Da ditadura a democracia gene sharp

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Gene Sharp foi acusado de ter ligaes fortes com uma variedade de instituies governamentais norte-americanas, incluindo a CIA, o Pentgono e conhecidas instituies neoconservadoras relacionadas ao partido republicano dos EUA, como os j citados acima, Instituto Republicano Internacional e a Corporao RAND, entre outras. 26 A Rede Voltaire acusou a Sharp e o Albert Einstein Institution de apenas promover a desestabilizao em pases no alinhados com os interesses dos EUA, no contexto das chamadas Revolues coloridas.27 Depois de um perodo desses ataques sustentados em junho de 2008, uma carta foi divulgado pelos EUA e baseada internacionalmente acadmicos e ativistas, incluindo notveis escritores de esquerda como Noam Chomsky e Howard Zinn defendendo o trabalho de Gene Sharp e do Albert Einstein Institution. Um trecho desta carta: "Ao invs de ser uma ferramenta do imperialismo, a pesquisa e os escritos do Dr. Sharp tem inspirado geraes de pacifistas, progressistas, sindicalistas, feministas, ativistas dos direitos humanos, ambientalistas e ativistas de justia social nos Estados Unidos e ao redor do mundo. O Albert Einstein Institution nunca recebeu nenhum dinheiro de nenhum governo ou entidade financiada pelo governo americano. Nem o Dr. Sharp ou o Albert Einstein Institution colaboram com a CIA, ou qualquer rgo do governo dos EUA ou agncias financiadas por estes, nem tem o Dr.Sharp ou o Albert Einstein Institution fornecido qualquer apoio financeiro ou logstico a quaisquer grupos de oposio, em qualquer pas, ou tomado partido em conflitos polticos ou se envolvido em planejamento estratgico com qualquer grupo. O Albert Einstein Institution opera com um oramento muito escasso, com uma equipe composta por duas pessoas - o prprio Dr. Sharps e uma jovem administradora - sendo totalmente incapazes de realizar as intrigas estrangeiras de que tem sido falsamente acusados

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<ul><li> 1 Da DITADURA DEMOCRACIA Uma Estrutura Conceitual para a Libertao Gene Sharp Traduo Jos A.S. Filardo So Paulo Brasil The Albert Einstein Institution </li> <li> 2 Todo o material constante nesta publicao de domnio pblico e pode ser reproduzido sem a permisso de Gene Sharp. Citao da fonte e notificao Instituio Albert Einstein para a reproduo, traduo e reimpresso desta publicao so apreciados. Primeira Edio, Maio de 2002 Segunda Edio, Junho de 2003 Terceira Edio Fevereiro de 2008 Quarta Edio, Maio de 2010 Da Ditadura Democracia foi publicado originalmente em Bangkok em 1993, pelo Comit para a restaurao da democracia na Birmnia, em associao com Khit Pyaing (O Jornal Nova Era). Desde ento foi traduzido em pelo menos trinta e uma outras lnguas, e foi publicado na Srvia, Indonsia e Tailndia, entre outros pases. Esta a quarta edio dos Estados Unidos. . The Albert Einstein Institution Caixa Postal 455 East Boston, MA 02128, EUA Tel.: EUA +1 617-247-4882 Fax: USA +1 617-247-4035 E-mail: einstein@igc.org Website: www.aeinstein.org ISBN 1-880813-09-2 </li> <li> 3 Sumrio Prefcio.......................................................................................................................................................5 UM ENFRENTANDO DITADURAS REALISTICAMENTE....................................................................................................7 Um problema persistente.......................................................................................................................7 Liberdade atravs da violncia?..............................................................................................................8 Golpes, eleies, salvadores estrangeiros? ............................................................................................9 Enfrentando a dura verdade.................................................................................................................11 DOIS OS PERIGOS DE NEGOCIAES........................................................................................................................12 Mritos e limitaes das negociaes ..................................................................................................12 Rendio negociada?............................................................................................................................13 Poder e Justia em Negociaes...........................................................................................................13 Ditadores "Agradveis".........................................................................................................................14 Que tipo de paz?...................................................................................................................................15 Razes para se ter esperana ...............................................................................................................15 TRS DE ONDE VEM O PODER? ...............................................................................................................................17 A fbula "O Mestre dos Macacos"........................................................................................................17 Fontes necessrias de poder poltico....................................................................................................18 Centros de poder democrtico.............................................................................................................19 QUATRO DITADURAS TM FRAQUEZAS ..........................................................................................................................21 Identificando o calcanhar de Aquiles....................................................................................................21 Fraquezas das ditaduras .......................................................................................................................21 Atacando as fraquezas das ditaduras ...................................................................................................22 CINCO EXERCITANDO O PODER..................................................................................................................................23 O funcionamento da luta no violenta.................................................................................................23 Abertura, sigilo, e altos padres...........................................................................................................25 Mudando as relaes de poder ............................................................................................................26 Quatro Mecanismos de mudana.........................................................................................................26 Efeitos democratizantes do desafio poltico.........................................................................................27 Complexidade da luta no violenta ......................................................................................................28 SEIS A NECESSIDADE DE PLANEJAMENTO ESTRATGICO..............................................................................................29 Planejamento realista...........................................................................................................................29 Obstculos ao planejamento ................................................................................................................30 Quatro termos importantes em planejamento estratgico .................................................................31 SETE ESTRATGIA DE PLANEJAMENTO......................................................................................................................34 Escolha de meios...................................................................................................................................35 Planejando para a democracia .............................................................................................................35 Ajuda externa........................................................................................................................................35 Formulando uma grande estratgia .....................................................................................................36 Planejando estratgias de campanha...................................................................................................37 Disseminando a ideia da no cooperao ............................................................................................38 Represso e contramedidas..................................................................................................................39 Aderindo ao plano estratgico..............................................................................................................40 OITO APLICANDO O DESAFIO POLTICO .....................................................................................................................41 </li> <li> 4 Resistncia seletiva...............................................................................................................................41 Desafio simblico..................................................................................................................................42 Distribuindo a responsabilidade...........................................................................................................42 Visando o poder dos ditadores.............................................................................................................43 Mudanas na estratgia........................................................................................................................44 NOVE DESINTEGRANDO A DITADURA........................................................................................................................45 Escalada da liberdade ...........................................................................................................................46 Desintegrando a Ditadura.....................................................................................................................47 Lidando com o sucesso de maneira responsvel..................................................................................47 DEZ BASES PARA A DEMOCRACIA DURVEl.............................................................................................................49 Ameaas de uma nova ditadura ...........................................................................................................49 Bloqueando golpes ...............................................................................................................................49 Elaborao da Constituio ..................................................................................................................50 Um poltica de defesa democrtica ......................................................................................................50 Uma responsabilidade meritria ..........................................................................................................51 