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<ul><li><p>Desenvolvimento em Questo</p><p>ISSN: 1678-4855</p><p>davidbasso@unijui.edu.br</p><p>Universidade Regional do Noroeste do Estado</p><p>do Rio Grande do Sul</p><p>Brasil</p><p>Matarazzo Rezende, Gustavo; Yoshie Ichikawa, Elisa</p><p>O Contexto Ambiental e as Mudanas Organizacionais no Setor de C&amp;T Agrcola do Paran</p><p>Desenvolvimento em Questo, vol. 9, nm. 18, julio-diciembre, 2011, pp. 111-138</p><p>Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul</p><p>Iju, Brasil</p><p>Disponible en: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=75220806006</p><p> Cmo citar el artculo</p><p> Nmero completo</p><p> Ms informacin del artculo</p><p> Pgina de la revista en redalyc.org</p><p>Sistema de Informacin Cientfica</p><p>Red de Revistas Cientficas de Amrica Latina, el Caribe, Espaa y Portugal</p><p>Proyecto acadmico sin fines de lucro, desarrollado bajo la iniciativa de acceso abierto</p><p>http://www.redalyc.org/revista.oa?id=752http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=75220806006http://www.redalyc.org/comocitar.oa?id=75220806006http://www.redalyc.org/fasciculo.oa?id=752&amp;numero=20806http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=75220806006http://www.redalyc.org/revista.oa?id=752http://www.redalyc.org</p></li><li><p>O Contexto Ambiental e as Mudanas Organizacionais no Setor de C&amp;T Agrcola do Paran1 </p><p>Gustavo Matarazzo Rezende2 Elisa Yoshie Ichikawa3</p><p>DeSenvOlviMenTO eM QueSTOeditora uniju ano 9 n. 18 jul./dez. 2011 p. 111-138</p><p>Resumo</p><p>Este artigo tem como objetivo a descrio das condies ambientais que influenciaram a reestruturao do setor de C&amp;T agrcola do Paran no perodo compreendido entre 1980 e 2007. Por meio de dados secundrios livros, artigos, dissertaes, pginas da Internet, entre outros foram investigadas as condies que propiciaram a institucionalizao de novos padres de atuao das organizaes pblicas de C&amp;T agrcola. O estudo mostrou que para aumentar as receitas destinadas ao financiamento das pesquisas, as organizaes de C&amp;T agrcola buscaram por maior competitividade, utilizando-se at mesmo de modelos de gesto empresarial. Isso ocorreu tanto em mbito nacional, com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria (Embrapa), como estadual, com o Instituto Agronmico do Paran (Iapar). Assim, ao se analisar as condies ambientais pelas quais as organizaes passaram e as mudanas estruturais tendendo similitude, observou-se principalmente o isomorfismo coercitivo, devido s presses ambientais do campo organizacional.</p><p>Palavras-chave: Organizaes de C&amp;T. Processo de institucionalizao. Contexto institucional. </p><p>1 Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico (CNPq) e Fundao Araucria de Apoio ao Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico do Paran pelo suporte dado para a realizao do presente estudo.</p><p>2 Graduado em Administrao pela Universidade Estadual de Maring. Foi bolsista do programa PIBIC/CNPq-FA/UEM. Mestrando em Administrao na Universidade Federal de Santa Catarina. Rua Honrio Gregrio de Oliveira, 147 - Cerqueira Csar SP CEP: 18760-000. gustavo_matarazzo@yahoo.com.br</p><p>3 Doutora em Engenharia de Produo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professora do curso de Administrao da Universidade Estadual de Maring. Avenida Colombo, 5790 DAD Maring PR - CEP: 87020-900. eyichikawa@uem.br</p></li><li><p>Abstract </p><p>This article has as objective the description of the ambient conditions that had influenced the reorga-nization of the sector of Paran Agricultural S&amp;T in the period between 1980 and 2007. By means of secondary data books, articles, dissertations, pages of the Internet, among others it was investigated the conditions that had propitiated the institutionalization of new standards of performance of the public agricultural S&amp;T organizations. The research showed that to increase the financial resources destined to the financing of the research, the organizations of agricultural S&amp;T had searched for bigger competitiveness, using models of enterprise management. This occurred in national scope, with the Brazilian Company of Farming Research (Embrapa), like in the state, with the Agronomic Institute of Paran (Iapar). Thus, if analyzing the ambient conditions for which the organizations had passed and the structural changes tending to the similarity, it was observed mainly the coercitive isomorphism, because the ambient pressures of the organizational field.