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Anais do XI Simpsio Brasileiro de Geografia Fsica Aplicada 05 a 09 de setembro de 2005 USP

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DESCRIO DO RELEVO NA BACIA HIDROGRFICA DO ARROIO SO JOO, NOVA ESPERANA DO SUL - RS

Guilherme Lul da ROCHA 1 Luis Eduardo de Souza ROBAINA 2

Vincius Duarte GUARESCHI 3

RESUMO

O ambiente produto de diversas alteraes humanas, as quais so fruto do grau de tecnificao e modos de produo de uma sociedade. Logo, o homem se apropria dos espaos e os altera, trazendo consigo a deteriorao ambiental. Ao estudarmos a superfcie atravs da anlise do relevo e rede de drenagem, temos um grande instrumento de obteno de dados, j que isto nos possibilita a extrao de informaes quantitativas. Desta forma, alm de tomarmos uma srie de parmetros, bem como seus conjuntos de valores especficos e particulares, tambm levamos em conta uma descrio da rea, mostrando suas principais caractersticas. Por conta disto, este tipo de constatao nos conduz a planejar de forma adequada reas particulares a certos modos de uso e ocupao humana, de modo que se possa tirar proveito no degradando o ambiente e, tambm, buscar alternativas com objetivos de atenuar a deteriorao da paisagem. A anlise da rea foi baseada na carta topogrfica Nova Esperana SH-21-X-D-II-3, elaborada pela Diretoria de Servios Geogrficos DSG, do Ministrio do Exrcito. A confeco dos mapas interpretativos foi realizada a partir dos softwares Spring 4.1 e Corel Draw 11. A rea de estudo foi limitada atravs do carter da bacia hidrogrfica do Arroio So Joo, inserida entre as coordenadas geogrficas 544543 a 5451'00" de longitude oeste em relao ao Meridiano de Greenwich e, 292328 a 29 2805 de latitude sul em relao linha do Equador. Localiza-se no municpio de Nova Esperana do Sul, oeste do estado do Rio Grande do Sul e possui uma rea de 2603,6 ha. O Arroio So Joo estende-se de noroeste do municpio de Nova Esperana, indo a sudeste, at desaguar no Rio Jaguarizinho. Definiram-se oito classes de altitudes baseadas na frmula de Sturges. Para a elaborao do mapa de declividade utilizaram-se os limites de classe, 15%, sendo predominante as inclinaes de 5 - 15%. Prevalecem vertentes curtas de 149 a 500 metros e as suas amplitudes apresentam-se na maioria entre 20 e 40 metros, com algumas excees, superiores a 100 metros no caso de morros isolados. A bacia hidrogrfica de quarta ordem, contendo 47 canais, os quais perfazem um comprimento total de 50.715 metros. Sua densidade de drenagem de 19,48 m/ha e apresentando magnitude 35. A bacia, com forma alongada, ndice kf = 0,14, est sobre dois compartimentos geomorfolgicos, o Planalto Sul-Rio-Grandense e, a Depresso Perifrica. O Planalto situa-se montante da bacia, em sua poro noroeste, caracterizando-se por apresentar um relevo de colinas, remanescentes de rochas vulcnicas da formao Serra Geral. No mdio curso, h o rebordo deste planalto, havendo declividades bem acentuadas, com algumas escarpas e morros testemunhos. J jusante, em sua poro sudeste, est a Depresso Perifrica, possuindo suaves colinas e uma grande plancie, onde assentam-se rochas sedimentares da Bacia do Paran. O estudo do relevo e da rede de drenagem apresenta-se como instrumento bsico para o planejamento do uso e anlise ambientais. A inter-relao com o substrato rochoso e estruturas geolgicas permitem interpretaes quanto permeabilidade dos terrenos, dinmica das vertentes e capacidade de uso.

1 Universidade Federal de Santa Maria, Acadmico de Geografia, guilerocha@yahoo.com.br. 2 Universidade Federal de Santa Maria, Professor Doutor, lesro@base.ufsm.br. 3 Universidade Federal de Santa Maria, Acadmico de Geografia, vguareschi@mail.ufsm.br.

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INTRODUO

A falta de conscincia ambiental aliada a incontrolvel ganncia do homem causaram tal degradao ao meio ambiente que atualmente seus impactos j assumem propores planetrias. Portanto, tornou-se inegvel que o atual comportamento ambiental um grande perigo a vida humana. A partir do momento em que o homem impe o uso e a explorao inadequada do espao, intensifica as transformaes que ocorrem nos processos naturais como solos e rede de drenagem.

