Democracia, participação social e saúde

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Health & Medicine

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Construir reflexes sobre determinadas relaes entre democracia, participao e representao no mbito dos conselhos de sade, mobilizando-os a transform-las em prtica quotidiana de seu conselho e de sua atuao como conselheiro.

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  • 1. Democracia, Participao Social e Representao no mbito dos Conselhos de Sade Aula baseada no curso (DCS/ENSP/FIOCRUZ) Regina Maria Faria Gomes Junho/2013

2. Construindo um novo caminho do novo que se faz o presente: no h por que esperar, os nossos sonhos precisam ser vividos agora. Amanh eles sero outros. Queremos viver hoje a nossa utopia... Roberto Freire 3. Ol, vamos junto com voc realizar uma jornada para Construir reflexes sobre determinadas relaes entre democracia, participao e representao no mbito dos conselhos de sade, mobilizando-os a transform-las em prtica quotidiana de seu conselho e de sua atuao como conselheiro. Bom estudo! objeyiobjetivosvo 4. Voc Promova Debates com os conselheiros relaes primordiais entre democracia, participao e representao; Voc Mobilize os conselheiros a produzirem um reunio com as entidades que eles representam no conselhos de sade a fim de com elas discutir os assuntos que devem ser debatidos na prxima reunio do conselho; 5. 1- Conceituando Democracia, Participao e Representao 6. Para que se compreenda melhor necessita-se incorporar ao termo democracia alguns adjetivos: representativa, participativa, deliberativa, direta, substantiva, formalista, elitista, pluralista e etc. Democracia Na sociedade contempornea, poucas ideias polticas so to amplamente aceitas quanto a de democracia. Embora positiva esta situao reflete e alimenta os vrios sentidos e prticas que estruturam as diferentes concepes democrticas Prossiga 7. Cada uma dessas concepes procura definir : 1- quem toma as decises que interferem nos rumos da sociedade; 2- que decises podem tomar; e 3- como funciona o processo decisrio. Por conseguinte, a abrangncia e os limites das respostas a tais questes constituem-se nas principais divergncias das diferentes propostas democrticas. 8. Isso no inviabiliza o conceito, pelo contrrio: aponta para as pessoas que h cada vez mais necessidade de sua participao nos processos decisrios da poltica pblica, pois s assim ser possvel produzir o Estado responsivo que enseja uma efetiva democracia. 9. por conta disto que Boaventura de Souza Santos e Leonardo Avritzer consideram que a democratizao passa necessariamente por uma articulao mais profunda entre democracia representativa (que envolve as tradicionais instituies das eleies livres, do voto universal e secreto, da representao partidria, dos trs poderes republicanos e etc.) e a democracia participativa (que demanda o reconhecimento pelos governos de que a participao social, as formas pblicas de monitoramento dos governos e os processos de deliberao pblica podem substituir parte do processo de representao, numa nova institucionalidade poltica que recoloca na pauta democrtica as questes da pluralidade cultural e da necessidade da incluso social). 10. Esses autores articulam, portanto, os conceitos/prticas democracia-participao representao, reconhecendo a multiplicidade de conceitos que envolve cada um. http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/rubenspint o/rubens_democracia_representativa_participativa.pdf 11. Em nosso atuao, que trabalha com tal articulao, o ponto de partida adotado o de que as relaes que ocorrem no mbito da participao e da representao fazem parte do conjunto de relaes democrticas e embora possam ser mais do que isto, no so o seu inverso. Prossiga 12. Para isto, precisamos definir que participao social aqui trabalhada como a participao da sociedade organizada no processo decisrio das polticas pblicas, sobretudo no que concerne incluso de pautas nas agendas polticas e na formulao e implementao de aes, programas e polticas pblicas. Esta participao deve ocorrer por meio de canais institucionais especialmente desenhados para tanto e legitimados pela sociedade e pelo Estado. Participao social http://www.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/parsoc.html 13. O resultado do usufruto do direito participao deve, portanto, estar relacionado ao poder conquistado, conscincia adquirida, ao lugar onde se exerce e ao poder atribudo a esta participao. Participao pode ser compreendida como um processo no qual homens e mulheres descobrem-se como sujeitos polticos. Ento, est diretamente relacionada conscincia dos cidados e cidads, ao exerccio de cidadania, s possibilidades de contribuir com processos de mudanas e conquistas. 14. A participao est comprometida com primeiro pressupostos da existncia humana - os homens e mulheres devem estar em condies de viver para poder fazer histria. E para viver preciso ter as necessidades bsicas atendidas.