Curso básico de análise gráfica mercado de ações

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1. Curso bsico de anlise grfica Marcio Noronha 2. 2 ESTOPE: sua garantia de sobrevivncia no mercado Apesar deste assunto precisar de poucas linhas para ser explicado, as implicaes que carrega consigo mereceriam um curso ou um livro inteiro. Estope, da palavra inglesa stop, significa parar. Na anlise grfica, um nvel de preo ou valor que, quando alcanado, revela que a estratgia operacional utilizada numa operao de compra ou venda est saindo fora do previsto e deve ser interrompida. O objetivo do seu uso, num primeiro momento resguardar seu capital, com uma pequena perda, para que possa voltar ao mercado num outro momento que julgue adequado. Num segundo momento, se a sua operao inicial estiver evoluindo favoravelmente, sua funo passa a ser a de proteger uma parte dos lucros auferidos at aquele momento. Estas so as suas aplicaes mais comuns. Algumas vezes tambm utilizado para iniciar uma operao. Imagine que tivesse preparado uma estratgia para comprar/vender um determinado ativo e que a condio de compra/venda implicasse na ultrapassagem/penetrao da mxima/mnima da barra do dia anterior 1 . Voc pode deixar esta ordem com o seu corretor e ele vai acompanhando o mercado diariamente at que a condio seja atingida e a ordem executada, ou voc pode cancel-la antes da sua execuo. Nas bolsas americanas, uma ordem de compra deste tipo chamada de trailing buy-stop technique e a de venda trailing sell-stop technique. O que nos importa, entretanto so as duas primeiras. Esta ltima apenas uma tcnica de entrada no mercado. Acredito que a maioria de vocs que j operaram, j sentiu na mente e no bolso o que fazer uma investida no mercado e depois ficar vendo seu capital se evaporar, na maioria das vezes inertes, congelados como se diz na gria do mercado. Dependendo do mercado que estiver operando, um engano deste tipo pode lhe deixar completamente travado e muito tempo ter que passar at que tenha o seu capital de volta. Em outros casos mais extremos, pode consumir todo seu capital e ainda deix-lo endividado j vi muitos assim, inclusive fui um deles! Quando voc um principiante, isto ocorre por ignorncia! Quando toma cincia de que pode utiliz-lo e no o faz, indisciplina! Em teoria, parece fcil adotar a postura de colocar um estope e cumpri-lo. Na prtica, no to fcil assim. Relutamos em reconhecer quando estamos errados, principalmente porque quando acontece, j estamos perdendo algum dinheiro e fica sempre a esperana de que o mercado possa retomar a direo da nossa operao e recuperarmos o dinheiro que estamos perdendo naquele momento. No sei por que razo, talvez porque os principiantes geralmente ingressem no mercado prximo do final de um ciclo de alta, motivados pela mdia, as primeiras operaes acabam dando certas, isto , ocorre um prejuzo inicial e alguns dias depois o mercado volta a subir e fica tudo em ordem. Mas, s uma questo de tempo! Daqui a pouco, j mudou sua posio e, subitamente, quando se d conta, o lucro da primeira operao j foi para o espao, o prejuzo j est enorme e s lhe resta rezar. Desnecessrio dizer, mas este tipo de coisa s acontece devido ao desconhecimento que temos sobre o tabuleiro do jpgo e o funcionamento do mercado. Se voc no tem uma idia sobre onde est, no sabe para onde ir! mais ou menos como navegar tendo como referncia s estrelas ou navegar usando uma bssola e um sextante. Um intui e outro tem certeza! Apesar da importncia, tambm no pretendo me alongar muito. Mais adiante, quando estivermos trabalhando na metodologia operacional, este assunto ser visto cuidadosamente. Por ora, fixe o seguinte: Estope de entrada ou inicial: um nvel de interrupo do prejuzo quando uma estratgia operacional previamente definida e concretizada no evolui conforme esperado. Estope de proteo (dos lucros): depois que tiver iniciado uma operao, se ela seguir evoluindo dentro do esperado, o estope de entrada deve ser deslocado, assim que for possvel, para um valor na mesma direo da sua operao, que lhe permita sair com algum lucro, ainda que o mercado comece a se movimentar na direo contrria sua operao. 1 Estas estratgias sero explicadas adiante. 3. 3 Introduo Nos anos iniciais da minha atividade burstil achava que o sobe desce dos preos das aes estavam diretamente relacionados com os seus fundamentos. O fato de uma empresa mostrar bons resultados e sinalizar uma trajetria futura favorvel deveria se refletir numa subida dos preos e vice- versa. No mundo real, entretanto, muitas vezes a coisa no funcionava assim. Na busca de uma resposta, a minha viso sobre o mercado de aes comeou a mudar em 1984, quando tive a oportunidade de ler o livro de Joseph Granville intitulado GRANVILLES New Strategy of Daily Stock Market Timing for Maximum Profit2 . Ao trmino da leitura da primeira pgina, j havia comeado a ver o mercado por um outro prisma. De fato, logo na primeira frase percebi que havia algo novo quando li que O mercado de aes um