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    DEMOCRACIA, PARTICIPAO SOCIAL E CONTROLE SOCIAL

    Larissa Paula Salazar Marques1 Conceio de Maria Sousa Batista Costa2

    RESUMO O presente trabalho denominado Democracia, Participao, Social e Controle Social tem como objetivo analisar o contexto scio histrico de lutas sociais pela redemocratizao do Estado em favor da consolidao de polticas pblicas e do fortalecimento da cidadania no Brasil, na perspectiva de autores como Arendt (2010), Raichelis (2011), Nogueira (2011), Pereira (1998), de modo a apresentar a participao social nas lutas sociais como expresso da cidadania que promoveu o avano da democratizao no pas e delineou a participao da sociedade civil nos processos de deciso poltica e de proposio de polticas pblicas a ser implementadas pelo Estado. Palavras-chave: Lutas Sociais. Polticas Pblicas. Estado.Cidadania.

    ABSTRACT This work called Democracy, Participation, Social and Social Control aims to analyze the historical socio social struggles for democratization of the State in favor of the consolidation of public policies and the strengthening of citizenship in Brazil, from the perspective of authors such as Arendt (2010), Raichelis (2011), Nogueira (2011), Pereira (1998), in order to present social participation in social struggles as an expression of citizenship which promoted the advancement of democratization in the country and outlined the participation of civil society in decision-making policy and propose public policies to be implemented by the State Keywords: Social struggles. Public policies.State. Citizenship.

    1 Bacharel. Faculdade Santo Agostinho (FSA). E-mail: laripaula3@gmail.com 2 Mestre. Faculdade Santo Agostinho (FSA).

  • 2

    1 INTRODUO

    O texto apresentado constitui parte do Trabalho de Concluso de Curso (TCC),

    intitulado Cidadania e Controle Social: os desafios contemporneos participao social,

    defendido na Faculdade Santo Agostinho, Teresina PI, no segundo semestre do ano de

    2014, para a obteno do ttulo de Bacharel em Servio Social.

    O debate sobre a cidadania no Brasil est intrinsecamente ligado s

    perspectivas de consolidao da democracia, entendida por Bobbio (2000, p. 30) como

    contraposta a todas as formas de governo autocrtico, caracterizada por um conjunto de

    regras (primrias ou fundamentais) que estabelecem quem est autorizado a tomar as

    decises coletivas e com quais procedimentos.

    Este tpico abordar a importncia da participao social como uma conquista

    da sociedade civil como mecanismo democrtico e expresso da cidadania prevista na

    Constituio Federal de 1998, que segundo Gonh (2001, p. 42), objetiva o fortalecimento da

    sociedade civil para evitar as ingerncias do Estado, seu controle, tirania e interferncia na

    vida dos indivduos.

    Esboa-se ainda, a concepo de controle social como mecanismo importante

    na relao entre sociedade e Estado. Nessa perspectiva, Iamamoto (1998) evidencia que

    na dinmica tensa da vida social que est a esperana e a possibilidade de defender,

    efetivar e aprofundar os preceitos democrticos e os direitos de cidadania.

    2 PARTICIPAO SOCIAL: EXPRESSO DA CIDADANIA

    Nos anos 1990, segundo Nogueira (2011, p. 43), o Brasil consolidou e

    organizou institucionalmente seu compromisso com o regime democrtico, possibilitando a

    vigncia de um amplo regime de liberdades e direitos. Nesse perodo, o pas passou por

    uma grande reforma poltico-administrativa, denominada por Pereira (1998) como a reforma

    para a cidadania. Em suas palavras, afirma:

    A reforma gerencial da administrao pblica, que tem incio em 1995 est voltada para a afirmao da cidadania no Brasil, por meio da adoo de formas modernas de gesto no Estado brasileiro, que possibilitem atender de forma democrtica e eficiente as demandas da sociedade (PEREIRA, 1998, p. 17).

    Nessa tica, Nogueira (2011) afirma que tal reforma poltico-administrativa

    orientou-se da constatao de que os processos de globalizao do sistema capitalista eram

    irreversveis e impunham exigncias contundentes aos pases. Para o referido autor, o

    aparelho estatal teria apenas a opo de reconfigurar-se para poder dar conta de auxiliar o

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    desenvolvimento econmico e proteger os cidados da fria das desigualdades provocadas

    pelo capitalismo.

