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medicina

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  • 117VOL. 27, N.o 1 JANEIRO/JUNHO 2009

    Legislao

    di

    reito

    da s

    ade

    Esta rubrica da responsabilidade de:Alexandra Pagar de Campos, assessorajurdica, do Gabinete Jurdico da ENSP/UNL.Paula Lobato de Faria, professora associadade Direito da Sade e Biodireito da EscolaNacional de Sade Pblica da UniversidadeNova de Lisboa (ENSP-UNL).

    O novo Cdigo Deontolgicoda Ordem dos Mdicos

    Pela importncia de que se reveste, estesemestre de destacar a publicao doCdigo Deontolgico da Ordem dosMdicos (Regulamento n.o 14/2009, daOrdem dos Mdicos, Dirio da Repblican.o 8, II Srie, de 11 de Janeiro de 2009),o qual transcrevemos na ntegra:

    PREMBULO

    Um Cdigo Deontolgico destinado a mdicos um conjunto de normas de comportamento,cuja prtica no s recomendvel como deveservir de orientao nos diferentes aspectos darelao humana que se estabelece no decursodo exerccio profissional.Nele se contm sempre dois tipos de normas:um primeiro, que diz respeito aos princpiosticos fundamentais, que so imutveis nostempos e nos lugares, encontrando-se fora eacima de conceitos ideolgicos ou polticos; so

    exemplos bem marcantes o respeito pela vidahumana e pela sua dignidade essencial, o deverda no-discriminao, a proteco dos diminu-dos e dos mais fracos, o dever de segredomdico, o dever de solidariedade e o dever deentreajuda e respeito entre profissionais, bemcomo o de contribuir para o progresso da medi-cina. So igualmente exemplos as normas queresultem directamente da aplicao de princ-pios ticos fundamentais como o princpio dabeneficncia, da no maleficncia, da autono-mia e da justia.Existe um segundo tipo de normas, que sepodem designar parcialmente por acidentais,que, embora teis e mesmo necessrias, podemvariar no tempo e no lugar. Entre elas encontra-mos como exemplos a publicidade mdica e oshonorrios, as relaes com as administraespblicas, o exerccio da Medicina em institui-es de sade ou as relaes tcnicas comoutros profissionais. So normas que derivamdos usos e costumes, bem como da cultura pr-pria das comunidades onde se originam.Alm destes dois tipos de normas podem existirnovos factos que o progresso das cinciasobriga a tomar em considerao sob um pontode vista tico. A interveno gentica, de que omodelo mais falado foi a clonagem; os novosconceitos de avaliao da morte; e o desenvol-vimento das possibilidades e das tcnicas detransplantao so, entre outros, novos proble-mas que necessrio introduzir num CdigoDeontolgico.Igualmente alguns princpios, como o da defesaintransigente da vida, que imprescindvel

    manter, devem ser abordados luz da reflexotica e cientfica, atento o facto incontornvelde no haver uma posio unnimesobre o momento do seu incio. Assume assim,nesta matria, uma importncia particular areflexo tica do mdico luz das suas convic-es, dos conhecimentos cientficos maisactuais e dos valores em presena.Em todas as circunstncias, as condutas que oCdigo postula esto condicionadas pela infor-mao cientfica disponvel, pelas recomenda-es da Ordem e pelo princpio tico geral daprudncia, sem prejuzo do direito objecode conscincia, inclusive em relao legisla-o em vigor.Um Cdigo Deontolgico , afinal, tal como atica Mdica que lhe d origem, algo em per-manente evoluo, actualizao e adaptao realidade. Por outro lado, inscrevendo-se oscdigos deontolgicos profissionais no acervojurdico de uma determinada sociedade, e reti-rando a sua fora vinculativa da autoregulaooutorgada organizao que o adoptou, inte-gram-se no quadro legislativo geral.Sem prejuzo de os tribunais, por aplicao daLei, poderem tornar ineficazes as decises dis-ciplinares que resultam da sua aplicao, nopode o Cdigo Deontolgico deixar de reflectira tica Mdica e s esta.Se aos mdicos e s a estes compete adaptar ealterar o seu Cdigo Deontolgico, esto osmdicos vinculados a dar testemunho de princ-pios ticos universais que estruturam e tornamsignificante a sua cultura e a sua existnciacomo profisso.

    Direito da sade

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    Legislao

    REVISTA PORTUGUESA DE SADE PBLICA

    No texto normativo que se apresenta a seguirquiseram manter-se bem claras as regras deon-tolgicas fundamentais; procuraram actualizar-se aspectos relacionados com os conhecimentosactuais da cincia mdica; tenta-se uma maiorsimplificao, aliviando o texto de refernciasexaustivas de regras que esto consagradas nalegislao.Assim, em cumprimento do estabelecido na al-nea a) do artigo 6.o e ao abrigo das disposiesconjugadas da alnea b) do art.o 57.o, da alneaj) do artigo 64.o, com observncia do artigo 80.o,todos do Estatuto da Ordem dos Mdicos, apro-vado pelo Decreto-Lei n.o 282/77, de 5 de Julho,com as alteraes introduzidas pelos DecretosLei n.o 326/87, de 01 de Setembro e n.o 217/94,de 20 de Agosto foi aprovado o seguinte CdigoDeontolgico:

    TTULO IDISPOSIES GERAIS

    CAPTULO IPRINCPIOS GERAIS

    Artigo 1.o

    (Deontologia Mdica)

    A Deontologia Mdica o conjunto de regras denatureza tica que, com carcter de permannciae a necessria adequao histrica na sua formu-lao, o mdico deve observar e em que se deveinspirar no exerccio da sua actividade profissio-nal, traduzindo assim a evoluo do pensamentomdico ao longo da histria e tem a sua primeiraformulao no cdigo hipocrtico.

