Dan brown - inferno

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<ul><li><p>I n f e r n o</p></li><li><p>O ArqueiroGeraldo Jordo Pereira (1938-2008) comeou sua carreira aos 17 anos, quando foi trabalhar com seu pai, o clebre editor JosOlympio, publicando obras marcantes como O menino do dedo verde, de Maurice Druon, e Minha vida, de Charles Chaplin.Em 1976, fundou a Editora Salamandra com o propsito de formar uma nova gerao de leitores e acabou criando um doscatlogos infantis mais premiados do Brasil. Em 1992, fugindo de sua linha editorial, lanou Muitas vidas, muitos mestres , deBrian Weiss, livro que deu origem Editora Sextante.</p><p>F de histrias de suspense, Geraldo descobriu O Cdigo Da Vinci antes mesmo de ele ser lanado nos Estados Unidos. Aaposta em fico, que no era o foco da Sextante, foi certeira: o ttulo se transformou em um dos maiores fenmenos editoriaisde todos os tempos.</p><p>Mas no foi s aos livros que se dedicou. Com seu desejo de ajudar o prximo, Geraldo desenvolveu diversos projetos sociaisque se tornaram sua grande paixo.</p><p>Com a misso de publicar histrias empolgantes, tornar os livros cada vez mais acessveis e despertar o amor pela leitura, aEditora Arqueiro uma homenagem a esta figura extraordinria, capaz de enxergar mais alm, mirar nas coisasverdadeiramente importantes e no perder o idealismo e a esperana diante dos desafios e contratempos da vida.</p></li><li><p>Ttulo original: InfernoCopyright 2013 por Dan BrownCopyright da traduo 2013 por Editora Arqueiro Ltda.Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser utilizada ou reproduzida sob quaisquer meios existentes semautorizao por escrito dos editores.</p><p>Este livro uma obra de fico. Nomes, personagens, empresas, organizaes, lugares, acontecimentos e incidentes so todosprodutos da imaginao do autor ou usados de modo ficcional. Qualquer semelhana com pessoas reais, vivas ou mortas,acontecimentos ou lugares mera coincidncia.</p><p>Grfico Special Report: How Our Economy Is Killing the Earth (New Scientist, 16/10/08) Copyright 2008 Reed BusinessInformation UK.Todos os direitos reservados. Distribudo por Tribune Media Services.</p><p>traduo: Fabiano Morais e Fernanda Abreupreparo de originais: Rachel Agavinoreviso: Hermnia Totti e Rafaella Lemosdiagramao: Ana Paula Daudt Brandocapa: Michael J. Windsorimagens de capa: Dante Imagno / Hulton Archive / Getty Images; Florena Bread and Butter / Getty Imagesadaptao de capa: Raul Fernandesadaptao para e-book: Marcelo Morais</p><p>CIP-BRASIL. CATALOGAO-NA-FONTESINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ.</p><p>B897iBrown, Dan, 1964-</p><p>Inferno [recurso eletrnico] / Dan Brown [traduo de Fernanda Abreu e Fabiano Morais]; So Paulo:Arqueiro, 2013.</p><p>recurso digital: il.</p><p>Formato: ePubRequisitos do sistema: Adobe Digital EditionsModo de acesso: World Wide WebISBN 978-85-8041-153-9 (recurso eletrnico)</p><p>1. Fico americana. 2. Livros eletrnicos. I. Abreu, Fernanda. II. Morais, Fabiano. III. Ttulo.</p><p>13-2214 CDD: 813CDU: 821.111(73)-3</p><p>Todos os direitos reservados, no Brasil, porEditora Arqueiro Ltda.Rua Funchal, 538 conjuntos 52 e 54 Vila Olmpia04551-060 So Paulo SPTel.: (11) 3868-4492 Fax: (11) 3862-5818E-mail: atendimento@editoraarqueiro.com.brwww.editoraarqueiro.com.br</p></li><li><p>Para meus pais...</p></li><li><p>Os lugares mais sombrios do Inferno so reservadosqueles que se mantiveram neutrosem tempos de crise moral.</p></li><li><p>F A T O S</p><p>Todas as referncias histricas e obras de arte, literatura e cinciacitadas neste romance so reais.O Consrcio uma organizao secreta com escritrios em sete pases.Seu nome foi modificado por questes de segurana e privacidade.Inferno o mundo inferior que Dante Alighieri retrata na primeiraparte do poema pico A Divina Comdia como um reino de estruturacomplexa povoado por entidades conhecidas como sombras almasdesencarnadas presas entre a vida e a morte.