</p><p>Keywords: S&amp;T organizations. Institutionalization process. Institutional context.</p></li><li><p>O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&amp;t AgrCOlA dO PArAn</p><p>113desenvolvimento em Questo</p><p>Devido s mudanas ocorridas no campo de C&amp;T agrcola brasileira </p><p>nas ltimas dcadas, as instituies de pesquisa agrcola formaram novos </p><p>arranjos organizacionais, alterando as formas de se fazer cincia e o relacio-</p><p>namento entre os atores. </p><p>Para Salles-Filho (2000), as relaes entre as instituies pblicas de </p><p>pesquisa e o campo se alteraram no mesmo sentido das mudanas do papel </p><p>do Estado, formando assim novos padres de concorrncia dos mercados. A </p><p>partir da dcada de 80 o Estado passa por uma crise, resultando principal-</p><p>mente em cortes oramentrios. Para suportar tal conjuntura os institutos </p><p>iniciaram parcerias com empresas e procuraram por fontes alternativas de </p><p>financiamento.</p><p>Assim, nessa poca, foram traados novos rumos de atuao das </p><p>agncias de fomento pesquisa e inovao, e explicitadas as obrigaes </p><p>dos cientistas e pesquisadores das instituies pblicas de pesquisa, que </p><p>deviam orientar as atividades em direo a uma maior aplicabilidade eco-</p><p>nmica. Foram introduzidas e generalizadas as prticas da competio entre </p><p>grupos de pesquisadores para obteno de financiamento, demonstrando a </p><p>necessidade de uma nova agenda de pesquisa.</p><p>Novas configuraes estruturais foram necessrias para que as organi-</p><p>zaes pblicas de pesquisa pudessem cumprir essas agendas e alcanassem </p><p>resultados teis comunidade. Dentre as sadas encontradas destaca-se a </p><p>formao de redes cooperativas de pesquisa, que possibilitaram a produo </p><p>mais rpida de conhecimento e captao de recursos nos rgos oficiais no </p><p>setor de C&amp;T no Brasil.</p><p>Uma das teorias que d base para o entendimento de como o ambiente </p><p>em que as organizaes esto inseridas impe presses sobre elas a Teoria </p><p>Neoinstituconal de cunho sociolgico. Assim, tendo como pano de fundo o </p><p>contexto descrito, e respaldado por essa teoria, o presente texto tem como </p><p>objetivo a descrio das condies ambientais que influenciaram a rees-</p><p>truturao do setor de C&amp;T agrcola do Paran no perodo compreendido </p></li><li><p>gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa</p><p>114 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011</p><p>entre 1980 e 2007. Para o alcance desse objetivo o artigo est estruturado da </p><p>seguinte forma: em primeiro lugar, h a apresentao sobre a Teoria Neoins-</p><p>titucional. Em seguida os procedimentos metodolgicos da investigao so </p><p>descritos. Aps, os resultados da pesquisa so explicitados, e finalmente, </p><p>apresenta-se as concluses do estudo. </p><p>A Teoria neoinstitucional</p><p>A Teoria Institucional formou-se por meio de conceitos originrios dos </p><p>pensamentos de economistas e socilogos. Carvalho, Vieira e Lopes (1999) </p><p>esclarecem que os embasamentos formulados por Thorstein Veblen, John </p><p>Commons, Westley Mitchel, mile Durkheim e Max Weber, por exemplo, </p><p>foram essenciais para a formulao da teoria, uma vez que focaram a mudana </p><p>e a investigao emprica. </p><p>Selznick (1996) destaca que as organizaes detm uma interao </p><p>com o ambiente e devem buscar um equilbrio com o mesmo. Este autor </p><p>explana ainda que existe um processo de institucionalizao, considerando </p><p>o aspecto do valor representativo de determinada organizao na sociedade, </p><p>e que esse valor tem tanta importncia quanto os fatores tcnicos para que </p><p>a instituio se legitime e sobreviva.