APNDICE UM OS MTODOS DE AO NO VIOLENTA.............................................................................................................53 APNDICE DOIS AGRADECIMENTOS E NOTAS SOBRE A HISTRIA DE DA DITADURA DEMOCRACIA ................................................61 APNDICE TRS UMA NOTA SOBRE AS TRADUES E REIMPRESSO DESTA PUBLICAO ................................................................63 LEITURA COMPLEMENTAR ..............................................................................................................................64 </li> <li> 5 PREFCIO Uma das minhas grandes preocupaes por muitos anos, foi como as pessoas podem evitar e destruir ditaduras. Isso foi alimentado, em parte devido crena que os seres humanos no devem ser dominados e destrudos por tais regimes. Essa crena foi reforada por leituras sobre a importncia da liberdade humana, sobre a natureza das ditaduras (desde Aristteles at analistas do totalitarismo), e as histrias de ditaduras (especialmente os sistemas nazista e estalinista). Ao longo dos anos, tive a oportunidade de conhecer pessoas que viveram e sofreram sob o regime nazista, incluindo alguns que sobreviveram aos campos de concentrao. Na Noruega, conheci pessoas que haviam resistido ao domnio fascista e sobrevivido, e ouvi sobre aqueles que pereceram. Conversei com judeus que haviam escapado das garras nazistas e com pessoas que tinham ajudado a salva-los. Conhecimento do terror do regime comunista em vrios pases foi aprendido mais com livros do que contatos pessoais. O terror desses sistemas pareceu-me ser especialmente doloroso porque essas ditaduras foram impostas em nome da libertao da opresso e da explorao. Nas dcadas mais recentes, atravs de visitas de pessoas provenientes de pases governados ditatorialmente, como o Panam, Polnia, Chile, Tibete e Birmnia, as realidades das ditaduras atuais tornaram-se mais reais. De tibetanos que tinham lutado contra a agresso comunista chinesa; russos que haviam derrotado o golpe da linha dura em agosto de 1991 e tailandeses, que tinham bloqueado de maneira no violenta um retorno ditadura militar, eu ganhei perspectivas muitas vezes perturbadoras sobre a natureza insidiosa das ditaduras. O sentimento de emoo e indignao contra as brutalidades, junto com a admirao pelo herosmo calmo de homens e mulheres incrivelmente corajosos, foi, por vezes, reforado por visitas a locais onde os perigos ainda so grandes, e ainda assim, o desafio de pessoas corajosas continuou. Estes incluram o Panam sob Noriega; Vilnius na Litunia, sob contnua represso sovitica; a Praa Tiananmen, em Pequim, tanto durante a manifestao festiva de liberdade quanto enquanto os primeiros veculos blindados entraram naquela noite fatdica, e os quartis na selva da oposio democrtica em Manerplaw em "Mianmar libertada". s vezes, eu visitei os locais dos cados, como a torre de televiso e o cemitrio em Vilnius; o parque pblico em Riga, onde as pessoas tinham sido mortas a tiros; no centro de Ferrara, no norte da Itlia, onde os fascistas alinharam e fuzilaram resistentes; e um simples cemitrio em Manerplaw cheio de corpos de homens que haviam morrido jovens demais. uma triste concluso que todas as ditaduras deixam tal morte e destruio em seu rastro. Dessas preocupaes e experincias cresceu uma esperana determinada de que a preveno da tirania pode ser possvel, que lutas bem sucedidas contra as ditaduras poderiam ser travadas sem massacres mtuos em massa, que as ditaduras poderiam ser destrudas e novas ditaduras impedidas de ressurgir das cinzas. Tentei pensar cuidadosamente sobre as formas mais eficazes em que as ditaduras podem ser desintegradas com sucesso com o menor custo possvel em sofrimento e vidas. Nisso, ao longo de muitos anos, eu baseei meus estudos de ditaduras, movimentos de resistncia, revolues, pensamento poltico, sistemas governamentais e, sobretudo, luta no violenta realista. </li> <li> 6 Esta publicao o resultado. Estou certo de que est longe de ser perfeita. Mas, talvez, ele oferea algumas orientaes para auxiliar o pensamento e planejamento para produzir movimentos de libertao que sejam mais poderosos e eficazes do que poderia ser o caso. Da necessidade e da escolha deliberada, o foco deste ensaio est no problema genrico de como destruir uma ditadura e impedir o surgimento de uma nova. No sou competente para produzir uma anlise detalhada e prescrio para um determinado pas. Mas, minha esperana que esta anlise genrica pode ser til para pessoas, infelizmente, em demasiados pases que agora enfrentam a realidade de regimes ditatoriais. Elas precisaro examinar a validade dessa anlise para suas situaes, e em que medida as suas recomendaes mais importantes so, ou pode ser tornadas aplicveis s suas lutas pela liberdade. Em nenhum lugar desta anlise, eu suponho que desafiar ditadores ser uma tarefa fcil e gratuita. Todas as formas de luta tm complicaes e custos. Combater ditadores, claro, produzir vtimas. minha esperana, no entanto, que essa anlise estimular os lderes da resistncia a considerar estratgias que possam aumentar a sua potncia efetiva, ao mesmo tempo em que reduz o nvel relativo de baixas. Tambm no deve esta anlise ser interpretada no sentido de que, quando a ditadura em particular terminou, todos os outros problemas tambm desaparecero. A queda de um regime no traz consigo uma utopia. Pelo contrrio, ela abre o caminho para trabalho duro e longos esforos para construir relacionamentos sociais, econmicos e polticos mais justos, e para a erra...</li></ul>

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