jogo. Todas as referncias sobre a situao dos negcios, lucros das empresas, liquidez, taxas de juros, etc. so estratgias do mercado para criar armadilhas aos jogadores que ficam atentos a esses fatores, freqentemente estranhos, ilusrios, sobre o que o mercado est preste a fazer. Foi um curto-circuito nas minhas crenas! Decidi, ento, estudar anlise tcnica. Na falta de literatura em portugus comecei a comprar livros americanos e, aos poucos, fui me auto-educando. Comecei pelo livro do Murphy3 , uma obra bastante abrangente e de leitura muito fcil. Sendo um tipo de enciclopdia sobre anlise tcnica, tomei contato com uma srie de teorias e ferramentas que, salvo as tcnicas do Ponto-Figura e a do ndice de Fora Relativa, nunca ouvira falar. Depois, aos poucos, fui importando livros especficos sobre os principais temas que conheci na obra do Murphy. Meu processo de aprendizado durou cerca de dez anos, durante os quais, tudo o que assimilei foi posto em prtica. Tentava um mtodo e no dava certo. Tentava um novo e o resultado se repetia. Assim foi ao longo daqueles anos... Uma seqncia de tentativas frustradas. No culpo os mtodos nem as tcnicas por estes desastres sucessivos. Certamente, a culpa foi minha. Hoje, quando olho para trs, percebo que meu erro bsico foi de postura. No me lembro, realmente, se em algum dos livros sobre os quais me debrucei, li alguma coisa sobre seguir o mercado colocado de maneira enftica. At onde me lembro, todas as teorias e tcnicas que aprendi estavam dirigidas para antecipar o que o mercado iria fazer, melhor dizendo, para prognosticar o movimento do preo antes que ele ocorresse. Tudo estava direcionado para formar uma opinio sobre o mercado. Outro aspecto que gerou muita confuso foi o conhecimento e o uso de muitas ferramentas em busca de uma harmonia. Nunca encontrei esta harmonia, quando um indicador dizia pau o outro dizia pedra. Mas, fcil de entender o porque dessa falta de sintonia. Basicamente, existem dois tipos de indicadores: os rastreadores de tendncia (o MACD, Movimento Direcional, o Parablico, as Mdias Mveis, etc.) e os osciladores (o FR, o Estocstico, o Momento, o William %, etc.). Como cada um deles construdo com lgicas diferentes e seus autores recomendam que sejam usados com determinados defaults, rastreiam e oscilam em tempos diferentes. Assim, enquanto um oscilador pode estar sobrecomprado, no mesmo instante um outro pode estar sobrevendido. Ento, qual o que est certo? Em qual se pode confiar? Qual a periodicidade ideal? O mesmo vale para os rastreadores. O MACD j pode ter sinalizado compra 2 Nota do autor: em 1986, lancei a traduo desta obra em portugus com o ttulo de Timing A Nova Estratgia Diria de Maximizao dos Lucros no Mercado de Aes. 3 John J. Murphy Technical Analysis of the Futures Markets 4. 4 enquanto o Movimento Direcional ainda no. Se esperar que ambos entrem em sintonia, pode ser tarde para um deles. Enfim, convivi durante anos com estes e outros tipos de problemas, sobre os quais no vejo necessidade de me alongar. Aps muitos anos marcando meus grficos manualmente com lpis e papel apropriado, j tinha adquirido uma grande intimidade com a anlise grfica. Sabia definir os nveis de suporte e resistncia, bem como, traar as linhas de tendncia significativas com perfeio. Apesar disso, no era por a que tomava as minhas decises, ou melhor, o grfico era determinante apenas quando conseguia identificar um padro de reverso ou de continuao, sem dar a devida importncia teoria de Dow. Preferia avaliar o mercado atravs das teorias e ferramentas usando o grfico apenas para determinar o ponto de entrada. A primeira vez que ouvi falar em Simetria foi em 1994, quando acidentalmente, tive a felicidade de tomar contato com o livro The Adam Theory of Markets or What Matters is Profit escrito por Welles Wilder Jr. Naquela poca, j havia notado nos meus grficos uma tendncia a repetio, no sentido inverso, toda vez que um movimento se invertia. Melhor dizendo, notava que a maioria dos grficos tinham uma propenso a formarem topos e fundos em forma de V ou de V invertido. Entretanto, no sabia o que fazer com aquilo, nem como tirar algum proveito em termos operacionais. Ao ler o livro descobri que aquilo que eu apenas via como uma coincidncia, tinha servido de base para uma nova abordagem grfica, transformado numa nova teoria denominada de Adam Theory4 ou mtodo da Reflexo Dupla. E mais ainda, sabia agora o que procurar nos grficos! Depois de experimentar esta tcnica durante um tempo, desenvolvi uma variante que denominei de Simetria Sanfonada, de onde se originou este curso. Extremamente simples na sua aplicao, mais fcil ainda nos seus critrios de compra e venda. Alm disso, quase no necessita de indicadores complementares, apenas ndices setoriais para dar uma idia geral dos diferentes cenrios do mercado. Embora a Bovespa no dispusesse de ndices setoriais para todos os setores, o uso da linha de avano e declnio me permitiu desenvolver ndices para todos os setores de um modo bem simples e totalmente confivel, como veremos mais adiante. Este curso, embora muito simples, em tese no deveria ser para leigos. Seria preciso que j tivesse algum conhecimento prvio, principalmente de anlise grfica. Como no tem, decidi ministr-lo virtualmente para que no futuro esteja preparado para fazer o meu curso avanado ou qualquer outro que deseja participar. Marcio Noronha . 