</p><p>Tolbert e Zucker (1999) observam que a Teoria Institucional </p><p>preocupava-se, principalmente, com a racionalidade e as suas condies de </p><p>maior ou menor limitao, tornando-a indispensvel como componente da </p><p>pesquisa organizacional. </p><p>Borgonhoni (2005), por sua vez, explicita que a Teoria Neoinstitucio-</p><p>nal surge nos anos 70, com a finalidade de reformular os conceitos advindos </p><p>da Teoria Institucional. Argumenta ainda que ao considerar aspectos que </p><p>influenciam o ambiente, ope-se aos preceitos apresentados pela Teoria </p><p>Contingencial. O Neoinsitucionalismo no apresenta somente mudanas </p></li><li><p>O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&amp;t AgrCOlA dO PArAn</p><p>115desenvolvimento em Questo</p><p>superficiais, mas apresenta novas perspectivas no que tange ao fenmeno </p><p>de institucionalizao, mostrando similaridades e dissonncias bem demar-</p><p>cadas.</p><p>A Teoria Neoinstitucional apresenta trs segmentos distintos: o eco-</p><p>nmico, o poltico e o sociolgico. Carvalho, Vieira e Lopes (1999) afirmam </p><p>que o segmento econmico manteve destaque nos aspectos no tratados com </p><p>relevncia pela teoria econmica, como os custos de transao, principalmen-</p><p>te. J a orientao poltica destacada por Scott (2001) por meio da estreita </p><p>relao com as formas legais e relacionadas com o governo, discorrendo ainda </p><p>sobre as referncias do Direito e da Filosofia. J a vertente sociolgica en-</p><p>tendida por Carvalho, Vieira e Lopes (1999) como centrada na investigao da </p><p>natureza e origem da ordem social, sublinhando o papel das normas culturais </p><p>e dos organismos do Estado no processo de institucionalizao.</p><p>A base utilizada no presente artigo a vertente sociolgica, que </p><p>sustenta grande parte dos trabalhos de institucionalizao na rea de gesto </p><p>organizacional. Referindo-se especificamente a esta vertente, depara-se com </p><p>os enfoques empregados nos estudos, que so tipificados em trs pilares: o </p><p>regulador, o normativo e o cognitivo. </p><p>O pilar regulador definido por Scott (2001, p. 52) como os elementos </p><p>que envolvem a capacidade de estabelecer regras [...], manipular sanes </p><p> recompensas ou punies na tentativa de influenciar comportamento </p><p>futuro. O pilar normativo assinala o quo forte so as presses exercidas </p><p>pelas normas e valores a fim de resultarem em mudanas nas organizaes. </p><p>Segundo Carvalho, Vieira e Lopes (1999), a proposio normativa tenta </p><p>desvendar como as opes estruturais das organizaes so derivadas da </p><p>presso exercida pelas normas e os valores. O pilar cognitivo, por sua vez, </p><p>apresenta os princpios ligados percepo do ambiente, ou seja, os aspectos </p><p>cognitivos das organizaes. Scott (2001) afirma que essas percepes so </p><p>formadas atravs das normas que constituem a natureza da realidade e o </p><p>arcabouo mediante o qual os significados so construdos. </p></li><li><p>gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa</p><p>116 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011</p><p>O ambiente o aspecto central tratado pela Teoria Neoinsitucional, </p><p>em que se verifica a importncia e a forma com que influencia as estruturas </p><p>organizacionais nele inseridas. O ambiente tambm definido como campo </p><p>organizacional por DiMaggio e Powell (1983, p. 148): por campo organiza-</p><p>cional entendemos aquelas organizaes que, em conjunto, constituem uma </p><p>rea reconhecida da vida institucional: fornecedores-chave, consumidores </p><p>de recursos e produtos, agncias regulatrias e outras organizaes que </p><p>produzam servios e produtos similares.