CNPq) a

    coordenao geral. Esse plano estreita ainda os laos com a empresa nacional

    a fim de constituir determinada capacidade tecnolgica.

    Por fim, Salles-Filho (2003) afirma que o III PBDCT apresenta carac-

    tersticas no determinadas nos anteriores, que visavam principalmente ao

    desenvolvimento social e econmico. O III PBDCT, no entanto, procurava

  • gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa

    126 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011

    delinear aes para a formao de recursos humanos, tendo como objetivo

    a transferncia do conhecimento criado nos centros de pesquisa para as

    empresas nacionais:

    O Plano foi elaborado na forma de um documento de diretrizes de poltica, definidas de modo participativo e que serviro para orientar as aes dos setores pblico e privado. Difere, portanto, do I e II PBDCT, que apresentam as aes do governo sob a forma de programas, projetos e atividades prioritrias (Salles-Filho, 2003, p. 411).

    O III PBDCT teve a caracterstica de no vigorar em uma data es-

    pecfica, tendo como perspectiva o longo prazo. Salles-Filho (2003) explica

    que a C&T recebe a devida ateno nesse plano, isto , destacam-se as

    vantagens estratgicas que o pas pode conseguir investindo nessas reas.

    A formao de recursos humanos foi a caracterstica central que orientou

    todas as aes e processos da poltica de desenvolvimento da C&T. Sendo

    assim, as universidades e institutos cientficos autnomos deveriam auxiliar

    na formao de pessoal e na absoro e difuso do conhecimento; os centros

    de pesquisa e desenvolvimento ficariam responsveis pelas relaes com os

    setores produtivos; as entidades governamentais com a cooperao tcnica

    e financeira e a empresa nacional com a formao de demanda necessria

    (Salles-Filho, 2003).

    As Principais Mudanas Legais-Regulativas Relativas s Polticas de C&T no Paran no Perodo Compreendido Entre 1980 e 2007

    As polticas e aes no mbito da Cincia, Tecnologia e Ensino

    Superior no Paran so definidas e coordenadas pela Secretaria de Estado

    da Cincia, Tecnologia e Ensino Superior Seti , rgo da Administrao

    Direta do governo estadual. A Seti desenvolve suas aes em consonncia

    com o Ttulo VI em seu Captulo III da Constituio Estadual de 1989

    (Vieira, 2005).

  • O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&t AgrCOlA dO PArAn

    127desenvolvimento em Questo

    Como antecedentes da atual estrutura, pode-se citar que, no gover-

    no de Haroldo Leon Peres, por meio da Lei 6.189, de 26 de abril de 1971,

    tentou-se, a exemplo da Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de So

    Paulo (Fapesp) criar a Fundao de Amparo Pesquisa do Estado do Paran

    (Fapep), no entanto, por falta de regulamentao e devido instabilidade

    poltico-administrativa que caracterizou o Estado no incio dos anos 70, essa

    iniciativa no teve desdobramentos (Seti, 2009a).

    O Estado do Paran, em 1981, contou com a criao do Conselho de

    Cincia e Tecnologia do Paran (Concitec), que de incio atrelou-se Se-

    cretaria de Planejamento, e aps oito anos Secretaria Especial da Cincia,

    Tecnologia e Ensino Superior.

    J em 1987 foi criado o Frum Nacional dos Secretrios Estaduais

    para Assuntos de Cincia e Tecnologia. Mediante uma ao com o apoio da

    comunidade cientfica, foi articulada a insero da prerrogativa, na Constitui-

    o Federal de 1988, de que Estados e Distrito Federal pudessem vincular

    parcela da receita tributria a entidades pblicas de fomento ao ensino e

    pesquisa cientfica e tecnolgica (Vieira, 2005; Seti, 2009a).

    Assim, logo depois, a Constituio do Estado do Paran de 1989

    assegurou, em seu artigo 205, parcela da receita tributria no inferior a 2%

    para o fomento da pesquisa cientfica e tecnolgica, a ser gerida por rgo

    especfico com representao paritria do poder Executivo e das comuni-

    dades cientfica, tecnolgica, empresarial e de trabalhadores.