Neste contexto, a pesquisa ambiental uma poderosa ferramenta de analise das sociedades humanas com os seus modos de produo, os modos como se apropriam dos recursos naturais e como tratam a natureza.

Christofoletti et al (1993), diz que os processos de desenvolvimento e ocupao do espao pela atividade humana tem desencadeado uma necessidade crescente de estudos de elementos da paisagem que subsidiem a elaborao de planos ordenadores na relao homem/natureza, a fim de ser minimizada a degradao ambiental.

O estudo do relevo e da rede hidrogrfica so a base para a caracterizao ambiental. O objetivo deste trabalho a partir da analise morfomtrica identificar as diferentes formas de relevo na bacia hidrogrfica do Arroio So Joo possibilitando a caracterizao das vertentes e da rede de drenagem. Conforme Botelho (1995), a escolha de bacias hidrogrficas como unidade de estudo, permite ter uma viso integrada dos processos atuantes, sendo a mesma delimitada pela prpria natureza e no imposta pelo homem, a menos que o mesmo modifique algum parmetro natural.

A rea de estudo posiciona-se na poro oeste do Rio Grande do Sul, delimitada pelos paralelos 29 23' 28" a 29 28' 5" de latitude sul e meridianos de 54 51' 00" a 54 45' 43" de longitude oeste. A bacia possui 2603 ha de rea e est localizada administrativamente no municpio de Nova Esperana do Sul (figura 1).

CARACTERIZAO GERAL DA REA DE ESTUDO

A bacia hidrogrfica do Arroio So Joo, segundo Mller Filho (1970), insere-se em trs compartimentos geomorfolgicos, sendo-os a Depresso Perifrica do Rio Grande do Sul, o Rebordo do Planalto e, o prprio Planalto Sul-Riograndense.

A Depresso Perifrica situa-se jusante da bacia, compreendendo toda a litologia sedimentar da grande Bacia do Paran e caracteriza-se por apresentar as menores declividades, ou melhor, uma grande rea aplainada, com suaves colinas, as ditas coxilhas.

O Planalto, localizado do mdio curso montante da bacia, oriundo dos sucessivos derrames fissurais ocorridos na Bacia do Paran, sendo ento, formado por rochas efusivas, possui o relevo levemente ondulado. Esse terreno ondulado ou em forma de colinas mais abruptas, denotam as camadas que mais resistem aos processos morfoclimticos.

O Rebordo do Planalto, rea de transio entre a Depresso Perifrica e Planalto, est do mdio curso jusante e estabelece as maiores declividades da bacia, consistindo-se de terrenos bastante ngremes e vales bem escavados. Da mesma forma que o Planalto, predominam as rochas vulcnicas, entretanto, estas j aparecem associadas rochas sedimentares, principalmente, no que podemos dizer, arenitos intertrapps, ou seja, arenitos entre camadas baslticas.

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Figura 1: Localizao da rea de estudo

As rochas que prevalecem na bacia, conforme infere-se de Maciel Filho, Menegotto e Sartori (1971), so essencialmente vulcnicas, da Formao Serra Geral. As rochas desta formao foram originadas pelos ditos derrames fissurais que ocorreram em todo o sul do Brasil, recobrindo a regio por inmeras camadas. Na bacia, as rochas desta formao, os basaltos, j esto associados arenitos da Formao Botucatu.

A Formao Botucatu composta por arenitos de origem elica, de gro bem selecionados e dispostos em estratos cruzados. Tais arenitos, por vezes aparecem muito bem silicificados, sendo constituintes de algumas escarpas.

Em termos de vegetao, segundo Marchiori (2004), pode-se ressaltar que ela est substancialmente alterada, estando em quase toda a extenso da rea, atingida pelo uso e ocupao humana.

Havia, basicamente, dois tipos de vegetao principais, sendo os campos e matas, onde a primeira baseava-se em alguns locais do planalto e na depresso e, a ltima, em toda a rea de encostas e beira de cursos dgua, estando a maior mancha, no rebordo do planalto.

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Pode-se dizer que quase toda a rea campestre j foi modificada, seja por plantaes ou pastagens. As reas de mata, por estarem beira dos cursos dgua e nas altas declividades ainda remanescem, contudo, vastas rea j foram derrubadas para o aumento do espao agrcola.