    Nogueira (2011, p.45) afirma ainda, que dentre alguns fatores, que delinearam e

    alavancaram a reforma poltico-administrativa do Estado, est a crise no seu formato

    organizacional, dado o fracasso do padro burocrtico de gesto, responsvel maior pelos

    altos custos das operaes estatais e pela baixa qualidade dos servios pblicos. A reforma

    do Estado, portanto, na perspectiva de Nogueira (2011), foi concebida para promover a

    introduo de formas inovadoras de gesto pblica destinadas a flexibilizar normas e

    descentralizar os controles gerenciais.

    Pereira (1998) reitera, que a Reforma Estatal tambm colocada como um

    resgate da Res Pblica expresso latina que significa: coisa do povo, coisa pblica

    (grifo nosso); pois eleva o controle social da Administrao Pblica quando descentraliza as

    aes e busca a maior participao da sociedade nos canais deliberativos e fiscalizadores.

    O autor ressalta, ainda, que esse processo de descentralizao e aumento do poder local

    leva a ampliao da ao democrtica em curso.

    nesse contexto, que temas como descentralizao, participao,

    democratizao, passam a emergir com fora, na perspectiva de fortalecimento da

    sociedade civil nos processos decisrios que interessam sociedade, e enfrentar a tradio

    autoritria brasileira, presente no apenas no espao estatal, mas nas mltiplas dimenses

    da vida social (RAICHELIS, 1998).

    Mediante o exposto, Arretche (2000) menciona que o processo de

    descentralizao poltico-administrativa e a municipalizao das polticas pblicas

    decorrentes da Reforma Estatal, levaram transformao e ao fortalecimento das

    instituies democrticas no pas. Provoca-se, portanto, mudanas na organizao e

    funcionamento dos governos locais, ensejadas nos canais de gesto democrtica e dos

    instrumentos de controle social e participao popular.

    Dentro dessa logicidade, a descentralizao proposta na Reforma do Estado

    implicaria o fortalecimento do processo participativo e dos instrumentos de controle social

    sobre a execuo de projetos e aes deliberadas, planejadas e avaliadas dentro das

    instncias pblicas de negociao, avaliao e controle. Nessa perspectiva, Duriguetto

    (2007, p. 129) aponta que:

    A descentralizao administrativa, como explicitado no documento propositivo da reforma administrativa, visa dois objetivos, quais sejam: descentralizao administrativa - visando a racionalizao da mquina burocrtica e o aumento de sua eficincia e da qualidade dos servios-; descentralizao das decises governamentais - criao de canais institucionais democrticos de participao da populao.

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    Dessa forma, Duriguetto (2007) compreende que a descentralizao das aes

    se constitui como pressuposto para uma administrao pblica eficiente, de carter

    democrtico e participativo; essa forma de gesto possibilita um maior conhecimento das

    demandas e necessidades da populao pelo contato direto entre governo e sociedade

    atravs da participao.

    No que concerne participao, premissa fundamental que os sujeitos

    fundantes dessa lgica sejam coletivos e dotados de razo poltica que visem o bem

    comum, dessa maneira, tal mecanismo democrtico pressupe um comportamento tico e

    poltico para que sejam feitas escolha justa de demanda prioritria. Segundo Nogueira

    (2011, p. 133), quem participa procura projetar-se como sujeito que porta valores,

    interesses, aspiraes e direitos, portanto, essa disposio direta em tomar parte

    condiciona o individuo a questionar, e se fazer politicamente notvel. Desse modo, classifica

    as modalidades de participao que se configuram de acordo com os diferentes contextos

    scio-historicos, em:participao assistencialista, participao corporativa, participao

    eleitoral e participao poltica.

    Alm das formas clssicas supracitadas concebidas por Nogueira (2011), Gohn

    (2011) afirma, nesse contexto, que existem diversas formas de se compreender a

    participao, dentre elas destaca as interpretaes como: liberal/comunitria,

    liberal/corporativa, autoritria, democrtica/radical. Tais interpretaes percebidas por Gohn

    (2011) derivam de concepes gerais de participao como a forma liberal, autoritria,

    revolucionria e democrtica, segundo a autora, essas compreenses gerais constituem a

    conjuntura liberal que objetiva reformar a estrutura da democracia representativa nos

    marcos das relaes capitalistas.