    Artigo 2.o

    (mbito)

    1. As disposies reguladoras da DeontologiaMdica so aplicveis a todos os mdicos noexerccio da sua profisso, independentementedo regime em que esta seja exercida.2. O disposto no nmero anterior no preju-dicado pelo facto de, num caso concreto, emface da legislao em vigor, no ser possvel asua aplicao ou sancionada a sua violao.3. Nas circunstncias do nmero anterior, asdisposies deste Cdigo mantm-se comcarcter indicativo tico, podendo ser alegadasdesignadamente para efeito de objeco deconscincia.

    Artigo 3.o

    (Independncia dos mdicos)

    1. O mdico, no exerccio da sua profisso, tcnica e deontologicamente independente eresponsvel pelos seus actos.

    2. Em caso algum o mdico pode ser subordi-nado orientao tcnica e deontolgica deestranhos profisso mdica no exerccio dasfunes clnicas.3. O disposto no nmero anterior no contra-ria a existncia de hierarquias tcnicas institu-cionais, legal ou contratualmente estabelecidas,no podendo, contudo, em nenhum caso, ummdico ser constrangido a praticar actos mdi-cos contra sua vontade, sem prejuzo do dis-posto no artigo 7.o e 41.o, nmero1.

    Artigo 4.o

    (Competncia exclusiva da Ordem dosMdicos)

    1. O reconhecimento da responsabilidade dosmdicos emergente de infraces DeontologiaMdica uma competncia disciplinar exclu-siva da Ordem.2. Quando as violaes Deontologia Mdicase verifiquem em relao a mdicos que exer-am a sua profisso vinculados a entidadespblicas, cooperativas sociais ou privadasdevem estas entidades limitar-se a comunicar Ordem as presumveis infraces.3. Se a factualidade das infraces deontol-gicas e tcnicas preencher tambm os pressu-postos de uma infraco disciplinar includa nacompetncia legal daquelas entidades, as res-pectivas competncias devem ser exercidasseparadamente.

    CAPTULO IIDEVERES DOS MDICOS

    Artigo 5.o(Princpio geral)

    1. O mdico deve exercer a sua profissocom o maior respeito pelo direito protecoda sade das pessoas e da comunidade.2. O mdico no deve considerar o exerccioda Medicina como uma actividade orientadapara fins lucrativos, sem prejuzo do seu direitoa uma justa remunerao.3. So condenveis todas as prticas no jus-tificadas pelo interesse do doente ou que pressu-ponham ou criem falsas necessidades de con-sumo.

    4. O mdico, no exerccio da sua profisso,deve igualmente, e na medida que tal noconflitue com o interesse do seu doente, prote-ger a sociedade, garantindo um exerccio cons-ciente, procurando a maior eficcia e efi-cincia na gesto rigorosa dos recursosexistentes.5. So ainda deveres dos mdicos todos aque-les referidos no Estatuto da Ordem dos Mdi-cos, nomeadamente no seu artigo 13.o.

    Artigo 6.o(Proibio de discriminao)

    O mdico deve prestar a sua actividade profis-sional sem qualquer forma de discriminao.

    Artigo 7.o

    (Situao de urgncia)

    O mdico deve, em qualquer lugar ou circuns-tncia, prestar tratamento de urgncia a pessoasque se encontrem em perigo imediato, indepen-dentemente da sua funo especfica ou da suaformao especializada.

    Artigo 8.o

    (Greve de mdicos)

    1. Os mdicos so titulares do direito consti-tucional e legalmente regulamentado de fazergreve.2. O exerccio de tal direito no pode, con-tudo, violar os princpios de DeontologiaMdica, devendo os mdicos assegurar os cui-dados inadiveis aos doentes.3. Devem ser sempre garantidos os serviosmnimos, que, caso no se obtenha outra defini-o, se entende como os disponibilizados aosdomingos e feriados.

    Artigo 9.o(Actualizao e preparao cientfica)

    O mdico deve cuidar da permanente actuali-zao da sua cultura cientfica e da sua prepa-rao tcnica, sendo dever tico fundamental oexerccio profissional diligente e tecnicamenteadequado s regras da arte mdica (legesartis).

    Artigo 10.o

    (Dignidade)

    Em todas as circunstncias deve o mdico tercomportamento pblico e profissional adequado dignidade da sua profisso, sem prejuzo dosseus direitos de cidadania e liberdade indivi-dual.

    CAPTULO IIIPUBLICIDADE

    Artigo 11.o

    (Princpio geral)

    Atenta a necessidade de credibilidade e de cor-respondncia com o n.o. 3 do artigo 5.o,na divulgao da sua actividade o mdicodeve abster-se de propaganda e de auto-promoo.

    Direito da sade

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    Legislao

    Artigo 12.o

    (Proibies)

    1. proibida ao mdico toda a espcie depublicidade que no seja meramente informati-va das condies de atendimento ao pblico eda sua competncia profissional, cujo ttuloesteja reconhecido pela Ordem.2. especialmente vedado aos mdicos:a) Promover, fomentar ou autorizar notcias

    referentes a medicamentos, mtodos dediagnstico ou de teraputica, a resultado