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    Instituto Sedes Sapienti Curso de Pedagogia Simblica Junguiana

    1 Ano

    Curso de Superviso com Tcnicas Expressivas

    3 Ano

    Curso de Psicologia e Psicopatologia Simblica Junguiana

    6 Ano

    Docente: Dr. Carlos Amadeu Botelho Byington

    Resumo da 33 Aula: 03.12.2015

    Boa noite a todos. Hoje a ltima aula do nosso curso, este ano.

    Abordaremos mais uma vez a passagem da quinta para a sexta fase da vida e

    depois, para a stima, desta vez, no reinado de dipo em Tebas, antes e aps a sua

    descoberta trgica. A seguir, veremos a coragem do heri de alteridade, como

    andarilho, expondo sua Sombra, guiado por sua Anima projetada em Antgone: antes um

    rei, mas agora, miservel e andrajoso. Veremos na resilincia dessa peregrinao, a

    ilustrao do Arqutipo da Santidade.

    Indo alm, acompanharemos dipo, abenoado pelas deusas do santurio de

    Colono, acolhido por Teseus e seus sditos atenienses, para desapegar-se do amor de

    sua filha Antgone e do prprio corpo, e entregar-se morte. Esta parte da aula deve ser

    acompanhada pela leitura do ltimo captulo da Psicologia Simblica Junguiana, que

    inclui a interpretao do Mito de dipo. Terminaremos a aula e o curso com um exerccio

    de meditao e desapego, guiados pela respirao (Pranayama), vivenciando o vazio e

    a fuso da identidade com ele, no reconhecimento, na admirao, na gratido e no

    amor por sua natureza, como esprito da criao.

    Como j disse a vocs muitas vezes durante o nosso curso, no concordo com

    Freud em ter colocado o Complexo de dipo como a pedra angular do desenvolvimento

    normal da personalidade. Considero o Mito de dipo um mito ilustrativo da disfuno

    psicoptica e psictica da tradio patriarcal de um indivduo, da sua famlia e da sua

    cultura e, por isso, no pode servir como parmetro de desenvolvimento normal.

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    Em contraposio a Freud, descrevi o desenvolvimento normal da personalidade e

    da famlia, por intermdio do quatrnio primrio, representando a interao do

    complexo materno, do complexo paterno, do vnculo entre eles e das reaes da

    criana para formar a identidade dela dentro do princpio da causalidade e da

    sincronicidade. Neste quatrnio, a relao da criana com os pais e dos pais com ela

    pode apresentar, em diferentes momentos, dio e amor, inveja e cime, atrao ertica e

    repulso, e quaisquer outras funes estruturantes, tanto na normalidade quanto na

    patologia, caso sofram fixaes e formem defesas e Sombra.

    O Problema Moral e Cientfico do Conceito do Complexo de dipo

    O conceito do perverso polimorfo representa na teoria psicolgica um deservio

    s crianas, cultura e educao, pelo fato de projetar defensivamente na fantasia

    infantil o abuso sexual e a violncia dos pais.

    Freud (1856-1939) viajou para Paris em 1885 e estagiou at 1886 nos hospitais

    Salptrire (homens) e Bictre (mulheres), que eram dirigidos por Jean-Martin Charcot

    (1825-1893). Nesse estgio, Freud presenciou a hipnose de muitos pacientes histricos e

    assistiu a numerosas palestras de Charcot, que relacionava a histeria com uma

    fragilidade constitucional que levava a uma degenerao mental. Simultaneamente,

    Freud assistiu a palestras no Instituto de Medicina Legal, nas quais foram apresentados

    casos de crianas, sobretudo meninas, abusadas sexualmente por seus cuidadores, no

    raro, por seus prprios pais, com a conivncia de cuidadoras que frequentemente eram

    sua prpria me.

    Freud retornou a Viena em 1886 e, anos depois, ouviu o caso de Anna O., que

    hoje sabemos ser Bertha Pappenheim, relatado por seu colega Joseph Breuer (1842-

    1925). Breuer relatou a Freud, em 1892, que havia tratado Anna O., dez anos antes, de

    uma fobia que a impedia de beber gua, o que a obrigava a beber somente suco de

    frutas. Sob hipnose, que Anna O. chamava chimney-sweeping, (limpeza da chamin),

    ela lembrou que havia visto a cachorrinha Pinscher de sua governanta, de quem no

    gostava, beber gua de um copo, em cima da mesa de refeies. Ao despertar da

    hipnose, Anna pediu gua: estava curada da fobia. Aqui teve incio a psicanlise, com a

    teoria do inconsciente dinmico.

    Em 1893, Breuer publicou o caso de Anna O. Em 1895, Freud e Breuer publicaram

    o caso de Anna O. e 4 casos de histeria, de Freud. Breuer afastou-se de Freud, porque

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    no concordava com a generalizao da etiologia da sexualidade Durante anos, Freud

    acreditou que os casos de histeria e de neurose obsessiva eram devidos seduo das

    crianas por seus pais. Em 1897, ele mudou radicalmente sua posio e passou a

    achar que esses relatos no eram verdadeiros: resultavam da imaginao das

    crianas.