    Todavia, Nogueira (2011, p. 137),tambm afirma que no mundo moderno, em

    suma, os grupos sociais seguem trajetrias nas quais se combinam diferentes graus de

    conscincia e de atuao prtica, o que permite salientar que a conscincia dos indivduos

    oscila-se entre uma conscincia de solidariedade e coletividade entre os membros da

    comunidade e a conscincia de defesa dos interesses particulares, portanto, age-se e

    participa-se conforme essa oscilao e de acordo com o contexto scio-histrico tracejado

    pela dimenso cultural e intelectual dos indivduos (NOGUEIRA, 2011).

    Nessa tica, Iamamoto (1998) destaca que as dimenses: cultural, espiritual,

    intelectual e material evidencia o contexto e o momento que cada sociedade vive, o que

    delineia as formas de relaes entre Estado e Sociedade e as formas de participao que

    permeiam a conjuntura poltica, no entanto, o fortalecimento das aes coletivas s

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    possvel se os condicionantes histricos e econmicos favorecerem politicamente os

    sujeitos sociais que reivindicam demandas societrias.

    Nesta concepo, Demo (2001) menciona que a qualidade da participao social

    est em consonncia com a prtica correta dos sujeitos coletivos e polticas, que se

    configura numa verdadeira organizao poltica da sociedade civil. Nas palavras do autor:

    Os fenmenos participativos, sobretudo as formas de organizao da sociedade civil, precisam manifestar pelo menos quatro marcas qualitativas para corresponderem quilo que chamamos de qualidade poltica: representatividade, legitimidade, participao da base e planejamento participativo auto-sustentado. A participao fora desses horizontes aproxima-se da farsa ou incompetente (DEMO, 2001, p. 45).

    Assim, organizar-se politicamente para ocupar os espaos de participao social

    conquistados pela sociedade historicamente para transformar as formas de relacionar-se

    com o Estado, considerada condio essencial para obter-se qualidade na eficcia das

    aes e nas intervenes, junto s demandas que emergem das expresses da questo

    social, adjacente ao aparelho estatal.

    Nesse contexto, Dagnino (2002) ressalta que a consolidao da participao

    social na gesto das polticas pblicas, imprime a conquista do reconhecimento de novos

    sujeitos polticos o que sinaliza a construo de uma cultura poltica democrtica em prol do

    bem coletivo, a autora expressa que:

    A redefinio da noo de cidadania, empreendida pelos movimentos sociais e por outros setores na dcada de 1980, aponta na direo de uma sociedade mais igualitria em todos os seus nveis, baseada no reconhecimento dos seus membros como sujeitos portadores de direitos, inclusive aquele de participar efetivamente na gesto da sociedade (DAGNINO, 2002, p. 10).

    Portanto, Nogueira (2011), reitera que classes, grupos e indivduos deveriam

    participar para introduzir a marca de suas ideias e de seus interesses no centro que

    organiza a vida coletiva, buscando, desse modo, crescer enquanto grupo, classe ou

    indivduo. Nesse sentido, a participao poltica , sobretudo, o mecanismo que postula a

    hegemonia da sociedade na busca por respostas eficazes s demandas e na luta por seus

    direitos.

    3 MECANISMOS DE CONTROLE SOCIAL

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    Nas sociedades modernas, a participao est intrinsecamente relacionada

    cidadania e democracia. A participao dos sujeitos caracteriza-se como instrumento de

    essencial relevncia, para a efetivao dos interesses coletivos e do prprio fortalecimento

    da democracia e da cidadania. Nogueira (2011, p.106) afirma que no mbito do projeto

    democrtico que se pe efetivamente a questo da sociedade civil, fora da, ela no faz

    muito sentido, ou o que d no mesmo, tem um sentido estreito e limitado. Por essa razo,

    necessria uma apreenso da cidadania que, de forma geral, venha a politizar a sociedade

    para que esta, na perspectiva de um projeto hegemnico, se aproxime cada vez mais do

    Estado.

    A princpio, o controle social, na perspectiva de Bobbio (1999, p.284) podem ser

    identificadas de duas formas principais: a rea dos controles externos e a rea dos controles

    internos.A primeira forma de controle diz respeito aos mecanismos de represso destinados

    manuteno da ordem, so mecanismos de controle da sociedade pelo governo, exercido

    de forma centralizada e quase sempre autoritria.

