denílson - artigo- avaliação do proadi

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Artigo publicado na Revista Econômica do Nordeste - Edição Comemorativa de 40 anosResumo:Analisa os resultados do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (Proadi), no período 2003-2007. Inicialmente, resgata o papel do Estado na formulação das principais propostas de política e planejamento regional até 1980, para contrapor ao período posterior em que sua fragilidade deu origem às políticas localizadas de desenvolvimento como é o caso do Proadi. Em seguida, após breve apresentação da economia potiguar, faz a análise do programa, a partir das informações disponíveis, com o objetivo de verificar as principais atividades apoiadas, o impacto intra-estadual dos investimentos e os empregos gerados. Conclui que o Proadi pouco contribui para a diversificação industrial do estado, embora seja importante para a atração de investimentos.

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DOCUMENTOS TCNICO-CIENTFICOS

Avaliao do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (Proadi): 2003/2007RESUMOAnalisa os resultados do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (Proadi), no perodo 2003-2007. Inicialmente, resgata o papel do Estado na formulao das principais propostas de poltica e planejamento regional at 1980, para contrapor ao perodo posterior em que sua fragilidade deu origem s polticas localizadas de desenvolvimento como o caso do Proadi. Em seguida, aps breve apresentao da economia potiguar, faz a anlise do programa, a partir das informaes disponveis, com o objetivo de verificar as principais atividades apoiadas, o impacto intra-estadual dos investimentos e os empregos gerados. Conclui que o Proadi pouco contribui para a diversificao industrial do estado, embora seja importante para a atrao de investimentos.

Fernando Czar de Macedo Professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IEUNICAMP); Professor do Programa de PsGraduao em Desenvolvimento Econmico do IE-UNICAMP; Pesquisador do Centro de Estudos do Desenvolvimento Econmico (CEDE).

Denlson da Silva Arajo Professor do Departamento do Curso de Cincias Econmicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Doutor em Desenvolvimento Econmico no IE-UNICAMP .

PALAVRAS-CHAVE:Avaliao de Programas. Desenvolvimento Regional. Poltica Regional. Planejamento Regional. Proadi.

1 INTRODUOO objetivo deste texto apresentar os resultados do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial (Proadi) do governo do Estado do Rio Grande do Norte. Um alerta inicial faz-se necessrio: em decorrncia das dificuldades de obteno dos dados, a anlise centrou-se no perodo de 2003-2007, para o qual as informaes esto mais organizadas. Apesar deste corte temporal restrito, dado que o programa foi institudo em 1985 e reformulado em 1997, quando passou a funcionar mais efetivamente, possvel para aqueles que se interessem pelo assunto recorrer ao trabalho de Duarte (2001) para o perodo anterior. As informaes aqui trabalhadas foram levantadas junto Coordenadoria de Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (Codit). O recorte regional so as microrregies do IBGE com uma pequena adaptao. Agregaram-se as de Natal e Macaba sob a denominao de Regio Metropolitana de Natal (RMN), acrescentando a esta o municpio de Monte Alegre, que foi retirado da microrregio Agreste Potiguar. A incorporao recente deste municpio RMN1 explica esta opo. A justificativa para o estudo em questo encontrase na relevncia do programa que, a despeito de lanar o estado na guerra fiscal tema sempre controverso, em especial para a discusso regional , tem-se constitudo no principal fator de atrao de novos investimentos produtivos no estado. Sem ele, muito provavelmente, os investimentos e os empregos criados no Rio Grande do Norte no se teriam cristalizado na mesma proporo verificada, uma vez que o poder de conceder subsdio e as vantagens comparativas de outros estados nordestinos so significativamente maiores. O trabalho foi dividido em cinco partes, incluindo esta sumria apresentao e as concluses. Na segunda, resgatado, com brevidade, o histrico das polticas de desenvolvimento regional no pas, com o simples intuito de contrapor a lgica prevalecente at 1980 com a que predominou em sequncia e que culminou com o surgimento e/ou fortalecimento dos1

programas subnacionais de atrao de investimentos que acirrariam a guerra fiscal. Na terceira, faz-se um rpido balano da economia potiguar, em especial de sua indstria, principal foco do Proadi. Finalmente, na seo seguinte, apresentamse os resultados do programa a partir dos dados que foram levantados juntos Codit. Trs preocupaes perpassam a anlise neste item: verificar as principais atividades apoiadas, analisar o impacto espacial dos investimentos a partir de sua localizao e, por fim, verificar os empregos gerados, comparando-os com a evoluo do emprego formal disponibilizado pelo Ministrio do Trabalho e do Emprego.