</p></li><li><p>P r l o g o</p><p>Eu sou a Sombra.Pela cidade atormentada, eu fujo.Pela eterna desolao, corro para escapar.Pelas margens do rio Arno, sigo desabalado, ofegante... Viro esquerda na Via dei Castellani e</p><p>sigo em direo ao norte, abrigando-me nas sombras da Galleria degli Uffizi.Mesmo assim eles continuam a me perseguir.Ento, medida que me caam com uma determinao implacvel, o som de seus passos vai</p><p>ficando cada vez mais alto.H anos sou perseguido por eles. Sua persistncia me manteve na clandestinidade e forou-me a</p><p>viver no Purgatrio, agindo embaixo da terra qual um monstro ctnico.Eu sou a Sombra.Aqui, na superfcie, ergo o olhar para o norte, mas no consigo encontrar um caminho direto para</p><p>a salvao, pois os montes Apeninos bloqueiam os primeiros raios de sol da alvorada.Passo atrs do palazzo, com sua torre ornada de ameias e seu relgio de um ponteiro s... Em</p><p>zigue-zague, avano por entre os comerciantes madrugadores na Piazza di San Firenze. Quandofalam com suas vozes roucas, sinto seu hlito, que recende a lampredotto e azeitonas assadas.Atravessando em frente ao Bargello, dobro novamente esquerda em direo torre da Badia e mejogo com fora contra o porto de ferro ao p da escada.</p><p>Aqui, toda e qualquer hesitao deve ser abandonada.Giro a maaneta e entro no corredor. Sei que no haver volta. Instigo minhas pernas pesadas</p><p>como chumbo a galgarem a escadaria estreita, com seus degraus de mrmore esburacados e gastossubindo em espiral rumo ao cu.</p><p>As vozes ecoam l de baixo. Suplicantes.Eles esto atrs de mim, irredutveis, cada vez mais perto.No entendem o que est por vir... tampouco o que fiz por eles!Terra ingrata!Enquanto subo, as vises me vm com toda a fora... os corpos libidinosos se contorcendo sob a</p><p>chuva de fogo, as almas dos glutes flutuando em excremento, os traidores infames congelados nasgarras glidas de Satans.</p><p>Veno os ltimos degraus e chego ao topo cambaleando, beira da morte; saio para o ar midoda manh. Corro at o muro que se ergue altura da minha cabea e espio pelas frestas. Lembaixo estende-se a cidade abenoada que tornei meu santurio contra aqueles que me exilaram.</p><p>As vozes me chamam, aproximando-se por trs. O que voc fez uma loucura!Loucura gera loucura. Pelo amor de Deus gritam eles , diga-nos onde a escondeu! exatamente pelo amor de Deus que no direi.Aqui estou, encurralado, as costas contra a pedra fria. Eles olham no fundo dos meus olhos</p><p>verdes e lmpidos, e seus rostos ficam carregados: sua expresso, antes persuasiva, agora ameaadora.</p><p> Voc sabe que temos nossos mtodos. Podemos for-lo a nos contar onde est.Por isso subi metade do caminho at o Cu.</p></li><li><p>Sem aviso, eu me viro e ergo os braos, agarrando o parapeito alto com os dedos, iando meucorpo, ajoelhando-me s pressas em cima do muro. Depois me ponho de p... oscilo beira doprecipcio. Seja o meu guia, caro Virglio, enquanto atravesso o vazio.</p><p>Eles disparam frente, incrdulos, querendo agarrar meus ps, mas temendo que eu perca oequilbrio e caia. Com um desespero contido, comeam a implorar, mas eu j lhes dei as costas. Seio que devo fazer.</p><p>L embaixo, a uma distncia vertiginosa, telhas vermelhas se espalham como um mar de fogopelo campo... iluminando a bela terra um dia povoada por gigantes... Giotto, Donatello,Brunelleschi, Michelangelo, Botticelli.</p><p>Aproximo os dedos dos ps da beirada. Desa! gritam eles. Ainda h tempo!, ignorantes obstinados! Por acaso no conseguem ver o futuro? No conseguem entender o</p><p>esplendor da minha criao? Como ela necessria? com prazer que fao este derradeiro sacrifcio... e com ele extinguirei suas ltimas esperanas</p><p>de encontrar o que buscam.Vocs jamais conseguiro localiz-la a tempo.Centenas de metros l embaixo, a piazza de paraleleppedos me chama como um osis de</p><p>serenidade. Como eu gostaria de ter mais tempo... Porm esse o nico bem que nem mesmo minhaenorme fortuna pode comprar.