    Vrias propostas de regulamentao do artigo 205 foram apresenta-

    das e discutidas na comunidade cientfica, mas somente em 1998 a Lei n

    12.020 criou o Fundo Paran e as estruturas Servio Social Autnomo Paran

    Tecnologia e Fundao Araucria para o Desenvolvimento Cientfico e

    Tecnolgico do Estado do Paran, hoje em operao. Com isso, o Concitec

    extinto (Seti, 2009a).

  • gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa

    128 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011

    O Conselho Paranaense de Cincia e Tecnologia tem como funo

    formular e propor a Poltica Estadual de Desenvolvimento Cientfico e Tec-

    nolgico, constituindo sua responsabilidade assessorar o Fundo Paran, com

    o objetivo de instituir as polticas de desenvolvimento econmico e social

    do Estado (Seti, 2009a). O Fundo Paran visa a apoiar o financiamento de

    programas, projetos e aes de cunho cientfico e tecnolgico do Estado.

    Seus recursos so provenientes do Tesouro do Estado, correspondentes a

    2% da receita tributria (Vieira, 2005).

    O Servio Social Autnomo Paran Tecnologia tem como objetivo

    prestar assistncia aos municpios a fim de alcanar desenvolvimento tec-

    nolgico e social, e fica com a responsabilidade de captar e gerir os recursos

    financeiros buscando o desenvolvimento do Estado.

    A Fundao Araucria de Apoio ao Desenvolvimento Cientfico e

    Tecnolgico do Paran, por sua vez, ampara a formao de recursos humanos

    para C&T do Estado do Paran. Seus recursos financeiros tm origem no

    Fundo Paran, que destina 2% da receita tributria do Estado ao desenvol-

    vimento cientfico e tecnolgico. Desse percentual, at 30% so destinados

    Fundao (Fundao Araucria, 2009).

    Assim, institucionalmente, C&T definida, no mbito da Seti,

    como atividade-meio e como atividade-fim. Como atividade-meio, visa a

    desenvolver conhecimento, bens e servios e tem sido objeto de ateno

    institucional. A atividade-fim so os bens, os conhecimentos e os servios

    que sero incorporados pela sociedade, pela produo, pelo setor produtivo,

    pela rea social, enfim, por toda a sociedade. Segundo a Seti, iniciativas

    interessantes vm sendo institudas em mbito nacional e estadual, como

    a formao de parques tecnolgicos, de incubadoras de empresas, funda-

    mentadas em parcerias pblicas nas esferas municipal, estadual e nacional,

    com financiamento especfico, e o governo do Paran tem buscado se apro-

    ximar do setor produtivo para a produo do conhecimento das Instituies

  • O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&t AgrCOlA dO PArAn

    129desenvolvimento em Questo

    de Ensino Superior e das Instituies de C&T (Seti, 2009b). Percebe-se,

    assim, portanto, um movimento bastante parecido com o do III PBDCT

    em mbito nacional.

    Mudanas Estruturais em Organizaes de C&T Agrcola no Brasil e no Paran, no Perodo Compreendido entre 1980 e 2007

    Segundo Carvalho (1992 apud Borgonhoni, 2005), a pesquisa agr-

    cola brasileira, historicamente, sempre procurou beneficiar o interesse dos

    grandes produtores rurais. As pesquisas focavam-se nas culturas dos grandes

    produtores exportadores, e os pequenos e mdios produtores de culturas

    alimentares eram deixados de lado. Com a Revoluo de 1930 e a baixa

    oferta de alimentos a situao mudou, e o governo comea a investir na

    modernizao das estruturas existentes, a fim de produzir novas culturas

    para dar conta da demanda existente.

    Freitas Filho et al. (2001 apud BORGONHONI, 2005) advertem que

    com esse acontecimento o governo federal comea a refletir sobre a criao

    de uma instituio responsvel por todo o territrio nacional, a fim de que

    esta desenvolvesse a pesquisa agrcola. Nesse perodo tambm foram criados

    os primeiros institutos para desenvolver pesquisas para produtos especficos,

    tais como o Instituto de Acar e do lcool (IAA), o Instituto Brasileiro do

    Caf (IBC) e o Instituto do Cacau da Bahia (ICB).