2 POLTICA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL E AO DOS GOVERNOS SUBNACIONAIS NO BRASIL: DAS POLTICAS TOP-DOWN S POLTICAS BOTTOM-UPHistoricamente, foi a partir da ao do Estado nacional que a industrializao no Brasil avanou entre 1930 e 1980, integrando de forma mais diversificada a estrutura produtiva do pas economia internacional. Do ponto de vista regional, a presena do Estado possibilitou, principalmente a partir da dcada de 1960, a soldagem dos interesses territorialmente espalhados em torno da industrializao, seja pela criao de um aparato institucional que passaria a pensar e atuar sobre os problemas regionais especficos caso, por exemplo, da Superintendncia de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), seja pela presena de investimentos estatais e da localizao de empresas pblicas nos diferentes estados da federao, o que possibilitou a constituio de um mercado interno articulado que unificou sob a mesma lgica de acumulao as diversas regies brasileiras, muito embora os desequilbrios e os problemas ligados questo regional tenham persistido, agora em novos patamares e com outras especificidades.2 A partir de polticas que tinham comando no governo federal, fortemente centralizadas e impostas hierarquicamente de cima para baixo, reproduziu2 Sobre os desequilbrios regionais, ver Cano (2007, 2008).

Sobre a dinmica recente da Regio Metropolitana de Natal, ver o detalhado trabalho coordenado por Clementino (2006).

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se em toda a antiga periferia nacional, nas dcadas de sessenta e setenta do sculo passado, uma burocracia voltada para o planejamento e para o desenvolvimento regional que procurava articular-se s macrodecises federais. Neste processo, como lembra Oliveira (1998), cumpriram papel fundamental tanto os fundos pblicos como os investimentos estatais, que desempenharam, ambos, a funo de capital financeiro indispensvel constituio do capitalismo brasileiro e, pari passu, foi condio fundamental para [...] romper a inrcia da economia regional anteriormente regulada pela sua prpria produo de excedentes. (OLIVEIRA, 1998, p. 90). Dois resultados inter-relacionados derivaram desse movimento. O primeiro foi a ampliao do espao econmico para o investimento produtivo. A institucionalidade montada e fortemente dependente dos fundos pblicos capturou todo o territrio nacional lgica de acumulao capitalista, ampliando as possibilidades de localizao dos investimentos fora de So Paulo, principal rea industrial do pas. O segundo refere-se ao processo de desconcentrao econmica, especialmente da indstria, que derivaria do primeiro. As estatsticas, a partir da ltima dcada de setenta, indicam os efeitos desconcentradores proporcionados pela integrao do mercado nacional, com aumento do investimento produtivo fora do Sudeste, o que resultou em maior participao das demais regies no produto brasileiro. Essa desconcentrao3 tem vrias componentes, mas deve-se destacar o papel importante cumprido pelo setor pblico atravs de polticas que mantinham alguma preocupao regional, alm da importncia das grandes estatais na montagem das infraestruturas regionais e para o planejamento territorial brasileiro, como lembra Vainer (2007). A crise fiscal a que foi submetido o Estado brasileiro na dcada de 1980 e o avano do neoliberalismo na dcada seguinte retiraram da agenda federal as polticas setoriais, inclusive a regional, que foram interditadas por fora do ajuste macroeconmico de curto prazo. Do ponto de vista regional, as transformaes no cenrio internacional e seus rebatimentos na3 Sobre o processo de desconcentrao econmica no Brasil, ver recente trabalho de Cano (2008).

economia brasileira ps-1980 aprofundamento da mundializao financeira, reestruturao produtiva, avano do neoliberalismo e da ideologia do Estado mnimo, privatizaes, abertura comercial acelerada e no-planejada, maior internacionalizao da economia brasileira etc. tornaram muito mais precria a capacidade do setor pblico de ordenar o territrio nacional, conforme destacou Macedo (2008). Contribuiu decisivamente para isso, a poltica econmica, que, submetida s presses do capital financeiro internacional, direcionou-se cada vez mais gesto do curto prazo, reduzindo o horizonte temporal de ao do Estado, dificultando, por consequncia, a promoo de polticas de longo prazo de natureza estruturante, como so as polticas regionais e urbanas. Com o governo federal sem disponibilidade de recursos, que estavam comprometidos com a gesto macroeconmica, e preso armadilha da liquidez da dvida pblica, no foram surpresas o esvaziamento das polticas regionais e o esfacelamento da burocracia pblica em geral e, em particular, a ligada ao desenvolvimento regional e urbano. evidente que o conjunto das transformaes influenciou e continua influenciando a movimentao do capital no interior do pas, exigindo adaptaes dos lugares nova lgica de acumulao da economia brasileira, muito mais internacionalizada. Na ausncia de uma poltica nacional de desenvolvimento regional4 e dada a crescente dificuldade do Estado em ordenar o territrio, observase a adoo deliberada pelas unidades federadas de um sem-nmero de incentivos instalao de capitais produtivos no interior de suas economias, o que, em certa mediada, tem garantido o deslocamento de unidades produtivas em direo s regies e aos estados menos industrializados, conforme destacou Arajo (2006), modificando o mapa da estrutura produtiva brasileira, em especial o da indstria. Neste sentido, as instncias subnacionais buscaram atravs de polticas prprias ocupar o espao que anteriormente estava conferido s polticas regionais.

4 importante registrar que o governo federal lanou em 2005 a Poltica Nacional de Desenvolvimento Regional, cujos resultados, dado seu curto tempo e as condies de execuo, ainda no se evidenciaram.

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