</p><p>Nestes ltimos segundos, baixo os olhos em direo piazza e vislumbro algo que me deixaperplexo.</p><p>Vejo o seu rosto.Em meio s sombras, voc tem os olhos erguidos para mim. Esto pesarosos, mas neles tambm</p><p>percebo reverncia pelo que fui capaz de fazer. Voc entende que no tenho escolha. Por amor humanidade, devo proteger minha obra-prima.</p><p>Neste exato momento, ela cresce... espera... fervilhando sob as guas rubras de sangue dalagoa que no reflete as estrelas.</p><p>Ento tiro meus olhos dos seus e contemplo o horizonte. Muito acima deste mundo oprimido,fao minha ltima splica.</p><p>Queridssimo Deus, rogo-lhe que o mundo se lembre do meu nome no como um pecadormonstruoso, mas como o salvador glorioso que o Senhor sabe que na verdade sou. Rogo que ahumanidade entenda o presente que deixo.</p><p>Meu presente o futuro.Meu presente a salvao.Meu presente o Inferno.Com essas palavras, sussurro amm... e dou o ltimo passo para mergulhar no abismo.</p></li><li><p>C A P T U L O 1As lembranas se materializaram lentamente, como bolhas vindo tona daescurido de um poo sem fundo.</p><p>Uma mulher com o rosto coberto por um vu.Robert Langdon olhava para ela do outro lado de um rio cujas guas agitadas corriam vermelhas,</p><p>tingidas de sangue. De frente para ele, na margem oposta, a mulher o encarava, imvel, solene.Trazia na mo uma faixa azul, uma tainia, que ergueu em homenagem ao mar de cadveres aos seusps. O cheiro da morte pairava por toda parte.</p><p>Busca, sussurrou a mulher. E encontrars.Langdon ouviu as palavras como se ela as tivesse pronunciado dentro de sua cabea. Quem </p><p>voc?, perguntou ele, sem que sua voz produzisse som algum.O tempo est se esgotando, murmurou ela. Busca e encontrars.Langdon deu um passo frente, em direo ao rio, mas ento viu que as guas, alm de</p><p>ensanguentadas, eram profundas demais para que ele as atravessasse. Quando tornou a erguer osolhos para a mulher de vu, os corpos aos seus ps tinham se multiplicado. Eram agora centenas,milhares talvez, alguns ainda vivos, contorcendo-se de agonia, padecendo mortes inimaginveis...consumidos pelo fogo, enterrados em fezes, devorando uns aos outros. Podia ouvir os lamentoshumanos ecoando acima da gua.</p><p>A mulher se moveu em sua direo com as mos esguias estendidas, como quem pede ajuda.Quem voc?!, gritou Langdon dessa vez.Em resposta, a mulher levou a mo ao rosto e ergueu lentamente o vu. Sua beleza era</p><p>arrebatadora, porm ela era mais velha do que Langdon imaginara: 60 e poucos anos talvez, altivae forte, como uma esttua atemporal. Tinha um maxilar anguloso, de aspecto severo, olhospenetrantes e intensos e longos cabelos prateados, cujos cachos lhe caam em cascata sobre osombros. Um amuleto de lpis-lazli pendia de seu pescoo uma serpente solitria enroscada emum basto.</p><p>Langdon teve a sensao de que a conhecia, de que confiava nela. Mas como? Por qu?Ela ento apontou para duas pernas que brotavam da terra, se contorcendo. Aparentemente eram</p><p>de alguma pobre alma enterrada at a cintura, de cabea para baixo. Uma letra solitria escrita comlama se destacava na coxa plida do homem: R.</p><p>R?, pensou Langdon, intrigado. R de... Robert? Ser que esse... sou eu?O rosto da mulher nada revelava. Busca e encontrars, repetiu ela.Subitamente, ela comeou a irradiar uma luz branca... cada vez mais forte. Todo o seu corpo</p><p>passou a vibrar com intensidade e, ento, com um estrondo repentino, ela explodiu em mil fascas.Langdon acordou sobressaltado, aos gritos.Estava sozinho no quarto iluminado. O cheiro pungente de lcool hospitalar pairava no ar. Ali</p><p>perto bipes de mquina soavam em discreta sintonia com o ritmo de seu corao. Tentou mover obrao direito, mas uma dor lancinante o impediu. Olhou para baixo e viu que um cateter intravenosorepuxava a pele de seu antebrao.