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  • Israel Jorge

    DESENVOLTURAS EMPREENDEDORAS NA ECONOMIA CRIATIVA: CASOS EM PORTUGAL E NO BRASIL COMO POTENCIAL AO DESENVOLVIMENTO DE TERRITÓRIOS URBANOS

    COM CARÊNCIAS SOCIOECONÔMICAS

    2015

  • Israel Alves Jorge de Souza

    Desenvolturas empreendedoras na

    economia criativa: Casos em Portugal e no Brasil como potencial ao

    desenvolvimento de territórios urbanos

    com carências socioeconômicas

    Dissertação de Mestrado em Intervenção Social, Inovação e

    Empreendedorismo, apresentada à Faculdade de Economia

    da Universidade de Coimbra para obtenção do grau de

    Mestre.

    Orientadora: Prof. Doutora Silvia Ferreira

    Coimbra, 2015

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    Para Silaine.

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    AGRADECIMENTOS

    A Deus, por mais esta bênção e pela proteção;

    À minha esposa Silaine, por me acompanhar na realização deste sonho;

    À Prof. Doutora Silvia Ferreira, pela competente orientação;

    Ao Sebrae Nacional, pela oportunidade e pelo apoio;

    Ao Gerente e amigo André Spínola, pelo incentivo e por abrir as portas.

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    Portugal nunca bastou a Portugal. [...] Partimos porque não podemos ficar, voltamos porque nunca partimos. Há sempre uma distância entre nós e nós, e daí vem o melhor do que temos sido, as várias vidas da poesia, além da falada. É por isso que nenhum português podia ter escrito “Chega de Saudade” [...]. Não damos ordens à tristeza ou a tristeza não nos obedece. O fado é uma forma de dizer como a tristeza não nos obedece. A tristeza obedece ao Brasil, e isso é chorinho, é um samba de Paulinho da Viola, a bossa-nova de Tom Jobim. O Brasil cria dominando a tristeza: “Chega de Saudade”. Portugal precisa que a saudade não acabe.

    Alexandra Lucas Coelho, “Vai, Brasil”

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    RESUMO

    A partir do estudo de um empreendimento do setor cultural e artístico de Portugal e outro do Brasil, ambos situados em territórios urbanos com carências socioeconômicas, pretendeu-se identificar a amplitude conceitual e potencial da economia criativa como fator contribuinte para o desenvolvimento de territórios com esse perfil. Supunha-se, nesse sentido, que tal potencial da economia criativa para o desenvolvimento dependeria de uma abordagem “adaptada” de seu conceito e que esse próprio conceito poderia, afinal, ser melhor compreendido mediante a análise dessa “adaptação”. Dados os contextos muito distintos de cada país, não se tratou propriamente de uma análise comparada e sim de um paralelo, buscando-se afinal convergências e divergências entre um empreendimento localizado numa área urbana degradada de Lisboa e outro numa favela do Rio de Janeiro, ambos no contexto de programas públicos associados à economia criativa e voltados ao desenvolvimento territorial. No processo de seleção dos casos se verificou que esses programas, apesar de singulares nessa tentativa de associação entre as dimensões econômica, cultural e social, acabavam por não abarcar empreendimentos com forte viés de negócio. E em paralelo, no âmbito teórico, foram analisadas resistências à integração entre essas dimensões e verificadas as relações entre desenvolvimento territorial, empreendedorismo, inclusão produtiva e progressão social. Foram analisadas também as correlatas intersecções trazidas com as iniciativas de empreendedorismo social e principalmente com o desenvolvimento e com o alargamento do conceito de negócio social. Nesse contexto, o estudo dos casos selecionados (em seus aspectos positivos e negativos) passou a indicar uma amplitude socioeconômica da economia criativa como potencial para o desenvolvimento que foi igualmente verificada no trabalho teórico, num afastamento tanto do viés puramente econômico quanto do viés puramente social e cultural. Evidenciou-se, assim, que na verdade não se tratava de adaptação do conceito à realidade dos territórios urbanos com carências socioeconômicas, e sim de vislumbres de uma nova delimitação da economia criativa. Contextualizando-a em seu desenvolvimento teórico-prático, destacando-se sua relação com as indústrias culturais e associando-a às noções de ciência cultural, elaborou-se afinal uma proposta conceitual vinculada ao conhecimento e focada num resgate da centralidade da cultura, que acaba por se projetar em termos sociais na própria oferta de serviços e produtos relacionados e na agregação de valor social a eles. Em outras palavras, uma transferência analítica de peculiaridades das desenvolturas empreendedoras analisadas à compreensão da economia criativa e de sua relação com o desenvolvimento territorial.

    Palavras-chave: economia criativa, empreendedorismo, desenvolvimento territorial, favelas, áreas urbanas degradadas.

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    ABSTRACT

    Based on the study of a cultural and artistic organization in Portugal and another one in Brazil, both located in urban territories with socio-economic needs, the aim of this dissertation was to identify the creative economy conceptual and potential ampleness as a contributing factor for the development of these territories. It was assumed in this sense that the potential for development of the creative economy depends on an “adapted” approach to the concept, and that concept itself could be better understood by analyzing this “adaptation”. Given the very different contexts of each country this was not exactly a comparative analysis, but a parallel to identify convergences and divergences between an organization located in a Lisbon degraded urban area and another one in a Rio de Janeiro favela. Both organizations were set in the context of public programs associated with the creative economy and aimed at territorial development. In the selection of cases it was found that these were not organizations with strong business bias, although the programs were unique in trying to associate the economic, cultural and social dimensions. In the theoretical sphere the resistance for integration between these dimensions and the relationship between territorial development, entrepreneurship, productive inclusion and social progression were analyzed. The related intersections that came with social entrepreneurship and especially with the development and enlargement of the concept of social business were analyzed too. In this context, the study of the selected cases (in its positive and negative aspects) started to indicate the socioeconomic ampleness of the creative economy as a potential for development. This ampleness was also seen in the theoretical work, in a rejection both of the purely economic bias and of the purely social and cultural bias. It became evident, therefore, that it was not an adaption of the concept to the reality of urban territories with socio-economic needs, but glimpses of a new creative economy delimitation. Contextualizing it in its theoretical and practical development, highlighting its relationship with the cultural industries and linking it to cultural science notions, a conceptual proposal was elaborated. This proposal is linked to knowledge and focused on a recovery of the centrality of culture. This recovery projects itself in social terms in the supply of related services and products and in the adition of social value. In other words, an analytical transfer of the analyzed entrepreneurial peculiarities is made to understanding the creative economy and its relation to territorial development.

    Keywords: creative economy, entrepreneurship, territorial development, slums, degraded urban areas.

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    LISTA DE SIGLAS E ACRÔNIMOS

    AIS – Avaliação de Impactos Sociais

    BIP/ZIP – Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária

    CIC - Community Interest Companies

    CML – Câmara Municipal de Lisboa

    CNM – Confederação Nacional dos Municípios

    CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica

    FUNARTE – Fundação Nacional de Artes

    GABIP – Gabinete de Apoio ao Bairro de Intervenção Prioritária

    IAIA – International Association for Impact Assessment

    IAPC – Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários

    IAPMEI – Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação

    IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

    INE – Instituto Nacional de Estatística

    IOD – Intervention sur l’Offre et la Demande

    L3C – Low-Profit Limited Liability Company

    LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil

    MEI – Microempreendedor Individual

    OSCIP - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público

    PDCM – Programa de Desenvolvimento Comunitário da Mouraria

    QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional

    Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas

    Sebrae/RJ – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Rio de Janeiro

    SERFHA – Ser