( comer, beber, ter habitao, vestir-se e algumas coisas mais) 15. Vamos fazer uma rpida viagem pela realidade scio-poltica brasileira no ltimo sculo e verificar trs formas bsicas de participao: participao comunitria participao popular participao social FORMAS BSICAS DE PARTICIPAO 16. participao comunitria surge no incio do sculo XX, compondo a ideologia e a prtica dos centros comunitrios norte-americanos . Comunidade, neste contexto, entendida como um agrupamento de pessoas que coabitam num mesmo meio ambiente, independente dos fatores estruturais ou conjunturais que lhes do origem participao comunitria 17. Neste cenrio, a participao comunitria era entendida como a sociedade completando o Estado. O Estado passou, ento, a incentivar a colaborao da sociedade na execuo das polticas sociais por meio do voluntariado e do apelo solidariedade dos cidados participao comunitria 18. Surge ao final da dcada de 1960 e se firma na dcada de 1970, com a entrada dos novos movimentos sociais. significa o aprofundamento da crtica e a radicalizao das prticas polticas opositoras ao sistema dominante. Comunidade passa a ser chamada depovo que significa, uma populao excluda social, econmica e politicamente das decises do Estado . http://www.espacoacademico.com.br/022/22cmsantos.htm 19. Voc sabia que a ditadura durou 1964 1984 ? Este perodo era chamado de anos de chumbo??? Foi um perodo que: * Colocou-se as lutas polticas na clandestinidade * Aprofundou-se a poltica da arbitrariedade * Usurpou-se as liberdades Sabe por que? 20. A participao popular neste perodo caracterizou-se como estratgia de oposio e expressou a reao da populao contra o regime ditatorial existente naquele momento. http://www.dhnet.org.br/dados/cursos/dh/cc/2/participacao.htm 21. Vrios movimentos e organizaes surgiram na dcada de 1970, em defesa da redemocratizao do Pas e de melhores condies de vida O movimento contra a alta do custo de vida, liderado especialmente pelas mulheres nas periferias, com o apoio das organizaes eclesiais de base; O movimento pela anistia dos presos e exilados polticos, a Comisso de Justia e Paz da arquidiocese de So Paulo; o movimento dos trabalhadores por melhores salrios e contra o desemprego 22. Resumindo : Ano de 1974 Inicia-se a abertura poltica do regime militar Reativao do movimento estudantil. Surgimento do movimento pela anistia Surgimento do novo sindicalismo. Surgimento do movimento sanitrio Criao do Ministrio da Previdncia e Assistncia Social - MPAS. 22 Uma informao importante 23. Na mesma poca, acontecia a Conferncia de Alma Ata (antiga Rssia) a I Conferncia Internacional sobre os cuidados Primrios de Sade pela OMS, que inspirou os discursos progressistas do movimento sanitrio brasileiro Sade para todos no ano 2000. http://www.unicef.org/brazil/sowc9pt/cap2-dest2.htm 23 24. Qual a importncia de ter mais conhecimento e lutar por seus direitos? Reflita:... 25. A saturao da poltica repressiva do Estado e da ditadura militar, por um lado, e a mobilizao contra a ditadura e por liberdade poltica, de outro, provocou o chamado processo de abertura, que teve nas mobilizaes pelas eleies diretas para presidente da repblica o seu marco poltico http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/Cap_8-10.pdf 26. Surge na dcada de 1980 nova modalidade de participao A participao da sociedade organizada deu-se em todos os nveis na luta por liberdade e democracia. A categoria central no mais comunidade, nem povo, mas a sociedade http://www.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/parsoc.html 27. 27 Participao Social na organizao dos trabalhadores urbanos e rurais nas eleies na organizao e luta das mulheres contra a discriminao e pela conquista de direitos dos polticos na organizao de agrupamentos sociais A Participao Social esteve presente nas mais variadas formas de manifestaes Na organizao dos estudantes dos negros Na rua do empresariado 28. No incio dos anos de 1980, se intensificava a luta pela redemocratizao do Pas, no Estado de So Paulo ocorria simultaneamente um movimento pela abertura da Administrao Estadual presso de novas foras sociais ttp://www.bibliotecafeminista.org.br/index.php?option=com_remository&Itemid=56&func=fileinfo&id=251 29. O processo de abertura abriu espao para uma diversidade de interesses e de projetos colocados na arena social e poltica. Dentre eles, destaca-se a grande mobilizao pelas Diretas J e na mobilizao social dos diversos segmentos da sociedade civil organizada por incluso, ampliao e universalizao dos direitos no processo Constituinte. Isto gerou conquistas e uma delas foi a criao, em 1983, do primeiro conselho da condio feminina, no mbito estadual, em So Paulo que estimulou a criao de rgos similares em todo o Pas, inclusive no mbito nacional. 30. Como eram os conselhos? Os conselhos foram espaos de conquista de cidadania, de participao e de controle social. No entanto, tinham carter apenas consultivo e, em alguns casos, de assessoria s polticas pblicas para enfrentamento da discriminao praticada contra as mulheres. 