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  • Jeferson Luiz Freitas

    Democracia Participativa:

    Fundamento Gesto Escolar

    Joinville SC

    2017

  • Jeferson Luiz Freitas

    Democracia Participativa:

    Fundamento Gesto Escolar

    Plano de Gesto Escolar apresentado ao Instituto Educacional

    Santa Catarina Faculdade Jangada, como requisito parcial

    obteno do ttulo de Especialista em Gesto Escolar, sob a

    orientao da Professora Msc. Rosana Becker.

    Joinville SC

    2017

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    1 TTULO

    Democracia Participativa:

    Fundamento Gesto Escolar

    2 REFERENCIAL TERICO

    Importante marco do processo de abertura poltica e de redemocratizao do pas

    aps 21 anos de ditadura civil-militar, a Constituio Federal de 1988, em seu art. 205,

    estabelece, como dever do Estado, o direito universal educao de qualidade visando

    formao integral, ao exerccio da cidadania e preparao para o trabalho. Faz-se

    necessrio, com vistas a alcanar esse objetivo, superar tanto as concepes didticas que

    atribuam somente ao professor o papel de sujeito do processo educacional quanto aquelas

    que atribuam a fatores inatos, ou relativos ao meio social, um peso decisivo aos percursos

    dos sujeitos nesse processo. Nesse prisma, as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais

    da Educao Bsica apontam que

    O desafio posto pela contemporaneidade educao o de garantir,

    contextualizadamente, o direito humano universal e social inalienvel

    educao. O direito universal no passvel de ser analisado isoladamente,

    mas deve s-lo em estreita relao com outros direitos, especialmente, dos

    direitos civis e polticos e dos direitos de carter subjetivo, sobre os quais

    incide decisivamente. Compreender e realizar a educao, entendida como

    um direito individual humano e coletivo, implica considerar o seu poder

    de habilitar para o exerccio de outros direitos, isto , para potencializar o

    ser humano como cidado pleno, de tal modo que este se torne apto para

    viver e conviver em determinado ambiente, em sua dimenso planetria.

    A educao , pois, processo e prtica que se concretizam nas relaes

    sociais que transcendem o espao e o tempo escolares, tendo em vista os

    diferentes sujeitos que a demandam. Educao consiste, portanto, no processo

    de socializao da cultura da vida, no qual se constroem, se mantm e se

    transformam saberes, conhecimentos e valores (BRASIL, 2013, p. 16, grifo do

    autor).

    Em consonncia com a Constituio Federal e com as Diretrizes Curriculares

    Nacionais, a Proposta Curricular de Santa Catarina preconiza que o sujeito da formao

    seja valorizado em seus saberes atravs de percursos formativos integrados, pois entende

    que quanto mais integral a formao dos sujeitos, maiores so as possibilidades de

  • 4

    criao e transformao da sociedade (SANTA CATARINA, 2014, p. 25). Neste mbito,

    a perspectiva histrico-cultural, ao considerar o conhecimento historicamente produzido

    como patrimnio coletivo e que deve, portanto, ser socializado, fornece subsdios terico-

    metodolgicos ao pedaggica. Conforme Vigotski, atravs das constantes interaes

    com o meio social que ocorre o desenvolvimento do sujeito humano, sempre mediado

    pelo outro. Esse desenvolvimento construdo socialmente ao longo do tempo, atravs

    da mediao com outros humanos, pois [...] o aprendizado desperta vrios processos

    internos de desenvolvimento, que so capazes de operar somente quando a criana

    interage com pessoas em seu ambiente e quando em cooperao com seus companheiros

    (VIGOTSKI, 2007, p. 103).

    Ao realizar seus estudos sobre o desenvolvimento das funes psicolgicas

    superiores, Vigotski evidencia a natureza social da aprendizagem, demonstrando que essa

    resulta de um processo que se d por meio das interaes sociais que se estabelecem

    atravs da centralidade da relao dialgica entre educandos e educadores. Esse mesmo

    prisma partilhado por Paulo Freire, que afirma que so [...] nas condies de verdadeira

    aprendizagem [que] os educandos vo se transformando em reais sujeitos da construo

    e da reconstruo do saber ensinado, ao lado do educador, igualmente sujeito do

    processo. (FREIRE, 2015, p. 28)

    Uma das premissas da concepo scio interacionista reside na compreenso da

    diversidade como princpio formativo. Faz-se necessrio entender que a espcie humana

    sui generis e que a diversidade uma das peculiaridades que a caracterizam. Nessa

    esteira, o acolhimento e efetiva incluso condio sine qua non ao processo educativo,

    pois, somente atravs da incluso de todos, com suas semelhanas e diferenas entendidas

    como fator constituinte das identidades, a escola ser capaz de contribuir formao

    cidad e construo de uma conscincia de direitos humanos. Entendendo que a cultura

    compreende as realizaes humanas historicamente construdas e que, portanto, assume

    manifestaes to diversas quanto diversa a prpria sociedade, a escola, visando

    cumprir sua funo social, [...] deve considerar a diversidade dos alunos como elemento

    essencial a ser tratado para a melhoria da qualidade de ensino e aprendizagem (BRASIL,