    Em meados de 1950 ocorre a Revoluo Verde. Chagas e Ichikawa

    (2009) destacam que tal fato deu mais nfase em pesquisas de sementes,

    fertilizantes e a mecanizao do campo. Segundo estas autoras, buscou-se

    tambm a diversificao dos produtos agrcolas, o melhoramento gentico

    para a obteno de sementes mais produtivas e o uso de fertilizantes qu-

    micos e maquinaria agrcola. Essas aes prosseguiram na dcada de 60, e

  • gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa

    130 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011

    o Estado passa a patrocinar, alm da pesquisa, cursos de Ps-Graduao

    (Mestrado e Doutorado) aos seus tcnicos, capacitando-os tanto no Brasil

    quanto no exterior.

    As dcadas seguintes foram de suma importncia para a pesquisa

    agrcola. Ichikawa e Santos (2003) relatam que nesse perodo houve a cria-

    o de diversas instituies, entre elas a Empresa Brasileira de Pesquisa

    Agropecuria (Embrapa) em 1973. Chagas e Ichikawa (2009) comentam

    que nessa poca havia poucas empresas privadas participando de pesquisas

    na rea agrcola, ficando a cargo do Estado sustentar a pesquisa at ento.

    Com o neoliberalismo e a crise do Estado entre os anos 80 e 90, os institutos

    tiveram como principal dificuldade a escassez de recursos, obrigando-os a

    buscarem outras fontes de recursos, aumentando o contato entre instituies

    e ambiente.

    At os anos 80, o ambiente em que as instituies estavam inseridas

    era de abundantes recursos proporcionados pelo Estado. Freitas Filho (1996

    apud Borgonhoni, 2005) refere que as instituies eram norteadas por mode-

    los focados na oferta de produtos e servios, as necessidades dos clientes

    muitas das vezes no eram satisfeitas.

    Com a escassez de recursos, no entanto, as organizaes de pesquisa

    brasileiras buscaram cada vez mais se aproximar do setor privado ou de outras

    instituies, a fim de cooperar para construir redes de conhecimento como

    meio para executar e disseminar o conhecimento produzido.

    Albuquerque e Salles-Filho (1997) defendem que a melhor forma

    para o desenvolvimento e a manuteno de projetos tecnolgicos em am-

    biente altamente instvel e de rpidas mudanas a formao de redes de

    pesquisa. Destacam ainda que com as redes, a orientao das pesquisas passa

    a ser principalmente por demanda, isto , as relaes com universidades,

    empresas e o pblico em geral ficam mais prximas.

  • O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&t AgrCOlA dO PArAn

    131desenvolvimento em Questo

    A busca por recursos financeiros a fim de viabilizar os projetos o

    aspecto que mais sofreu mudanas, uma vez que com as polticas neoli-

    berais as organizaes viram seus oramentos se reduzirem, necessitando

    assim buscar financiamentos no mercado, mediante contratos de pesquisa

    e venda de produtos.

    As instituies atualmente buscam cada vez mais competitividade,

    posto que o ambiente passa a exigir maior capacidade de obteno de recur-

    sos. So formulados ento trs atributos principais para tornar as instituies

    mais competitivas: autonomia, flexibilidade institucional e awareness (moni-

    toramento do meio). Ao ampliar o grau desses atributos, a instituio pode

    atingir uma maior competitividade (Albuquerque; Salles-Filho, 1997).

