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  • 1. Anlise do Episdio deIns de CastrodOs Lusadas

2. 118
Passada esta to prspera vitria,
Tornado Afonso Lusitana terra,
A se lograr da paz com tanta glria
Quanta soube ganhar na dura guerra,
O caso triste e dino da memria,
Que do sepulcro os homens desenterra,
Aconteceu da msera e mesquinha
Que despois de ser morta foi Rainha.
Aluso a Batalhado Salado, da qual os Portugueses saram vitoriosos;
Antecipao do final trgico de Ins;
D. Afonso, pai de Pedro, no quer que este amor acontea por isso manda matar Ins.
3. 119
Tu, s tu, puro Amor1, com fora crua,
Que os coraes humanos tanto obriga,
Deste causa molesta morte sua,
Como se fora prfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lgrimas tristes se mitiga,
porque queres, spero e tirano,
Tuas aras, banhar em sangue humano.
1. Esta palavra Amor referida ao Cupido, que o responsvel pelo fim trgico de Ins de Castro, por isso visto como negativo;
Fero, spero e tirano, so palavras que correspondem a caracterizao do Amor/Cupido.
4. 120
Estavas, linda Ins, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna1 no deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes insinando e s ervinhas
O nome2 que no peito escrito tinhas.
Caracterizao da beleza fsica de Ins;
1. Destino antecipao do destino de Ins;
A Natureza desempenha um papel de confidente para a Ins que estava feliz, tranquila, serena nos campos do Mondego;
2. Pedro Perfrase(dizemos algo por muitas palavras o que na realidade podemos dizer por poucas. Neste caso o nome Pedro).
5. 121
Do teu Prncipe ali te respondiam
As lembranas que na alma lhe moravam,
Que sempre ante seus olhos1 te traziam,
Quando dos teus fermosos se apartavam;
De noite, em doces sonhos que mentiam,
De dia, em pensamentos que voavam.
E quanto, enfim, cuidava e quanto via
Eram tudo memrias de alegria.
1. Os olhos de D.Pedro e Dona Ins dialogavam, pensando um no outro;
Ins continua feliz e serena. Queria uma vida longa com D.Pedro mas no podia. Tinha sonhos com D.Pedro, que eram sonhos mentirosos. Pois o que ela sonhava era impossvel de acontecer;
Anttese (Consiste em aproximar ideias contrrias, criando um contraste).
6. 122
De outras belas senhoras e Princesas
Os desejados tlamos enjeita,
Que tudo, enfim, tu, puro amor, deprezas
Quando um gesto suave te sujeita.
Vendo estas namoradas estranhezas,
O velho pai sesudo, que respeita
O murmurar do povo, e a fantasia
Do filho, que casar-se no queria,
Introduo do pai de D. Pedro, o D. Afonso IV. O pai deste importa-se com a opinio do povo e devido a este ele no quer que Pedro case com Ins. O pai de Pedro um homem prudente;
Pedro no quer casar com Dona Constana e isso pode trazer problemas para o Reino;
Perfrase (dizemos algo por muitas palavras o que na realidade podemos dizer por poucas, ou seja, o verso 6 no fundo significa prudente ).
7. 123
Tirar Ins ao mundo determina,
Por lhe tirar o filho que tem preso,
Crendo co sangue s da morte indina
Matar do firme amor o fogo aceso.
Que furor consentiu que a espada fina1
Que pde sustentar o grande peso
Do furor Mauro, fosse alevantada
Conta a fraca dama delicada?
Deciso de D. Afonso IV matar Ins, pois pensa que s a Morte poder apagar este amor louco;
1. Espada que venceu os Mouros;
Anstrofe (Uma troca de elementos da frase sem lhe mudar o sentido), Eufemismo (Suaviza uma ideia ou uma realidade desagradvel);
Anttese (Consiste em aproximar ideias contrrias, criando um contraste, ou seja, a fora dos mouros e a delicadeza de Ins) .
8. 124
Traziam-na os horrficos algozes,
Ante o Rei, j movido a piedade;
Mas o povo, com falsas e ferozes
Razes morte crua o persuade.
Ela, com tristes e piedosas vozes,
Sadas s da mgoa e saudade
Do seu Prncipe e filhos, que deixava,
Que mais que a prpria morte a magoava,
Levam Ins at ao Rei D. Afonso IV;
Horrficos algozes Descrio dos executores de Ins (novas personagens);
O Rei comea a ter pena da Dona Ins mas o povo insiste com o Rei para mat-la dizendo mentiras. Mas Ins enuncia que tem filhos de Pedro.
9. 125
Pera o cu cristalino alevantando,
Com lgrimas, os olhos piedosos
(Os olhos, porque as mos lhe estava atando
Um dos duros ministros rigorosos);
E despois nos mininos atentando,
Que to queridos tinha e to mimosos,
Cuja orfindade como mo temia,
Pera o av cruel assi dizia:
( ) - Um a parte do narrador, Vasco da Gama;
Ins continua a insistir dizendo que tem receio da orfandade dos filhos;
Ins entra em discurso dirigido indirectamente ao Rei.
10. 126