</p><p> definio desse ambiente soma-se um conjunto de elementos cul-</p><p>turais, como crenas, mitos e smbolos. Conclui-se, ento, que ao considerar </p><p>o ambiente, no se deve deduzir ao que composto somente por recursos. </p><p>Perante tais consideraes o ambiente demarcado por dois pressupostos: </p><p>1) ambiente tcnico, que o domnio no qual um produto ou servio </p><p>trocado no mercado e as organizaes so premiadas pelo controle eficiente e </p><p>eficaz do processo do trabalho; 2) ambiente institucional, que se distingue </p><p>pela elaborao de normas e exigncias a que as organizaes se devem </p><p>conformar se querem obter apoio e legitimidade do ambiente (Scott; </p><p>Meyer, 1991, p. 123).</p><p>A partir do momento em que se entende os aspectos ambientais, </p><p>consegue-se ento entender isomorfismo como o processo pelo qual as </p><p>organizaes tendem a se tornarem similares. Algumas situaes-problema </p><p>tornam-se comuns nas organizaes, assim como os comportamentos uti-</p><p>lizados para a resoluo desses problemas. Quando ocorre a habitualidade </p><p>dessas aes, e se necessita do mnimo de esforo para recorr-las, tem-se </p><p>a gnese do processo de institucionalizao. </p></li><li><p>O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&amp;t AgrCOlA dO PArAn</p><p>117desenvolvimento em Questo</p><p>Figura 1 Processo de Institucionalizao</p><p>Fonte: Tolbert; Zucker, 1999, p. 207.</p><p>Como se observa na Figura 1, Tolbert e Zucker (1999) apresentam </p><p>o processo de institucionalizao, que composto por quatro etapas: ino-</p><p>vao, habitualizao, objetivao e sedimentao. Com isso, fatores como </p><p>mudanas tecnolgicas, legislao e foras do mercado podem despertar uma </p><p>necessidade na organizao e somente com a inovao se obtm respostas </p><p>para o conflito gerado pela necessidade.</p><p>Essas respostas tornam-se atos rotineiros na organizao, denominan-</p><p>do-se habitualizao, [...] isto , o desenvolvimento de comportamentos </p><p>padronizados para a soluo de problemas e a associao de tais comporta-</p><p>mentos a estmulos particulares [...] (Tolbert; Zucker, 1999, p. 205).</p><p>Isso quer dizer que toda atividade humana est sujeita ao hbito, e </p><p>qualquer ao frequentemente repetida torna-se moldada em um padro, </p><p>que pode, em seguida, ser reproduzido com economia de esforo e que </p><p> apreendido pelo executante como padro. Isso facilita que a atividade </p><p>humana possa prosseguir com o mnimo de tomadas de deciso durante </p><p>a maior parte do tempo, liberando energia para resolues que podem ser </p><p>necessrias em determinadas ocasies (Berger; Luckmann, 1985).</p></li><li><p>gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa</p><p>118 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011</p><p>O prximo passo desse processo denominado objetivao, e refere-</p><p>se propagao dos significados obtidos na primeira etapa, isto , o [...] </p><p>desenvolvimento de significados gerais socialmente compartilhados ligados </p><p>a esses comportamentos, um desenvolvimento necessrio para a transposio </p><p>de aes para contextos alm de seu ponto de origem (Tolbert; Zucker, </p><p>1999, p. 205). </p><p>Outro processo adicional encontrado entre as etapas de objetivao </p><p>e sedimentao identificado por Tolbert e Zucker (1999, p. 205) como </p><p>exterioridade, que o [...] processo por meio do qual as aes adquirem a </p><p>qualidade de exterioridade como sedimentao.</p><p>A ltima etapa do processo de institucionalizao intitula-se sedi-</p><p>mentao. Tolbert e Zucker (1999) a caracterizam como o mtodo que </p><p>fundamenta a continuidade histrica nas estruturas desenvolvidas nas </p><p>etapas anteriores. Esse processo torna as estruturas habituais e fazem-nas </p><p>se conservarem por um longo perodo de tempo.</p><p>Segundo Berger e Luckmann (1985), isso leva legitimao, que </p><p>explica a ordem institucional, outorgando validade cognoscitiva a seus </p><p>significados objetivados. Assim, ela no apenas diz ao indivduo porque </p><p>ele deve realizar uma ao e no outra; diz tambm porque as coisas so o </p><p>que so. Em outras palavras, o conhecimento precede os valores na </p><p>legitimao das instituies.