    Em termos nacionais, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria

    (Embrapa) uma instituio de pesquisa pblica que passou pelas diversas

    fases citadas anteriormente. Segundo Salles-Filho (2000), a instituio passou

    por dois momentos fatdicos: em 1973-84, com a criao e consolidao da

    instituio; e em 1995, com ajustamentos aos novos padres e reorganizao

    das atividades. A segunda fase composta por trs importantes momentos,

    sendo norteada principalmente por Planos Diretores (PDEs). O primeiro

    momento composto pelo I PDE (1988-92), tendo como principal caracters-

    tica a reformulao da programao da Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

    O segundo momento, II PDE (1994-98), caracterizado pelo planejamento

    da P&D a partir da organizao e coordenao das atividades-fim. O terceiro

    momento constitudo principalmente pela gerao de receitas prprias

    e a formulao de um mecanismo para a transformao de tecnologia, III

    PDE (1999-2003).

    Salles-Filho (2000) destaca que a partir de 1985 foi realizado um diag-

    nstico na instituio e constatou-se a carncia de uma poltica institucional.

    Formula-se um modelo institucional que posto em prtica mediante um

    grande nmero de iniciativas, procurando relacionar os resultados de Pesqui-

    sa e Desenvolvimento (P&D) s solues tecnolgicas e s novas demandas

  • gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa

    132 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011

    exigidas pelos atores. Nota-se ento que a partir do modelo institucional,

    vrios ajustes foram realizados a fim adaptar a organizao nova realidade,

    aumentando a sua relao com o mercado.

    Em termos estaduais, o Instituto Agronmico do Paran (Iapar)

    outra instituio que durante as ltimas dcadas tambm percorreu as fases

    j citadas. Chagas e Ichikawa (2009) afirmam que o Instituto foi criado no

    ano de 1972 a fim de solucionar os problemas referentes agropecuria no

    Estado do Paran. O Iapar surge aps uma srie de mudanas estruturais

    formuladas na Secretaria do Estado da Agricultura, com o intuito de aten-

    der determinadas mudanas propostas pelo governo federal, que tinha por

    objetivo acelerar a modernizao do setor agropecurio nacional.

    A dcada de 70 contou com abundantes recursos para as instituies

    de pesquisa pblica. Chagas e Ichikawa (2009) observam que esse perodo

    foi de constante ascenso e crescimento para o Iapar, sustentado pelas pol-

    ticas efetuadas para o fortalecimento desses tipos de organizao. As autoras

    destacam que desde os primrdios o Instituto manteve relacionamentos

    interinstitucionais, beneficiando a troca de informaes e a capacitao do

    corpo funcional. Em 1975 o governo estadual amplia os poderes do Instituto,

    delegando-lhe a coordenao e execuo da pesquisa agropecuria realizada

    no Estado. No ano de 1983 o governo federal reduz consideravelmente os

    recursos destinados organizao, e o Instituto passa ento a procurar fontes

    alternativas, buscando assim diminuir a dependncia do setor pblico.

    Chagas e Ichikawa (2009) acentuam que no final dos anos 80 o Es-

    tado modifica sua forma de atuao com as polticas de C&T, e seguindo

    tendncias internacionais, estimula um maior contato entre as instituies

    a fim de aumentar a captao de recursos. Em 1997, o governador Jaime

    Lerner assume e impulsiona o relacionamento entre o Instituto e o setor

    produtivo privado, objetivando suprir a carncia de recursos financeiros. Essa

    aproximao do Instituto com empresas privadas gerou muitas crticas, pois

    os objetivos iniciais do Instituto poderiam ser colocados em segundo plano,

  • O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&t AgrCOlA dO PArAn

    133desenvolvimento em Questo

    privilegiando assim os das empresas. Nos ltimos anos o Instituto passou por

    uma troca de diretoria, e Chagas e Ichikawa (2009) descrevem que foram

    criadas regras mais severas para a formao de parcerias.

    As organizaes de pesquisa pblica, nos ltimos anos, estreitaram

    suas relaes com o mercado. Esse novo arranjo organizacional tem por ob-

    jetivo principalmente aumentar a captao de recursos, e com isso manter

    os projetos em andamento. Nota-se o incremento na formao de parcerias,

    vnculo com o setor privado e relacionamento com os clientes. Enfim, tanto

    nas organizaes de esfera federal quanto estadual ocorrem mudanas se-

    guindo o mesmo direcionamento.