</p><p>Sua pulsao se acelerou e as mquinas acompanharam o ritmo, passando a emitir bipes maisrpidos.</p></li><li><p>Onde estou? O que aconteceu?A nuca de Langdon latejava, uma dor torturante. Com cautela, ele ergueu o brao livre e tocou o</p><p>couro cabeludo, tentando localizar a origem da dor de cabea. Sob os cabelos emaranhados,encontrou as extremidades duras de uns dez pontos incrustados de sangue seco.</p><p>Fechou os olhos e tentou se lembrar de algum acidente.Nada. Branco total.Pense.Apenas escurido.Um homem com roupa cirrgica entrou apressado, aparentemente alertado pela acelerao dos</p><p>bipes do monitor cardaco de Langdon. Tinha barba desgrenhada, bigode cerrado e olhos bondososque transmitiam uma calma atenciosa por baixo das sobrancelhas revoltas.</p><p> O que... o que houve? Langdon conseguiu perguntar. Eu sofri algum acidente?O barbudo levou um dedo aos lbios e tornou a sair s pressas para chamar algum no corredor.Langdon virou a cabea, mas o movimento fez uma pontada de dor atravessar seu crnio.</p><p>Respirou fundo vrias vezes e esperou a dor passar. Ento, com cuidado e de forma metdica,examinou o ambiente estril ao seu redor.</p><p>O quarto de hospital continha uma cama s. No havia flores. No havia cartes. Viu as prpriasroupas em cima de um balco prximo ao leito, dobradas dentro de um saco plstico transparente.Estavam cobertas de sangue.</p><p>Meu Deus. Deve ter sido grave.Langdon girou a cabea bem devagar em direo janela ao lado da cama. Estava escuro l fora.</p><p>Era noite. A nica coisa que ele conseguia ver no vidro era o prprio reflexo: um desconhecidoplido, exausto e abatido, ligado a tubos e fios, cercado por equipamentos hospitalares.</p><p>Ouviu vozes se aproximando pelo corredor e tornou a olhar para o quarto. O mdico voltou,dessa vez acompanhado por uma mulher.</p><p>Ela parecia ter 30 e poucos anos. Usava roupa cirrgica azul e tinha os cabelos louros presos emum rabo de cavalo grosso que balanava ao ritmo de seus passos.</p><p> Sou a Dra. Sienna Brooks apresentou-se, abrindo um sorriso para Langdon ao entrar. Voutrabalhar com o Dr. Marconi hoje noite.</p><p>Langdon assentiu com um dbil meneio de cabea.Alta e graciosa, a Dra. Brooks se movia com a desenvoltura assertiva de uma atleta. Mesmo com</p><p>aquela roupa folgada, conservava uma elegncia esguia. Por mais que Langdon no percebessenenhum trao de maquiagem, sua pele tinha uma suavidade incomum, a nica mcula era uma pintaminscula logo acima dos lbios. Os olhos, de um tom castanho suave, pareciam estranhamentepenetrantes, como se houvessem testemunhado experincias de rara profundidade para algum tojovem.</p><p> O Dr. Marconi no fala ingls muito bem, ento me pediu que preenchesse sua ficha deadmisso disse ela, sentando-se ao seu lado. Voltou a sorrir.</p><p> Obrigado. Certo comeou ela, assumindo um tom de voz srio. Qual o seu nome?Ele precisou de alguns instantes. Robert... Langdon.Ela apontou uma lanterninha para seus olhos. Profisso?</p></li><li><p>Ele respondeu ainda mais devagar: Professor universitrio. Histria da Arte... e Simbologia. Em Harvard.A Dra. Brooks baixou a lanterna, mostrando-se surpresa. O mdico de sobrancelhas revoltas</p><p>pareceu igualmente espantado. O senhor americano?Langdon a encarou com um olhar intrigado. s que... Ela hesitou. O senhor no tinha documento nenhum quando chegou. Como estava</p><p>de palet Harris Tweed e sapatos sociais, imaginamos que fosse britnico. Eu sou americano assegurou-lhe Langdon, exausto demais para explicar sua preferncia por</p><p>alfaiataria de qualidade. Est sentindo alguma dor? Na cabea respondeu Langdon, o latejar em seu crnio agravado pelo brilho forte da</p><p>lanterna. Felizmente, a mdica a guardou no bolso e pegou seu pulso, para medir os batimentos. O senhor acordou gritando falou. Consegue se lembrar por qu?Langdon voltou a ter um lampejo da estranha viso da mulher de vu, cercada</p><p>de corpos...</p></li></ul>