    A segunda concebida como um controle do aparelho Estatal pela sociedade

    civil. Este fortalece a sociedade visando sua autonomia em busca do bem comum e da

    efetividade nas resolues das demandas sociais, visto que, acentua a fiscalizao

    administrativa na aplicao de recursos e o monitoramento e avaliao das polticas

    pblicas, cujas caractersticas acentuam o envolvimento da sociedade civil nos assuntos

    pblicos, aliado a um ideal democrtico (BOBBIO, 1999).

    De acordo com Campos (2006), a segunda forma de controle social apontada

    por Bobbio (1999), implica na participao da sociedade na gesto das polticas pblicas

    que atendam as demandas sociais de forma geral. Tal premissa pressupe o

    aprofundamento crtico da realidade na perspectiva do engajamento na luta social por uma

    nova ordem mais justa e igualitria. Nas palavras do autor: O controle social um

    instrumento da democracia participativa e sua efetivao est associada capacidade que a

    sociedade brasileira tem para impor mudanas nas tradicionais dinmicas de gesto

    pblica (CAMPOS, 2006, p.119).

    A partir dessa denotao de controle social mencionada por Campos (2006),

    compreende-se que a Constituio Federal de 1988 em seu prembulo, institui o Estado

    Democrtico de Direito destinado a assegurar o exerccio dos direitos sociais e individuais, a

    liberdade, a segurana, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justia como

    valores supremos de uma sociedade fraterna e engajada pelo bem comum, pluralista e sem

    preconceitos, fundada na harmonia social. Dessa forma, a Carta Magna estabelece em seu

    primeiro artigo, o fortalecimento da Federao, formada pela unio indissolvel dos Estados

    e Municpios e do Distrito Federal, declara seus princpios fundamentais e afirma a

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    soberania popular. Alm de instituir como novo paradigma, a democracia participativa.

    (BRASIL, 1988)

    Assim, a Constituio brasileira, promulgada em 1988, institucionalizou vrias

    formas de participao da sociedade na esfera pblica do Estado, com referncia

    participao direta democrtica da sociedade civil, e ressalta em seu artigo 14 que a

    soberania popular ser exercida pelo sufrgio universal e pelo voto direto e secreto, com

    valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:Plebiscito, Referendo e Iniciativa

    Popular. (BRASIL, 1988, p.21). Tais formas de participao direta da sociedade na gesto

    pblica constitui o controle social como um importante mecanismo de preveno da

    corrupo e de fortalecimento da cidadania.

    Segundo Cunha (2003), o controle social conquistado pela sociedade civil deve

    ser entendido como instrumento e expresso da democracia, eliminando, portanto, toda

    forma de governo autoritrio e excludente, buscando a adoo de prticas que favoream a

    participao da sociedade no processo de tomada de decises, reiterando sempre o

    processo contnuo de democratizao.

    Nesse sentido, Souza (2006) destaca que o controle social exercido pela

    sociedade civil demanda um conjunto de aes que possibilitem a participao social na

    elaborao das polticas pblicas bem como o monitoramento e avaliao dessas polticas,

    portanto, este controle social requer a existncia de sujeitos coletivos com intuito de garantir

    a efetividade dos servios prestados pelo estado. Dessa forma, pontua que:

    O controle social no apenas uma lei geral por um direito adquirido. Trata-se de potencializar a criatividade da sociedade civil na elaborao das polticas publicas, uma vez que ela quem percebe no cotidiano dos servios prestados a efetividade ou no das suas polticas, e principalmente as lacunas deixadas pelos servios pblicos (SOUZA, 2006, p.82).

    Destaca-se ainda que a gesto participativa pressupe uma articulao entre

    governante e governado, delineado por um espao de negociao das decises pblicas

    que visem justia social; tal articulao promove a nova relao entre Estado e sociedade

    no qual a funo estatal trazer o cidado para a rbita do governo da comunidade,

    envolv-lo nos assuntos governamentais. (NOGUEIRA, 2011, p. 149).