    As Condies Ambientais que Propiciaram a Institucionalizao dos Novos Padres de Atuao das Organizaes de C&T Agrcola no Perodo Entre 1980 e 2007

    Para compreender as condies ambientais que propiciaram a insti-

    tucionalizao dos novos padres de atuao das organizaes de C&T no

    perodo entre 1980 e 2007, necessrio o entendimento da queda do padro

    produtivista e a reorganizao dos atores referentes pesquisa pblica, isto ,

    com o neoliberalismo e com o enxugamento das verbas advindas do Estado,

    as organizaes viram-se obrigadas a buscar financiamentos no mercado.

    O padro produtivista entra em declnio no final dos anos 80, e o

    cenrio da pesquisa agrcola se reorganiza. A inovao dos produtos torna-se

    praticamente essencial para os projetos receberem apoio financeiro. Segundo

    Salles-Filho (2000), o Estado passa por uma crise fundamentada em trs

    nveis principais: poltico, fiscal e institucional. Poltico na medida em que

    o neoliberalismo ganha evidncia nas polticas pblicas; fiscal na medida em

    que se reduz o nvel de financiamento das pesquisas, e institucional no que

    tange submisso das polticas pblicas s oligarquias polticas.

  • gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa

    134 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011

    Salles-Filho (2000) alerta que o conceito de redes e conhecimento

    compartilhado torna-se ainda mais importante, posto que no mais inte-

    ressante concentrar em poucas instituies determinado conhecimento. O

    ponto-chave agora compartilhar o conhecimento e em um momento de

    necessidade saber onde encontr-lo.

    medida que o neoliberalismo ganha espao nas polticas pblicas,

    os padres produtivistas alteram-se e consequentemente a forma com que

    as organizaes buscam financiamentos tambm muda. Com as organizaes

    atrelando os financiamentos s entidades privadas, elas se veem obrigadas

    a mudar a forma de produzir pesquisa e atentar prestao de contas e

    produo de conhecimento til s empresas, por exemplo.

    Nota-se claramente que o paradigma dominante na atualidade o

    de cincia como fonte de oportunidades estratgicas (Ruivo apud Zouain,

    2001), em que h uma atuao conjunta de atores e instituies, a pesquisa

    basicamente interdisciplinar e cooperativa e preciso realizar a gesto de

    diferentes interesses e fontes de recursos.

    Em termos nacionais, os diversos Planos Bsicos de Desenvolvimento

    Cientfico e Tecnolgico (PBDCT) voltaram-se numa direo de cada vez

    mais reforar esse movimento, culminando com o III PBDCT, que procurou

    delinear aes para a formao de recursos humanos, tendo como objetivo

    a transferncia do conhecimento criado nos centros de pesquisa para as

    empresas nacionais, ou seja, para um uso quase que imediato.

    Em termos do Estado do Paran, embora tenha demorado a ter

    um sistema prprio de C&T, quando institudo esse sistema no fugiu do

    paradigma dominante dos anos 90, ou seja, o incentivo para que diversas

    instituies se juntem e busquem o financiamento de pesquisas que sejam

    rapidamente utilizadas pelo setor produtivo.

    Desta forma, ao longo de suas histrias, organizaes de pesquisa

    agrcola no Brasil e no Paran, como a Embrapa e o Iapar, tambm foram

    mudando conforme o seu ambiente institucional ia se alterando. Na Em-

  • O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&t AgrCOlA dO PArAn

    135desenvolvimento em Questo

    brapa, o que se v um movimento que culmina em polticas de gerao de

    receitas prprias e a formulao de um mecanismo para a transformao de

    tecnologias rapidamente transferveis; e no Iapar, da mesma forma, houve

    uma dinmica em busca da adoo de novas configuraes que garantissem

    a execuo de seus projetos de pesquisa, principalmente com o trabalho em

    rede, que foi influenciada por diversos fatores, fazendo com que o Instituto

    se adaptasse para obter legitimao das suas atividades.