Nova Esperana do Sul, emancipou-se de Jaguari em 1988 e desde j, sua economia tem como sustentculo a agropecuria, principalmente em culturas de arroz, soja, dentre outros cereais em pequena escala, aliada a cultura bovina, esta que est em menores hoje em dia. A estrutura fundiria da regio de domnio de propriedades mdias a pequenas.

A soja cultivada nas reas de planalto, assim como as novas tendncias agrcolas do Brasil, cada espao aproveitado ao mximo, ou melhor, estas culturas avanam ao mximo em todas as direes, seja aos cursos dgua e ao stio urbano, bem como s encostas, ameaando a fragilidade ambiental. J o arroz, essencialmente, cultivado nas reas da depresso, onde esto os depsitos aluvionares e uma maior facilidade na obteno de gua para a irrigao deste cultivo. Nas demais reas h outras culturas, principalmente ao sustento familiar e tambm, culturas bovinas.

Outro setor de grande destaque para a economia da regio a indstria coureiro-caladista. importante notar que todo o couro que abastece o curtume proveniente de vrios lugares, principalmente oeste e sudoeste do estado. Este setor utiliza a mo-de-obra de boa parcela da populao do municpio, como tambm, propicia a existncia de vrias empresas menores ligadas matria-prima couro.

MTODOS e TCNICAS

Para a realizao deste trabalho, foi necessrio um embasamento terico referido na bibliografia bem como o ensino e orientao obtidos no Laboratrio de Geologia Ambiental.

O mtodo utilizado neste trabalho o indutivo, o qual tem por objeto de estudo o espao geogrfico local. Assim, como o trabalho tratar-se- sobre microbacia hidogrfica, numa escala local, tal pressuposto pode ser generalizado posteriormente, ou seja, partir do local para o geral.

A abordagem geogrfica na pesquisa ambiental representada atravs de mapas, cartogramas, grficos, tabelas que, produzidos a partir da utilizao e interpretao de dados numricos (estatsticos), fornecem informaes scio-economicas, bem como dados obtidos por sensores e levantamento de campo, de onde extraem informaes da natureza e tambm da sociedade. Essas informaes podem ser trabalhadas tanto pelos processos informatizados (Geoprocessamento e Sistemas de Informaes Geogrficas SIG), ou pelos processos convencionais da cartografia temtica e da estatstica de dados geogrficos(ROSS).

Assim, foi utilizada a carta topogrfica elaborada pela Diretoria de Servios Geograficos do Exercito (DSG) para a obteno dos dados topogrficos, hidrgraficos ou melhor, servindo de mapa base para a posterior elaborao dos demais mapas. Tambm utilizou-se imagens de satelites Landsat 7 e CBERS 2 para auxilio na interpretao do relevo.

Para a digitalizao da carta topogrfica, georreferenciamento e gerao dos mapas de declividades, hipsomtrico e drenagem, utilizou-se o aplicativo Spring 4.1. Para a delimitao da declividade utilizou-se as classes: menor que 2%; entre 2% e 5%; de 5% a 15% e superior a 15%, com base nos parmetros do IPT(1981). Nos demais mapas, as classes foram agrupadas com base em Sturges (1926). Para a edio e layout finais, utilizou-se dos programas Corel Draw 11 e Adobe Illustrator 10.

Para a identificao e medida das formas de relevo, baseou-se na interpolao dos dados obtidos nos estudos da rede de drenagem, hipsometria , declividade, comprimento de rampa e amplitude das vertentes.

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RESULTADOS

Analise dos Parmetros Morfomtricos

Rede de Drenagem

Christofoletti (1980), destaca a importncia de estudos relacionados rede de drenagem de uma bacia hidrogrfica, que sempre foram importantes para a geomorfologia pois os cursos dgua constituem um dos processos morfogenticos mais ativos na formao da paisagem terrestre.

A Bacia Hidrografia do Arroio So Joo apresenta uma hierarquia fluvial de quarta ordem, com 2603 ha de rea e perimetro de 29.5km e um comprimento total das drenagens de 50.715m. uma bacia alongada e estreita disposta no sentido NW-SE, cujo o comprimento de 11.5 km e a largura mxima de 3.5km, com fator forma de 0,22 e ndice de circularidade de 0,11, o que comprova sua tendncia ao alongamento sendo pouco sujeita a enchentes (figura 2).