31. Para entender o jeito da pessoa criar o mundo, temos tambm que entender o jeito que o mundo criou a pessoa. Autor/a desconhecido 31 32. Destaque os principais pontos do que voc acabou de ler, anote os documentos apontados e se possvel, conhea esses documentos na ntegra. Faa anotaes e guarde com voc. 32 33. O Movimento pela Reforma Sanitria Brasileira Foi Organizado solidamente desde meados dos anos 70 Contou com a Participao de intelectuais, profissionais dos sistemas de sade, parcela da burocracia e organizaes populares e sindicais 34. O Movimento pela Reforma Sanitria Brasileira A Luta pela garantia do direito universal sade e construo de um sistema nico e estatal de servios Teve como Objetivo: 35. Estava chegando a hora de uma grande reviravolta. O Ministrio da Sade instituiu, em agosto de 85, uma Comisso Organizadora para a realizao da VIII Conferncia Nacional de Sade. http://www.cocsite.coc.fiocruz.br/areas/dad/guia_acervo/arq_pes soal/conferencia_nacional.htm 35 36. A 8a Conferncia Nacional de Sade Foi o Marco do Movimento Sanitrio Brasileiro Reuniu mais de 5.000 pessoas na maior participao popular da histria dos movimentos sociais Definiu as estratgias a serem defendidas na Constituinte de 1988 e consolidou a opo pela via institucional 37. A 8a Conferncia Nacional de Sade Conceito ampliado da sade Reconhecimento da sade como direito de cidadania e dever do Estado Defesa de um sistema nico, de acesso universal, igualitrio e descentralizado de sade Seus Princpios 37 38. Essa Conferncia histrica significou um marco na formulao das propostas de mudana do setor sade, em consonncia com: os princpios de universalizao, participao e descentralizao; a integrao orgnico-institucional; a redefinio dos papis institucionais das unidades polticas na prestao de servios de sade; e o financiamento do setor sade. 38 39. E qual a principal conquista da Conferncia? A elaborao de um projeto de reforma Sanitria defendendo a criao de um sistema nico de sade que centralizasse as politicas governamentais para o setor, desvinculadas da previdncia social e, ao mesmo tempo, regionalizasse o gerenciamento da prestao de servios, privilegiando o setor pblico e universalizando o atendimento. 40. Alm disso, afirmava-se um conceito ampliado de sade como: resultante das condies de alimentao, habitao, educao, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso a servios de sade. 41. Dois anos depois... 1988... A Assembleia Nacional Constituinte aprovou a Constituio Brasileira. Pela primeira vez, foi includa uma seo sobre sade com os conceitos da VIII Conferncia de Sade. Ento, podemos dizer que, na essncia, a Constituio adotou a proposta da reforma sanitria e do SUS. 42. De todas as Constituies brasileiras, a de 1988 apresenta o maior grau de legitimidade popular. E sabe por qu Eu sei exatamente o porqu. Devido ao elevado nmero de emendas populares. Fique atento a este fato http://www.amperj.org.br/store/legislacao/constituicao/crfb.pdf 42 43. Se voc pensou assim tambm, acertou! De fato, de todas as Constituies brasileiras, a Carta de 1988 foi a que mais assegurou a participao popular em seu processo de elaborao. A Constituio de 88 delega responsabilidade sociedade no que se refere s decises sobre as polticas pblicas; Condies primordiais para a construo de uma nova esfera pblica o princpio da descentralizao poltico administrativa e da participao popular; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao.htm 43 44. Essa nova esfera pblica exige que a gesto pblica permita sociedade organizada intervir nas polticas pblicas, interagindo com o Estado para a definio de prioridades e na elaborao dos planos de ao municipais, estaduais ou federal. http://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/esf/1/ modulo_politico_gestor/Unidade_7.pdf 45. justamente por isto que a democratizao exige a criao de novas instituies polticas, que viabilizem a participao dos segmentos tradicionalmente excludos no processo decisrio! 46. Contudo, o desenvolvimento e a ampliao da participao social nas sociedades contemporneas mostram a impossibilidade de todos os que desejam participar estejam diretamente presentes no processo decisrio. Defender isto seria pressupor que cada deciso teria que ser discutida por uma quantidade to grande de cidados que, no limite, pode chegar casa dos milhes, o que, obviamente, inviabilizaria qualquer processo decisrio. 47. por isto que as propostas de democracia participativa, mesmo trabalhando com a ideia da participao de cada cidado no processo decisrio, carecem de uma organizao destes cidados que viabilize a concentrao de suas demandas em representantes por eles considerados legitimados para participar ativamente do processo decisrio. Introduz-se, assim, a articulao participao-representao no prprio seio das propostas participativas. participao-representao 48. A representao traz em sua essncia humana um carter de controvrsia, posto que se baseia no paradoxo de que representar fazer presente algum ou algo que no est presente. Por isto, a representao poltica marcada por uma contradio original, a controvrsia mandato-autonomia: ao participar da competio poltica e do processo decisrio, o representante deve ser responsivo aos interesses...

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