</p><p>Definido como o processo em que as organizaes tendem simi-</p><p>laridade, o isomorfismo apresenta-se como a explicao de determinadas </p><p>mudanas organizacionais, elucidando o porqu de as mutaes serem dire-</p><p>cionadas cada vez menos pela competio ou eficincia. DiMaggio e Powell </p><p>(1983) afirmam que os campos organizacionais em suas gneses apresentam </p><p>uma variabilidade de organizaes maior, mas que com a passagem do tempo </p><p>nota-se um grau cada vez maior de homogeneidade:</p></li><li><p>O COntextO AmbientAl e As mudAnAs OrgAnizACiOnAis nO setOr de C&amp;t AgrCOlA dO PArAn</p><p>119desenvolvimento em Questo</p><p>As organizaes no competem somente por recursos e clientes, mas por </p><p>poder poltico e legitimao institucional, por adequao social, assim </p><p>como por adequao econmica. O conceito de isomorfismo institucional </p><p>constitui uma ferramenta til para se compreender a poltica e o cerimo-</p><p>nial que permeiam parte considervel da vida organizacional moderna </p><p>(Dimaggio; Powell, 2005, p. 77).</p><p>Apresentam-se ento trs tipos de isomorfismo: coercitivo, mimtico e </p><p>normativo. DiMaggio e Powell (2005) esclarecem que o isomorfismo coerci-</p><p>tivo causado por presses formais e informais desempenhadas por diversos </p><p>atores. Para exemplificar este tipo de isomorfismo, os autores citam o caso </p><p>de alguns produtores que devem adquirir determinadas tecnologias para se </p><p>adequarem s normas governamentais e ficarem livres de punies.</p><p>Para estes autores (2005), o isomorfismo mimtico caracterizado por </p><p>um ambiente incerto, fazendo com que algumas organizaes tomem outras </p><p>como exemplo. Aquelas organizaes que aparentam ser mais legtimas </p><p>no campo organizacional so admitidas como modelo. Os autores afirmam </p><p>ainda que [...] quanto mais ampla a populao de pessoas empregadas ou a </p><p>quantidade de clientes servidos por uma organizao, maior a presso sentida </p><p>pela organizao para oferecer os programas e servios oferecidos por outras </p><p>organizaes (2005, p. 79).</p><p>As presses normativas so caracterizadas como o terceiro fator de </p><p>similitude nas organizaes. DiMaggio e Powell (2005) explanam a estreita </p><p>relao deste fator com a profissionalizao dos membros: a partir do mo-</p><p>mento em que se definem processos semelhantes para manejar a produo, </p><p>determinadas categorias de profissionais disseminam esses processos por </p><p>diversas organizaes. Sobre isso, observam:</p><p>Na medida em que gerentes e funcionrios-chave so escolhidos nas </p><p>mesmas universidades e selecionados a partir de um grupo comum de </p><p>atributos, eles tendero a enxergar os problemas da mesma maneira, a </p></li><li><p>gustavo matarazzo rezende elisa Yoshie ichikawa</p><p>120 Ano 9 n. 18 jul./dez. 2011</p><p>considerar como normativamente sancionados e legitimados os mesmos procedimentos, estruturas e polticas, e tomaro decises de maneira similar (2005, p. 80).</p><p>Com essa explanao possvel, por fim, entender determinadas </p><p>mudanas nas organizaes, e como elas se tornam institucionalizadas. A </p><p>Teoria Neoinstitucional ajuda a elucidar as variadas formas com que os </p><p>atores exercem determinadas presses e como isso influencia a mudana </p><p>organizacional.</p><p>Procedimentos metodolgicos</p><p>Este artigo fruto de um projeto de iniciao cientfica. Por ser uma </p><p>pesquisa exploratria, para a coleta de dados foi realizado o levantamento </p><p>de informaes sobre as polticas instaladas nas organizaes de pesquisa </p><p>agrcola no Brasil, e principalmente no Paran, entre 1980 e 2007. Nessa </p><p>fase o objetivo foi compreender o campo em que as organizaes de C&amp;T </p><p>agrcola esto inseridas.</p><p>Embora haja inmeras fontes bibliogrficas, Lima (2008) chama a </p><p>ateno para o fato de que necessrio que o pesquisador tenha critrios </p><p>para que possa utilizar

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