  • Se j nas brutas feras, cuja mente

Natura fez cruel de nascimento,
E nas aves agrestes, que somente
Nas rapinas areas tem o intento,
Com pequenas crianas viu a gente
Terem to piadoso sentimento
Como coa mo de Nino j mostraram,
E cos irmos que Roma edificaram:
Ins compara o comportamento dos animais com o comportamento humano;
Os animais so piedosos com as suas crianas enquanto que os humanos so como as brutas feras que no tm pena das crianas.
11. 127
tu, que tens humano o gesto e o peito
(Se de humano matar a donzela,
Fraca e sem fora, s por ter sujeito
O corao a quem soube venc-la),
A estas criancinhas tem respeito,
Pois o no tens morte escura dela;
Mova-te a piedade sua e minha,
Pois no te move a culpa que no tinha.
Dona Ins dirige-se directamente ao Rei tu e diz que ele at tem uma cara de humano ;
( ) - A parte do narrador, Vasco da Gama;
Pede para D. Afonso ter respeito pelas crianas. Ela anuncia-se fraca e inocente enquanto que o grande culpado o Pedro (de acordo com Vasco da Gama) .
12. 128
E se, vencendo a Maura resistncia,
A morte sabes dar com fogo e ferro,
Sabe tambm dar vida, com clemncia,
A quem pera perd-la no fez erro.
Mas, se to assi merece esta inocncia,
Pe-me em perptuo e msero desterro,
Na Ctia fria ou l na Lbia ardente,
Onde em lgrimas viva eternamente.
Ins diz que D. Afonso como sabe matar as pessoas tambm devia saber dar vida. E sugere para que este a meta num desterro e deixe viver l do que mat-la. Pois ela prefere ficar com os filhos em sofrimento do que morrer.
13. 129
Pe-me onde se use toda a feridade,
Entre lees e tigres, e verei
Se neles achar posso a piedade
Que entre peitos humanos no achei.
Ali, co amor intrnseco e vontade
Naquele por quem mouro, criarei
Estas relquias suas que aqui viste,
Que refrigrio sejam da mo triste.
Ins mais uma vez compara os animais com os humanos dizendo que talvez os animais tenham mais piedade do que os humanos. (Personificao atribuio de caractersticas humanas a animais).
14. 130
Queria perdoar-lhe o Rei benino,
Movido das palavras que o magoam;
Mas o pertinaz povo e seu destino
(Que desta sorte o quis) lhe no perdoam.
Arrancam das espadas de ao fino
Os que por bom tal feito ali apregoam.
Conta a dama, peitos carniceiros,
Feros vos amostrais e cavaleiros?
D. Afonso IV comea a ficar comovido com as palavras de Ins. Mas o povo continua a insistir para a morte de Ins;
Os algozes tiram as espadas para fazer o ritual assassino.
15. 131
Qual contra a linda moa Policena,
Consolao extrema da me velha,
Porque a sombra de Aquiles a condena,
Co ferro o duro Pirro se aparelha;
Mas ela, os olhos com o que o ar serena
(Bem como paciente e mansa ovelha)
Na msera me postos, que endoudece,
Ao duro sacrifcio se oferece:
Comparao de uma personagem que a Policena com a Ins, pois as duas tm o mesmo triste destino.
16. 132
Tais contra Ins os brutos matadores,
No colo de alabastro, que sustinha
As obras com que Amor matou de amores
Aquele que despois a fez Rainha,
As espadas banhando, e as brancas flores,
Que ela dos olhos seus regadas tinha,
Se encarniavam, frvidos e irosos,
No futuro castigo no cuidosos.
Pedro morre de amores pela sua amada.
17. 133
Bem puderas, Sol, da vida destes,
Teus raios apartar aquele dia,
Como da seva mesa de Tyestes,
Quando os filhos por mo de Atreu comia,
Vs, cncavos vales, que pudestes
A voz extrema ouvir da boca fria,
O nome do seu Pedro, que lhe ouvistes,
Por muito grande espao repetistes.
A Natureza est de acordo com o que Ins est a sentir;
Ins ao morrer utiliza os vales que produzem eco para gritar o nome de Pedro, ou seja, ela morre a chamar pelo seu amado.
18. 134
Assi como a bonina, que cortada
Antes do tempo foi, cndida e bela,
Sendo das mos lacivas maltratada
Da minina que a trouxe na capela,
O cheiro traz perdido e a cor murchada:
Tal est, morta, a plida donzela,
Secas do rosto as rosas e perdida
A brinca e viva cor, coa doce vida.
Ins comparada a uma flor murcha que est a morrer.
19. 135
As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memria eterna, em fonte pura
As lgrimas choradas transofrmaram.
O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Ins, que ali passaram.
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lgrimas so a gua e o nome Amores.
Toda a gua da fonte da Quinta das Lgrimasat hoje ainda existe, ou seja, at aos dias de hoje a Ins ainda chora.
20. 136