    Percebe-se ento que as organizaes passam por um processo de

    isomorfismo coercitivo, isto , o ambiente em que elas esto inseridas fora,

    mediante polticas pblicas, mudanas nos padres de produo de pesquisa,

    sendo possvel notar uma similitude nas suas estruturas.

    Concluses

    Os textos lidos para a execuo deste estudo mostraram que a

    pesquisa cientfica, de uma forma geral, assumiu diferentes padres em

    distintos momentos em sua histria. Observou-se tal fato mais claramente

    nos Estados Unidos, e o Brasil, de maneira similar, seguiu tais padres.

    Houve uma internacionalizao no apenas da cincia, mas do processo de

    produo do conhecimento, por meio das polticas cientficas. Ocorreu um

    grande aumento da disseminao de ideias, proporcionado principalmente

    por organizaes internacionais e organismos multilaterais.

    Dentre as principais mudanas encontradas no mbito de C&T no

    Brasil esto os Planos Bsicos de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico

    (PBDCT), que ocorreram em trs verses, com cada uma delas enfatizando

    mais a rpida aplicabilidade dos resultados dos investimentos em C&T pelas

    empresas. No Paran deu-se a criao de todo um sistema que incentiva para

    que diversas instituies produzam conhecimento que seja rapidamente

    empregado pela sociedade e pelo setor produtivo.

  • gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa

    136 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011

    Assim, com a ascenso dessas polticas, os programas de financiamen-

    to oferecidos pelas agncias de fomento pesquisa e inovao sofreram

    mudanas e incentivaram cada vez mais a competitividade dos institutos de

    pesquisa para que estes pudessem angariar fundos, e tambm formassem

    redes cooperativas de pesquisa entre diversas instituies, inclusive de

    mbito privado.

    Nesse ambiente de variadas mudanas em que as organizaes de

    pesquisa agrcola esto inseridas, ficou claro ainda que as polticas pblicas

    voltadas ao neoliberalismo nortearam as mudanas nos padres produtivos.

    Com todo esse ambiente as organizaes viram-se obrigadas a buscar com-

    petitividade e a adotarem at mesmo modelos de gesto empresarial para

    atingir tal objetivo. Ao buscarem financiamento junto a entidades privadas,

    as organizaes deram mais nfase prestao de contas, por exemplo.

    Analisando os processos de mudanas nas organizaes de C&T

    agrcola, observou-se uma tendncia similaridade organizacional. Essas

    organizaes sofreram diversas presses peculiares ao campo organizacional

    em que esto inseridas, tornando assim suas estruturas similares.

    Conforme as mudanas ambientais foram ocorrendo, as organizaes

    sofreram modificaes estruturais, a fim de se tornarem mais competitivas

    na execuo de seus projetos. Esse isomorfismo foi o coercitivo, por conta

    do incentivo dado pela poltica cientfica vigente.

    Essas so as concluses originadas do estudo realizado. Cabe ainda

    ressaltar, no entanto, que como este um trabalho de carter exploratrio

    e baseado em pesquisa em fontes documentais e bibliogrficas, sugere-se

    que novas investigaes sejam realizadas, em outros Estados inclusive, para

    pesquisar com mais detalhes como essa reestruturao ocorreu. Alm disso,

    estudos de caso de carter longitudinal poderiam conferir maior profundidade

    para o entendimento de todo esse processo.

  • O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&t AgrCOlA dO PArAn

    137desenvolvimento em Questo

    Referncias

    ALBUQUERQUE, R.; SALLES-FILHO, S. Determinantes das reformas institucionais, novos modelos organizacionais e as responsabilidades do SNPA. Grupo de Estudos sobre Organizao da Pesquisa, Geop; Unicamp, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1997.

    BERGER, P. L.; LUCKMANN, T. A construo social da realidade: tratado de socio-logia do conhecimento. Petrpolis: Vozes, 1985.

    BORGONHONI, P. Redes em C&T na perspectiva da Teoria Neoinstitucional: anlise do Instituto Agronmico do Paran Iapar (1972-2004). 2005. Dissertao (Mestrado em Administrao) Programa de Ps-Graduao em Administrao, PPA/UEM-UEL, Universidade Estadual de Maring, Maring, 2005.