4 A Teoria de Adam 5. 5 O Bsico Este curso foi projetado com o objetivo de prepar-lo para decidir o melhor momento para comprar, vender ou ficar de fora de uma ao, utilizando apenas alguns recursos proporcionados pela anlise grfica e umas poucas ferramentas complementares . Mas, antes de iniciar o curso, ser necessrio que aprenda o que ou representa uma ao e algumas particularidadessobreelas, pois afinal de contas elas sero o principal objeto deste curso, a nossa ficha de jogo!. Aes: So ttulos de renda varivel, emitido por sociedades annimas, que representam a menor frao do capital da empresa emitente. Podem ser escriturais ou representadas por cautelas ou certificados. O investidor em aes um co-proprietrio da sociedade annima da qual acionista, participando dos seus resultados. As aes so conversveis em dinheiro, a qualquer tempo, pela negociao em bolsas de valores ou no mercado de balco. Exemplo: Suponha que voc e seus amigos pretendam fazer um investimento para criar um site na Internet voltado para o mercado financeirodenominado Aplicar.com e, para tal, desejem criar uma empresa. O valor do investimento a ser efetuado ser o capital social da empresa. Mas, como cada um dos amigos deseja investir valores diferentes resolveu-se dividir o capital por um nmero determinado de unidades iguais. Assim, cada um dos investidores ter um nmero determinado de unidades, representativas da proporodoseuinvestimento. Supondo que o investimento inicial seja de R$100.000,00 dividido em 100 partes iguais, podemos dizer, ento, que cada uma das 100 aes desta empresa vale R$1.000,00, ou que o capital social desta empresa es t representado por 100 aes * no valor de R$1.000,00 cada uma. Alm disso, imaginando que no futuro as aes dessa empresa sero negociadas na Bolsa de Valores em busca de novos scios e recursos mais baratos do que recorrer ao sistema bancrio em geral, os scios -fundadores decidiram dividir o capital social da empresa em aes do tipo ordinrias e preferenciais de mesmo valor. Assim, a cada ao ordinria corresponde uma ao preferencial e o capital social da empresa ficou representado por 50 aes ordinrias e 50 aes preferenciais. As aes Ordinrias proporcionam aos seus detentores uma participao nos resultados da empresa e conferem ao acionista o direito de voto em assemblias gerais, portanto conferem direito de mando na empresa. As aes Preferenciais garantem ao acionista a prioridade no recebimento de dividendos (geralmente em percentual mais elevado do que o atribudo s aes ordinrias) e no reembolso de capital, no caso de dissoluo da sociedade. Capitalsocial:R$100.000,00 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Cada quadrado interno representa 1/100% do capital social, no caso representado por uma ao no valor de R$1.000,00. O quadrado externo (o todo, a linha mais espessa), ao lado, representa a 100% do capital social da empresa Aplicar.Com, dividido em 100 partes (aes) no valor de R$1.000,00 cada, com 50 aes do tipo ordinria e 50 aes do tipo preferencial. Aplicar.com 6. 6 Uma vez criada a empresa, suponhamos que tenham sido atendidos junto aos rgos competentes todos os requisitos para que a ela possa, a partir de agora, ter as suas aes negociadas na Bolsa. A forma de negociao ser por transferncia escritural. Tambm poderia ser Nominativa. O que distingue uma da outra que as Aes Escriturais no so representadas por cautelas ou certificados, funcionando como uma conta corrente, na qual os valores so lanados a dbito ou a crdito dos acionistas, no havendo movimentao fsica dos documentos, ao passo que as Aes Nominativas so cautelas ou certificados que apresentam o nome do acionista, cuja transferncia feita com a entrega da cautela e a averbao de termo, em livro prprio da sociedade emitente, identificando o novo acionista. As aes apresentam uma rentabilidade varivel. Parte dela, composta de dividendos ou participao nos resultados e benefcios concedidos pela empresa, advm da posse da ao; outra parte advm do eventual ganho de capital na venda da ao. Dividendos - A participao nos resultados de uma sociedade feita sob a forma de distribuio de dividendos em dinheiro, em percentual a ser definido na Assemblia Geral Ordinria de Acionistas, de acordo com os resultados obtidos pela empresaemdeterminadoperodo. Bonificao em Aes - Advm do aumento de capital de uma sociedade, mediante a incorporao de reservas e lucros, quando so distribudas gratuitamente novas aes a seus acionistas, em nmero proporcional s j possudas. Direitos de Subscrio - o direito de aquisio de novo lote de aes p...

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