    1997, p. 63). Processo contnuo, tomar a diversidade como princpio formativo passa,

    necessariamente, por visibilizar o outro, assumindo uma postura de alteridade, e implica

    em uma reflexo e reorganizao do currculo e da ao pedaggica. Nesse sentido, a

    Proposta Curricular de Santa Catarina orienta que

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    [...] definir a diversidade como princpio formativo repercute,

    necessariamente, nos contedos, na organizao curricular, nos tempos e

    espaos escolares, no modelo de gesto e avaliao, nos materiais didticos, na

    formao inicial e continuada, nas relaes humanas, no sujeito da educao e

    no modelo de sociedade que a escola ajuda a construir (SANTA CATARINA,

    2014, 84).

    A compreenso de que a aprendizagem uma construo histrico-cultural

    fundamentada na diversidade humana indispensvel formao integral. Com efeito, a

    formao integral como resultado esperado do processo educacional no ser exequvel

    enquanto perdurarem prticas autoritrias e a desvinculao entre uma educao cidad e

    os saberes e competncias escolares. Nessa tica, Perrenoud (2005, p. 82) destaca que

    [...] a educao para a cidadania e a solidariedade passa por uma imensa democratizao

    da educao escolar. Considerando que a democracia tambm uma construo

    histrico-cultural, ajudar a construir uma sociedade equnime, com senso republicano,

    democrtico e justo, que valorize a diversidade como princpio elementar do

    conhecimento histrico e socialmente construdo, passa pela democratizao dos espaos,

    tempos e saberes escolares.

    Contudo, essa democratizao da escola no se resume eleio de gestores ou

    da diretoria de associaes, conselhos e grmios: [...] o critrio para se aferir o grau de

    democratizao atingido no interior das escolas deve ser buscado na prtica social

    (SAVIANI, 2012, p. 77), significando, antes de tudo, a efetiva participao da

    comunidade no processo decisrio. nesse sentido que vrios pensadores destacam a

    importncia de uma espcie de democratizao da democracia, termo cunhado pelo

    socilogo britnico Anthony Giddens, que ressalta a relao entre democracia e

    participao. Para o autor, um aprofundamento da democracia imprescindvel e

    significa promover uma descentralizao efetiva do poder (GIDDENS, 2007, p. 85).

    Tal processo exige uma quebra de paradigmas,

    [...] tendo em conta que a participao democrtica no se d espontaneamente,

    sendo antes um processo histrico em construo coletiva, colocase a

    necessidade de se preverem mecanismos institucionais que no apenas

    viabilizem, mas tambm incentivem prticas participativas dentro da escola

    pblica. (PARO, 1998, p. 46)

    A dimenso de que o conhecimento uma construo coletiva norteia este plano

    e implica em assumir a participao como fator condicionante efetiva gesto

    democrtica, pois sua exequibilidade ser tanto maior quanto o for tambm a participao

    dos sujeitos de toda a comunidade escolar.

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    3 OBJETIVO GERAL

    Contribuir formao integral a partir da oferta de uma educao inclusiva e de

    qualidade, focada nos sujeitos do processo de ensino-aprendizagem, construindo, assim,

    coletivamente, atravs da gesto democrtica-participativa, uma escola orientada pela e

    para a alteridade.

    4 DIAGNSTICO DA ESCOLA

    4.1 DIMENSO SOCIOECONMICA

    A Escola de Educao Bsica Professor Germano Timm situa-se na Rua Orestes

    Guimares, n 406, no bairro Amrica. Localizada na regio Central de Joinville, ao lado

    do Centreventos Cau Hansen (que abriga a Fundao Cultural de Joinville e a Escola do

    Teatro Bolshoi), a escola tem em suas proximidades rgos pblicos bem como

    restaurantes, farmcias e comrcio em geral.

    Segundo estimativa da Coordenao Pedaggica, 68% dos estudantes so

    oriundos de outros bairros; em torno de 60% dos nossos estudantes frequentam ou a

    Escola do Teatro Bolshoi, ou a Casa da Cultura ou, ainda, a Fundao de Esportes, Lazer

    e Eventos de Joinville Felej. Alm disso, outros 19% dos estudantes trabalham no contra

    turno. Ademais, cerca de 40% dos estudantes proveniente de outros estados. Tais

    caractersticas contribuem fortemente diversidade cultural e alteridade, mas, por outro

    lado, dificultam a formao de identidade e do sentimento de pertencimento. Esses fatores

    limitam o sentido de comunida

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