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Deleuze - "A filosofia Critica de Kant" Captulo sobre a Faculdade do Juizo, trabalhado

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Captulo IIIRELAO DAS FACULDADES NA CRTICA DO JUZOH uma forma superior do sentimento Esta pergunta significa: h representaes que determinem a priorium estado do sujeito como prazer ou dor?

Uma sensao no abrangida por este caso: o prazer ou a dor que ela produz (sentimento) s pode ser conhecido empiricamente.

E o mesmo sucede quando a representao de objeto a priori.

Invocar-se- a lei moral como representao de uma pura forma? (O respeito como efeito da lei seria o estado superior da dor,o contentamento intelectual, o estado superior do prazer.)

A resposta de Kant negativa[footnoteRef:1]. [1: CJ, 12.]

Pois o contentamento no um efeito sensvel nem um sentimento particular, mas um anlogo intelectual do sentimento.

E o prprio respeito s um efeito na medida em que um sentimento negativo; na sua positividade, confunde-se com a lei como mbil, mais do que dela deriva.

Em regra, impossvel que a faculdade de sentir alcance a sua forma superior, quando ela prpria encontra a sua lei na forma inferior ou superior da faculdade de desejar.

Que seria, ento, um prazer superior? Ele no deveria estar ligado a nenhum atrativo sensvel (interesse emprico pela existncia do objeto de uma sensao) nem a nenhuma inclinao intelectual(interesse prtico puro pela existncia de um objeto da vontade).

A faculdade de sentir s pode ser superior sendo desinteressada no seu princpio.

O que conta no a existncia do objeto representado, mas o simples efeito de uma representao sobre mim.

O mesmo dizer que um prazer superior a expresso sensvel de um juzo puro, de uma pura operao de julgar [footnoteRef:2]. [2: CJ, 9.]

Esta operao apresenta-se primeiramente no juzo esttico do tipo belo.

Mas qual a representao que, no juzo esttico, pode ter como efeito este prazer superior?

Dado que a existncia material do objetopermanece indiferente, trata-se ainda da representao de uma pura forma.

Mas, desta vez, uma forma de objeto.

E esta forma no pode ser simplesmente a da intuio, que nos refere a objetos exterioresmaterialmente existentes.

Na verdade, forma significa agora o seguinte:

reflexo de um objeto singular na imaginao.

A forma o que a imaginao reflete de um objeto, por oposio ao elemento material das sensaes que este objeto provoca enquanto existe e age sobre ns.

Acontece por vezes a Kant perguntar:

uma cor, um som, podem ser ditos belos por si mesmos?

Talvez o fossem se, em lugar de apreendermosmaterialmente o seu efeito qualitativo sobre os nossos sentidos,

fssemos capazes de refletir pela nossa imaginao as vibraes de que eles se compem.

Mas a cor e o som so demasiado materiais e acham-se demasiado impregnados nos nossos sentidos para se refletirem assim na imaginao:

so adjuvantes, mais do que elementos da beleza.

O essencial o desenho, a composio, os quais so precisamente manifestaes da reflexo formal [footnoteRef:3]. [3: CJ, 14.]

A representao refletida da forma causa, no juzo esttico, do prazer superior do belo.

Devemos ento verificar que o estado superior da faculdade de sentir apresenta dois caracteres paradoxais, intimamente ligados um ao outro.

Por um lado, contrariamente ao que se passava no caso das outras faculdades, a forma superior no define aqui nenhum interesse da razo: o prazer esttico to independente do interesseespeculativo como do interesse prtico e define-se a si prprio como inteiramente desinteressado.

Por outro lado, a faculdade de sentir sob a sua forma superior no legisladora:

toda a legislao implica objetos sobre os quais ela se exerce e que lhe esto submetidos.

Ora, no s o juzo esttico sempre particular, do tipo esta rosa bela (implicando a proposio as rosas so belas em geral, uma comparao e um juzo lgicos)[footnoteRef:4]. [4: CJ, 8.]

Mas, sobretudo, ele nem sequer legisla sobre o seu objeto singular, visto que permanece inteiramente indiferente sua existncia.

Kant recusa assim o emprego da palavra autonomia para a faculdade de sentir sob a sua forma superior: impotente para legislar sobre objetos, o juzo s pode ser heautnomo, o que significa que legisla sobre si[footnoteRef:5]. [5: CJ, Introduo, 4 e 5.]

A faculdade de sentir no tem domnio (nem fenmenos nem coisas em si);no exprime condies a que um gnero de objetos deve estar submetido,mas unicamente condies subjetivas para o exerccio das faculdades.Senso comum esttico Quando dizemos belo, no queremos dizer simplesmente agradvel: aspiramos a uma certa objetividade, a uma certa necessidade,a uma certa universalidade.

Mas a pura representao do objeto belo particular:

a objetividade do juzo esttico no tem, portanto, conceito ou (o que vem a dar no mesmo) a sua necessidade e a sua universalidade so subjetivas.