Figura 2: Mapa de drenagem

A densidade de drenagem de 19,48m/h representando uma bacia muita bem drenada, enquanto a densidade de rios de 0,18 o que indica a capacidade de gerar novos cursos dagua. O padro de drenagens edo tipo dentrtico- retangular, indicando o controle das estruturas geolgicas. Os canais de primeira ordem so 35 e medem aproximadamente 31980,3m, os de segunda 9 e medem 7017,4m, os de terceira 2 medindo 5229,2m, e o de

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quarta 1 que mede 6488m totalizando 47 canais, com aproximadamente 50715,8m de comprimento.

O canal principal mede 13924,7m, apresentando sucessivas inflexes, as quais provavelmente esto relacionada a falhamentos. Estas inflexes direcionam o canal principal no sentido geral NO-SE,ocorrendo em forma de (escada) onde uma das mais significativas localiza-se no centro da bacia acima do rebordo do planalto orientando a drenagem aproximadamente no sentido oeste para leste, retornando em seguida para a orientaao de origem. Em seguida uma nova inflexo direciona a drenagem praticamente no sentido Norte-Sul. A diante em uma nova inflexo o canal principal adquire a mesma orientao inicial, ou seja NO-SE para logo em seguida no seu ltimo trecho antes de desaguar no Rio Jaguarizinho orientar-se no sentido Norte-Sul.

CARACTERSTICAS DO RELEVO

Altitudes

A bacia hidrogrfica do Arroio So Joo apresenta a menor cota altimtrica no nvel de 90m e a maior de 410m, possuindo uma amplitude altimtrica de 320m. No mapa hipsomtrico as altitudes esto classificadas em oito classes; de 90m a 130m, de 130m a 170m, de 170m a 210m, de 210m a 250m, de 250m a 290m, de 290m a 330m, de 330m a 370m, de 370m a 410m. De acordo com o comportamento relevo, definiu-se quatro classes de altitudes (figura 3). A primeira localiza-se prximo a jusante, abaixo do redordo com altitudes entre 90m a 120m, ocupando uma rea de 12,3% da rea da bacia. A segunda localiza-se no centro da bacia caracterizando o rebordo do planalto com altitudes entre 120m a 260 ocupando 25,1% da bacia. A terceira classe est acima do rebordo com altitudes entre 260m a 300m ocupando 24,7%. A ltima classe est localizada montante da bacia com altitudes entre 300m a 410m sendo a classe que predomina ocupando 38% da rea total da bacia.

Declividade

Foram determinadas quatro classes de declividade , menor que 2%; entre 2% e 5%; de 5% a 15% e superior a 15% (figura 4). Observa-se que mais de 42% da rea da bacia apresenta declividade entre 5-15%, o que indica que grande parte das vertentes esta sujeita a processos morfodinmicos associados a eroso, requerendo cuidados adequados quanto ao uso e ocupao da terra.

Villela & Mattos(1973) apud Trentin (2004), afirmam que a declividade de uma bacia hidrogrfica tem importncia fundamental na velocidade de escoamento superficial e portanto, com fortes implicaes no processo de eroso dos solos.

A distribuio das declividades das vertentes indica os declives 15% ocupam 27,06% da rea total da bacia e est presente nas duas bordas proximos a jusante estendendo-se at o centro da bacia, caracterizando o rebordo do planalto. Est geralmente associada as nascentes dos cursos dgua, formando vales encaixados.

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Figura 3: Mapa hipsomtrico

Comprimento de Rampa

O comprimento de rampa das vertentes definido como sendo a distncia horizontal entre a crista e o talvegue de uma vertente, apresentando relativa importncia na medida que este ir indicar a distncia a ser percorrida pelas guas precipitadas em um determinada vertente at chegar aos cursos dgua. Ir incidir diretamente na quantidade de gua que ir infiltrar ou escoar superficialmente.

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Figura 4: Mapa de declividades

Os comprimentos de rampa acima de 500m localizados em trs pores da bacia. Primeiramente na jusante onde as cotas altimetricas so pequenas e as declividades inferiores 5%, predominam rampas suaves com comprimentos em torno de 750m. A segunda est no rebordo do planalto onde as declividades so acentuadas e as amplitudes altimetricas so elevadas, mas devido ao grande mumero de morros testemunhos a rea apresenta os maiores comprimento de rampa. Na terceira poro da bacia na borda leste no divisor de gua h presena de laguns morros testemunhos isolados apresentando comprimentos de rampa acima de 500m (tabela 1).

Amplitude das Vertentes

Christofoletti (1979), indica que o estudo das vertentes representa um dos mais importantes setores da geomorfologia, englobando a anlise de processos e formas. J Guerra (1993), define vertentes como sendo um plano de declividade por onde escoam as guas pluviais, variando das cristas e interflvios, enquadrando um vale.