    Acentua-se, de acordo com Nogueira (2011), que esta relao entre Estado e

    Sociedade requer um novo modo de governar, que aposta no controle social como medida

    democrtica para a garantia do bem coletivo, prever, tambm, a existncia de um cidado

    que participe ativamente dessa gesto. Desse modo, a gesto participativa vai orientar-se

    por critrios como: a flexibilidade, a eficincia e a agilidade, uma vez que:

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    Se o aparato pblico abre-se para a participao, mas no se desburocratiza a participao no se completa. Se os atores sociais mobilizam-se, mas as coisas no saem do lugar, eles retrocedem e deixam de participar. Desburocratizar, porm, no significa apenas introduzir procedimentos competitivos, gerenciais, tecnolgicos ou empreendedores para dinamizar as operaes administrativas. Significa, acima de tudo, democratizar, abrir as organizaes, oxigen-las, submet-las a outros controles, promovendo um movimento virtuoso de crtica e de recriao organizacional. (NOGUEIRA, 2011, p. 153-154).

    Todavia, o que se prope, no a eliminao da burocracia organizacional, mas

    a insero de novos procedimentos ou ideias que visem a modernizao administrava que

    possibilite a democratizao e dinamizao da gesto pblica no sentido de agiliz-la.

    Dessa maneira, a gesto participativa opera para alm do formal e do burocrtico, pois

    busca ter iniciativa e criatividade, como princpios, para produzir resultados efetivos para as

    demandas societrias como um todo. (NOGUEIRA, 2011).

    A articulao entre Estado e sociedade civil, sugerida por Nogueira (2011),

    implica na implementao de formas interativas e estratgicas de participao social que

    subsidie a gesto democrtica. Rocha (2012) aponta que estas estratgias de participao

    social configura uma nova gesto das polticas pblicas que institui mecanismos de uma

    ao pblica descentralizada.

    4 CONCLUSO

    Destacou-se neste trabalho a abordagem terica acerca das conquistas oriundas

    de lutas sociais por democracia que culminaram na Constituio Federal de 1988,

    denominada de Constituio cidad, a qual traz em seu bojo conquistas como a participao

    da sociedade no processo decisrio das polticas estatais e a institucionalizao de

    mecanismos de controle social sobre as aes do governo como bandeiras pela

    democratizao. Tal mudana na concepo de cidadania deu visibilidade questo da

    participao social como uma conquista da sociedade civil que engendrou uma nova relao

    entre Estado e sociedade civil.

    Nesse contexto, as lutas sociais contra o Regime Ditatorial vigente no Brasil nas

    dcadas de 1960 e 1970, desencadearam as conquistas delineadas pela Constituio

    Federal de 1988, e tais conquistas como a participao poltica da sociedade na tomada de

    decises da gesto pblica auferiu espao relevante no cenrio contemporneo, uma vez

    que a participao da sociedade civil atravs do controle social foi reconhecida como direito

    do cidado brasileiro.

    Assim, destacaram-se os avanos da gesto participativa no cenrio

    contemporneo do Brasil de acordo com as relaes sociais existentes entre Estado e

    sociedade civil. Entre os avanos destaca-se a descentralizao poltico-administrativa que

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    elucidou autonomia para entes da federao, no que diz respeito elaborao de polticas

    pblicas, bem como a construo de espaos pblicos deliberativos de participao social

    com vistas a influir e fiscalizar as aes do governo; o que outrora era de cunho centralizado

    e autoritrio passou a ser democrtico e participativo.

    Tendo em vista o debate sobre descentralizao poltico-administrativa,

    participao e controle social na gesto e elaborao das polticas pblicas no Brasil, que se

    institucionalizou atravs de canais de participao na Constituio de 1988, torna-se

    necessrio a reflexo e a ampliao das discusses a respeito da coletividade e conscincia

    poltica no pas, principalmente em meio ao contexto dos efeitos perversos do sistema

    capitalista em que os direitos so cerceados ou cada vez mais condicionados lgica

    lucrativa do capital.

    Dessa maneira, conclui-se que a participao social e poltica da sociedade civil

    na gesto pblica fruto do contexto de mobilizao e luta dos diversos seguimentos

    sociais em busca de respostas eficazes s demandas societrias oriundas das expresses

    da questo social e amplia-se na medida em que a sociedade civil se organiza politicamente

    por meio de organizaes representativas para construir base no processo de formulao e

    controle das polticas pblicas.

    REFERNCIAS

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