Cada vez que intervm um conceito determinado (figuras geomtricas, espcies biolgicas, ideias racionais), o juzo esttico cessa de ser puro ao mesmo tempo que a beleza deixa de ser livre[footnoteRef:6]. [6: CJ, 16 (pulcbritudo vaga).]

A faculdade de sentir, sob a sua forma superior,

no pode depender do interesse especulativo,

tal como no depende do interesse prtico.

por este motivo que s o prazer admitido como universal e necessrio no juzo esttico.

Supomos que o nosso prazer de direito comunicvel ou vlido para todos, presumimos que cada qual deve experiment-lo.

Esta presuno, esta suposio nem sequer um postulado, visto que exclui todo o conceito determinado[footnoteRef:7]. [7: CJ, 8.]

Contudo, tal suposio seria impossvel se o entendimento no interviesse de certa maneira.

Vimos qual era o papel da imaginao: ela reflete um objeto singular, do ponto de vista da forma.

Procedendo assim, no se refere a um conceito determinado do entendimento.

Mas refere-se ao prprio entendimento como faculdade dos conceitos em geral;

refere-se a um conceito indeterminado do entendimento.

Quer dizer: a imaginao na sua liberdade pura concorda com o entendimento na sua legalidade no especificada.

Poderia afirmar-se em rigor que a imaginao, aqui, esquematiza sem conceito[footnoteRef:8]. [8: CJ, 35.]

Mas o esquematismo sempre o ato de uma imaginao que j no livre, que se acha determinada a agir conformemente a um conceito do entendimento.

Na verdade, a imaginao faz algo diferente de esquematizar: manifesta a sua liberdade mais profunda refletindo a forma do objeto,

ela joga-se de certo modo na contemplao da figura, torna-se imaginao produtiva e espontnea como causa de formas arbitrriasde intuies possveis[footnoteRef:9]. [9: CJ, 16 e nota geral sobre a primeira seco da analtica.]

Eis, pois, um acordo entre a imaginao como livre e o entendimento como indeterminado.

Eis um acordo igualmentelivre e indeterminado entre faculdades.

Devemos dizer acerca deste acordoque ele define um senso comum propriamente esttico (o gosto).

Com efeito, o prazer que supomos comunicvel e vlido para todos apenas o resultado deste acordo.

No se fazendo sob um conceito determinado, o livre jogo da imaginao e do entendimento no pode ser intelectualmente conhecido, mas apenas sentido[footnoteRef:10]. [10: CJ, 9.]

A nossa suposio de uma comunicabilidade do sentimento (sem a interveno de um conceito)funda-se assim na idia de um acordo subjetivo das faculdades, na medida em que tal acordo forma tambm um senso comum[footnoteRef:11]. [11: CJ, 39 e 40.]

Poderia crer-se que o senso comum esttico completa os dois precedentes:

no senso comum lgico e no senso comum moral, ora o entendimento ora a razo legislam e determinam a funo das outras faculdades; agora, seria a vez da imaginao.

Mas no pode ser assim. A faculdade de sentir no legisla sobre objetos;

no h, portanto, nela uma faculdade (no segundo sentido da palavra) que seja legisladora.

O senso comum esttico no representa um acordo objetivo das faculdades (isto :uma submisso de objetos a uma faculdade dominante, a qual determinaria ao mesmo tempo o papel das outras faculdades relativamente a estes objetos), mas uma pura harmonia subjetiva onde a imaginao e o entendimento se exercem espontaneamente, cada qual por sua, conta.

Por conseguinte, o senso comum esttico no completa os outros dois; funda-os ou torna-os possveis.

Jamais uma faculdade assumiria um papel legislador e determinante se, porventura, todas as faculdades juntas no fossem primeiro capazes desta livre harmonia subjetiva.

Mas, ento, encontramo-nos perante um problema Particularmente difcil.

Explicamos a universalidade do prazer esttico ou a comunicabilidade do sentimento superior pelo livre acordo das faculdades.

Mas bastar presumir este livre acordo, sup-lo a priori ?

No deve ele, pelo contrrio, ser produzido em ns?

Quer dizer: o senso comum estticono deve ser objeto de uma gnese , gnese propriamente transcendental?

Tal problema domina a primeira parte da Crtica do juzo; a sua prpria soluo comporta vrios momentos complexos.

Relao das faculdades no Sublime Enquanto permanecemos no juzo esttico do tipo belo, a razo no parece ter qualquer papel: s intervm o entendimento e a imaginao.

Alm disso, encontrada uma forma superior do prazer, no uma forma superior da dor.

Mas o juzo belo apenas um tipo de juzo esttico.

Devemos considerar o outro tipo, sublime.

No Sublime, a imaginao entrega-se a uma atividade de todo em todo diferente da reflexo formal.

O sentimento do sublime experimentado diante do informe ou do disforme (imensidade ou potncia).

Tudo se passa ento