    Na carta de 21.09.1897, dirigida a Friess, Freud apresentou, pela primeira vez, os

    motivos da rejeio da teoria da seduo: Tenho que te confiar o grande segredo que

    lentamente em mim se ilumina nestes ltimos meses. J no acredito na minha

    neurtica. (Jones, Vol. I, p. 321). Freud passou a achar que as cenas de seduo so,

    s vezes, produtos das reconstrues imaginadas. Esta suposio foi associada teoria

    da sexualidade infantil, do Complexo de dipo e do complexo de castrao.

    A autoanlise de Freud, louvada por todos como algo heroico e maravilhoso, foi

    considerado o ato fundador da psicanlise (Gay, p. 103). Iniciada em 1890, atingiu seu

    ponto importante no incio do vero de 1897, exatamente quando ele renegou a teoria da

    seduo. Que coragem extraordinria foi necessria para empreend-la (Jones, Vol I p.

    321).

    Em 1914, Freud comentou esta deciso da seguinte forma: Quando essa etiologia

    (da seduo dos pais) se desfez, fruto da sua prpria inoperabilidade e contradio em

    circunstncias definitivamente comprovveis, o resultado imediato foi estupefao. A

    anlise levou para os caminhos corretos de volta a esses traumas sexuais e, entretanto,

    eles no eram verdadeiros. A realidade foi perdida debaixo dos prprios ps. Naquele

    momento, eu teria alegremente deixado tudo de lado, da mesma forma que meu estimado

    colega Breuer, quando ele fez a sua mal recebida descoberta (provavelmente a crise de

    pseudo-ciesis de Anna O.). Talvez eu tenha perseverado somente porque no tinha outra

    alternativa e no podia naquela poca (em 1897, Freud tinha 41 anos), recomear essa

    outra alternativa (Jones, Tomo I p. 266).

    Na carta em que Freud deu essa notcia a Fliess (21.09.1897), apresentou quatro

    razes para a sua descrena (a veracidade da seduo das crianas por adultos,

    principalmente da menina pelo pai).

    Primeiro, por no poder levar suas anlises a um fim satisfatrio.

    Segundo, para sua surpresa, ter que acreditar que todos os pais de suas

    pacientes tiveram perverses sexuais (inclusive o seu prprio). Tal fato haveria de ser

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    muito mais frequente que a histeria, pois, para formar essa sndrome, sao necessrias

    muitas circunstncias coadjuvantes.

    Terceiro, devido sua clara percepo de que no inconsciente no existe o critrio

    de realidade. Assim, a verdade no pode ser separada da fico emocional.

    Quarto, porque essas memrias nunca emergem nos delrios das mais graves

    psicoses (Jones, Tomo I, p.266).

    Algo pouco lembrado que Joseph Freud, pai de Freud, faleceu aproximadamente

    um ano antes, em 23 de outubro de 1896, e a ambiguidade entre sublimao e rejeio

    vivenciada nesse evento marcaram muito Freud: (Jones, Tomo I, p. 321), a teoria da

    seduo incluia sintomas histricos de seu irmo e de vrias de suas irms, imputados a

    seu pai. O abandono da teoria da seduo, em 1897, esteve relacionado com tudo isso e,

    principalmente, com as descries da sexualidade infantil e com a vivncia de paixo

    por sua me e cime de seu pai , o que ele descobriu em sua autoanlise (Jones, Tomo

    I p. 326).

    A partir da, Freud abandonou a teoria da seduo e passou a considerar as

    fixaes e os sintomas histricos como resultado da fantasia dos pacientes. Assim

    nasceu o conceito da criana perverso polimorfa, acoplado ao Complexo de dipo

    e sexualidade infantil.

    Em seu livro Atentado Verdade: A Supresso da Teoria da Seduo por Freud,

    (1984), o psicanalista Jeffrey M. Masson, que foi diretor dos arquivos da Sociedade

    Psicanaltica de Londres, publicou uma srie de cartas at hoje inditas, com

    consideraes sobre a deciso de Freud de desconsiderar a teoria da seduo. Segundo

    Masson demonstra com a correspondncia de Freud, de Fliess e de outros analistas,

    Freud se achava isolado e desprestigiado com a teoria da seduo. Por isso, aproveitou

    um caso de depoimento mentiroso de uma paciente, para invalidar covardemente outros

    que sabia verdadeiros.

    O caso de Sandor Ferenczi, tratado em detalhes por Masson nesse livro, muito

    impressionante. Segundo ele demonstra, Ferenczi foi desmoralizado dentro do

    movimento psicanaltico, no por defender uma relao ntima com pacientes, como foi

    divulgado, mas por acreditar terem sido muitas pacientes realmente abusadas e serem

    seus relatos verdadeiros, contrariamente linha mestra adotada pela Psicanlise que

    considerava como fantasias seus relatos.

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    De qualquer forma, por covardia ou no, o fato de Freud ter criado nao s o

    conceito do perverso polimorfo, (todas as crianas o teriam, ao nascer), mas tambm o

    conceito do Complexo de dipo, (nico responsvel por sua patologia,

    independentemente da conduta criminosa de Laios e Jocasta), influenciou

    intensamente a Psica