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Tabela 1. Classe por comprimento de rampa.

N de Classe Limite Inferior Limite Superior Freqncia 1 149m 298m 15 2 298m 447m 11 3 447m 596m 12 4 596m 745m 5 5 745m 894m 2 6 894m 1043m 1 Total 46

As amplitudes das vertentes apresentam-se na maioria entre 20 e 40 metros, ocorrendo alguns morros isolados com amplitudes superiores a 100 metros. As maiores amplitudes esto localizadas nas reas ocupadas pelo rebordo do planalto onde chegam a variar de 120m te 330m, delimitando uma rea com declividade superior 15%. As menores amplitudes asto jusante e no centro acima do rebordo em direo montante.

CONSIDERAES FINAIS

O estudo Geogrfico de uma regio estaria incompleto sem o estudo do relevo, visto que, este o fator condicionante para inmeros outros elementos da paisagem tais como a vegetao e a hidrografia, alm disso, fator determinante para inmeras atividades econmicas ligadas a explorao de recursos naturais.

A anlise morfomtrica em uma bacia hidrogrfica vem contribuir para a compreenso do sistema de drenagem e do relevo, atravs de parmetros, os quais consistem em levantamentos de ndices, relaes e valores numricos. Estes parmetros vm a definir a natureza dos sistemas, permitindo uma anlise integrada de dados, estabelecendo relao entre os processos e a morfologia resultante, afim de um planejamento ambiental adequado.

A Bacia Hidrografica do Arroio So Joo alongada e estreita sendo pouco sujeita a enchentes, muito bem drenada, com grande capacidade de gerar novos cursos dagua. Apresenta padro de drenagem do tipo dentrtico-retangular, indicando o forte controle estrutural geolgico, o qual impe vrias direes ao canal principal.

As altitudes mais significativas esto localizadas montante da bacia onde as altitudes variam entre 300m a 410m, intervalo que prevalece na bacia, enquanto as declividades predominantes so de 5 a 15%, estando distribudas uniformemente na bacia. As amplitudes das vertentes apresentam-se na maioria entre 20 e 40 metros, ocorrendo alguns morros isolados com amplitudes superiores a 100 metros. Os comprimentos de rampa mais encontrados so inferiores a 500m.

De modo geral, aps interrelacionar as informaes do relevo e da rede hidrogrfica, pode-se chegar uma analogia entre o meio natural e homem, sedo que a bacia pode ser dividida em trs setores.

O primeiro setor, na jusante, faz-se parte da Depreso Perifrica, com inclinaes suaves e inferiores a 2%, com suas pequenas altitudes e alongados comprimentos de rampa, praticamente que aplainados, propiciando, de modo essencial, a horizicultura. Quanto ao uso excessivo, deve-se tomar precauo em relao ao esgotamento dos solos e assoremento dos cursos dgua.

O segundo setor situa-se no Rebordo do Planalto, com fortes e abruptas inclinaes, sempre superiores a 15%, comprimentos de rampa das vertentes curtos e amplitudes

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elevadas. Est rea apresenta grande fragilidade, no sendo propicia para cultivos e tampouco, uso de mecanizao agrcola. A ainda remanesce a pouca vegetao slvica, sendo, portanto, uma rea que deve-se zelar e preservar integralmente. Quanto ocupao humana, pode-se dizer que a rea apresenta certos riscos geolgicos, no sendo, portanto, o local mais adequado a tal.

O terceiro setor localiza-se no Planalto, com declividades variadas e pequenos comprimentos de rampa das vertentes e moderadas amplitudes, apresentando poucas restries e as menores fragilidades quanto ao uso e ocupao, embora deva-se faz-lo racionalmente, principalmente de modo a preservar nascentes e matas galerias. Certamente, por ser a rea mais favoravel, j a mais ocupada e atingida pela mo humana.

Como pde-se observar, os fatores naturais, de certo modo, levaram uma interveno humana relativamente plausvel s fragilidades de cada ambiente da bacia. Assim, como disse Trentin (2004), pode-se ressaltar que a geografia tem procurado analisar as interaes entre a sociedade e meio, com a finalidade de estabelecer o condicionamento do meio frente intensificao do uso dos recursos naturais pela sociedade, o que acaba gerando fortes transformaes no meio-ambiente, os quais podem comprometer o desenvolvimento das geraes futuras.

REFERNCIAS

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