    CARVALHO, C. A. P. de; VIEIRA, M. M. F.; LOPES, F. D. Contribuies da perspectiva institucional para anlise das organizaes. In: Encontro Nacional dos Programas de Ps-Graduao em Administrao, 23, 1999, Foz do Iguau. Anais... Rio de Janeiro: Anpad, 1999. CD-ROM.

    CHAGAS, P. B.; ICHIKAWA, E. Y. Redes de C&T em institutos pblicos de pesquisa brasileiros: o caso do Instituto Agronmico do Paran (Iapar). Revista de Administrao Pblica, Rio de Janeiro: FGV, v. 43, n. 1, p. 93-121, jan./fev. 2009.

    DIMAGGIO, P. J.; POWELL, W. W. The iron cage revisited: institutional isomor-phism and collective rationality in organizational fields. American Sociological Review, v. 48, p. 147-160, abr. 1983.

    DIMAGGIO, P. J.; POWELL, W. W. A gaiola de ferro revisitada: isomorfismo institu-cional e racionalidade coletiva nos campos organizacionais. Revista de Administrao de Empresas, So Paulo: Fundao Getlio Vargas, v. 45, n. 2, p. 74-89, abr./jun. 2005.

    FUNDAO ARAUCRIA. Fundao Araucria para o Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico do Paran. Institucional. Disponvel em: . Acesso em: 23 ago. 2009.

    ICHIKAWA, E. Y.; SANTOS, L. W. dos. Cincia, tecnologia e sociedade: vises sobre as transformaes da pesquisa agrcola no Brasil. Revista de Administrao da Ufla, Lavras, v. 5, n. 2, p. 66-79, jul./dez. 2003.

    LIMA, M. C. Monografia: a engenharia da produo acadmica. So Paulo: Saraiva, 2008.

  • gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa

    138 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011

    MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Metodologia do trabalho cientfico. So Paulo: Atlas, 2001.

    SALLES-FILHO, S. Poltica de Cincia e Tecnologia no III PBDCT. Revista Bra-sileira de Inovao, Rio de Janeiro, v. 2, n. 2, p. 407-432, jul./dez. 2003.

    SALLES-FILHO, S. Cincia, tecnologia e inovao. Campinas: Editora Komedi, 2000.

    SCOTT, W. R. Institutions and organizations. Thousand Oaks-CA: Sage, 2001.

    SCOTT, W. R.; MEYER, J. W. The organizations of societal sectors: propositions and early evidence. In: POWELL, W. W.; DIMAGGIO, P. J. (Eds). The new institu-tionalism in organizational analysis. Chicago: The University of Chicago Press, 1991. p. 108-140.

    SELZNICK, P. Institutionalism old and new. Administrative Science Quarterly, Ithaca, v. 41, p. 270-277, 1996.

    SETI. Secretaria do Estado da Cincia, Tecnologia e Ensino Superior. A institucio-nalizao da cincia e tecnologia no Paran. Disponvel em: . Acesso em: 23 ago. 2009a.

    SETI. Secretaria do Estado da Cincia, Tecnologia e Ensino Superior. Poltica de Estado. Disponvel em: . Acesso em: 23 ago. 2009b.

    TOLBERT, P. S.; ZUCKER, L. G. A institucionalizao da Teoria Institucional. In: CLEGG, S. R.; HARDY, C.; NORD, W. R. Handbook de Estudos Organizacionais. So Paulo: Atlas, 1999.

    VIEIRA, S. F. A. O parque tecnolgico de Londrina: uma anlise luz da Teoria Neo-Institucional. 2005. Dissertao (Mestrado em Administrao) Programa de Ps-Graduao em Administrao, PPA/UEM-UEL, Universidade Estadual de Maring, Maring, 2005.

    ZOUAIN, D. M. Gesto de instituies de pesquisa. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001.

    Recebido em: 17/6/2011

    Aceito em: 29/8/2011

Recommended

View more >